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terça-feira, 8 de setembro de 2026

“Miroirs No. 3”: o gesto e o resto

Miroirs No. 3 (2025), de Christian Petzold

Escrito por Daniela Rôla 

“A simplicidade é a complexidade resolvida.”

Constantin Brâncusi

Era uma vez… uma jovem chamada Laura, que viajava de carro com o namorado por estradas tranquilas. No caminho, algo muito triste aconteceu, e Laura ficou sozinha e perdida, sem saber para onde ir.

Uma senhora chamada Betty encontrou Laura e levou-a para sua casa, que ficava num lugar calmo, com árvores, silêncio e rotinas simples. Betty cuidou dela com atenção, deu-lhe comida, descanso e um lugar seguro para ficar.

Laura conheceu também o marido e o filho de Betty. Aos poucos, todos aceitaram Laura, e ela passou a ajudá-los nas pequenas tarefas do dia a dia. Juntos, comiam, trabalhavam e partilhavam o tempo, quase como se fossem uma família.

Mas aquela casa escondia uma tristeza antiga, e Laura percebeu que, ao estar ali, fazia os outros lembrar alguém que já tinha partido. E compreendeu que não podia ocupar esse lugar.

Então, quando chegou a hora, Laura partiu também. Voltou à sua cidade, sentou-se ao piano e tocou. A música não apagou a tristeza, mas mostrou que ela podia continuar.

Miroirs No. 3 (2025) poderia ser um conto infantil, no tom leve que acima se sugere. Christian Petzold conta esta história sem ornamentos, sem excessos, quase em voz baixa. O que acontece é mínimo – alguém perde, alguém acolhe, alguém parte – mas é precisamente nessa simplicidade que o filme toca algo de essencial. Ao retirar o dramatismo, a necessidade de explicar tudo e a psicologia barata, Petzold deixa a descoberto gestos elementares: cuidar, permanecer, deixar ir. O filme parece pequeno, nos seus 86 minutos e na sua escala, quase frágil, mas é exactamente aí que reside a sua força: como os contos, fala de algo que todos conhecemos antes das palavras.

A história de Laura (Paula Beer) corre como um conto para crianças, despojado de pormenores supérfluos. Mas, como no tema de Ravel que lhe empresta o nome, Miroirs No. 3 não é simples por ser pobre, mas por ser rigoroso: cada gesto, cada silêncio e cada rotina quotidiana funcionam como ondas que vão e vêm, reflectindo perdas, ausências e pequenas presenças.

O filme integra o elemento do ar, sugerindo liberdade, respiração e espaço entre as personagens, como se cada gesto e cada olhar fossem movimentos atmosféricos que atravessam o cenário e ligam passado, presente e memória. Essa simplicidade é sofisticada: ela permite que a narrativa, aparentemente leve como o vento, toque algo universal sobre a experiência humana, funcionando como um espelho onde o espectador se reconhece.

A ideia de reflexo está ainda na forma como cada personagem funciona como espelho do outro: Laura vê em Betty (Barbara Auer) a dor da perda; Betty vê em Laura a presença da filha; o marido e o filho veem nelas uma forma de relacionarem-se com a perda. Mas também no seu interior o filme encerra outros espelhos, de situações, de figuras, de objectos, de gestos. Se Jacques Demy concebia a exuberância de cor e de música como enigma para encerrar o essencial não dito, Petzold consegue fazer algo de semelhante sob um manto de ascetismo bressoniano.

O espelho manifesta-se também em relação a outros filmes do realizador alemão, em particular aos que integram a parte inicial da sua sequência dos elementos:  Undine (2020), – água – e Roter Himmel (Céu em Chamas, 2023) – fogo. Neles é possível encontrar objectos que dialogam entre si (a máquina de lavar a roupa de Rotter Himmel e a máquina de lavar a louça de Miroirs No. 3), bem como sons mínimos, distintos, que assumem protagonismo (os mosquitos num filme, os pássaros no outro).

São gestos que se reiteram, tanto no interior de cada filme como de filme para filme – o andar de bicicleta, o olhar através da janela, o gesto de virar a cabeça para trás, o carro que acelera, as peças de roupa, ou ainda, no contexto de Miroirs No. 3, as frases recorrentes (“esqueci-me da carteira”; “eles devem querer estar sozinhos”) ou o olhar frontal dirigido à cortina da janela do apartamento.

A natureza toma forma no ar, que é, por definição, ausência de forma. Parece confuso? Na verdade, é de uma extrema simplicidade: um artifício que opera de modo singelo – mais uma vez, o contrário do artifício – para contar uma história.

São os pequenos ruídos do quotidiano que provocam ou traduzem uma hipersensibilidade: o tilintar dos pratos e talheres, os passos que fazem ranger o soalho, o som distante das obras no terreno da oficina. Em contraponto, surgem os grandes ruídos que se impõem e perturbam: o acidente de automóvel, a explosão da máquina de lavar a louça.  

A progressão narrativa opera, assim, com recurso a pequenos nadas, a sinais quase imperceptíveis. Assistimos à recomposição de um casal que se havia afastado e que agora caminha de mãos dadas, furtando-se a outros olhares; vemos Betty tornar-se mais bela, mais cuidada, mais sofisticada na sua forma de vestir.  

Acompanhamos Laura e Betty no processo de recuperação de um trauma, cada uma habitada pelos seus próprios fantasmas, ligadas por uma entreajuda inconsciente. O trauma de Laura não decorre apenas da perda do namorado; note-se que existe já nela uma perturbação anterior ao acidente. As duas mulheres relacionam-se sem saberem – e sem que saibamos nós, espectadores – de que matéria é feito o seu passado, quem são fora daquele encontro. Apresentam-se como uma “folha limpa”, sem qualquer carga prévia, uma perante a outra. São, simplesmente, duas mulheres que se relacionam. 

Estamos no território dos vivos, dos fantasmas, dos sonhos? Desde logo, o nome Laura evoca a personagem homónima de Gene Tierney, que regressava ao mundo dos vivos quando Dana Andrews despertava de um sonho. A Laura de Paula Beer sobrevive miraculosamente a um grave acidente de viação, com o automóvel abandonado na natureza como se fosse uma instalação artística, um corpo estranho que remete para o prodigioso Les choses de la vie (As Coisas da Vida, 1970), de Claude Sautet, com as longas divagações mentais do moribundo Michel Piccoli. Mas Miroirs No. 3 é também um parente próximo de Yella (2007), o que nos coloca, enquanto espectadores, num estado de desconfiança desde o momento do acidente, numa incerteza da realidade.

O encontro entre Laura e Betty (já depois daquele primeiro reconhecimento, uma fugaz troca de olhares quando Laura seguia no automóvel) ocorre num mundo estranho, despojado, num minimalismo quase opressivo, marcado pelas ausências de som, de objectos, de pessoas – de passado! – que exacerba tudo aquilo que está presente. A simples tarefa de pintar uma cerca adquire a dimensão de uma tarefa de uma vida.

Há algo que é difícil de agarrar, está lá e não está, sem que saibamos explicar o que torna este ambiente, desprovido de grandes ornamentos, tão irreal (e neste ponto se reforça o paralelismo com Yella). O ornamento é crime, diria Adolf Loos. Laura e Betty são duas mulheres suspensas entre a vida e a morte, num lugar da vida que roça a loucura. Esse isolamento em relação ao mundo (uma espécie de esclarecimento superior) torna possível a comunicação entre ambas, abrindo um espaço de compreensão e empatia.

Durante um longo período, o filme pertence quase integralmente a estas duas mulheres. Os homens (“os meus homens”, como afirma Betty) apenas entram em cena mais tarde, convocados pela iguaria preparada por Laura, as célebres Königsberger Klopse.

Em Petzold, o ofício de representar passa pelo corpo, por uma fisicalidade vincada que aqui se afirma de forma exemplar. A maneira como cada personagem caminha torna-se expressiva: Laura, titubeante no início, vai ganhando firmeza; Max (Enno Trebs) move-se como um adolescente em ponto grande; Betty, por vezes, parece pairar, deslocar-se como se fosse impelida apenas pelo sopro do vento.

Neste micromundo, perdido na vastidão da paisagem campestre, a câmara encontra espaço apenas para os quatro rostos que compõem esta família inquinada – Betty, Max, Richard (Matthias Brandt) e Laura, que vem ocupar o lugar da filha. Quando os quatro se encontram no alpendre da casa, os vizinhos espreitam; a sua arrogância é palpável, mas deles pouco mais vemos do que um pequeno rosto que se perde na tela. São rostos imaginados, ainda assim não menos agressivos, tanto no modo abusivo como observam uma casa que não lhes pertence, como na forma como julgam aquela família. 

A pergunta a que ambas as mulheres, Laura e Betty, procuram dar resposta é, afinal, a mesma: como recuperar de um trauma? Uma interrogação que tanto vale para um indivíduo como para uma nação – regressando, assim, aos múltiplos jogos de espelhos do filme. No final, a recuperação do trauma assume a forma de um gesto de extrema simplicidade: o olhar de Laura, que volta a deter-se na janela do seu apartamento, tal como no início do filme. A cortina de uma outra janela, a da casa que ela abandonou, conservava o grão próprio de uma cópia de película riscada após muitos visionamentos, carregada de passado. Mas é nesta casa que renasce uma vitalidade nova, uma confiança num futuro possível.

★★★★☆

 

 

[Fonte: www.apaladewalsh.com]

Día Nacional del Quetzal, Guatemala honrará a su ave símbolo

El Día Nacional del Quetzal favorecerá hoy en Guatemala las muestras de honor al ave que no solo deviene emblema, sino además representación de la libertad, belleza e identidad cultural.  


Distintas instituciones estatales desarrollarán actividades educativas, ceremonias cívicas, exposiciones y campañas de concienciación sobre la importancia de protegerla y preservarla, según mensajes en las redes sociales.

Desde tiempos prehispánicos, de acuerdo con reportes históricos, las civilizaciones mesoamericanas la consideraron sagrada, vincularon a la luz, la primavera y a la divinidad Kukulkán o Quetzalcóatl.

En la cosmovisión maya, sus plumas largas y verdes eran usadas en tocados y ornamentos ceremoniales por la nobleza (gobernantes y sacerdotes) como símbolo de estatus y espiritualidad.

La tradición oral trasmitió que el quetzal era el nahual (espíritu guardián o compañero) de Tecún Umán, destacado y príncipe k’iche’ que lideró la resistencia indígena contra la conquista española capitaneada por Pedro de Alvarado en 1524.

Mientras el príncipe combatía, el ave sobrevolaba la batalla apoyándolo. Al caer abatido el guerrero, descendió sobre el pecho ensangrentado, sus plumas del pecho se tiñeron de rojo brillante y emitió un último canto lúgubre.

La leyenda sostiene que, a partir de ese momento, el quetzal perdió la voz y juró no volver a emitir sus sonido alegre ni vivir sometido en jaulas hasta que los pueblos originarios recuperaran su libertad total.

El poeta cubano José Joaquín Palma, autor del himno de este país, la inmortalizó en estrofas que recuerdan que “antes muerto que esclavo vivirá”.

El presidente Miguel García Granados (1871-1873) declaró ave nacional al quetzal y con ese nombre el gobierno de José María Orellana (1921-1926) bautizó a la moneda local.

En 1979, el Organismo Ejecutivo, a través del Ministerio de Educación y del Consejo de Áreas Protegidas, estableció la conmemoración anual cada 5 de septiembre.

El hábitat natural del quetzal se encuentra principalmente en los bosques nubosos entre los 1.500 y 2.700 metros de altura, de los departamentos Alta y Baja Verapaz, Huehuetenango, Quiché y San Marcos.

Sin embargo, especialistas señalan que se encuentra incluido en la categoría 3 del Listado de Especies Amenazadas, por la pérdida y fragmentación de esa área, el avance de la frontera agrícola y los incendios forestales.

idm/znc

 

[Fuente: www.prensa-latina.cu]

Artistas portugueses saem do festival acusado de “normalizar o genocídio”

Vários artistas anunciaram o cancelamento da sua presença no festival Commedia a La Carte, que tem como cabeça de cartaz Jerry Seinfeld, o humorista que apoia o genocídio em Gaza. 


Marcado para o final de outubro em Lisboa, o Festival MEO Commedia a La Carte viu nos últimos dias vários artistas cancelarem a sua presença. Os cancelamentos do concerto do Conjunto Cuca Monga e do espetáculo Tributo Pop, com Tatanka, Carolina Deslandes e Bárbara Tinoco, foram os primeiros a ser divulgados pela organização.

Mais tarde, a dupla de comediantes Cebola Mol, de Eduardo Madeira e Filipe Homem Fonseca também anunciou que não faria parte do cartaz do evento. "Celebraremos justiça, liberdade e alegria numa próxima oportunidade”, afirmaram os humoristas nas redes sociais, publicando uma foto sua ao lado da imagem de uma fatia de melancia, associada ao movimento de solidariedade com o povo palestiniano.

A atriz Inês Aires Pereira foi mais explícita ao justificar o cancelamento com a recusa de “normalizar um genocídio” e referindo que um dos nomes convidados "defende insistentemente ideias e atos" que considera "indefensáveis".

Outros nomes em cartaz que já anunciaram o cancelamento são o artista visual Vhils e o humorista Pedro Tochas.

A razão principal da debandada de artistas deste festival que pretendia reunir "o melhor da comédia, teatro, música, performance, 'storytelling' e cultura pop" é a presença como atração principal do humorista Jerry Seinfeld, que desde o início do genocídio em Gaza não tem poupado apoios à ação militar israelita e críticas ao movimento de solidariedade com a Palestina.

Seinfeld comparou mesmo o movimento pela Palestina Livre ao Ku Klux Klan, acusando os ativistas contra o genocídio em Gaza de partilharem o antissemitismo do KKK. “Digam só que não gostam de judeus. Ao dizer 'Libertem a Palestina', não estão a admitir o que realmente pensam. Por isso, na verdade — em comparação com o Ku Klux Klan, acho que o Klan é um pouco melhor, porque podem dizer logo à partida: 'Não gostamos de negros, não gostamos de judeus'. OK, isso é honesto”, afirmou o artista na Universidade de Duke. Noutra ocasião, desafiado a dizer “Free Palestine” num espetáculo, respondeu a dizer que a Palestina “não existe”.

[Fonte: www.esquerda.net]

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

La guerra de la ultraderecha contra la arquitectura moderna

Escrito por Jan-Werner Müller

Aunque el partido de ultraderecha Alternativa para Alemania (AfD) lleva dos años subiendo en las encuestas, la negativa de otras fuerzas a incluirlo en una coalición de gobierno le ha impedido llegar al poder. Pero este «cortafuegos» depende de que AfD nunca consiga mayoría absoluta, de modo que las elecciones que se celebran este fin de semana en el estado de Sajonia‑Anhalt pueden darle un golpe mortal. 

Es verdad que incluso si consigue formar gobierno en Sajonia‑Anhalt, AfD no podrá hacer mucho en relación con su tema favorito actual: la política de inmigración y la legislación sobre refugiados. Pero los dieciséis estados federados (Länder) de Alemania tienen amplias competencias en materia de política cultural y educativa, y es aquí donde el programa de AfD es más elocuente (y repulsivo). 

Los populistas de ultraderecha siempre libran guerras culturales. Aunque a veces intentan aprovechar las crisis de costo de vida y otros problemas económicos, su mayor compromiso lo tienen con promover la idea de que son los únicos representantes de aquello que denominan «pueblo real». Insisten en que esa categoría solo incluye a ciudadanos que reúnan ciertas características «adecuadas», y nunca pierden oportunidad de impulsar la «remigración», no solo de los refugiados, sino también de ciudadanos «irreales» o «falsos», es decir, los de origen étnico «incorrecto» (o incluso los partidarios de posiciones políticas «erradas»). 

La obsesión por las cuestiones identitarias permite a los partidos de ultraderecha modificar todo el tiempo su agenda económica (yendo del neoliberalismo a apoyar un sólido estado de bienestar) sin dejar de ser de ultraderecha. Lo único que los convertiría en una entidad política diferente sería cambiar la cantilena de los refugiados e inmigrantes. 

Lo que nos trae de nuevo al programa de AfD para Sajonia‑Anhalt. AfD acusa astutamente a lo que denomina «partidos del establishment» (Altparteien), no de corrupción o malicia, sino de tener una voluntad débil como resultado del «masoquismo nacional» y de la poca «autoconfianza». Estos defectos supuestamente tienen raíces «culturales», en concreto, una «tradición de destruir la tradición» que ha dejado al país indefenso frente a las «ideologías del arcoíris». 

Si se sale con la suya, AfD intentará convertir Sajonia‑Anhalt en un modelo de «políticas culturales patrióticas» para los otros estados federados. Promueve un «pensamiento alemán» (#deutschdenken), que implica oponerse a la campaña del actual gobierno regional en favor de la libertad artística y las ideas modernas, inspirada en la Bauhaus. 

La escuela de arte, diseño y arquitectura Bauhaus se fundó en Weimar, pero después se trasladó a Dessau en Sajonia‑Anhalt, donde dejó una agradable impronta en edificios notables como los que diseñó Walter Gropius a mediados de la década de 1920. Pero según AfD, la Bauhaus representa el «arte antialemán», es decir, «el arte alemán que no quiere ser alemán». Si AfD llega al poder, exigirá que todo edificio nuevo que se construya con apoyo financiero estatal refleje aquello que AfD considera una tradición reconociblemente alemana (categoría que, al parecer, no incluye a la escuela de arquitectura más influyente del estado). 

Pero los ataques contra la arquitectura moderna no son exclusividad de la ultraderecha alemana. Desde el ex primer ministro húngaro Viktor Orbán hasta el presidente estadounidense Donald Trump (que emitió varias órdenes ejecutivas para convertir el clasicismo en estilo preferido de los nuevos edificios federales), los líderes de ultraderecha llevan mucho tiempo tratando de transformar el entorno edilicio de modo tal que refleje lo que en su opinión es la tradición nacional correcta. 

Sus motivaciones son variadas. Para empezar, la arquitectura (desde las enormes mezquitas erigidas en Turquía durante la presidencia de Recep Tayyip Erdoğan hasta los prominentes templos hindúes encargados por el primer ministro indio Narendra Modi) ofrece pistas tangibles y muy visibles sobre quiénes se supone que son el «pueblo real». Cuando hablan de «belleza» (una de las consignas de Trump, pero que también promueven figuras más sofisticadas como el líder ultraderechista neerlandés Thierry Baudet, mezcla de intelectual y dandy), en realidad están hablando de defender las jerarquías tradicionales en todos los ámbitos, desde el hogar hasta la economía y la política. AfD pretende que todos los edificios públicos nuevos sean considerados «bellos» por la mayoría (de modo que, al parecer, cada diseño tendría que someterse a referéndum popular). 

Apoyan esta visión numerosas organizaciones y cuentas de redes sociales abiertamente tradicionalistas, que a diferencia de los políticos profesionales, son más propensas a delatarse. Muchas de estas figuras plantean una oposición explícita entre la arquitectura clásica y el «globalismo» (término que a menudo es el primer paso en una deriva al antisemitismo) o retoman las descripciones de tiempos de entreguerras (es decir, nazis) del modernismo como «arte degenerado». Por mucho que hable de particularidades, el antimodernismo es en sí mismo un fenómeno mundial tristemente homogéneo. 

La descripción que hace AfD de la Bauhaus como símbolo de «desarraigo» ya recibió respuesta mediante un nuevo «Manifiesto de la Bauhaus» impulsado por el ministerio federal de Cultura de Alemania. Pero por muy loable que sea este documento en cuanto declaración política, simplifica en exceso la historia de la arquitectura del siglo XX. Contra la afirmación central del manifiesto, dista de ser obvio que todos los protagonistas de la Bauhaus defendieran una «sociedad abierta». De hecho, algunos estuvieron más que dispuestos a colaborar con los nazis (que prohibieron oficialmente la escuela). En el diseño de Auschwitz participó un arquitecto formado en la Bauhaus. 

No estamos diciendo que si a uno le gusta la arquitectura tradicional, ha de ser necesariamente un ultraderechista encubierto, sino más bien que la agenda cultural de la ultraderecha está muy vinculada a su agenda política excluyente. Y como el entorno edilicio siempre es un modo de hacer visibles los valores (como señaló la filósofa Susan Neiman), sería un error pensar que la controversia sobre la arquitectura moderna es un asunto secundario.

 

Jan-Werner Mueller, Profesor de Ciencias Políticas en la Universidad de Princeton, es autor del próximo libro Street, Palace, Square: The Architecture of Democratic Spaces (Penguin Books, 2026). 

 

[Fuente: www.project-syndicate.org]

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Port du voile : Jean-Luc Mélenchon dit avoir « changé d’avis » et parle d’une « erreur terrible »

Jean-Luc Mélenchon a reconnu avoir profondément revu sa position sur le port du voile islamique. Devant des militants de La France insoumise réunis dans la capitale, le candidat à l’élection présidentielle a jugé que son opposition passée relevait d’une « erreur terrible ». 

Écrit par Léandre Genet

Cette prise de parole intervient dans le sillage de la proposition du Rassemblement national de pénaliser le port du voile dans l’espace public. Le sujet, récurrent dans le débat politique français, oppose des conceptions divergentes de la laïcité, des libertés individuelles et de l’émancipation des femmes.

Un mea culpa devant les militants insoumis

Jean-Luc Mélenchon a expliqué qu’il ne partageait pas, auparavant, l’approche qu’il défend aujourd’hui. « Il y avait un temps aussi, je n’étais pas d’accord avec cette histoire de voile, je n’avais pas compris », a-t-il déclaré lors de cette conférence parisienne.

Le fondateur de La France insoumise a attribué cette évolution à ses échanges avec des femmes aux parcours et aux convictions différents. « Mais j’ai rencontré des femmes qui portaient le voile ou des femmes très croyantes et qui ne portaient pas le voile, et des femmes qui n’étaient pas croyantes mais qui disaient chacun “fait comme il veut”. Et on en a parlé (…) et j’ai été convaincu. Je me suis dit que j’ai fait une erreur terrible », a-t-il poursuivi.

Ces déclarations constituent une clarification publique de sa position, alors que les débats sur le voile occupent à nouveau une place importante dans la séquence politique précédant l’élection présidentielle. Elles visent aussi à inscrire son discours dans une défense de la liberté de choix des personnes concernées.

 

Une évolution qui tranche avec ses propos passés

Le changement revendiqué par Jean-Luc Mélenchon contraste avec plusieurs déclarations antérieures. En 2010, il qualifiait le voile de « signe de soumission patriarcale ». Sept ans plus tard, en 2017, il employait l’expression « chiffon sur la tête ».

Ces prises de position avaient nourri les critiques de responsables et d’intellectuels attachés à une lecture stricte de la laïcité. Pour eux, le voile ne peut être dissocié des rapports de domination pouvant peser sur certaines femmes, même lorsque celles-ci affirment le porter volontairement.

À l’inverse, les défenseurs d’une approche centrée sur les libertés individuelles soulignent que la laïcité française encadre les relations entre les institutions publiques et les cultes, sans imposer une neutralité religieuse générale aux citoyens dans l’espace public. Jean-Luc Mélenchon s’inscrit désormais dans cette seconde lecture, en mettant en avant l’écoute des premières concernées.

Le débat relancé par la proposition du RN

La déclaration du candidat insoumis survient après l’annonce d’une proposition du Rassemblement national visant à sanctionner le port du voile islamique dans l’espace public. Le parti défend cette orientation au nom de la lutte contre l’islamisme et de la protection des femmes.

Le gouvernement a également émis des réserves sur la constitutionnalité et l’applicabilité d’une telle mesure. La question touche en effet à plusieurs principes juridiques, dont la liberté de conscience, la liberté religieuse et l’égalité devant la loi.

Jean-Luc Mélenchon avait déjà dénoncé cette proposition, estimant que « la laïcité est une loi de liberté et d’unité du peuple » et que « le voile, la kippa, les crucifix sont des choix libres dans l’espace public ». Son mea culpa sur ses déclarations passées donne désormais une dimension personnelle à cette ligne politique.

Une séquence révélatrice des clivages

Au-delà du parcours de Jean-Luc Mélenchon, cette séquence illustre la persistance d’un désaccord de fond dans le débat public. Certaines voix considèrent que le voile renvoie à une norme religieuse susceptible de limiter l’autonomie des femmes. D’autres refusent que l’État ou les responsables politiques définissent à leur place ce qu’elles peuvent porter dans la rue.

Le candidat de LFI affirme avoir modifié son analyse au contact de femmes voilées, croyantes non voilées et non croyantes. Son intervention ne mettra probablement pas fin aux divergences, mais elle acte sans ambiguïté une rupture avec ses formules antérieures.

À moins d’un an de la présidentielle, le voile demeure ainsi un sujet à la fois politique, juridique et social. Les positions exprimées cette semaine montrent qu’il continuera de structurer une partie des oppositions entre les candidats, autour de la définition de la laïcité et de la place des signes religieux dans l’espace public.

[Photo: STEPHANE DE SAKUTIN/AFP via Getty Images - source : www.epochtimes.fr]

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

En Allemagne, un Land gouverné par l’AfD en ferait un laboratoire pour les projets du parti le plus radical des droites européennes

Les dimanches 6 et 20 septembre, deux Länder de l’Est et la ville de Berlin voteront lors de scrutins régionaux visant à renouveler leur Parlement respectif. Les citoyens convoqués aux urnes ne représentent pas plus de 9 % de l’ensemble des électeurs allemands.

Écrit par Hélène Miard-Delacroix 

À première vue, c’est anecdotique, sans conséquences au niveau national. Pourtant, la classe politique et l’opinion tremblent face aux 35 % à 40 % d’intentions de vote pour le parti de l’extrême droite, Alternative für Deutschland (Alternative pour l’Allemagne, AfD), en Saxe-Anhalt et en Mecklembourg-Poméranie-Occidentale. Ces scrutins risquent d’ébranler plusieurs certitudes et équilibres dans le pays le plus peuplé de l’Union européenne. Du local au national, les enjeux sont nombreux : ils sont politiques, culturels, sécuritaires, et touchent à l’image de l’Allemagne.

La percée attendue de l’AfD confirme l’érosion des partis qui ont façonné quatre-vingts ans de vie politique allemande. Elle met aussi à l’épreuve leur cohésion interne. La CDU (Union chrétienne-démocrate, droite) du chancelier Friedrich Merz est même menacée d’éclatement si des élus locaux rompent le cordon sanitaire imposé à l’infréquentable AfD. À gauche aussi, les repères se brouillent. Le jeune parti nationaliste BSW (Alliance Sahra Wagenknecht) est tenté d’être faiseur de roi en portant la star régionale de l’AfD, le dynamique trentenaire Ulrich Siegmund, à la tête du gouvernement de Saxe-Anhalt. Plus qu’une sensation régionale, ce serait une rupture dans l’histoire du pays, où la droite extrême n’a plus gouverné depuis 1945.

Un Land gouverné par l’AfD en ferait un laboratoire pour les projets du parti le plus radical des droites européennes. Cœur du système fédéral, les Länder ont plus de compétences que les régions françaises : ils légifèrent librement sur des domaines réservés, mais leur administration est aussi chargée d’exécuter les lois fédérales. Or, le programme de l’AfD pour ce scrutin ne cache pas le projet de politiser la justice, la police et l’administration en y nommant proches et affidés.

Le refus annoncé d’appliquer des programmes fédéraux, en particulier en matière d’énergie et de climat, voire le non-respect de principes fondamentaux dans la pratique des institutions et les relations entre les partis, mettrait à l’épreuve la loi fondamentale du pays entier. Son article 37, qui permet de contraindre un gouvernement de Land récalcitrant, n’a encore jamais été utilisé dans l’histoire de la République fédérale. Cela pourrait aussi avoir une incidence sur la solidarité financière entre les régions d’Allemagne. Les choix de politique économique et sociale annoncés par l’AfD, notamment les actions anti-immigrés, seraient susceptibles de faire fuir la main-d’œuvre étrangère et d’amener des entreprises à revoir leur implantation dans ces Länder.

Enfin, c’est dans le travail législatif à l’échelle fédérale que des victoires régionales de l’AfD constitueraient un test. À la Chambre haute, le Bundesrat, dont l’accord est indispensable à la moitié des lois fédérales, siègent les gouvernements des Länder. Avec certes une poignée de voix sur un total de 69, l’AfD, qui siège déjà au Bundestag, y aurait la capacité de ralentir les réformes du gouvernement Merz et de perturber l’élection des juges de la Cour constitutionnelle fédérale [la Cour suprême]. Les enjeux politiques de ces scrutins sont donc de taille, tant pour la coalition au pouvoir à Berlin, l’unité de la CDU et la pratique des institutions que pour la clarification des intentions de l’AfD sur le plan national.

La deuxième inquiétude à la perspective d’un gouvernement AfD en région est celui de l’éducation, de la recherche et de la culture, pour lesquelles les Länder ont la compétence exclusive. Le parti a annoncé vouloir intervenir dans les programmes scolaires et cesser les mesures d’intégration, mais aussi mettre fin à l’obligation scolaire pour soustraire les enfants à l’influence d’enseignants « gauchistes ». Les méthodes et sujets jugés « anti-allemands » doivent être bannis de l’université, et la mémoire de la Shoah évacuée par le biais de la fin des subventions aux musées et aux mémoriaux.

L’AfD aspire explicitement à réhabiliter une image positive de l’Allemagne et à mettre un terme à la « culture de la repentance » pour défendre un patrimoine national glorieux. Sa détestation de la modernité allemande condamnerait, en particulier, la fondation d’architecture du Bauhaus, à Dessau (Saxe-Anhalt), et la liberté de création dans les théâtres serait menacée. Enfin, les médias publics sont les cibles privilégiées du « redressement culturel » annoncé, avec une intervention directe sur les programmes et les personnels de la radio-télévision régionale.

Un Land étant un Etat à part entière, il a son propre gouvernement, notamment un ministère de l’Intérieur. Si celui-ci était confié à l’AfD, la question de la loyauté à la Constitution se poserait du sommet du ministère jusqu’aux forces de police et de sécurité. L’AfD a annoncé vouloir intervenir sur les services de renseignement du Land, sous le contrôle de ce ministère régional. Le risque est que cesse la surveillance d’activités anticonstitutionnelles de membres de l’extrême droite pour ne se concentrer que sur l’extrême gauche.

Outre le danger à l’échelon régional, cette approche inédite crée un risque pour la sécurité des autres Länder en raison de l’échange d’informations sensibles entre ministères régionaux. La surveillance en matière d’espionnage, venant de Russie, par exemple, en serait affectée. Contre ce cheval de Troie menaçant la sécurité du pays dans son ensemble, le réflexe des autres Länder serait la rétention d’informations délicates, ce qui accroîtrait la vulnérabilité face au terrorisme.

Enfin, ces scrutins, s’ils portaient l’extrême droite au pouvoir en région, conduiraient à l’affaiblissement des positions allemandes en Europe en raison de ralentissements et de blocages internes. Ils écorneraient surtout l’image internationale de l’Allemagne, portée par la fierté d’avoir réussi, en tant que meilleur élève de la classe, à ne pas céder aux sirènes de l’extrême droite. Sa percée spectaculaire, à supposer qu’elle ait lieu, ne sera pas comprise comme une normalisation anodine de l’Allemagne, mais comme un signal alarmant pour le pays où est né le nazisme. L’impact de ces élections régionales est donc bien inversement proportionnel au nombre de votants.

Hélène Miard-Delacroix est professeure d’histoire et de civilisation de l’Allemagne contemporaine à Sorbonne Université. Elle est, entre autres, l’autrice de l’ouvrage Les Emotions de 1989. France et Allemagne face aux bouleversements du monde (Flammarion, 2025).

 

[Source : www.lemonde.fr]

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Máis de 180 figuras de Hollywood apoian a Mark Ruffalo despois de ser acusado de antisemita por Paramount

«Cualificar a Ruffalo de antisemita por cuestionar unha fusión corporativa masiva non só é absurdo, senón que é unha forma perigosa de silenciar a crítica lexítima», reza o escrito no que participaron personalidade como Joaquin Phoenix ou Hannah Einbinder

O actor estadounidense Mark Ruffalo 

Máis de 180 figuras da industria —entre eles actores, directores e celebridades xudías— asinaron unha carta en defensa do actor estadounidense Mark Ruffalo, despois de que fose acusado de antisemitismo por Paramount Skydance por critica a polémica fusión desta compaña con Warner Bros. Discovery. «Cualificar a Mark Ruffalo de antisemita por cuestionar unha fusión corporativa masiva non só é absurdo, senón que é unha forma perigosa de silenciar a crítica lexítima», reza a carta, á que tivo acceso o martes a revista Variety. Neste documento, Ruffalo obtivo o respaldo de figuras de peso de Hollywood, como o director Todd Haynes (Segredos dun escándalo), o actor Joaquin Phoenix (Joker) ou a actriz Hannah Einbinder (Hacks), unha das voces máis críticas da industria coa intervención de Israel sobre o territorio palestino. «Xa abonda de instrumentalizar de forma falsa e perigosa as acusacións de antisemitismo contra quen ten o valor de sinalar o óbvio: que o ataque contra o pobo palestino e o ataque contra as nosas liberdades na casa están profundamente interconectados, e que non hai nada de antisemita en recoñecer ese feito», agrega o escrito.

O documento tamén critica a transacción entre Paramount Skydance e Warner Bros. Discovery, que vai máis aló de «unha simple combinación de dúas enormes multinacionais. Si, destruirá miles e miles de postos de traballo. Si, consolidará aínda máis o control oligárquico dos nosos medios de comunicación. Si, afogará a competencia e a creatividade na produción e distribución de cine e televisión», indicaron os asinantes. Desta forma, parte da industria de Hollywood critica a fusión de ambas as compañas e o papel dos Ellison, familia propietaria do conglomerado de medios, quen mantén un vínculo con Oracle, empresa de xestión de bases de datos que apoia o exército israelí. «O camiño da IA cara a 'WarnerMount' —acrónimo de Warner e Paramount— pasa por Gaza, e Ellison deixounos claro en repetidas ocasións o mundo orwelliano que nos ten reservado mentres consolida o control sobre o que vemos e como o vemos, sabendo que mentres miramos, el e a súa corrupta camarilla sempre nos estarán vixiando», sentenza a carta.

A controversia entre Ruffalo e o conglomerado de medios comezou cando o actor criticou publicamente a macrofusión entre ambas as empresas, unha operación colosal valorada nuns 111.000 millóns de dólares, pero tamén acusou á familia Ellison de ser cómplices do xenocidio contra o pobo palestino. En resposta, un portavoz de Paramount acusou a Ruffalo de recorrer a «tópicos antisemitas» co pretexto de resolver unha disputa comercial.

 

[Imaxe: ZUMA | EUROPAPRESS - font: www.lavozdegalicia.es]

terça-feira, 1 de setembro de 2026

Nicolas Shahshahani et « l’apologie du terrorisme » : au XXIe siècle la Justice ordonne la destruction d’un livre

Pour avoir, lors d’une prise de parole en soutien à la Palestine, qualifié les membres du Hamas de « résistants », Nicolas Shahshahani, qui avec sa femme Olivia Zemor conduit une lutte de tout instant pour la libération de la Palestine, est poursuivi à la demande du ministre de l’Intérieur Laurent Nunez pour « apologie du terrorisme ». Puisqu’on ne lit pas Kafka tous les jours, il est intéressant de savoir comment se passe, chez lui, un assaut policier contre un citoyen qui ne pense pas juste. C’est-à-dire comme Nunez. Dans cet entretien avec Nicolas Shahshahani on visite l’univers des geôles et la dureté de la privation de liberté, jamais banale. On découvre qu’au XXI siècle la justice ordonne, noir sur blanc, de détruire un livre supposé « subversif » (pourtant en vente dans toutes les librairies). Cet entretien nous parle de l’injustice faite à Nicolas Shahshahani qui doit passer en jugement le 9 septembre porte Clichy au TGI de Paris. En attendant des lendemains qui déchantent, bienvenue dans le nouveau monde. Entretien :

Propos recueillis par  Jacques-Marie BOURGET

Jacques-Marie Bourget : Que vit un citoyen-militant quand il est poursuivi pour « apologie du terrorisme ». Quel sont le parcours de cet homme, théoriquement libre de sa parole, et son ressenti ?

Nicolas Shahshahani : Le 17 mars à l’aube, la porte de notre maison est très violemment secouée, heurtée. Je me précipite, avec ma femme Olivia, nous sommes dans une incompréhension pleine d’inquiétude. Comme dans les films, je questionne : « Qui est là ? ». On me répond : « C’est la police » et je tombe nez à nez avec au moins huit hommes cagoulés, vêtus de noir, ou en sombre, qui ont brisé la serrure. Parvenue à l’intérieur cette escouade me signale d’entrée : « Vous êtes placé en garde à vue ».

Elle a un mandat qui me semble motivé par deux sources différentes, d’abord un signalement formulé par Laurent Nunez, alors préfet de police avant d’être ministre de l’Intérieur quelques jours plus tard, puis celle d’un magistrat qui autorise la police à agir. Celle dernière a pour mission « d’aller me quérir » au motif que je n’ai pas « répondu à une convocation », ce motif est inscrit sur leur requête. Ce qui est un argument scandaleusement bidon puisqu’aucune trace de la supposée requête n’existe ! Rien.

Tout part donc d’un signalement, sous couverture de l’« article 40 », déposé le 8 octobre 2025 par Nunez. Observation reprise pratiquement mot pour mot par un magistrat. En effet, le 7 octobre 2025, j’ai participé, au Châtelet, à un rassemblement placé sous le signe de « Tout n’a pas commencé le 7 octobre 2023 ». Il s’agissait de revenir sur l’interminable guerre coloniale conduite par les sionistes contre le peuple palestinien, puis d’évoquer l’après 2023 et l’offensive du Hamas. Dans les quarante secondes qui ont ouvert mon intervention, j’ai qualifié cette attaque de « mouvement de résistance ». Cette qualification a offensé monsieur Nunez, puis les magistrats qui ont suivi son « signalement »

Ça signifie que quelqu’un a enregistré cette prise de parole ?

Oui très certainement la police qui dans son rapport à Nunez, alors préfet de police mais bientôt ministre de l’Intérieur, précise que le meeting regroupait environ 170 personnes. Et les policiers m’ont reproduit les paroles qui ont froissé le préfet de police. De toutes façons mes mots sont publics puisque mon discours a été diffusé sur « Instagram » par un internaute, visiblement sioniste. Mais j’ignore qui est à l’origine de la prise de vue.

Ce débarquement policier entraîne donc une perquisition ?

Oui bien sûr. Premier succès policier, les fonctionnaires découvrent dans ma penderie un petit chapeau noir que je portais le jour où j’ai prononcé les paroles que l’on veut interdire. Puis ils continuent à tout retourner et découvrent une série d’autocollants portant différents slogans dont « Israël assassin ». Ce qui fait dire à l’un des fouilleurs : « Dites donc vous n’avez pas l’air d’aimer les juifs ici ! ». Ce qui entraîne une réplique d’Olivia : « Monsieur, nous sommes juifs l’un et l’autre ».

Autre découverte, et là c’est du lourd, dans ma bibliothèque ils se saisissent d’un livre traitant du Hezbollah. Oui, un simple bouquin écrit par Joseph Daher, un politologue et universitaire. Le titre en est « Hezbollah » et le sous-titre « Du fondamentalisme religieux au néolibéralisme ». Un ouvrage publié par les éditions Syllepse -qui critique vivement le mouvement politique libanais-, et que l’on peut commander dans n’importe quelle librairie contre 27 euros.
Enfin, la découverte d’espèces dans un tiroir semble également les exciter. Je leur signale alors, que, sévèrement malade je dois prendre des médicaments et en met de côté une partie. J’ajoute que ce même jour j’ai rendez-vous à l’hôpital... Mais ils s’en moquent.

Puis c’est l’embarquement pour le siège de la Police judiciaire.

Pour le transfert, j’ai 77 ans et suis gravement malade, je n’ai pas eu droit aux menottes.

Rendu boulevard Bessières dans les locaux de la Police judiciaire, je découvre l’immensité de ce bâtiment, et cette vastitude me surprend. On me place dans un bureau mais je signale que je n’ai rien à dire et souhaite que maître Marcel, mon avocate, soit prévenue de mon arrestation. Je suis mis en cellule.

Vers 10 heures je peux m’entretenir avec mon conseil à peu près trente minutes. Juste avant onze heures je suis à nouveau interrogé et continue de me taire. On me remet en cellule. Vers le milieu de journée, nouvelle tentative d’interrogatoire et nouvel échec. Mais je suis autorisé à prendre des médicaments, ceux que j’aurai dû prendre tôt le matin. Lors de l’interrogatoire de l’après-midi j’ai simplement tenu à préciser un point. Il tient aux espèces trouvées dans mon tiroir. Il s’agit tout simplement des cotisations versées par des habitants de mon quartier. Nous avons créé une association de soutien à un village palestinien avec lequel notre commune est jumelée. Il se trouve que j’en suis le trésorier. Et voilà le mystère des euros levé.

C’est quand même une expérience lourdement éprouvante ?

Bien sûr et si inattendue. Que la criminalisation des mots me conduise dans une geôle dans un décor à la Kafka, c’est très inattendu. Et en même temps révélateur de ces heures cruelles que nous vivons. Tout ici est chronophage, il n’y a plus de temps. On m’annonce que ma garde à vue va être levée et que je vais être déféré au parquet. On me rend les objets saisis au cours de la perquisition : passeport, montre, chapeau noir, argent.

Et le fameux livre sur le Hezbollah ?

J’y viens. Un document judiciaire me signale que les autocollants embarqués par la police et le bouquin satanique ont été détruits. Et là je n’ose y croire et relis le procès verbal de « destruction » que l’on me tend. Ainsi au XXIe siècle la Justice française procède à la destruction d’un livre. Qui plus est un livre qui critique lourdement le Hezbollah et que le magistrat n’a sans doute pas ouvert. Pas plus que le policier qui m’a posé la question : « Que pensez-vous de ce livre en faveur du Hezbollah ? » Ce n’est pas sérieux même extravagant. Sur le coup, je me vois victime de ma petite Inquisition à moi ! Très inquiétant et symbolique du moment. J’ai protesté contre ce genre de pratique et précisé que « si l’on entendait me questionner sur le Hamas », pourquoi détruire un livre sur le Hezbollah. Mouvement politique qui n’est pas partie prenante à Gaza ?

Et sonne donc l’heure du passage au parquet, chez le procureur  ?

Il est vingt heures et des poussières, on m’a laissé miroiter une sortie pour le soir... Mais c’est l’heure à laquelle les bureaux ferment, où les procureurs rentrent en ville. Je vais donc passer la nuit en cellule. Placé dans l’une de ces innombrables cages je continue de m’étonner que la Justice ait prévu aussi grand !

Le lendemain matin je suis enfin mis en présence d’un substitut qui ne semble pas très fier du gibier qu’il doit traiter, j’apprends que je vais être libéré sous le régime du « contrôle judiciaire avec interdiction de manifester ».

Reste le passage devant la juge de la Détention et des libertés, c’est elle qui doit avoir le dernier mot. La magistrate écoute nos arguments et décide de ne pas suivre le parquet, je n’ai ni « contrôle » ni « interdiction de manifester ». Je vais donc sortir le 18 mars à 15 heures passées, après plus de trente heures de privation de liberté.

Prochaine échéance le 9 septembre, le passage devant le tribunal ?

« Apologie du terrorisme » sur la base de quarante secondes d’un discours de treize minutes, voilà sur quelle incrimination on entend sanctionner ma libre parole. J’ai parlé de « résistance armée » et aurais dévoyé le mot « camp de concentration » dans une comparaison avec Gaza. Enfin, pour les oreilles de justice, la dernière entorse est celle du mot « combattants », dont j’ai qualifié les militants du Hamas (alors que pour nos magistrats ils sont « terroristes »).

En fait, avec Olivia ma femme et EuroPalestine, le mouvement que nous animons, il y a maintenant plus d’un quart de siècle que nous sommes présents au côté de toutes les lutte pour la liberté des Palestiniens. Le pouvoir et ses amis ne peuvent plus nous supporter et doit nous faire taire. La mécanique est injuste, liberticide, mais simple.


[Source : www.legrandsoir.info]

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Ceuta / Septa

O réxime de Marrocos é froito das decisións da República Francesa e do goberno de Franco no proceso de descolonización

Migrantes marroquís en Ceuta o pasado 24 de agosto. 

Escrito por Rubén C. Lois González 

Catedrático da Universidade de Santiago de Compostela 

A comezos de xullo, durante as xornadas anuais sobre Xeopolítica que celebramos en Moaña, preguntáronme que pensaba da soberanía española de Ceuta. Non rematei por responder a pregunta, pero coa crise dos refuxiados africanos na cidade, vou contar a miña visión deste proceso. E importante indicar que Ceuta é o nome español, da Septa, polos sete outeiros que distinguiron os romanos e bautizaron a localidade. Sebta é empregado aínda polos árabes. Isto é importante: empezamos por unha deturpación do nome. Ademais, nunca se sinala que non hai tratado de límites asinado entre España e Marrocos. Os marroquís, Estado independente desde 1956, só recoñecen a soberanía española na Illa de Alborán, nin Septa, nin Melilla, nin o Peñón de Vélez Gomera, nin as Chafarinas, son consideradas españolas; só como territorios sen descolonizar, como fai o Estado español con Xibraltar. 

De aquí, pásase á segunda cuestión: que debe facer o goberno de Madrid nas súas relacións con Marrocos? Neste ámbito as cualificacións soen repetirse. O goberno de Marrocos chantaxéanos ou o réxime de Marrocos é unha ditadura. Pero aquí cumpre repasar a historia. O réxime de Marrocos é froito das decisións da República Francesa e do goberno de Franco no proceso de descolonización de 1956. Non outorgaron a liberdade aos marroquís, só negociaron coas súas elites encabezadas polo rei Mohammed (avó do actual). “O noso amigo El-rei”, como di o libro, fai o que quere coas maiorías parlamentarias e xa boicoteou gobernos socialistas, nacionalistas ou islamitas que podían mudar o status quo. Nin as autoridades francesas nin as españolas cuestionaron isto e favorecen a creación de empresas mixtas en sectores empresariais relevantes. Dar plena liberdade ás masas marroquís, recoñecer o dereito de autodeterminación dos bérberes, só aumentaría o risco para a españolidade de Septa en tanto colonia.

O pano de fondo da crise

Nesta crise hai outro actor moi importante, os inmigrantes pobres, polo tanto ilegais. Moitos deles son menores sós e deben ser acollidos en Europa, outros proveñen de espazos de conflito e teñen dereito a solicitar o asilo. Porén, o discurso hexemónico consiste en consideralos foco de problemas sanitarios, de seguridade e axentes desestabilizadores. Tanto a dereita fascistizada como sorprendentemente o Goberno de Madrid falan de expulsión e de centros de acollida onde agrupalos. Algúns destes inmigrantes queren retornar, pero sabemos que a abrasadora maioría desexa quedar. Cómpre xestionarlles acollida, formación e acceso a servizos públicos. Se non se queren manter en Septa, poden distribuírse. Pero 5.000 persoas menores e perseguidos pola situación nos seus países de orixe non os fai criminais ou alguén de quen desfacerse; son como os nosos avós e avoas que emigraron, moitos menores de idade sen compañía, para mellorar a súa vida. O debate que se abriu estes días, co PSOE incluído, demostra até que punto os fascistas están gañado o debate sobre a migración.

O pano de fondo de todo segue sendo a cidade de Septa/Ceuta. Primeiro, descubrimos que as posesións (coloniais) de España en África son máis fráxiles do que se pensaba. Actualizouse a idea de que os habitantes da cidade, que conta case cun 40% de poboación musulmá, queren ser cidadáns da UE con pasaporte español. Isto é indubidable, do mesmo xeito que os de Xibraltar desexan manter a cidadanía británica. O problema establecese entre unha sociedade derivada dun acto colonial, con dereito a defender os seus dereitos, e o territorio no que se asenta, froito dunha conquista violenta aos seus habitantes orixinarios. Outro tema lateral deriva da reivindicación dunha suposta urbe de catro culturas: cristiá, musulmá, hindú e xudía. As mesmas semella que na actualidade conviven de forma respectuosa, pero isto non foi así por moito tempo, cando os cristiáns retiñan todo o poder. Agora admítese o ensino do árabe e o amazigh, a festa do cordeiro e outras manifestacións da poboación árabe/bereber. Quizás a posibilidade de que se converta nun futuro próximo en maioría, e que o peso demográfico dos hindús e xudeus non supere o 1% conxuntamente axude bastante. A dinámica da sociedade ceutí será, sen dúbida, outra variable nunha ecuación xa complicada.    

Septa é unha posesión de orixe colonial que ofende aos marroquís. En paralelo, Europa atrae aos pobres africanos que queren construír un futuro. Polo tanto, non chamará atención que a xeopolítica dun Marrocos aliado con EE.UU. e Israel xogase a desencadear unha fonda crise.

 

[Foto: Marcos Moreno / Europa Press - fonte: www.nosdiario.gal]