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quarta-feira, 21 de outubro de 2026

A arte imperfeita de Amelie Von Wulffen e os fantasmas do nazismo

Culturgest traz a Portugal pela primeira vez a obra da artista alemã. 'Panic Realism' apresenta cerca de cem obras produzidas sobretudo na última década, entre pintura, desenho e escultura.

A artista, que vive e trabalha em Berlim, junto de uma das suas esculturas, que diz ser um autorretrato. 

Escrito por Carla Alves Ribeiro 

“Não consigo pensar quando tenho pessoas à minha volta”, diz Amelie Von Wulffen, explicando que não tem assistentes no seu ateliê, trabalha sozinha. O que também explica a escolha dos materiais que utiliza na sua produção artística, por exemplo, nas suas esculturas – ou dummies, como as designa o curador Bruno Marchand –, feitas de papel maché. “É um material muito fácil de trabalhar, que consigo produzir sozinha. Não preciso saber muito sobre escultura e também não é muito pesado. Normalmente, não tenho assistentes no ateliê e não gosto de depender de outras pessoas”, diz a artista ao DN, no âmbito de uma visita antecipada a Panic Realism, a exposição que abriu as portas ao público este sábado, 17 de outubro, na Culturgest. 

Trata-se da primeira exposição em Portugal da artista que vive e trabalha em Berlim, e uma das mais extensas dos últimos anos, com mais de cem obras, sobretudo da última década, entre pintura, desenho e escultura.

Bruno Marchand, que conheceu o trabalho da artista numa exposição em Bruxelas, considera que Amelie Von Wulffen “ocupa um lugar particular no campo da produção artística”, porque as suas obras tanto refletem o universo pessoal, como configuram um olhar sobre o que se passa no mundo. 

“Ela está sempre a deslizar entre um campo e outro. Entre aquilo que é o seu campo interior, o lugar do trauma, do desejo, da biografia e, por outro lado, aquilo que está acontecer no mundo exterior, que tem que ver com dinâmicas políticas, com questões sociais, com dinâmicas de grupo. Toda a sua obra circula por este campo cinzento e em que muitas vezes sobrepõe estas duas realidades".  

Muitas das pinturas de Amelie Von Wulffen evocam figuras e cenários de uma burguesia conservadora da qual ela provém, incluindo da família. Diz a artista que é uma forma de ela lidar com um “segredo” que veio a conhecer recentemente após a morte dos pais. “Senti uma grande pressão para abordar a história alemã, porque venho de uma família com raízes culturais muito conservadoras. A minha mãe representava muito uma determinada forma de pensamento conservador e também nacionalista. Quer dizer, ela não era nazi, mas os meus avôs estiveram envolvidos em algumas coisas que hoje não consideraríamos propriamente aceitáveis. E fui muitas vezes confrontada com uma forma de não se falar com clareza sobre o que tinha acontecido na Alemanha. Por isso, esta é uma confrontação muito direta. Faz parte do meu trabalho e talvez seja também uma das razões pelas quais a minha família aparece tanto. Precisava refletir muito sobre estas questões, e lidar com tudo isto. Foi, por vezes, bastante perturbador.” 

Bruno Marchand sublinha que “a exposição está repleta dos seus traumas familiares, é uma história muito complexa”. Na pintura de Amelie Von Wulffen o curador vê não uma tentativa de "desorganizar a experiência", mas "uma forma muito clara e honesta de documentá-la, no sentido em que a própria forma como a pintura é feita retrata um pouco essa coisa mal acabada." 

Por outro lado, a artista está preocupada com o clima de incerteza do mundo atual, que compara ao que se vivia nos anos 1920/30, durante o qual apareceu o movimento artístico Nova Objetividade, com o regresso do realismo. Num texto que escreveu para outra exposição, em Berlim, em 2024 - que está disponível na galeria para os visitantes lerem e levarem -, ela revela que após a morte dos pais arranjou um cão, e nos seus passeios diários por Weissenseer Spitze, o bairro onde mora, imaginava “o que aconteceria se caísse uma bomba atómica sobre Berlim”.

Passou a olhar de outra maneira - até com “gratidão” – para “coisas factuais, concretas, tangíveis”, como “as decorações decadentes, mas também comoventes, que se veem nas janelas dos apartamentos, nos jardins e nas montras, e que, de certeza, em breve desaparecerão”. Esse fim que a artista antecipa pode não ser por causa de uma bomba, basta a gentrificação que começa a chegar àquela parte da cidade. As decorações, “ouriços, bonecos, flocos de neve, anões, frutas com pés, coelhos e budas de plástico ou de cerâmica”, aparecem aqui e ali nas suas obras.

Amelie Von Wulffen diz que a maioria da pintura alemã "sempre teve e continua a ter pouco a ver com a luz", e a sua segue o mesmo caminho. "Os meus quadros de Berlim também não têm muita luz. Isso não significa que sejam escuros; a luz, aqui, é sóbria e permanece exterior às coisas”. 

'Flies' (2020)

A cor castanha domina nas obras mais recentes da artista, e aparece muitas vezes espalhada nas paredes. Aliás, a exposição começa com a obra Flies (2020), com insetos feitos em papel maché, arame e conchas a deixarem rasto castanho na superfície. Uma cor que aponta também para outras inquietações. "Na segunda sala abordo as minhas preocupações com a natureza e com aquilo que está a acontecer aos oceanos. E é também uma reflexão sobre os próprios artistas. Esta figura castanha, por exemplo, de certa forma, é uma espécie de autorretrato: o artista que cria pequenas coisas bonitas e as vende", explica a artista, referindo-se a uma das suas esculturas.

A reflexão sobre o papel da arte e dos artistas na sociedade também está presente na obra de Amelie Von Wulffen, que se diz preocupada com o estado do mundo. "Isso tem um grande impacto no meu trabalho. A pergunta se faz sentido trabalhar em arte e tentar fazer parte de um processo de esclarecimento, de reflexão sobre a história alemã e contribuir para um pensamento moderno, para um pensamento racional. Começamos realmente a questionar-nos por que razão fazemos tudo isto", diz ao DN. 

Na última sala do percurso expositivo veem-se figuras de desenhos animados e banda desenhada bem conhecidas, como a Abelha Maia ou a Heidi. Mas a sua evocação é tudo menos inocente. “Esta parte tem que ver com a desilusão que senti mais tarde, quando percebi que todas estas coisas modernas — que eu julgava talvez serem americanas — tinham sido criadas por antigos nazis. Não só a Abelha Maia, mas também Fix & Foxi. A Heidi, não tanto. Coloquei-a ali porque faz parte do meu universo, mas Fix & Foxi era a banda desenhada que todas as crianças alemãs liam no pós-guerra. E este homem, Rolf Kauka [o autor], dominava todo o mercado alemão de banda desenhada. Tinha sido um nazi convicto e continuou a ser uma figura obscura, mesmo mais tarde", explica.

"Quando descobri isso, fiquei verdadeiramente chocada. Foi como perceber que tudo aquilo que julgávamos ser uma janela para um mundo novo, moderno e feliz acabava por revelar-se uma realidade triste".

A Abelha Maia na obra 'Amber Room and Maya the Bee' (2020)

A exposição foca-se num período em que a artista "está concentrada completamente em pintura sobre tela. Há duas ou três aproximações a períodos anteriores, porque há um lado da produção da Amelie muito ligada à banda desenhada e às comics e que aparece num contexto muito particular da recessão de 2008 na altura do subprime", diz Bruno Marchand.

Exibem-se 37 desenhos de pequeno formato em aguarela e tinta sobre papel, desse período. "Chegaram numa altura em que o mercado da arte sofreu uma quebra muito acentuada. Até aí, eu tinha construído uma carreira bastante interessante e ganhava relativamente bem. Mas, de repente, em 2008, o mercado da arte mudou profundamente. E tive de repensar todo o meu percurso profissional", recorda Amelie Von Wulffen ao DN.

"Num formato mais modesto, ela decide embarcar para uma produção que está entre a ilustração e o cartoon", duas áreas das quais os artistas se querem normalmente distanciar, frisa o curador. "Há uma tensão muito clara, e uma espécie de preconceito entre áreas. A Amelie não ligou a isso e começou a produzir a um ritmo avassalador, cerca de três, quatro por dia, estes pequenos desenhos, figuras, que nos fazem pensar que já vimos nalgum sítio, mas na verdade não vimos. Elas são de tal maneira familiares dentro da nossa cultura comum, cartoonística, da banda desenhada, mas estas personagens foram criadas por ela".

"Era algo a que podia dar continuidade, porque já fazia este tipo de trabalho quando era muito jovem, antes de estudar arte. Na altura, pensei que poderia seguir uma carreira na ilustração ou em algo semelhante. Portanto, era uma prática que já estava desenvolvida, de certa forma. Só precisava recuperá-la e levá-la a sério", diz a artista, revelando que esta dimensão do seu trabalho despertou interesse e foi ganhando mais espaço nas exposições que foi fazendo.

 

Panic Realism abriu as portas ao público na Galeria 1 da Culturgest, em Lisboa, este sábado, 17 de outubro, e estará patente até 24 de janeiro do próximo ano. 

[Fotos: Leonardo Negrão - fonte: www.dn.pt]


segunda-feira, 12 de outubro de 2026

El arte callejero ha muerto y Rusia se llena de arte bélico monumental

En el extranjero, arte y protesta toma caminos separados

Arte urbano «La guerra es ahora», de Philippenzo. Imagen de la autora

Escrito por Daria Dergacheva

Traducido por Priscila Bogado 

Este artículo es parte de la serie Spotlight de septiembre de 2026 de Global Voices, “Protesta en democracia”. Con esta serie, buscamos explorar las diversas formas de protesta, las tácticas que los Estados utilizan para deslegitimarlas y suprimirlas, y la compleja relación entre la protesta y la democracia. Puede apoyar esta cobertura con una donación aquí.

Nota editorial: Este artículo se basa en una exposición y entrevista con el artista callejero ruso Slava PTRK, originario de Ekaterimburgo, que actualmente vive en el exilio en el extranjero. Mediante su relato, Global Voices indaga si a los artistas callejeros de Rusia, que iniciaron sus protestas en 2022, se les expulsó del país o si fueron perseguidos y arrestados. ¿Cómo la inmigración cambió el arte de protesta? ¿Qué trabajos pueden seguir realizando quienes están en el extranjero? Y quienes se quedaron en Rusia, ¿están en silencio o trabajan para el Estado? Lo que queda son pequeños actos de protesta.

 

La primera aparición del arte callejero tuvo lugar en Rusia en el marco de la era de la Unión Soviética. Durante la década de 1980, la cultura opositora estaba en su apogeo e incluía música, samizdat (textos autopublicados) y una subcultura de arte callejero. Desde aquel entonces, el género ha crecido gracias a la organización frecuente de festivales internacionales de arte urbano en diversas regiones de Rusia y la participación de cientos de artistas callejeros, algunos reconocidos incluso en el extranjero. 

En febrero de 2022, cuando comenzó la invasión y la posterior guerra con Ucrania, los artistas callejeros, como muchos otros en Rusia, se dividieron. Algunos deseaban manifestar su descontento con el régimen y el conflicto bélico, pero fueron obligados a abandonar el país; otros deseaban permanecer en Rusia, pero mantenerse en silencio; y otros, después de un tiempo, optaron por respaldar al Gobierno. 

Pocos artistas callejeros y activistas —como Sasha Skochilenko, condenada a siete años en una prisión por intercambiar las etiquetas de una tienda por lemas antibélicos—han sido detenidos. A la larga, el 1 de agosto de 2024, Sasha fue liberada en Ankara en el marco de un intercambio internacional de prisioneros, y actualmente vive exiliada en un país extranjero. 

En la actualidad, hay artistas en Rusia a quienes se les paga por hacer grandes obras de arte con temática bélica en edificios altos en diversas ciudades del país. Sin embargo, pequeñas formas de protesta siguen sobreviviendo gracias a personas comunes que usan el arte callejero para manifestarse en un país donde esto puede ser peligroso. 

La guerra trajo protestas en las calles y represión que creció rápidamente 

En el primer mes tras la masiva invasión rusa a Ucrania, los lugares públicos en Rusia se transformaron en sitios de protestas espontáneas contra el conflicto bélico. Entre los participantes había artistas profesionales y ciudadanos comunes sin conocimiento de arte. Pintaron lemas antibélicos, pegaron autoadhesivos, crearon pequeñas instalaciones e intervinieron en materiales publicitarios oficiales.

 

 

 <<Hoy pinté sobre mi obra callejera «Juventud». Porque, en lugar de la juventud, llegó la guerra.>>

Durante este período, la distinción entre arte y activismo se desdibujaba por tantas intervenciones directas como los lemas de “No a la guerra”, grafitis antibélicos, emblemas oficiales alterados, etiquetas de supermercados y objetos urbanos:

<< La guerra es vergüenza.

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«Las paredes gritan»

Desde los primeros días de la guerra, se ha abierto un frente alternativo en las paredes de muchas ciudades rusas. Por todas partes aparecen —aunque inevitablemente les ponen pintura encima— letreros antibélicos, grafitis y dibujos. Pero vuelven a aparecer una y otra vez, llevan la protesta más allá de las manifestaciones y piquetes tradicionales, reprimidos activamente por el Gobierno. Hoy, todo el país es una gran plaza. Hoy, cada persona valiente y comprometida es una manifestación.

Puedes descargar el cartel en alta resolución en mi canal de Telegram. El enlace está en la cabecera de mi perfil.

 

Al mismo tiempo, la represión del Estado aumentó de manera acelerada. Se iniciaron procedimientos administrativos y delictivos, se censuró el término «guerra» y las declaraciones políticas directas se volvieron cada vez más peligrosas. 

Los artistas dejaron de manifestar sus protestas explícitamente y optaron por enviar mensajes metafóricos y cifrados:

 <<Lo siento, hija.

Nuestros ... con muñecos de nieve con Beznadega.🏔️ 🏔️ 🏔️

La emigración lleva el arte callejero ruso al extranjero 

Tras el reclutamiento militar en el segundo semestre de 2022, muchos artistas rusos se trasladaron a países como Georgia, Armenia, Montenegro, Serbia, Turquía, Alemania, Reino Unido e Israel, y continuaron trabajando a pesar de que su propósito comenzó a cambiar poco a poco. 

En un principio, gran parte de sus trabajos continuaban tratando directamente el tema de la guerra y su partida de Rusia. Después, los asuntos se expandieron para abarcar la pérdida del hogar, la identidad, el desplazamiento y la soledad:

 <<“Sigo pensando en mi propio idioma”.

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Hace más de un año que no estoy en casa, y hoy se cumple exactamente un año desde que me instalé temporalmente en Georgia. Tiflis es una ciudad maravillosa que me ha recibido con los brazos abiertos. Aquí trabajo mucho con lienzos, y también en nuevos proyectos de investigación. Todo esto lo presentaré más adelante. Casi no he pintado en la calle, aunque aquí hay muchísimos lugares con texturas que me encantan. Pero surgen muchas dudas éticas sobre la posibilidad de dedicarme al arte callejero como visitante en este país. Además, se trata de un país con un contexto histórico y social complejo, vinculado a Rusia.

También entiendo que probablemente sea necesario renunciar a las obras con textos en ruso hechas en el extranjero, o transformar de alguna manera mi perspectiva. Pero si cambio mi perspectiva, ¿cómo no perder la sinceridad, el juego de palabras y los significados que se generan precisamente en mi idioma nativo? ¿Cómo ser pertinente y comprensible? ¿Quién es el público? ¿O estas obras son simplemente un «diario personal»? Parecería que, al cabo de un año, en general habría que empezar a pensar de otra manera. Pero sigo pensando en mi idioma nativo. Es mi base, incluso (o especialmente) lejos de casa.

Después de reflexionar mucho, me permití salir al entorno urbano. Como siempre, trato de ser responsable al elegir el lugar. Internamente, solo me convencí de elegir un lugar recóndito y abandonado para no molestar a nadie. Al salir a la calle con mi obra en mi idioma nativo, «oculté» el texto y opté por escribirlo transliterado. Es un intento de mimetizarme, pero sin dejar de ser yo mismo. 

 

Al mismo tiempo, gran parte del arte visual contra el conflicto pasó a difundirse en línea a través de afiches digitales, composiciones, archivos y aplicaciones de redes sociales, que ganan cada vez más relevancia. Algunos de los artistas tuvieron la oportunidad de vender sus creaciones en el extranjero, de hacer afiches y colaborar en anuncios publicitarios:

 <<Ekaterimburgo. Te extraño.

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¡Por fin están listas las nuevas impresiones!

Casi tres años después del trabajo de edición anterior, por fin encontré la oportunidad de imprimir una nueva edición de impresiones, que incluye una obra nueva. «Te extraño» de Ekaterimburgo, ahora puedes colgarla en tu pared y, por supuesto, así también apoyas al autor. La calidad de impresión quedó excelente; la técnica usada para las reproducciones realmente nos ayudó en eso. Así que esta obra sencilla, pero sincera y personal, ha encontrado una encarnación digna en formato de edición.

Entonces, «Ekaterimburgo, te extraño» — impresiones.

Técnica de impresión: giclée (impresión a color de alta calidad)
Papel: papel mate Hahnemühle William Turner, 310 g.
Tamaño: A2, 420 × 594 mm.
Edición: 47 copias + 3 A/P.
Todas las copias están firmadas y numeradas, y además vienen con un certificado de autenticidad.
Envío a todo el mundo.
Los métodos de pago se debaten y acuerdan individualmente con cada comprador.

Las primeras diez copias de la obra tienen un precio de 200 euros cada una más gastos de envío. A partir de ahí, el precio aumentará en 50 euros por cada 10 copias siguientes de la edición.

Para hacer un pedido, escribe aquí por mensaje directo o envía un correo electrónico a: ptrkteam@gmail.com
Gracias. 


Quienes se quedaron 

Mientras tanto, dentro de Rusia, la situación cambió de manera drástica. En la vía pública, el arte callejero antibélico está próximo a desaparecer debido a que los artistas que decidieron quedarse no disponen de un rango de posibilidades demasiado amplio:

 <<Firma y etiquetas.

————
“Esperar y tener esperanza. Estoy jodidamente cansado”. 

El lenguaje que empleaban los artistas se ha vuelto confuso.

Entiendo todo. Solo que no puedo decir nada. Imagen de la autora

Algunos comenzaron a trabajar en festivales oficiales, en comerciales por encargo o en proyectos promovidos por el Estado. Aparecieron muchos murales de carácter patriótico y a favor de la guerra: soldados, el símbolo militar Z, figuras heroicas, retratos e imágenes que aluden a la propaganda monumental soviética: 

Arte callejero ruso. Imagen de la autora

Por ejemplo, en 2023, artistas que participaron del popular festival Stenograffia que antes independiente crearon un mural de ocho pisos de altura de santa Catalina, santa tradicional de la Iglesia ortodoxa: 

Foto del mural de santa Catalina en Ekaterimburgo. Autor: organizadores del festival Stenograffia (CC BY 4.0).

Actualmente, algunos artistas parecen considerar sus creaciones como meras piezas decorativas remuneradas y no una manifestación ideológica personal, mientras que otros optan por mantener una postura públicamente apolítica.

Mural en Rusia. Imagen de la autora

Ellos siguen participando en actividades y produciendo obras abstractas, decorativas, folclóricas, religiosas o históricas, a la vez que evitan hacer declaraciones explícitas acerca de la guerra. 

Persisten manifestaciones de protesta cotidianas 

Pese a la represión y desaparición masiva de actividades antibélicas, la protesta no ha cesado por completo, pero sí ha disminuido y se ha vuelto anónima. 

La antropóloga Alexandra Archipova conserva estos artefactos en un archivo digital. Los autoadhesivos, las inscripciones breves, los dibujos pequeños, las flores, los gestos simbólicos y los mensajes antibélicos codificados siguen apareciendo en espacios públicos, como se muestra en el archivo. 

Al concluir su presentación, el artista exiliado, Slava PTRK, sintetiza la situación claramente: “No les tengo buenas noticias. ¿El arte se fortaleció por la guerra? No. Si alguien tenía la esperanza de que las manifestaciones artísticas se intensificaran o que la guerra generara de algún modo imágenes más impactantes, dudo que eso haya ocurrido. Parece que se ha vuelto imposible hacer alguna manifestación de cualquier tipo de dentro de Rusia. No obstante, la fuerza no tiene nada que ver con ser directo ni se trata de ser visualmente llamativo. ¿Se ha vuelto más fuerte el arte en sí mismo? No, no lo creo». 

 

[Fuente: www.globalvoices.org]