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terça-feira, 8 de setembro de 2026

Artistas portugueses saem do festival acusado de “normalizar o genocídio”

Vários artistas anunciaram o cancelamento da sua presença no festival Commedia a La Carte, que tem como cabeça de cartaz Jerry Seinfeld, o humorista que apoia o genocídio em Gaza. 


Marcado para o final de outubro em Lisboa, o Festival MEO Commedia a La Carte viu nos últimos dias vários artistas cancelarem a sua presença. Os cancelamentos do concerto do Conjunto Cuca Monga e do espetáculo Tributo Pop, com Tatanka, Carolina Deslandes e Bárbara Tinoco, foram os primeiros a ser divulgados pela organização.

Mais tarde, a dupla de comediantes Cebola Mol, de Eduardo Madeira e Filipe Homem Fonseca também anunciou que não faria parte do cartaz do evento. "Celebraremos justiça, liberdade e alegria numa próxima oportunidade”, afirmaram os humoristas nas redes sociais, publicando uma foto sua ao lado da imagem de uma fatia de melancia, associada ao movimento de solidariedade com o povo palestiniano.

A atriz Inês Aires Pereira foi mais explícita ao justificar o cancelamento com a recusa de “normalizar um genocídio” e referindo que um dos nomes convidados "defende insistentemente ideias e atos" que considera "indefensáveis".

Outros nomes em cartaz que já anunciaram o cancelamento são o artista visual Vhils e o humorista Pedro Tochas.

A razão principal da debandada de artistas deste festival que pretendia reunir "o melhor da comédia, teatro, música, performance, 'storytelling' e cultura pop" é a presença como atração principal do humorista Jerry Seinfeld, que desde o início do genocídio em Gaza não tem poupado apoios à ação militar israelita e críticas ao movimento de solidariedade com a Palestina.

Seinfeld comparou mesmo o movimento pela Palestina Livre ao Ku Klux Klan, acusando os ativistas contra o genocídio em Gaza de partilharem o antissemitismo do KKK. “Digam só que não gostam de judeus. Ao dizer 'Libertem a Palestina', não estão a admitir o que realmente pensam. Por isso, na verdade — em comparação com o Ku Klux Klan, acho que o Klan é um pouco melhor, porque podem dizer logo à partida: 'Não gostamos de negros, não gostamos de judeus'. OK, isso é honesto”, afirmou o artista na Universidade de Duke. Noutra ocasião, desafiado a dizer “Free Palestine” num espetáculo, respondeu a dizer que a Palestina “não existe”.

[Fonte: www.esquerda.net]

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

No future! E muito passado…

Há cinquenta anos, o punk britânico fez a sua primeira grande aparição. Dele surgiu uma cultura “faça você mesmo” que rejeitava os rótulos políticos tradicionais, mas expressava um forte descontentamento com o modelo social britânico do pós-guerra. 


Escrito por Brenda Fedi

A 1 de dezembro de 1976, os Sex Pistols apareceram no programa Today do canal britânico Thames Television, como substitutos de última hora. Durante a entrevista, o apresentador Bill Grundy provocou Johnny Rotten e Steve Jones, membros da banda, levando-os a dizer palavrões em direto. Na manhã seguinte, a imprensa já tinha proferido o seu veredicto: o punk era uma subcultura de “vândalos mal-falantes” com cabelo pintado e alfinetes de dama, e o pânico moral espalhou-se consequentemente. Os concertos foram cancelados em poucos dias e um movimento que, até então, se limitava a um pequeno círculo punk foi, quase da noite para o dia, elevado a fenómeno nacional.

Cinquenta anos depois, esta cena tornou-se alvo de um tipo de atenção muito diferente. Esta primavera, a história do punk britânico de Matthew Worley, No Future (originalmente publicada em 2017), foi relançada com um novo prefácio de Paul Morley. A escrita da história centra-se frequentemente em marcos comemorativos; este, por si só, é um centro de acesos debates, tanto entre historiadores como no seio das comunidades que vivenciaram os acontecimentos em causa. Muitas vezes, os projetos impulsionados por este ou aquele aniversário assemelham-se a uma busca desesperada pelo "acontecimento do momento", deixando pouco espaço para que as interpretações se consolidem ou para que o conhecimento se acumule. Ainda assim, no mundo precário do trabalho académico, estes momentos estão longe de ser neutros. Os aniversários são, muitas vezes, os únicos momentos em que o financiamento se torna disponível, possibilitando a investigação e dando-lhe visibilidade para um público mais vasto.

Para além das condições materiais da sua produção, a atenção académica em torno deste quinquagésimo aniversário aponta para uma mudança disciplinar significativa: o punk, enquanto fenómeno social, político e cultural, tornou-se agora parte integrante do cânone dos processos considerados dignos de investigação pelos historiadores contemporâneos, e já não do domínio exclusivo dos críticos musicais ou sociólogos. Embora as obras de Dick Hebdige e Stuart Hall permaneçam uma base indispensável para o estudo de qualquer subcultura, Worley leva a discussão para o âmbito da interpretação historiográfica, tratando o punk como uma lente fundamental através da qual se pode observar a fragmentação do consenso britânico do pós-guerra.

Uma das principais conquistas do estudo de Worley é a sua capacidade de levantar questões que a história política tem frequentemente negligenciado. Como devemosanalisar um fenómeno que resiste à periodização convencional e às categorias tradicionais? Considere-se, por exemplo, a ideia de “desengajamento político”, frequentementeutilizada para caracterizar a década de 1980: na interpretação de Worley, tal noção corre o risco de reduzir um vasto leque de experiências coletivas a uma única tendência para a passividade.

No entanto, persiste umaironia subjacente difícil de ignorar. O facto de o punk, cinquenta anos mais tarde, ser um foco da academia e da cultura dominante, contrasta de forma incómoda com um dos impulsos mais profundos do movimento: a insistência na sua própria autonomia narrativa e a suspeita em relação a qualquer instituição (seja académica, política ou comercial) que reivindique a autoridade para codificar e representar uma experiência coletiva segundo os seus próprios critérios.

O livro de Worley aborda este debate com considerável sensibilidade e autoconsciência. Reconstrói trajetórias históricas ao mesmo tempo que amplifica as vozes das culturas punk e pós-punk que, ao longo das décadas, desenvolveram as suas próprias formas de autorrepresentação e narrativa coletiva. O facto de esta história estar agora a ser narrada pelas mesmas instituições e canais que o punk originalmente rejeitou não diminui o valor da investigação que lhe é dedicada. Contudo, levanta algumas questões difíceis de ignorar: Quem tem o direito de contar a história do punk? E porque precisamos de estudá-la?

É ainda de salientar que – independentemente do que se possa presumir – o punk sempre prestou muita atenção aos aniversários. Em 1977, enquanto a Grã-Bretanha se preparava para celebrar o vigésimo quinto aniversário do reinado de Isabel II, os Sex Pistols lançaram “God Save the Queen”: uma apropriação herética do Jubileu de Prata que transformou uma celebração oficial num ato de protesto situacionista.

Sempre que se discute a primeira vaga do punk britânico (1976-84), uma questão assume invariavelmente o protagonismo, sendo recorrente com igual persistência entre ativistas, académicos e músicos: terá o punk sido um fenómeno político ou, pelo contrário, adotou uma perspetiva apolítica cuidadosamente cultivada? Como Worley argumenta de forma convincente, esta questão, em última análise, está mal formulada. Devemos, em vez disso, perguntar se a rejeição das formas e linguagens políticas tradicionais não será, em si mesma, uma forma de engajamento político, ainda que implícita ou inconsciente.

Nesta perspetiva, o livro de Worley transita entre duas linhas complementares de investigação. Por um lado, reconstrói a relação entre o punk e a política organizada (uma relação que nunca foi linear). Por outro lado, traça a emergência da prática do “faça você mesmo” (DIY) como uma resposta genuína ao modelo social, económico e político que moldou a Grã-Bretanha nas décadas de 1970 e 1980.

As experiências punk reconstruídas por Worley são diversas e geograficamente dispersas; politicamente, são irredutíveis a qualquer ideologia partilhada. No entanto, estão unidas por vários fios condutores comuns. O principal deles é aquele que dá título ao livro: “No future”. Mais do que um slogan niilista, a frase reflete a forma como uma geração nascida no pós-guerra sentia a falta de perspetivas. Contudo, na sua simplicidade, estas palavras também desestabilizam as grandes narrativas ideológicas do século XX (antecipando um fenómeno apontado por Mark Fisher no seu Realismo Capitalista). Isto aponta para uma incompatibilidade estrutural com as narrativas de progresso defendidas pela esquerda, sejam elas institucionais ou extraparlamentares.

Worley rejeita tanto as afirmações sobre o estatuto "apolítico" do punk quanto aquelas que implicamcoerência ideológica. Em vez disso, retrata um campo de tensões que refletia a complexidade do próprio momento histórico. Significativamente, as datas que identifica como marcando o seu início e o seu fim correspondem a duas das mais importantes e controversas campanhas políticas do movimento punk.

Numa das extremidades encontra-se o Rock Against Racism (RAR), fundado em 1976 em resposta às atitudes racistas que circulavam entre músicos de rockproeminentes, como, por exemplo, os comentários polémicos de David Bowie sobre o fascismo ou o apoio público de Eric Clapton ao político anti-imigração Enoch Powell. Worley reconstitui cuidadosamente a relação do RAR com o Socialist Workers Party, mantendo-se ao mesmo tempo atento às suspeitas do punk em relação a esta aliança: de facto, bandas anarcopunk como os Crass e Poison Girls criticaram a campanha pelo que consideravam ser uma tentativa da esquerda de cooptar o punk para fins políticos.

Na outra extremidade, encontra-se a ampla solidariedadedemonstrada por muitas bandas punk durante a greve dos mineiros liderada pelo Sindicato Nacional dos Mineiros em 1984, contra a decisão da primeira-ministra Margaret Thatcher de antecipardrasticamente o encerramento da indústria mineira britânica.

Worley demonstra igual perspicácia em relação ao lado mais negro da história. Não ignora as tentativas da National Front e de setores da extrema-direita de cooptar o movimento Oi!, explorando o descontentamento das comunidades da classe trabalhadora e fomentando o sexismo e a hostilidade racial.

Quanto ao desenvolvimento de novas formas políticas, aquilo que Worley descreve como o "ethos DIY" é talvez a contribuição mais duradoura do punk para a cultura política do final do século XX e o fio condutor que une todo o livro. O DIY sobreviveu ao declínio da primeira vaga do punk em meados da década de 1980, influenciou todos os seus vários subgéneros (do anarcopunk e do Oi! ao pós-punk) e proporcionou ao movimento a sua continuidade mais profunda. Worley reconstitui e analisa uma prática que deu origem a infraestruturas culturais alternativas: editoras discográficas independentes, redes para a produção e circulação de fanzines e catálogos queoperavam fora da lógica convencional do mercado e eram impulsionadas por uma sensibilidade profundamente anticapitalista. O DIY foi uma tentativa de criar espaços autónomos de organização e comunicação para além das instituições comerciais e das estruturas políticas tradicionais.

Como já referi, o punk forçou também uma reflexão crucial sobre a apropriação da cultura underground pelo mainstream. O próprio ethos DIY surgiu em parte comoresposta a este processo, procurando preservar formas deautonomia cultural face à crescente incorporação da estética subcultural nos circuitos do mercado.

Contudo, embora a autoprodução tenha diluído a distinção entre músico, produtor, distribuidor e público, também abriu uma questão que Worley identifica perspicazmente, mas que, em última análise, deixa sem solução. Trata-se da questão do papel dos músicos punk enquanto trabalhadores, com todas as tensões que isso acarreta entre a autonomia criativa e a sobrevivência económica. É uma questão que ressoa fortemente hoje, na era das plataformas de streaming, onde a linguagem do DIY foi grandemente apropriada e monetizada pelo capitalismo das plataformas, que agora lucra com formas de autoprodução antes imaginadas como alternativas ao mercado.

O livro começa por definir claramente o seu âmbito metodológico: o punk deve ser entendido não como um estilo ou género musical, mas como um processo cultural de reflexão crítica que rasga categorias políticas convencionais (inserindo, assim, este livro na tradição de etnomusicólogos como Christopher Small). A decisão de organizar os capítulos tematicamente, em vez de cronologicamente – comtítulos como “Punk e Política”, “Anatomia Não é Destino”, “Punk como Distopia” – reflete a convicção de que uma experiência complexa e coletiva como o punk não pode seradequadamente captada num único movimentonarrativo.

Uma contribuição particularmente original de No Future é o seu foco no género e na sexualidade como terrenos políticos centrais. O punk abriu irreversivelmente um novo espaço para subjetividades que a cultura dominante tinha excluído durante muito tempo, confrontando as estruturas patriarcais da indústria musical e impulsionandoas críticas de classe e de género para um diálogo incómodo. Worley aborda estas tensões sem projetar uma falsa coerência sobre o passado. Destaca como os punks lutaram para conciliar estas críticas na sua prática quotidiana, levantando questões urgentes sobre o corpo e a identidade que a esquerda contemporânea ainda não resolveu completamente.

Neste sentido, Worley investiga a política do corpo em paralelo e entrelaçada com a política dos piquetes de greve, destacando como o punk uniu a libertação pessoal ao protesto social. Esta perspetiva foi aprofundada por Vivien Goldman em Revenge of the She-Punks (2019), obra que reinterpreta o punk – incluindo os seus desenvolvimentos pós-primeira vaga – na perspetiva do género.

Para reconstruir a história do punk, Worley privilegia as fontes impressas e áudio em detrimento das memórias retrospetivas. Reconhece o valor documental da história oral, mas também identifica as suas limitações estruturais: o relativismo e o subjetivismo do testemunho pessoal, que produzem frequentemente narrativas individualizadas, e a névoa de nostalgia que muitas vezes envolve os anos de 1976-77. Para o autor, este processo gerou memórias cada vez mais ahistóricas do punk, desligadas dos contextos sociopolíticos que lhe deram significado.

Embora esta escolha garanta um foco rigoroso no clima e na linguagem da época, continua a ser controversa. Testemunhos orais, recolhidos e tratados com o mesmo rigor filológico aplicado a qualquer outra fonte – e com plena consciência tanto dos seus pontos fortes como das suas limitações – poderiam ter acrescentado uma dimensão que os fanzines, por si só, não conseguem proporcionar. Teria sido possível escrever uma história oral do punk que fosse para além das autonarrativas apologéticas e se situasse dentro da rica tradição britânica da história vista de baixo.

Além disso, a dependência de materiais autoproduzidos levanta uma questão urgente: quem preserva as fontes da história do punk? Os fanzines, os flyers e outros materiais efémeros permanecem frequentemente fora dos circuitos arquivísticos institucionais (e alguns argumentariam que isto é positivo). A luta pela sua preservação é, em si mesma, um ato político, que realça a tensão não resolvida entre a autonomia da subcultura e a institucionalização da sua memória.

Em última análise, Worley consegue usar a história do punk para oferecer uma perspetiva perspicaz sobre este período de mudanças históricas. Num presente que muitas vezes parece ter esgotado as prospetivas, investigar a história do punk desafia-nos a questionar como a política pode ser reinventada e que infraestruturas, redes e relações alternativas ainda podemos construir hoje.


Brenda Fedi é historiadora e investigadora especializada na história da música, nos movimentos sociais e no trabalho criativo durante a segunda metade do século XX 

 

 

[Fonte: www.esquerda.net]

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Unha asociación marroquí de dereitos humanos culpa Rabat da crise migratoria de Ceuta

A Presidencia irlandesa do Consello convocou unha reunión extraordinaria por videoconferencia despois das peticións do Goberno español e doutros 22 Estados membros, que manteñen posicións enfrontadas sobre as causas da crise e a resposta que debe adoptar a Unión Europea.

Chegada de migrantes a Ceuta, este 31 de agosto. 

Asociación Marroquí de Dereitos Humanos (AMDH) atribuíu a crise migratoria de Ceuta ás "políticas de empobrecemento e marxinación" aplicadas durante décadas polo Goberno de Marrocos sobre a poboación do norte do país. A entidade considera que a entrada dunhas 60.000 persoas a través do espigón do Tarajal é a consecuencia dunha profunda crise social e económica. 

A organización responsabiliza "politicamente" o Estado marroquí e atribúelle de maneira "directa e plena" as condicións que desembocaron nun desprazamento masivo que compara cos que se producen en zonas de guerra. A AMDH reclama a apertura dunha investigación "seria e independente" para esclarecer as circunstancias e as causas das saídas cara a Ceuta. 

A crise deixa polo de agora 67 persoas falecidas confirmadas polo Goberno español, principalmente por afogamento. A asociación eleva a cifra a 130 mortes e fala tamén de decenas de persoas desaparecidas, aínda que recoñece que este balance non foi confirmado oficialmente polas autoridades marroquís.

"Desesperación xeneralizada"

Para a AMDH, o sucedido é a expresión dunha "profunda crise estrutural" e o resultado de décadas de abandono social e económico no norte de Marrocos. A entidade considera que o feito de que milleiros de persoas arrisquen a vida para abandonar o país evidencia unha "desesperación xeneralizada" e unha perda de confianza nas institucións, nas políticas públicas e no futuro.

A organización denuncia que a pobreza, a desigualdade e a falta de perspectivas obrigan a poboación a procurar fóra do país mellores condicións de vida para ela e para as súas familias. Tamén acusa Rabat de utilizar a situación humanitaria e as necesidades da poboación, incluídas as crianzas e as persoas menores de idade, como instrumento de presión e negociación co Estado español e coa Unión Europea.

A asociación critica ademais o "silencio sospeitoso" das autoridades e institucións marroquís antes, durante e despois da crise. Ao seu xuízo, a ausencia de información e explicacións oficiais contribuíu a estender unha mobilización por distintas cidades e rexións do país para viaxar cara ao norte coa intención de cruzar a fronteira.

Por último, a AMDH condenou o aumento dos discursos da extrema dereita en Europa e nos Estados Unidos contra as persoas migrantes. A organización considera que esta retórica fomenta o odio e presenta a migración como unha ameaza para as sociedades occidentais.

Xuntanza de ministros do Interior

Os ministros do Interior da Unión Europea reuniranse a vindeira terza feira por videoconferencia para abordar a evolución da crise migratoria en Ceuta e coordinar a resposta comunitaria, segundo confirmou este sábado a Presidencia irlandesa do Consello da UE. "Como Presidencia do Consello, Irlanda convocará o martes unha reunión do Consello de Xustiza e Asuntos de Interior para debater a evolución da situación en Ceuta", anunciou o primeiro ministro irlandés, Micheál Martin. O encontro estará presidido polo ministro de Xustiza, Interior e Migración de Irlanda, Jim O'Callaghan.

A convocatoria chega despois de que o presidente do Goberno español, Pedro Sánchez, solicitase ás institucións europeas unha reunión extraordinaria para articular unha "resposta común". Paralelamente, os líderes doutros 22 Estados membros reclamaron tamén unha cita urxente nunha carta dirixida á Presidencia irlandesa, ao presidente do Consello Europeo, António Costa, e á presidenta da Comisión Europea, Ursula von der Leyen.

División entre os Gobernos europeos

Na súa misiva, Sánchez expresa a súa "seria preocupación" pola reacción dalgúns Gobernos europeos ante a emerxencia migratoria. Italia, Suecia e Dinamarca chegaron a reclamar a suspensión temporal do Estado español do espazo Schengen ou o restabelecemento de controis fronteirizos.

O presidente do Executivo español cualificou esta resposta de "asimétrica" e sostivo que se basea en "prexuízos, noticias falsas, ignorancia ou intereses políticos". Tamén considera que as medidas propostas contrarían o Dereito europeo e os principios de solidariedade comunitaria.

Os outros 22 mandatarios responsabilizan, pola contra, as políticas migratorias do Goberno español de favoreceren a crise. Na súa carta sinalan a recente sentenza do Tribunal Supremo sobre as devolucións en quente e a regularización extraordinaria dun "número moi elevado" de persoas migrantes como posíbeis factores de atracción.

 

[Foto: Marcos Moreno / Europa Press - fonte: www.nosdiario.gal]

 

quinta-feira, 30 de julho de 2026

La littérature palestinienne en Israël, éditer sous domination coloniale

Publier en arabe en Israël ne consiste pas uniquement à essayer de faire vivre la langue d’une minorité. La géographie du livre révèle les profondes inégalités et difficultés auxquelles se heurte l’édition en arabe dans un État organisé autour de la souveraineté de l’hébreu moderne. 

Bureau de Mahmoud Darwich (musée Mahmoud Darwich de Ramallah) @ Agsous Zahra

Écrit par Sadia Agsous-Bienstein

Lorsque je me suis rendue pour la première fois en Palestine/Israël il y a une dizaine d’années, je me suis naturellement mise à chercher des librairies pour acheter des livres en arabe et créer des contacts avec des éditeurs palestiniens qui sont citoyens de l’État d’Israël1. J’ai rapidement découvert combien cette quête pouvait s’avérer difficile. À Jaffa comme à Haïfa, les librairies proposant un véritable fonds en langue arabe étaient peu nombreuses. Le même constat s’imposait à Jérusalem-Ouest, où les principales librairies offraient essentiellement des ouvrages en hébreu, en anglais et, dans une moindre mesure, en russe. C’est finalement dans la vieille ville de Jérusalem que j’ai trouvé une papeterie/librairie dont le premier étage ressemblait à une véritable caverne d’Ali Baba. Des romans palestiniens, de la littérature arabe, des essais en sciences humaines et sociales, des ouvrages d’histoire, de philosophie ou de sciences politiques remplissaient les rayonnages. Pour les publications les plus spécialisées, y compris celles de l’Institut d’études palestiniennes, il fallait toutefois se rendre à Ramallah. On trouve aussi à Naplouse ou Hébron des librairies qui proposent des livres de toutes catégories en langue arabe.

Cette géographie du livre n’avait rien d’anecdotique. Elle révélait déjà les profondes inégalités qui structuraient la circulation et la présence de la langue arabe en Israël face à la langue hégémonique et coloniale, l’hébreu. En effet, tandis que les grandes chaînes de librairie en Israël diffusent principalement des ouvrages en hébreu, les livres en arabe demeurent concentrés dans quelques établissements palestiniens, le plus souvent indépendants, dont la survie dépend de conditions économiques et politiques particulièrement fragiles. C’est dans ces conditions qu’est produite la littérature palestinienne.

Pour comprendre cette dernière ainsi que les conditions de son édition et de sa circulation, il est nécessaire de dépasser le cadre national à partir duquel sont habituellement pensées les littératures modernes. La littérature palestinienne est une littérature transnationale. Elle s’écrit en arabe ainsi que dans d’autres langues. Elle est créée en Israël, en Cisjordanie occupée, à Gaza, mais aussi au Liban, en Jordanie, en Europe, en Amérique du Nord et dans les différents espaces de la diaspora palestinienne. Depuis la Nakba de 1948, l’exil, la dispersion et la fragmentation du territoire palestinien ont profondément façonné les conditions de production et de circulation de cette littérature. Cette dimension transnationale lui a permis de s’imposer comme l’une des composantes majeures du champ littéraire arabe contemporain. Les œuvres de Jabra Ibrahim Jabra, Émile Habibi, Fadwa Touqan, Mahmoud Darwich, Ghassan Kanafani ou, plus récemment, Susan Abulhawa2 sont aujourd’hui largement reconnues dans le monde arabe comme à l’international.

Cette reconnaissance se manifeste également à travers les grandes distinctions littéraires. En 2024, Basim Khandaqji a été le lauréat du Prix international de la fiction arabe (Arab Booker) pour son roman Mask, the Colour of the Sky (Qināʿ bi-lawn al-samāʾ), publié en 2023 par Dār al-Ādāb à Beyrouth. Quelques années auparavant, Rabai al-Madhoun était devenu le premier écrivain palestinien à obtenir cette récompense pour son roman Destins. Concerto de l’Holocauste et de la Nakba (Maṣāʾir: Kūnširtū al-Hūlūkūst wa-l-Nakba), paru en 2015 au Liban. Le fait que ces deux romans aient été publiés à Beyrouth n’a rien d’anodin. Il rappelle que, depuis 1948, la littérature palestinienne se développe au sein d’un espace éditorial largement situé hors des frontières de la Palestine historique. Les principaux centres de publication se trouvent aujourd’hui à Beyrouth, Amman, Ramallah ou encore dans plusieurs capitales européennes et nord-américaines. La formation de cette littérature moderne remet ainsi en cause l’idée selon laquelle une littérature nationale ne pourrait se développer qu’à l’intérieur d’un territoire délimité et dans le cadre d’un État souverain. Le projet Country of Words: A Transnational Atlas for Palestinian Literature, dirigé par Refqa Abu-Remaileh, propose précisément de comprendre la littérature palestinienne comme une littérature déterritorialisée, façonnée par les circulations, les déplacements et les expériences de l’exil plutôt que par les frontières étatiques.

C’est dans cette perspective qu’il convient d’aborder la littérature des Palestiniens de 1948 dont les poètes et écrivains, localisés en Galilée, ont pu tenir bon face aux conditions catastrophiques de l’après Nakba. Cette littérature a été repérée et définie par Ghassan Kanafani comme la littérature de résistance. Pour les chercheurs Mohammad Hamza Ghanyim, Anton Shalhat, Habib Bolous, ou Ibrahim Taha, elle est la littérature autochtone (al-Adab al-Mahalli). Elle rassemble plusieurs auteurs dont Mahmoud Darwich, Émile Habibi, Rached Hussein, Taha Mohammed Ali, Salman Natour, Amer Hlehel, Adania Shibli, Majd Kayal ou Ibtissem Azem, dont les œuvres sont publiées et circulent entre Haïfa, Jérusalem, Ramallah, Amman, Beyrouth et de nombreuses villes de la diaspora palestinienne afin de contourner les contraintes qui pèsent sur l’édition arabe en Israël. 

De la Nahda palestinienne à la recomposition du paysage éditorial après 1948

Les difficultés rencontrées aujourd’hui par l’édition littéraire arabe en Israël trouvent leur origine dans les bouleversements provoqués par la Nakba de 1948 et le nettoyage ethnique de la Palestine. Avant la création de l’État d’Israël, la Palestine disposait pourtant d’une vie intellectuelle et éditoriale particulièrement dynamique. Jérusalem, Jaffa, Haïfa ou Nazareth accueillaient des imprimeries, des librairies, des journaux et des maisons d’édition qui participaient pleinement aux circulations intellectuelles de la Nahda arabe. Les livres imprimés en Palestine circulaient entre Beyrouth, Damas et Le Caire, tandis que les grandes revues arabes alimentaient les débats politiques, littéraires et scientifiques. Les écoles, les bibliothèques et les sociétés savantes contribuaient à l’émergence d’un espace intellectuel particulièrement actif à la fin de l’Empire ottoman puis sous le mandat colonial britannique.

Des intellectuels tels que Khalil al-Sakakini ou Khalil Baydas ont joué un rôle majeur dans cette renaissance culturelle. Baydas a participé notamment à l’introduction de la littérature russe dans le monde arabe grâce à ses nombreuses traductions, tandis que les premiers romans modernes palestiniens, qu’Al-Warith (L’Héritier) de Khalil Baydas et Al-Hayat baʿd al-Mawt (La vie après la mort) d’Iskandar al-Khoury al-Beitjali, témoignaient de l’émergence d’une littérature profondément inscrite dans les dynamiques intellectuelles de la Nahda et en dialogue avec les littératures mondiales. Cette vitalité apparaît clairement dans la première Foire palestinienne du livre arabe organisée à Jérusalem en 1946 par le Comité culturel arabe. À cette occasion, le quotidien Falastin3 célébrait « les dignes efforts de notre Nahda culturelle » et mettait à l’honneur les principaux écrivains palestiniens. 

La Nakba de 1948 a profondément bouleversé cet équilibre. L’expulsion de plus de 700 000 Palestiniens, le déplacement des Palestiniens qui sont restés, la destruction de centaines de villages et l’exil d’une grande partie des élites intellectuelles ont engendré la désorganisation de la production éditoriale. Des imprimeries, plusieurs journaux et une partie importante des librairies ont tout simplement été détruits par le nouvel État. À cette destruction matérielle s’est ajoutée celle des patrimoines documentaires. Plusieurs dizaines de milliers d’ouvrages provenant de bibliothèques publiques et privées palestiniennes ont été saisis par les autorités israéliennes avant d’être intégrés aux collections de la Bibliothèque nationale d’Israël sous la mention AP, Abandoned Property (biens abandonnés).

Au moment même où les institutions culturelles palestiniennes étaient profondément ébranlées, le nouvel État, Israël, disposait déjà d’un appareil éditorial en hébreu solidement structuré hérité des structures du Yishouv4 qui ont été mises en place et consolidées pendant le mandat britannique. Dès la fin du XIX siècle, le mouvement sioniste a fait de la création de l’hébreu moderne un objectif politique central pour en faire la langue nationale du futur État. Sous le mandat britannique, l’hébreu a bénéficié d’une reconnaissance officielle en 1922 qui a favorisé son institutionnalisation dans l’enseignement, l’administration, la recherche et la production culturelle.

C’est ainsi que le nouvel État d’Israël a pu s’appuyer sur un réseau éditorial déjà largement constitué. Des maisons d’édition telles que Kinneret-Zmora-Dvir (1919), Hakibbutz Hameuchad (1927), Schocken (1939) ou Am Oved (1942) disposaient d’infrastructures solides, d’un lectorat en constante expansion et de réseaux de diffusion efficaces. Elles ont été progressivement rejointes par Keter (1958) puis Modan (1970) ainsi que d’autres maisons d’édition avec le soutien des politiques publiques à la lecture, à la traduction et à la diffusion internationale de la littérature hébraïque. La création, en 1962, de l’Institute for the Translation of Hebrew Literature a participé également à cette stratégie en favorisant la traduction des œuvres israéliennes et leur présence dans les grandes foires internationales du livre.

La création de l’État d’Israël et la destruction de la Palestine historique ont bien évidement eu des conséquences désastreuses sur la production et l’édition de la littérature palestinienne. Les écrivains, journalistes, traducteurs et éditeurs palestiniens ont désormais été obligés d’exercer leurs activités dans un environnement institutionnel où l’ensemble de la chaîne du livre était progressivement organisé autour de la langue hébraïque. Les conséquences ont été particulièrement visibles dans le domaine de l’édition. Entre 1948 et 1967, la production romanesque palestinienne en Israël est demeurée extrêmement limitée. Manar Makhoul recense seulement onze romans publiés durant cette période, dont plus de la moitié ont été édités par l’imprimerie Mabaʿat al-akīm, aujourd’hui disparue. En effet, Le monde éditorial arabophone des années 1950 se résumait en Israël à trois imprimeries et non maisons d’édition : Mabaʿat al-akīm à Nazareth, Mabaʿat al-Ittiḥād à Haïfa et Mabaʿat al-Zaibaq à Saint-Jean d’Acre, sans omettre l’institution étatique Dār al-Nashr al-ʿArabī. Ainsi, l’édition palestinienne apparaissait alors presque inexistante au regard du développement rapide de l’édition hébraïque. Comme le rappelle le romancier Atallah Mansour, publier un livre en arabe dans les années 1950 relevait presque de l’impossible en raison de la faiblesse des infrastructures éditoriales, du faible nombre de lecteurs ayant accès à l’enseignement secondaire et supérieur, et de l’isolement culturel imposé aux Palestiniens de 1948. 

Siège d’Al Aswar (Saint-Jean-d’Acre, 2018) © Sadia Agsous-Bienstein

Les maisons d’édition arabes dans un champ éditorial dominé par l’hébreu

L’édition en langue arabe en Israël s’est donc développée dans des conditions profondément inégales. Contrairement aux grandes maisons d’édition hébraïques, les éditeurs palestiniens disposaient de moyens financiers limités, d’un lectorat fragmenté par les frontières issues de 1948 et de réseaux de diffusion beaucoup plus restreints. La séparation des Palestiniens citoyens d’Israël du reste du monde arabe, renforcée par le régime militaire entre 1948 et 1966, a réduit considérablement les possibilités de circulation des livres, des auteurs et des idées.

Malgré ces contraintes, quelques maisons d’édition arabes ont progressivement vu le jour en Israël mais ce sont les revues culturelles et les journaux littéraires qui vont jouer un rôle fondamental dans la publication et la diffusion de la littérature palestinienne en langue arabe. La revue al-Sharq, fondée par Mahmoud Abbasi en 1970, a ainsi constitué un espace d’expression pour de nombreux écrivains palestiniens appartenant à des sensibilités politiques diverses. Elle a également accueilli des intellectuels juifs arabophones, parmi lesquels Sasson Somekh, illustrant les échanges culturels entre Juifs-Arabes et Palestiniens qui ont pu exister au sein du champ littéraire. 

En 1978, Yaqub Hijazi a fondé à Saint-Jean-d’acre la revue al-Aswar, publiée par l’Institute for Cultural and Social Development. Bien au-delà d’une simple revue littéraire, cette institution a progressivement fonctionné comme une véritable maison d’édition, publiant de nombreux auteurs palestiniens et contribuant à la diffusion de leurs œuvres. Les membres palestiniens du Parti communiste en Israël ont accordé une place importante à la création littéraire en langue arabe, notamment à travers le journal al-Jadid, publié à Haïfa. Celui-ci a accueilli les textes d’écrivains majeurs tels qu’Émile Habibi ou Salman Natour, dont plusieurs œuvres ont été accompagnées des illustrations de l’artiste Abed Abdi. En 1984, Fawzi Abdallah et Hanna Abu Hanna ont fondé à Nazareth la revue al-Mawakib afin de promouvoir la littérature et la culture palestiniennes produites en Israël.

Ces revues et ces structures éditoriales ont joué un rôle essentiel dans l’émergence d’un espace littéraire palestinien à l’intérieur d’Israël. Elles ont permis la publication de nombreux écrivains, favorisé la traduction d’ouvrages et contribué à la diffusion de la littérature palestinienne contemporaine. Aujourd’hui encore, les éditeurs palestiniens de 1948 participent régulièrement aux salons du livre du monde arabe, souvent grâce au soutien du ministère de la Culture de l’Autorité palestinienne. Toutefois, leurs capacités de publication, de distribution et de promotion demeurent sans commune mesure avec celles des principaux groupes éditoriaux israéliens.

Cet ordre hiérarchique entre le champ éditorial israélien et l’espace palestinien renvoie également à la place qu’occupe la langue arabe dans l’espace public israélien. Bien que l’arabe ait conservé, jusqu’en 2018, un statut officiel hérité du mandat britannique, cette « reconnaissance » demeurait largement symbolique. L’adoption, le 19 juillet 2018, de la Loi fondamentale : Israël, État-nation du peuple juif marque une étape supplémentaire dans cette tentative d’effacement de la langue arabe de l’espace public. Ce texte affirme que « l’hébreu est la langue de l’État », tandis que l’arabe ne bénéficie plus que d’un « statut particulier ». Pour la première fois depuis 1948, la hiérarchie coloniale entre les deux langues est inscrite dans une Loi fondamentale, consacrant juridiquement la prééminence de l’hébreu dans la définition de l’identité nationale juive israélienne. Cette évolution nourrit un profond sentiment de marginalisation parmi les écrivains palestiniens en Israël. L’écrivain Ayman Sikseck résumait cette inquiétude dès 2017 en écrivant que « la langue arabe devenait une étrangère, une réfugiée », dénonçant un processus qui transforme progressivement les Palestiniens en étrangers dans leur propre pays. 

Mur de l’apartheid (Bethlahem, 2019) © Sadia Agsous-Bienstein 

Au-delà de sa portée symbolique, cette évolution juridique vient renforcer des déséquilibres déjà anciens dans le domaine de la production culturelle. Les statistiques publiées chaque année par la Bibliothèque nationale d’Israël illustrent clairement cette situation. En 2025, un peu plus de 7 000 livres ont été publiés dans le pays. Près de 90 % de cette production a paru en hébreu, tandis que les ouvrages en arabe ne représentent qu’environ 4 %, contre 3 % en anglais. Si la part de l’arabe a doublé par rapport à 2024, où elle ne s’élevait qu’à 2 %, cette progression demeure limitée au regard de la place occupée par l’hébreu.

Le fait que l’anglais, langue principalement destinée au monde universitaire et aux marchés internationaux, représente une part comparable à celle de l’arabe souligne le déséquilibre qui caractérise le paysage éditorial israélien. La Bibliothèque nationale rappelle d’ailleurs que ces chiffres sous-estiment probablement la production en arabe, de nombreux ouvrages étant imprimés dans les pays arabes voisin sans être soumis au dépôt légal israélien. Les statistiques mettent également en évidence l’empreinte considérable laissée par le 7 octobre 2023 sur le monde du livre israélien. Depuis cette date, plus de 2 100 ouvrages ont été consacrés à l’attaque, aux otages, à la guerre et à ses conséquences. En 2025, près de 500 nouveaux titres sont venus enrichir cette production, soit environ 7 % de l’ensemble des livres publiés cette année-là. Essais, témoignages, romans, biographies, ouvrages commémoratifs et littérature jeunesse témoignent de la rapidité avec laquelle le secteur éditorial israélien s’est saisi de cet événement pour en faire un objet de mémoire, de réflexion et de transmission. Alors que du côté palestinien, une grande répression s’est abattue sur eux les empêchant d’exprimer leur solidarité avec Gaza meurtrie par le génocide.

À l’inverse, la production en langue arabe demeure quantitativement limitée et beaucoup moins visible dans les statistiques nationales. Cette différence ne résulte pas seulement de la taille respective des lectorats ; elle traduit des déséquilibres structurels qui affectent l’ensemble de la chaîne du livre, depuis les conditions de publication jusqu’à la diffusion des ouvrages. Publier en arabe en Israël ne consiste donc pas uniquement à écrire dans la langue d’une minorité. Il s’agit de produire des livres dans la langue de la population autochtone palestinienne au sein d’un État dont les principales institutions culturelles, éducatives et éditoriales sont organisées autour de la souveraineté de l’hébreu moderne au service d’un projet colonial qui vise à vider ce qui reste de la Palestine de sa population autochtone.

Cette politique de restriction éditoriale en arabe exercée par le champ éditorial hégémonique israélien est palpable aujourd’hui dans le reste des territoires palestiniens. Les arrestations, en février 2025, des responsables de lEducational Bookshop à Jérusalem-Est, suivies quelques jours plus tard de celles de trois libraires palestiniens de la vieille ville, ont rappelé avec force la place singulière qu’occupe aujourd’hui le livre dans la question coloniale palestinienne. Accusés d’« incitation à la haine » pour avoir vendu des ouvrages consacrés à la Nakba ou à l’histoire de la Palestine, ces libraires ont vu leur activité assimilée à une menace pour l’ordre public. Ces événements ne constituent pas des faits isolés ; ils s’inscrivent dans un contexte plus large de pressions exercées sur les institutions culturelles palestiniennes, qu’il s’agisse de librairies, de maisons d’édition, de bibliothèques ou de lieux de création comme le Théâtre national palestinien al-Hakawati à Jérusalem.

Cette situation ne saurait être interprétée uniquement à l’aune du génocide contre Gaza depuis octobre 2023, même si celui-ci a considérablement accentué les violences exercées contre les institutions culturelles palestiniennes. Cela s’inscrit dans une temporalité plus longue, que l’écrivain Elias Khoury qualifiait de « Nakba continue » (al-Nakba al-mustamirra). La dépossession ne concerne pas seulement les terres et les populations ; elle touche également les langues, les bibliothèques, les archives, les théâtres, les librairies et les maisons d’édition. Les livres deviennent ainsi des lieux de mémoire autant que des objets de savoir, tandis que les librairies palestiniennes apparaissent comme des espaces où se joue encore la possibilité de transmettre une histoire, une culture et une langue par le sumud de ses acteurs.


1 Connus sous le vocable Palestiniens de 1948, ils représentent 21% de la population en Israël. Environ 156 000 Palestiniens ont pu rester en Israël après 1948. Placés sous administration militaire jusqu’en 1966, ils ont été séparés des principaux centres intellectuels palestiniens et du reste du monde arabe avec lequel ils ont pu renouveler les liens après 1967.

2 Elle publie des romans en anglais.

3 Falastin vol. XXX, numéros 180-6435 (10.10.1946).

4 Le Yishouv (1882-1948) est une période importante dans l’histoire du sionisme durant laquelle les différentes vagues de migrations coloniales juives ont constitué des structures économiques, sociales et culturelles qui ont posé les bases de l’État d’Israël créé en 1948.


Sadia Agsous-Bienstein est maîtresse de conférences à l’université Sorbonne-nouvelle et coorganisatrice du séminaire « Faire des sciences sociales autour de la Palestine : renouvellement des savoirs et des pratiques » à l’EHESS. Ses recherches, ancrées en études culturelles, portent sur les cultures palestiniennes et israéliennes et les relations juives-arabes dans la région du MENA. 

 

[Source : www.en-attendant-nadeau.fr]

quarta-feira, 22 de julho de 2026

O refuxio da vida en común

 


A «decencia común» maniféstase na xente corrente como un rexeitamento a facer o mal. Tamén como noxo ao ver cando outros o fan. 

Hoxe vivimos un tempo en que se utiliza moito a palabra «decencia» no discurso político, nun sentido de reconvención moralista, con frecuencia hipócrita, pero desprovista do imprescindíbel sentido comunitario. «A redescuberta da decencia común das vidas ordinarias», escribe Bruce Bégout, «constitúe a única esperanza de renovación política e social de Occidente». 

Da xente corrente dise que dixo Lincoln que Deus fixo moita porque gustaba dela. E foi deste tipo de xente sobre a que escribiu as súas primeiras obras George OrwellSen branca en París e LondresO camiño de Wigan Pier e Homenaxe a Cataluña. Escritos, poderiamos dicir, cosidos na carne do mundo. Cando escribiu da vida das familias mineiras ou do mundo máis pobre e vulnerábel nos sotos e camiños do seu tempo, Orwell fíxoo sen sentimentalismo, mais cun tacto e fondura, o que nos obradoiros de pintura flamencos tería a calidade inconfundíbel de «man sincera e ollada fértil», que foi nesas experiencias onde levedou a súa defensa dunha democracia de base, de urda afectiva, formulada a partir de ese núcleo ou corazón central de common decency

A decencia común non se refire a un modelo de sociedade, nin a unha construción social estruturada, nin a un programa alternativo ou utopía. Mais a decencia común é o que mantén activados os valores que si poden facer posíbel un mundo máis xusto. A colaboración, a axuda mutua, a honestidade. Esas intuicións da xente traballadora e corrente, que non precisa acudir a ningunha autoridade para respectar a súa liberdade e ao tempo coidarse. A xente que ofrece resistencia a calquera forma de inxustiza, que mantén a raia a pulsión por dominar, que desconfía fronte a calquera xeito de recrutamento totalitario. «Só se sente dono do seu destino no pequeno círculo da vida cotiá». Mais ese círculo non deixa de conter o máis universal. 

O pesimismo verbo do estado de cousas no mundo pode ser compatíbel cunha alegría de vivir. Unha relación de curiosidade e afecto co máis real. Coa natureza. En ¿Por qué escribo? defende que manter a paixón da infancia pola vida salvaxe, a curiosidade polos seres miúdos, é tamén o que fai posíbel manter «a posibilidade dun porvir apetecíbel e decente». Orwell albiscou os perigos que empecen esa posibilidade dunha sociedade de decencia común, que para el se achegaría a un xeito de socialismo libertario e antitotalitario. O Tecnopoder, o armamentismo, a depredación do medio ambiente e o control das mentes pola mentira e degradación da linguaxe, fan cada vez máis realista a metáfora dun Titanic, afundido pola aceleración cara ningures. E neste punto vén moi a conto o que el mesmo escribiu: «Cando imos a bordo dun barco que se afunde non podemos evitar pensar nos barcos que se afunden». 

Non é que Orwell estea desesperado, senón que o mundo é cada vez máis desesperante. O que el describe no seu tempo de posguerra: «As bombas atómicas acumúlanse nos depósitos, as cidades están baixo vixía policial, os altofalantes vomitan mentiras, mais a Terra segue virando arredor do Sol e nin os ditadores nin os burócratas poden evitalo, por máis que lles amole». Está anguriado, mais pertence á estirpe dos desacougados con serenidade. A decencia común protexe a quen a preserva. E como o escribe o filósofo francés Bégout, seguindo o ronsel do mestre Orwell: a vida en común, o defender a solidariedade fronte a pillaxe, é o último refuxio do universal. En 1984 e no 2026. 

 

[Fonte: www.luzes.gal]

terça-feira, 21 de julho de 2026

Francia: el «no alineamiento» de LFI

 

Escrito por Fabien Escalona

El movimiento de Jean-Luc Mélenchon publicó el 2 de julio su visión para la política exterior. Si el “interés general humano” es la brújula oficial, Francia es exaltada como una “potencia universal”, que resulta muy ingenua con las potencias rusa y china.

Dentro de la izquierda, y a decir verdad en todo el espectro partidista, la originalidad de La France insoumise (LFI) se debe desde hace mucho tiempo a su doctrina de las relaciones internacionales, al menos la que Jean-Luc Mélenchon y algunos de sus ejecutivos más cercanos han forjado. Más allá de las posturas coyunturales de sus responsables, el movimiento ha precisado sus concepciones generales en dos ocasiones recientes.

La primera tuvo lugar el 27 de junio, durante un simposio del Instituto La Boétie dedicado precisamente a “la nueva geopolítica”. Al día siguiente del ejercicio, los comentaristas pudieron encontrar material para el reproche más común al líder insumiso, a saber, el de un "doble estándar" inverso (una actitud firme frente el imperialismo estadounidense y su aliado israelí, pero mucho más comprensiva o incluso preocupado por la cooperación con los imperialismos ruso y chino).

La segunda oportunidad fue de mayor interés aún. Se trata de la publicación el 2 de julio, siempre a través del Instituto La Boétie, de un folleto escrito. Titulado “En el umbral de un nuevo mundo”, escrito por Jean-Luc Mélenchon, ahora oficialmente candidato a las elecciones presidenciales, así como por tres miembros del departamento de relaciones internacionales del instituto: Sophia Chikirou, Arnaud Le Gall y Camille Verneuil (los dos primeros forman parte del grupo LFI en la Asamblea Nacional).

El folleto, que pretende definir “la orientación de la política exterior de Francia” bajo una presidencia insumisa, está estructurado en tres partes. La segunda, la más programática y la más larga, despliega las implicaciones de una Francia “no alineada” “al servicio del interés general humano”, desde el reforzamiento de las Naciones Unidas hasta las ambiciosas relaciones bilaterales con India y China, pasando por la salida de la OTAN.

Está enmarcada por otros dos tipos de considerandos. Al comienzo, una introducción ofrece una imagen inquietante de la evolución del sistema internacional en las últimas tres décadas, evocando una “era de guerras y crisis ecológica generalizada”. Aguas abajo, una conclusión más filosófica defiende el imperativo de una cooperación solidaria a escala global, precisamente para hacer frente a las amenazas que pesan sobre toda la especie humana.

El conjunto se lee como una mezcla de ideales generosos y posturas mucho más divisivas. Francia, calificada de “potencia universal”, está llamada a emanciparse de la lógica de los bloques para defender mejor su mensaje de “coexistencia pacífica y [de] libre cooperación entre los pueblos”. Sin embargo, las capacidades de acción e influencia que se le atribuyen parecen desproporcionadas en comparación con su peso real en la escena internacional.

Evasivos sobre Ucrania, cortantes sobre Taiwán

Primera observación: el texto evita cualquier trapo rojo sobre Ucrania. El legado sobre el tema es pesado, desde la celebración de Jean-Luc Mélenchon de la anexión de Crimea por parte de Rusia en 2014, hasta sus llamamientos, el verano pasado, a la salida de Volodymyr Zelensky de la presidencia de Ucrania, pasando por su convicción expresada, tres meses antes de la invasión a gran escala del país, de que esta perspectiva era "ridícula", en la medida en que "solo el mundo anglosajón tiene una visión de las relaciones internacionales basada en la agresión".

A medida que se acercaban las elecciones presidenciales, se optó por desminar el terreno. La agresión del 24 de febrero de 2022 se califica de “violación importante del derecho internacional”, y se afirma que “el destino de la guerra” no debe ser decidido por Washington y Moscú. Sin embargo, los "medios diplomáticos" para lograrlo no se detallan, ni la forma de apoyar a Ucrania hasta que vuelva la paz, aunque se sabe que el candidato insumiso reprueba la forma en que Kiev se defiende actualmente, apuntando a la máquina de guerra rusa en su propio territorio.

Sin embargo, la marca insumisa se encuentra en la evocación de las causas de la guerra. Estas se reducen, en última instancia, a la extensión de la OTAN al este. Una explicación demasiado corta, que debería hacerse más compleja teniendo en cuenta la dinámica interna del Estado ruso, portador de una larga tradición de reflejo imperial, y los cálculos propios de Putin para garantizar la supervivencia de su sistema mafioso. Sobre todo porque la potencia rusa no necesitó la amenaza de la OTAN para cometer crímenes de guerra y crímenes de lesa humanidad en Chechenia o Siria.

La diferencia insumisa persiste también en la esperanza expresada, “una vez que vuelva la paz”, de una Rusia reintegrada al “concierto europeo”. De hecho, LFI desea volver a la oportunidad desperdiciada del fin de la Guerra Fría, que debería haber permitido construir “un sistema de seguridad colectiva paneuropeo, [...] el amanecer de una Europa reunificada e independiente desde el Atlántico hasta los Urales”. Pero apenas se dice cómo se podría lograr tal reinicio, sin que se haya alguna forma de justicia sobre los crímenes cometidos, y en vista de la estrategia de dominación y desestabilización de Europa elegida por el régimen putinino.

El tono finalmente resulta más seco con Taiwán, un estado de facto independiente de la República Popular China, que reivindica la reintegración del archipiélago a su seno. En repetidas ocasiones, los redactores invocan la recuperación por parte de Beijing de su sede en la ONU en 1971, para afirmar que “la isla pertenece al territorio internacionalmente reconocido de China”. La “diferencia de gobierno”, modestamente no detallada, se remite a “negociaciones” entre las dos partes.

De hecho, los redactores rebeldes se deslizan rápidamente de la “política de una sola China” al “principio de una sola China”. La primera la siguen Francia y otras cancillerías occidentales, que mantienen relaciones con Taiwán sin reconocerlo oficialmente como Estado. La segunda, defendida por Pekín, implica que Taiwán debe ser devuelto a su autoridad. Sin embargo, la población del archipiélago ha conquistado entretanto derechos democráticos, como la celebración de elecciones libres, y libertades personales, por ejemplo, el acceso al matrimonio y la adopción para las parejas homosexuales.

La autodeterminación de los pueblos puede ser mencionada en el folleto, pero apenas se tiene en cuenta en este expediente. Y esto, incluso cuando la sociedad taiwanesa ha rechazado repetida y masivamente su suminación al partido-estado de Xi Jinping, partidario de la vigilancia generalizada y la persecución de las minorías. Y no vemos cómo una negociación cambiaría nada, ya que la diferencia de poder es gigantesca entre Beijing y Taipei.

Ciertamente, el texto evita cualquier provocación descarada. No encontraremos un equivalente a las declaraciones delirantes de Aurélien Taché, diputado de LFI, afirmando en un medio de comunicación confusionista que Taiwán sería similar a una Córcega sobre la que el régimen de Vichy hubiera tomado el control al final de la Segunda Guerra Mundial. Sin embargo, sigue siendo una posición que intenta complacer a la República Popular China, a la que los insumidos quieren acercarse más que actualmente.

Ausencia de un proyecto europeo

Pensar en la cooperación con Beijing es bastante natural. Sobre el cambio climático, los peligros de la inteligencia artificial, las cuestiones de salud o el control de los armamentos, los bienes públicos mundiales requieren encontrar terrenos de entendimiento o, como mínimo, de reducir conflictos.

Sin embargo, para los insumisos, esto va más allá: siendo los Estados Unidos en declive la principal fuente de inseguridad en el mundo, es esencial para ellos enfrentar a "la primera potencia productiva mundial" en su agenda a favor del "interés humano general". Aunque sea para asumir algunos llamamientos a la solidaridad entre los pueblos, para tomar al pie de la letra a las autoridades chinas exaltando una “civilización ecológica” y mostrarse fascinados por sus “proezas espaciales”.

Sin embargo, los autores del folleto se defienden de toda ingenuidad, afirmando que toda cooperación bilateral debe hacerse con “independencia estratégica” “el respeto mutuo de ambas soberanías”. Esto ilustra bien la sobrevaloración algo romántica del poder francés en el mundo, que atraviesa todo el documento.

Dado que China ha alcanzado las capacidades que tanto impresionan a los insumisos, pero que Francia está atrapada en una acumulación capitalista sin aliento, ¿cómo se le incitaría a tratar a Francia en pie de igualdad? Comprometida por sus propios intereses en un “choque comercial” que amenaza a los aparatos industriales europeos, ¿por qué salvaría a París?

En el sistema internacional tal y como evoluciona, organizado en torno a polos de poder continentales, interactuar en pie de igualdad con China requeriría ante todo no presentarse dispersos frente a ella. Sin embargo, el folleto insumiso apenas dibuja un proyecto a escala europea, aparte del "concierto" ampliado a Rusia lo antes posible.

La Unión Europea (UE) es tratada como un objeto un poco engorroso, incluso si los redactores dicen sentirse comprometidos por la “cláusula de asistencia mutua” entre sus Estados miembros. Desde un punto de vista francés y de izquierda, los insumisos juegan a contrapelo: la integración europea es efectivamente lenta y contradictoria, una buena parte de los Veintisiete todavía lucha por imaginar un destino sin el protector estadounidense, y todo el continente se inclina claramente hacia la derecha.

Sin embargo, cabe señalar que el divorcio con Washington sería más fácil de aceptar por los países de Europa Central y Oriental si no hubiera dudas sobre el apoyo de los países más occidentales, incluida la izquierda insumisa, en caso de agresión rusa. También cabe destacar que el acceso al mercado europeo, si se utilizara como palanca estratégica, permitiría jugar un equilibrio de poder más que cualquier otro conjunto geopolítico.

A falta de estar convencidos de que la UE puede ser un marco relevante para producir bienes públicos para los que los Estados miembros no tienen los medios, los insumisos enumeran entonces los otros espacios gracias a los cuales Francia podría dar cuerpo a un “humanismo radical”. Algunos foros, en otros continentes, podrían así ser apoyados gracias a los territorios de ultramar, que los redactores y redactoras presentan como “vanguardias”, levantándose contra el desprecio racista del que son objeto pero contando con aprovechar este legado imperial.

Más extraña, la evocación de la latinidad” da lugar a una prosa esencializante, bastante olvidadiza de las variedades de trayectorias históricas y contradictoria con la criollización alabada por Jean-Luc Mélenchon. Aprendemos así que “los espacios lingüísticos de la francofonía, la lusofonía y la hispanofonía, a los que hay que añadir Italia, Rumanía y Moldavia”, forman “un componente importante del pueblo humano”.

“Su profunda unidad, continúan las plumas insumisas, no se basa solo en hablar lenguas pertenecientes a la misma familia lingüística, sino en una visión del mundo que ha atravesado los siglos desde la antigua República Romana. De Roma, los pueblos latinos heredaron una concepción cívica de la nación, [...] y un cierto universalismo que hacía de la ciudadanía un principio de organización colectiva más allá de los orígenes particulares. Existe, por así decirlo, una ósmosis entre esta herencia filosófica latina y el necesario advenimiento del pueblo humano". 

Francia es más grande de lo que es

En igualdad de condiciones, esta búsqueda de un sustrato histórico-cultural, que abre afinidades a Francia hasta el corazón del Sur contemporáneo, recuerda el proyecto de “Global Britain” que fue atribuido al Reino Unido, a finales de la década de 2010, por algunos partidarios de su salida de la UE. El Reino Unido, afirmaron, podría proyectar de nuevo un papel global gracias a sus lazos en una Commonwealth renacida, transformando el plomo postcolonial en oro cosmopolita.

El resultado, como recuerda la investigadora Marie-Claire Considère-Charon en su reciente Geopolítica del Reino Unido (PUF, 2026), fue un fiasco. Todo apunta a que “la estructura heterogénea” y la “baja densidad institucional” de los espacios francófonos y latinos, como en el caso de la Commonwealth, impiden convertirlos en actores significativos en la transformación del sistema internacional, y Francia solo tiene en ellos una capacidad de arrastre reducida.

Escrito para el mundo de 2027, el folleto da la impresión de evocar una nación cuyo rango mundial fuera todavía el de la década de 1930. “Objetivamente”, nos recuerda el politólogo Philip Golub, “el declive de la posición de Francia no ha dejado de emperorar desde el presidente de Gaulle. A pesar de sus importantes activos, como su arsenal nuclear o su asiento en el Consejo de Seguridad de la ONU, no es una potencia global simplemente por su tamaño. Es principalmente en Europa donde Francia tiene un papel que desempeñar, con bastantes dificultades que superar". 

Hay Estados, a escala internacional, que juegan a una postura no alineada, sin duda. Apodados los “hedgers” (en los márgenes) por los académicos que los estudiaron de cerca, intentan navegar y escapar en parte a la nueva tenaza bipolar sino-estadounidense. Pero desde Indonesia hasta Brasil, pasando por la India y algunos países del Golfo, sus recursos humanos, energéticos, productivos y financieros superan con creces los de Francia, que, sin una alianza militar, también se verá obligada a gastar mucho más en su defensa, o asumir que es más vulnerable.

Hay que añadir que estos Estados no tienen las mismas ambiciones que las expresadas por LFI, es decir, cuestionar la acumulación desigual que desestabiliza al mundo. Las hábiles estrategias transaccionales no están a la altura del desafío, que consiste en construir solidaridades y reglas a largo plazo. Esta última tarea puede lograrse rechazando todo vasallaje, pero no sin construir alianzas aunque estén poco institucionalizadas.

El dilema había sido identificado en 1967 por el filósofo Pierre Hassner: “Para una potencia media cuya influencia y seguridad suponen un mínimo de orden internacional, es probable que la no alineación conduzca a todo, siempre que se saque a los demás. Lo que, tarde o temprano, equivale a salir uno mismo".

 

Fabien Escalona es doctor en Ciencias Políticas y autor de una tesis sobre La reconversion partisane de la social-démocratie européenne (Dalloz, 2018), y del ensayo Une République à bout de souffle (Seuil, 2023). Tras colaborar puntualmente con Mediapart, se incorporó al equipo de forma permanente en febrero de 2018. Es miembro del departamento de política, y también trabaja en temas internacionales y de actualidad en ciencias sociales.

[Fuente: www.mediapart.fr/journal/politique/130726/logique-et-travers-du-non-alignement-que-lfi-veut-pour-la-france?utm - reproducido en www.sinpermiso.info]