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quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Morto, amordaçado

O que há de errado com a democracia quando ela elege deputados e senadores que apoiam um governo que valoriza a ditadura, debocha da Constituição, arquiteta um golpe fracassado e, ainda assim, conquista maioria no Congresso? 

Escrito por SAMUEL KILSZTAJN*

Em 8 de janeiro de 2023, Jair Messias Bolsonaro, do Partido Liberal, tentou tomar o poder por meio de um golpe fracassado, que o levou à prisão. Nas eleições de 2026, o Partido Liberal tornou-se o maior partido tanto na Câmara dos Deputados, com 121 das 513 cadeiras; como no Senado, com uma bancada de 28 dos 81 parlamentares.

Em 8 de novembro de 1923, Adolf Hitler, do Partido Nazista, também tentou tomar o poder por meio de um golpe fracassado, que o levou à prisão. Nas eleições de 1932, o Partido Nazista tornou-se o maior partido do Parlamento alemão, com 230 das 608 cadeiras. Em 1933, a partir de negociações com as elites conservadoras, Hitler foi nomeado chanceler e o Parlamento aprovou, em total desacordo com a ordem constitucional, uma lei que conferiu a Hitler plenos poderes para legislar e governar o país sem o consentimento parlamentar. A Lei de Plenos Poderes ao chanceler foi aprovada sob condições de repressão e intimidação dos parlamentares e abriu caminho para o completo desmantelamento da democracia alemã.

O III Reich, concebido para durar um milênio, durou intermináveis 12 anos e mergulhou a Alemanha e o mundo em uma das maiores catástrofes da história, destruição, morte e um rastro de sofrimento que invadiu a humanidade. Embora tenha nascido depois da Segunda Guerra Mundial, vivi os horrores da guerra desde sempre, sendo filho de dois sobreviventes de uma família que perdeu nove em cada dez de seus membros – ele como escravo em campos de concentração, ela deportada para a Sibéria.

Por obra do destino, nos últimos dias de 1953, ancoramos no Novo Mundo, nestas terras de imigrantes, que, de nativos, só têm os indígenas – quando aqui chegamos, nem sequer sabíamos que existia um país com o nome de Brasil. Poucos meses depois Getúlio Vargas se suicidou e, em 1961, fomos surpreendidos pela crise política desencadeada pela renúncia de Jânio Quadros. Meus pais pouco entendiam o que aqui se passava e, para desgosto deles, seu filho, que aqui escreve, aos dezesseis anos de idade, envolveu-se em política e acabou preso e torturado durante a Ditadura Militar que tomou conta do país por longos 21 anos.

No sábado, 10 de outubro de 2026, entre os dois turnos da eleição presidencial, voltando do Parque da Água Branca, fui fisgado pela Revelação, que o motorista do ônibus ia cantarolando enquanto seguia pela Avenida São João: “Quando a gente tenta, de toda maneira, dele se guardar, sentimento ilhado, morto, amordaçado, volta a incomodar”.

O que há de errado com a democracia quando ela elege deputados e senadores que apoiam um governo que valoriza a ditadura, debocha da Constituição, arquiteta um golpe fracassado e, ainda assim, conquista maioria no Congresso?

O que buscam os eleitores? Sonham com o bezerro de ouro? Querem apossar-se da Amazônia e acossar ainda mais uma vez os povos indígenas exterminados desde o “descobrimento” e, mais recentemente, com a ocupação do Planalto Central, a construção de um museu futurista a céu aberto, a expansão da fronteira agrícola e a abertura da Transamazônica? Querem flexibilizar as regras ambientais e favorecer o garimpo, o agronegócio e a exploração dos recursos naturais? Querem suprimir os já parcos direitos trabalhistas e sociais e privatizar o Estado? Querem escolas cívico-militares e facilitar o acesso às armas? Querem utilizar o voto para extinguir o próprio voto e instaurar um regime militar? Servem-se do voto para acabar com as eleições e a democracia? Um voto suicida?

O que há de errado com uma democracia quando o voto é usado para abolir as próprias regras do jogo democrático? Acordei no meio da noite impelido a escrever este texto e agora me deu um cansaço medonho…

… saio para fazer aula de Tai Chi – isto deve fazer-me bem. Mas, no caminho, lembro de que estou sem a roupa apropriada e a sapatilha. Mas não faz mal, isso se ajeita. Também estou sem o documento que devo apresentar para fazer a aula e sequer lembro o meu número de matrícula. Consegui o número de matrícula e vou apanhar o ônibus que me vai levar à aula de Tai Chi. Mas agora não lembro mais meu número de matrícula, não sei qual ônibus devo tomar, nem onde fica a academia. Mas não faz mal…

… fico angustiado. Não faz mal? Isso poderia ser corriqueiro para uma pessoa normal, não para mim, que sou extremamente metódico, que é a forma que me faz sobreviver neste mundo caótico. Então acordo do sonho e volto a escrever este texto para dizer que não estou com a roupa apropriada, estou sem a minha carteira, não sei meu número de matrícula, qual é o ônibus que devo apanhar, nem qual é o caminho que devo seguir…

Nota: durante as eleições municipais de outubro de 2024, eu estava viajando. Na volta, levei os cartões de embarque e fiquei na fila para justificar o meu (não) voto. Mas a funcionária da Justiça Eleitoral disse: “Meu senhor, com a sua idade, o senhor não precisa mais justificar o seu (não) voto”. No dia 4 de outubro de 2026, tive um problema com a burocracia estatal: levei meu título de eleitor original e a cópia autenticada da carteira de identidade que carrego comigo. O mesário disse que a minha foto (de 1982), na cópia, estava irreconhecível. Informou que eu poderia apresentar a carteira de trabalho, desde que fosse original (e eu expliquei que a foto na carteira era de boa qualidade, mas que eu tinha então 17 anos de idade). Voltei para casa e trouxe a carteira de trabalho, mas ele não aceitou. Dentro dela, contudo, estava minha carteira de identidade original, que acabou sendo aceita. Mas não acabou por aí: ele queria a digital; informei que não funcionava; tentaram várias vezes e, por fim, a mesária usou a digital dela, que funcionou (achei estranho, mas faz parte das normas) e consegui votar. Agora, para o segundo turno, já sei, devo levar a carteira de identidade original.

*Samuel Kilsztajn é professor titular em economia política. Autor, entre outros livros, de 1968, sonhos e pesadelos

 

 

[Imagem: Esteban Carriazo - fonte: www.aterraeredonda.com.br]

domingo, 11 de outubro de 2026

Brasil, elecciones y problemas de la izquierda

Escrito por Magdiel Sánchez Quiroz* 

El resultado de las elecciones en Brasil sorprendieron a la mayoría de las personas que se autodefinen de izquierda. ¿Cómo es posible que el hijo del expresidente Jair Bolsonaro, hoy preso por intentar un golpe de Estado contra Lula, haya ganado? La respuesta inmediata desde ese sector fue: por la guerra cognitiva, la injerencia de Estados Unidos y la manipulación de las iglesias pentecostales. 

Es una respuesta simple que da tranquilidad. Se asume que las mayorías se encuentran enajenadas por el tipo de mensajes que consumen por el celular, sin reparar en que es el mismo medio por el que los activistas se informan, interactúan y tratan de convencer a otras personas. 

Para Estados Unidos es prioritario que gane Flávio Bolsonaro. Los importantes yacimientos de hidrocarburos –en especial los del presal–, los abundantes minerales y tierras raras, la biodiversidad, el agua y las tierras fértiles son el botín que quiere. Necesita también controlar el rol geopolítico que tiene Brasil en América Latina y minar las alianzas que sostiene con China y otros países. Pero el resultado de las elecciones no es tan distante de las encuestas previas, casi todas ellas declararon a Lula ganador, pero por un margen tan minúsculo que entra en los rangos de error de las mismas. Incluso Trump evitó posicionarse a favor de Bolsonaro en los últimos días porque podría ser contraproducente. 

Sin duda, el peso de las iglesias pentecostales en Brasil es muy fuerte. Todos los partidos buscan hacer alianzas con sus dirigentes (incluido el Partido de los Trabajadores de Lula). Hay un conjunto de corrientes dominantes dentro del neopentecostalismo que favorece a la ultraderecha y cerró filas con Bolsonaro. Pero las relaciones entre religión y política son más complejas. Durante la dictadura en Brasil de los años 60 a 80, casi 90 por ciento de la población era católica. La Teología de la Liberación fue tan solo una expresión minoritaria, comprometida, radical y con arraigo en los territorios, que remaba a contracorriente del poder instituido. Casi un siglo antes, fue en el noreste de Brasil donde emergieron las insurrecciones populares con objetivos emancipatorios más potentes y alimentados por ideas mesiánicas. 

Un elemento relevante por el que Bolsonaro Jr atrajo votantes es que logró apropiarse de la inconformidad social. Se presentó un disidente, crítico de las estructuras jurídicas y de los políticos tradicionales. Las fuertes acusaciones por corrupción en su contra quedaron en segundo plano. Para muchos votantes pudo más el votar en contra del poder instituido. Promete cosas peligrosas y absurdas, pero también habla de cuestiones que preocupan a la gente. 

El abstencionismo fue muy grande. No votaron 33 millones de brasileños. Empero: ¿hasta qué punto las grandes mayorías creen que a través de las elecciones se puede cambiar la sociedad? ¿La gente participa en las elecciones creyendo que en ellas se juega su vida? ¿Qué tan grave puede ser para una persona votar por un candidato de ultraderecha si está acostumbrada a que todos los productos que consume en el supermercado tienen sellos que le avisan que son malos para su salud? 

Lula es el mayor líder popular de Brasil por más de 40 años. Pero su partido se encuentra fragmentado. Carece de vida y fuerza orgánica. Fuera de Lula no tiene personajes que logren conectarse con las masas. Los partidos de derecha y ultraderecha se quedaron con la mayoría del Congreso Nacional y del Senado. 

Por su parte, el Movimiento de los Trabajadores Rurales Sin Tierra (MST) demostró una fuerza electoral propia. Logró la reelección de varios gobernadores del noreste que asumieron sus demandas. Ocho militantes suyos fueron electos como congresistas. Desde las elecciones pasadas, el MST compite en comicios a través del registro del PT. Sus campañas, sin embargo, ponen en el centro sus propias demandas y sus símbolos. Sus militantes hacen un trabajo de base intenso y permanente. 

El noreste pobre votó por Lula, mientras el sur rico por Bolsonaro. La lucha de clases existe. Sus formas de expresión ocurren de múltiples y complejas formas. Los resultados de las elecciones demuestran que para hacer que los pobres, dominados y explotados opten por un candidato que les favorezca en sus necesidades, hace falta algo más que campañas electorales y políticas sociales como las que Lula construyó en sus mandatos previos. 

Lula tiene posibilidades de vencer en la segunda vuelta y llegar a su cuarto gobierno, pero tendrá que llegar a acuerdos con sectores de la burguesía que se le oponen. De triunfar, será el mandato más alineado a la derecha que haya tenido. No será su voluntad, es el estado de las fuerzas. A pesar de ello, su triunfo será esperanzador.

 

* Filósofo, coordinador de las Obras escogidas de Fernando Martínez Heredia

 

[Fuente: www.jornada.com.mx]

sábado, 10 de outubro de 2026

¿Qué ganó Bolsonaro sin ganar (todavía) la presidencia de Brasil?

 


Escrito por Natalia Rivera Hoyos 

Antes del 4 de octubre lo veíamos como una hipótesis estadística o una posibilidad estocástica. Creíamos en las encuestas y pensábamos que una victoria de Bolsonaro no se vería con contundencia en la primera vuelta, que la batalla se daría hasta la segunda y el equilibrio precario entre izquierdas y derechas se definiría, tal vez por un suspiro, a fines de mes. Y claro, pensábamos que sería a favor de Lula.

Pero Flávio Bolsonaro venció la primera ronda de la elección presidencial, y su partido, el Partido Liberal (PL), ganó el Legislativo -ambas cámaras- y varias gubernaturas. La perspectiva del 25 de octubre ahora se ve distinta, incluso si Bolsonaro pierde la elección presidencial. Sería histórico, pues desde la redemocratización en Brasil, ningún candidato presidencial que ha perdido la primera vuelta ha logrado vencer en la segunda. Flávio Bolsonaro puede perder, pero el bolsonarismo ya ganó. ¿Qué ganó Bolsonaro sin ganar (todavía) la presidencia de Brasil?

Me arriesgo a decir que ganó las condiciones de la gobernabilidad nacional por, al menos, los siguientes 4 años. Ganó una fuerza electoral que sostendrá un movimiento de derecha de largo aliento, ganó el poder en 5 estados que gobiernan 32 millones de habitantes y donde se gesta y crece la industria, las finanzas y el agronegocio en Brasil. En mi perspectiva, el bolsonarismo ganó las condiciones para transformar un cambio de partido en un cambio de régimen.

Gubernaturas

La primera vuelta de las elecciones en Brasil terminó con al menos 20 gubernaturas electas. Cinco estados y el Distrito Federal tendrán segunda vuelta. De esas 20 gubernaturas, el PL ganó 5: Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Rondônia y Roraima. Su aliado, el partido Republicanos, ganó nuevamente São Paulo y venció en Minas Gerais y Mato Grosso. Río de Janeiro está a la espera de una decisión judicial sobre la candidatura de Anthony Garotinho; si se confirma su inelegibilidad, Douglas Ruas (del PL) podría ganar en primera vuelta; de lo contrario, habrá una segunda vuelta contra Eduardo Paes.

Estos resultados confirman un corredor del sur gobernado por la derecha, con los estados más poblados y más ricos bajo su control, con poder de decisión sobre los centros financieros e industriales del país y buena parte del agronegocio brasileño bajo su bandera política.

Cámara de Diputados

Con los resultados del 4 de octubre, el PL ganó la Cámara de Diputados. Tendrá 121 de 513 diputados federales. Rompió récord. Ningún partido había sumado una bancada de ese tamaño desde 1986, en la primera elección tras el fin de la dictadura, cuando la oposición, reunida bajo el Partido del Movimiento Democrático Brasileño (PMDB), logró 260 escaños a su favor.

Esta vez, si sumamos los aliados de derecha (el Partido Progresista y Republicanos), el bolsonarismo puede sumar 303 diputados, el 59 % de la Cámara.

Cámara de Senadores

En esta elección, se votaron dos terceras partes de la Cámara de Senadores, 54 de 81 escaños. De esos 54, el PL ganó 19, que, sumados a los 9 que ya tenía, alcanza 28 senadores. También un récord. Además de los 19 electos del PL, 11 senadores de otros partidos fueron electos con el apoyo de Bolsonaro, de modo que entre senadores recién electos y senadores a la mitad de su mandato, la bancada bolsonarista puede sumar 39 escaños. El PT de Lula, la segunda fuerza en el Senado, apenas pudo sumar 9 espacios.

Entre los nuevos integrantes de la Cámara alta, ya se posicionó el apellido Bolsonaro. Michelle Bolsonaro, esposa de Jair y madrastra de Flávio, fue electa por el Distrito Federal (Brasília) como la candidata más votada, y Carlos Bolsonaro, hermano de Flávio, fue electo por Santa Catarina.

Del Legislativo al Judicial

El control del Senado era clave para el proyecto bolsonarista, pues es la cámara que aprueba las propuestas de la Presidencia de la República para los ministros del Supremo Tribunal Federal (el equivalente a la Suprema Corte de Justicia en México), y la única instancia que puede iniciar y juzgar su destitución.

Por un lado, el Senado tendrá poder sobre el nombramiento de al menos 3 nuevos ministros: una posición que se liberó en 2025 y que sigue vacante, una que deberá renovarse en 2028 y otra en 2029. Además, uno de los ministros actuales tiene prevista su jubilación el penúltimo día del próximo mandato presidencial, el 30 de diciembre de 2030, y quien gane la elección presidencial este año podría sumar esa cuarta vacante a su lista de posiciones por ocupar. De ser así, el bolsonarismo habrá nombrado 6 de 11 ministros del Supremo Tribunal Federal (STF), y tendría mayoría también en ese poder.

Por otro lado, este Senado bolsonarista podría finalmente iniciar el proceso de destitución del ministro Alexandre de Moraes que Jair Bolsonaro ha querido concretar desde 2021 por investigaciones judiciales en su contra. Tras los sucesos de 2022, por los que Jair Bolsonaro fue juzgado y sentenciado, Moraes fue nombrado como el relator responsable de su caso y es quien todavía puede decidir sobre las medidas cautelares y las restricciones en su comunicación.

Para destituirlo, el bolsonarismo necesita 54 votos que el PL no tiene por sí solo, pero que podría alcanzar con sus aliados de derecha y mediante negociaciones con el llamado “Centrão” (el bloque de partidos de centro-derecha). Febrero de 2027 será fundamental para eso, pues el Senado elegirá a su presidente, el cargo que decide qué denuncias se tramitan, incluidas las solicitudes de destitución de los jueces del Supremo.

La composición del STF importa también para el Tribunal Superior Electoral, pues 3 de sus 7 ministros deben ser, obligatoriamente, miembros del STF. Así, quien juzga en la cúpula del Poder Judicial federal también lo puede hacer en la cúpula del máximo órgano electoral de ese país.

Queda claro que al bolsonarismo le interesa y le favorece un STF debilitado y bajo su control, sin fuerza para investigar y castigar la corrupción política, que no interfiera en los excesos presidenciales, que no bloquee reformas constitucionales y que pueda defender los intereses electorales de la derecha. El bolsonarismo necesita un Poder Judicial a modo, que respalde las nuevas reglas del juego y que se someta él mismo a nuevas directrices. Y claro, que le dé amnistía a Jair Bolsonaro y lo libere de la prisión domiciliaria.

En uno de sus discursos tras la victoria del primer turno, Bolsonaro declaró sus planes legislativos, y celebró que “Brasil ya me dio un Congreso mucho más a la derecha de lo que es hoy. Con mayoría en el Senado para elegir al presidente del Senado, con mayoría en la Cámara para elegir al presidente de la Cámara. Para que cambiemos la Constitución, para que redemocraticemos este país, para que las instituciones vuelvan a respetar la Constitución.”

No veo un aviso más claro. El bolsonarismo ya llegó. Con Flávio o sin Flávio, cambiarán las reglas del juego.

Natalia Rivera Hoyos es politóloga por El Colegio de México y maestra en Sociología por la Universidad de São Paulo, en Brasil

 

[Fuente: www.nexos.com.mx]

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Argentina: Milei mena los pòbles autoctòns a una batalha novèla per lors tèrras

Mantuna comunautat es estada expulsada de territòris ancestrals aquestas setmanas, mentre que lo govèrn argentin vòl facultar las proceduras d’expulsion en nom de la proprietat privada

A Jujuy, lo 10 d’agost, la comunautat indigèna Santa Rosa, dins la region d’Humahuaca, patiguèt una operacion d’expulsion acompanhada duna fòrta violéncia policièra.

Escrich per  Jòrdi Ràfols

Mantuna comunautat autoctòna es estada expulsada de lors tèrras aquestes darrièrs jorns en Argentina. Es lo resultat del projècte de lei del govèrn de Javier Milei que vòl afortir la proteccion de la proprietat privada, al risc de facultar las expulsions de territòris ancestrals. Aquestas setmanas, i a ja agut d’operacions de polícia qu’an tocat las comunautats mapuchas dins las províncias de Neuquén, Jujuy e Misiones. 

Lo cas mai recent concernís las comunautats mapuchas lof kinxikew e lof melo, près de Villa La Angostura, dins lo sud del país. Lo 19 d’agost, un important dispositiu policièr intervenguèt per executar las decisions judiciàrias d’expulsion. Las comunautats afirman totun ocupar tradicionalament aquelas tèrras, mentre que l’estat argentin aviá el meteis reconegut lor ocupacion ancestrala. En mai d’aquò, l’organizacion argentina de dreches umans, lo Centre d’Estudis Legals e Socials (CELS), denóncia una procedura que priva las comunautats de mejans sufisents per defendre lors dreches. 

A Jujuy, lo 10 d’agost, la comunautat indigèna Santa Rosa, dins la region d’Humahuaca, patiguèt una operacion d’expulsion acompanhada duna fòrta violéncia policièra. Los abitants contèstan la validitat dels plans cadastrals utilizats per la justícia, afirmant que comportarián d’errors dins los limits del territòri comunautari. 

Aqueles afrontaments apareisson dins un contèxt juridic prigondament modificat dempuèi l’arribada de Milei al poder. En decembre de 2024, son govèrn abroguèt la lei 26.160, que suspendiá sustot las expulsions de las comunautats indigènas e prevesiá un inventari dels territòris tradicionalament ocupats per aquelas comunautats. Son abrogacion a suprimit un dels principals mecanismes de proteccion de la tèrra dont dispausavan los pòbles originaris d’Argentina. 

A l’encòp, lo govèrn defend una novèla «lei sus l’inviolabilitat de la proprietat privada», ja aprovada pel Senat e ara examinada per la Cambra dels Deputats. Lo tèxt prevei de modificar las proceduras d’expulsion e poiriá facultar d’expulsions rapidas de terrens rurals qu’entraïnarián de conflictes amb las comunautats indigènas. D’organizacions coma lo CELS estiman que la reforma risque de favorir la concentracion fonzièra e de facultar l’accès privat a de ressorsas naturalas e de territòris estrategics. A Salta, per exemple, la comunautat wichí lapacho 2 a denonciat pendent d’annadas la progression de la desforestacion sus de territòris qu’utiliza tradicionalament a causa de l’expansion de las activitats agricòlas e boscassièras.

 


[Imatge: Edgardo A. Valera / AFP - sorsa: www.jornalet.com]


quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Brésil : Lula défend la découverte de pétrole en Amazonie au nom de la souveraineté nationale malgré les critiques des écologistes

Le président brésilien Luiz Inacio Lula da Silva a défendu lundi la récente découverte de pétrole au large de l’Amazonie, qu’il juge essentielle pour l’avenir du pays, malgré les critiques des écologistes.

Le président brésilien Lula annonce à Brasilia, le 18 septembre 2025.

La compagnie publique Petrobras a annoncé vendredi avoir identifié des indices de pétrole en eaux profondes à environ 175 kilomètres des côtes amazoniennes. Le forage a été lancé en octobre 2025 dans la région maritime de la Marge équatoriale, après plusieurs années de démarches pour obtenir les autorisations environnementales nécessaires.

Lula met en avant l’avenir économique du Brésil

En visite sur une base opérationnelle de Petrobras, Lula a qualifié cette découverte de « passeport pour l’avenir » du Brésil. Le président brésilien a toutefois assuré que cette position ne remettait pas en cause son engagement de longue date en faveur d’une réduction progressive de la dépendance aux énergies fossiles.

Selon lui, l’exploitation de nouvelles réserves pourrait également renforcer la souveraineté du pays. Vêtu d’une combinaison orange, il a affiché son enthousiasme en présentant un échantillon de brut prélevé lors des opérations d’exploration.

Petrobras encore prudente sur l’ampleur du gisement

La découverte reste toutefois en phase d’évaluation. La présidente de Petrobras, Magda Chambriard, a expliqué que quinze à vingt jours de forage supplémentaires seraient nécessaires pour mesurer précisément l’importance du gisement.

Des études devront également confirmer son potentiel commercial. Malgré ces incertitudes, la dirigeante a affirmé qu’il existait des raisons d’être « extrêmement optimiste » sur les perspectives offertes par cette découverte.


Les critiques persistent chez les défenseurs de l’environnement

Les associations environnementales continuent de dénoncer les risques liés à l’exploration pétrolière dans une zone particulièrement riche en biodiversité. Elles craignent notamment les conséquences qu’une éventuelle marée noire pourrait avoir sur les écosystèmes situés au large de la plus grande forêt tropicale de la planète.

Pour Suely Araujo, coordinatrice de l’Observatoire du Climat, cette découverte ne répond pas aux interrogations soulevées lors de l’attribution de la licence environnementale. Elle estime notamment que les communautés autochtones concernées n’ont pas été suffisamment consultées et pointe des lacunes dans l’évaluation des risques.

Un enjeu politique à quelques semaines du scrutin

Âgé de 80 ans, Lula briguera en octobre un quatrième mandat non consécutif à la tête du Brésil. La question de l’exploitation des ressources naturelles pourrait s’inviter au cœur de la campagne électorale.

Le président défend un abandon progressif des combustibles fossiles afin de lutter contre le réchauffement climatique. Mais il estime également que le Brésil, neuvième producteur mondial de pétrole l’an dernier, ne peut pas se passer à court terme des revenus générés par cette ressource. 

 

[Photo : EVARISTO SA/AFP via Getty Images - source : www.epochtimes.fr]


terça-feira, 11 de agosto de 2026

Brasil: de joves indigènas fan de la cultura una arma contra la crisi climatica

Musica, dança, fotografia e rets socials son venguts d’aisinas de resisténcia per una nòva generacion de joves indigènas que defendon lors territòris e lor cultura 

Escrich per Ferriòl Macip

De joves indigènas brasilièrs utilizan l’art e los rets socials per aparar lors territòris, lengas e de culturas davant los efièches de la crisi climatica. L’ÒNU a donat la paraula a tres d’aqueles joves a l’escasença de la Jornada Internacionala dels Pòbles Indigènas, celebrada ièr dimenge 9 d’agost: la dançaira Marciele Albuquerque, del pòble munduruku, la cantaira Kaê Guajajara, del pòble guajajara, e lo fotograf Cristian Wariu, del pòble xavante, transforman lor creativitat en una forma de resisténcia.

Marciele Albuquerque, originària de Juruti, en Amazonia, se remembra d’una enfança ont la selva fornissiá aisidament de noiridura a sa comunautat. Uèi, la situacion a cambiat. «Fa mai caud cada an. La frucha es pas tant abondosa coma abans», çò explica. Las sasons de pluèja e de secada son tanben vengudas mai extrèmas. Per ela, que fa de la dança una forma de revendicacion, l’art a una foncion clara: «Es un biais de luchar».

De son costat, Cristian Wariu constata, dins la region de Cerrado, una intensificacion dels fuòcs. Per el, las consequéncias van plan mai luènh que la destruccion dels ecosistèmas: los fuòcs perturban la cadena alimentària dels xavantes e favorisson l’arribada d’aliments mens favorables a lor santat. Wariu vei tanben la comunicacion coma un terren de lucha: «La delimitacion de las tèrras es pas solament una question politica: cal tanben ocupar l’espaci mediatic e numeric», çò afirma.

Per Kaê Guajajara, la crisi climatica es ligada als sègles de pression que los an patits los territòris indigènas. La musica li permet de contar aquesta istòria e de mesclar los cants tradicionals amb de sonoritats contemporanèas. Dins sas cançons parla de desboscament, de desplaçaments forçats e de defensa dels territòris. Una de sas cançons mai conegudas, “Sumaúma“, celèbra aquel arbre gigant considerat coma lo “Rei de la Forèst”. «Aimi fòrça aquela cançon perque ditz que, quina que siá la quantitat de betum escampada sul sòl, las raices finiràn totjorn que traucaràn. Contunharàn de créisser, coparàn lo betum e reprendràn lors dreches». 

D’aquel biais, aquela jove generacion indigèna tresmuda la cultura en nautparlador. Musica, art, rets socials e fotografia lor permeton de far conéisser çò que vivon, de combatre la desinformacion e de transmetre lors culturas. E coma las raices de la sumauma, lor messatge es simple: quitament jol betum, la vida pòt tornar créisser.

La crisi climatica, que tanben la patissèm fòrça en Occitània, a cambiat prigondament la vida vidanta dels pòbles indigènas en Brasil. De temperaturas mai nautas, de secadas, d’inondacions, d’incendis e la desaparicion de ressorsas naturalas menaçan lors territòris e lors biaisses de viure. Ara, la nòva generacion de joves refusan de demorar silencioses: utilizan la cultura e los rets socials per se far ausir.

 

[Imatge: Cristian Wariu - sorsa: www.jornalet.com]