sábado, 3 de outubro de 2026

A Mesa convoca unha concentración contra o Plan lingüístico do PP baixo o lema “non prohibades o galego”

A Mesa pola Normalización Lingüística convoca a concentrarse o vindeiro mércores, 7 de outubro, diante do Parlamento de Galiza contra “o intento de eliminar os acordos sociais en relación á lingua” por parte do actual goberno da Xunta. 


O presidente da entidade en defensa da lingua, Marcos Maceira, denuncia que “o Plan que se vai votar no Parlamento galego non é unha revisión do actual, senón unha regresión nacida da chantaxe que quixo impor o PP e que ten como único punto de aplicación real manter a prohibición de galego no ensino, a través de porcentaxes máximas de uso, e descargando a responsabilidade de facelo nos claustros dos centros educativos”. Neste sentido, A Mesa lamenta que o PSdG-PSOE cedese á chantaxe do PP e espera que rectifique e regrese á posición de compromiso co PXNLG que mantivo desde 2004. 

Maceira recorda que a Xunta anuncia a aprobación do seu Plan da lingua, documento sen valor xurídico e sen posibilidade de emenda no Parlamento, unha semana despois do rexistro da Iniciativa Lexislativa Popular Lingua Vital por parte da plataforma Queremos Galego. “Esa ILP é a única proposta con accións efectivas comprometen e obrigan á Xunta e aos poderes públicos”, afirma Maceira. Tamén lamenta que o PP actúa “como se a Xunta non tivese capacidade de mudar as normas que exclúen o galego ou como se non fose, directamente, a responsable da súa creación e aprobación”. “Aluden a fomentar o galego dentro dun marco normativo creado por eles mesmos no que o galego nin se nomea”, remata.

 

[Fonte: www.amesa.gal]


Bardella dins l’uèlh del ciclòn

De messatges atribuits al president de l’RN revèlan de prepauses antisemitas e complotistas tenguts quand èra encara un jove militant del Front Nacional 

Escrich per Jòrdi Ràfols 

De conversacions privadas datant de 2013, publicadas diluns pel jornal en linha Mediapart e atribuidas a Jordan Bardella, an revelat de prepauses antisemitas e complotistas que lo president del Recampament Nacional (RN) nèga aver tenguts. Pasmens, Mediapart afirma aver autentificat de faiçon independenta aquelas discussions, ara destapadas.

Demest los prepauses atribuits a Bardella figuran d’afirmacions segon las qualas «las bancas son totas detengudas per de josieus» o qu’un «Novèl Òrdre Mondial dominat per Israèl» seriá a s’impausar. Mediapart a mostrat tanben de referéncias elogiosas a de personalitats antisemitas controversiadas: l’assagista Alain Soral e l’actor Dieudonné.

Lo president de l’RN a desmentit èsser l’autor d’aqueles messatges, que qualifica de «falses grossièrs». Son avocat a anonciat lo depaus d’una denóncia en justícia per difamacion contra lo jornal.

La polemica es especialament interessanta se pensam qu’esposca lo president d’un partit qu’ensaja de menar dempuèi mantuna annada una estrategia de «desdiabolizacion», destinada a rompre amb qualques posicions e declaracions associadas a l’istòria de l’ancian Front Nacional, e la figura de Jean-Marie Le Pen. Bardella el meteis s’es dempuèi afirmat coma un adversari de l’antisemitisme e participèt, en març de 2025 a Jerusalèm, a una conferéncia internacionala consagrada a la lucha contra l’antisemitisme.

Per Yonathan Arfi, president del Conselh Representatiu de las Institucions Josievas de França (CRIF), aquelas revelacions constituisson, se son averadas, «una illustracion dels limits de la desdiabolizacion del RN». Estima que la violéncia dels prepauses atribuits a Bardella poiriá pas èsser explicada per son edat jove. Lo president de l’RN, nascut en setembre de 1995, èra encara menor al moment dels faches.

 

[Imatge: Adrien Pittore/Sipa Press - sorsa: www.jornalet.com]

Boi, Bala e Bíblia: três letras de uma mesma relação de forças

Por baixo de Boi, Bala e Bíblia existe uma sociedade marcada por relações históricas de propriedade, desigualdade, coerção e disputa pelo consenso. 

Sessão de discussão e votação de propostas legislativa na Câmara dos Deputados do Brasil em 3 de setembro.

Escrito por Julio Lisandro Cañón

Licenciado em Historia pela Universidad Nacional de Mar del Plata (Argentina) 

Há letras que parecem explicar a realidade porque a conseguem condensar. "BBB" tornou-se, no Brasil, uma forma corrente de identificar setores associados ao latifúndio e ao agronegócio, às políticas de armamento e segurança punitivista e ao conservadorismo religioso, especialmente em segmentos evangélicos. Mas três letras não explicam uma sociedade. Apenas nomeiam uma convergência. É justamente essa convergência que precisa de ser explicada.

Boi, Bala e Bíblia não constituem uma organização única nem expressam interesses idênticos. O que existe é uma articulação entre forças sociais distintas. Interesses diferentes podem convergir na defesa de uma mesma ordem social. O Congresso é apenas um dos lugares onde essa relação de forças se torna visível: antes de chegar ao Parlamento, um interesse precisa existir socialmente e possuir organização, recursos e representação. Compreender a BBB exige reconstruir histórias diferentes –a questão agrária, os aparelhos coercivos e a transformação de organizações religiosas em forças políticas– e compreender quando é que elas encontram uma zona de convergência.

Essa convergência tem uma base material. A concentração da terra está inscrita na formação brasileira. A colonização organizou a apropriação territorial em torno da grande propriedade e da exploração do trabalho; a escravatura sustentou essa estrutura e a abolição não transformou a propriedade fundiária. A terra é relação social de poder, produz riqueza e controlo territorial. O capitalismo agrário representa uma nova forma de valorização do capital. Em 2015 o 25,13% do PIB. O Boi é a relação entre território, propriedade e poder.

Onde a propriedade precisa ser defendida, a questão económica encontra a coerção. A Bala não representa apenas aqueles que defendem armas, mas uma conceção segundo a qual, diante do conflito, deve haver mais coerção; diante da criminalidade, mais prisão; diante da pobreza, mais polícia. O punitivismo transforma conflitos sociais em problemas criminais e produz um inimigo. A criminalização posterior à abolição converteu desigualdades históricas em indícios de criminalidade. Em 2025, 69,6% das pessoas privadas de liberdade eram negras. A Bala expressa uma disputa sobre como e contra quem o Estado exerce a sua coerção.

Força política

Mas nenhuma ordem social é sustentada apenas pela força. É preciso produzir consenso. É nesse terreno que aparece a Bíblia. Politicamente, importa a transformação de igrejas e redes de sociabilidade em forças capazes de produzir identidade, organização e representação. Em 2022, 26,9% da população brasileira declarava-se evangélica. As igrejas formam lideranças e difundem interpretações sobre família, propriedade, sexualidade e autoridade. A desigualdade pode aparecer como mérito, a pobreza como fracasso e a violência institucional como resposta legítima. A disputa cultural passa, então, a reforçar a estrutura económica.

É nesse ponto que Boi, Bala e Bíblia se articulam. A propriedade precisa de proteção, a coerção precisa de legitimidade, o consenso pode naturalizar a propriedade e legitimar a coerção. Uma aliança permite transformar diferenças em unidade política. A hegemonia não depende de conspiração: depende da capacidade de organizar interesses diferentes sob determinada direção política, em cada conjuntura histórica concreta.

Essa força procura converter-se em força política por meio de partidos, orçamento, legislação e decisões do Estado. A questão não é saber se a BBB "controla" o Estado, mas quanto da sua força consegue transformar em política de Estado. Uma reivindicação particular pode aparecer como defesa da liberdade, da ordem, da segurança ou da família. É nesse deslocamento que interesses particulares adquirem aparência universal. A hegemonia, porém, não é absoluta: movimentos camponeses e indígenas, pastorais sociais, comunidades eclesiais de base e a Teologia da Libertação disputam território, consenso e instituições.

A pergunta histórica não deve ser "quem está por trás da BBB?", como se existisse um sujeito oculto. A pergunta é que relação de forças torna possível essa convergência. As três letras são apenas a superfície. Por baixo delas existe uma sociedade marcada por relações históricas de propriedade, desigualdade, coerção e disputa pelo consenso. O capitalismo brasileiro não reproduz simplesmente estruturas herdadas: reorganiza-as. O passado não desaparece; é transformado no presente. Boi, Bala e Bíblia são três formas diferentes de organizar forças sociais distintas em torno de uma disputa essencial: quem possui, quem manda e quem consegue fazer com que essa ordem pareça natural.

 

[Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados do Brasil - fonte: www.nosdiario.gal]

Brebis galeuse en chef : Bardella l’antisémite

Les propos antisémites de Jordan Bardella lorsqu’il était jeune adhérent du FN ne racontent pas seulement le passé du président actuel du RN. Ils racontent surtout comment l’extrême droite a appris à rendre son idéologie présentable sans en changer. 

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« Les banques sont toutes détenues par des juifs » ; « Le juif doit dominer les autres peuples, les écraser et les voler » : exhumée par Mediapart – dont il faut une fois encore saluer le travail d’enquête –, la littérature de Jordan Bardella, alors jeune adhérent de 18 ans au Front national, est d’un antisémitisme crasse. Aucune stupéfaction ou surprise à la lecture de cette prose obsessionnelle : il ne s’agit là que du fond de commerce banal de l’extrême droite française, comme le rappelle l’histoire et la longue liste de tous les candidats ou élus d’extrême droite qui profèrent ce même genre d’abjections. Cela amène plusieurs enseignements.

Le premier est de rappeler ce qu’est l’antisémitisme. Ces dernières années, certains ont cru bon de voir dans la critique de la politique génocidaire d’Israël les atours d’un « nouvel antisémitisme ». Ils s’en inquiétaient, assurant que l’antisémitisme d’antan, qui était l’une des colonnes vertébrales de la France rance du premier 20ème siècle puis du fondateur du Front national Jean-Marie Le Pen et de ses affidés, n’était plus de saison. Ils avaient tort : il reste un fond de sauce dans notre pays et au fondement du projet de l’extrême droite. Les révélations de Mediapart le redisent. 

L’antisémitisme de Jordan Bardella est intégré dans le projet global de son parti. Quand, en mars 2015, le futur premier ministrable de Marine Le Pen souligne que « depuis que le discours [de Marine Le Pen] est plus policé, le nombre d’électeur explose », tout en se réjouissant que le FN soit le seul parti « resté fidèle à son idéologie de base » depuis « plus de 40 ans », il expose et son ambition et sa stratégie. Le plus significatif n’est donc peut-être pas ce que Jordan Bardella écrivait à 18 ans. C’est ce qu’il avait déjà compris à cet âge : pour conquérir le pouvoir, l’extrême droite devait être fidèle mais avancer masquée, parler autrement. La dédiabolisation n’est pas née d’une conversion soudaine à la République. Elle a consisté à polir les mots, à lisser les références, à rendre présentable ce qui ne l’était pas. Il y a dans les phrases de Jordan Bardella toute une méthode politique : ne pas renoncer à l’idéologie, mais travailler sa mise en scène. 

Le RN voudrait aujourd’hui apparaître comme le rempart contre l’antisémitisme. Une partie du champ médiatique et politique a gobé ces bobards et validé la manière dont le FN, devenu RN, a construit son récit de lui-même. L’extrême droite demande volontiers que l’on se souvienne de l’histoire de France, de ses frontières, de ses racines. Elle réclame en revanche une forme d’amnésie lorsqu’il s’agit de sa propre histoire. Elle voudrait que la dédiabolisation soit tenue pour une rupture alors qu’elle est l’art de ripoliner la façade, sans changer de logiciel. 

Alors non, Jordan Bardella ne doit pas démontrer son opposition aux propos antisémites et complotistes qui lui sont attribués. On peut s’attendre à ce qu’il s’y emploie en attaquant en diffamation Mediapart. Il perdra car tout le monde perd contre les solides enquêtes de Mediapart. Mais il aura gagné du temps. Puis il essaiera de faire amende honorable, en affirmant qu’il a changé, qu’il n’est plus ce jeune homme antisémite. Marine Le Pen et le RN pourraient même décider de l’exclure. Mais ce qui est révélé l’est : les faits sont têtus. Le RN, comme l’était le FN, est un parti de haine de l’autre et de recherche de boucs émissaires – dont les juifs sont depuis des siècles le modèle absolu. On ne cesse pas d’être antisémite par communiqué de presse. Une idéologie ne disparaît pas parce qu’elle devient moins dicible. Les archives de Jordan Bardella ne racontent pas seulement le passé d’un jeune militant mais la manière dont l’extrême droite a appris à rendre son passé et son présent moins visibles. 

[Source : www.regards.fr]