quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

EUA reforçam bloqueio: «As únicas vítimas são o povo cubano»

Pressão sobre México e Venezuela pode deixar Cuba sem petróleo nas próximas semanas, agravando ainda mais a precária situação do seu povo.

Transeuntes em rua de Havana

Escrito por José Luis Granados Ceja

O presidente dos EUA, Donald Trump, cumpriu a sua ameaça de impor um bloqueio petrolífero a Cuba, declarando o governo liderado por Miguel Díaz-Canel uma “ameaça invulgar e extraordinária” à segurança nacional dos EUA e anunciando, em 29 de janeiro, tarifas punitivas a qualquer país que forneça petróleo a Cuba.

O esforço de Washington para obrigar outros países a aderirem ao seu bloqueio internacionalmente condenado ameaça pressionar ainda mais uma população que já está a sofrer uma enorme tensão devido às sanções dos EUA.

O meio de comunicação cubano Belly of the Beast recentemente conversou com cubanos na capital — normalmente isolada de alguns dos piores impactos do bloqueio, mas que agora também está a sofrer apagões — que descreveram uma situação cada vez mais difícil.

“O futuro é extremamente incerto, mas algo terá de acontecer, de alguma forma, porque somos nós que mais sofremos. Algo terá de acontecer porque é impossível obter eletricidade e os alimentos estão a ficar cada vez mais caros”, disse Raydén Decoro, de 36 anos, ao Belly of the Beast. “Neste momento, o combustível só está disponível em dólares e a inflação continua a subir.”

As autoridades cubanas anunciaram na sexta-feira um plano nacional e abrangente de poupança de energia que dá prioridade ao combustível e à eletricidade para serviços essenciais e de socorro. As medidas também ampliam a implantação de energia solar, reduzem drasticamente os serviços de transporte e diminuem o horário de funcionamento de escolas, universidades e locais de trabalho. O objetivo é proteger os cuidados de saúde, o abastecimento de alimentos e água e os serviços sociais perante uma grave escassez de energia causada pelo bloqueio dos EUA.

O país já notificou as companhias aéreas de que não poderá reabastecer voos internacionais por pelo menos um mês, complicando ainda mais o turismo na ilha, uma fonte vital de receitas para Cuba.

“As coisas pioraram este mês. Mais horas de apagões. A minha filha em Baracoa [localizada no leste de Cuba] passa por 16 horas de falta de energia, e ela tem três filhos”, disse Carlos Villaurrutia, de 61 anos. “É uma injustiça completa. Não haverá nada para ninguém.

A ordem executiva de Trump pressiona diretamente o México, e a presidente mexicana Claudia Sheinbaum até agora cedeu a essa pressão. A empresa estatal mexicana de petróleo PEMEX tornou-se a principal fornecedora de petróleo de Cuba, uma vez que os embarques da Venezuela para Cuba foram suspensos após o bloqueio dos EUA à Venezuela e o sequestro do presidente Nicolás Maduro no mês passado. A PEMEX, que suspendeu um carregamento de petróleo para Cuba em janeiro, afirma que as suas entregas fazem parte de um contrato de 2023 com Cuba e que a empresa está disposta a continuar a fornecer petróleo bruto ao país. Víctor Rodríguez Padilla, diretor-geral da empresa estatal de petróleo, afirma que uma solução diplomática deve vir em primeiro lugar, a fim de evitar represálias de Washington.

Dois navios da Marinha mexicana transportando ajuda humanitária partiram no domingo para Cuba. Sheinbaum disse que o seu país está a explorar diretamente uma solução diplomática com Washington para retomar as entregas de petróleo.

“O que os EUA estão a fazer não é justo, é um país que está a usar a força, o seu poder e a pressão de uma ameaça subjacente de invasão militar para pressionar Cuba e outros países”, disse Yosvani Pérez, um gestor comunitário de 30 anos de Havana.

A infraestrutura energética de Cuba depende de importações estrangeiras para a geração de energia e, segundo relatos, está a apenas algumas semanas de ficar sem petróleo. Os cubanos descrevem uma situação em deterioração na ilha, especialmente com a recente suspensão dos carregamentos de petróleo da Venezuela e do México.

“Acho que tudo vai piorar ainda mais. Haverá mais cortes de energia, menos liberdade de movimento para as pessoas, muitas empresas fecharão, levando a uma maior escassez de alimentos, preços mais altos e assim por diante, uma cadeia de problemas sem fim à vista”, disse Eduardo Riviera, um empregado de mesa de 28 anos em Havana, ao Belly of the Beast.

Entretanto, o embaixador russo em Havana, Viktor Koronelli, disse à Sputnik numa entrevista que o seu país pretende continuar a fornecer petróleo a Cuba. A Rússia, já sujeita a sanções, está menos exposta a ameaças de novas medidas dos EUA do que o México, que até agora evitou novas tarifas sobre os seus produtos exportados, apesar das repetidas ameaças de Trump desde o seu regresso à Casa Branca.

No entanto, com uma administração Trump mais ousada e a revisão do Acordo Estados Unidos-México-Canadá já em andamento, o governo Sheinbaum está relutante em entrar em conflito direto com Washington.

Organizações de base no México estão a mobilizar-se para apoiar os esforços de Sheinbaum para aliviar a situação humanitária em Cuba. Em 1 de fevereiro, várias centenas de manifestantes reuniram-se em frente ao antigo local da Embaixada dos EUA no México para entregar uma mensagem ao governo Trump, mas também ao governo Sheinbaum.

“Sim, sabemos que há muita pressão sobre o México, sobre o governo mexicano... mas isso não muda a nossa história: Nunca abandonámos Cuba e agora não é o momento de o fazer”, disse Tamara Barra, do Movimento Mexicano de Solidariedade com Cuba, ao Drop Site News, na Cidade do México.

Barra afirma que continuarão a trabalhar para dar espaço ao governo de Sheinbaum para atuar nesta questão, ao mesmo tempo que constroem uma ampla frente de movimentos sociais, organizações de base e sindicatos para pressionar o governo de Sheinbaum a quebrar o bloqueio a Cuba.

Enquanto isso, organizações dentro do México estão a trabalhar para entregar ajuda humanitária diretamente. A Associação de Cubanos Recentes no México “José Martí” lançou uma campanha em agosto passado, por ocasião do centenário do nascimento de Fidel Castro, para adquirir e entregar um carregamento de petróleo a Cuba.

“A ideia retoma um precedente da década de 90, precisamente aqui no México, durante o Período Especial, quando dois petroleiros foram enviados a Cuba. Em outras palavras, há um precedente histórico, e é uma homenagem ao Comandante [Fidel Castro], mas, ao mesmo tempo, reativa a solidariedade com Cuba e ajuda a aliviar a difícil situação económica que o nosso povo está a viver”, disse Olivia Garza Joa ao Drop Site.

Garza descreve uma situação já complexa para os seus familiares que vivem em Cuba, mas diz que um bloqueio ao petróleo seria devastador.

“O custo humano seria incalculável; seria uma Gaza no Caribe, onde nada entra, e tudo por causa do desejo de matar de fome e subjugar o povo cubano”, disse Garza.

Ela diz que, sem combustível, o país ficaria paralisado: “Em outras palavras, não haveria transporte para se locomover, ir à escola ou ao trabalho; não haveria eletricidade para os hospitais, pacientes em terapia intensiva poderiam morrer, pacientes em diálise não poderiam receber tratamento, e isso vale para todo o sistema de saúde.”

Em declarações transmitidas pela televisão nacional na quinta-feira, o presidente Díaz-Canel rejeitou as alegações de que o seu país representa uma ameaça, mas alertou que o país estava a preparar-se para entrar em “estado de guerra”, se necessário.

“A doutrina de defesa do nosso país, ou doutrina militar, baseia-se no conceito de Guerra Popular, que é um conceito de defesa da soberania e independência do país”, disse Díaz-Canel. “Em nenhum momento, em nenhuma secção ou sob nenhum conceito, contempla a agressão contra outro país. Não somos uma ameaça para os Estados Unidos.”

Apesar da retórica dos funcionários dos EUA e do bloqueio petrolífero de facto, Díaz-Canel disse que o seu governo está aberto ao diálogo com os Estados Unidos. O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros cubano, Carlos Fernandez de Cossio, disse à Reuters que os dois governos estão em comunicação, mas que ainda não há conversações formais de alto nível.

Os EUA anunciaram na quinta-feira uma ajuda de 6 milhões de dólares a ser entregue pela Igreja Católica e pela instituição de caridade católica Caritas, a fim de contornar o governo. O alto funcionário do Departamento de Estado, Jeremy Lewin, disse que as autoridades estadunidenses irão “garantir que o regime não receba a ajuda, não a desvie e não a tente politizar”.

Washington atribui a culpa pela situação económica da ilha ao governo cubano, alegando que este está a acumular os recursos do país.

Pérez, o gestor comunitário, disse que o bloqueio dos EUA é em grande parte responsável, mas também afirma que o governo tem sido demasiado dependente do fornecimento de petróleo de países estrangeiros e deveria ter explorado alternativas de geração de energia muito mais cedo.

“Há vários culpados, mas a única vítima é o povo de Cuba”, disse Pérez ao Drop Site e ao Belly of the Beast.

Apesar das circunstâncias desafiadoras, muitos também expressam um claro desafio aos esforços de Washington para dominar os países da região.

“A revolução não vai cair. Já passámos por pior. Eu vivi o Período Especial e sobrevivi”, disse Villaurrutia, referindo-se à crise económica da década de 90, após o colapso da União Soviética e o fim do seu apoio a Cuba.

“Ninguém aqui se vai render”, disse Caridad Ramírez, aposentada de 61 anos, ao Belly of the Beast. “É por isso que nós, cubanos, somos guerreiros, somos guerreiros porque, se Trump vier aqui para lutar, serei a primeira a pegar na espingarda e defender a minha terra, porque esta é a terra onde nasci.”


José Luis Granados Ceja é jornalista e analista político na Cidade do México. Artigo publicado no portal cubano Belly of the Beast em colaboração com o Dropsite News.


[Foto: Ernesto Mastrascusa/EPA - fonte: www.esquerda.net]

«El mirall cec», de Joseph Roth

Una novel·la sobre el desig i la pèrdua de la innocència 


Escrit per Daniel P. Grau

Traducció de Jaume Creus  


Si hi ha una cosa que m’atreu especialment de les petites editorials independents és l’aposta que solen fer per una literatura diferent. Algunes ho fan triant autors novells, d’altres recorrent a clàssics de la literatura universal, d’altres centrant-se en temàtiques concretes… Respecte a les traduccions, sovint prefereixen recórrer a obres de domini públic i preocupar-se per fer llibres de bona factura en lloc de dedicar els recursos a pagar drets…

Edicions de la Ela Geminada va néixer el 2011 i la gestionen tres dones joves, Laia Regincós, Nina Busquet i Anna Noguer, amb la voluntat d’oferir un catàleg ben particular, en què hi ha, entre altres, des d’una col·lecció d’erotisme, Idil·lis, a una de textos filosòfics, Pensament, totes dues ben interessants. En Narrativa clàssica, hi trobareu una nòmina d’autors catalans i traduïts d’alta volada, però les obres editades, amb bon criteri, no són sempre les més conegudes.

És el cas d’El mirall cec, un dels primers llibres que va publicar l’austríac d’origen jueu Joseph Roth (1894-1939), el 1925. El 1930 apareixeria Job, la novel·la que el va situar amb rotunditat en el panorama literari del moment, i dos anys més tard, La marxa Radetzky, sens dubte, la seva obra més coneguda.

El mirall cec és una novel·la breu, d’aparença senzilla —dinou capítols que en general no superen les dues o tres pàgines—, però bastant més complexa del que sembla, fonamentalment pel que fa al tractament dels personatges i dels espais, que sovint se’ns presenten d’una manera quasi esbossada, però que tenen una profunditat que de vegades aclapara.

Joseph Roth, El mirall cec,  Ela Geminada (2025)


Certament, en El mirall cec la diferència entre el personatge principal i els secundaris és abismal. Tot i que la novel·la està escrita en una clàssica tercera persona, se centra tant en Fini, i d’una manera tan peculiar, que alguna vegada he tingut la sensació que més aviat estava llegint el diari d’una jove vienesa —s’intueix que és de Viena per informació col·lateral, perquè la ciutat mai no s’hi esmenta amb el nom: sempre és “la ciutat”. Fini, encara una nena, treballa de matí endreçant la casa i a la tarda repartint el correu d’un despatx d’advocats per guanyar-se els diners del franqueig.

És tan jove que en les primeres pàgines del llibre té la seva primera menstruació. La mare, que sempre li havia despertat una sensació de sentir-se escrutada i controlada, de ser tractada de manera estricta i alhora distant, té envers ella, potser per primera vegada, detalls de tendresa, en passar a considerar-la una dona adulta: “Ara ja no era una mare severa, sinó una dona fraternal”.

El pare, inicialment absent, torna de la guerra —no s’hi explicita, però s’entén que és la Primera Guerra Mundial—, “amb les temples canoses, misteriosament empetitit”, ferit, atordit, una mica sord… Tot això impacta en Fini i li desperta una empatia que fa que la relació amb ell s’intensifiqui. Si la mirada dels fills envers els pares canvia amb el pas del temps, l’efecte d’una guerra fa que aquesta transformació sigui encara més evident:

La Fini el tenia present com un home gran i fort, que l’havia agafat en braços en marxar, ara ell era petit i fràgil, i era la Fini qui l’abraçava

El llibre explora —i explota— de manera intensa la relació de la jove amb els homes, en general més grans que ella. En el seu despertar amorós i sexual, Fini se sent atreta per homes diferents —Ernst, un pintor; Ludwig, un músic, i Rabold, un jove orador revolucionari—, sovint superficials, que van marcant-la de maneres diverses, fins a conduir-la a un desenllaç especialment colpidor.

Si pensem en l’estructura narrativa clàssica de plantejament, nus i desenllaç, podríem concloure que aquesta obra de Roth està desequilibrada. He arribat a tenir la impressió que la novel·la acaba de manera abrupta, que era una mena de provatura de l’autor amb una trama que podria haver aprofitat per a desenvolupar un novel·la més ambiciosa. Això, però, no resta qualitat a un text que excel·leix, sobretot, per un tractament gairebé poètic del llenguatge, amb passatges d’una bellesa subtil, malgrat la duresa que sovint domina la vida dels personatges, especialment la dels femenins —també, i molt particularment, la de la germana de Fini, Tilly—, subjugats als desigs masculins.

Si ja heu llegit les obres cabdals de Joseph Roth, us farà gràcia llegir-ne aquesta novel·la inicial. Si no, és una bona manera d’endinsar-se en l’obra d’un dels autors essencials de la primera meitat del XX. 

 

[Font: www.laveudelsllibres.cat]

La mística lisèrgica d’Oliver Laxe

Sergi López i Oliver Laxe, actor i director de ‘Sirat’ 

 Escrit per Imma Merino 

Les potents imat­ges del desert saharià, fil­ma­des amb mes­tratge per Mauro Herce, han fet que Sirat, d’Oli­ver Laxe, irrompés amb força en la secció ofi­cial a con­curs del Fes­ti­val de Canes, tot i que sem­bla haver-hi hagut una recepció bipo­lar: no tot­hom entra en el trànsit amb una certa pal­pi­tació mística que busca el cine­asta gallec, que invoca amb el mateix títol i una cita ini­cial un pas­satge de l’Alcorà sense esmen­tar-lo: al final dels temps, els humans hau­ran de pas­sar per un pont, a sota del qual hi ha l’infern, per arri­bar al paradís; i és així que els per­so­nat­ges del film (un grup de ravers als quals s’afe­geix un home i el seu fill petit a la recerca d’una jove des­a­pa­re­guda) viu­ran una tragèdia que, en parau­les del direc­tor, repre­senta una opor­tu­ni­tat de trans­for­mació i de “crei­xe­ment” si hi la fe que per­met accep­tar qual­se­vol cir­cumstància adversa, fins la més ter­ri­ble. En fi, si es tracta d’una qüestió de fe i de veure-hi tan­cant els ulls, no tot­hom hi com­brega. 

El cas és que en començar Sirat, pel·lícula amb par­ti­ci­pació cata­lana (Los deser­to­res Films/Uri Films, d’Oriol Maymó) en una pro­ducció que sem­bla lide­rada pels ger­mans Almodóvar pel seu reclam, uns grans alta­veus s’ins­tal·len en un paratge desèrtic per tal que esclati la música electrònica (apor­tada per Kang­ding Ray) que, amb el con­sum de substàncies lisèrgi­ques, fa que una mul­ti­tud entri en trànsit. Allà hi arriba l’home (Luis/Sergi López) que, amb el fill petit Este­ban /Bruno Núñez), busca la seva filla, de la qual va per­dre el ras­tre fa cinc mesos. La recerca tot just ha començat. Entre la mul­ti­tud, troba un grup d’amics (inter­pre­tats per actors no-pro­fes­si­o­nals que Laxe va triar entre els par­ti­ci­pants en raves a les quals va assis­tir) que l’infor­men que hi haurà una altra “festa” en un lloc encara més endin­sat del desert. Tot i la reticència ini­cial del grup, el pare i el fill els seguei­xen amb un cotxe gens pre­pa­rat per a una tra­ves­sia desèrtica. Això fa que la pel·lícula tran­siti entre el cinema d’aven­tu­res apo­calíptic (Mad Max) i el wes­tern errant (Cen­tau­res del desert) men­tre el grup afronta diver­sos obs­ta­cles: els pro­ble­mes per tro­bar ben­zina, les difi­cul­tats de pas­sar per certs llocs. Fins que, de manera ines­pe­rada, arriba la tragèdia. Resulta cer­ta­ment xocant sense que hi hagi cap recre­ació en el dra­ma­tisme, però pot sem­blar un cop d’efecte que es repro­duirà uns quants cop més amb la idea (òbvia) que el món és ple de perills: un camp de mines.  

No hi ha dubte de la potència visual de Sirat. D’aquí, hi ha qui diu haver entrat en trànsit, com si s’acordés en els moments d’estat lisèrgic dels ravers que tra­ves­sen el desert, i la visió d’aquest mateix els dugués a l’experiència del sublim en què la peti­tesa davant de la natu­ra­lesa immensa pro­jecta cap a l’infi­nit; però també és pos­si­ble sen­tir-se aliè(na), com en el cas d’aquesta cro­nista, a la mística lisèrgica d’Oli­ver Laxe, que ha arri­bat a la secció ofi­cial de Canes després de pas­sar-hi per diver­ses sec­ci­ons amb els seus tres ante­ri­ors llarg­me­trat­ges tri­om­fant-hi, el 2019, a Un Cer­tain Regard amb O que arde.   

A con­curs de la secció ofi­cial, també s’ha pre­sen­tat Dos­sier 137, pel·lícula de Domi­nik Moll (direc­tor de Harry, un amic que us estima, amb la qual Sergi López va tri­om­far a Canes l’any 2000) ins­pi­rada en un cas real que va tenir lloc durant les pro­tes­tes dels gilets jau­nes l’any 2018: un jove va resul­tar greu­ment ferit al cap a causa d’un tret de gas lacri­mo­gen dis­pa­rat pels anti­dis­tur­bis. Una mem­bre (excel·lent Lea Ducker) del depar­ta­ment d’Assump­tes Interns serà l’encar­re­gada d’inves­ti­gar un cas que fa pre­sent la impu­ni­tat de la violència poli­cial. Una pel·lícula dis­creta, però impe­ca­ble. 

 

[Imatge: EFE - font: www.elpuntavui.cat]


Cuba, la eterna «siguiente en la lista», continúa sin guerra, ni acuerdo ni colapso

A Trump no le interesa un nuevo Haití que genere una crisis migratoria en EEUU. La primera prueba es que permite a México seguir suministrando petróleo a la isla

Una calle en La Habana, Cuba, en 2017
Escrito por Iramis R. Rosique Cárdenas 

En La Habana conocen bien el eslogan: hoy Granada, hoy Nicaragua, hoy la URSS, hoy Irak, hoy Libia, hoy Siria, hoy Venezuela: mañana Cuba. La isla ha sido la “siguiente de la lista” muchas veces en medio siglo. Ese sino ha vuelto a manifestarse tras la intervención militar norteamericana en Venezuela y el secuestro del presidente Nicolás Maduro.

Más allá de las muchas implicaciones que los graves acontecimientos ocurridos tienen para la propia Venezuela –o para el orden global–, lo cierto es que Cuba no ha tenido un segundo para sorprenderse, o para llorar a sus 32 soldados muertos caídos mientras protegían al mandatario venezolano. A estos acontecimientos los ha sucedido una escalada de amenazas directas contra el país por parte de la administración Trump. Las amenazas profundizan la dinámica de tensiones que ha caracterizado la relación bilateral entre ambos países desde que el primer gobierno MAGA restauró la política de hostilidad y máxima presión sobre la nación caribeña y destruyó el esfuerzo de normalización lanzado por la administración anterior. 

La importancia de Venezuela   

Si Trump está en lo cierto, y de veras posee –como se ha jactado– el control sobre los movimientos del Gobierno de Delcy Rodríguez, es una conclusión lógica que tal hecho implica un debilitamiento estratégico para Cuba. Venezuela ha representado un pilar para la seguridad energética de la economía cubana durante las dos últimas décadas. En los 2000, los fallecidos mandatarios de ambos países, Fidel Castro y Hugo Chávez, sellaron un convenio mediante el cual Venezuela se comprometía a enviar petróleo como pago a Cuba por un conjunto de servicios (médicos, de formación deportiva, educativos, etc.) que la isla le prestaría al país sudamericano. Ese convenio ha sido renovado y sus compromisos han ido variando a lo largo de las dos décadas, pero su esencia se mantuvo. Ello permitió a Cuba acelerar la recuperación económica que venía ocurriendo desde finales de los noventa, tras los momentos más agudos del llamado “período especial”, la gran crisis que afectó el país tras el colapso del socialismo europeo. Por un lado, se garantizó la seguridad energética de Cuba, un aspecto en el que la isla era y sigue siendo vulnerable, debido sobre todo a la dificultad para acceder a financiamiento internacional y para insertarse de manera plena y normal en el mercado mundial, en buena medida a causa del régimen de sanciones económicas aplicado por Estados Unidos sobre ella. Por otro lado, este acuerdo ventajoso de acceso a energía, permitió un ahorro que, primero, fue usado por Fidel Castro en la recuperación y ampliación de todo un conjunto de programas sociales, los llamados “programas de la Revolución de la Batalla de Ideas”, y luego por la administración de Raúl Castro en un fomento del consumo y en la inversión inmobiliaria orientada a desarrollar la industria turística. La colaboración venezolana dio a los cubanos dos décadas de cierta estabilidad económica con perspectivas de crecimiento.  

De hecho, sobre la actual crisis de la economía cubana suele hacerse énfasis solo en dos factores: primero, el recrudecimiento del bloqueo norteamericano durante el primer gobierno de Donald Trump con toda una serie de nuevas sanciones orientadas especialmente hacia la persecución financiera y el debilitamiento de las dos principales fuentes de divisas de Cuba: el turismo y la exportación de servicios médicos. Y segundo: el desplome de los ingresos en divisas provenientes de la industria turística –de 4,2 millones de visitantes en 2019 a 2,4 millones en 2023– causado en particular por la pandemia de covid. No obstante, hay un tercer factor no despreciable y es precisamente la reducción del suministro venezolano. 

En los mejores momentos de la cooperación cubano-venezolana, en los días de Chávez, PDVSA llegó a enviar a Cuba hasta 100.000 barriles diarios de petróleo. Esto representaba casi la totalidad de las necesidades para un normal funcionamiento del país, estimadas en torno a unos 110.000 barriles diarios. Desde finales de la década pasada, esos números descendieron significativamente: ya en 2024 el promedio anual rondaba los 32.000 barriles diarios, lo cual representó una caída de 42 % respecto a 2023. Para 2025 se desplomó aún más, y fue un 63 % inferior a 2023.   

Este decrecimiento resultó de la confluencia de dos circunstancias principalmente: el colapso de la economía venezolana en el contexto de las sanciones económicas en la segunda mitad de la década anterior e, irónicamente, la reanudación de las exportaciones de crudo a Estados Unidos a partir de las licencias especiales emitidas por la OFAC a Chevron. La reinserción de la debilitada industria petrolera venezolana representó un desafío en el que Venezuela debió elegir entre cumplir sus compromisos con Cuba o cubrir la demanda recibida desde el mercado estadounidense, del cual obtenía las divisas que impulsaron su recuperación económica.   

En resumen, hacia finales de 2025 Venezuela ya no tenía el mismo peso en la economía cubana que tuvo en los 2000 o inicios de los 2010, aunque todavía representa un porcentaje considerable de la importación de crudo, y una contribución importante al debilitado sistema energético nacional. Todo ese petróleo que fue desapareciendo de las exportaciones venezolanas representó un déficit que, en plena crisis, el Gobierno cubano debía cubrir en el mercado internacional del combustible con divisas que no tenía ni tiene, lo que ha agravado aún más la situación de Cuba.   

Truco o trato: las amenazas de Trump   

Todo este recorrido nos ayuda a entender por qué Trump podría estar convencido de que “Cuba está por caer”, si él corta todo aporte de Venezuela a la isla. Y aunque su juicio de que “todos sus ingresos [de Cuba] venían de Venezuela, del petróleo venezolano” no es preciso, pues desestima la contribución de otros socios como México –a la sazón, mayor abastecedor de crudo a Cuba– o Rusia, es absolutamente correcto que la desaparición de Venezuela del panorama económico cubano sería o será un muy duro golpe a un país azotado por una de las crisis más graves de su historia. 

Hemos podido conocer durante todo el año 2025 lo que ya se ha configurado como un modus operandi marca Trump en las relaciones bilaterales de la actual administración. Si en el pasado la política exterior norteamericana combinaba el uso del garrote y la zanahoria para obtener de sus interlocutores las conductas deseadas, el actual inquilino de la Casa Blanca prefiere usar “el garrote y el garrote”. Las negociaciones de esta administración Trump tanto con aliados como con adversarios han mantenido una secuencia que se repite: primero la amenaza terrible, y luego acuerdos que, aun beneficiando a Estados Unidos y perjudicando a la otra parte, resultan aceptables y sensatos en relación con los anuncios de Trump respecto al tema. Esa estrategia ha funcionado: ahí están los aranceles, ahí está el aumento del presupuesto de defensa en Europa, ahí están los reforzamientos de la frontera México-EEUU por parte del ejército mexicano y el aumento de las operaciones de seguridad en el área, ahí está el aumento de la presión por parte del Gobierno de Petro sobre aquellas guerrillas acusadas por Washington de narcotráfico.  

Lo que ya ha funcionado varias veces, ¿por qué no lo haría una vez más? Eso parece inferirse del llamado de Trump al Gobierno cubano para que, en el contexto de la intervención en Venezuela, “haga un trato antes de que sea demasiado tarde”. ¿Tarde para qué? Pues el propio Trump ofrece dos respuestas. La primera sería la resultante de la hipótesis antes comentada sobre la dependencia del petróleo venezolano: antes del colapso “inevitable” –según él– de Cuba. La otra tiene que ver con una de sus amenazas –quizá la más directa y grave– cuando, respondiendo a una pregunta sobre Cuba durante una entrevista radial, apuntó: “ No creo que se pueda ejercer mucha más presión, salvo entrar y destruir el lugar”. Desde la invasión norteamericana a Granada no se veían cara a cara militares estadounidenses y cubanos. Estas declaraciones de Trump, unidas a la caída en un combate desigual de 32 cubanos durante el secuestro del presidente Nicolás Maduro, marcan el momento más tenso en las relaciones entre ambos países desde Reagan. 

Sin embargo, no parece que Cuba vaya a aceptar el juego de truco o trato del presidente norteamericano: “Nadie nos dicta qué hacer”, respondió el presidente cubano Miguel Díaz-Canel. Y aunque se ha especulado sobre movimiento de buques de guerra yanquis cerca de la costa norte de Cuba, y dentro del país hay gran movilización en temas de defensa, no parece probable que EEUU se atreva a ir más allá de sus amenazas. Esta lectura se apoya en varias circunstancias.   

En primer lugar, aunque es indiscutible que Estados Unidos en términos militares posee una enorme superioridad técnica sobre Cuba, también es sabido que una intervención militar norteamericana en la isla sería una aventura muy costosa y contraproducente en más de un aspecto. Desde el punto de vista económico, el gasto que implicaría “entrar y destruir el lugar”, un lugar que se ha preparado durante medio siglo para eso, no se corresponde con los beneficios que se pudieran obtener de ello. En Cuba no hay yacimientos importantes de los minerales clave de la disputa global. Tampoco posee ya en geopolítica el peso estratégico de hace décadas. Lo que sí tiene Cuba es el único ejército latinoamericano con una experiencia de guerras que desborda la mera contrainsurgencia, debido a su cooperación y participación en varios procesos de liberación en África. Podría empantanarse costosamente Estados Unidos en una guerra que, además, ocurriría a 90 millas de su territorio, con todos los riesgos que eso implica.  

Además, también habría un costo político no despreciable. Cuba no sufre el aislamiento diplomático que se logró colocar sobre la Venezuela de Nicolás Maduro. La relativa indiferencia con la que el mundo ha recibido la agresión a Venezuela no puede esperarse si se tratara de Cuba. Y no sería necesariamente un asunto de afinidades ideológicas, dado que Cuba ha cultivado, de diversas maneras, compromisos y relaciones con la mayoría de los Estados del mundo. Igual lo ideológico también pesa, pues la Revolución Cubana todavía posee un gran capital simbólico. Muchas de las izquierdas que abjuraron de Venezuela, y que incluso contribuyeron a pavimentar el camino que nos ha conducido al escenario actual de invasión, le dispensan, y siempre le han dispensado un tratamiento distinto a “la Cuba de la Revolución”, “la Cuba de Fidel Castro”, “la Cuba de la resistencia contra el imperialismo”.   

Entonces, el ataque militar a Cuba no es una opción viable desde el pragmatismo norteamericano. Desgraciadamente tampoco la posibilidad del acuerdo emerge. La dirigencia cubana ha mostrado en reiteradas ocasiones la voluntad de dialogar con EEUU. Incluso, si observamos el modo en que Trump ha lidiado con el poschavismo en Venezuela pareciera que podría llegar a acuerdos con el poder en Cuba, siempre que lo pueda vender al mundo como una gran victoria personal, como un gran logro de su “genial capacidad de negociador”. EEUU tuvo su mayor derrota militar en Vietnam y, sin embargo, 20 años después normalizan sus relaciones y logran una vigorosa cooperación económica que no implicó en punto alguno la destrucción del Estado socialista vietnamita, de su partido comunista, o la sustitución de sus dirigentes por otros afines a Washington. 

Entonces, ¿por qué con Cuba no? Quizá la respuesta más sencilla sea que Vietnam nunca tuvo un lobby vietnamita-americano que secuestrara la política estadounidense hacia ese país. Cuba en cambio sí debe sortear al poderoso lobby cubano-americano, tan poderoso que ha logrado colocar un secretario de Estado, para dialogar con un Estado para el cual, honestamente, Cuba no es una prioridad desde hace tiempo. Es una tragedia que, dentro del aparato de poder norteamericano, Cuba solo les interese a los políticos cubano-americanos. Y para las fuerzas y la tradición políticas que ellos representan es imposible un acuerdo con Cuba, porque la única solución admisible por ellos para Cuba pasa por la destrucción de todo lo que haya resultado de la revolución de 1959, el desmontaje de su Estado y de sus aparatos de seguridad, y presumiblemente el enjuiciamiento o, al menos, liquidación política de sus principales dirigentes. Cuando las opciones son de todo o nada, de capitulación unilateral e incondicional, y de humillación, es muy difícil que pueda vislumbrarse cualquier negociación.  

Entonces, si no es la guerra, y no es el trato, la apuesta sería el colapso que mencionó Trump. No obstante, tampoco parece ser del todo lo deseado por Estados Unidos. Ya el propio Marco Rubio tuvo que admitir que no les interesa una Cuba desestabilizada, lo cual sería una consecuencia esperable de las políticas que él mismo ha promovido durante tantos años. No solo es que no “interesa”: es que no conviene para nada a EEUU una Cuba desestabilizada. A pesar de ser adversarios, Cuba es una garantía de seguridad para Estados Unidos, debido a que es un Estado fuerte justo al sur de sus costas con el que pueden hablar seriamente sobre temas de migración o crimen organizado, por poner un ejemplo. Una Cuba colapsada a lo Haití no solo generaría una grave situación migratoria para los del norte, sino que además podría ser pasto del crimen organizado y el paramilitarismo. La aceptación por parte de Estados Unidos de que México continúe suministrando petróleo a Cuba es una confesión más elocuente que todos los posts de Donald Trump.

Pero nada de esto significa que vayan a dejar a Cuba en paz. Esa Cuba que ni se puede invadir, ni se debe colapsar, pero con la cual tampoco se quiere dialogar, sí está teniendo una utilidad en el proyecto de las derechas hemisféricas que el trumpismo lidera: ser un instrumento de propaganda de ultraderecha. Es absolutamente conveniente entonces impedir que pueda haber algún tipo de recuperación de la economía cubana, y para eso continuarán las sanciones y el bloqueo norteamericano. Así se puede usar la crisis en que vive el pueblo de Cuba contra todas las izquierdas hemisféricas en la política electoral y en la batalla cultural: “Vete a Cuba”, “seremos Cuba”. Y esta estrategia afecta a todas las izquierdas, no solo a las izquierdas más radicales, porque el proyecto de las nuevas derechas corre la cerca de tal manera que Cuba es Sánchez, es Boric y es Lula, lo mismo que es Maduro, o es Claudia Sheinbaum.   

En ese equilibrio perverso –ni guerra abierta, ni negociación posible, ni colapso conveniente– se juega hoy el destino inmediato de Cuba. Una isla convertida en rehén útil: demasiado resistente para ser derribada, demasiado incómoda para ser aceptada, demasiado simbólica para ser ignorada. Mientras tanto, el costo real lo paga el pueblo cubano, sometido a una asfixia prolongada que no busca soluciones sino escarmientos, no persigue estabilidad sino ejemplos. Siempre es “el turno” de Cuba, pero no como objetivo militar inmediato, sino como advertencia permanente: una pieza disciplinadora en la narrativa del poder global. 

 

[Foto: Pedro Szekely - fuente: www.ctxt.es]

Quanto vale aquele, e dito cujo, sentimento?

 

Escrito por Hugo Gomes 

Um homem colocou a Noruega no mapa cinematográfico. Joachim Trier e a sua Trilogia de Oslo, de “Reprise” (2006) a “Worst Person in the World” (2021), consolidou um cinema de matriz burguesa, introspectivo e emocionalmente depurado, são “problemas de primeiro mundo”, sim, mas é essa autoconsciência que tornam este par de personagens tão reconhecíveis.

Com “Sentimental Value”, ao prolongar essa espirituosidade da trindade numa espécie de quadrilogia informal, Trier trabalha na extracção de gorduras e nervos afins para revelar a estrutura de um cinema familiar, com os seus dilemas de meio. Segue-se um olhar para esse seio como maior inspiração de todas as tragédias do mundo. Não nos agarramos ao ambicioso: Trier resolve a distância (a mesma que compromete afectos e relações futuras) sem procurar redenções nem as proclamar ao som de epifanias dramáticas. É nessa ternura, nessas complexidades e na incompreensão com que este trio de personagens adere como fermento, que se encontra o embrião de um ensaio bergmaniano, na alma e no corpo.

Não fosse Stellan Skarsgård e a sua personagem (um realizador envelhecido em busca do último filme) um protótipo invocativo de Ingmar Bergman, com a sua genialidade e, no verso da moeda, a conturbação familiar. “É um péssimo pai, mas um bom realizador”, clama a personagem de Renate Reinsve, a filha e actriz fora dos circuitos habitados pelo progenitor, como recomendação a uma doce Elle Fanning, estrela hollywoodesca enganada por um papel que não lhe pertence. Contudo, é em Renate (a estrela da aventura anterior, “A Pior Pessoa do Mundo”) que o filme se centra primeiramente. Actriz de palco e de televisão, assombrada por uma depressão em vaivém, de origens e catarses quase freudianas, vê-lhe ser oferecido o papel “da sua vida”. Palavras do pai, surgido sem aviso no funeral da mãe, a gracejar-lhe com um guião: “”, suplica, orgulhoso.

Sentimental Value” é drama familiar com pitadas de tragédia iminente. No papel, o resultado poderia soar previsível, redutor ou até genérico, mas Trier contorna, foge ao convencionalismo e aos tiques impostos, por exemplo, por Hollywood. Varre o moralismo para debaixo do sofá: não há lições impregnadas nem sermões nestas intrigas, e a família (seja as personagens ou o conceito / ideologia) nunca se sobrepõe à arte, nem o contrário. Evita-se a hierarquização consoante a perspectiva individual. Cada estágio, dentro da sua condição privilegiada, é igualmente uma história de relações em colisão e fissura, e um filme sobre Cinema, sobre a importância do filme propriamente dito e da sua concepção. Esse malabarismo torna a obra numa via reconhecível para o espectador: a história do pai ausente e das filhas que se ligam perante a distância dos outros; a actriz ansiosa, perturbada pelo desencaixe social (piscando o olho aos temas já enunciados em “Worst Person in the World”); e o realizador em confronto com uma indústria incapaz de o compreender, na hercúlea caminhada rumo à concretização da derradeira obra. 

Nesta última, talvez convicto da sua cinefilia, emerge não só a arte de construir o filme final, mas também a definição do próprio filme-terminal: como inserir nesse gesto voluntário um testamento, uma introspecção, quem sabe uma autognose, a autoficção (maldita síndrome dos tempos actuais!) a encerrar carreiras. Com tudo isto embaralhado, e com a graça de grandes actores à proa (não apenas Renate ou Stellan, mas também Elle Fanning, na marginalidade da indústria que a acolheu e a tentou moldar, assim como Inga Ibsdotter Lilleaas, belíssima actriz entre a contenção e a retenção do sentimento), esta matrioska de Trier, drama bergmaniano disfarçado, desapega a frieza que o preconceito colou ao cinema nórdico, é um tratado aos nossos sentimentos, às nossas pessoalidade, e o cambio a peso de ouro que atribuímos. 

É um dos filmes mais ternos numa viragem em que a Netflix deixa de ser opção (a crítica — ou melhor, sátira metida a “besta” — é impagável). O cinema continua a ser o lugar, o espaço, a contemplação perfeita para estas histórias. A humanidade não é apenas transmitida: deve, sim, ser projectada. E isso sim, é de um incalculável valor!


[Fonte: inematograficamentefalando.blogs.sapo.pt]

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Un rave alla fine del mondo

Il passaggio invisibile di «Sirat» 

Sergi López, Joshua Liam Herderson, Stefania Gadda in una scena del film "Sirat", diretto da Oliver Laxe

di Riccardo De Torrebruna

La vita mi ha spinto sull'orlo dell'abisso, come tutti. Realizzando "Sirat", sono felice di essere saltato nell'abisso.

Sirat è il ponte sopra l’Inferno che ogni musulmano deve attraversare dopo la morte, largo per i meritevoli, sottile come un capello e tagliente come il filo di una spada per i peccatori. Non è una premessa formidabile per il titolo di un film?

A scriverlo, insieme allo sceneggiatore Santiago Fillol, è il regista francese di origini galiziane Oliver Laxe. Premio della Giuria all’ultimo festival di Cannes, girato in pellicola da 16 mm, prodotto tra gli altri da Pedro Almodóvar, scandito dalla musica sotterranea di Kangding Ray, ambientato in Marocco tra squarci mozzafiato di deserto.

È molto raro che oggi si realizzi un’opera totalmente originale, questa lo è. Quindi va affrontata come un banco di prova, un confronto serrato, una sfida in cui si deve correre il rischio di fallire. Intanto non si può prescindere dalla multiforme intelligenza del suo ideatore e il corredo di una sua intervista è un percorso parallelo per accedere alla complessità del suo film.

C’è così tanto dolore nel mondo, e penso che l'arte - il compromesso del cinema - possa essere curativa. Siamo in un momento in cui dobbiamo contenere il dolore che ci circonda. Non importa la bandiera, non importa il genere, non importa la classe sociale. Voglio dire, siamo tutti distrutti. Sì, lo siamo. Abbiamo questo dolore che ci accompagna fin dall'infanzia - il dolore della nostra stirpe è sempre più forte1.

Un padre sta cercando sua figlia, è sparita da cinque mesi, fuggita dai legami sociali per rincorrere i rave party che si svolgono fuori dalla Spagna, oltre lo stretto di Gibilterra, in una zona franca e dilatata: la terra rossa del Marocco al confine con il deserto. Ad accompagnarlo c’è Esteban, il figlio minore, un ragazzino taciturno e sveglio, e Pipa, una cagnolina senza pedigree. Il loro furgone è parcheggiato sul limitare di un rave. Intanto si danno da fare a distribuire le foto della ragazza scomparsa ai partecipanti che danzano al ritmo bombato della musica, probabilmente alterati da qualche droga, dal desiderio di celebrare un’idea di libertà o, più semplicemente, di sparire in un’altra dimensione, ce ne dovrà pur essere una. E fermiamoci ad osservare questo rave.

I giovani e i meno giovani danzano con un senso di appartenenza che mi colpisce, celebrano qualcosa che li riguarda e che non mi esclude, ma mi risulta più misterioso di quanto immaginassi. Tra loro spiccano alcuni adulti con delle menomazioni, una protesi, un’amputazione, una bocca sdentata, a mitigare l’idea che siano fanatici invasati ricoperti della polvere del deserto, capaci solo di divertirsi. C’è molta attenzione da parte del regista a descriverli con rispetto e questo sguardo aiuta anche noi a resettare il puntuale meccanismo dei nostri pregiudizi.

Non lo sapevo, ma avvicinarmi alla cultura rave è stato una sorta di completamento della mia pratica spirituale nel Sufismo. Appartengo a una confraternita Sufi, andare ai rave - è qualcosa che sto imparando studiando psicoterapia della Gestalt - significava esplorare la mia ferita, danzare sulla mia ferita, celebrarla… In un certo senso, condivido la medesima ferita delle persone che inquadro. La stessa cicatrice. Sì, siamo tutti distrutti. E non lo dico in modo drammatico, voglio dire, è bello che la vita sia così ed è una sfida. Trascendere la ferita, o accettarla2.

L’arrivo di un plotone di soldati che scioglie il rave dà inizio a un nuovo viaggio, ancora più rischioso e profondo nel cuore del deserto. Luis, il padre, decide di aggregarsi ad alcuni irriducibili che s’inoltrano lungo sentieri impervi su due robusti autocarri per raggiungere un altro rave che, a quanto pare, avrà luogo in Mauritania. Forse anche sua figlia è diretta lì, basta questo per seguirli ad ogni costo.

E quel segnale di soldati in divisa, più tardi una colonna di automezzi, si ripete lungo la strada; riappare nei notiziari, è l’eco di un mondo da cui ci si allontana sempre di più, l’eco di una guerra e di una realtà storica da cui ci si vuole estraniare. La regia fa lo stesso con noi. Trascinati da questo manipolo di lucidi sballati, disposti a inerpicarsi lungo i fianchi di rocce rosse, quasi incandescenti sotto il sole, perdiamo poco alla volta i nostri riferimenti e veniamo risucchiati e proiettati oltre.

Oggigiorno la maggior parte dei registi dà troppo peso alle immagini. I filmaker mettono troppa retorica, troppo ego, troppo. Vogliono dire, vogliono narrare cose, le immagini vengono semplicemente strumentalizzate per comunicare qualcosa. Quindi arrivano morte. Sono morte… Sono stanche. Hanno sete, non hanno tutti gli strati - simbolismo, archetipi collettivi - che ha l'immagine3.

Non c’è molto spazio per i dialoghi quando un deserto di pietre si trasforma in una sfida ai tuoi limiti, devi solo chiederti come superare la prossima curva, come attraversare un imprevisto corso d’acqua e non sprofondare nel fango, come non precipitare nel nulla. E se questo accade, perché un incidente rompe l’illusione che tu sia veramente diretto da qualche parte, verso un obiettivo, allora devi attraversare quel dolore, trovare la forza di percorrere una via che era prevista solo per te, e che solo tu puoi riconoscere.

Ricordo quando chiesero a Jung “credi in Dio?” E lui rispose: “Non credo in Dio, lo conosco”. Sono una di quelle persone che pensa non ci sia nulla che non si muova per una ragione perfetta, una ragione millimetrica, intelligente, creativa. Quindi, sì, anche la cosa peggiore, il dolore peggiore, il peggior incidente che possa capitarti nella vita, come accade in questo film, può essere una grazia per te, una benedizione4.

A parte Sergi Lopez, che è il corpo e la sembianza del padre, tutti gli altri che partecipano al viaggio non sono attori professionisti, sono personaggi che vengono dai rave, reclutati per la loro intrinseca appartenenza allo spirito del film. E sono quello che devono essere, sé stessi, grazie a Dio. Non credo si potesse fare di meglio. Ritengo sia un ulteriore indizio della profonda integrità del regista e del suo lavoro.

Penso che “Sirat” sia così rischioso perché solo qualcuno che non ha paura di morire, che non ha paura di fallire può fare questo film. Anche il fallimento può essere un dono, questo film potrebbe essere l'ultimo. Voglio dire, la vita ha la capacità di ricordarmi di essere umile. I miei film sono estremi5.

Mi viene spontaneo pensare che la critica, la recensione, il quaquaraqua dei social non si possano applicare a certe imprese. Si dovrebbe avere quanto meno il coraggio di misurarsi con il coraggio di chi le ha compiute e poi rifiutarle in toto, oppure condividerle, facendo in modo che perfino dalla scrittura trapeli un gusto, un sapore da onorare e diffondere perché ha il potere di risvegliare la nostra coscienza.

Dhawq significa gusto, è un concetto spirituale del Sufismo, il gusto, è davvero immanente, ma trascendente allo stesso tempo. Quando immagino delle immagini, quando le immagini sono dentro di me, c'è un dhawq, c'è un sapore, e mi piace. Non so, è colorato. È come se provassi soddisfazione nell'esplorare queste immagini, quando cerco le location è lo stesso6.

Mi limito a restare sull’ultima di queste immagini, che naturalmente non rivelo perché potrei essere perseguibile per legge. Una chiusa che naturalmente rimanda ad altro, sempre in movimento, sempre lungo il binario della vita che non si arresta e soprattutto della Storia che non si arresta e dalla quale, rave o perfino deserto, non c’è possibilità di fuga.

Appartengo a una generazione che sa che questo mondo non è sostenibile: non ci identifichiamo con esso. Mi sono trasferito in Marocco a 23 anni - era come se in Europa ci fosse già un odore di marcio. Sirat parla di questa folle idea che ora c'è in Europa di fare pace con la guerra, quella di Gaza è un'ipotesi estrema – ma molte persone l’hanno avvertita, l’hanno sentita mentre guardavano il film7.

È candidato come Miglior film internazionale e Miglior sonoro alla 98ª edizione degli Academy Awards.

 

Note:

1-7 I pezzi di intervista a Oliver Laxe sono stati presi dall'intervista di Federico Pontiggia pubblicata su CinematografoOliver Laxe, “sono un jihadista”.

 

[Fonte: www.meer.com]

Una obra maestra de las letras nórdicas

Pocos autores han estado más arraigados en un lugar, ahondado tanto en un paisaje, incitado a otros a su búsqueda, como el noruego Tarjei Vesaas.


Escrito por 
Diego Courchay 

Empecé leyendo a Tarjei Vesaas para comprender el invierno. Me esperaba mi primera temporada gélida en una colina aislada y leer a un hombre conocido por haber pasado su vida en las montañas de Noruega, por su descripción de la dureza del clima y su belleza, se impuso como una guía providencial. 

Esa novela era El palacio de hielo, hasta hace poco la única disponible en español. Habla de la amistad entre dos niñas, de una cascada congelada y de la pérdida; pero en Vesaas la trama es apenas la escarcha que recubre el resto. El intento por describir de qué trata su escritura desemboca en oxímoros y palabras tachadas. Su mundo es el de las sensaciones en los linderos de la conciencia y la lógica, aquellas que olvidamos antes de poderlas nombrar; restituye toda la extrañeza de un mundo sin obviedades. Son todos los parpadeos que nos habitan a diario. Al salir del invierno viajé para hacer un reportaje sobre él.  

Tarjei Vesaas nació en 1897 en una granja llamada Vesås, una cima rodeada de pinos que dio nombre a su familia y donde nueve generaciones consecutivas se habían pasado la estafeta de trabajar la tierra. Él estaba destinado a continuar esa tradición. La rechazó por una vocación cultivada en silencio, tras jornadas cortando madera con su padre, retraído con pluma y papel en una esquina de la sala familiar. Saberse escritor fue el parteaguas de su vida. Rebasados los treinta años, tras alternar agricultura y primeras novelas, compró la propiedad de un tío en bancarrota y rompió esa cadena heredada por varios siglos. No podía abandonar el paisaje y la mudanza fue mínima: apenas seis kilómetros, los que separan Vesås de Midtbø, su nuevo hogar con vista al lago. Ahí escribió hasta su muerte, en 1970. La escarcha de una vida.  

“Escribió la mayoría de sus libros aquí, hasta el último verano”, dice Guri Vesaas, la hija del autor. Estamos en Midtbø, en la comuna de Vinje, en el céntrico condado de Telemark, cuya cultura popular y paisajes inspiraron en el siglo XIX a los pintores del romanticismo nacional noruego. Guri me recibe en la sala para compartir la historia de sus padres, de Tarjei y la poeta Halldis Moren, y el sueño que les llevó a fundar un hogar para dedicarse a la literatura en este sitio fuera del tiempo. Midtbø puede visitarse cada verano desde 2016, cuando la familia decidió abrir las puertas para ahuyentar el olvido y recibir a quienes la lectura se les volvió peregrinaje.   

Si las visitas abundan es porque pocos autores han estado más arraigados en un lugar, ahondado tanto en un paisaje, incitado a otros a su búsqueda. Entre ellos llega Kjell Andre, desde Lillehammer, al norte de Oslo, porque encontró en Vesaas a un autor que no terminaba de explicarse. “Nunca se acaba”, dice, así que se vuelve a él, de viaje a su zaga.  

Si el Telemark noruego logra escapar de la decepción que deparan otros viajes literarios –la obra confrontada con la banal ubicación de su trama– es porque en Vesaas el paisaje no es telón de fondo, sino su vocabulario.   

“Creo que él tenía el paisaje y el idioma de aquí, el dialecto de aquí, de alguna manera en el cuerpo. Era parte de su cuerpo”, dice Guri. Por eso una obra creada en una campiña recóndita sortea la épica pastoral; relata una forma de estar en el mundo.   

Como cuando Vesaas pregunta: “¿Con quién hablamos cuando callamos?”  

Guri asiente al escuchar la cita, y no cree en las respuestas. “Tan pronto intentas expresarlo desaparece. Creo que es algo que mi padre experimentó a menudo. Hay muchas cosas en él que no podía nombrar, pero al mismo tiempo las comunicaba… sin decir nada. Su lenguaje es muy simple, pero hay mucho entremedias, también en el silencio. En cuanto buscas ponerle palabras suena artificial.”   

Lo mismo opinaba Vesaas: “Decimos demasiadas cosas estúpidas, y torpes. A menudo son torpes. Las cosas dichas parecen zapatos dispares, abandonados en el suelo, mientras que lo que quería decirse parecen pájaros en pleno vuelo. No es solo la modestia la que silencia las cosas importantes. Nuestra lengua es de madera.”   

La mejor expresión de ese lenguaje que tartamudea belleza puede encontrarse en Los pájaros, su novela de 1957. Es la historia de Mattis, un hombre al que en su pueblo llaman “simplón”, incapaz de trabajar o de darse a entender, que vive con su hermana Hege y depende de ella. A veces se sube a su barca y se improvisa barquero para atravesar un lago que nadie busca cruzar. Hasta que un día alguien llama desde la orilla.  

Los pájaros acaba de ser publicado por la editorial Nórdica Libros, en la traducción de Juan Gutiérrez-Maupomé, Bente Teigen Gundersen y Mónica Sainz. El libro data de 1957 y es apenas el segundo del autor que se traduce al español, de un total de veintitrés novelas, seis poemarios, cuatro libros de cuentos y once obras de teatro. Pudo ser diferente: Vesaas tiene el dudoso honor de estar entre los autores más nominados al Nobel –57 veces– sin ganarlo. En 1970 era uno de los favoritos. Murió en marzo, luego de haber recibido nueve nominaciones. El ganador unos meses más tarde, Aleksandr Solzhenitsyn, recibió seis.   

Como ha repetido el también noruego Karl Ove Knausgård, Los pájaros “estaría entre los grandes clásicos del siglo pasado si se hubiera escrito en uno de los idiomas más hablados”. Vesaas escribía además en nynorsk, la menos usada de las dos formas del noruego escrito: tan solo entre el 10 y el 15% de la población la declara como su lengua oficial. Es una lengua derivada de los dialectos, a menudo discriminada como campirana. Vesaas la eligió y la consolidó como una lengua literaria. La consagración que impidió su muerte la conseguiría su principal sucesor en el uso del nynorsk, Jon Fosse, ganador del Nobel en 2023. “Me gusta escuchar audiolibros cuando conduzco largas distancias”, cuenta en una entrevista. “Mi favorito es Los pájaros de Vesaas, es bellísimo.”   

Hay un video en blanco y negro de la televisión noruega en el que Vesaas aparece sentado, con el trasfondo del campo. Sus palabras fluyen a cuentagotas. El entrevistador le pregunta: “¿El personaje de Mattis le resulta cercano?” Vesaas asiente: “Sí, podría decirse que es un autorretrato, con ciertas reservas.”   

La afirmación puede sorprender. Mattis es el inocente local, cuando no el tonto del pueblo. “No hay que entenderlo de forma literal, pero él sabe”, dice Guri. “Cuando lees sobre Mattis, ves que el escritor sabe cómo se siente, y por eso se identifica mucho con él. Mi padre no era como Mattis en cuanto a la incapacidad para trabajar, no era tan indefenso.” Pero compartían una imposibilidad. Mattis se siente desamparado ante las expectativas de los demás, como Vesaas ante el legado familiar. Es una fisura que atraviesa varias de sus novelas y personajes.   

“Sufrió mucho por no poder… Después de unos años, estaba plenamente convencido de lo que quería y de que no podía convertirse en agricultor, porque quería leer, escribir, ser escritor. Pero pensaba que sus padres se sentirían muy decepcionados”, dice Guri. “En las montañas no se hablaba mucho. Era difícil hablar de sentimientos o cosas parecidas, de las cosas difíciles no se hablaba. Cuando salió su primer libro, cuando llegó por correo a la casa, él entró a la sala y lo puso sobre la mesa. Nadie dijo nada. Él había escrito eso y nadie dijo nada. Simplemente fingieron no verlo.”   

Aunque Mattis sufre para expresarse entre sus congéneres, a solas en su barca lo cimbra la naturaleza. Vesaas nos permite entenderlo, sumar su humanidad a la nuestra. Nos regala su relación con el lenguaje.  

Esa proporción de las palabras que restituye su tentación, su peso y su misterio. Un pensamiento donde las fórmulas habituales tienen la violencia de la literalidad, la poesía de las cosas dichas tal cual. Los juegos y las lógicas secretas que existen en nosotros al margen de todo intercambio. Mattis habita un mundo saturado de significado, sin filtros ante el lenguaje, sin barreras entre la analogía y la realidad.   

“Lo importante de Mattis es que está cerca de la vida”, escribió Knausgård. “No es una persona que hace cosas, es incapaz de ello, es una persona que es. Y este estado de ser está lleno a rebosar… El escritor está abierto al lenguaje, el lenguaje está abierto a Mattis, Mattis está abierto a la vida.” Es uno de los grandes retratos que existen entre las páginas, una insólita “autobiografía” que se halla más allá de los hechos o de la trama, a otro grado de profundidad. O como lo dijo Halldis Moren, la poeta que compartió la vida con Vesaas: “Inmersión, tal vez esa sea la palabra que resuelve todo el ‘enigma’ que lo rodea. Ese era su faro.”   

En las laderas que bajan desde Midtbø hasta el lago las granjas son del color que tienen en los libros de Vesaas, se escuchan los mismos pájaros, bajo la misma luz pacientemente descrita. Para donde se mire converge lo leído: “El lago era como un espejo, el cielo y la tierra yacían allí boca abajo.” Una vieja barca abandonada en la orilla espera a Mattis, y las alegorías se funden en el paisaje que las inspiró. 


[Fuente: www.letraslibres.com]