quarta-feira, 3 de junho de 2026

«Edgar Morin via nos portugueses uma combinação singular de resiliência e gentileza, de coragem e humildade»

Isabelle de Oliveira, presidente do Institut du Monde Lusophone, estará nesta quarta-feira, em Paris, na homenagem ao filósofo francês que morreu dia 29, com 104 anos. Ao DN, fala sobre o amigo.

Escrito por Leonídio Paulo Ferreira 

Como recorda Edgar Morin, o homem mais ainda do que o filósofo ?

Por trás do grande pensador existia o homem. O meu querido Edgar, como eu o chamava. E eu, para ele, era simplesmente a sua Isa. Era um homem de uma simplicidade desarmante, como tantas vezes acontece com os verdadeiramente grandes deste mundo e cada vez são menos. Exigente, sim, consigo próprio e com os outros, mas profundamente humano. Habituado à complexidade do pensamento, encontrava a sua maior felicidade nas coisas mais simples da vida. Gostava de um bom queijo da serra, de um bom vinho, de contemplar o mar num passeio de barco enquanto o olhar se perdia no infinito. Gostava de dançar, de cantar e de celebrar a amizade. Nunca esquecerei a noite em que, num jantar no Porto rodeado de amigos, levantou-se para cantar a Marselhesa com um entusiasmo contagiante, arrancando sorrisos e aplausos de todos os presentes. Era também impaciente, e essa impaciência proporcionou-me alguns dos momentos mais divertidos que partilhámos. Recordo, com uma ternura imensa, uma viagem de táxi em Lisboa que me fez chorar de tanto rir. Eram momentos simples, mas que hoje guardo como verdadeiros tesouros. Adorava a sua Sabah. E nós éramos, e continuamos a ser, família. Acima de tudo, Edgar era um apaixonado pela vida. Vivia-a com intensidade, curiosidade e gratidão. Procurava compreender o mundo, mas nunca deixou de maravilhar-se com ele. E talvez seja essa a memória mais bonita que dele guardo: a de um homem extraordinário que, apesar da sua grandeza intelectual, nunca perdeu a capacidade de emocionar-se com as pequenas coisas. O pensador ficará para a História. Mas o homem — o meu querido Edgar — ficará para sempre no coração daqueles que tiveram o privilégio de amá-lo e de caminhar ao seu lado. Recordarei sempre com grande carinho o meu querido Edgar, não apenas como um dos maiores pensadores do nosso tempo, mas sobretudo como um homem extraordinariamente humano. Ir-me-ei sempre lembrar da sua boa disposição contagiante, da sua energia inesgotável e da curiosidade que o animava em relação a tudo e a todos. Era um verdadeiro bon vivant, sempre atento ao mundo, sempre desejoso de compreender, descobrir e partilhar. Recordo também a sua impaciência perante a inércia, as simplificações e as injustiças, expressão de um espírito inquieto que nunca se resignou nem deixou de interrogar o seu tempo. Mais do que o filósofo, permanece para mim a recordação do homem: generoso, caloroso, livre de espírito, intensamente vivo e profundamente comprometido com a aventura humana.

A última visita de Morin a Portugal foi em 2023, para uma conferência em Lisboa sobre o humanismo. Sei que foi com ele a uma casa de fados. Como era a relação de Morin com Portugal, que um dia disse ser "um país extraordinário"?

Era impossível o Edgar estar em Portugal e não entrar numa casa de fados. Havia ali algo que o chamava de forma inevitável, quase como um regresso a casa. Eterno apaixonado por Amália Rodrigues, via nela muito mais do que uma cantora: via a alma de um povo, a voz das suas alegrias, das suas saudades e das suas esperanças. Sempre que escutava Amália, sentia que Portugal falava diretamente ao coração. Numa casa de fados, entre guitarras que choram e vozes que contam histórias de vida, o Edgar encontrava aquilo que mais admirava nos portugueses: a capacidade rara de transformar emoções profundas em beleza. Para ele, o fado não era apenas música; era uma forma de entender a vida, de aceitar as suas perdas e celebrar os seus encontros. Edgar dizia, com uma convicção que impressionava quem o ouvia, que Portugal era um país extraordinário. Não por ser perfeito, nem por procurar impressionar o mundo a todo o momento, mas precisamente pela autenticidade que se sente em cada lugar e em cada pessoa. Para ele, Portugal possuía uma rara capacidade de preservar a sua identidade, mantendo-se fiel às suas raízes sem nunca perder a abertura ao que vem de fora. O que mais admirava era a forma como os portugueses enfrentam a vida. Via neles uma combinação singular de resiliência e gentileza, de coragem e humildade. Um povo que conheceu desafios ao longo da sua História, mas que nunca deixou que as dificuldades apagassem a sua capacidade de acolher, de sorrir e de ajudar quem chega. Edgar acreditava que existe uma grandeza silenciosa no caráter português: uma força que não precisa de ser exibida porque se manifesta naturalmente nos pequenos gestos do quotidiano. Encantava-o também a importância que os portugueses atribuem às relações humanas. Num mundo cada vez mais acelerado, encontrava em Portugal o valor do tempo partilhado, das conversas demoradas à mesa, da amizade cultivada com dedicação e do respeito pelos mais velhos. Via um país onde as pessoas ainda sabem parar para escutar, para receber e para estar presentes umas para as outras. Portugal era extraordinário, dizia ele, porque consegue reunir numa dimensão relativamente pequena uma riqueza humana e cultural imensa. Das aldeias históricas às grandes cidades, do interior ao litoral, cada região preserva tradições, memórias e formas de viver que enriquecem a identidade coletiva do país. Há um profundo orgulho naquilo que se é, mas sem ostentação; uma consciência tranquila do próprio valor. Edgar admirava ainda a ligação dos portugueses à sua História. Não uma história guardada apenas nos livros ou nos monumentos, mas uma História que continua viva nas famílias, nos costumes, na língua e nas tradições transmitidas de geração em geração. Via nisso um sinal de maturidade coletiva: a capacidade de honrar o passado sem deixar de olhar para o futuro. Mas, acima de tudo, acreditava que a verdadeira riqueza de Portugal estava nas pessoas. Na sua generosidade, na sua humanidade e na forma como fazem qualquer visitante sentir-se bem-vindo. Para Edgar, era isso que tornava Portugal extraordinário: a capacidade de tocar o coração de quem o conhece, não através da grandiosidade, mas através da autenticidade. Porque há países que impressionam pela dimensão, pela riqueza ou pelo poder; Portugal, na sua opinião, conquistava algo muito mais difícil e duradouro — o afeto e a admiração de quem tem o privilégio de o viver.

Surpreende-a a admiração por Morin em Portugal ? Foi condecorado por dois presidentes, e agora o presidente António José Seguro emitiu uma nota a elogiar o grande pensador.

Era impossível não admirar o homem Edgar Morin. Mais do que uma personalidade marcante, é o pensador planetário, um ser fora do comum, daqueles que surgem raramente e deixam uma marca profunda no seu tempo. Ao longo da vida recebeu inúmeras condecorações, distinções e homenagens vindas dos mais diversos cantos do mundo. Contudo, nunca foram esses reconhecimentos que o moveram. Estava acima da busca por títulos e medalhas. Com a lucidez e frontalidade que o caracterizavam, não hesitava em afirmar que muitas condecorações são atribuídas a quem nem sempre as merece verdadeiramente. Para ele, o valor de uma vida não se media pelo brilho das insígnias, mas pela profundidade das ideias e pelo impacto que se deixa nos outros. O que realmente o apaixonava era algo muito mais nobre: estar junto dos estudantes, dialogar com os jovens, desafiar certezas e abrir horizontes. Sentia-se em casa no meio da juventude, não para ensinar verdades absolutas, mas para despertar perguntas, cultivar o pensamento crítico e estimular a reflexão sobre o mundo e o futuro. Edgar acreditava que a maior herança que uma geração pode deixar à seguinte não são monumentos nem honrarias, mas a capacidade de pensar, questionar e compreender a complexidade da condição humana. Por isso, preferia uma sala cheia de estudantes curiosos a qualquer cerimónia solene. Sabia que é na mente dos jovens que se constrói o amanhã e que cada conversa profunda podia ser a semente de uma transformação. Foi essa grandeza intelectual e humana que o tornou inesquecível. Não apenas um homem de conhecimento, mas um construtor de consciências; não apenas um académico brilhante, mas um inspirador de gerações. Edgar pertenceu ao raro grupo daqueles que não procuraram a admiração dos outros, mas acabaram por conquistá-la de forma inevitável. Porque era impossível não admirar o homem Edgar Morin.

Esta quarta-feira Morin vai ser homenageado pelo presidente Emmanuel Macron, numa cerimónia em Paris na qual a Isabelle, como amiga, vai estar presente. Como vê a França este resistente contra os invasores nazis ?

O presidente Macron prestou várias homenagens a Edgar ao longo dos anos, e a celebração do seu centenário foi particularmente memorável, marcada pela alegria, pela gratidão e pelo reconhecimento de uma vida extraordinária. Tive o privilégio de estar presente em todas essas ocasiões, guardando delas recordações inesquecíveis. Esta homenagem, porém, tem um sabor diferente, profundamente doloroso. É o momento da despedida do homem na sua dimensão física, mas jamais do pensador universal, cuja obra e legado permanecem vivos e imortais. Edgar é um verdadeiro monumento do saber, uma consciência rara que iluminou gerações com a sua inteligência, humanidade e visão do mundo. A sua partida deixa-nos órfãos da sua presença, mas enriquecidos para sempre pelo imenso património intelectual e humano que nos legou. Hoje despedimo-nos do homem, mas o seu pensamento continuará a inspirar, a questionar e a guiar aqueles que procuram compreender a complexidade da condição humana. A sua voz permanecerá entre nós, atravessando o tempo, porque os grandes espíritos nunca desaparecem verdadeiramente. Edgar Morin foi membro da Resistência Francesa durante a Segunda Guerra Mundial e combateu a ocupação nazi. Por isso, Emmanuel Macron homenageou-o como um “soldado da Resistência” e uma figura maior do humanismo francês. Macron descreveu-o como: “Soldado da Resistência, militante e homem livre, escritor e pensador do século, defensor da natureza e dos povos”, acrescentando que Edgar Morin era “o humanismo feito pessoa”. Para a França, Edgar Morin representa: a luta contra o nazismo e a defesa da democracia; o humanismo e os valores universais; o pensamento crítico e independente; Uma das maiores referências intelectuais francesas dos séculos XX e XXI. Em poucas palavras, Macron apresentou Edgar Morin como um herói da Resistência e um dos mais importantes.

Qual é o seu livro preferido de Morin?

Gosto de O Paradigma Perdido porque ele não fala apenas sobre o ser humano: ele obriga-me a reencontrá-lo. Numa época em que tudo parece dividido em categorias, disciplinas e definições, Edgar Morin procura aquilo que ficou esquecido entre essas divisões — a essência complexa da nossa existência. É como se o livro recuperasse uma peça perdida do espelho da humanidade e me mostrasse que somos muito mais do que as explicações simplificadas que costumamos aceitar. O que mais me marca na obra é a ideia de que o ser humano não pode ser reduzido a uma única dimensão. Somos feitos de paradoxos: carregamos a herança biológica dos nossos ancestrais e, ao mesmo tempo, criamos arte, ciência, sonhos e revoluções. Em nós convivem a racionalidade e o caos, a lucidez e a imaginação. Edgar Morin não tenta eliminar essas contradições; pelo contrário, mostra que é nelas que reside a nossa verdadeira riqueza. Este livro faz-me pensar que a humanidade se perdeu quando começou a separar aquilo que sempre esteve ligado. Ao fragmentar o conhecimento, ganhámos especialização, mas muitas vezes perdemos a visão do todo. O Paradigma Perdido é, para mim, um convite à reconciliação: entre natureza e cultura, entre emoção e razão, entre o indivíduo e a sociedade. É uma obra que não procura simplificar a realidade, mas ensiná-la a ser compreendida na sua profundidade. Gosto deste livro porque ele transforma a dúvida numa forma de conhecimento. Em vez de apresentar verdades absolutas, abre caminhos para novas perguntas. Faz-me perceber que compreender o ser humano não é chegar a uma conclusão definitiva, mas aceitar uma aventura intelectual permanente. Cada página lembra-me que somos uma espécie capaz de estudar as estrelas sem nunca deixar de procurar respostas dentro de si própria. Por isso, O Paradigma Perdido não é apenas um livro que leio; é um livro que me lê. Ele desafia as minhas certezas, amplia a minha forma de pensar e faz-me olhar para a condição humana com mais humildade e admiração. Poucas obras conseguem fazer-nos sentir simultaneamente pequenos perante a vastidão da vida e grandiosos pela capacidade de a questionar. É precisamente essa sensação que torna esta obra inesquecível para mim.

 

[Fonte: www.din.pt]

terça-feira, 2 de junho de 2026

O derradeiro suspiro

 

'A Morte e a doncela', de Marianne Stokes Dominio público

Escrito por Nanina Santos Castroviejo

Conservo, aínda, o sabor do filme de Costa-Gavras El último suspiro (Le dernier souffle, 2024). O título fala de seu, ese tabú das sociedades “modernas”, a morte. Unha proposta nítida, con abondosa humanidade que no diálogo médico-escritor nos rebotan unha chea de preguntas universais. Nós, en cambio, non queremos falar da cuestión, non queremos tratar da angustia que por veces nos produce, non queremos mencionar a palabra como se, ao facelo, crebaramos o esconxuro e, de par disto, grupos de chalados, boa parte deles riquísimos en cartos, pagan e invisten en biotecnoloxías, investigacións, secretísimas moitas delas, na procura dos tratamentos para alongar a vida ad libitum e demorar o avellentamento. Mesmo algúns levan a cousa tan lonxe como propagar “a vida eterna”. Non a vida eterna após morte que prometen tantas relixións senón aquí, na terra, aquela vida que nunca ten fin.

Souben, lendo a Antonio Martínez Ron, dunha Marcha pola Lonxevidade en Madrid en outubro de 2025 promovida por un tal José Luís Cordeiro, enxeñeiro e trashumanista, que camiñaba ao berro de “Morra a morte” porque seica estamos xa en condicións de facer opcional a morte e que o “primeiro humano que vivirá 1.000 anos, xa naceu”. Delirium tremens, desde logo.


'Le dernier souffle', de Costa-Gavras 

Vendefumes uns, como o Dulcámara de L`elisir d`amore de G. Donizetti que engaiola a Nemorino para lle vender un elixir que fará caer rendida de amor a Adina, e prohomes das tecnolóxicas e das finanzas outros, que moven e empurran calquera marco da ética. Penso, en ideas moi emparentadas coa euxénese e con raíces racistas a dios dar. Penso tamén na enorme desigualdade que promoven e espallan, pois moitos dos tratamentos aos que se someten (algúns deles sen beneficio probado), son totalmente inalcanzables aos comúns mortais. 

Coa súa obscena riqueza, usan canto poder esta lle proporciona para emitir aos catro ventos como elite empoleirada capaz de seducir persoas non avisadas e pagar científicos de alto nivel e empresas do ramo, para levar a efecto estes seus desexos para estirar as súas vidas e as do seus herdeiros. Nada de mellorar outras vidas que non sexan as súas, nin sequera das persoas traballadoras das súas empresas ou dos seus domicilios. Nada tampouco de non entremeterse nas liñas das investigacións. As pagadas por eles avanzarán máis e mellor aínda que en absoluto sexan as máis necesarias. Hai científicos a moreas cuxo sentido social é cativo e ben logo se venden a quen pague máis.


A febre anti-idade chega aos recunchos máis insospeitados así como a propaganda infinita do saudábel que nos esmaga en cada andel do supermercado e publicidade en calquera trebello, mentindo, ademais, sen medida.

E mentres, o vivir diario, coas nosas vidas máis gastadas, con achaques segundo avanza a idade, con dependencias, con enfermidades duras físicas e mentais, coa morte de seres queridos, con finais difíciles, con accidentes laborais e de tránsito… e pouco queremos que forme parte da conversación o último suspiro, a boa morte, a morte digna.


Bryan Johnson nunha imaxe promocional do documental Non morras, de par do seu fillo adolescente con quen fixo un intercambio de plasma, parte dun tratamento.

No filme La Grazia (2026), Paolo Sorrentino aborda, entre outras cousas, a Lei de Eutanasia. Esta, aprobada polo Parlamento, ten que ser asinada por De Santis, presidente da República Italiana, que mide e pesa as dúbidas, os interrogantes, as presións de igual xeito que cos dous indultos que ten sobre a súa mesa. Unha pregunta recorrente da súa filla e asesora Dorotea, “De quen son os nosos días?” anima a firma da lei uns días antes de finar o seu mandato.


Aquí, custou a posta en marcha do Testamento Vital, Vontades Anticipadas ou Instrucións Previas, vixente desde a aprobación da Lei de Autonomía do Paciente en 2002, e xa non digamos a aprobación da Lei de Eutanasia (Lei Orgánica de Regulación da Eutanasia, LORE) aprobada no Congreso dos Deputados o 18 de marzo de 2021 con 202 votos a favor, 141 en contra e 2 abstencións, logo de superar os vetos presentados polo PP e por VOX.

Facer o Testamento Vital ou Instrucións Previas é máis que recomendable. Pensamos que nunca imos morrer, que haberá tempo, que xa o faremos, que igual a morte chega paseniño durmirnos nos seus brazos como lle di a morte á rapaza do lied de Schubert A morte e a doncela sobre poema do século XVIII de Matthias Claudius.

Ogallá sexa así pero pode non o ser. Pode acontecer calquera cousa que nos deixe sen capacidade de decidir. Quen llo había dicir á miña comadre que leva desde 2010 en coma.

E menos mal que esa lei existe e Noelia Ramírez puido acollerse a ela e, ao cabo, saírse coa súa malia as cangas que a LORE deixa para que por esas fendas se coe o mal, todo o mal dun pai irrespectuoso cos desexos e dereitos da súa filla e uns avogados que montaron un chiringuito para facer cartos baixo o cartel de cristiáns.

Lembro sempre o doutor Luís Montes e agradezo a existencia da asociación Dereito a Morrer Dignamente (DMD).


Concentración de 'Dereito a Morrer Dignamente', o 12 de xaneiro de 2023 na Praza do Obradoiro © DMD-Galicia.


[Fonte: www.praza.gal]

Els nord-catalans decidiran en una consulta un nom català per al Departament o un de francès

 

Rètol amb la denominació «Départament des Pyrénées Orientales» i la salutació « Benvinguts al País Català»

Des de l'1 al 30 de juny, els ciutadans de la Catalunya Nord estaven cridats a les urnes per escollir el futur nom del Departament entre tres opcions: Mantenir l'actual (Pirineus Orientals), adoptar una denominació catalana (Pirineus Catalans) o optar per una sense pes ni tradició (Pirineus Mediterranis). Malauradament, un “problema tècnic” relacionat amb l’accés al programari que cal fer servir per identificar-se abans de votar, ha fet ajornar tres setmanes l'inici de la votació, segons informa 'Ràdio Arrels'. La raó d'aquest ajornament és que el Consell Departamental, que ha d'aprovar aquest servei telemàtic, no es reuneix fins el 18 de juny.

Aquest procés consultiu és un compromís electoral de la presidenta del Consell Departamental, Hermeline Malherbe, que s’ha concretat després d’unes consultes participatives durant l’hivern. Malherbe ha presentat la votació com una oportunitat per trobar una denominació que reflecteixi millor la identitat de la Catalunya Nord. 

Tres opcions, un debat identitari

Les tres propostes finals provenen de les consultes ciutadanes prèvies. Segons els sondejos inicials, prop del 49% dels participants apostaven per una denominació amb referència catalana (amb Pirineus Catalans com a preferida), un 23% volia mantenir Pirineus Orientals i un 17% inclinava cap a Pirineus Mediterranis.

El nom actual, creat el 1790 durant la Revolució Francesa, és purament descriptiu i geogràfic. Molts nord-catalans l’han criticat històricament perquè no connecta amb la identitat del territori, annexionat a França pel Tractat dels Pirineus de 1659. 

L'exclosió de "Pays Catalan" i "Catalunya Nord"

Plataformes com Sí al País Català han lamentat l’exclusió d’opcions com "Pays Catalan" o "Catalunya Nord", que tenien suport en sondejos anteriors, i ho interpreten com un “esborrament identitari”. Malgrat això, associacions culturals i cíviques catalanes han anunciat campanyes per defensar Pirineus Catalans. 

Com es votarà

La consulta és voluntària i oberta a tots els habitants del departament majors d’edat. Es podrà votar presencialment, per correu i també electrònicament. 

Un cop tancada la votació, el Consell Departamental traslladarà el resultat al Govern francès per a la seva aprovació definitiva. No es tracta d’un referèndum vinculant immediat, però té un fort valor simbòlic.

 

[Imatge: Mike Finn - font: www.racocatala.cat]

 


La Palestine imposera au monde une équation incontournable

Écrit par Daniel VANHOVE

Les militants propalestiniens le constatent au fil du temps : la Palestine n’est pas encore intégrée dans la projection qu’ont les citoyens de l’avenir du monde. Ces derniers sont distraits par de multiples préoccupations quotidiennes, et quand ils ont la possibilité de lever le nez du guidon, les médias de grands chemins les accrochent avec des sujets accessoires. Parfois émerge un dossier chaud, quand il est impossible de le garder sous silence, mais rarement du sujet qui devrait préoccuper l’ensemble des habitants de la planète chaque jour, tant que la situation en Palestine n’est pas réglée de manière équitable. Cette terre, déclarée ‘’trois fois sainte’’ pour les trois religions monothéistes qu’elle abrite n’a pas l’attention qu’elle mérite alors que des milliards de croyants chrétiens et musulmans s’en revendiquent. Les juifs n’y étant qu’une insignifiante poignée.

Les injustices flagrantes et la barbarie coloniale qui s’y déroulent aux yeux du monde entier via les réseaux sociaux et les témoignages que chacun peut suivre violent toute limite. Il n’y a plus de mots pour décrire les souffrances infligées à une population abandonnée à elle-même, qui réalise à quel point elle est sacrifiée au nom d’intérêts qui la dépassent. Hagarde, séquestrée, affamée, en guenilles parfois, elle suit de loin les discours grandiloquents à propos de projets d’une Palestine fantasmée qui n’existe pas, de la part de gens encravatés, fleurant bon l’eau de toilette, logeant dans des hôtels luxueux, comme les stars d’une revue en papier glacé. Et glacés, les Palestiniens le sont de devoir assister et comprendre qu’ils ne peuvent compter sur personne d’autre qu’eux-mêmes. Peu importe le niveau de souffrance subie. Peu importe les carnages. Peu importe la dévastation. Peu importe le nombre de tués, de femmes et d’enfants mutilés et assassinés. Peu importe même leur génocide en cours... Pour eux, rien ne change. Tout empire.

Nous vivons désormais dans une société de l’instantané. Depuis peu, les moyens de communication ont évolué au point de transformer profondément les rapports non seulement entre individus, mais aussi au monde dans son ensemble. Les jeunes générations se mobilisent encore pour certains évènements, mais il leur faut des résultats immédiats. Et l’engouement que certaines causes peuvent susciter retombe parfois aussi vite qu’il est né. La Palestine n’y échappe pas. Les images qui nous en parviennent sont insoutenables. L’horreur est absolue. Le régime colonial qui s’y déploie sans que nos gouvernements n’interviennent pour y mettre fin est depuis longtemps indéfendable. Et oblitère ainsi toute référence décente à une justice digne de ce nom, ses règles et ses divers principes qui ne trouveront plus écho auprès des citoyens bassinés à longueurs d’interventions officielles au nom des ‘’valeurs démocratiques’’ qui fondent nos États de droit, quand est tolérée une injustice infamante sous leurs yeux. Si nos responsables politiques ne revoient par leurs copies, ils risquent un soulèvement général contre tout ce qu’ils tentent de préserver derrière tant d’hypocrisies. Et soit ils devront changer leur boussole, soit les citoyens les dégageront, avec le risque d’être jugés pour complicité active avec l’entité génocidaire.

Chacun peut observer que les Palestiniens ne demandent que justice dans le traitement qui leur est réservé, se référant régulièrement au Droit international dont se targuent nos États... quand ça les arrange. Déjà à l’époque de la 2è Intifada (septembre 2000 – février 2005) le président Yasser Arafat suppliait les États du monde d’intervenir face à la brutalité de l’occupant israélien, afin d’épargner la population civile palestinienne des crimes de l’armée d’occupation. (De septembre 2000 à janvier 2005, une estimation pointe 3.180 Palestiniens et 1.010 Israéliens tués). Sans résultat. Au point qu’excédés de tant d’injustices laissées sans réaction de la part de nos États, des bénévoles de différents pays se sont engagés dans les ‘’Missions civiles d’observation’’, espérant ainsi répondre à la demande du président Arafat et servir de boucliers entre la population palestinienne et l’armée sioniste. Des dizaines de milliers de bénévoles de tous pays se sont ainsi succédé sur le terrain, des années durant, pour combler la carence coupable de leurs États. De nombreux témoignages en attestent et ont rapporté les faits, permettant que l’incessant drame palestinien ne soit évacué, ni passé sous silence et oublié. Mais, est-ce bien le rôle de citoyens anonymes, pleins de bonne volonté certes, mais sans le moindre pouvoir contre un régime colonial ? N’est-ce pas-là, la signature d’une forfaiture de nos propres gouvernements ? Faut-il rappeler à nos responsables que plusieurs d’entre ces bénévoles ont été blessés et quelques uns même, tués par l’armée sioniste ? Avec quel résultat sur le terrain ?

Et voici que cela recommence. Ces derniers jours, une énième Flottille civile naviguait vers Gaza, afin d’y apporter de l’aide humanitaire bloquée aux rares points de passage entre Gaza et les territoires occupés par le régime israélien, malgré des accords de ‘’cessez-le-feu’’ (inexistant dans les faits, tout comme au Liban) mis en place par l’intermédiaire de l’administration américaine de D. Trump, et qui prévoit l’entrée quotidienne de cette aide par camions. Or, sur les 600 camions négociés, seuls quelques dizaines pénètrent dans l’enclave où les conditions déjà infrahumaines d’une population exsangue s’aggravent chaque jour. La Flottille d’une cinquantaine de bateaux était chargée de provisions et de médicaments afin de suppléer à ces manquements graves. Avec à bord, plusieurs centaines de bénévoles. Le régime de terreur israélien a une fois de plus attaqué la Flottille, confisqué les bateaux et leurs chargements, et arrêtés les bénévoles. Ces derniers ont été amenés dans divers centres de détention, y ont été insultés, humiliés et dans tous les cas, maltraités.

La réaction des gouvernements occidentaux a été immédiate. Chacun y est allé de son commentaire pour fustiger les pratiques israéliennes. Le peuple palestinien endure une politique brutale d’éradication depuis 78 ans, et un génocide depuis plus de 30 mois, avec un nombre de victimes de plusieurs dizaines (centaines ?) de milliers, et nos États poursuivent leur collaboration avec le régime génocidaire, sans sourciller. Mais dès lors que quelques citoyens de nos pays se trouvent malmenés par le régime raciste israélien, chaque responsable politique monte au créneau et trouve sa petite formule pour condamner les pratiques des responsables israéliens à l’égard de nos compatriotes (https://french.palinfo.com/actualites/2026/05/20/354489/). On pourrait se féliciter de ces réactions officielles, mais si ce n’est une fois encore une justice à ‘’géométrie variable’’, qu’est-ce que c’est ? Ces voix ordinairement silencieuses se font bruyantes, mais au lieu d’intervenir après coup, pourquoi nos gouvernements ne prennent-ils pas les mesures qui s’imposent et cessent cette immunité aveugle au profit d’un régime colonial indéfendable, et que leurs pratiques rendent complices ?! Si des mesures adéquates avaient été prises il y a longtemps, tout ceci n’arriverait pas. Et la paix dans la région y prévaudrait peut-être, en lieu et place des atrocités qu’un peuple écrasé depuis bientôt 80 ans subit de la part d’un régime odieux, sous les regards fuyants de ceux qui savent mais regardent ailleurs, n’interviennent pas et poursuivent leur business avec des criminels de guerre.

La paix en Palestine et la justice qui doit être rendue à sa population sont le point cardinal sans lequel le monde restera toujours en ébullition. Si ce nœud finit par vous lasser et en avez assez de ce problème, tant pis. Il n’est pas prêt de se dénouer. Jusqu’au jour où nous serons suffisamment nombreux et déterminés pour imposer à nos gouvernements un changement de paradigmes au profit d’une justice digne de ce nom, et non plus à ‘’géométrie variable’’. Gravez ceci dans vos cœurs et vos têtes : désormais, aucune paix n’est plus possible sans justice ! C’est la nouvelle équation que nous imposent les Palestiniens, et leurs soutiens. 


[Source : www.legrandsoir.info]

L’épuisement démographique de l’Italie, qui compte plus de citoyens à l’étranger que d’étrangers sur son sol

L’Italie présente un bon bilan économique en 2025. L’entrepreneur Edoardo Secchi note une seule ombre au tableau : la Bourse de Milan est fragilisée par la fuite d’entreprises et de capitaux. 

Giorgia Meloni au Palazzo Chigi, le 26 février 2026.


Écrit par Edoardo Secchi

Pour la première fois depuis l’unité italienne, le pays compte plus de citoyens à l’étranger (6,4 millions) que d’étrangers en situation régulière sur son sol. Ce basculement, survenu en 2025, ne doit rien à la conjoncture ni à la crise migratoire : il signale l’épuisement démographique d’une nation qui exporte précisément ce qu’elle devrait retenir. Le vieux paradigme «pauvreté/émigration» a été définitivement remplacé par une dynamique plus profonde et structurelle : le binôme capital humain hautement qualifié/ opportunités globales. 

Ce dépassement historique n’est pas une simple statistique : ceux qui quittent l’Italie appartiennent souvent à la tranche d’âge où se forment les familles. L’exode ne vide pas seulement les caisses de l’État, il épuise son avenir démographique et productif, tandis que le phénomène continue d’être perçu comme transitoire malgré son caractère désormais structurel. 

Chaque année, le pays perd une population équivalente à celle de villes comme Avignon ou La Rochelle. Entre 2011 et 2024, 486 000 jeunes Italiens de moins de 34 ans ont émigré vers les principales économies avancées — Royaume-Uni, Allemagne, France, Suisse, Espagne — contre seulement 55 000 jeunes étrangers qualifiés entrant en Italie : un ratio de 9 pour 1. Une part croissante de ces émigrés est composée de diplômés et de profils hautement qualifiés. Le pays ne perd pas simplement des jeunes : il transfère à l’étranger sa future classe dirigeante. Chaque diplômé qui part représente un investissement sans retour pour l’économie nationale. L’Italie forme des talents grâce aux impôts des contribuables pour ensuite en céder la productivité et leurs recettes fiscales à d’autres pays. Le rapport du CNEL (Conseil national de l’économie et du travail) chiffre cette hémorragie : 159,5 milliards d’euros de capital humain sortis d’Italie entre 2011 et 2024, soit 7,5 % du PIB cumulé sur la même période. Ce déséquilibre migratoire place l’Italie dans une situation unique en Europe, marquée par une double asymétrie qui menace la qualité même de son capital productif.  

La première asymétrie est l’écart avec les partenaires européens. Alors que l’Allemagne attire 400 000 travailleurs qualifiés par an et que la France en accueille 80 000, l’Italie en reçoit à peine 4 200 annuellement — un rapport de 1 à 100 avec Berlin, de 1 à 20 avec Paris. Mais le véritable écart n’est pas quantitatif : il est qualitatif. Les pays d’Europe du Nord captent les talents mondiaux tout en retenant les leurs. L’Italie subit une double hémorragie : elle perd ses diplômés et n’attire pas leurs équivalents étrangers. Le solde net est dévastateur : pour chaque ingénieur, médecin ou chercheur qui arrive, neuf partent. Cette asymétrie ne reflète pas un déficit de compétitivité salariale — les écarts avec la France ou l’Espagne sont minimes — mais un déficit de confiance dans l’avenir du pays.

La seconde asymétrie est la substitution productive régressive. L’Italie ne se contente pas de perdre des talents sans les remplacer : elle opère une substitution qualitative inversée. Le système économique italien perd structurellement des profils hautement qualifiés, tandis qu’il est alimenté par des flux migratoires globalement moins instruits et concentrés dans des secteurs à faible et moyenne qualification. Il en résulte une dégradation continue de la qualité du capital productif : les ingénieurs partis à Munich ou Londres sont remplacés par une main-d’œuvre employée dans l’agriculture, la logistique ou les services à la personne. Cette dynamique ne traduit aucun jugement sur la valeur des personnes, mais un constat économique implacable : l’Italie échange du capital humain à haute valeur ajoutée contre du capital humain à faible productivité, fragilisant sa capacité à générer innovation, brevets et croissance à moyen terme.

Ces deux asymétries — géographique et qualitative — se renforcent mutuellement. Elles signalent non pas une crise passagère, mais une transformation structurelle du positionnement économique italien : un glissement progressif vers une économie de services basiques et de sous-traitance industrielle, pendant que ses voisins européens consolident leur avance technologique grâce aux talents que l’Italie a formés mais n’a pas su retenir.

L’Italie ne sait pas valoriser ses jeunes. Le nouvel exode italien n’est pas une fuite de la pauvreté, mais un choix conscient. Les nouvelles générations se déplacent avec pragmatisme vers des environnements mondialisés, où la croissance n’est plus une promesse mais une opportunité concrète que leur pays ne parvient pas à offrir. L’Italie souffre d’un court-circuit générationnel : sa classe dirigeante, dont l’âge moyen est de 64 ans, bloque de facto le renouvellement des élites. Dans ce contexte, l’émigration devient la réponse rationnelle : les jeunes refusent de perdre leurs années les plus précieuses en attendant une opportunité qui n’arrive souvent jamais, dans un système qui sélectionne selon l’ancienneté et protège par appartenance, non par mérite. Ce déséquilibre se reflète dans un marché du travail dominé par des petites entreprises à faible capacité de mise à l’échelle et à faible intensité d’innovation, associé à une culture entrepreneuriale encore fortement familiale, qui limite la mobilité sociale et réduit les perspectives d’évolution professionnelle.

Les conséquences ne concernent pas seulement ceux qui partent, mais aussi ceux qui restent. Précarité de l’emploi, salaires insuffisants et absence de perspectives rendent la constitution d’une famille un projet souvent indéfiniment reporté. Un indicateur particulièrement significatif concerne la composante féminine : au cours des vingt dernières années, la présence des femmes italiennes à l’étranger a augmenté de 116 %, à un rythme supérieur à celui des hommes. Les femmes italiennes émigrent de plus en plus souvent seules, hautement qualifiées, et construisent à l’étranger leurs trajectoires familiales et professionnelles. Chaque enfant né à Londres, Berlin ou Paris d’une mère italienne représente un capital humain formé en Italie et perdu pour le pays : un investissement démographique sans retour. À cela s’ajoute l’échec des politiques de retour : tandis que le pays alerte sur l’urgence, les récentes décisions politiques — comme la réduction des incitations fiscales au retour des talents — vont en sens inverse, transformant le «retour au pays » en privilège réservé à une minorité fortunée.

Environ 600 000 jeunes partis au cours des quinze dernières années — diplômés, cadres et entrepreneurs aguerris dans des hubs comme la Silicon Valley, New York, Londres ou Hong Kong — représentent une réserve de compétences que l’Italie n’a pas encore su mobiliser. Les estimations convergent : leur retour massif générerait des gains de productivité de 20 à 30% pour les entreprises qui les accueilleraient, et un potentiel d’accroissement du PIB de 1,5% par an grâce à de nouveaux brevets, start-up et réseaux internationaux. Mais ces bénéfices ne se matérialiseront qu’à une condition : que l’Italie se dote de politiques sérieuses — allègements fiscaux structurels, fonds de capital-risque dédié, réforme de la gouvernance des entreprises — et qu’elle soit prête à remettre en cause précisément les structures de pouvoir qui ont poussé ces talents à partir. Sans cette rupture, les scénarios optimistes resteront ce qu’ils sont : des projections sans ancrage dans le réel.

Transformer cette perte en actif stratégique est possible — les outils existent, les exemples étrangers pullulent. Ce qui fait défaut n’est pas la connaissance du problème, mais la volonté politique de l’affronter. Une classe dirigeante dont l’âge moyen dépasse 64 ans, qui réduit les incitations au retour des talents, envoie un message sans équivoque à sa jeunesse : partez, vous n’êtes pas attendus ici. L’Italie ne souffre pas d’un déficit de jeunes. Elle souffre d’un déficit de vision stratégique pour son avenir.


Edoardo Secchi est entrepreneur et président fondateur du Club Italie-France.


[Photo : Remo Casilli / REUTERS - source : www.lefigaro.fr]

segunda-feira, 1 de junho de 2026

Òscar Andreu: «La llengua és la columna vertebral del Països Catalans»

Òscar Andreu ha rondat Catalunya amb el seu monòleg 'Crida als ocells de colors llampants'. El text s’ha convertit en un llibre que duu per títol Manual de defensa del català, que va esdevenir el llibre de no-ficció més venut per Sant Jordi. «El pessimisme no serveix per a res; és allò que ens receptarien aquells que ens volen desapareguts», explica l’humorista i presentador. 

Escrit per Violeta Tena 

Manual de defensa del català ha estat el llibre de no-ficció més venut el Sant Jordi d'enguany. Com ho has processat, això?

No sé si he acabat de processar-ho, encara. Estic intentant tocar de peus a terra. Jo estava convençut que el llibre funcionaria, però no fins a aquest punt. Perquè, de fet, no és que fos el llibre més venut de no-ficció a Sant Jordi, sinó que aquesta setmana és el més venut en general. Ostres tu!

Així que ara se m’ha ajuntat una mica tot: la tele, la ràdio, el monòleg que inspira el llibre, la paternitat conscient —o com en diguin ara—, el fet que tinc cinquanta anys... Ha estat com una explosió. Ara la meua aspiració és que arribin les vacances.

—Una mica d’ansietat, tot plegat...

Però aquest és el meu estat normal. És el que em permet fer moltes coses alhora. Ha estat així sempre, des que tinc consciència.

—Ves en cura, no et passe com al Buenafuente...

No, no. Hi ha una diferència substancial entre el que fa l’Andreu i el que faig jo. Res a veure. Totes les qüestions que havia de patir en aquest sentit jo les vaig patir als catorze, als vint-i-un... i ja està. Feina feta, no fa destorb.

—De llibres sobre l’estat de la llengua, n'hi ha molts. Per què penses que el teu ha triomfat? Té a veure amb l’humor?

Sí, crec que té a veure amb la clau humorística. Crec que una de les claus del llibre és haver tractat amb un humor un tema que és molt seriós. I ho és perquè de la llengua penja el país; del país penja la nació, i de la nació penja la cultura. La llengua és la columna vertebral dels Països Catalans.

Per a mi, la llengua és una eina de treball. I al llarg dels anys he acumulat uns coneixements que, arribats a un punt, sentia que havia de divulgar. I no ho volia fer des d’un vessant acadèmic, sinó més de la manera que jo puc controlar millor, que és l’humor. La idea ha estat confegir un text amb base acadèmica, però que pugui arribar a tothom.

—En la llista dels més venuts de Sant Jordi, al darrer li ha anat un llibre sobre la depressió i la sanació (On neix la llum, de l’Oriol Mitjà) i un altre sobre l’esperança i contra el desànim (Anatomia de l’esperança, de Francesc Torralba). En temps de pessimisme, la literatura és una guia cap a l’optimisme?

És que no es podria entendre que fos una via cap a un altre cantó. El pessimisme em sembla una força absolutament reaccionària, i que no en duu enlloc, més que a la desaparició. Allò que jo no vull, com a catalanoparlant i, sobretot, com a català, és que la meua llengua desaparegui. Per tant, no puc abordar aquest fenomen des d’una òptica pessimista.

Tinc la impressió que darrerament hi ha una tendència a començar a mirar les coses amb un cert optimisme. Un optimisme que ens dona forces per fer un pas endavant i plantar cara. 

—De motius per a l’optimisme, però, n’hi ha ben pocs. El català recula al carrer. És una impressió, però també ho confirma l’Enquesta d’usos lingüístics de la Generalitat. Entre les moltes dades que hi aportava, que el castellà creix com a llengua habitual i la combinació català-castellà com a llengua d’identificació. Al País Valencià les coses no van molt millor. Digue’m tres raons per abonar-me a l’optimisme... 

La primera és que hem de prendre consciència. Si no la prenem, estem venuts i anirem pel pedregar.

La segona està relacionada amb l’optimisme. El pessimisme no serveix per a res; és allò que ens receptarien aquells que ens volen desapareguts. El nostre pessimisme és una de les armes més poderoses que té l’Estat en contra nostra. Com diu Pere Calders, sabem que l’optimisme pot solucionar alguns problemes, mentre que el pessimisme mai no n’ha solucionat cap.

La tercera raó és molt senzilla: si no ho fem nosaltres, qui ho farà? I, encara, te n’afegiria una quarta, que està relacionada amb aquesta tercera: crec que hi ha poques coses que, com a humans, ens interpel·len més com a comunitat que la llengua i la seua dignitat. Aquesta és una lluita digníssima.

—Tanmateix, estem en un punt en què costa viure en català a Catalunya. Ja no cal dir al País Valencià o a les Illes.

Si, és cert, costa. Però, com t’he dit, crec que vivim un moment de desvetllament, de presa de consciència. Quan trobes tots aquests indicis que t’assenyalen que estàs molt prop d’allò que en sociolingüística s’anomena substitució lingüística, t’has de moure. Durant molt de temps, hem comprat determinades motos a l’espanyolisme, però ara ja no ens les empassem.

Jo no puc viure cent per cent en català en el meu país i, per això, també ara, he fet aquest pas endavant. No és només que jo vulga viure cent per cent en català. És que vull que les generacions que venen al darrer nostre ho puguin fer, a Catalunya i als Països Catalans.

—En el llibre expliques que, de menut, et pensaves que el català era una llengua que s’havia inventat ta mare per parlar amb tu.

Sí, perquè jo amb el pare parlava castellà, amb els companys parlava castellà i era només amb la mare que parlava en català. I faig la broma aquesta de dir que pensava que era una llengua inventada per ma mare, perquè realment jo vivia en un context que el 90% era castellanoparlant i els meus referents eren castellans. Era com, si d’alguna manera, se m’hagués amagat la cultura del meu país.

Jo he anat descobrint a poc a poc que existia un país, una llengua, una història i unes institucions que s’intentaren liquidar.

—En el llibre expliques la recepta màgica que et va donar la Carme Junyent l’última volta que us vau veure: «Parleu-lo!» N'hi ha prou, però, amb això?

—No, no n'hi ha prou, però sense això, res no pot ser. Perquè si nosaltres renunciem a parlar la nostra llengua, ningú la parlarà per nosaltres. Tot camí llarg comença per un primer pas i aquest primer pas és parlar-lo, per terra, mar i aire. No podem renunciar als nostres drets lingüístics. És una qüestió de drets i, per tant, de justícia. Lluitem per defensar els nostres drets i perquè no se’ns conculquin, com ha passat fins ara.

—En el llibre referencies els parlants gore-tex. Què són exactament?

Jo en el llibre parlo dels xarnegos i de la gent que se sent especial per ser-ho. Però no ho és d’especial. Probablement, el 75% de la població catalana té dos, tres o quatre avis que van vindre de fora. Els xarnegos som majoria, són hegemònics. No ens correspon anar de víctimes, perquè no ho som.  

Els parlants gore-tex són la gent que porta aquí vint, trenta, quaranta anys i que no parlen català. Poden parlar altres llengües, dir «good morning», «buongiorno» o «kalimera», però no són capaços de dir bon dia. Perquè, si diuen bon dia, senten que estan traint alguna cosa. Per tant, són gore-tex, impermeables.

—I el supremacisme fràgil?

És el que practiquen tota aquesta gent que, en comptes de celebrar que parlen una llengua majoritària al món, que ha estat imperial i sovint imperialista, i que, a més, és una llengua preciosa, en lloc de valorar tot això, se senten amenaçats. Els afectats per aquest supremacisme fràgil se senten insultats quan un català, un valencià o un balear els parla català. Veuen la nostra llengua com una agressió, i això és absurd. 


—Aquesta setmana s’ha presentat el primer balanç del Pacte Nacional per la Llengua, que és un intent per impulsar la llengua i la seua vitalitat. Tanmateix, hi ha una pregunta que sura al voltant de tota aquesta qüestió: realment ens podem en sortir sense una estructura d’Estat al darrere?

Tenir un estat aniria molt bé, però crec que hi ha coses que es poden fer també sense tindre estat. Per exemple, tenim lleis: la del cinema, la de consum... El que no sé és si tenim polítics que estiguin a l'altura del país i de la tasca que suposa assegurar la pervivència d’aquesta llengua.

—Tot això que expliques està molt bé, però la impressió, tanmateix, dins el nostre món és que acabem autoreferenciant-nos. No té gaire mèrit que EL TEMPS publique una entrevista amb Òscar Andreu. El que tindria mèrit seria que La Razón et trucara per una entrevista...

La Razón no em trucarà perquè no els interessa gens el meu discurs. Per a ells —com per a moltes altres— nosaltres formem part d’aquell ens que consideren la perifèria. Jo m’adreço a la gent que pot parlar la llengua, però que hi ha renunciat; a la gent que malgrat ser catalanoparlant ha comprat totes aquestes motos del bilingüisme. Jo entenc que algú puga tirar-nos en cara que soc una mica autoreferencial. Però és que parlem d’allò nostre igual que ells només parlen d’allò seu.

A mi m’agradaria que hi hagués lectors que els passara, amb el llibre, com a mi em va passar amb la Carme Junyent. Perquè quan jo vaig seure a parlar en ella, va donar forma a moltes de les intuïcions que jo ja tenia. Si el llibre serveix perquè la gent entengui què li ha passat al català i als seus parlants, jo ja m’hi dono per satisfet. Ens interessa molt arribar a tota aquella gent que té el català com a segona llengua. Cal que prenguin consciència de la importància de parlar català. 

 

[Foto: Ariadna Arnés - font: www.eltemps.cat]

 

«De vegades parlem en francès amb gent de Perpinyà perquè no sabem que parlen català»

Prop de 700 persones han participat en el projecte Parlem! en què s’ha visibilitzat la llengua pròpia a la Catalunya Nord 

Participants en el projecte Parlem! de la Catalunya Nord

Escrit per Raül G. Aranzueque

El català ha perdut molta presència a l’esfera pública a la Catalunya Nord, però la llengua del país té més parlants del que sembla a primera vista. Així ho han constatat els impulsors del projecte Parlem!, que es va fer entre el 20 i el 25 d’abril passats, en què prop de 700 persones amb ganes d’aprendre o de practicar el català es van trobar en diversos espais a Perpinyà per parlar la llengua pròpia.

Els participants portaven unes insígnies que havien recollit en diferents punts com el Casal (Perpinyà), el Casal del Conflent (Prada), La Bressola, Òmnium Cultural del Vallespir i a La Llibreria Catalana (Perpinyà) on hi constava el seu nivell de català (el parlo, l’entenc, principiant) gràcies a les quals podien identificar els companys amb ganes de compartir la llengua.

La iniciativa, impulsada per Jérémy Massagué, Albert Gaspa i Albert Riera, ha estat un èxit. « Hem tingut un retorn molt bo. Hi han participat nouvinguts, nord-catalans que no parlaven català des de la infància i catalanoparlants. Unes 650 persones van anar a buscar la seva xapa», explica Massagué, que fa vuit anys que es va decidir a aprendre català. «El projecte ha servit per crear interaccions, per parlar de la llengua i per parlar-la», diu Massagué, que afegeix que la iniciativa sorgeix de la constatació que «el català ha desaparegut de l’espai públic a la Catalunya Nord i quan aprens català et costa trobar persones amb qui parlar».

Una de les claus de l’èxit de la iniciativa és que s’ha deixat de banda «l’activisme polític» i el «folklore habitual» que sol acompanyar aquest tipus de projectes. «La gent del nord de França que viu a la Catalunya nord té molts prejudicis» amb la «imatge catalanista» que es projecta en algunes iniciatives, diu Massagué.

El projecte, que va començar amb una vetllada amb un karaoke bilingüe i un concurs i es va tancar el dia de Sant Jordi a Perpinyà, va tenir una gran acollida. «Molta gent gran que havia après català de joves i havien deixat de parlar-lo es van trobar amb joves amb una xapa que volen aprendre català», relata Massagué.

Animats per l’èxit, els promotors de la iniciativa s’han proposat assolir els 2.000 participants l’any que ve i «arribar a més gent que no parla català». Continuaran promovent el projecte a través de les xarxes socials i esperen comptar també amb el suport de l’emissora de ràdio ICI Roussillon, associacions, l’Oficina Pública de la Llengua Catalana, Òmnium Cultural, la Universitat de Perpinyà i La Bressola. L’objectiu, el mateix que aquest any: que els qui volen parlar català es trobin, que no sempre és fàcil.

 

[Imatge: Parlem! - font: www.diaridelallengua.cat]