quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Morto, amordaçado

O que há de errado com a democracia quando ela elege deputados e senadores que apoiam um governo que valoriza a ditadura, debocha da Constituição, arquiteta um golpe fracassado e, ainda assim, conquista maioria no Congresso? 

Escrito por SAMUEL KILSZTAJN*

Em 8 de janeiro de 2023, Jair Messias Bolsonaro, do Partido Liberal, tentou tomar o poder por meio de um golpe fracassado, que o levou à prisão. Nas eleições de 2026, o Partido Liberal tornou-se o maior partido tanto na Câmara dos Deputados, com 121 das 513 cadeiras; como no Senado, com uma bancada de 28 dos 81 parlamentares.

Em 8 de novembro de 1923, Adolf Hitler, do Partido Nazista, também tentou tomar o poder por meio de um golpe fracassado, que o levou à prisão. Nas eleições de 1932, o Partido Nazista tornou-se o maior partido do Parlamento alemão, com 230 das 608 cadeiras. Em 1933, a partir de negociações com as elites conservadoras, Hitler foi nomeado chanceler e o Parlamento aprovou, em total desacordo com a ordem constitucional, uma lei que conferiu a Hitler plenos poderes para legislar e governar o país sem o consentimento parlamentar. A Lei de Plenos Poderes ao chanceler foi aprovada sob condições de repressão e intimidação dos parlamentares e abriu caminho para o completo desmantelamento da democracia alemã.

O III Reich, concebido para durar um milênio, durou intermináveis 12 anos e mergulhou a Alemanha e o mundo em uma das maiores catástrofes da história, destruição, morte e um rastro de sofrimento que invadiu a humanidade. Embora tenha nascido depois da Segunda Guerra Mundial, vivi os horrores da guerra desde sempre, sendo filho de dois sobreviventes de uma família que perdeu nove em cada dez de seus membros – ele como escravo em campos de concentração, ela deportada para a Sibéria.

Por obra do destino, nos últimos dias de 1953, ancoramos no Novo Mundo, nestas terras de imigrantes, que, de nativos, só têm os indígenas – quando aqui chegamos, nem sequer sabíamos que existia um país com o nome de Brasil. Poucos meses depois Getúlio Vargas se suicidou e, em 1961, fomos surpreendidos pela crise política desencadeada pela renúncia de Jânio Quadros. Meus pais pouco entendiam o que aqui se passava e, para desgosto deles, seu filho, que aqui escreve, aos dezesseis anos de idade, envolveu-se em política e acabou preso e torturado durante a Ditadura Militar que tomou conta do país por longos 21 anos.

No sábado, 10 de outubro de 2026, entre os dois turnos da eleição presidencial, voltando do Parque da Água Branca, fui fisgado pela Revelação, que o motorista do ônibus ia cantarolando enquanto seguia pela Avenida São João: “Quando a gente tenta, de toda maneira, dele se guardar, sentimento ilhado, morto, amordaçado, volta a incomodar”.

O que há de errado com a democracia quando ela elege deputados e senadores que apoiam um governo que valoriza a ditadura, debocha da Constituição, arquiteta um golpe fracassado e, ainda assim, conquista maioria no Congresso?

O que buscam os eleitores? Sonham com o bezerro de ouro? Querem apossar-se da Amazônia e acossar ainda mais uma vez os povos indígenas exterminados desde o “descobrimento” e, mais recentemente, com a ocupação do Planalto Central, a construção de um museu futurista a céu aberto, a expansão da fronteira agrícola e a abertura da Transamazônica? Querem flexibilizar as regras ambientais e favorecer o garimpo, o agronegócio e a exploração dos recursos naturais? Querem suprimir os já parcos direitos trabalhistas e sociais e privatizar o Estado? Querem escolas cívico-militares e facilitar o acesso às armas? Querem utilizar o voto para extinguir o próprio voto e instaurar um regime militar? Servem-se do voto para acabar com as eleições e a democracia? Um voto suicida?

O que há de errado com uma democracia quando o voto é usado para abolir as próprias regras do jogo democrático? Acordei no meio da noite impelido a escrever este texto e agora me deu um cansaço medonho…

… saio para fazer aula de Tai Chi – isto deve fazer-me bem. Mas, no caminho, lembro de que estou sem a roupa apropriada e a sapatilha. Mas não faz mal, isso se ajeita. Também estou sem o documento que devo apresentar para fazer a aula e sequer lembro o meu número de matrícula. Consegui o número de matrícula e vou apanhar o ônibus que me vai levar à aula de Tai Chi. Mas agora não lembro mais meu número de matrícula, não sei qual ônibus devo tomar, nem onde fica a academia. Mas não faz mal…

… fico angustiado. Não faz mal? Isso poderia ser corriqueiro para uma pessoa normal, não para mim, que sou extremamente metódico, que é a forma que me faz sobreviver neste mundo caótico. Então acordo do sonho e volto a escrever este texto para dizer que não estou com a roupa apropriada, estou sem a minha carteira, não sei meu número de matrícula, qual é o ônibus que devo apanhar, nem qual é o caminho que devo seguir…

Nota: durante as eleições municipais de outubro de 2024, eu estava viajando. Na volta, levei os cartões de embarque e fiquei na fila para justificar o meu (não) voto. Mas a funcionária da Justiça Eleitoral disse: “Meu senhor, com a sua idade, o senhor não precisa mais justificar o seu (não) voto”. No dia 4 de outubro de 2026, tive um problema com a burocracia estatal: levei meu título de eleitor original e a cópia autenticada da carteira de identidade que carrego comigo. O mesário disse que a minha foto (de 1982), na cópia, estava irreconhecível. Informou que eu poderia apresentar a carteira de trabalho, desde que fosse original (e eu expliquei que a foto na carteira era de boa qualidade, mas que eu tinha então 17 anos de idade). Voltei para casa e trouxe a carteira de trabalho, mas ele não aceitou. Dentro dela, contudo, estava minha carteira de identidade original, que acabou sendo aceita. Mas não acabou por aí: ele queria a digital; informei que não funcionava; tentaram várias vezes e, por fim, a mesária usou a digital dela, que funcionou (achei estranho, mas faz parte das normas) e consegui votar. Agora, para o segundo turno, já sei, devo levar a carteira de identidade original.

*Samuel Kilsztajn é professor titular em economia política. Autor, entre outros livros, de 1968, sonhos e pesadelos

 

 

[Imagem: Esteban Carriazo - fonte: www.aterraeredonda.com.br]

Delphine Horvilleur, tenir debout sous les décombres

Marc Knobel salue la parole de Delphine Horvilleur qui affronte les douleurs israéliennes et palestiniennes.

 

Écrit par Marc Knobel

Le nouveau livre de Delphine Horvilleur aide à penser, à ressentir et à tenir debout quand tout n’est plus que ruines. Mes lectures sont toujours saccadées. J’ouvre un livre. Je le ferme. Je regarde la couverture. Je ferme le livre. Je l’ouvre de nouveau. Pourtant, il est des livres qui, dès la première page, retiennent toute mon attention. Il faut une fluidité. Il faut une pensée. Il faut une écriture. Il faut que les mots viennent à nous. Qu’ils nous arrêtent. Qu’ils nous dérangent. Qu’ils nous obligent à réfléchir. Il faut surtout qu’ils nous touchent.

C’est ce qui m’est arrivé en ouvrant le nouvel ouvrage de Delphine Horvilleur, Sermons sous les décombres.

Les sermons réunis dans ce livre ont été prononcés dans la synagogue où Delphine Horvilleur officie, au soir de Yom Kippour, lors d’offices de Shabbat, de Hanouka, de Pourim, de Pessa’h ou de Rosh Hashana.

Le premier texte, « La prophétie de Léonard », a été prononcé le 24 septembre 2023, au soir de Yom Kippour, quelques jours avant les massacres du 7 octobre. Le deuxième, « La légende de Rabbi Naḥman », date du 13 octobre 2023, alors que le traumatisme, la douleur et l’angoisse avaient déjà saisi Israël, les Juifs de la diaspora et bien au-delà.

« Ces sermons tentent de mettre des mots là où les mots manquent, là où la violence, la peur et le chagrin rendent parfois la parole presque impossible. »

Ces sermons accompagnent ensuite le temps de la guerre, des deuils, de l’attente des otages, des fractures politiques et morales, jusqu’au retour des derniers otages en 2025. Ils tentent de mettre des mots là où les mots manquent, là où la violence, la peur et le chagrin rendent parfois la parole presque impossible.

Delphine Horvilleur écrit (p. 53) : « En traversant tous les mots que j’ai prononcés depuis le 7 octobre, je réalise aujourd’hui combien ils sont troués. Non par manque de lucidité, mais par la force des traumatismes qui les hantent, et tout ce qui empêche de dire ou d’entendre. J’y retrouve tant de fantômes du passé, ceux de mon peuple, et ceux de l’Histoire, les peurs de mes ancêtres et toutes ces douleurs réveillées chez moi ou chez mes proches ».

Cet aveu est rare chez quelqu’un qui parle en chaire. Elle ne prétend pas dominer ce qu’elle traverse, et c’est ce qui rend sa parole crédible.

Les douleurs que l’on ne peut nier

Delphine Horvilleur nous parle des drames qui frappent les Israéliens. Elle ne les évoque pas de loin, à travers des chiffres, des dépêches, des polémiques ou des slogans. Elle a vu cette douleur. Elle l’a rencontrée lors de ses nombreux séjours en Israël. Elle a parlé avec des familles de personnes prises en otage. Avec les proches de victimes assassinées par les terroristes du Hamas. Avec les familles endeuillées, celles qui attendent encore, celles qui savent qu’elles ne reverront plus les leurs.

Elle refuse aussi le renversement des responsabilités, et le dit sans détour (p. 105) : « Le 7 octobre dernier a eu lieu un massacre, mené par une organisation dont le projet est résolument génocidaire, et rien n’a su, ce jour-là, empêcher la tragédie de se dérouler. Dans l’esprit de nombreuses personnes, depuis cette date, les chaînes de causalité semblent se retourner, des réductions caricaturales s’opèrent. Qui aurait cru par exemple que si vite les victimes semblent mises en accusation ? Que s’exprimerait l’idée que des familles brûlées vives, des jeunes réunis à un festival de musique ou des gamins kidnappés et torturés l’auraient un peu cherché ? »

Elle a rencontré les proches de jeunes gens qui assistaient au festival Nova et qui furent tués le 7 octobre. Derrière les chiffres, derrière les discours, derrière les querelles et les commentaires, il y a des visages, des prénoms, des vies interrompues et des familles à jamais bouleversées.

C’est cette douleur israélienne, cette douleur juive, cette douleur humaine, qu’elle porte dans ses sermons. Mais elle ne s’y enferme pas. Elle ne s’en sert pas pour nier ou effacer celle des autres.

Elle prie, aussi, et c’est peut-être là que le livre est le plus nu (p. 82) : « Je prie du fond de notre désespoir, pour que dans cette nuit qui débute, nous sachions encore raconter des belles histoires : pas celles qui feront de nous des assoiffés de vengeance ou des êtres mutilés par la colère, mais celles qui nous rendront plus humains et plus grands ».

« Delphine Horvilleur ne questionne donc pas seulement la douleur des Israéliens. Elle questionne aussi celle des Palestiniens. Elle refuse que les souffrances soient utilisées les unes contre les autres. »

À Gaza aussi, des familles sont endeuillées. Des enfants meurent. Des maisons disparaissent. Des vies sont brisées, bouleversées ou détruites. Cette douleur-là ne peut être niée, minimisée ou effacée d’un revers de la main.

Delphine Horvilleur ne questionne donc pas seulement la douleur des Israéliens. Elle questionne aussi celle des Palestiniens. Elle refuse que les souffrances soient utilisées les unes contre les autres. Elle rappelle, avec gravité, qu’il n’y a pas d’humanité véritable lorsque la douleur d’un peuple rend aveugle à celle d’un autre.

C’est sans doute l’une des forces les plus profondes de ces sermons : dire la blessure juive sans devenir aveugle à celle des Palestiniens ; refuser l’indifférence sans céder aux simplifications ; tenir ensemble la mémoire, la compassion et l’exigence d’humanité.

Sa lecture du Talmud est toujours tournée vers le présent et n’est jamais étrangère à la question politique (p. 99) : « Doit-on considérer comme les rabbins du Talmud, que la lumière véritable ne vient jamais autant d’une victoire militaire que d’une lumière qui jaillit d’ailleurs ? Jamais de la simple force des armes sur un champ de bataille, mais toujours d’une source inattendue qui saura rompre avec l’obscurité ou l’obscurantisme ? » C’est sa méthode : une question tirée d’un texte ancien, qui laisse le lecteur seul avec elle. Pas de réponse facile.

Je ne dis pas que cela est simple. Rien ne l’est. Il est même devenu particulièrement difficile de tenir cette parole, tant les injonctions sont fortes, tant les passions sont exacerbées, tant les uns et les autres veulent parfois nous assigner à un camp, à une douleur unique, à une fidélité exclusive.

Rester debout

Il m’arrive de vivre sous une pression constante. Une pression qui n’a qu’un seul mot : oppression. Il ne se passe pas un jour sans que l’on parle de nous. Sans que l’on dise ce que les Juifs seraient devenus. Sans que l’on interroge notre place. Sans que l’on nous explique ce que nous devrions penser, ce que nous devrions dire, ce que nous devrions ressentir. Sans que l’antisémitisme soit parfois relativisé, déplacé, nié ou travesti.

Dans ce climat, les mots de Delphine Horvilleur sont précieux. Ils ne donnent pas de réponses faciles. Ils ne cherchent pas à flatter. Ils ne prétendent pas faire disparaître les décombres. Mais ils nous invitent à les regarder. À entendre ce qui se dit sous les gravats de l’histoire, de la peur et du chagrin. À ne pas détourner les yeux.

Elle relie les textes de la tradition juive. Elle interroge la Bible. Elle convoque les récits anciens, les figures rabbiniques, les légendes et les paroles transmises. Mais elle ne se réfugie jamais dans le passé. Elle fait du passé une lumière, parfois fragile, parfois vacillante, pour éclairer notre présent.

« Les mots de Delphine Horvilleur sont précieux. Ils ne donnent pas de réponses faciles. Ils ne cherchent pas à flatter. »

Lorsqu’elle nous prévient que les mots peuvent devenir des maux, elle touche à l’essentiel. Car les mots ne sont jamais innocents. Ils peuvent nommer. Ils peuvent consoler. Ils peuvent éclaircir. Mais ils peuvent aussi désigner, accuser, préparer l’exclusion, nourrir la haine et justifier la violence. Nous le savons, nous qui vivons dans un temps où l’injure, l’amalgame et la déshumanisation se diffusent avec une facilité effrayante.

J’ai toujours eu du mal avec les rabbins. Je n’entre pas facilement dans une synagogue. J’y vais rarement. Mais je n’ai aucun mal avec Delphine Horvilleur. J’apprends d’elle. Je lis en elle le passé, le présent et peut-être l’avenir de l’humanité.

Sermons sous les décombres possède cette force que peu de livres ont. La force de nous atteindre. De nous inquiéter. De nous relever. Et de nous obliger à penser.

Dans une époque où je me sens sans cesse ramené à ce que je suis, à ce que nous sommes, à ce que les autres disent des Juifs, le livre de Delphine Horvilleur me redonne la possibilité de penser, de ressentir et de tenir debout.

Il ne fait pas disparaître les décombres.

Il me permet de ne pas m’y perdre. 


Sermons sous les décombres de Delphine Horvilleur,
Olivier Nora éditions, octobre 2026,
230 pages, 21 €

[Source : www.revuedesdeuxmondes.fr]

quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Estados Unidos le garantiza impunidad a Israel

Organizaciones de derechos humanos con sede en Cisjordania llevan mucho tiempo documentando los crímenes de Israel, y es precisamente por eso que ahora son objeto de sanciones de Estados Unidos. El gobierno estadounidense intenta hacer imposible su trabajo para proteger a Israel del escrutinio.

Las sanciones de Estados Unidos contra organizaciones palestinas de derechos humanos y figuras como la relatora especial de la ONU Francesca Albanese están diseñadas para hacer imposible su trabajo. 

Escrito por L. Canciello

Traducción: Pedro Perucca

«Es la primera vez, como abogado, que estoy a punto de defenderme a mí mismo, y no a las personas para las que trabajo». Hablando en momentos en que el Consejo de Derechos Humanos de las Naciones Unidas, en Ginebra, discutía sobre Palestina el pasado mes de marzo, Raji Sourani se quejó de los ataques a las tareas más básicas de quienes defienden los derechos humanos.

Sourani, director del Centro Palestino para los Derechos Humanos (PCHR, por sus siglas en inglés), hizo estos comentarios justo después de que la relatora especial de la ONU Francesca Albanese presentara su informe sobre la tortura sistemática contra los palestinos. Para Albanese, la tortura es «el símbolo de este genocidio»: devasta los cuerpos y la dignidad de las personas, mientras todo lo que hace posible la vida de los palestinos es destruido a su alrededor.

En una reunión realizada al margen de la sesión, Sourani, junto con Issam Younis, director ejecutivo del Centro Al Mezan para los Derechos Humanos [ONG con sede en el campamento de refugiados palestinos Jabalia, en Gaza], así como representantes de Al-Haq [ONG palestina independiente de derechos humanos con sede en Ramala, Cisjordania], describieron lo que significa seguir documentando estos crímenes mientras sus organizaciones están bajo sanciones estadounidenses. Sourani explicó que, aunque «el genocidio continúa mientras hablamos», él y sus colegas se ven obligados a plantear la cuestión de las cuentas congeladas y los salarios que ya no pueden pagar. «En lugar de hablar de genocidio y limpieza étnica, estamos aquí defendiéndonos, con nuestras pequeñas y tontas preocupaciones: ¿cómo puede nuestra organización sobrevivir y seguir defendiendo los derechos humanos?».

El PCHR, Al Mezan y Al-Haq trabajan con un propósito legal específico: recopilar testimonios, asistir a las víctimas y presentar pruebas ante la ONU y la CPI (Corte Penal Internacional). Así es como la violencia sufrida puede convertirse en testimonio verificado y, en última instancia, servir como prueba ante un juez. Pero en esto también reside la desconexión fundamental que recorre la reunión de la ONU. Mientras quienes cometen los crímenes todavía no enfrentan ninguna consecuencia, quienes los documentan deben sopesar las consecuencias de cada pago, cada viaje o cada colaboración en la que se involucran.

Un archivo bajo amenaza

En las oficinas de Al-Haq en Ramala, este trabajo toma la forma de un archivo construido a lo largo de una ocupación israelí que ya lleva décadas. Cuando intentamos llegar hasta allí desde Belén, en julio de 2025, quedamos atrapados en una larga fila en el puesto de control. Una hora antes de nuestra cita, todavía no sabíamos si llegaríamos. Cada viaje queda sujeto a la discreción de los soldados israelíes. «Llegaremos a Ramala, inshalá», dice nuestro guía.

Dentro de las oficinas, los investigadores han estado recopilando testimonios de toda la Cisjordania ocupada. Al-Haq mantiene datos sobre asesinatos y demoliciones, analiza fotografías y videos, y reconstruye ataques con el fin de refutar los relatos oficiales israelíes. También ha creado una unidad de arquitectura forense, que utiliza análisis espacial y herramientas arquitectónicas para investigar violaciones de derechos humanos.

«Una de las cosas que me motivan a despertarme cada mañana es que Israel parece tenerle miedo a nuestras investigaciones», dice Mariam (a quien se le ha dado un seudónimo), investigadora de Al-Haq. Ese miedo, explica, se traduce en presión sobre los financiadores y amenazas contra los bancos. «Intentan asustar a todos y cada uno de los donantes».

Cuando un archivo puede refutar la versión militar de los hechos y contribuir a procesos legales internacionales, se convierte en una amenaza política. Esta es la capacidad de recopilación de pruebas que las sanciones ahora tienen como blanco.

En realidad, el ataque contra Al-Haq no comenzó con las sanciones estadounidenses. En 2021, Israel ya había designado a esta organización y a otras cinco organizaciones palestinas como terroristas. Luego, en septiembre de 2025, Washington incluyó a Al-Haq, Al Mezan y PCHR en el programa de sanciones establecido mediante la Orden Ejecutiva 14203 contra la CPI. Los activos bajo jurisdicción estadounidense fueron congelados, mientras que se prohibió a personas y empresas de Estados Unidos proporcionarles fondos, bienes o servicios.

Programa de sanciones

Dado que la mayoría de las transacciones internacionales se realizan en dólares estadounidenses y a través de plataformas con sede en Estados Unidos, muchos bancos, donantes y socios de otros países cortaron sus vínculos, pese a no estar legalmente obligados a hacerlo. El informe Criminalising Accountability [Criminalizar la rendición de cuentas] se refiere a esto como un mecanismo de sobrecumplimiento. En menos de un mes, estas organizaciones perdieron entre el 20 y el 60 por ciento de sus ingresos y YouTube eliminó más de setecientos videos, incluidos testimonios de víctimas de tortura e imágenes de demoliciones.

Para Al-Haq, esto ha implicado que haya personal sin cobrar y colaboradores estadounidenses obligados a renunciar. Para Al Mezan, las sanciones se suman a la devastación en Gaza, y afectan tanto al personal desplazado como al destino de los investigadores, que deben documentar los hechos mientras intentan además proteger a sus familias, a lo que se suma que sus propias oficinas han sido alcanzadas. «No tenemos fondos, hemos tenido que recortar salarios, y esto tiene un impacto directo en nuestra capacidad para documentar los crímenes en Gaza», dice Younis.

Albanese también ha sido sancionada personalmente por su trabajo como relatora especial de la ONU. Sus activos han sido congelados y sus transacciones bloqueadas, y enfrenta restricciones para ingresar a los Estados Unidos. Cuando toma la palabra en Ginebra, su primer comentario se dirige a la institución que se suponía que debía protegerla. Al respecto planteó: «¿Por qué, la ONU esperó tanto tiempo antes de discutir las sanciones contra uno de sus propios relatores especiales, contra fiscales y jueces de la CPI, y contra organizaciones palestinas que cooperan con el sistema de justicia?»

Albanese dice que tiene «menos autonomía que [su] hija de trece años… solo por escribir informes para las Naciones Unidas» y que el sistema financiero la trata como a «una narcotraficante o una terrorista». ¿Qué tienen en común ella, las organizaciones palestinas y los funcionarios de la CPI? Están ahí «para buscar la rendición de cuentas, para hacer avanzar la justicia para las víctimas y los sobrevivientes».

«Los fiscales no pueden visitar el territorio palestino ocupado», explica Sourani. Dependen de organizaciones capaces de llegar hasta los testigos y de preservar la evidencia. «Cuando se ataca a la Oficina del Fiscal, a las organizaciones palestinas, a los jueces y a la relatora especial, el círculo se cierra. La intención es clara».

Alentados por la impunidad

La misma selectividad impregna a las instituciones internacionales. En el Consejo de Seguridad de la ONU, el poder de veto de los miembros permanentes hace que, con frecuencia, no haya consecuencias por las violaciones. En el Consejo de Derechos Humanos, las mismas dinámicas de poder determinan qué crisis derivarán en medidas concretas y cuáles, en cambio, quedarán reducidas a informes y resoluciones.

La CPI sigue abierta, pero está aislada de las personas que recopilan pruebas e investigan. «Estamos siendo testigos del desmantelamiento de la rendición de cuentas desde las bases», advierte Albanese.

Para Younis, volver al Palacio de las Naciones de la ONU tiene un significado personal. En 1993 llegó aquí como estudiante para contarles a los Estados miembros que los palestinos estaban siendo torturados. Más de tres décadas después, la tortura continúa, y su organización está siendo sancionada por su trabajo con la CPI: «Los gobiernos ya no niegan cometer crímenes», dice. Y añade: «Antes solían negarlo. Ahora están orgullosos de cometer crímenes de guerra y genocidio».

Las imágenes de los crímenes de Israel, las declaraciones oficiales y los numerosos testimonios de testigos presenciales no han logrado garantizar protección alguna. De hecho, esta impunidad se evidencia en la confianza con la que se exhiben los crímenes: quienes los cometen saben perfectamente bien que las imágenes circularán y que los demás Estados permanecerán de brazos cruzados.

En la reunión de Ginebra, un abogado palestino relató cómo los detenidos eran obligados a vivir durante meses dentro de un círculo dibujado en el piso, con las manos y los pies encadenados, y solo se les permitía salir de él para tomar duchas de un minuto. «He trabajado con prisioneros durante años. Nunca había visto algo así». Describió violaciones, violencia sexual y amputaciones realizadas sin anestesia.

«La tortura le hace al individuo lo que el genocidio le hace a un grupo», dice Albanese. Documentar estos actos no les devuelve a las víctimas lo que les fue arrebatado, pero preserva la posibilidad de que haya reconocimiento y de que se haga justicia.

La falta de acción internacional frente a los crímenes de Israel en Cisjordania tiene consecuencias adicionales en forma de demoliciones de viviendas, apropiación de tierras y aún más ataques por parte de los colonos.

Tomemos lo ocurrido el 28 de julio del año pasado en Umm al-Khair, cuando una topadora proveniente de un asentamiento israelí cercano entró en el pueblo y dañó propiedades palestinas. El maestro Awdah Hathaleen, activista y padre de tres hijos, filmó la escena. En los videos, el colono israelí Yinon Levi levanta su arma y dispara en su dirección. Awdah recibe un disparo mortal en el pecho.

Levi vive en el asentamiento cercano de Carmel. En 2024, ya había sido sancionado por Estados Unidos, la Unión Europea, el Reino Unido y Canadá por su papel en la violencia contra los palestinos. Sin embargo, la administración Trump revocó las sanciones estadounidenses. Tras el asesinato, Levi fue arrestado y luego liberado rápidamente; el cuerpo de Awdah, en cambio, fue retenido durante diez días, mientras se le imponían condiciones a la familia respecto del funeral. «¿Cómo se puede liberar al asesino y retener a la víctima?», pregunta un representante del Centro Jerusalén de Asistencia Legal y Derechos Humanos.

Para Haneen Hathaleen, sobrina de Awdah, lo que ha cambiado desde el 7 de octubre de 2023 es, sobre todo, la libertad con la que actúan los colonos israelíes. En años anteriores, dice, la violencia estaba al menos parcialmente contenida por el temor a una reacción internacional. Ahora eso parece haber desaparecido. «Después de todo lo que pasó en Gaza, nadie le ha pedido cuentas a Israel por nada», dice. «Así que, hagan lo que hagan aquí, ¿quién se atrevería a oponérseles?».

Las mujeres de Umm al-Khair dicen que, desde el 7 de octubre, los colonos vienen casi todas las noches. Entran en el pueblo, vandalizan propiedades e impiden que las familias duerman. «No es como antes», dicen. Dentro de la comunidad crece el temor de que el aumento de los ataques acelere el desplazamiento y la anexión de sus tierras. La impunidad de lo que ocurre en Gaza no está separada de Cisjordania, sino que refuerza la convicción de los colonos de que pueden actuar sin resistencia ni consecuencias.

Vías para la rendición de cuentas

En una entrevista en el Café Suisse del Palacio de las Naciones, en Ginebra, el embajador palestino Ibrahim Khraishi me habla de las limitaciones de las sanciones que apuntan únicamente a colonos individuales. Esas medidas, sostiene, no abordan el sistema político y militar dentro del cual la violencia de los colonos se vuelve posible y queda protegida. Pueden restringirse viajes o congelarse ciertos activos, pero no se detienen los ataques ni la expansión de los asentamientos sobre el terreno.

Las sanciones contra quienes documentan la violencia se están ampliando; las sanciones contra quienes la perpetran pueden ser revocadas o quedar sin efectos concretos. En Umm al-Khair, la impunidad significa que Awdah es asesinado, que su cuerpo es retenido y que los ataques contra su comunidad continúan.

En el Palacio de las Naciones, tras el informe sobre la tortura, algunas declaraciones desplazan el debate de la evidencia hacia la propia Albanese: Hamás, acusaciones de antisemitismo y el apego al código de conducta. Quienes documentan los crímenes deben, una vez más, defender su legitimidad.

«La diplomacia en tiempos de genocidio no es neutral», responde Albanese. Younis, por su parte, insiste en que los Estados miembros de la ONU necesitan actuar: «Dejen de mostrar solidaridad sin actuar. Es tiempo de actuar por la rendición de cuentas».

Las herramientas existen. Los Estados parte de la CPI pueden defender el trabajo de la Corte; los Países Bajos pueden salvaguardar sus operaciones; la UE puede contrarrestar los efectos de las sanciones; y la ONU puede defender a la relatora especial a la que le ha encomendado el mandato. Sin embargo, ninguno de estos actores ha ideado una respuesta capaz de proteger a estas personas e instituciones.

El gobierno estadounidense, mediante su control del dólar, trabaja para frustrar la rendición de cuentas. Pero la impunidad también es fomentada por Estados que reconocen los crímenes y luego se niegan a usar las herramientas de las que disponen para detenerlos. Muchos gobiernos de Estados miembros de la UE afirman rutinariamente defender el derecho internacional, y sin embargo mantienen relaciones militares, económicas y diplomáticas con Israel sin proteger a la CPI ni a las organizaciones palestinas.

Efecto contagio

Lo que ocurre en Palestina no quedará confinado a Palestina: la impunidad no solo blinda los crímenes ya cometidos, sino que también hace más probables los futuros. Cada vez que un Estado ve que otro desestima a los tribunales, viola las normas internacionales y persigue sus propios objetivos sin pagar ningún precio, el Estado de derecho pierde fuerza también en otros lugares. El mensaje que reciben los demás gobiernos es que las reglas pueden dejarse de lado siempre que se cuente con protección política, militar o económica. Así es como los crímenes excepcionales terminan por sentar un precedente.

Esta erosión ya resulta evidente en el creciente cuestionamiento a las instituciones internacionales. Chad ha iniciado el proceso de retiro del Estatuto de Roma, una decisión celebrada por Washington, que ha instado a otros Estados a seguir su ejemplo.

Según Sourani, sería un error pensar que todo esto concierne únicamente a Gaza o a los palestinos. Las sanciones están reemplazando al Estado de derecho por la «ley de la selva». «Lo que se pierda en Palestina se perderá en todas partes», advierte Albanese.

Mientras tanto, el genocidio continúa. Las organizaciones que se supone deben recopilar y preservar la evidencia de este son obstaculizadas, privadas de financiamiento y aisladas de las instituciones internacionales. E incluso mientras la destrucción continúa en Gaza, los ataques de los colonos y la presión sobre las comunidades palestinas también aumentan en Cisjordania. Sin embargo, mientras quienes cometen estos crímenes actúan con impunidad, quienes los documentan se ven obligados a defender su derecho a existir.

 

[Foto: Massimo Di Vita / Archivio Massimo Di Vita / Mondadori Portfolio via Getty Images - fuente: www.jacobinlat.com]

 

A Mesa denuncia que o plan da lingua da Xunta afonda no retroceso para o idioma: «Un paso máis para eliminar a oficialidade do galego».

A Mesa pola Normalización Lingüística considera que o Plan de Acción para a Lingua Galega aprobado pola Xunta non garante o dereito ao uso do idioma e dá continuidade, ao seu xuízo, ás políticas lingüísticas aplicadas polo PP desde 2009. O seu presidente, Marcos Maceira, cuestionou que o documento manteña as limitacións ao galego no ensino e convocou unha concentración para esta cuarta feira fronte ao Parlamento.

Marcos Maceira, presidente da Mesa pola Normalización Lingüística nunha imaxe de arquivo. 

O presidente da Mesa pola Normalización Lingüística, Marcos Maceira, criticou esta terza feira o Plan de Acción para a Lingua Galega debatido no Parlamento e asegurou que o documento supón, ao xuízo da entidade, “un paso máis” na política do PP de “eliminar paulatinamente a oficialidade do galego”. Maceira cuestionou que o plan sitúe o foco na promoción do idioma sen incorporar, segundo denunciou, garantías para o seu uso efectivo. “Non hai solución á emerxencia lingüística sen garantías de uso e oferta”, afirmou. 

O presidente da Mesa vencellou o documento coas políticas lingüísticas impulsadas pola Xunta desde 2009 e citou entre elas as reformas da lei de emprego público, a exclusión do galego na lei de intelixencia artificial, o abandono do idioma como lingua exclusiva da TVG e o rexeitamento á súa oficialidade na Unión Europea.  

Tamén criticou a proposta de modificación do Decreto 79/2010, ao considerar que permitirá que os centros educativos decidan en que ámbitos se limita o uso do galego. Segundo Maceira, a oficialidade dunha lingua implica contar con “todas as garantías legais” para o seu uso e dispoñibilidade.

A Mesa considera ademais que o plan non incorpora novas garantías xurídicas para o galego e cuestiona que a Xunta manteña normas que, segundo a entidade, “exclúen ou limitan” o idioma. Neste sentido, Maceira afirmou que o documento fixa como obxectivo manter a prohibición do galego en entre un 30% e un 70% das materias.

Coincidindo coa votación das resolucións relativas ao plan, A Mesa convocou para este mércores 7 de outubro, ás 11.00 horas, unha concentración diante do Parlamento galego para protestar contra o que considera un “intento de eliminar os acordos en relación á lingua” por parte do Goberno galego.


[Fonte: www.nosdiario.gal]


Un rapporto segreto della CIA avverte che Israele è sull’orlo di una guerra civile e di un collasso politico

 

Manifestazione a Tel Aviv contro Netanyahu

Redazione di MEMO

Middle East Monitor 

Fonti statunitensi affermano che un’analisi segreta da parte dei servizi segreti esterni USA, la Central Intelligence Agency (CIA), avverte che Israele rischia di scivolare verso una guerra civile o un collasso politico in un contesto di crescenti divisioni politiche, economiche e sociali dopo anni di guerre contro Gaza, Libano ed Iran. 

Secondo due fonti che hanno parlato al sito di notizie Drop Site con sede negli USA, il rapporto è stato preparato ad agosto con il titolo “Fratture dall’interno” da esperti della Cellula Rossa della CIA, una unità che conduce valutazioni orientate al futuro e analisi fuori dai tradizionali schemi. 

La valutazione sembra concentrarsi solo su cittadini ebrei in Israele e non prende in considerazione i cittadini arabi, che rappresentano circa il 20% della popolazione della Nazione. La CIA non ha risposto ad una richiesta di commenti. 

Gli esperti della CIA hanno evidenziato una combinazione imprevedibile di pressioni che convergono in vista delle elezioni israeliane del 27 ottobre, incluse una crisi economica e una accresciuta spesa militare; il ritorno di veterani pesantemente armati da combattimenti prolungati, molti dei quali stanno soffrendo per gravi traumi psicologici; una crescente rabbia contro le esenzioni dal servizio militare per i maschi ultra-ortodossi; l’incremento della violenza dei coloni nella Cisgiordania occupata e la lotta del primo ministro Benjamin Netanyahu per mantenere il potere, che secondo il rapporto starebbe alimentando una crisi costituzionale. 

La Cellule Rosse della CIA hanno il compito di produrre analisi e idee che sfidano le assunzioni più comuni ed evidenziare il conformismo o i punti deboli all’interno dell’agenzia di intelligence.

(traduzione dall’inglese di Gianluca Ramunno)

 

[Foto: Gideon Markowicz – Anadolu Agency - riprodotto su www.zeitun.info]

Ciutats per pensar Europa: ‘Berlin-Est’

El Museu d'Història de Barcelona convida a la conferència "Ciutats per pensar Europa: Berlin-Est". 


Resulta força evident que ciutats com ara Londres, Berlín o París han estat —o són— capitals gairebé indiscutibles d’Europa, en algun moment, i per raons molt clares. Però la idea d’Europa no s’escriu només des dels grans centres de poder econòmic o polític, sinó que es troba en totes i cadascuna de les seves geografies culturals. Quan aquestes geografies es perceben des de la perspectiva de la literatura, emergeix un altre mapa d’Europa en què hi ha ciutats on la literatura hi ha fet una contribució insubstituïble.   

Aquest seminari vol documentar i reflexionar sobre el paper de ciutats que, des de situacions de complexitat de vegades semblants, però sovint molt més marcades que les que trobem a Barcelona, aporten un llegat de preguntes sobre Europa que convé tenir present per pensar també la nostra ciutat.   

Aquesta nova edició de Ciutats per pensar Europa, coordinada per Antoni Martí Monterde, reflexionarà sobre la relació entre literatura, ciutat i idea d’Europa a partir de cinc casos concrets: Odessa, Berlín-Est, València, Bolonya i Viena, complementades amb una reflexió sobre la geografia simbòlica de les ciutats.

Dimecres 14 d’octubre, de 18.30 a 20 h: Berlin-Est, a càrrec de Frederic Estrada (Universitat de Barcelona).

 

[Font: www.nuvol.com]

terça-feira, 13 de outubro de 2026

«Estem vivint un model social de canvi lingüístic immensament més ràpid que abans»

Entrevista al sociolingüista Toni Mollà, autor de ‘Les llengües de demà’. Entre el negoci i els algoritmes 

Toni Mollà

 

Escrit per Raül G. Aranzueque

El sociolingüista Toni Mollà acaba de publicar Les llengües de demà. Entre el negoci i els algoritmes (Bromera), un llibre que analitza el futur de les llengües i, en particular, la catalana, en el món globalitzat de l’era digital actual.

El català hi serà, entre les llengües de demà?

Això ho decidirà la comunitat lingüística catalana. Si som capaços de crear les condicions socioculturals, econòmiques i polítiques del que podríem anomenar la societat contemporània, això que diuen les societats postindustrials, postmodernes i tots els post del món, doncs el català serà una llengua de demà. Jo crec que té les possibilitats i les condicions i els punts forts de la majoria de les comunitats lingüístiques. Lògicament també en té molts de dèbils i dependrà del que farem. No és una cosa que ve donada per la natura. És un fet social. 

Entre les fortaleses que té el català hi ha, precisament, el món digital, gràcies, sobretot, a la comunitat que ha picat molta pedra durant molts anys.

I tant. En el món tradicional continua sent una llengua forta, una llengua de relació. Però és cert que les noves generacions, nadiues de l’era digital, i potser d’una manera no sé si intuitiva, autoorganitzada o com, han començat a intervenir en el diàleg, d’una manera virtual gràcies a les xarxes i internet i han aconseguit que el català siga la llengua 31a o 32a en el rànquing de presència digital. Això és una fortalesa molt gran. És una fortalesa desterritorialitzada. No necessàriament la gent que interactua en el món virtual és una gent que viu i treballa als Països Catalans.

Aquesta és una de les coses que destaqueu al llibre.

És una cosa que m’han ensenyat la filla i les seues amigues. La meua filla viu a Londres des de fa deu anys, però viu virtualment en català. I les seues amigues i amics d’infància viuen a Vancouver, a París, a Frankfurt… i no per això han abandonat la llengua ni han deixat d’interactuar, en la mesura que la tecnologia ho permet, en la seua llengua patrimonial.

Aquest fenomen dieu que obliga una mica a repensar les polítiques lingüístiques.

Les polítiques lingüístiques estan fetes amb sistemes d’idees, maneres de pensar que són pròpies d’unes altres circumstàncies. Jo no dic que s’hagen de superar perquè eren dolentes. Dic que s’han de superar perquè s’ha superat aquell temps. Els autors de la sociologia del coneixement ja deien que el pensament és situacional, no naix en el buit social i, per tant, si els nostres majors pensaven d’una determinada manera és perquè vivien en una societat concreta. Si Prat de la Riba, els noucentistes i els modernistes pensaven d’una altra manera és perquè en la seua societat, les seues idees s’arrelaven a una situació determinada. El que no pot ser és que la societat canvie, que canvien les seues estructures socials, culturals, etc. i que nosaltres continuem pensant en sistemes d’idees caducats, que és el que passa moltes vegades. Continuar avui amb idees romàntiques, no solament de la llengua, sinó del nacionalisme, del territori, no porta a res, portaria, en millor o en el pitjor dels casos, a la nostàlgia i a la impotència. Per tant, és imprescindible també en el terreny de les polítiques lingüístiques que adeqüem el nostre sistema d’idees a estes condicions d’existència que imposa la societat contemporània. 

Els catalanoparlants pràcticament han estat expulsats de zones de Barcelona, València i Palma

Ara comença a vincular-se l’estructura econòmica, el fenomen del turisme… amb la reculada de la llengua.

Ja era hora. Jo he conegut la transformació de la ciutat vella de Barcelona i de València. Eren zones d’una gran densitat catalanoparlant i ara eixos espais, que eren d’una gran densitat lingüística, estan ocupats pel turisme i els catalanoparlants pràcticament han estat expulsats d’aquelles zones i crec que a Palma passa exactament igual. És importantíssim que vinculem els nous moviments migratoris, legals, il·legals, turístics, no turístics, etcètera. Jo aporte una dada que és que els Països Catalans reben 50 milions de visites turístiques l’any. Si això no té impacte sociolingüístic, ja em diràs quin factor en tindrà.

A les Illes Balears, precisament, aquest debat està molt viu i es parla molt del concepte de sostenibilitat lingüística.

Sí, és clar, és que és imprescindible introduir-lo perquè, si no, sembla que tots els factors socials siguen importants, excepte el cultural i el lingüístic. Però no solament el turisme, sinó els nous moviments migratoris, que si tenen algun impacte en primer lloc és en les estructures culturals. I, per tant, haurem de dissenyar unes polítiques lingüístiques també sobre els fenòmens turístics o els fenòmens migratoris. Part de la meua família han sigut emigrants a París, als anys 50, 60. No es varen plantejar mai no aprendre francès, lògicament. El van aprendre al treball perquè la llengua francesa era una llengua imprescindible per a la introducció dins del món sociolaboral francès i, damunt, els permetia, a ells, i posteriorment, a les seues filles, una certa promoció dins de la societat francesa. Jo crec que si això passava als anys 50, 60 a França, de la mateixa manera que passava a Berlín, a Ginebra, a Londres, ha de passar en qualsevol país que vulga que la cohesió social s’establixca a partir de la seua pròpia llengua. Però això, curiosament, ni tan sols ho fan els jugadors del Barça. Els jugadors del Barça venen i s’integren en castellà. És a dir, la llengua d’integració a un dels emblemes de la catalanitat, que és el Barça, és el castellà.

I això que ara és dels Barça més catalanoparlants que hi ha.

Per descomptat. Perquè són gent que s’han format ací. Hi ha gent que ha vingut de fora, com Fermín, que és d’un poble d’Andalusia, o els altres. Però la majoria diuen que estan aprenent castellà. Com si vols aprendre swahili. Em pareix molt bé, però és evident que no n’hi ha prou a dir que el Barça és més que un club. Això s’ha de demostrar i s’ha de demostrar a través de que la integració en el país, en el club, siga en català. Jo he dit moltes vegades que la persona dels Països Catalans que més impacte lingüístic té és l’entrenador del Barça perquè és el que fa més rodes de premsa a la setmana. Per tant, el moment de màxim impacte sociolingüístic va ser el Guardiola i, després, el de Xavi. Estic parlant de sociolingüística, no estic parlant de futbol. I el circuit èxit que va produir Guardiola, que damunt parlava català a tot arreu, va ser un moment en què el català deixava de ser només una llengua patrimonial i passava a ser una llengua global. Va ser un moment dolç de la política lingüística. I vull remarcar-ho perquè la política lingüística no és només allò que fan les institucions. La política lingüística la fan també les institucions socials, cíviques, ciutadanes, i per tant, crec que és tan important el que faça un club de futbol o un sindicat o una associació del que siga, com el que faça la Conselleria de Política Lingüística. Les institucions no ho poden fer tot.

En el llibre dieu que hi hauria d’haver un mercat lingüístic dels Països Catalans i poseu l’exemple de quan TV3, À Punt i IB3 van emetre, de forma conjunta, la pel·lícula ‘La mort de Guillem’. Allò va quedar com un bolet i ja no hi ha hagut més casos.

Això ve de lluny, no és nou d’ara. En l’època de l’inici de les televisions autonòmiques va haver-hi una reciprocitat amb Canal 9 i allò va funcionar d’una manera normal. I també hi hagué una època en què, després de la transició política, existia el que jo he dit alguna vegada el corredor cultural mediterrani: intel·lectuals, escriptors, cantants, actuaven exactament igual a Girona que a Alacant.

 

[Font: www.diaridelallengua.cat]

« Sermons sous les décombres », pourquoi il faut lire le livre de Delphine Horvilleur

Comment nommer le fracas lorsque les certitudes s’effondrent ? Avec Sermons sous les décombres (Olivier Nora Editions), Delphine Horvilleur signe une œuvre poignante, située à la frontière du journal intime, de l’exégèse biblique et du pamphlet humaniste. 

Écrit par Elizabeth Sutton

Pendant deux années de déchirement collectif, de la veille des attaques du 7 octobre 2023 jusqu’au retour des derniers otages d’un territoire gazaoui en ruines en 2025, la rabbine a fait de l’écriture son sanctuaire.
Face à la polarisation aveugle et au mutisme qui frappe nos sociétés, elle interroge le destin du langage au milieu de la barbarie : que reste-t-il à dire quand plus personne n’écoute ?

Sermons sous les décombres – Une exégèse du présent

La force de cet essai réside dans la méthode chère à son autrice. Elle fait dialoguer les mythes anciens avec nos déchirements contemporains.

Delphine Horvilleur ne cherche ni à absoudre ni à dogmatiser ni à moraliser. Elle réinterprète les textes de la tradition juive pour y déceler des clés de lecture inédites. Ses interprétations apportent une lumière singulière sur des sujets brûlants.

Dans Sermons sous les décombres, elle analyse la responsabilité politique et l’usage de la force. Réfléchir à la légitimité de la défense sans perdre son âme ni céder à la vengeance est son crédo.

L’auteure analyse la réapparition des spectres du passé dans le débat public contemporain face à l’antisémitisme.

Elle accueille la douleur des victimes sans dresser de hiérarchie dans la souffrance.

La rabbine fait débat, notamment pour ses propos prononcés à chaud durant le conflit. Ses convictions ne cherchent pas à rassurer artificiellement. Ils cherchent à fissurer l’enfermement idéologique par le doute et l’empathie.

Le pari de la réparation

Au-delà du témoignage politique ou religieux, l’ouvrage pose une question fondamentale : peut-on réapprendre à se parler pour tenter de se réparer ?

En refusant les slogans simplistes et les vérités univoques, Delphine Horvilleur offre un manuel de survie. Sermons sous les décombres s’impose comme un texte essentiel, trois ans après le massacre du 7 octobre, pour quiconque refuse la résignation et cherche, dans la nuit de l’Histoire, la trace d’une humanité partagée.

 

[Source : www.idboox.com]