quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Os novos poderes: senhores tecnofeudais ou oligarquia neurotraficante?

O uso intenso das redes sociais, mais do que outras formas de presença na internet, excepto porventura os jogos, gera comportamentos comparáveis a outras formas de adição por drogas, como seja o consumo excessivo e a ressaca psicológica e até física. F. Louçã propõe que este é o produto traficado por esta nova oligarquia.

Escrito por Francisco Louçã

Os autores que se têm destacado na promoção do conceito de “tecnofeudalismo” partilham o diagnóstico e não necessariamente as conclusões. Segundo as várias versões, a propriedade e o controlo da produção a partir da terra constituía o poder dos senhores feudais, demarcando os seus territórios e organizando alguma forma (também mutável) da sua relação com o poder central, o rei. Por sua vez, os camponeses dependiam desses senhores, tanto para proteção quanto para poderem cultivar alguma terra cedida para o efeito. Exploravam a terra pagando uma renda e submetendo-se ao poder absoluto do aristocrata. Do mesmo modo, argumentam aqueles autores, os senhores tecnofeudais dominam as plataformas digitais e permitem a atividade dos novos plebeus, assegurando-lhes a proteção que é a estabilidade das suas ligações. Acresce que o poder das empresas que dominam estes mercados, a tecnoligarquia, se estabelece sem concorrência. Nos dois casos, seriam mundos subordinados, em que os de baixo não têm qualquer poder.

Na versão mais divulgada desta teoria do tecnofeudalismo, a de Varoufakis, a conclusão é desconcertante: não se trataria da expansão do capitalismo para novas formas de criação e venda de mercadorias (como serviços) e portanto de exploração do trabalho ou do tempo dos trabalhadores, mas seria mesmo um novo modo de produção. O capitalismo acabou, conclui ele. O que temos agora é uma nova sociedade, o tecnofeudalismo. Se bem que outros autores sejam mais prudentes quanto a estas conclusões civilizacionais, a teoria caminhou pelos seus próprios pés e tornou-se uma referência para a crítica dos sistemas de comunicação do mundo contemporâneo. É uma teoria errada, conduz a conclusões confusas e parece ser incapaz de compreender a dimensão do perigo representado pelas novas formas de poder, retratando-as como uma rememoração do passado e ignorando as suas características inovadoras – que são as mais perigosas.

Colonização ou toxicodependência

Uma metáfora comparável à do feudalismo é a da colonização. Nesse sentido, o novo poder instalou-se num novo território e dominou o seu povo (como é o caso da presença total das redes sociais na vida quotidiana de mais de metade da população do mundo), impondo uma nova linguagem (os padrões de comunicação nas redes sociais), uma exploração intensiva dos recursos locais (como sejam a atenção e as emoções pessoais), a sua submissão aos colonizadores (a identidade dos colonizados é definida pela e dentro da rede social), com o desaparecimento da noção de futuro (é suposto que a colónia é eterna), e ainda com a veneração da nova legitimidade (o poder algorítmico é inquestionável). No “Admirável Mundo Novo” de Aldous Huxley, uma distopia conservadora da década de 1930, este mecanismo era antecipado pela imposição de uma nova divindade (Henry Ford) e pela adoração da técnica. Contudo, esta descrição é, tal como a do tecnofeudalismo, subsidiária do contexto histórico que a delimita. Ora, o que estamos a viver é uma transformação no quadro do capitalismo tardio, não é um regresso a algum passado.

Em alternativa, sugiro então que estudemos a comparação entre o capitalismo das plataformas, que inclui como consumidores permanentes uma grande parte da população do mundo, e o poder do narcotráfico. A comparação ressalta que o mundo das redes sociais é dominado por um oligopólio (e, assim, os tecnoligarcas cooperam e disputam entre si, mas não há concorrência); promovem um produto que oferece satisfação e retribuição emocional imediata, ou uma gratificação que cria um hábito; este gera dependência; os consumidores sofrem privação e ansiedade quando estão afastados da sua fonte de prazer ou de reconhecimento; perdem competências e autonomia; e a sua fronteira entre a realidade e a ficção desvanece-se, ao ponto de Zuckerberg ter tentado fazer desse efeito o fundamento de uma nova sociedade de emoções e atenção totalmente mercantilizada, a que tentou chamar Metaverso.

A existência de uma dependência psicológica, uma adição, está certificada medicamente numa das áreas desta atividade na internet, os jogos. Segundo os dados de Statista para o início de 2025, mais de 3 mil milhões de pessoas são jogadores frequentes e, no caso das crianças dos EUA, o valor pode chegar a 90%, sendo que desses há 3 a 4% que são classificados como doentes psiquiátricos, considerando a sua dependência dos jogos, chegando a 9,5% no caso das crianças e jovens entre 8 e 18 anos. Esta “desordem do jogo na internet” está classificada como doença pela Associação Americana de Psiquiatria, que publica o manual de doenças mentais que é tido como a referência para a profissão.

No caso das redes, cujo uso intenso e dependente ainda não é classificado como doença, é de notar em todo o caso o seu efeito social potente: geram ficções em que o consumidor é parte da sua própria narrativa e vive em fantasias escapistas com emoções intensas, de onde obtém satisfação, incluindo sob a forma de recriar falsas identidade e história. O consumo de si próprio torna-se a forma de vida na rede, e isso institui um poder de controlo como nenhuma empresa, nenhuma oligarquia, nenhuma classe dominante nunca tinha alcançado até hoje.

O condutor desse processo de dependência é a satisfação obtida pela secreção de dopamina, como no caso do consumo de uma droga ou de outras experiências de remuneração psicológica intensa. A dopamina foi identificada como um neurotransmissor em 1957 por Arvid Carlsson, da Universidade de Lund (ganhou o Nobel por isso), e por Kathleen Montagu, da Universidade de Londres (que não ganhou o Nobel), tendo-se percebido como é produzida no contexto de diversas experiências pessoais agradáveis e como contribui para a formação de hábitos. O que vinte anos mais tarde foi descoberto é que este neurotransmissor é o que está mais intensamente relacionado com as adições por drogas, e que é fundamental para descrever as fases de desenvolvimento, manutenção e ressaca de uma pessoa toxicodependente.

A net reconstrói o self

O uso intenso das redes sociais, mais do que outras formas de presença na internet, excepto porventura os jogos, gera comportamentos comparáveis a outras formas de adição por drogas, como seja o consumo excessivo e a ressaca psicológica e até física. Nesse caso, a dopamina é “um tipo de moeda universal para medir o potencial aditivo de qualquer experiência”, dado que induz prazer e dor e determina emoções, condicionando a memória e a motivação. Resulta de uma avalanche de imagens, a forma dominante da nossa perceção do que nos é exterior, mas acrescenta-lhe um fator poderoso, que é o simulacro da participação. De facto, o narcisismo é mobilizado para criar uma ilusão de reconhecimento; isso é o que um psicólogo, Courtwright, chama “capitalismo límbico”, referindo-se às estruturas do cérebro que dirigem as emoções, a memória e o comportamento. As redes fornecem “dopamina digital nas 24 horas de todos os sete dias a uma geração conectada”, segundo outro seu colega, Lembke.

Múltiplas investigações comprovaram esta descrição do efeito aditivo da dopamina no uso de redes sociais. Por exemplo, uma investigação sobre o comportamento de adolescentes e jovens adultos acerca do seu uso do botão do “like”, uma forma de comportamento pró-social, demonstrou que se trata de um feedback que reforça a aprendizagem e o autorreconhecimento num contexto social. Em contrapartida, um estudo com jovens universitários norte-americanos sobre o seu grau de imersão na realidade virtual concluiu que “os sintomas de uso problemático de redes sociais espelha os comportamentos típicos de outras desordens psicológicas”, segundo os cientistas que dirigiram essa análise, dirigidos por Meshi, que descobriram uma correlação direta entre uso intenso de redes sociais e incapacidade de decisão. Noutro caso, descobriu-se que 43% dos utilizadores intensos têm sintomas de dificuldade de decisão. Ainda noutro exemplo, num estudo que envolveu 673 adolescentes na China foi identificado o medo de não reconhecimento associado ao uso permanente de redes sociais. A satisfação e o sofrimento resultantes do seu uso são comparáveis a um consumo de uma droga.

Outros estudos foram desenvolvidos por uma psicóloga britânica, Maryanne Wolf, que argumenta que os significados nas redes sociais são baseados em emoções e não em interpretações e que, por isso, a inundação de imagens (com é fornecida pelo crescimento do TikTok e de outras redes similares), corrói a capacidade de aquisição de conhecimento, como a leitura prolongada, a tradução de símbolos e a definição de sentidos. De outro modo, o escândalo da Cambridge Analytica, com a manipulação de perfis de Facebook para produzir um condicionamento eleitoral, ou outras experiências do mesmo tipo, demonstra que os oligarcas percebem este poder indutivo de adição e a potencialidade de controlo que ele representa.

Esta nova forma de poder continua a basear-se na exploração do trabalho, e também do salário que é obtido por esse trabalho, que é por sua vez extraído através da comodificação das emoções e da imersão nas redes sociais, jogos e outras formas de metaverso, que absorve o sujeito num universo de ilusão sobre a satisfação mercantil. A net formata o self, a rede condiciona o ser humano e esta imersão isola os indivíduos, submete-os a um bombardeamento de estímulos neurológicos, simula ou gera prazer e controla o seu tempo e a emoção – é uma forma de poder totalizante cujos produtores têm clara noção do seu alcance. Deste modo, a neurodependência ou toxicocidade da alienação nas redes sociais é o mecanismo mais poderoso para criar um mundo de consumidores dependentes e, dessa forma, cresce como instrumento para dissolver a organização e capacidade de identificação das classes subordinadas na sociedade do capitalismo tardio.

Artigo publicado em Anticapitalista #84 – Janeiro 2026


Referências:

Carlsson A. Speculations on the control of mental and motor functions by dopamine-modulated cortico-striato-thalamo-cortical feedback loops. Mount Sinai J Med. 1988;55:6–10.

Courtwright, D. (2019). The Age of Addiction: How Bad Habits Become Big Business. Cambridge, US: Belknap Press.

Lembke, Anne (2021). Dopamine Nation: Finding Balance in the Age of Indulgence. Dutton, NY: Penguin

Varoufakis, Yanis (2025). Tecnofeudalismo. Penguin Livros

Wolf, Maryanne (2008). Proust and the Squid: The Story and Science of the Reading Brain. Nova Iorque: Harper Perennial.

[Fonte: www.esquerda.net]

Una nova biografia desgrana el «fenomen complexíssim» de Raimon, una figura «sempre incòmoda»

Miquel Alberola reivindica la figura del cantautor valencià i el seu "patrimoni extraordinari" 


Escrit per Adrià Asbert

Foto: EFE/Andreu Dalmau

El periodista Miquel Alberola publica la biografia Raimon. Aquest jo que jo soc (Ara Llibres) en què aborda el "fenomen complexíssim" del cantautor valencià, com una figura que traspassa la música i té repercussió en la llengua catalana, la literatura i els moviments socials. Alberola reivindica la figura del cantautor valencià i el "patrimoni extraordinari" d'una figura que va ser "sempre incòmode" en una obra-homenatge que recorre la vida i la trajectòria del cantant de Xàtiva des de la infantesa fins al final de la seva carrera artística l'any 2017, quan es retira dels escenaris. El periodista ha defensat que Raimon "no és un producte ni el resultat d'una operació discogràfica, sinó que és un esclat sociològic que impregna la societat d'una manera transgeneracional". Durant la presentació del llibre, el mateix Raimon ha explicat que l'autor ha tingut total llibertat per fer el que ha volgut i que està "molt content amb el resultat" de la seva biografia.

A l'inici de la presentació, Miquel Alberola ha dit que es viu un temps de molta confusió, fins i tot de liquidació d'existències. "I en un moment com aquest, crec que els referents sòlids són més necessaris que mai i Raimon és un dels exemples més consistents que tenim de la nostra resistència creativa i també la nostra pervivència com a poble". Alberola ha detallat que "el llibre és una reivindicació de Raimon i del patrimoni extraordinari que representa per a nosaltres". Ha assenyalat que el cantant va construir "tota la seva obra amb una llengua desacreditada, si no perseguida, sempre molesta per al poder central i ho fa en unes condicions heroiques enmig d'una dictadura asfixiant, que tracta de fer-lo descarrilar com a cantant i com a creador, i també d'una democràcia que és molt condescendent amb el llegat de la dictadura". El periodista ha defensat també que Raimon "no és un producte ni el resultat d'una operació discogràfica", sinó "un esclat sociològic que impregna la societat d'una manera transgeneracional. És un creador que transcendeix l'esfera de la seva pròpia representació", ha dit. Creu que "no és només un cantant ni un músic ni un poeta, sinó que a més, tot allò que fa, té una repercussió en la llengua, en la literatura, en la música, en el moviment cívic i polític". Alberola ha remarcat que sobretot va influir molt "en despertar un sentiment de pertinença a una col·lectivitat concreta".

No va ser un cantant polític, però sí incòmode

Alberola ha reivindicat la figura de Raimon no com un "cantant polític", però sí com "un referent cívic i cultural". En aquest sentit, ha volgut remarcar l'assetjament i la persecució que va viure durant la dictadura franquista tot afirmant que va ser superior a la que va patir John Lennon per part de l'FBI. Ha declarat que va patir "la censura, la prohibició, prohibicions de cançons i prohibicions de recitals amb arguments sempre incomprensibles". També ha indicat que va ser un artista "incòmode per la dictadura, però també en la democràcia". Alberola ha recordat que amb les primeres eleccions democràtiques el cantant va rebutjar participar en mítings i ser senador per diferents partits: "Uns quants partits els ho ofereixen, és més els ho exigeixen, 'i si tu no ho acceptes, estaràs mort", ha dit el biògraf.

Miquel Alberola i Raimon a la presentació de Raimon. Aquest jo que jo soc a la Casa Abacus. Foto: ACN/ Pere Francesch

La situació actual la veu "bastant fotuda" 


El biògraf ha assegurat que Raimon és un fenomen complexíssim com ha recordat va definir Salvador Espriu i que ha viscut amb una "gran pressió, per part del públic que demanava més llenya i per una altra la dictadura que li podava tots els brots". El cantant, que es va retirar dels escenaris el 2017, ha explicat que l'escriptor ha tingut total llibertat per fer el que volgués i que està "molt content" amb el resultat, ja que és un volum que quan el consulta es veu reflectit. "És un llibre que si algú vol saber més o menys qui he estat fins ara, doncs aquí el té... perfecte", ha manifestat. Preguntat per la situació actual, ha dit que és "bastant fotuda" i s'ha referit per exemple al que arriba a la societat a través de les xarxes socials, davant les quals ha demanat un esforç dels docents i pares perquè no porten enlloc. Sobre la situació política, ha dit, sense especificar: "Estem governats per gent que no ens hauria de governar, hauria de ser un altre tipus de personal" i ha afegit que és molt complicat.  


[Font: www.elnacional.cat] 

Cuba, un alegato desde la conciencia

Escrito por Marcos Roitman Rosenmann

No son las cifras. Seguramente los datos muestran un derrumbe en su economía y el cansancio de un pueblo que se niega a torcer el brazo, a pesar del estrangulamiento y acoso al que es sometido desde el triunfo de la revolución. No hay duda de la responsabilidad de sus dirigentes y organizaciones populares a la hora de evaluar errores, y reconocer fracasos. Pero poco o nada se habla de sus éxitos, avances y aciertos. Ha sido el único país latinoamericano que logró producir la vacuna contra el covid-19. Sin mencionar sus avances en materia de enfermedades tropicales, esclerosis múltiple o alzhéimer. Tampoco de los muchos estudiantes africanos y latinoamericanos becados para realizar estudios y graduarse como médicos, ingenieros, físicos, químicos o biólogos. Menos, ser receptor del pensamiento latinoamericano. El premio Casa de las Américas es un referente en las letras del continente. Todos estos son logros realizados en medio de apagones, problemas de transporte, falta de combustible, abastecimiento y carencias varias. El día a día de un cubano supone reinventarse para superar obstáculos. Las crónicas desde La Habana, escritas por Luis Hernández Navarro, publicadas en La Jornada, describen con crudeza la realidad, pero constituyen un ejercicio de periodismo de altura. No transmiten desesperanza. Su lectura es obligada. 

Nadie, en su sano juicio, afirma que Cuba no padece la peor crisis desde el triunfo de la revolución. Pero otra cosa es mentir. Y esa ha sido la estrategia de la prensa y radios institucionales, al menos en España, donde resido. Son años en los que solo escucho adjetivos y descalificaciones. Sin excepción, manipulan los datos. Más ahora, cuando la administración Trump declara a Cuba un riesgo para su seguridad nacional. Así, para el presentador y director de uno de los programas de mayor audiencia radiofónica de la cadena SER, A vivir que son dos días, Donald Trump deja de ser un autócrata egocéntrico para transformarse en un defensor de la libertad del pueblo cubano. En entrevista a Joe García, excongresista demócrata de origen cubano, asiente con silencio a las descripciones de Cuba. En su explicación, la isla es un campo de concentración, un centro de torturas, donde nadie puede vivir, y el “régimen castrista”, así lo adjetiva, está cadáver, coincidiendo con el titular de El País. Asimismo, García se muestra partidario de las políticas del secretario de Estado, Marco Rubio, a la hora de evaluar el actual bloqueo. Para finalizar, el presentador agradece a Joe García su claridad y el conocer mejor la estrategia de Rubio por restablecer la democracia en Cuba, y en el cierre le desea una buena estancia en las islas Seychelles, donde pasa sus vacaciones (sic).  

Los recuerdos de infancia marcan mi primer acercamiento a Cuba. Pósters adornan las paredes de Santiago, Chile, y fijan mi atención. Sus imágenes muestran sacerdotes con sotana, arrodillados, algunos manos en cruz, suplicando por su vida, pidiendo clemencia, otros rezando el rosario. En la escena, soldados con uniforme verde oliva, barba y fusiles apuntan en la sien a los religiosos. Una leyenda completa el cuadro: “¡Esto ocurre en Cuba! Chileno, no permitas que pase en Chile. Vota por Eduardo Frei”. Eran las elecciones presidenciales de 1964. La guerra sicológica, el anticomunismo y la campaña del miedo permeaba el ambiente. Con nueve años y sin saber cómo, ya tenía argumentos para ser anticomunista y, por extensión, anticubano. Mi entendimiento no daba para más.  

Durante la siguiente campaña presidencial, 1970, y en plena adolescencia, me sentía de izquierdas. Creía, y sigo haciéndolo, en la justicia social, la igualdad y el socialismo. Con Salvador Allende de candidato y 15 años por cumplir, repartí propaganda, asistí a mítines, escuché sus discursos. En ellos, descubrí el significado del imperialismo, y el sentido de la lucha por el socialismo. Otra Cuba se fue perfilando en mi conciencia. Su revolución se convirtió en ejemplo de dignidad. A poco de andar, el gobierno de la Unidad Popular, el 12 de noviembre de 1970, restableció las relaciones diplomáticas, rotas en 1964. Estados Unidos y la derecha chilena protestarían. Eran tiempos de un bloqueo incipiente y la expulsión de Cuba de la OEA, acordada en Punta del Este, Uruguay, 1962. Solo un país mantuvo su dignidad, votando en contra: México. El mismo que hoy muestra su solidaridad con el pueblo y el gobierno cubano.   

En 1971, la visita del comandante Fidel Castro a Chile transformó definitivamente mi visión de Cuba; comprendí mejor el significado de la lucha antimperialista. En la memoria, su mitin de despedida el 2 de diciembre en el Estadio Nacional y la pegada de carteles con el lema: ¡Hoy como ayer, socialistas con Fidel! Leí las dos declaraciones de La Habana, La historia me absolverá y El hombre y el socialismo en Cuba. En sus lecturas descubrí el sentido de la revolución, en cuyo camino tenía en frente un enemigo sin escrúpulos, que haría lo posible por destruirla.   

Pablo González Casanova unió amor y lucha. Llamó a pensar un mundo donde las relaciones de explotación, inherentes al capitalismo, fuesen superadas. Y puso toda su fuerza en defender el socialismo en Cuba. Supo estar en los momentos críticos. Hoy, sería la voz de la conciencia antimperialista de Nuestra América en defensa de Cuba.   

Cuba sufre el recrudecimiento de un bloqueo inhumano que viola el derecho internacional y el principio de autodeterminación. Se busca por hambre, por agotamiento, su derrota. Hasta hoy le ha sido imposible. El pueblo cubano resiste, no renuncia a su proyecto, abandera las mejores causas por la dignidad humana. Una revolución que se reinventa sorteando obstáculos, que recibe la solidaridad de los pueblos decentes del mundo. Seguramente argumentarán que la dignidad no da de comer. Se equivocan: forja conciencias rebeldes, para las cuales claudicar no es una opción. En la defensa de la revolución cubana, América Latina se juega su futuro. 


[Fuente: www.jornada.com.mx]

Brésil : la lecture recule, l’analphabétisme fonctionnel alerte

Au Brésil, la pratique de la lecture diminue. La 6e édition de l’enquête Retratos da Leitura no Brasil place désormais les non-lecteurs à 53 % de la population, contre 47 % de lecteurs — définis comme ayant lu au moins un livre dans les trois mois précédents. Le Sénat brésilien résume cette bascule en chiffres : « Le nombre de personnes qui ne lisent pas représente 53 % de la population. »  


Publié par Clément Solym


Le Brésil dispose peut-être de quelque 6000 établissements publics de prêt, il n’en demeure pas moins que de sérieux problèmes structurels éloignent le lectorat des ouvrages. 

 

Le recul concerne aussi la capacité déclarée à lire. Senado Notícias indique que 36 % des personnes interrogées mentionnent un obstacle de compétence, comme une difficulté de concentration ou une compréhension limitée.

La même source souligne l’augmentation du « manque de patience et de concentration pour lire », passé de 18 % en 2007 à 40 % en 2024. La perception du plaisir évolue aussi : la part de ceux qui disent « aimer beaucoup lire » recule de 31 % en 2019 à 26 % en 2024, tandis que ceux qui déclarent ne pas aimer lire passent de 22 % à 29 %.

 

Le temps libre migre vers les écrans. Dans la transcription de Rádio Senado, la coordinatrice de l’étude Zoara Failla note « une augmentation de plus de 30 % depuis 2015 dans l’utilisation du temps libre sur Internet ». En parallèle, la lecture pendant ce temps diminue : « 24 %… sont tombés à 20 %. » Chez les enfants de 5 à 10 ans, la même source indique : « 43 % des enfants utilisent ce temps pour jouer aux jeux vidéo. »

 

Éducation et analphabétisme fonctionnel

Le débat public mélange souvent plusieurs indicateurs. Selon l’IBGE, via la PNAD Contínua Educação, le Brésil compte en 2024 environ 9,1 millions de personnes analphabètes âgées de 15 ans ou plus, soit 5,3 % de la population, le niveau le plus bas depuis 2016.

Mais l’analphabétisme fonctionnel relève d’une autre mesure. Le Sénat reprend la définition de l’Unesco : « Il concerne des personnes qui reconnaissent les lettres et les chiffres, mais ne parviennent pas à comprendre des textes simples ni à utiliser la lecture et l’écriture dans la vie quotidienne. »

Sur ce terrain, l’Inaf alerte. Une communication relayée par l’UNICEF Brésil indique que 29 % des 15-64 ans restent en situation d’analphabétisme fonctionnel en 2024, au même niveau qu’en 2018. Chez les 15-29 ans, l’indicateur progresse : 14 % en 2018, 16 % en 2024. 

Bibliothèques, école, politiques publiques : pistes débattues

Au Sénat, ces données nourrissent les discussions sur les politiques culturelles et éducatives. Le sénateur Confúcio Moura résume la situation : « Des millions d’élèves vont à l’école, mais n’atteignent pas le niveau minimum attendu. » Il ajoute : « Cet effondrement silencieux et persistant accentue les inégalités et compromet l’avenir du pays. » 

Rádio Senado mentionne plusieurs axes législatifs étudiés, dont une Politique nationale de lecture et d’écriture, avec renforcement des bibliothèques publiques et valorisation des bibliothécaires, ainsi qu’une Politique nationale du livre incluant un prix unique temporaire après lancement ou importation. 

Dans l’enquête Retratos, la lecture se pratique d’abord à domicile : 85 % des lecteurs déclarent lire chez eux, tandis que la salle de classe recule comme lieu principal de lecture déclarée, à 19 %.

 

[Photo : iStock - source : www.actualitte.com]

 


81 artisti chiedono al Festival di Berlino di prendere posizione su Gaza

Tilda Swinton, Javier Bardem, Adam McKay e Mike Leigh tra i firmatari di una lettera che chiede la condanna dei crimini di guerra contro i palestinesi e il boicottaggio culturale di Israele. E intanto Ethan Hawke...

Berlinale Palast - Erik Weiss / Berlinale 2022

Philip Roth e la genesi di uno scrittore

La Capa. Ama le imprese, meglio se grandi e ancora da fare, e i racconti, meglio se brevi e americani. È una Gemelli e tende a farlo notare.


di Maria Di Biase

In un pomeriggio di aprile del 1959, Philip Roth era più impaziente del solito. Tre volte uscì di casa per raggiungere l’edicola sulla Quattordicesima Strada e trovare il nuovo numero del New Yorker; tra quelle pagine c’era Defender of the faith, il secondo racconto che aveva scritto, il primo pubblicato da una rivista importante. In quel periodo Roth aveva lasciato sua moglie Josie, si era trasferito nel Lower East side e aveva deciso che avrebbe provato a vivere soltanto della sua scrittura.

Defender of the faith è una storia ambientata sul finire della Seconda guerra mondiale. Il protagonista è Nathan Marx, un sergente ebreo che nel maggio del ’45 viene rispedito negli Stati Uniti per dirigere una compagnia di addestramento a Camp Crowder, nel Missouri. Alcuni soldati cercano di ottenere dei favori dal nuovo sergente sfruttando la comune ebraicità. Uno su tutti: la recluta Glossbart, un diciannovenne subdolo e bugiardo che mette in atto ogni stratagemma possibile per ottenere ciò che vuole. Il sergente Marx sarà costretto a prendere una decisione drastica per mettere in riga il soldato.

Defender of the faith scatenò reazioni violente presso la comunità ebraica, diventò tema di discussione nei sermoni dei rabbini, nei confronti familiari, in ogni dibattito universitario. Roth fu chiamato a rispondere di quel testo outrageous di fronte agli esponenti dell’Anti-Defamation League e a difendersi dalle accuse con articoli e interventi pubblici. Forse perché era il primo racconto che trattava l’argomento senza moralismo, forse perché era il primo racconto che trattava l’argomento su una rivista come il New Yorker (il direttore di allora era l’ebreo William Shaw. Tra i collaboratori ebrei del tempo il giornale vantava scrittori del calibro di J. D. Salinger). Centinaia di lettere di protesta invasero la redazione: il racconto era un attentato alla dignità degli ebrei. Philip Roth guadagnò l’appellativo di scrittore controverso e venne accusato di utilizzare la letteratura per dar libero sfogo alla sua inclinazione antisemita.

Roth non riusciva a capire: Defender of the faith era un’opera di fantasia e come ogni opera di fantasia attingeva dalla realtà senza mai raccontarla davvero. Perché doveva subire un trattamento del genere? Era possibile? Soprattutto: era giusto? Che colpa ne aveva lui se alcuni ebrei si erano riconosciuti nei difetti del soldato Glossbart?

Non tardai a capire che per odio di sé si intendeva una ripugnanza interiorizzata, ma non necessariamente consapevole, per i segni riconoscibili del proprio gruppo che culmina o in una serie di sforzi quasi patologici per espungerli o nella brutale denigrazione di coloro che ne sono così ignari da non provarci nemmeno.

La comunità intravide in quel racconto una mancata sensibilità per la sofferenza del popolo ebraico. Quale sofferenza, si chiedeva Roth. A dispetto dei divieti imposti dalla religione, i ragazzi sentivano sotto la pelle la stessa eccitazione dei loro coetanei, l’emozione di crescere nel più grande paese della terra. Gli ebrei americani non erano gli ebrei europei. Il peso di un passato che alcuni sentivano di portare addosso era solo l’ombra di un fantasma che nessuno aveva mai visto. Nelle scuole, nei campus, i giovani ebrei vivevano da veri americani, e questo era sotto gli occhi di tutti. Se c’era qualche differenza era da ricercare nello spirito, non in ciò che distingue un cattolico da un ebreo, ma un essere umano dall’altro.

Defender of the faith fu incluso nella raccolta Goodbye, Columbus e nel 1960 Roth vinse il National Book Awards. La polemica aveva attirato interessi, acceso discussioni e spinto il racconto più di quanto sarebbe successo se fosse stato scritto da qualcun altro. Roth presentò il libro in diverse occasioni, sia in America che in Europa. I suoi interventi erano brillanti, autoironici ma misurati; sapeva di avere a che fare con un pubblico pronto a scaldarsi al momento opportuno. Nel 1962 accettò di partecipare a un incontro organizzato dalla Yeshiva University di New York. Anche se il titolo della conferenza lo lasciava un po’ perplesso, La crisi di coscienza dei narratori delle minoranze, sapeva che declinare l’invito di una scuola ebrea ortodossa sarebbe stato considerato un affronto, l’ennesimo che gli avrebbero attribuito. Non aveva scelta ma si sentì rassicurato dal fatto che non sarebbe stato solo; insieme a lui erano stati invitati gli scrittori Ralph Ellison e Pietro Di Donato. Per i primi venti minuti i tre si presentarono al pubblico con alcune dichiarazioni introduttive sulla propria carriera. Roth aveva scritto il suo discorso per evitare che l’ansia del momento gli facesse dire cose che potevano essere fraintese. Conclusi gli interventi, il moderatore prese la parola e, quasi ignorando gli altri due, si rivolse a Roth e chiese: «Signor Roth, lei scriverebbe gli stessi racconti che ha scritto se vivesse nella Germania nazista?». Roth si rese conto che qualsiasi cosa avrebbe detto non avrebbe avuto importanza perché il processo era cominciato. Il pubblico fu chiamato a intervenire e lo scrittore capì che quel fervore non era dovuto soltanto a un giudizio negativo sulla sua scrittura: quella gente lo odiava sul serio. Il suo corpo reagì in modo inaspettato; avvertì un senso di profonda spossatezza, come uno stato d’incoscienza. Ralph Ellison condivideva la stessa posizione intellettuale di Roth e dopo trenta minuti di attacchi trasversali, sentì il bisogno d’intervenire per difendere il collega e spegnere gli animi. Il moderatore ringraziò gli scrittori e dal pubblico partì un applauso poco spontaneo. Roth cercò di allontanarsi ma venne circondato dalla cellula più ostile della folla che lo costrinse in una morsa di imprecazioni e insulti. «Fate largo, me ne vado!».

Era arrabbiato, così arrabbiato che promise a se stesso che non avrebbe scritto una parola in più sugli ebrei. Ma in quel giorno, che nella sua autobiografia [1] ricorda come uno dei più duri della sua vita, Roth aveva scoperto anche che l’aggressività che accompagnava il tema dell’autodefinizione ebraica era un magma inesauribile, una fonte d’ispirazione che non avrebbe potuto ignorare.

Dopo un’esperienza come la mia alla Yeshiva, bisognava che uno scrittore non fosse affatto uno scrittore per andare a cercare altrove qualcosa di cui scrivere. L’umiliazione che avevo subito davanti ai bellicosi spettatori della Yeshiva – anzi, la rabbiosa opposizione ebraica che avevo suscitato praticamente dall’inizio – fu l’occasione più fortunata che potessi avere. Ero marchiato a fuoco.

«Fanatica sicurezza, fanatica insicurezza» era questo il dramma degli ebrei d’America, lo stimolo che spinse Roth a creare Nathan Zuckerman, il suo alter ego, a scrivere Pastorale americana (Pulitzer per la narrativa nel 1998). A diventare quello che è oggi: uno dei più grandi rappresentanti della letteratura ebraico-americana nel mondo.


[1] Philip Roth. I fatti: autobiografia di un romanziere. Einaudi editore, 2013. Traduzione di Vincenzo Mantovani (pp. 118-136).

[Foto: Darius Anton - fonte: www.treracconti.it]

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Francesca Albanese et la bassesse des puissants

La rapporteuse des Nations unies sur les droits de l’homme dans les territoires palestiniens occupés, Francesca Albanese, se trouve une fois encore exposée à une campagne politique qui la prend pour cible. Francesca Albanese apparaît aux puissants comme un cauchemar : une femme affranchie de la peur, qui défend les droits des faibles face à l’autorité des protégés. 

 

Écrit par Ziad Majed

Politiste franco-libanais, professeur universitaire 

La rapporteuse des Nations unies sur les droits de l’homme dans les territoires palestiniens occupés, Francesca Albanese, se trouve une fois encore exposée à une campagne politique qui la prend pour cible, à la fois comme personne, comme incarnation d’une éthique juridique, et comme position indépendante, refusant toute transaction au rabais avec le droit international et les exigences qu’il impose s’agissant des Palestiniens et des crimes israéliens perpétrés à leur encontre.

Cette nouvelle offensive contre l’avocate italienne - devenue, depuis le début de la guerre génocidaire à Gaza, l’une des voix les plus audibles dans la documentation des violations et l’imputation des responsabilités - s’édifie sur la falsification d’une intervention enregistrée qu’elle avait adressée au Forum Al Jazeera, récemment tenu à Doha. Elle y participait (par vidéo préenregistrée) à une séance intitulée « La question palestinienne : défis et opportunités de la mise en cause des responsabilités et de la primauté du droit », aux côtés de Fatou Bensouda, ancienne procureure de la Cour pénale internationale, et d’autres juristes et défenseurs des droits.

Dans son propos, Albanese évoquait un système mondial où s’entrelacent et se renforcent des intérêts économiques et politiques, au détriment des droits et de la loi, et qui a rendu possible, et rend encore possible, le génocide en cours à Gaza. Elle considérait ce système comme un ennemi commun de l’humanité. La manipulation, ou plutôt la falsification politique, a consisté à tronquer sa vidéo, à en retrancher quelques mots, puis à la rediffuser de manière à donner l’impression que, lorsqu’elle parlait d’« ennemi de l’humanité », elle visait directement Israël. 

À partir de là, la campagne s’est emballée en France, sous l’impulsion de la députée de la huitième circonscription des Français de l’étranger, Caroline Yadan, connue pour son alignement total sur Tel-Aviv, au point que certains vont jusqu’à la qualifier de représentante de Benyamin Netanyahou au Parlement français. Yadan a publié l’extrait tronqué sur les réseaux sociaux et l’a présenté comme une preuve suffisante pour accuser Albanese d’antisémitisme et d’incitation à la haine contre Israël. Plusieurs députés de droite ont emboîté le pas ; des journalistes de médias divers ont relayé leur falsification ; puis le ministre français des Affaires étrangères, Jean-Noël Barrot, a repris cette posture avec une désinvolture et une irresponsabilité rarement atteintes à ce niveau, sans même solliciter l’un des membres de son équipe au Quai d’Orsay pour vérifier les faits avant d’en faire un sujet public.

 

Poussant la légèreté jusqu’à l’inconcevable, il en est venu à réclamer la démission d’Albanese, ou sa révocation. Plus grave encore : alors que des médias et des journaux — à commencer par Le Parisien et la chaîne France 24 — appuyés sur des services de vérification, avaient démenti ce qui lui était attribué, puis que le porte-parole du ministère avait reconnu la manipulation et l’erreur, sans excuse ni véritable retrait, les ministres des Affaires étrangères d’Allemagne, de Hongrie et de République tchèque se sont joints à la campagne et ont, à leur tour, exigé sa destitution. Il faut rappeler, pourtant, que le Conseil des droits de l’homme des Nations unies a renouvelé son mandat jusqu’en 2028.


Réprimer le droit international et ceux qui s’en portent garants

Ce n’est pas la première fois qu’Albanese subit des campagnes d’hostilité et des accusations orchestrées par la propagande israélienne et ses relais en France, et plus largement en Europe. Elle a été visée à répétition après chacun des rapports qu’elle a publiés, en tant que rapporteuse onusienne, sur le crime de génocide à Gaza. Et parce qu’elle a su s’imposer, sur les plans juridique et médiatique, dans une grande partie du monde, en fédérant l’attention de millions de personnes — notamment parmi les étudiants des universités occidentales — elle se trouve désormais exposée à deux catégories d’attaques. La première, menée directement par Israël, ses alliés et ses agents, vise à discréditer tout ce qu’elle entreprend et tout ce qu’elle dit, et à ruiner sa réputation. La seconde émane de responsables politiques occidentaux : tantôt acquis à Israël, tantôt silencieux devant ses crimes, tantôt tétanisés par la peur de s’y opposer ; tous sidérés de voir une femme italienne défendre un droit international et des principes humains qu’ils entendent étouffer dès lors qu’il s’agit de victimes palestiniennes, ou redoutant de prononcer ce qu’elle prononce, et s’en prenant à elle avec d’autant plus d’acharnement qu’elle met à nu leur lâcheté et leur indignité. 

Albanese a d’ailleurs été récemment frappée par des sanctions étatsuniennes imposées par l’administration de Donald Trump, de la même manière que les sanctions ont visé la Cour pénale internationale, son procureur et trois de ses juges (dont un Français), pour avoir émis deux mandats d’arrêt pour crimes de guerre et crimes contre l’humanité à l’encontre du Premier ministre israélien et de son ancien ministre de la Défense. Dans le cas d’Albanese, la raison des sanctions trumpiennes tient, pour l’essentiel, à son rapport consacré aux dimensions économiques et utilitaristes du génocide, ainsi qu’à la participation de multinationales au financement de ce génocide ou à l’accumulation de profits tirés de sa prolongation.

Mais ce que disent ces sanctions étatsuniennes - et, sciemment ou non, la campagne de certains responsables européens contre Albanese - c’est l’énoncé le plus net, aujourd’hui, de la nouvelle équation qui s’installe à Washington : renverser toute norme et neutraliser toute institution internationale susceptible de contraindre la liberté de tuer dans n’importe quel « conflit » où les États-Unis, ou leur alliée Israël, se trouvent impliqués, et réduire l’ensemble du système onusien à une architecture sans autorité, fût-elle symbolique, dès lors que ses références et ses décisions contredisent les penchants et les positions étatsuniennes.

 

Epstein, ou l’éthique du capitalisme et de la domination masculine

Au moment même où la campagne contre Albanese se déployait, le monde suivait la publication autorisée d’épisodes de l’affaire Jeffrey Epstein, qui exposent au grand jour le degré de déchéance ayant rassemblé des responsables politiques, des membres de familles royales, des entrepreneurs, des hommes d’affaires d’Amérique et d’Europe, aux côtés de criminels comparables venus d’autres continents, tous associés dans des délits financiers et sexuels. Ils se dérobent à l’impôt par l’évasion et la fuite des capitaux ; ils violent des adolescentes, ou des femmes à qui l’on a promis un travail et un avenir que des criminels et criminelles influents, en quête de davantage de pouvoir et de postes, les leur acheminent vers leur fameuse île des Caraïbes. Certains entretiennent des liens avec des agents de renseignement, des diplomates et des faiseurs d’opinion appartenant à ce « club des puissants » habitué à l’impunité. Et Epstein, bien souvent, les relie à des entreprises ou à des personnalités israéliennes, ou proches de Tel-Aviv, dans des montages où l’on perçoit sans peine l’enchevêtrement de la politique, des intérêts financiers et d’une corruption mondialisée.

Si l’on retient de l’affaire Epstein le tableau d’un capitalisme déchaîné, soustrait à tout cadre juridique capable d’en contenir la prédation, et s’alliant à la domination masculine, à la culture du viol et au sentiment d’impunité face aux abus, à l’arbitraire, à la violence et au crime, alors la comparaison devient possible entre ce qui s’est produit sur l’île du milliardaire américain — où il n’existe d’autre loi que celle du plus fort — et ce qui s’est produit dans la guerre d’extermination à Gaza. De même, la comparaison devient possible entre la complicité, pendant des décennies, des puissants du monde avec Epstein et ses partenaires, et la complicité récente avec les crimes israéliens à Gaza, au fil des mois et des années.

Or, tout cela, ou même la réflexion qu’il appelle sur l’éthique d’un monde où l’on cherche à marginaliser les institutions juridiques, à sanctionner les instances de défense des droits, à interdire l’enquête sur les crimes et les violations, n’a manifestement pas retenu l’attention des ministres des Affaires étrangères de France et d’Allemagne, ni de leurs homologues. Pas davantage ne les avait émus, auparavant, l’assassinat de dizaines de milliers d’enfants et de femmes, ni la chasse menée contre celles et ceux qui cherchaient de la farine et de l’eau potable à Gaza. Ces victimes étaient des faibles, à un moment où les puissants ne se soucient que de ceux qui leur sont supérieurs en puissance : ceux qui, plus qu’eux, peuvent violer les lois et s’en affranchir.

C’est précisément pour cela que Francesca Albanese leur apparaît comme un cauchemar : une femme affranchie de la peur, qui défend les droits des faibles face à l’autorité des protégés. Elle agit avec assurance malgré les sanctions. Dans ses rapports, elle défie un dispositif global de domination, qui n’est pas sans rappeler celui d’Epstein. Elle alimente une colère et une lucidité au sein d’une génération nouvelle, en Europe et ailleurs, à laquelle les partisans de l’impunité israélienne absolue refusent d’accorder une voix et une capacité d’influence sur la décision politique. C’est ainsi que se déchaînent contre Albanese campagnes et sanctions.

Ses détracteurs ne répondent jamais au fond de son travail ni à la teneur de ses propos : le droit international et son respect en Palestine occupée, l’application des résolutions des Nations unies, les recommandations de la Cour internationale de Justice, ainsi que les mandats d’arrêt de la Cour pénale internationale. Leur véritable objet - et l’ironie est lourde de sens - consiste à répliquer à ce qu’elle n’a pas dit, à s’en prévaloir pour réclamer sa révocation, alors même que l’on vise, en réalité, ce qu’elle dit bel et bien et répète depuis des années, et qui est parfaitement établi.

Comme si nous étions face à un ordre qui a permis à Epstein et à ses complices de commettre leurs crimes, et à Israël de mener son génocide, puis qui juge une rapporteuse onusienne parce qu’elle n’a pas choisi, comme eux, le silence, ou parce qu’elle n’a pas cherché à se fondre dans le club des puissants. 

D’où la nécessité d’affirmer aujourd’hui, sans la moindre hésitation, que soutenir Albanese face à la campagne dont elle est la cible est un devoir qui dépasse toute relation avec elle, ou avec sa personne, et même l’estime pour sa probité et son courage en ce qui concerne la Palestine. C’est un soutien à ce qui subsiste encore de droits et de principes, refusant de plier devant la logique de la brutalité, du chantage, de la falsification et du crime organisé, à l’heure même où le monde est conduit par un homme du type de Donald Trump et par d’autres anciens amis d’Epstein.

 

Une version de ce texte est parue en arabe dans le quotidien Al-Quds Al-Arabi

[Photo : Fabrice Coffrini / AFP - source : www.mediapart.fr ]