quinta-feira, 26 de março de 2026

Portal dedicado a Camões não terá muitos comparáveis no mundo e será «referência» para investigadores

Camões Lab será dinâmico e primeiros resultados ficarão acessíveis até julho, diz José Augusto Bernardes, comissário-geral da estrutura de missão para as comemorações dos 500 anos do poeta.

José Augusto Bernardes, comissário-geral da estrutura de missão para as comemorações do V Centenário do Nascimento de Luís de Camões

Escrito por Carla Alves Ribeirocláss

Será um portal de referência, com validação científica, para o conhecimento da obra de Camões, dos estudos sobre Camões e das recriações da sua obra nas artes. O Camões Lab é apresentado esta segunda-feira, 23 de março, à tarde, na Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra.

Trata-se de uma iniciativa da Universidade de Coimbra que a estrutura de missão para as comemorações do V Centenário do Nascimento de Luís de Camões incorporou no seu programa, "em lugar destacado", sublinha José Augusto Bernardes, comissário-geral da estrutura de missão, em entrevista por escrito ao DN.

O projeto "ambicioso", diz, terá várias vertentes, destacando-se "os textos anotados (em versão XML), verbetes originais, construídos expressamente em registo de compêndio, imagens e propostas pedagógicas (utilizáveis em diferentes níveis de ensino)". As diferentes partes do portal deverão ficar acessíveis até 2027 e a partir dessa data "o projeto entrará em fase de laboratório, ou seja, em fase de ajustamento dinâmico e regular", adianta o professor, catedrático da Faculdade de Letras de Coimbra.

A três meses do final das comemorações dos 500 anos de Luís de Camões, José Augusto Bernardes diz que "ainda é cedo para fazer balanços", mas considera que têm permitido "pensar em Camões de forma renovada, quer na Academia, quer no espaço cívico, em geral".

A sessão de encerramento das comemorações que tiveram início oficial no dia 10 de junho de 2024 decorrerá no dia 10 de junho deste ano com a estreia da ópera Relicário Perpétuo.

Este portal dedicado a Camões é uma iniciativa da Universidade de Coimbra? Qual foi o papel da Estrutura de Missão neste projeto?

Trata-se de um projeto da Universidade de Coimbra, que a Estrutura de Missão acolheu e incorporou no seu programa, em lugar destacado.

O portal será gerido pela Universidade?

A criação e a gestão do portal ficará a cargo da Universidade, que possui experiência demonstrada para exercer essa função. Para além do plano técnico, o projeto implica algo que valorizamos muito. Refiro-me ao escrutínio científico. Num tempo em que a internet acolhe conteúdos sem qualquer tipo de validação, é essencial que passe a existir um "sítio" de confiança. Para além do grau de acessibilidade e da variedade articulada de informação que passa a estar disponível, a fiabilidade e o critério são, a meus olhos, a marca mais importante deste projeto. Ora, essa marca só pode ser assegurada por uma instância onde se produz conhecimento científico.

Como é financiado o portal?

Pelos meios logísticos e humanos que envolve, e pelas obrigações que cria para o futuro, estamos perante um empreendimento relativamente oneroso [225 mil euros, com apoio mecenático de 200 mil]. Para além do apoio direto da Estrutura de Missão, estão assegurados apoios substanciais de três entidades: a Fundação La Caixa, a Fundação Calouste Gulbenkian, a Universidade de Macau (através de uma das suas fundações) e a Imprensa Nacional/Casa da Moeda. Os meios que resultam desta conjugação são suficientes para assegurar o lançamento e a manutenção do projeto. Mas representam, ao mesmo tempo, a concretização de um princípio que a Estrutura de Missão sempre procurou levar à prática: mobilizar e congregar em torno de Camões, na origem das iniciativas e no seu impacto.

Em que data estará acessível?

O projeto encontra-se numa fase inicial. Por ter um carácter dinâmico e faseado, espera-se que os primeiros resultados possam ficar acessíveis até ao final de junho, coincidindo com o termo oficial das comemorações. Até 2027, deverão ficar acessíveis as diferentes partes do portal. A partir dessa data, o projeto entrará em fase de laboratório, ou seja, em fase de ajustamento dinâmico e regular.

Qual é a importância deste projeto? Houve algum modelo internacional que foi seguido?

Estamos perante um projeto ambicioso, que envolve várias vertentes. De entre essas vertentes, destacam-se os textos anotados (em versão XML), verbetes originais, construídos expressamente em registo de compêndio, imagens, propostas pedagógicas (utilizáveis em diferentes níveis de ensino), etc.  Não existem muitas realizações comparáveis. Podem referir-se os portais dedicados a William Blake e Samuel Beckett (embora estas se limitem ao plano das edições).

Em Portugal, a matriz mais próxima é o projeto sobre O livro do desassossego, desenvolvido justamente por uma equipa liderada pelo professor Manuel Portela, atual diretor da Biblioteca Geral. Ele e o professor Delfim Leão, vice-reitor para a ciência aberta, têm sido os nossos interlocutores mais diretos e desempenham um papel decisivo neste projeto.

Que impacto poderá ter este portal na divulgação e estudo da obra de Camões e da própria língua portuguesa?

Esse é um dos principais objetivos do portal. Nele ficarão acessíveis materiais cientificamente validados, ao dispor de estudiosos mas também de interessados e de curiosos. Acredita-se e pretende-se que o Camões Lab possa vir a constituir a referência de consulta para investigadores. De forma especial, penso nas gerações mais novas, em Portugal, no Brasil e em muitos outros países, onde Camões continua a suscitar o interesse de pesquisadores. Os jovens investigadores (o camonismo necessita muito de renovação e aprofundamento) podem passar a aceder a materiais que antes se encontravam dispersos ou não tinham a indispensável certificação de fiabilidade. Penso ainda na utilidade que o portal pode vir a ter para quem ensina Camões no estrangeiro, nas cátedras, nos leitorados, nas escolas portuguesas espalhadas pelo mundo.

Dará aos professores ferramentas para tornar o estudo do poeta pelos mais jovens mais apelativo?

O Camões Lab terá uma forte componente formativa e pedagógica. Espera-se, sobretudo, que as ditas ferramentas possam servir para aumentar o gosto e o entusiasmo pela figura e pela obra de Camões. Sabemos bem que estes dois requisitos são essenciais para ensinar e aprender quaisquer matérias. No caso de Camões essa importância é reforçada. Afinal, falamos de um autor que, tendo nascido há 500 anos, por qualquer razão se manteve em lugar cimeiro, no nosso espaço cívico e na nossa memória coletiva. O desafio parece claro: manter vivo esses mesmos gosto e entusiasmo, recorrendo a meios de comunicação e difusão que o nosso tempo permite.

Estará aberto a contributos noutras línguas?

Sem dúvida. O portal terá como idioma de base a língua portuguesa mas não poderá ignorar a necessidade de expandir o conhecimento internacionalizado sobre Camões.  Julgo que o Camões Lab pode ajudar bastante na concretização do objetivo de internacionalizar a figura e a obra de Camões: dando-o a conhecer, desde logo, e inscrevendo-o, de forma adequada, na grande constelação dos clássicos mundiais.

Portal é um projeto "ambicioso", diz José Augusto Bernardes

Como presidente da Estrutura de Missão para as Comemorações do V Centenário do Nascimento de Luís de Camões, que balanço pode fazer do trabalho desta estrutura até ao momento?

A três meses do termo das comemorações, é cedo para fazer balanços. Até porque existem ainda projetos em curso, nos quais depositamos muitas esperanças. Existem mesmo outros, que, não estando inicialmente previstos, foram surgindo, por lembrança ou iniciativa de autarquias, associações culturais ou académicas.

De qualquer modo, e a título pessoal, atrevo-me a antecipar que as comemorações têm permitido alcançar objetivos importantes: pensar em Camões de forma renovada, quer na academia, quer no espaço cívico, em geral. Contribuíram também, para através de Camões, pensarmos na escola e nos seus desafios: Camões é ensinado há muitos anos e nós achamos que essa presença deve ser mantida. Porém, o perfil sociológico dos alunos (e também dos professores) mudou imenso nos últimos anos, reclamando talvez ajustamentos, em termos de atitude, de método ou talvez mesmo de objetivos e conteúdos. Camões foi não apenas um poeta mas um defensor do valor da poesia. Através dele e da sua obra, temos tentado combater a ideia (tão errada) de que a poesia é coisa frívola ou dispensável. Camões tem sido pretexto (fundamentado) para pensar no valor da palavra, na poesia e na arte em geral, e no papel que elas podem ocupar na nossa vida pessoal e coletiva.

Quando levamos Camões a Braga, a Setúbal, a Leiria, a Trancoso, a Portalegre, a Évora, a Tavira (e havemos de levar a Arganil, a Constância, a Miranda do Douro e onde as nossas possibilidades o consentirem) não levamos apenas a lembrança vaga e convencional do poeta, mas também palavras dele, que ainda nos tocam. E levamos ainda arte, inspirada pela sua criação: música e teatro, sobretudo.

Agrada-me muito sublinhar que estas iniciativas contam sempre com a parceria de câmaras, associações de cultura e recreio, comunidades académicas, universidades seniores, etc. Somos sempre recebidos com sentido de participação. Nesse sentido, posso dizer, que, muitas vezes, recebemos bem mais do que levamos.

Quais são as principais iniciativas previstas para os próximos meses?

Até ao final das comemorações, haverá ainda um conjunto grande de iniciativas. Destaco congressos e exposições. Depois de terem já convergido em Coimbra, na Ilha Terceira e em Braga, Camonistas de todo o mundo vão convergir no Porto (abril) e em Lisboa (junho). O objetivo é reunir quem se dedica (e, por vezes, dedica-se ao longo de uma vida inteira) a estudar Camões, fazer o ponto da situação dos estudos camonianos e ajustar a sua agenda.

No dia 5 de maio (dia da Língua Portuguesa) serão inauguradas duas grandes exposições camonianas na Biblioteca Nacional de Portugal e, em outubro, outra (igualmente grandiosa) na Biblioteca Nacional de Espanha. Lançaremos o primeiro volume das Obras Anotadas de Camões, um sonho de gerações que vai levar o texto do poeta a um maior número de leitores e que só foi possível graças à colaboração de vastas equipas de estudiosos de Camões.

Haverá espetáculos musicais e teatrais por todo país (com destaque para os territórios de baixa densidade), campanhas de divulgação artística em meios de transporte público (com destaque para a Metro de Lisboa e do Porto)

Haverá cerimónias e implantação de bustos camonianos nas cidades de língua oficial portuguesa (Macau, Díli, Praia, Bissau, Luanda, Maputo, etc.), em parceria com a UCLA.

E haverá livros (muitos livros) promovidos ou apoiados pela Estrutura de Missão. Acreditamos muito no valor do livro e, sem prejuízo de outros suportes, tudo temos feito para reabilitar a sua importância. Promovemos e apoiamos livros novos. Compramos e distribuímos livros camonianos por escolas e bibliotecas públicas.

Quando vai estrear a ópera com música de Luís Tinoco e libreto de Luísa Costa Gomes?

A estreia da ópera a que se refere [Relicário Perpétuo] está prevista para o dia 10 de junho de 2026 no Teatro Nacional de S. Carlos, em Lisboa, na sessão de encerramento das comemorações do V Centenário do Nascimento de Luís de Camões.

 

[Fonte: www.dn.pt]

 

Les illes Fèroe voten sota l’ombra de Rússia i amb la independència al centre del debat

La ruptura del govern coincideix amb l’augment de la tensió al nord d’Europa i amb un debat creixent sobre el futur polític de l'arxipèlag

Escrit per Alexandre Solano  

Les illes Fèroe van votar dimarts en les eleccions generals daneses. Avui, dos dies més tard, tornen a les urnes en unes eleccions anticipades al parlament de l’arxipèlag convocades arran d’una crisi interna que n’ha fracturat el govern. Malgrat que fa pocs anys una votació en aquestes illes situades a mig camí entre Islàndia, Escòcia i Noruega –amb poc més de 50.000 habitants– hauria passat força inadvertida, ara concentra una part significativa de l’atenció internacional. 

No solament hi ha en joc la composició del parlament, sinó també la relació amb Dinamarca i la capacitat de governar-se en un moment en què el nord de l’Atlàntic ha deixat de ser perifèria per a esdevenir centre. El resultat, de fet, difícilment passarà per alt als gabinets polítics de Donald Trump, de Vladímir Putin o de la Unió Europea.  

Eleccions anticipades: la crisi que ho ha accelerat tot   

El primer ministre feroès, Aksel V. Johannesen, va anunciar el 25 de febrer que avançava les eleccions admetent que la confiança dins la coalició “gairebé havia desaparegut”. La coalició sortint –formada pel Partit Socialdemòcrata, els republicans d’esquerres del Partit Republicà i els liberals de Progrés–, que tenia una majoria ajustada de 18 escons de 33, governava d’ençà del 2022, però havia arribat al tram final profundament erosionada.  

La tensió interna no era nova, però aquestes últimes setmanes havia estat insostenible, tant per divergències ideològiques com per disputes concretes sobre projectes estratègics i reformes socials. El detonant va ser una sessió parlamentària especialment tensa: s’hi va aprovar la planificació d’un túnel submarí clau per a la connexió interna de l’arxipèlag i va quedar en l’aire la reforma de l’edat de jubilació. Dos projectes que divideixen clarament el govern. 

Les enquestes pronostiquen que hi pot haver un canvi d’equilibri polític. Segons un sondatge publicat dilluns per a la televisió pública feroesa, el conservador Partit del Poble –principal partit de l’oposició– passarà a ser la primera força, amb un 27,7% dels vots i 9 escons, tres més que a les darreres eleccions. Al mateix temps, el Partit Unionista, l’únic partit clarament partidari de formar part de Dinamarca, també a l’oposició, mantindrà segons l’enquesta els 7 escons que ja tenia. 

Per contra, el partit del primer ministre experimentarà una davallada significativa fins al 17,8% dels vots i obtindrà 6 escons (tres menys que ara), i els seus socis de govern es mantindran o retrocediran lleugerament, cosa que posaria el bloc governamental en clares dificultats. Tot i això, hi ha un element clau del sistema feroès: la fragmentació. No hi ha cap partit que s’acosti a la majoria absoluta –establerta en 17 escons del Løgting– i, per tant, qualsevol govern haurà de ser de coalició.  

Això obre unes quantes possibilitats: des d’un govern encapçalat pels conservadors amb suport unionista fins a combinacions més transversals que tornin a barrejar partits de sensibilitats diferents, com ja ha passat en legislatures anteriors. Així, les eleccions són un moment de redefinició. El sistema polític feroès entra en una fase de reconfiguració i aquesta vegada no es tracta solament d’una alternança entre partits, sinó també d’una possible reordenació de blocs, aliances i prioritats.   

Un consens nou: del debat congelat a l’obertura d’un procés   

Un dels canvis més significatius del panorama polític feroès –i clau per a entendre aquestes eleccions– és que el debat sobre l’estatus polític ha deixat de ser patrimoni exclusiu dels partits més independentistes i ha passat a ocupar un espai molt més transversal. El punt d’inflexió es pot situar el 2024. Fins aleshores, la qüestió havia quedat relativament desactivada durant dues dècades, amb un sistema polític més centrat en la gestió quotidiana i en equilibris pragmàtics amb Dinamarca. Però uns quants factors van reobrir el debat.  

El primer va ser el vet de Suècia i Finlàndia a la integració plena de les Fèroe al Consell Nòrdic. No s’hi discutia una qüestió tècnica, sinó el reconeixement mateix com a subjecte polític complet. En aquest context, es va produir un moviment notable: el Partit del Poble es va adherir a un acord per a explorar una redefinició del marc polític. Aquest moviment és especialment significatiu perquè no és un partit independentista clàssic, sinó que havia combinat sobiranisme i pragmatisme en la relació amb Dinamarca.  

No és una opció directa per la independència immediata, però sí un canvi de marc: l’statu quo deixa de ser intocable o fins i tot ha quedat obsolet. El fet que el partit s’afegeixi a aquest consens indica fins a quin punt el debat s’ha desplaçat. I es preveu que la qüestió s’haurà d’afrontar en la nova legislatura. Més enllà de la independència, han aparegut propostes com ara la lliure associació, la relació bilateral entre estats, una estructura de tres països dins el Regne de Dinamarca o una independència formal amb cooperació estreta amb Dinamarca.   

Ara com ara, el Partit Unionista continua essent l’únic partit clarament partidari de mantenir el vincle amb Dinamarca en els termes actuals. Però, fins i tot en aquest cas, el debat s’ha matisat: ha formulat obertament la possibilitat de revisar l’estructura del regne i ha defensat un model més igualitari en la relació amb Dinamarca.  

A l’altre extrem, el Partit Republicà manté una defensa explícita de la independència, però també ha adaptat el discurs cap a fórmules graduals i negociades. Entre aquests dos pols, la resta de partits –inclosos els socialdemòcrates i els liberals– es mouen en posicions intermèdies. El debat no es proposa com una ruptura immediata, sinó com un procés obert, amb múltiples opcions possibles. Aquest desplaçament del consens té conseqüències directes i, per primera vegada en molts anys, la qüestió nacional no és un tema lateral, sinó un dels eixos centrals de la campanya.  

Dinamarca, Rússia i la quadratura del cercle   

Les Fèroe disposen d’una economia robusta, basada sobretot en la pesca, i d’una capacitat notable de generar recursos propis. De fet, prop del 90% de les exportacions de l’arxipèlag es vinculen al sector pesquer, cosa que converteix el país en altament especialitzat, però també vulnerable a qualsevol alteració en aquest àmbit. Aquesta base econòmica els dóna marge polític real per a llançar propostes de més autonomia o fins i tot de sobirania formal.   

Però aquest marge té límits clars, estructurals. Un dels més evidents és la dependència d’infrastructures crítiques. Les Fèroe estan connectades al món per mitjà de molt pocs cables submarins, que sostenen pràcticament totes les comunicacions digitals i bona part de l’activitat econòmica. Aquesta fragilitat ha quedat exposada aquests darrers anys, amb incidents que n’han afectat les connexions –incloent-hi danys en cables que connecten amb Escòcia el 2022 i dues vegades més el 2025. En aquest context, el mateix govern feroès ha admès que, si aquestes connexions fallessin simultàniament, podrien quedar pràcticament incomunicats durant mesos.   

Al mateix temps, la política exterior econòmica ha afegit una capa de complexitat a la situació. Les Fèroe no formen part de la Unió Europea i han mantingut acords pesquers amb Rússia d’ençà del 1977, renovats anualment fins ara, malgrat la guerra d’Ucraïna. Aquests acords permeten a la flota feroesa de pescar en aigües russes –sobretot a la mar de Barentsz– i els vaixells russos, per la seva banda, poden navegar en aigües feroeses amb determinades condicions. Aquesta relació ha aixecat una forta controvèrsia interna i externa. D’una banda, el govern feroès ha defensat que es tractava d’una decisió pragmàtica: la pesca és un sector estratègic i els productes alimentaris no estan subjectes a sancions internacionals. I, d’una altra, el manteniment d’aquests acords ha estat vist com una contradicció amb el suport polític a Ucraïna i amb l’arrenglerament general amb Europa.   

La tensió ha augmentat encara més arran de sospites sobre activitats russes a la regió. En aquest context, el govern feroès va introduir matisos en la renovació de l’acord del 2026 i va vetar l’accés a les seves aigües, per exemple, a dues navilieres russes –Murman Seafood i Norebo– assenyalades per la UE per possibles activitats d’espionatge o de sabotatge. Tot plegat evidencia una tensió de fons: les Fèroe poden tenir capacitat econòmica per a sostenir-se, però la posició geogràfica, la dependència d’infrastructures crítiques i la inserció en xarxes comercials i de seguretat obliguen les illes a moure’s en un equilibri molt delicat. Per això, la qüestió no és solament si les Fèroe poden viure soles en termes econòmics, sinó també en quin sistema de connexions, seguretat i aliances es volen integrar.   

Les eleccions del 26 de març, i els pactes posteriors, no resoldran la qüestió de la sobirania, però sí que en fixaran el ritme. Determinaran qui governa en un moment de fractura interna, amb quin mandat es negocia amb Dinamarca i quina direcció pren un debat que ja no es pot ajornar. El resultat no dirà si les Fèroe seran independents, però sí que situarà la independència en l’horitzó polític immediat.  


[Font: www.vilaweb.cat]

quarta-feira, 25 de março de 2026

La Universitat de Perpinyà deixarà de fer el màster d'Estudis Catalans i Transfronterers

APLEC assegura que es "posa en risc" la continuïtat d'estudis superiors a la Catalunya del Nord

Façana de l'edifici principal de la Universitat Perpinyà Via Domitia 

La Universitat de Perpinyà deixarà d'oferir el màster d'Estudis Catalans i Transfronterers a partir del curs vinent. Es tracta dels únics estudis superiors que es fan en català dins del sistema universitari francès. L'anunci ha generat l'enuig de l'Associació per a l'Ensenyament del Català (APLEC), qui considera que "posa en risc" la continuïtat dels estudis superiors en aquesta llengua a la Catalunya del Nord. Consideren que si el tancament es porta a terme fragilitzaria la formació en català i, per tant, la capacitat de formar professionals docents i especialistes en llengua catalana.

La cancel·lació del màster d'Estudis Catalans i Transfronterers de la Universitat de Perpinyà ha provocat el rebuig de les entitats que defensen la llengua a la Catalunya del Nord. Consideren que aquesta decisió afecta la continuïtat dels estudis superiors en català en aquest territori i per això des de l'APLEC consideren que caldria "reforçar l'oferta universitària, la formació de professorat i la cooperació transfronterera".

De moment, l'Institut Francocatalà Transfronterer -que és la facultat d'estudis catalans de la Universitat de Perpinyà- ofereix una alternativa als estudiants afectats. Els proposa inscriure's provisionalment al nou màster M2E, un programa professionalitzador que està orientat específicament per a professors de català de l'educació secundària.

Des de l'APLEC animen als estudiants a contractar amb ells per informar-se de totes les opcions de continuïtat que tenen i les modalitats de funcionament que té el màster M2E (tant presencial, com telemàtic). A més, l'institut demana l'obertura d'un nou màster d'Estudis Catalans i Transfronterers adaptat a les necessitats actuals i que es pugui oferir a partir del curs acadèmic 2027-2028.


[Foto: UPVD - font: www.racocatala.cat]

La Germania sollecita Israele a rinunciare ai piani di offensiva di terra in Libano

 

Carri armati israeliani parcheggiati nei pressi del confine libanese il 14 marzo 2026.

Redazione di MEMO

Middle East Monitor

[L’agenzia di notizie] Anadolu riferisce che lunedì la Germania ha sollecitato Israele a rinunciare ai piani per una importante offensiva di terra in Libano, avvertendo che una simile operazione scatenerebbe una grave crisi umanitaria e di rifugiati.

Il portavoce del cancelliere Friedrich Merz ha detto ai giornalisti a Berlino che la Germania è “molto preoccupata” dagli ultimi sviluppi e supporta gli sforzi per far ripartire i colloqui tra Israele e il Libano

La situazione in questa parte della zona di guerra ci riempie di preoccupazione, mentre vediamo i preparativi per una importante offensiva di guerra israeliana”, ha affermato Stefano Kornelius. Ha avvertito che una simile offensiva peggiorerebbe drammaticamente le già disastrose condizioni umanitarie della zona.

Noi sollecitiamo i nostri amici israeliani di non prendere questa strada”, ha detto Kornelius. “Chiediamo anche a Israele di non attaccare obiettivi civili e la missione UNIFIL delle Nazioni Unite.”

Kornelius ha anche condannato la decisione di Hezbollah di ricominciare i combattimenti contro Israele a fianco dell’Iran, chiedendo al movimento di cessare immediatamente i suoi attacchi e di deporre le armi.

[Traduzione dall’inglese di Gianluca Ramunno - foto: Tsafrir Abayov – Anadolu Agenc riprodotto su www.zeitun.info]

Em França a insubmissão ganha garras

O sucesso eleitoral da França Insubmissa junto das classes populares e dos jovens evidenciou a distância entre a bolha mediática e os eleitores. 

Escrito por Andreia Galvão

Na última semana ocorreram as eleições autárquicas em França onde celebramos o crescimento eleitoral do partido irmão do Bloco, a França Insubmissa (LFI). Face à expectativa de um crescimento da direita e da extrema-direita, os resultados geraram alguma surpresa. Embora a extrema-direita tenha tido capacidade de “furar” algumas cidades (Nice), falhou alguns objetivos urbanos importantes (como Marselha). A direita ganhou muitas communes (algumas muito pequenas, do tamanho de freguesias portuguesas), como é visível no gráfico abaixo do Le Monde (o Le monde classifica os partidos associados a Macron como o centro, o que expressa a sua visão ideológica. Adicionando esse valor ao geral da direita, o resultado ascendia a 1853 communes).

Fonte: Le Monde

No entanto, a contagem de communes não é suficiente para entender a sensibilidade eleitoral (este modelo equipara pequenas vilas ou aldeias a cidades tão populosas como Paris). O gráfico abaixo permite visualizar melhor a distribuição. Note-se que a classificação do Le Monde posiciona o campo macronista como pertencente ao centro. No entanto, se considerarmos que este campo integra a direita e somarmos os seus valores a esse bloco, então a direita ultrapassaria a esquerda, atingindo um total de 12 536 988.

Porém, não é pouco significativo que Rashida Dati - candidata a Paris, da direita tradicional, anterior ministra da Cultura num governo escolhido por Macron, tenha perdido expressivamente, mesmo apoiada pela extrema-direita que desistiu a seu favor e num contexto em que era a única candidata das direitas, face a dois candidatos do campo mais vasto da esquerda, o que se poderia ter revelado uma vantagem para a antiga ministra.


Fonte: Le Monde

Foi a esquerda que os media identificaram como tendo resultados inesperados. Embora o Partido Socialista Francês tenha em geral aguentado (apesar de algumas perdas em Saint-Denis e Montreuil) foi o crescimento exponencial da LFI que chocou quem está na bolha político-mediática. Isto foi evidenciado na vitória histórica de Bally Baygayoko em Saint-Denis, maior município da periferia de Paris, logo na primeira volta, nas vitórias em locais como Montreuil - periferia de Paris - e Robaix -noroeste de Lille -  e também no crescimento exponencial em cidades como Lille e Marselha.

Estes resultados evidenciam que o partido está a conseguir disputar em territórios onde a extrema-direita (como o Rassemblement National) é bastante forte, mobilizando eleitorado semelhante em termos socioeconómicos (classes populares), mas com discursos diferentes. A esta estratégia alia-se a disputa de voto com o PS (à esquerda)- os resultados presidenciais de Mélenchon (19,6% no primeiro turno em 2017, muito próximo do bloco tradicional da esquerda e 22% em 2022) ocorreram em simultâneo com o forte declínio nacional do PS, sugerindo a migração do segundo partido para o primeiro.

A disputa entre a França Insubmissa e o Partido Socialista Francês tem sido constante e estruturante. Embora a LFI, em vários contextos, participe com os socialistas em frentes de bloqueio à extrema-direita, como foi o caso em Marselha, onde um candidato da esquerda radical chegou a retirar-se perante a recusa do PS em unir candidaturas, temendo uma maioria relativa da extrema- direita, o objetivo estratégico dos insubmissos vai além dessa cooperação tática: procura ultrapassar o PS, tanto social como eleitoralmente. Para a LFI, os socialistas são os herdeiros de uma tradição de compromisso com o poder, acusados de trair as classes populares e os valores da esquerda ao governar em convergência com forças liberais, nomeadamente os chamados macronistas. Esta situação ficou evidenciada na altura da Nouveau Front Populaire, a coligação eleitoral que juntava a França Insubmissa, os ecologistas, os comunistas e socialistas e que ganhou as últimas eleições legislativas mas a quem foi negado o direito de governar por Macron. No debate sobre o voto do Orçamento de Estado, proposto pelo governo de Macron em 2024 para o ano de 2025, as disputas começaram com as diferenças de reação ao orçamento - enquanto forças como a LFI defendiam uma oposição frontal ao orçamento, o PS praticou uma posição mais institucional de contribuição parlamentar, traindo os seus aliados e o que prometera aos seus eleitores. Isto foi interpretado pela esquerda radical como “jogar dentro das regras” de um sistema que queriam contestar. Face a tudo isto há uma ideia que sintetiza o projeto da França Insubmissa: rutura. Rutura com o sistema, sem compromissos.

O clima entre estes dois partidos esteve ao rubro antes das eleições. A morte do neonazi Quentin Deranque em Lyon, assassinado por elementos antifascistas que se defendiam de uma operação de emboscada preparada por uma milícia fascista, gerou um forte ataque à LFI, em particular à figura de Mélenchon. Foi criticada a posição do partido que, embora lamentando a morte, recusou-se a responsabilizar-se moralmente e a equiparar fascistas e antifascistas. O Partido Socialista Francês insistia na necessidade de um “cordão sanitário” em relação à LFI devido à sua posição sobre violência política, metendo assim a LFI ao mesmo nível que os partidos racistas e xenófobos como a União Nacional e o Reconquista.

Em simultâneo, os media antecipavam ansiosamente um impacto negativo nos resultados eleitorais da LFI, face a esta conjuntura. É importante referir que os media tradicionais estão em permanente combate contra os insubmissos. Exemplo disso é o facto de a candidata da LFI de Paris, Sophia Chikirou, não ter sido inicialmente convidada para o debate televisivo no canal BFMTV na segunda volta. Só o Grégoire, PS, e a Dati, direita, tinham sido convidados. Chikirou chegou inclusive a reclamar a ARCOM, que garante a pluralidade nos media.

Curiosamente, o jornal Público em Portugal repete a mesma narrativa no artigo de dia 23 de março de 2026 “A “onda de direita varre França, mesmo com a esquerda a conseguir as três maiores cidades”, apelidando o partido de esquerda radical como tendo entrado no “grupo dos partidos proscritos”. 

Esta diferença evidenciou a distância entre a bolha mediática e os eleitores. O sucesso viu-se particularmente nas classes populares e nos jovens. O enraizamento tático nas zonas mais empobrecidas de França disputou a narrativa de que estas regiões seriam eleitores inevitáveis da extrema-direita. Tal foi alcançado através do trabalho sistemático nas comunidades, através de estratégias como o porta a porta, distribuição de panfletos, envolvimento de membros da setor associativo nas listas às autárquicas, entre outras. Foi assim que se incubaram novas lideranças expressivas da diversidade da classe trabalhadora.

Foi também a crítica permanente ao regime de propriedade dos media e a impermeabilização a ataques mediáticos de setores cada vez mais alargados  que permitiu furar a bolha. Evidência que a coragem faz cultura foram os comícios cheios e eletrizantes durante a campanha.

Talvez não seja coincidência que seja precisamente em territórios populares, como Saint-Denis, Aubervilliers, Roubaix ou os bairros do norte de Marselha, que a França Insubmissa obtém os seus resultados mais expressivos, por vezes aproximando-se ou ultrapassando os 50% em intenção de voto. São particularmente relevantes estes resultados tendo em conta o facto de a LFI ter sido formada há cerca de dez anos.

O que podemos aprender com esta experiência?

É inútil replicar técnicas ou modelos sem uma análise crítica dos contextos, dos partidos e do país. Ainda assim, entre realidades que partilham algumas semelhanças políticas e estruturais e tendo em conta a vocação internacionalista da esquerda, torna-se inevitável interrogar o contraste entre a revitalização observada em países como a Bélgica (PTB), França ou Reino Unido (Greens, Your Party) e os falhanços verificados no caso português. Ao longo dos últimos anos, foram-se cristalizando entre nós diversas teorias autojustificativas sobre as transformações do regime e as dificuldades da esquerda, que mais do que explicar, tendem muitas vezes a naturalizar a nossa própria impotência.

1. Teoria do surfista

Esta teoria entende a viragem política como um fenómeno de “marés” que eventualmente se inclinam para um lado ou para outro, quase de forma inevitável. Desconsidera a agência de sujeitos e organizações na produção de mudanças culturais e políticas, assumindo que estas se limitam a acompanhar correntes estruturais. Parte de uma leitura determinista da luta de classes, em que as transformações políticas são vistas como efeitos quase automáticos de dinâmicas estruturais, subestimando o papel da ação organizada e da intervenção política consciente. Em contraste, numa leitura gramsciana, a mudança política depende também da construção de hegemonia, isto é, da disputa ativa no plano cultural e ideológico, não podendo ser reduzida a simples oscilações inevitáveis.

2. Teoria da direitização

Esta teoria defende que há uma mudança sociológica na sociedade portuguesa ao nível dos valores e crenças individuais que se traduz numa mudança de cultura social, meio mediático e sistema de representação política. Diogo Machado, no artigo “Há mesmo uma direitização na sociedade portuguesa?”, apresenta uma análise de elevada densidade estatística sobre a evolução dos valores sociais em Portugal, contribuindo para problematizar e, em larga medida, refutar esta teoria. A teoria da direitização em causa revela uma dimensão autojustificativa resume-se na ideia de que “ganha a direita porque o país se direitizou”. Este tipo de explicação tende a simplificar excessivamente processos complexos, reduzindo a capacidade de formular respostas políticas inovadoras e de compreender, com rigor, as causas dos próprios resultados eleitorais. Ademais, promove uma forma de passividade, uma vez que crê que a mudança de valores já se deu. Foca-se na dimensão moral e subjetiva, reduzindo os fatores materiais.

Se o caso francês nos ensina alguma coisa, é que o sucesso não é coincidência nem mero reflexo do “espírito do tempo”. Resulta antes de um trabalho continuado de organização, de uma capacidade autocrítica sobre o estado da esquerda e, simultaneamente, da imaginação de novas formas de intervenção e de proposta política. Implica também uma clareza estratégica sobre quem é o “nosso povo”, um olhar orientado para fora e a ambição de funcionar como instrumento de emancipação das classes populares, mantendo a coesão face a pressões e ataques mediáticos que procuram fragilizar essa ligação. Num contexto marcado pela guerra, pela crise climática, pela proletarização crescente das classes médias, pelo embrutecimento do Estado e por tendências de fascização, os desafios não se enfrentam com inércia. Só uma dinâmica alargada de participação, sustentada por coragem política e trabalho coletivo, pode responder a estes processos. É hora de trabalhar.


[Fonte: www.esquerda.net]

Cesc Martínez: «M’agrada la textura porosa del narrador que al mateix temps és personatge»

Cesc Martínez (Manresa, 1974), autor de cocció lenta i producció espaiada en el temps, torna a les prestatgeries amb La ciutat errant (Anagrama, 2025), un artefacte breu, singular i llegidor, en algun lloc entre l’assaig i la narrativa, amb el qual torna després de les bones impressions deixades per la seua anterior obra, Traça un perímetre (2019). Una nova criatura literària «més fàcil de llegir que d’explicar», segons la definició bastant encertada del seu progenitor. Un dels encants d’aquest La ciutat errant.

L'escriptor Cesc Martínez

Escrit per Xavier Aliaga 

Traça un perímetre, el teu llibre anterior, va tindre una recepció crítica acollidora, però has trigat bastant a tornar a publicar i, a més, ho fas amb un llibre bastant breu. Crida l’atenció, perquè la majoria d’autors i autores tracten d’esprémer el seu momentum, però no has tingut pressa per publicar de seguida.

—Saps què passa? Quan he intentat afanyar-me, no m’acaba de satisfer mai el resultat. No vol dir que no continuïs escrivint, però potser són els meus ritmes i no val la pena forçar-los més. He anat fent coses. De fet, La ciutat errant surt d’un moment de bloqueig d’una altra cosa que estic escrivint i que està costant més del compte; no me n’acabo de sortir. Per esbargir-me una mica, he escrit una altra cosa que tenia al cap i em surt de manera bastant fluida. No surt tot de cop, perquè en algun moment faig una mica més de recerca que veig que em fa falta, per arrodonir-ho, però ha estat començar i acabar. En un moment de pausa d’una altra cosa que tinc inacabada.

Amb La ciutat errant s’extrema la manera en què deformes la narració i trenques la linealitat, fins al punt que el llibre es podria llegir de manera fragmentària, amb diferents itineraris. No seria just dir que el llibre és un divertimento, però hi ha un cert sentit lúdic que prové d’una escriptura feta amb total llibertat; es nota que has escrit el que et venia de gust.

—És així, per això que et deia; comences amb aquest esperit per no encallar-te de nou en una cosa complicada, per fer el que vulgui. Començo amb la idea de fer un assaig sobre l’entorn, el paisatge, sobre allò que et trobes sortint al carrer. Però rebutjo la idea de fer un assaig canònic i exhaustiu perquè havia començat això per passar-m’ho bé. El llibre no és un divertimento, però en aquell sentit sí que ho és una mica. No és un assaig amb totes les referències que hi podria haver, però amb les que hi ha és suficient per tirar endavant la idea i lligar-la amb una altra. I el llibre va anar creixent amb aquesta llibertat autoatorgada.

El llibre s’ubicarà en els apartats de narrativa de les llibreries, però un valor de La ciutat errant és que no és fàcil atribuir-li un gènere determinat.

—Normalment, em posen en la secció de narrativa i em sembla just. No és una novel·la, però sí que és narrativa, una exploració de l’entorn i dels seus perquès amb un to narratiu senzill però que és molt clar. T’agafes la llibertat, però ha d’haver-hi un perquè, un principi i un final. El motor és aquest quadern on vaig apuntant els llocs per on passo i la relació que tenen amb el següent. I amb aquest mecanisme tan mínim, però tan funcional, hi ha una narració. La part narrativa hi ha de ser.

En algun moment escrius que segueix les passes «d’alguns exploradors solitaris que m’han precedit». Els referents com Borges o Sebald hi són, però en el fons és un artefacte que marca unes regles pròpies.

—És possible. Les regles són el terreny de joc que t’explicava. Ara he dit «terreny de joc» i és veritat; es proposa una mena de joc amb el lector. I té aquestes regles, que no són difícils, però que ben bé no es troben en uns altres llocs. Els exploradors que em van precedir són les referències que faig servir en el llibre, no hi ha més secret. I d’altres que no he citat perquè el llibre no és exhaustiu ni pretén ser-ho.

«Els aeroports es revelen com l’única forma de cultura a què el món global ha sabut donar vida», escrius en algun moment. Veig ací un joc de jugar amb l’ambigüitat, de crear un enigma.

—Una mica sí. El que faig és recuperar una idea d’una de les exploradores que m’han precedit, Olga Tokarczuk, que parla molt dels aeroports, sobretot a la seva obra Cos. Capgira la idea que es té sovint dels aeroports...

Allò que els aeroports són un no-lloc.

—Exacte. Una amiga politòloga em feia referència a estudis politològics que parlen dels aeroports com a no-llocs. Aquesta és una imatge popular però no només, també és una imatge acadèmica. En canvi, Tokarczuk, sense dir-ho explícitament, d’alguna manera es mira els aeroports com a llocs totals, el lloc definitiu de la societat actual, on podries fer-ho tot i que es justifica per si mateix. Independentment de si al voltant de l’aeroport hi ha una ciutat o no hi és, com és el cas de Lleida o de Castelló. L’aeroport de Castelló no és perquè la ciutat necessiti un aeroport, es justifica per si mateix, per unes altres causes, en un altre lloc que no és allí. I l’aeroport de Lleida, que és l’exemple que poso jo al llibre, doncs el mateix: l’aeroport no és allà per Lleida, sinó per si mateix. Una floració, una calcificació del capital, el lloc per antonomàsia on hi ha de tot.

Tornant al vessant narratiu, es fa palès quan apareixen personatges com Pedro Vives y Vich, el «General Bum Bum», un d’aquells passatges en què ens reveles que estàs jugant, on li traus solemnitat al discurs.

—Clar, m’interessava no caure en un discurs excessivament seriós o acadèmic. No volia caure en l’academicisme, d’aquí també recursos com guardar-me les fonts per al final i deixar que es barregin entre elles; barrejar-me jo també amb les fonts, apropiant-me-les abans de revelar d’on venen. També perdre seriositat, fotre’m una mica, fer una crítica des de la burla més que no pas des de la seriositat. Em semblava més interessant. I em venia més de gust, també.

«M’interessava no caure en un discurs excessivament seriós o acadèmic. No volia caure en l’academicisme, d’aquí també recursos com guardar-me les fonts per al final i deixar que es barregin entre elles»

Parlant de les fonts, el final de La ciutat errant és la «Guia de viatge». En un altre llibre tindria un to explicatiu, però ací torna a tindre un to literari, no és com un apèndix, és un capítol amb entitat literària pròpia.

—Aquí en el fons hi ha un altre joc, però no hi havia caigut fins al final de tot; quan tenia el llibre acabat, m’adono de la possibilitat de jugar una segona partida. Quan arribes a aquesta part, el contingut et permet tornar al principi. Més que no llegir el text i anar a buscar les notes, fer tot el trajecte i després tornar-hi i fer un reconeixement del que s’ha llegit. La brevetat del text i el tipus de proposta permet fer aquesta tombarella. Em va agradar jugar-hi, a això, però me'n vaig adonar al final.

El llibre té un punt desconcertant, però és bonic arribar al final i fer la relectura. És un llibre per rellegir.

—Sí, algú m’ho ha dit. Uns altres m’han dit que no m’havien fet cas i havien anat a les notes finals. També és possible, endavant, es poden fer tots dos viatges. Igualment, he de dir que la nota inicial del llibre, en què recomano no saltar a les notes fins que no s’hagi llegit tot, va ser idea de l’editor, de Lluís Ruiz. Jo no l’havia posada, pensava que el joc hi era i endavant. Però l’editor em va dir: «Així explicites quina és la teva opció de lectura. I llavors que cadascú faci el que vulgui». Em va semblar bé.

M’agraden molt les pàgines dedicades als Palmerola-Fenollar. Hi ha una bona història i una bona manera de situar-se davant de la història com a narrador.

—Quin lloc seria aquest?

Doncs del narrador que conta la història des de dins dels espais relacionats amb el relat.

—Sí, clar. D’una banda, el narrador és observador, és qui es troba aquesta realitat, qui viu aquesta realitat, però també és lector, llegeix sobre aquesta realitat, trau idees i se les apropia, com fem tots moltes vegades: «Com deia aquell...». És el mateix mecanisme. M’agrada aquesta textura porosa del narrador que és al mateix temps personatge, és una de les possibilitats de la narració en primera persona que no vulgui caure en el jo, jo... Aquest tipus de narrador es pot emprar per parlar del context que envolta aquell jo. Explica mirant cap enfora, no tant cap endintre.

Hi ha un títol de capítol especialment enigmàtic: «Va venir la guerra. La guerra se’n va anar. El que va quedar no era pau». Ja ho vam parlar quant a Traça un perímetre; tot el text fa la sensació que té un procés de reflexió llarg darrere.

—Home, ara et diria que, ja que m’hi estic sis anys, almenys que el text estigui pensat [riures]. Fora bromes, el títol aquest ve també d’un concepte que per a mi és central en aquest llibre que sorgeix estirant el fil d’una idea de Sebald: la guerra com a principi destructor, però també com a principi ordenador del que ve després. Sebald es refereix a les ciutats destruïdes per la Segona Guerra Mundial que provoquen una reorganització social i unes conseqüències literàries en l’Alemanya de postguerra. Fins avui. I estirant aquest fil, penses: bé, nosaltres també tenim una guerra que va destruir un teixit cultural i urbanístic, una relació simbiòtica entre ciutat i món rural que s’havia començat a organitzar durant la República. Tot això queda destruït per la Guerra Civil. I aquest principi destructor és després el principi ordenador de la societat posterior, tota aquella estructura de relació camp-ciutat, l’estructura cultural, urbanística, queda en mans d’una dictadura feixista que es dedica a dir com s’utilitzarà la terra. I la posa a disposició de qui la puga comprar, de l’especulació. No és un procés únic, però passa d’una manera més bèstia que amb uns altres països amb una regulació democràtica. Aquí, la terra queda a disposició de qui la pugui comprar. Aquest principi rector és conseqüència d’una guerra i encara continua dictant, d’alguna manera, no les lleis, però sí les maneres de fer i de tractar la terra, el país, l’entorn, el món rural o com vulguem dir-li.

En aquest punt de l’entrevista, tal vegada el lector no tindrà una visió molt clara de què és La ciutat errant. Potser no cal aclarir-ho més.

—[Riures]. La ciutat errant és aquesta ciutat que no és la ciutat concreta on vivim, que no es troba aquí, és allò que dèiem de Lleida, de Castelló o d’Igualada, on hi ha un aeròdrom que funciona des de fa molt de temps. Ni tan sols de Barcelona, on es vol ampliar l’aeroport; aquest aeroport ampliat no és de la ciutat de Barcelona, és d’una ciutat que no és mai aquí, que no podries delimitar-la, que se t’escapa. 


La ciutat errant
CESC MARTÍNEZ
Editorial Anagrama, 2025
Narrativa
105 pàgines

[Foto: ACN - font: www.eltemps.cat]