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terça-feira, 1 de setembro de 2026

O perigo de uma maioria da AfD na Saxónia Anhalt

A extrema-direita alemã lidera as sondagens para a eleição de 6 de setembro com grande vantagem e a possibilidade de formar governo sozinha neste estado do leste do país é real, pela primeira vez desde a derrota do fascismo alemão.

Ulrich Siegmund, candidato da AfD, num comício com apoiantes. Foto publicada nas suas redes sociais.

Escrito por Harald Wolf

Membro do partido Die Linke 

Três eleições regionais em setembro poderão alterar profundamente a paisagem política da Alemanha. A 6 de setembro realizam-se eleições no Estado federal da Saxónia Anhalt, no leste da Alemanha, e duas semanas mais tarde em Mecklenburg Vorpommern e em Berlim. Na Saxónia Anhalt e em Mecklenburg Vorpommern, a AfD de extrema-direita lidera as sondagens com uma vantagem clara sobre todos os outros partidos. Muito diferente é a situação em Berlim, onde Die Linke se encontra à frente e luta para assumir a chefia do governo. Por mais diferentes que sejam as evoluções nos dois estados federais do leste da Alemanha, por um lado, e em Berlim, por outro – elas são expressão da enorme perda de confiança no governo alemão e do declínio dos partidos que o sustentam, a CDU e o SPD.

As eleições na Saxónia-Anhalt encontram-se no centro da atenção pública. A AfD lidera as sondagens com larga vantagem, com mais de 40 %, muito à frente dos restantes partidos. Até mesmo uma maioria absoluta e um governo exclusivamente constituído pela AfD é um perigo real. Isto representaria uma profunda rutura, caso, pela primeira vez desde a derrota do fascismo alemão, um partido de extrema-direita voltasse a alcançar o poder governamental.

A AfD quer uma viragem nacionalista

O programa de governo da AfD é um programa de transformação radical e autoritária do Estado. A sua proposta principal é uma “viragem de 180 graus na política migratória” e, consequentemente, uma “ofensiva de deportação e remigração”. A radiodifusão pública, independente do Estado e dos partidos políticos, criada como consequência da experiência da propaganda fascista estatal do nacional-socialismo alemão, deverá ser transformada numa “rádio da pátria” de âmbito regional. Às poucas vozes críticas de esquerda, como a rádio independente Corax, deverão ser retirados os apoios financeiros. Deverá ser criado um instituto regional para a formação política e cultural, destinado a transmitir uma “cultura nacional e patriótica”. Na política educativa, o “amor à pátria” deverá ser imposto por lei, a bandeira nacional deverá ser hasteada diariamente e a inclusão das pessoas com deficiência deverá ser abolida. A atribuição de verbas às instituições de ensino superior deverá depender, entre outros fatores, de estas deixarem de transmitir conteúdos que ponham em causa os papéis tradicionais de género. Desta forma, os estudos de género e a investigação científica sobre o género deverão ser impedidos. Ainda mais perigoso, e pouco referido publicamente, é o projeto de criar, paralelamente à polícia, uma “guarda de cidadãos” voluntária – um campo de atuação ideal para grupos de choque fascistas.

O que significaria um governo da AfD?

Se a AfD obtivesse, nos estados federais, o controlo do aparelho de Estado, teria nas suas mãos os instrumentos necessários para concretizar todos estes objetivos. Se a AfD ocupar as posições-chave do poder governamental, também significaria uma ameaça individual para muitas pessoas: na mira estarão sobretudo migrantes e pessoas queer, mas também trabalhadoras de casas de abrigo para mulheres, sindicalistas, professores, ativistas envolvidos no apoio a refugiados, jornalistas, agentes culturais e muitos outros. Até agora, a CDU tem defendido a manutenção da “Brandmauer” (parede guarda-fogo) perante a AfD e rejeitado qualquer colaboração com ela. No entanto, existem na CDU da Saxónia Anhalt vozes que defendem uma colaboração com a AfD. Recentemente, por exemplo, um presidente de câmara da CDU fez chegar à AfD um donativo de 10.000 euros. Caso a AfD não alcance a maioria absoluta dos deputados no parlamento, também não se pode excluir a possibilidade de alguns deputados da CDU mudarem de campo e elegerem um ministro-presidente da AfD.

Quais as opções da votação?

Perante as últimas sondagens, o perigo de um governo exclusivamente constituído pela AfD é real. Segundo essas sondagens, a AfD obteria 40 lugares no parlamento da Saxónia Anhalt, a CDU 20, Die Linke 11, o SPD 7 e os Verdes 5. Os Verdes, contudo, apenas ultrapassariam por uma margem pequena a fasquia dos 5%. Caso fiquem abaixo dos 5%, não conseguirão entrar no parlamento e a AfD obterá a maioria absoluta dos deputados. A Campact – uma organização de campanhas online de orientação alternativa e de esquerda – promove, por isso, intensamente a exigência de um voto tático, com o objetivo de assegurar a entrada dos Verdes e do SPD no parlamento e, assim, impedir uma maioria absoluta da AfD. A campanha “votar taticamente” não está, contudo, isenta de problemas. Na realidade, pretende desviar votos de Die Linke (e também da CDU) em benefício do SPD e dos Verdes, em vez de mobilizar os abstencionistas para uma política mais consequente a favor dos desfavorecidos e contra a AfD. Reduz, assim, o antifascismo em benefício de um voto tático pretensamente inteligente.

Die Linke ante um desafio político bem complicado

A situação política na Saxónia Anhalt coloca, desta forma, Die Linke perante um dilema. Por um lado, uma eventual tomada do poder pela extrema-direita só poderá ser impedida se Die Linke viabilizar um ministro-presidente da CDU. Mas também é verdade que a transformação autoritária, neoliberal e militarista do Estado é igualmente impulsionada pelos partidos do chamado centro. A nível nacional, o SPD e a CDU prosseguem uma política de desmantelamento massivo do Estado social, uma política racista de marginalização de migrantes e uma política de rearmamento e militarização em larga escala, que é também parcialmente apoiada pelos Verdes.

A solução para este dilema só pode consistir em assegurar a maioria necessária para a eleição de um ministro-presidente da CDU, sem, contudo, se diluir numa pretensa “unidade dos democratas”. É necessário impedir que a AfD apareça como a única oposição ao sistema. Die Linke deve, portanto, impedir taticamente um governo da AfD, mas continuar a assumir uma clara posição de oposição. Para Die Linke, o desmantelamento da democracia e das conquistas do Estado social, o endurecimento das políticas de asilo e migração, os ataques a iniciativas de apoio aos refugiados e a iniciativas antifascistas, etc., devem constituir uma clara linha vermelha, cuja ultrapassagem não pode ser tolerada. Apesar de toda a tática parlamentar necessária para impedir uma tomada fascista do poder governamental, o foco deve estar hoje na mobilização social e na construção de um contrapoder social contra a fascização da sociedade. 

 

[Fonte: www.esquerda.net]

sábado, 29 de agosto de 2026

«Fabbrico fake news», ammette un funzionario della comunicazione israeliano

Il funzionario israeliano Eli Hazan

 Redazione di Middle East Monitor

Fabbrico fake news” ammette Eli Hazan, funzionario senior della comunicazione israeliano, in un video in cui dichiara che la verità e i fatti non contano più. La stupefacente confessione di Hazan è stata catturata in un filmato diventato virale sui social media. 

Il video ha attratto oltre un milione di visualizzazioni su X, con migliaia di condivisioni e commenti. Nel filmato Hazan afferma: “La verità non conta più. I fatti non contano più”. Continua ammettendo: “Come reazione io rispondo fabbricando fake news”, per finire sostenendo che Israele deve adottare una strategia di comunicazione modellata su quella del presidente statunitense Donald Trump.   

Il modello Trump citato da Hazan va di pari passo con l’uso ripetuto di affermazioni false o fuorvianti, scartando ogni reportage sfavorevole come “fake news”. Trump ha contribuito a rendere popolare la frase come attacco politico contro le critiche. Il termine, che all’inizio è stato usato principalmente per descrivere storie inventate, è diventato un aspetto centrale degli attacchi di Trump contro i media durante la sua scalata al potere.  

Il disprezzo di Tramp per l’accuratezza dei fatti è stato ampiamente documentato da verificatori dei fatti indipendenti. Il Washington Post ha documentato, durante il suo primo mandato presidenziale, 30.573 affermazioni false o fuorvianti, una media di circa 21 al giorno. PolitiFact, dopo aver esaminato 1000 dichiarazioni di Trump dal febbraio 2024 ha scoperto che circa il 76% di quelle selezionate per la verifica dei fatti erano valutate “Quasi del tutto Falso”, “Falso” o “Bugia”, con una valutazione media di “Falso”.  

Imitando Trump, anche Hazan descrive i social media come un campo di battaglia in cui Israele deve combattere una “guerra” online contro i suoi oppositori, e afferma che in questa guerra di informazione l’accuratezza fattuale è secondaria.  

Hazan è da tempo un personaggio della comunicazione del Likud: è stato direttore degli Affari Esteri del partito, portavoce di Benjamin Netanyahu e ambasciatore di Israele a Singapore. I media israeliani hanno rivelato che quest’anno Netanyahu avrebbe cercato di nominarlo direttore dell’Ufficio Stampa del Governo (GPO), l’organo responsabile delle relazioni fra governo israeliano e giornalisti locali e stranieri.   

Il GPO descrive come parte del suo ruolo il mantenimento delle relazioni con i giornalisti stranieri e lo svolgimento di attività diplomatiche pubbliche intese a migliorare l’immagine di Israele sui media internazionali.   

Le affermazioni di Hazan sono diventate virali mentre Israele riversa somme senza precedenti nella hasbara, la diplomazia pubblica e l’apparato di propaganda dello Stato, per tentare di ribaltare il crollo del sostegno internazionale dopo il genocidio a Gaza.   

Il budget della diplomazia pubblica di Israele è balzato a circa 730 milioni di dollari, oltre quattro volte i 150 milioni di dollari allocati l’anno prima. La cifra destinata quell’anno era già 20 volte la spesa israeliana per tali operazioni prima del 2023. Le somme vengono indirizzate verso campagne digitali, influencer, delegazioni straniere, organizzazioni di sostegno e altre iniziative intese a rimodellare l’opinione internazionale.   

Israele ha anche pagato a influencer sui social media fino a 7000 dollari per post per pubblicare materiale filoisraeliano. Altri contratti prevedevano migliaia di storie per i social e decine di milioni di visualizzazioni mensili, mentre altre campagne hanno cercato di influenzare i risultati delle ricerche e dell’ambiente delle informazioni usati dalle piattaforme di intelligenza artificiale.   


(traduzione dall’inglese di Mirella Alessio) 


[Foto: Screengrab/@HatsOffff - riprodotto su www.zeitun.info]


«Si he de morir», antologia d’articles i poemes de Refaat Alareer

 Assaig | Injustícia i relats

Refaat Alareer

Escrit per Jorge López Heredia

Al meu col·legi hi havia un professor de religió que ens repetia constantment la història d’un xiquet que es burlava d’un company que era molt estudiós. El xiquet dolent va repetir curs. Anys després i completament arruïnat, va anar a demanar feina a una empresa que era dirigida pel seu antic company, qui —molt cristianament— el va perdonar i contractar.

El professor feia servir aquest relat i altres similars, com ara Els Tres Porquets, per transmetre’ns uns valors abstractes mitjançant històries concretes. I funcionava perquè recorde estudiar molt per por de repetir curs.

Aquesta transformació de la realitat mitjançant relats pot ser encara més poderosa. Les pel·lícules de Hollywood són en bona part responsables del fet que generacions d’adolescents cregueren que tot era vàlid per tal d’aconseguir l’amor vertader. 

O, atenint-nos al present, la literatura sionista de finals del segle XIX i principis del segle XX, en retractar a Palestina com una terra “plena de llet i mel” o “una terra sense poble per a un poble sense terra”, va mobilitzar a una gran part de la comunitat jueva, justificant “l’ocupació més cruel i salvatge que el món ha vist mai”.

Refaat Alareer (1979-2023) va ser un professor de literatura a la Universitat Islàmica de Gaza que va ser assassinat junt amb la seua família per un míssil israelià guiat cap a sa casa. El motiu? Transmetre al jovent la importància i necessitat dels relats de la resistència palestina.

Reffaat Alareer, Si he de morir, Sembra (2026)

Si he de morir, publicat en català el 2026 per Sembra Llibres, és una antologia d’articles i poemes escrits per Refaat Alareer entre el 2010 i el 2023. El conjunt, intercalat amb les cites més rellevants dels textos, forma, en primer lloc, una crònica de la vida quotidiana durant la destrucció de Gaza; en segon lloc, una defensa de la literatura i l’ensenyament com a armes de resistència; i, en tercer lloc, una anàlisi de les estratègies geopolítiques i propagandístiques d’Israel per exterminar al poble palestí amb impunitat.

Hi ha frases al llibre que descriuen un dolor que no hauríem de permetre ni que siga imaginat. S’afirma que “un infant palestí nascut l’any 2008 ha viscut set guerres” o que “la meva dona, la Nusayba, i jo som una parella palestina perfectament normal: més de trenta familiars nostres han estat assassinats per Israel”

És sorprenent la perspectiva tan humana i tan humanista de Refaat Alareer. Humana perquè dubta, es desespera, s’emprenya, es commou i estima. Humanista perquè, malgrat l’extermini, defensa el coneixement i la poesia. 

Lluita sota les bombes contra l’extremisme i intenta tornar la idea de justícia a uns joves que veuen com els criminals de guerra israelians viuen amb impunitat després d’haver destruït la seua llar i la seua família. Com podem parlar de pau amb uns infants que creixen amb la sensació que el món els ha traït? Alareer és contundent: “Cal que canviem aquesta visió. Els ho devem”.

Yousef M. Aljamal, alumne i amic de Refaat Alareer, inspirat pels versos del seu mestre, va editar aquesta antologia de manera pòstuma i ens va fer arribar paraules sobre el setge, la fam, la humiliació, la violència, les traves burocràtiques, el dol, l’espionatge amb Pegasus, la propaganda i el silenci. Però també sobre l’esperança, la comunitat, la cultura, la família, la resiliència i la pau.

Si he de morir és un testimoni dur, esperançador i frustrant. És una obra interessant que ens descobreix la complexitat que s’amaga darrere de les notícies. Són els relats que el vent de l’amistat trau de sota les runes de la ciutat per mobilitzar el món.

El general israelià Moixé Dayan va dir que “els poemes de Fadwa Tuqan [poetessa de la resistència palestina] eren com enfrontar-se a vint soldats enemics”. Si he de morir, com demostren els bombardejos a la universitat, a les biblioteques i als centres culturals, és un llibre de destrucció massiva, portaveu del coneixement, el principal enemic d’Israel. 

Aquest dispositiu de lluita i transformació social, compost per papers i tinta, constitueix una de les aproximacions més pures i directes a la injustícia. Cal que llegim els seus testimonis. Els ho devem.

 

[Foto: Sembra - font: www.diarilaveu.cat]

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Comment les médias font l’apologie du génocide

En recourant à deux poids deux mesures, à la censure, à un langage trompeur, en amplifiant les mensonges israéliens et en déshumanisant les Palestiniens, les médias occidentaux contribuent au génocide à Gaza.

Écrit par Chris Hedges 

Les médias occidentaux fabriquent le consentement au génocide. Ils normalisent l’occupation militaire et l’apartheid israéliens qui durent depuis des décennies . Ils occultent les violations flagrantes du droit international commises par Israël . Ils perpétuent le mythe de la victimisation israélienne. Ils trahissent , discréditent et diabolisent le travail des journalistes et des profaiessionnels des médias palestiniens à Gaza, dont au moins 220 ont été tués par Israël entre le 7 octobre 2023 et août 2025. Ils acceptent docilement la censure israélienne draconienne. Ils se contentent de timides lettres de protestation contre le refus d’Israël d’autoriser les journalistes étrangers à Gaza – une tentative d’Israël pour masquer ses crimes de guerre . Ils amplifient les mensonges israéliens, des bébés décapités aux agressions sexuelles généralisées contre des femmes israéliennes le 7 octobre, afin d’obscurcir la vérité.

Quand on écrit sur Gaza, les verbes sont au passif . Il n’y a pas de sujet. Personne n’est tenu responsable. Le génocide , semble-t-il, est un acte de Dieu. Au même titre qu’un tremblement de terre ou un tsunami. Les clichés et les adjectifs obscurs tels que « cycle de violence » ou « affrontements » déforment et falsifient la réalité.

« Si la pensée corrompt le langage, le langage peut aussi corrompre la pensée », avertissait George Orwell .

Des termes comme « génocide », « atrocité », « nettoyage ethnique » et « territoires occupés » disparaissent comme par magie des reportages sur les Palestiniens, dont la résistance est systématiquement qualifiée de « sauvage » et de « barbare ». Les journalistes du New York Times reçoivent pour consigne de leurs rédacteurs d’éviter des termes tels que « Palestine », « génocide », « carnage », « camp de réfugiés », « massacre » et « massacre » lorsqu’ils évoquent les Palestiniens.

Les médias reprennent servilement ce qu’Israël leur sert. Les bombardements massifs deviennent des « frappes aériennes chirurgicales ». L’instrumentalisation de la famine par Israël devient une « pénurie alimentaire ». Le meurtre de civils non armés — y compris des enfants — devient des « affrontements ». Les complexes fortifiés des colons juifs perchés sur les collines deviennent des « quartiers ». L’assassinat extrajudiciaire d’un journaliste ou d’un médecin devient un « décès ».

Le génocide, qualifié de « guerre israélo-palestinienne », est justifié au nom de la « légitime défense », un élément du discours israélien sur le « droit à la défense ». Lorsque des écoles, des hôpitaux, des cliniques, des ambulances, des mosquées, des églises et d’autres cibles civiles sont détruits, ils sont qualifiés de « centres de commandement du Hamas » ou ciblés parce que le Hamas « utilise des civils comme boucliers humains » – une pratique courante chez Israël, lorsque l’armée ligote des Palestiniens détenus et les force à pénétrer dans des bâtiments et des tunnels potentiellement piégés avant l’arrivée des troupes israéliennes.

Lorsque des Israéliens sont détenus par le Hamas, ils sont des « otages », même s’ils servent dans l’armée. Lorsque des Palestiniens — y compris des enfants — sont détenus sans inculpation ni procès et disparaissent dans des centres de détention israéliens, où la torture est « généralisé » et « systématique », ils sont des « prisonniers ».

Les attaques de missiles contre les camps de tentes ou les hôpitaux sont imputées à des groupes armés palestiniens tirant des roquettes égarées. Si Israël reconnaît ces attaques — ce qui est très rare —, elles sont qualifiées d’« erreur tragique ».

Les institutions civiles à Gaza sont qualifiées de « contrôlées par le Hamas » afin de jeter le doute sur la véracité de leurs informations. Le New York Times nuance systématiquement les annonces du ministère de la Santé de Gaza en précisant qu’il « ne fait pas de distinction entre civils et combattants », masquant ainsi le massacre de dizaines de milliers de civils.

Il en résulte certains des écrits les plus alambiqués de l’histoire du journalisme, notamment le titre du New York Times du 5 novembre 2023 qui se lit comme suit : « Des explosions que les Gazaouis attribuent à une frappe aérienne font de nombreuses victimes dans un quartier densément peuplé. »

« Lorsque les journalistes de Middle East Eye, Mohamed Salama et Ahmed Abu Aziz , ainsi que le photojournaliste de Reuters, Hussam al-Masri , et les pigistes Moaz Abu Taha et Mariam Dagga — qui avaient travaillé avec plusieurs médias, dont l’Associated Press — ont été tués lors d’une frappe de « double frappe » — conçue pour tuer les premiers intervenants arrivant pour soigner les victimes des frappes initiales — au complexe médical Nasser, comment les agences de presse occidentales ont-elles réagi ? », ai-je demandé dans ma chronique La trahison des journalistes palestiniens .

« L’armée israélienne affirme que les frappes contre un hôpital de Gaza visaient ce qu’elle prétend être une caméra du Hamas », a rapporté l’Associated Press .

« L’armée israélienne affirme que la frappe contre un hôpital visait une caméra du Hamas », a annoncé CNN.

La caméra appartenait à Reuters , qui a déclaré qu’Israël était « parfaitement au courant » que l’agence de presse filmait depuis l’hôpital.

« Quand le correspondant d’Al Jazeera, Anas Al Sharif, et trois autres journalistes ont été tués le 10 août dans leur tente de presse près de l’hôpital Al Shifa, comment cela a-t-il été rapporté dans la presse occidentale ? », ai-je demandé.

« Israël tue un journaliste d’Al Jazeera qu’il prétendait être un chef du Hamas », titrait Reuters dans son article, alors même qu’al-Sharif faisait partie d’une équipe de Reuters qui avait remporté le prix Pulitzer en 2024.

Le journal allemand Bild a publié en première page un article titré : « Un terroriste déguisé en journaliste tué à Gaza. »

« Les gymnastiques linguistiques employées par les médias sont allées jusqu’à redéfinir les mots, les rendant insignifiants », écrit Assal Rad dans « Ne dites pas Palestine : comment les médias ont fabriqué le consentement au génocide » :

Les médias traditionnels ont omis de qualifier les violations répétées du cessez-le-feu par Israël. Au lieu de cela, leur couverture s’est bornée à rationaliser les attaques israéliennes et à relayer sans esprit critique les arguments d’Israël pour justifier ses actions. Alors que des Palestiniens continuaient d’être tués – pendant un « cessez-le-feu » – et que l’aide humanitaire restait insuffisante, les médias occidentaux ont présenté ces violations flagrantes comme des « tests » ou des « défis » à un « cessez-le-feu fragile ». Tandis que des organisations de défense des droits humains de premier plan, telles qu’Amnesty International, alertaient sur le fait que le génocide n’était en réalité pas terminé, les médias traditionnels ont persisté à le présenter comme une guerre assortie d’un « cessez-le-feu fragile ».

Les mots ont un poids. Les mots justifient les actes. S’il n’y a pas génocide, si Israël se défend dans le cadre d’une guerre, les États-Unis et les alliés européens d’Israël sont en droit de fournir des dizaines de milliards de dollars d’aide militaire. Si cette guerre a été déclenchée par le Hamas le 7 octobre, alors il est légitime de déplorer la destruction de Gaza et les massacres perpétrés par Israël comme le résultat regrettable de l’attaque du Hamas.

Cette corruption du langage vise, comme l’a noté Orwell, à défendre l’indéfendable :

Des mesures comme le maintien de la domination britannique en Inde, les purges et déportations russes, le largage des bombes atomiques sur le Japon, peuvent certes se justifier, mais uniquement par des arguments trop brutaux pour être acceptés par la plupart des gens, et qui ne correspondent pas aux objectifs affichés des partis politiques. Le langage politique se résume donc en grande partie à des euphémismes, des pétitions de principe et une imprécision totale. Des villages sans défense sont bombardés, leurs habitants chassés dans la campagne, le bétail mitraillé, les huttes incendiées : c’est ce qu’on appelle la pacification. Des millions de paysans sont spoliés de leurs fermes et contraints de parcourir les routes avec pour seuls biens ce qu’ils peuvent porter : c’est ce qu’on appelle le transfert de population ou la rectification des frontières. Des personnes sont emprisonnées pendant des années sans procès, abattues d’une balle dans la nuque ou envoyées mourir du scorbut dans des camps de bûcherons de l’Arctique : c’est ce qu’on appelle l’élimination des éléments indésirables.

Dans son ouvrage « Comment vendre un génocide : la complicité des médias dans la destruction de Gaza » , Adam Johnson a analysé plus de 12 000 articles du New York Times, du Washington Post, de CNN.com, de Politico, d’Axios, de USA Today et de l’Associated Press, ainsi que 5 000 reportages télévisés diffusés sur CNN et MSNBC. Ce livre, fruit d’une recherche minutieuse, constitue une dénonciation accablante de la justification du génocide par les médias dits « libéraux ».

CNN et le New York Times ont donné pour instruction à leurs rédacteurs et journalistes de ne pouvoir attribuer les attaques à Israël qu’après confirmation de l’armée israélienne et relevé des coordonnées GPS. Johnson cite une source chez CNN :

Que ce soit à la rédaction ou sur le terrain, nous ne pouvions rien attribuer à Israël sans être soumis à cette exigence incroyablement élevée de devoir parler d’« explosion », jusqu’à ce que nous ayons géolocalisé le lieu de l’explosion, envoyé les coordonnées aux Israéliens et leur ayons demandé un commentaire.

Vous pouvez visionner une interview de Johnson à propos de son livre sur The Electronic Intifada ici .

Les journalistes de CNN qui couvrent Israël et la Palestine doivent soumettre leurs reportages au bureau de Jérusalem de la chaîne pour examen avant leur diffusion. Ce bureau, comme tous les bureaux de presse en Israël, est tenu de respecter les restrictions imposées par la censure militaire israélienne.

Les rares Palestiniens qui apparaissent sur CNN et d’autres médias traditionnels sont systématiquement interrogés – généralement avant même d’être autorisés à passer à l’antenne – sur leur « condamnation » du Hamas. Les invités qui expriment même une critique tiède d’Israël se voient demander si Israël « a le droit d’exister ».

On ne demande jamais à personne s’il condamne le sionisme, l’apartheid, le nettoyage ethnique, le génocide ou la guerre centenaire d’Israël contre la Palestine. On ne leur demande pas non plus si les Palestiniens ont le droit de se défendre – ce qui est pourtant le cas en vertu du droit international, y compris par le recours aux armes.

Nos journalistes et médias, asservis à la propagande, sont, comme l’a souligné Robert Fisk , « prisonniers du langage du pouvoir ». Ils répètent docilement le lexique officiel. Ce qui fait d’eux non seulement des propagandistes, mais aussi des complices de génocide.

Ceux qui protestent contre le génocide, notamment les étudiants sur les campus universitaires – dont beaucoup sont juifs –, sont diffamés et traités de « sympathisants du Hamas » et d’« antisémites ». Les journalistes traquent les étudiants sionistes, généralement réfugiés dans les centres Hillel des campus, qui prétendent « craindre pour leur sécurité » en raison des manifestations. Les médias accordent peu d’attention à la montée de l’ islamophobie ni à la répression exercée contre les étudiants manifestants, qui comprend non seulement des brutalités policières et 3 000 arrestations et détentions , mais aussi des suspensions, des mises à l’épreuve, des expulsions, le retrait de diplômes et le licenciement de professeurs sympathisants.

Les slogans appelant à la libération de la Palestine — notamment « Du fleuve à la mer, la Palestine sera libre » — ainsi que le drapeau palestinien, ont été criminalisés .

Le message est clair : les vies juives comptent. Les vies palestiniennes ne comptent pas.

« Les rapports des agences des Nations Unies, des observateurs respectés des droits de l’homme, des revues médicales et du personnel médical professionnel sont généralement traités avec respect et mis en avant dans les médias grand public », écrit l’historien Rashid Khalidi dans l’introduction du livre de Robin Anderson, « The Complicit Lens: US Media Coverage of Israel’s Genocide in Gaza » :

Pas dans cette guerre : au contraire, si de telles sources sont citées, elles font l’objet d’une couverture médiatique égale pour les calomnies et les diffamations outrancières proférées à l’encontre de ces organisations et individus, calomnies produites en abondance par la légion de propagandistes professionnels israéliens et ses innombrables défenseurs aux États-Unis. Outre le fait de diffamer les critiques du génocide israélien en les qualifiant de partisans du Hamas ou de sympathisants terroristes, leur principale arme de diffamation est l’instrumentalisation systématique et scandaleuse de l’accusation mortelle d’antisémitisme.

L’exode massif des lecteurs et des téléspectateurs des médias traditionnels vers les plateformes de médias sociaux qui ne sont pas influencées par le lobby israélien, le gouvernement américain ou les grandes entreprises, est un indicateur flagrant de la faillite des médias. La réponse à ces défections a été un véritable « platformicide » : le recours aux algorithmes, au shadow banning, à la restriction des diffusions en direct et à la fermeture de comptes par les géants des médias sociaux tels que Facebook, Instagram, X, YouTube et TikTok, afin de réduire drastiquement la diffusion d’informations sur la Palestine.

Cette censure s’inscrit dans un effort coordonné visant à dissimuler au public l’horreur du génocide.

En faisant constamment référence au 7 octobre, les médias occidentaux décontextualisent le génocide. Ils ignorent le siège de Gaza par Israël, qui dure depuis 19 ans. Le 7 octobre est présenté dans ces mêmes médias comme une attaque « non provoquée ». Les massacres de Palestiniens non armés perpétrés par Israël à Gaza durant l’hiver 2008-2009 , ainsi que ses attaques contre Gaza en 2012 , 2014 et lors de la Grande Marche du Retour en 2018-2019, sont passés sous silence.

La Nakba de 1948 – lorsque les sionistes européens s’emparèrent de plus de 78 % de la Palestine historique, expulsèrent violemment 750 000 Palestiniens, détruisirent plus de 530 villages palestiniens et tuèrent 15 000 Palestiniens – est rarement évoquée. Soixante-dix pour cent des personnes chassées de leurs foyers en 1948 furent contraintes de se réfugier à Gaza.

Le projet sioniste repose sur la promotion de l’amnésie historique.

« Dès lors que le Hamas s’est imposé comme un groupe terroriste brutal dont les membres torturaient, démembraient et décapitaient des bébés avec une joie non dissimulée, aucune autre explication n’était nécessaire », écrit Anderson dans son livre. « Les médias ont tout simplement évité de relater l’histoire de la violence israélienne et, par conséquent, les médias traditionnels ont également passé sous silence les conditions de vie quotidiennes des Palestiniens. »

L’idée fictive d’un cessez-le-feu à Gaza – alors qu’Israël a tué au moins 1 286 Palestiniens et en a blessé 4 257 depuis son entrée en vigueur supposée – est devenue le prétexte utilisé par les médias occidentaux pour détourner le regard de Gaza. Ce négationnisme du génocide caractérise leur couverture médiatique depuis ses débuts. Il masque non seulement les crimes d’Israël, mais aussi son intention déclarée de procéder à un nettoyage ethnique de tous les Palestiniens de Gaza. Il vide de sa substance le droit international. Et il discrédite le journalisme.

Lorsque le dernier acte de nettoyage ethnique aura lieu, je suis certain que les médias occidentaux continueront de nous bombarder de propagande israélienne, d’euphémismes et de clichés.

Cela justifiera le génocide jusqu’à la fin.

The Chris Hedges report

 

Chris Hedges est un journaliste lauréat du prix Pulitzer qui a été correspondant à l’étranger pendant 15 ans pour le New York Times, où il a dirigé les bureaux du Moyen-Orient et des Balkans. Auparavant, il a travaillé à l’étranger pour le Dallas Morning News, le Christian Science Monitor et NPR.   

[reproduit sur www.groupegaullistesceaux.fr]

domingo, 16 de agosto de 2026

Il sionismo ha deformato il linguaggio, quindi ora le parole sono armi utili

Le organizzazioni filo-israeliane hanno modificato il senso di ‘intifada’ e ‘Palestina’, favorendo il genocidio e criminalizzando chi vi si oppone 

Una dimostrante in sostegno di Palestine Action arrestata davanti al tribunale di Londra il 30 luglio 2026.


di Marchella Ward

Middle East Eye

È una domenica mattina presto e vieni svegliato da poliziotti armati che bussano alla porta. Ti consegnano una lettera: lo Stato bloccherà il tuo patrimonio per altri sei mesi negandoti l’accesso ai tuoi conti bancari perché non condivide la posizione contro il genocidio che hai espresso pubblicamente.

La lettera cita un tweet che hai postato parecchi mesi fa e in cui criticavi il bombardamento di Israele e Usa contro l’Iran. Cita il fatto che hai condiviso un’intervista con un attivista filopalestinese e un articolo scritto sulle reti sociali da uno storico accademico. La lettera spiega che queste azioni dimostrano che non hai rinunciato alle tue convinzioni “a favore del jihadismo”.

Sembra una cosa uscita dalle pagine di un libro distopico di fantascienza, ma per Elias d’Imzalene, un attivista francese contro il genocidio e membro fondatore dell’organizzazione filo-palestinese Urgence Palestine, è diventata realtà.

Il reato di cui d’Imzalene è accusato e per il quale le sue libertà sono state ridotte e i suoi beni congelati per più di un anno non è tanto un delitto di pensiero, per usare un termine di George Orwell, quanto di parola.

Nel settembre 2024 durante una manifestazione contro il genocidio a Parigi aveva utilizzato la parola araba intifada inriferimento alla rivolta globale non violenta ancora in corso frequentemente in città di tutto il mondo contro l’occupazione israeliana della Palestina.

Il filmato del suo discorso ha circolato ampiamente sulle reti sociali e quando d’Imzalene è arrivato nell’aula di tribunale per difendersi il significato della parola intifada era stato totalmente modificato.

Secondo le organizzazioni sioniste che hanno intentato causa contro di lui la parola non si riferiva a una rivolta contro gli oppressori; l’avevano trasformata in un termine che denota violenza antisemita.

Cancellazione e controllo

La parola intifada non è l’unica di cui è stato trasformato in questo modo il significato da organizzazioni politiche sioniste.

Nel febbraio 2026 il gruppo della lobby filoisraeliana UK Lawyers for Israel [Avvocati Britannici per Israele] ha scritto al British Museum [uno dei principali musei di Londra, ndt.] chiedendo che eliminasse la parola “Palestina” dalle targhette dell’esposizione.

Secondo loro questa terminologia costituiva una “cancellazione” della storia ebraica e “avrebbe potuto rappresentare una vessazione” per i visitatori ebrei o israeliani. Il termine “antica Palestina” non cancella in alcun modo la storia ebraica, ciononostante il museo ha eliminato le targhette.

La lettera faceva parte di una campagna di lungo corso, svelata allora da Middle East Eye, per riscrivere il passato, imponendo una versione della storia che conferisca legittimità all’occupazione israeliana della Palestina.

La campagna, condotta non solo nei confronti del British Museum ma anche nelle università, compresa quella in cui lavoro, intende trasformare il senso delle parole.

Termini come “antica Palestina”, storicamente attestato almeno dal XII secolo a.C. e ampiamente utilizzato oggi da storici di professione, sono stati trasformati da questa campagna sionista in cancellazione “antisemita” della versione della storia preferita da Israele.

Questi esempi riprendono altri tentativi di trasformare e controllare ciò che le parole significano per ridurre l’opposizione al genocidio israeliano.

Lo slogan “dal fiume al mare” è stato vietato in molti Paesi, tra cui la Germania e lo Stato australiano del Queensland, in base all’argomentazione che sarebbe antisemita, benché appaia nella carta costitutiva del partito Likud di Benjamin Netanyahu del 1977 a sostegno dell’idea di uno Stato etnico ebraico.

E in Gran Bretagna circa 3.000 persone sono state arrestate per aver esposto la frase “Mi oppongo al genocidio, appoggio Palestine Action” in seguito alla messa al bando del gruppo di azione diretta. Il divieto, ora in discussione alla Corte Suprema, ha trasformato Palestine Action in un’organizzazione terroristica e ne ha mutato il significato in una frase a sostegno del terrorismo.

In ognuno di questi esempi vediamo all’opera una delle armi più potenti del sionismo: il suo tentativo di controllare il significato delle parole.

In arabo e in altre lingue la parola intifada è ampiamente utilizzata per riferirsi alla resistenza contro gli oppressori, dagli scioperi dei portuali nel porto di Bassora [in Iran, ndt.] nel 1952 alle proteste anticoloniali irlandesi contro i britannici, alle due intifada palestinesi e all’intifada della resistenza ebraica contro i nazisti nella rivolta del ghetto di Varsavia nel 1943.

Sostenere che il termine intifada si riferisce alla violenza antisemita significa svuotare i vari strati di significato che la parola ha costruito in decenni di circolazione e uso e imporle una nuova accezione. Cercare di controllare il significato delle parole è ben noto ai linguisti come una tecnica del fascismo.

Nel suo libro del 1947 Victor Klemperer scrisse “Il linguaggio del Terzo Reich” riguardo a come anche la propaganda nazista cambiò il significato delle parole.

Come gli altri esempi delle parole il cui significato è stato modificato in difesa del genocidio ad opera di Israele, la parola intifada è distorta e riformulata come un indicatore di antisemitismo, trasformando in antisemiti quelli che la pronunciano.

Ridefinire la colonizzazione

La capacità del sionismo di controllare il significato delle parole non è nuova. Di fatto forse il suo atto di trasformazione linguistica di maggior successo è proprio la parola “sionismo”.

Nel suo libro “Lo Stato Ebraico” Theodor Herzl spiegò che il sionismo era un progetto di suprematismo europeo. Discutendo se per fondare uno Stato etnico ebraico dovessero essere colonizzate l’Argentina o la Palestina Herzl sostenne che la Palestina era preferibile perché uno Stato ebraico lì avrebbe costituito “un bastione dell’Europa contro l’Asia, un avamposto della civiltà contro la barbarie.”

Descrisse una “Compagnia ebraica” sul modello di altre compagnie coloniali europee come la Compagnia Olandese delle Indie Orientali e la Compagnia Imperiale Britannica dell’Africa Orientale.

Altri sionisti erano d’accordo. Chaim Weizmann [uno dei principali dirigenti del movimento sionists, ndt.] nella sua autobiografia ricordò di aver detto nel 1919 alla conferenza di pace di Parigi che “quello che la Francia potrebbe fare in Tunisia… gli ebrei sarebbero in grado di farlo in Palestina”, e Vladimir Jabotinsky [leader del sionismo revisionista, di destra, ndt.] scrisse che “il sionismo è un’impresa coloniale.”

Ma il senso della parola “sionismo” venne presto trasformato dal colonialismo europeo in liberazione nazionale.

In una lettera a Max Nordau Herzl scrisse: “La Banca Coloniale Ebraica deve in realtà diventare la Banca Nazionale Ebraica.” E molte altre organizzazioni coloniali vennero rinominate in modo simile. L’Associazione per la Colonizzazione Ebraica, che favoriva l’immigrazione di coloni di insediamento dall’Europa orientale per occupare terre in Palestina, venne rinominata “Associazione Caritativa Ebraica”.

Il fatto che la parola “sionismo” avesse significato colonizzazione venne cancellato e alla parola venne attribuito un nuovo significato. Ora indica la filantropica creazione di un luogo di rifugio e un movimento di liberazione per l’autodeterminazione.

Dire che le armi del sionismo sono anche linguistiche non è un modo per minimizzare il suo potenziale distruttivo. Ciò che le parole significano non è solo una questione di cui accademici o filologi debbano riflettere nelle torri di avorio, sfogliando vocabolari e dizionari etimologici.

Stiamo vivendo un periodo in cui le parole possono uccidere.

La capacità del sionismo di controllare il significato delle parole è stata fondamentale per il genocidio israeliano dei palestinesi.

Hanno riscritto la storia, incarcerato attivisti e imposto restrizioni su libertà di ogni genere per quanti rifiutano di sottomettersi ai tentativi dei sionisti di controllare il linguaggio stesso.

È tempo che tutti noi impariamo a riconoscere che il controllo sulle parole è un’arma e che ci armiamo con il linguaggio per ribellarci.

 

Marchella Ward è docente di Studi Classici presso la Open University [principale università pubblica in rete del Regno Unito, ndt.]. Attualmente sta scrivendo un libro intitolato “Classicismo: come l’Occidente ha inventato il mondo antico”.

(traduzione dall’inglese di Amedeo Rossi)

 

[Foto: SOPA Images via Reuters Connect - fonte: www.zeitun.info]