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domingo, 6 de setembro de 2026

«Mirrors nº 3», filme de Christian Petzold

 

Fotograma de Mirrors nº 3, filme dirigido por Christian Petzold

Escrito por JOÃO LANARI BO*

1.

Mirrors 3 é uma obra refinada, precisa e minimalista – mas também um filme de mistério, quase um conto de fadas para adultos. Nele Christian Petzold investe em uma obsessão conhecida, uma hauntologia (conceito criado por Jacques Derrida) que descreve a persistência de elementos do passado que continuam a assombrar o presente, mesmo que já tenham acabado ou não existam mais fisicamente. Milimetricamente dirigido e montado, o filme embaça a linha entre retornos literais dos mortos e ciclos metafóricos de ressentimento.

Mirrors 3  faz referência à suíte para piano Miroirs do compositor francês Maurice Ravel, especificamente ao terceiro movimento da obra, intitulado Une barque sur l’océan (Um barco no oceano). A suíte foi inspirada por uma citação de Shakespeare, “o olho não vê a si mesmo, mas por reflexo, por meio de outras coisas”. É uma frase dita por Brutus a Cássio na peça Júlio César – as pessoas não conseguem ver ou compreender plenamente seu próprio caráter, valor oculto ou defeitos sem a perspectiva de outros atuando como um espelho.

Paula Beer, atriz frequente nos filmes de Christian Petzold, interpreta Laura, uma pianista que estuda música em Berlim e se encontra visivelmente fragilizada e deprimida. Paula está presa em um relacionamento infeliz com Jakob (Philip Froissant), que, em uma tarde tensa, perde o controle de seu carro conversível e morre, no ato. Laura, arremessada para fora do banco do passageiro, sobrevive milagrosamente com apenas um arranhão.

Pouco antes do acidente, Laura trocou um breve olhar com uma mulher de olhar intenso, parada à beira da estrada enquanto o carro passava em alta velocidade. A mulher a encarava, talvez até com um ar de luto, como se tivesse previsto o desastre iminente. A mulher é Betty, interpretada por Barbara Auer. Betty oferece abrigo a Laura, que está bastante abalada. Ela mora sozinha, oferece roupas do tamanho de Laura – calças jeans e camisetas de uma jovem – e a incentiva a tocar piano, que ela mesma não toca.

Mirrors 3 constrói esse cenário rural como um espaço liminar clássico – isolado do mundo exterior, funcionando sob uma lógica silenciosa e onírica. A transição da sobrevivência física para o acerto de contas emocional forma o núcleo do suspense existencial da história. Sem usar recursos óbvios dos filmes de terror, Christian Petzold sugere que a paisagem da família e os recorrentes acidentes de carro são governados por espíritos ou pelo peso de um luto não expresso. Uma espécie de “estado de choque” se instala na audiência, transformando um elegante psicodrama em uma sutil história de fantasmas. 

2.

Pouco a pouco, uma tensão silenciosa, organizada por meio de diálogos curtos, interações humanas e elipses precisas, permeia o ambiente. A materialização do luto: fiel ao estilo de Christian Petzold, o metafísico está ancorado em ambientes realistas do dia a dia. Betty parece estar meio afastada do marido, Richard (Matthias Brandt), e do filho adulto, Max (Enno Trebs), que administram uma oficina mecânica de práticas duvidosas – e também não tocam piano.

Betty chega a chamar sua nova hóspede de “Yelena” por engano, antes de corrigir para “Laura”, um ato falho revelador, dela e de Mirrors 3. A oficina serve como metáfora física e política do próprio filme: o trabalho árduo e cotidiano de reparação psicológica e social, enquanto o trabalho de reparação emocional é feito a poucas centenas de metros dali, na casa de Betty.

Em um mundo hiperconectado onde tudo é rastreado, mapeado e exposto, a oficina funciona como um lugar que cria deliberadamente pontos cegos. Isso autoriza que os personagens – e os fantasmas de seus passados – tenham a privacidade e o anonimato necessários para existir em um estado transitório e não monitorado. Um detalhe específico dos serviços prestados envolve desligar manualmente os sistemas de rastreamento GPS dos carros. Max, solitário e reservado, é o operador, e a princípio adota uma desconfiança de Laura – com o tempo, começam a se aproximar, quase um flerte. Em um desses momentos, ela pergunta, numa dicção, digamos, brechtiana: Vocês são criminosos?

A sobrevivência fortuita de Laura ao acidente de carro fatal a coloca em um estado que remete ao conceito filosófico de aevum. Sua presença em um refúgio idílico no campo e o uso da música de Maurice Ravel estabelecem uma ponte entre sua atemporalidade interior e a realidade mortal da família que a acolhe. O termo aevum é uma ficção criada pelos escolásticos medievais para atribuir um modo temporal atribuído a anjos — eles não mudam como os mortais no tempo, mas também não possuem a imutabilidade absoluta divina, a eternidade.

Embora de carne e osso, Laura, pela forma como é filmada e com o impacto que causa na família que a acolhe, surge como anjo metafórico naquela localidade perto de Berlim. O diretor observou que Laura caminha no filme “como em um conto de fadas”, e comparou a situação ao seu filme anterior, Yella, onde uma mulher sobrevive a um acidente e entra em uma realidade paralela, onírica, adjacente ao real. Laura flutua pela casa como um espírito gentil e sobrenatural, em vez de uma hóspede comum.

Embora seja uma mulher mortal lidando com sofrimentos humanos reais, a personagem funciona como um anjo – ou fantasma secular – que passa pela vida de uma família. A relação de Betty com ela é profundamente complexa, oscilando entre devoção maternal, projeção psicológica e uma forma silenciosa de consumo espiritual.

Se Laura é o anjo que existe em um estado suspenso de graça imaculada, Betty lida com esse “anjo” por meio de uma fascinante mistura de reverência e remodelação: emprestando roupas, incluindo-a na mesa de jantar e compartilhando atividades. Laura para ela é uma mensageira divina enviada para preencher um vazio, uma presença imaculada que apaga o trauma antigo de sua família e a crise conjugal.

A composição de Ravel, o ápice de Mirrors 3, imita o movimento fluido e ondulante das ondas do oceano. Christian Petzold utiliza essa estrutura fluida para espelhar a forma como a mágoa se transforma, sugerindo que aqueles que perdemos não desaparecem – simplesmente permanecem fora do nosso campo de visão.

*João Lanari Bo é professor de cinema da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília (UnB). Autor, entre outros livros, de Cinema para russos, cinema para soviéticos (Bazar do Tempo) [https://amzn.to/45rHa9F]

Referência


Mirrors no 3
Alemanha, 2025, 86 minutos
Direção e roteiro: Christian Petzold
Elenco: Paula Beer, Philip Froissant, Barbara Auer, Matthias Brandt, Enno Trebs

[Fonte: www.aterraeredonda.com.br]

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Allemagne : « La solitude politique de Friedrich Merz nourrit un doute sur sa capacité à convaincre durablement »

Le chancelier allemand, qui s’isole de plus en plus, jusque dans son propre parti, multiplie les maladresses et ne parvient pas à imprimer un cap politique clair outre-Rhin, déplore, dans une tribune au « Monde », l’auteur franco-allemand Nils Minkmar.

Écrit par Nils Minkmar 

Lorsque Friedrich Merz inaugure, le 15 septembre 2025, la synagogue restaurée de la Reichenbachstrasse à Munich, un détail échappe soudain au protocole. En évoquant le destin des juifs sous le III Reich, le chancelier s’interrompt, la voix se brise, les larmes montent. Pendant quelques secondes, l’émotion l’emporte sur la fonction. Jusqu’à présent, aucun autre moment de son mandat n’aura autant marqué les esprits.

La scène tranche avec une tradition politique qui s’est imposée en Allemagne de l’Ouest après 1945 et qui s’est encore renforcée sous Angela Merkel [2005-2021] : les chanceliers parlent beaucoup, mais se livrent peu. Leurs discours sont soigneusement calibrés pour éviter la faute, mais quasiment jamais pour susciter une émotion. Après l’effondrement du III Reich, toute forme de grandiloquence politique est devenue suspecte ; la retenue, au contraire, a été élevée au rang de vertu démocratique. Le lyrisme y est presque considéré comme une imprudence.

Cette retenue correspondait à une certaine idée de la République fédérale allemande : un Etat prospère, stable, avec une ligne politique claire, qui préférait l’efficacité au panache. Aujourd’hui, elle révèle une autre faiblesse. L’Allemagne ne manque ni de ressources ni d’institutions solides ; elle peine davantage à formuler un horizon. Une plaisanterie poursuivit Angela Merkel pendant des années : voyager avec elle revenait à monter dans un avion piloté par une commandante expérimentée. Le vol était calme, l’atterrissage sûr ; seule la destination demeurait mystérieuse.

Friedrich Merz, qui, dans sa vie privée, pilote lui-même son propre jet, inspire une comparaison différente. On l’imagine accueillant les passagers avec chaleur, détaillant les qualités de l’appareil, commentant l’itinéraire et les conditions météorologiques avec l’assurance d’un pilote chevronné. Tout semble prêt pour le décollage. Mais l’avion reste au sol. Et lorsque les premiers voyageurs demandent pourquoi il ne part pas, le commandant paraît prendre la question comme une offense.

C’est pourtant l’inverse que promettait le chancelier. Aux yeux de ses partisans, il devait incarner le retour de l’autorité tranquille, celle d’un chef d’entreprise du Mittelstand, ce tissu d’entreprises familiales de taille moyenne qui constitue l’épine dorsale de l’économie allemande. Souvent implantées loin des grandes métropoles, fortement exportatrices et spécialisées dans des productions industrielles très pointues, ces sociétés incarnent aux yeux de nombreux Allemands le sérieux, la continuité et la responsabilité. Le Sauerland, sa région natale, en Rhénanie-du-Nord-Westphalie, concentre plusieurs de ces hidden champions [« champions cachés »] qui font la puissance industrielle allemande, entreprises discrètes mais dominantes sur les marchés mondiaux.

Son parcours semblait faire de lui le candidat idéal. Juriste, avocat d’affaires de formation, longtemps député [jusqu’en 2009] avant de quitter la politique puis de diriger la branche allemande du gestionnaire mondial d’actifs BlackRock, Friedrich Merz prend la tête de l’Union chrétienne-démocrate (CDU) en 2021, avec la réputation d’un homme connaissant à la fois les rouages de l’Etat et ceux de l’économie mondialisée. Beaucoup de ses électeurs voyaient en lui, qui a réussi à faire fortune dans le privé, le dirigeant capable de rendre à l’Allemagne une culture de la décision après les années Merkel puis Scholz [2021-2025].

Sa voix est audible et il lui arrive de parler avec sérieux et autorité – mais rarement au bon moment ou sur le bon sujet. On a parfois le sentiment qu’il s’engage dans une formule, sans savoir exactement où elle va chuter. Il a donc cette astuce : rallonger l’allocution en évitant les raccourcis, les sigles. Non pas, par exemple, simplement « CDU », mais « Christlich Demokratische Union Deutschlands ». Pour réfléchir à ce qu’il veut dire, tout en parlant.

C’est précisément sur le terrain où on l’attendait qu’il a le plus déçu : celui du cap politique. Ses interventions improvisées provoquent régulièrement des controverses inutiles. Il lui faut ensuite expliquer, préciser, corriger ses propres propos afin que les retraités, les chômeurs ou les Allemands issus de l’immigration n’y voient pas une marque de mépris. Le conservateur réfléchi qu’on espérait voir émerger laisse alors place à une figure beaucoup moins séduisante : celle d’un patron qui, devant de mauvais résultats, accable de sa mauvaise humeur ses collaborateurs.

Il serait toutefois injuste d’ignorer les difficultés auxquelles il est confronté. La CDU a longtemps trouvé ses références à Washington ou à Paris ; les républicains américains comme les partis français de droite se revendiquant du gaullisme traversent aujourd’hui leurs propres crises. Merz a promis de rendre au couple franco-allemand son rôle moteur. Mais même transformé en un nouvel Adenauer [1876-1967], quel de Gaulle trouverait-il aujourd’hui en France ?

Entre Donald Trump et un paysage politique français devenu presque illisible pour les observateurs allemands, le chancelier manque de partenaires naturels sur la scène internationale. Il s’est en outre laissé enfermer par l’hostilité obsessionnelle envers les écologistes manifestée par Markus Söder, ministre-président de Bavière, affilié à l’Union chrétienne-sociale en Bavière, parti frère de la CDU.

En renonçant à une coalition avec les Verts, pourtant menée avec succès à l’échelle régionale, en Rhénanie-du-Nord-Westphalie comme dans le Bade-Wurtemberg, le chancelier s’est condamné à gouverner avec les sociaux-démocrates. Cette coalition est ainsi née sous le signe de l’absence d’alternative plutôt que du choix politique. Le refus constant de Friedrich Merz de toute coopération avec le parti d’extrême droite Alternative für Deutschland constitue cependant l’un des rares points fixes de son action, et tout à son honneur.

Les erreurs qui ont suivi sont moins spectaculaires que révélatrices. L’éviction maladroite, fin juillet, du ministre des transports, Patrick Schnieder, fidèle parmi les fidèles de la CDU, a troublé jusqu’aux rangs d’un parti habituellement discipliné. Peu à peu s’installe l’impression que Merz ne gouverne pas à la tête d’une équipe, mais seul. Cette solitude politique nourrit un doute plus général. Un chancelier peut-il durablement convaincre lorsqu’il donne le sentiment de réagir davantage aux événements qu’il ne les ordonne ?

Personne, en Allemagne, ne souhaite aujourd’hui sa chute – en tout cas en dehors des extrêmes politiques. Mais il devient chaque semaine un peu plus difficile d’imaginer qu’il puisse laisser l’empreinte durable d’un grand chancelier, et plus encore de le voir briguer un second mandat dans une position de force. Son adversaire le plus redoutable n’est ni l’opposition ni la conjoncture internationale. C’est son propre tempérament.


Nils Minkmar est un journaliste franco-allemand. Son roman « Le Chat de Montaigne » paraîtra le 20 août 2026 aux Presses de la Cité.

 

[Source : www.lemonde.fr]

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Francesc Serras: «Volem que comprendre la informació jurídica deixi de ser un privilegi»

TECOUS treballa per fer comprensible la informació jurídica en un ecosistema digital on la lletra petita continua generant barreres.

·         TECOUS vol oferir claredat legal per reduir barreres i desigualtats. 

Entitat redactora: Colectic 

En un entorn digital on la informació jurídica és omnipresent però sovint incomprensible, la lletra petita continua condicionant decisions quotidianes: contractes, compres, registres, subvencions o resolucions administratives. La complexitat, el llenguatge tècnic i la manca d’accessibilitat generen desconfiança i dificulten l’exercici efectiu dels drets. En aquest context, emergeixen iniciatives que busquen transformar aquesta experiència, fent que la comprensió de la informació legal sigui part essencial de la transparència i no un obstacle afegit.

Francesc Serras, cofundador de TECOUS, treballa per convertir documents jurídics extensos en interfícies clares, visuals i accessibles que permetin a qualsevol persona identificar allò essencial, entendre com l’afecta i prendre decisions informades. Des de la seva mirada, la claredat legal és una infraestructura necessària per reduir desigualtats informatives, reforçar la confiança i situar la informació jurídica al servei de les persones.

Com definiries TECOUS i quin problema intenta resoldre?

TECOUS és una iniciativa que transforma informació jurídica complexa en experiències digitals clares, visuals, accessibles i interactives. Vol resoldre el problema de rebre molta informació legal sense disposar de les eines per entendre-la, com passa amb termes i condicions, contractes, bases de subvencions o resolucions administratives. Tot i que la informació hi és, sovint es presenta en documents extensos, amb llenguatge tècnic o en blocs de text que generen frustració, desconfiança i distància entre ciutadania i institucions, afectant especialment persones amb menys coneixements jurídics o competències digitals.

TECOUS crea una capa de comprensió perquè les persones puguin identificar la informació important, entendre com els afecta i prendre decisions informades, sense eliminar ni modificar el contingut jurídic original.

Per què la lletra petita és també experiència d’usuari, i com ho heu integrat en el vostre model de disseny legal?

La lletra petita forma part de l’experiència d’usuari perquè apareix en moments de presa de decisions: registres, compres, cessió de dades personals, contractació de serveis o reclamacions. Una web pot ser fàcil d’utilitzar, però si la informació sobre drets i obligacions és incomprensible, l’experiència no és accessible. Sovint es dissenya perquè acceptar sigui fàcil, però no perquè entendre també ho sigui.

Per això, TECOUS integra la informació legal dins del recorregut de la persona i la presenta per capes: visió breu i visual, explicació en llenguatge clar i accés al text jurídic complet. Incorpora icones, navegació per temes, cercadors, audiodescripció i altres recursos d’accessibilitat perquè cada persona pugui entendre la informació essencial i aprofundir-hi quan ho necessiti.

Quins criteris utilitzeu per transformar un text legal complex en una interfície visual, clara i accessible sense alterar-ne el contingut jurídic?

El primer criteri és identificar drets, obligacions, terminis, imports, conseqüències i decisions importants per a la persona destinatària. L’estructura es reorganitza segons les seves necessitats, no necessàriament seguint l’ordre del document. S’utilitza llenguatge clar, frases curtes, exemples i elements visuals, evitant simplificacions que modifiquin el sentit jurídic, i cada resum es vincula al fragment original.

El document original es manté sempre disponible com a font jurídica. El resultat es valida des de perspectives jurídica, comunicativa, visual i d’accessibilitat, evitant que la presentació de la complexitat generi més barreres.

Quins impactes heu observat en plataformes, entitats o administracions que han implementat TECOUS?

El primer impacte és convertir informació que sovint actua com una barrera en una eina útil per prendre decisions. Els impactes observats són principalment qualitatius: les persones localitzen més ràpidament la informació rellevant, redueixen la càrrega de lectura i entenen millor quines decisions han de prendre o quins passos han de seguir.

Han desenvolupat projectes com el del sandbox d’aprenentatge regulatori Cruïll(IA), amb l’Autoritat Catalana de Protecció de Dades, per explicar quines dades es recullen i com s’utilitzen. També han fet una prova pilot amb la Generalitat de Catalunya per fer més comprensibles resolucions administratives i iniciaran treballs amb l’Ajuntament de Barcelona per fer més accessibles les bases de subvencions. Els resultats quantitatius s’estan avaluant, especialment en comprensió, confiança percebuda i reducció de consultes o incidències.

Com garantiu la traçabilitat i el compliment normatiu, especialment en relació amb el Reglament General de Protecció de Dades i altres regulacions?

La traçabilitat implica que cada resum, explicació o element visual es pugui relacionar amb el fragment original del document. Això permet comprovar que la informació no ha estat descontextualitzada, mantenir control de versions i saber quin contingut era vigent en cada moment.

En protecció de dades, treballen amb principis com la privacitat des del disseny, minimització de dades, transparència i responsabilitat proactiva. La informació s’ha de presentar de manera clara, per capes i en el moment rellevant. TECOUS no converteix en legal un document que no ho sigui: el contingut jurídic ha d’estar correctament elaborat i validat, i la seva funció és fer-lo més comprensible sense alterar-ne els efectes.

Quina és la visió a llarg termini del projecte?

La visió és que comprendre la informació jurídica deixi de ser un privilegi i es converteixi en un estàndard. La transparència no és només publicar un document, sinó garantir que les persones el puguin entendre, independentment dels seus coneixements jurídics o capacitats.

Imaginen una infraestructura de claredat legal integrada en normativa, tràmits administratius, contractes, resolucions i comunicacions, contribuint a convertir la comprensió en un nou estàndard de transparència a Europa. Fer la informació legal més clara és una manera de reduir desigualtats informatives, facilitar l’exercici efectiu dels drets i reforçar la confiança entre ciutadania i organitzacions. Volen que la informació legal sigui una eina que empoderi les persones, i no una barrera.

 

[Imatge: Pexels - font: www.xarxanet.org]

sexta-feira, 10 de julho de 2026

Rima Hassan: «Llegará un momento en que para nuestros políticos será muy costoso seguir apoyando a Israel»

La eurodiputada de La France Insoumise (LFI) se enfrenta el 7 de julio a un juicio por “apología del terrorismo”. Desde LFI denuncian persecución y vulneración de sus derechos más fundamentales. 

Rima Hassan en Estrasburgo

Escrito por Queralt Castillo Cerezuela 

Una de las caras más visibles de La France Insoumise es la franco-palestina Rima Hassan (campo de Neyrab, Siria, 1992). La eurodiputada, conocida por su postura clara contra el genocidio en Gaza y por haber participado en la penúltima flotilla que salió desde Barcelona, se enfrenta el 7 de julio a un juicio por “apología del terrorismo”, tras compartir en X una cita atribuida a Kōzō Okamoto, uno de los responsables de la masacre del aeropuerto de Lod [ahora aeropuerto Ben Gurión]. En el ataque, ocurrido el 30 de mayo de 1972, miembros del Ejército Rojo japonés, entre los que se encontraba Okamoto, mataron a 26 personas e hirieron a 80 más. La cita rezaba lo siguiente: “Entregué mi juventud a la causa palestina. Mientras exista opresión, la resistencia no es solo un derecho, es un deber”. 

“La cita alude a un principio que se encuentra en el corazón del derecho internacional: el derecho de los pueblos a resistir la colonización y la ocupación de su territorio por un ejército extranjero. La cita refleja una filosofía de resistencia a la opresión y la injusticia; en modo alguno constituye un comentario, un respaldo ni un apoyo a ningún crimen cometido”, asegura su equipo. 

Si bien Hassan eliminó la publicación, esto no ha sido suficiente para la Justicia francesa. El 2 de abril, la eurodiputada fue retenida en custodia policial durante más de 13 horas —a pesar de su inmunidad parlamentaria—, lo que para ella y su equipo “sienta un precedente peligroso en Europa: nunca antes un miembro del Parlamento Europeo había sido detenido bajo un procedimiento de flagrante delito por expresar opiniones políticas en redes sociales”.  

En dos años, se han iniciado hasta 16 procedimientos judiciales contra ella, de los cuales 13 han sido archivados. De los 16 procedimientos, ocho han sido iniciados tras denuncias presentadas por organizaciones proisraelíes. Según señalan desde su equipo, “estas actuaciones han sido iniciadas por el Ministerio Fiscal, que opera bajo la autoridad del poder ejecutivo” y tienen el objetivo de “silenciar y desacreditar a una adversaria política”. Todos estos procedimientos tienen su origen en las publicaciones de la política en sus redes sociales en solidaridad con la población palestina. La eurodiputada ha llegado a acumular, en estos dos años, más de 45 horas de interrogatorio y, a pesar de haberse podido valer de su inmunidad parlamentaria, ha acudido a todas las citaciones. En los últimos meses, Hassan ha denunciado vulneración a su derecho a la intimidad, investigaciones intrusivas y desproporcionadas y vigilancia estatal. “Su teléfono fue sometido a vigilancia retroactiva desde enero de 2026, varios meses antes de que se iniciara ningún procedimiento penal. Sus movimientos también fueron rastreados de forma exhaustiva. Se requirió a operadores de transporte, como la SNCF y Thalys, que facilitaran información, mientras que se solicitó a Europol y a Air France que revelaran el historial completo de sus viajes”, denuncia su equipo, que insiste que el juicio del próximo 7 de julio “forma parte de una estrategia política más amplia de intimidación y criminalización dirigida contra los defensores de Palestina”.  

Hassan y su equipo vienen denunciando que, desde el inicio del genocidio en Gaza en octubre de 2023, los y las activistas por la causa palestina enfrentan represión y criminalización en Francia. Para ello, se remiten a las cifras: “El número de condenas por el delito de ‘apología del terrorismo’ se triplicó entre octubre de 2023 y noviembre de 2024 en comparación con el período comprendido entre enero y septiembre de 2023”. 

Hassan ha presentado dos denuncias: una por violación de la confidencialidad de la investigación, y otra por vulneración de la intimidad y abuso de autoridad, en relación con las filtraciones a la prensa durante su detención y el uso de sus datos de geolocalización por parte de los servicios policiales entre enero y marzo de 2026. También ha presentado quejas ante el Defensor del Pueblo francés por vulneraciones de la ética profesional por parte de agentes de policía.  

Acaba de firmarse un acuerdo entre Irán y Estados Unidos para poner fin a la guerra, pero el Ministerio de Defensa israelí ha declarado que Israel no se retirará de los territorios que ocupa en el Líbano, ni de los que ocupa en Siria y Gaza. En estos últimos días hemos visto a un Trump más combativo frente a Netanyahu. ¿Podría haber un cambio de posición por parte de Estados Unidos con respecto a Israel?

Creo que, en cierta medida, Irán se ha consolidado, al menos desde un punto de vista puramente geoestratégico, como una potencia regional. Ha logrado imponerse. Es interesante observar cómo ha evolucionado el lenguaje. Al principio, Trump decía que incluso iba a elegir el régimen que quería en Irán y hoy consiente en negociar sin que se haya producido un cambio de régimen. Considero que Trump tiene dos puntos débiles. El primero tiene que ver con su base electoral, que se opone firmemente a las invasiones terrestres, a causa del trauma que hay con lo que pasó en Irak y Afganistán. De hecho, durante su campaña, él prometió no llevar a cabo más invasiones terrestres. El segundo punto débil que tiene [Trump] es la política israelí, que perjudica directamente los intereses de Estados Unidos en la región. Israel no es un actor fiable, y en la base electoral de Trump cada vez hay más rechazo hacia Israel, no tanto por adhesión a la causa palestina, sino porque toda la base electoral del MAGA tiene en la cabeza el America First. La ciudadanía [estadounidense] es consciente porque sabe que todo esto les cuesta una enorme cantidad de dinero y se pregunta ‘¿por qué tenemos que hacerlo?’.  

NO TENGO CONFIANZA EN QUE LOS ACTUALES DIRIGENTES EUROPEOS ACTÚEN DE BUENA FE, NO SON PERSONAS RESPETUOSAS CON EL DERECHO INTERNACIONAL O LOS DERECHOS HUMANOS; NO TODOS, PORQUE TAMBIÉN HAY PERSONAS VALIENTES 

El Acuerdo de Asociación de la UE con Israel no ha sido cancelado y no se ha tomado ninguna medida significativa, aunque en las calles la posición de las organizaciones de la sociedad civil y de la población es bastante clara. ¿Qué hace falta para que se produzca un cambio de posición a nivel institucional?

No tengo confianza en que los actuales dirigentes europeos actúen de buena fe, no son personas respetuosas con el derecho internacional o los derechos humanos; no todos, porque también hay personas valientes. Tienen la posibilidad de actuar y de decidir, pero no lo hacen; o no la mayoría, a excepción de algunos Estados o de algunos jefes de la diplomacia. Para que el Acuerdo de Asociación sea suspendido, se necesita un consenso de los ministerios de Asuntos Exteriores de los Estados de la Unión Europea. Por lo tanto, no se trata solo de un asunto de las instituciones europeas, sino también de los representantes de los distintos Estados. Son ellos quienes deben posicionarse. Así que, a excepción de algunos Estados como España o Irlanda, la posición de la mayoría le permite a Israel seguir prosperando. Yo, además de llevar a cabo mi trabajo parlamentario, dedico muchísimo tiempo a las movilizaciones, a las conferencias, al trabajo con la opinión pública y con los actores de la sociedad civil. Porque creo que con Palestina pasará lo mismo que pasó con Sudáfrica: llegará un momento en que para nuestros políticos será muy costoso seguir apoyando a Israel. 

De hecho, el país ha perdido el relato de la opinión pública internacional, en general. 

En primer lugar, hay que ganar la batalla de la opinión pública. En el caso de Sudáfrica, la opinión internacional empezó a apoyar progresivamente el fin del apartheid. Empezó a luchar contra él, a boicotearlo. Hay que recurrir a los mismos sistemas y herramientas para con la causa palestina. Eso fue lo que hizo virar a los dirigentes del momento. Creo que con Palestina va a suceder lo mismo; en cierta manera, ya se está empezando a ver. Hay políticos que antes se mostraban orgullosos de estar siendo financiados por lobbies israelíes; ahora vemos cómo se distancian de ellos e incluso se disculpan. Hay otros políticos que están siendo elegidos precisamente por su postura firme en favor de Palestina, como Zack Polanski de los Verdes del Reino Unido. Creo que es la presión popular lo que puede hacer que los espacios institucionales den un giro. 

Hay un ejemplo interesante que muestra que, ahora mismo, apoyar a Israel sale caro, lo hemos visto recientemente en la votación del Consejo de Seguridad de las Naciones Unidas. Alemania, por primera vez en su historia, no ha obtenido los votos necesarios para conseguir un asiento no permanente en el Consejo. No consiguió suficientes votos, y muchos observadores lo han interpretado como una forma de sancionar al país por su apoyo incondicional a Israel. 

El 7 de julio se te juzgará por “apología del terrorismo”. Desde tu partido se asegura que se trata “un asunto de Estado”. La cita judicial, además, coincide con el juicio por corrupción a Marine Le Pen. ¿Se trata de una coincidencia?

Por mi parte, me lo estoy preparando con serenidad. Estoy trabajando con mi abogado para preparar los elementos procesales que nos permitan impugnar el procedimiento por el incumplimiento de mi inmunidad y por las violaciones del secreto de la investigación que se produjeron durante mi detención, ya que hubo filtraciones organizadas por el portavoz del ministro de Justicia sobre una supuesta posesión de drogas, algo que fue desmentido posteriormente y que era información falsa. Por tanto, vamos a impugnar el procedimiento por su carácter abusivo, desproporcionado y por vulnerar totalmente mi inmunidad. También alegaremos sobre el fondo y vamos a solicitar la citación de algunos testigos. Contamos con el profesor Henri Lawrence, catedrático en el Collège de France y el historiador francés más importante sobre la cuestión palestina. Contamos también con un magistrado que testificará en este caso. Alegaremos e impugnaremos la cuestión de la apología del terrorismo por un tuit. Así que estoy bastante tranquila, a pesar de que se trata de un juicio político y, por lo tanto, no será, a mi entender, ni equitativo ni justo. Sabemos que habrá dos fiscales cuando en Francia, en los asuntos de apología del terrorismo, hay un solo fiscal. Se movilizan dos fiscales en los casos de atentados, cuando se trata de un asunto realmente grave. En mi caso, por un tuit, ya hay dos fiscales que van a estar presentes en la vista. 

En cuanto a la parte civil, los adversarios y las organizaciones de lobbying proisraelíes, parece ser, según me ha contado mi abogado, hay 11 abogados. Así que sí, se trata de un juicio político. Creo que lo que quieren es, en realidad, juzgar a Palestina a través de mí; a los y las activistas. Como dices, ese mismo día sale la sentencia del juicio de apelación de Marine Le Pen [será crucial, porque si se dictamina que es culpable, no podrá ser candidata por las presidenciales de 2027]. No es una coincidencia, efectivamente. Creo que han querido, en el año de las presidenciales, confrontar, de algún modo, a la extrema izquierda con la extrema derecha. 

Hace unos días, en otra entrevista, asegurabas que las autoridades francesas habían desplegado mecanismos de vigilancia y geolocalización en tu contra. De hecho, has presentado un par de demandas por este asunto. 

Efectivamente, hemos solicitado la apertura de una investigación por vulneraciones de la vida privada y por medidas desproporcionadas en el marco de este procedimiento. Veremos qué pasa, pero sí, hemos denunciado.  

A LAS PERSONAS QUE DEFIENDEN CAUSAS PROGRESISTAS SE LAS LLEVA ANTE LOS TRIBUNALES, SE LAS PERSIGUE Y SE LES APLICAN LAS LEYES ANTITERRORISTAS, PORQUE ESTO VALE PARA PALESTINA, PERO TAMBIÉN PARA OTRAS CAUSAS 

¿En qué se distingue esta campaña de las anteriores?

Esta campaña presidencial va a ser determinante, porque en primer lugar contamos con la figura de Jean-Luc Mélenchon, y La Francia Insumisa es mayoritaria entre los simpatizantes de izquierda. Así que tenemos posibilidades de llevar a la izquierda a la segunda vuelta. También es cierto de que hay posibilidad de que Rassemblement National [el partido de Le Pen] obtenga más votos. Va a ser una votación reñida. Además, la extrema derecha está cada vez más normalizada y más cerca del sistema. Recientemente, Jordan Bardella ha declarado que ha mantenido reuniones con los dirigentes del CAC 40, es decir, los líderes de las empresas francesas más importantes. A ellos se les adula desde los medios y a LFI se la demoniza. La sociedad se ha vuelto más fascista. A las personas que defienden causas progresistas se las lleva ante los tribunales, se las persigue y se les aplican las leyes antiterroristas, porque esto vale para Palestina, pero también para otras causas. El ministro Darmanin [de Justicia] ha llegado incluso a hablar de “ecoterrorismo”.  

Se silencia a las voces progresistas y se normalizan los discursos de la extrema derecha. Es por eso que esta campaña es histórica para Francia. Hay dos bloques totalmente opuestos que van a enfrentarse. A esto hay que sumarle una dificultad añadida, y es la falta de unidad en la izquierda: el Partido Socialista y los ecologistas están aún divididos. También hay que añadirle la multiplicidad de candidatos: hay una decena de candidatos de izquierda, así que estas elecciones son un gran reto.  

La Francia Insumisa es hoy una referencia para las izquierdas europeas, que se encuentran en un estado de descomposición. ¿Cómo se trabaja para implicar políticamente a las clases populares?

Lo primero que hay que hacer es ampliar el bloque de simpatizantes de la izquierda, trabajar por la unión, dirigirse también a los militantes ecologistas de los Verdes, porque tenemos un programa sobre la biodiversidad ecológica que se inscribe en una línea clara contra el capitalismo, contra el neoliberalismo, y que es ambicioso. También tenemos que llegar a los simpatizantes de izquierda que aún no son cercanos a LFI y convencerlos. 

En segundo lugar, debemos ir a buscar a los abstencionistas, a aquellas personas que no militan políticamente, que quizás nunca hayan votado y que se sienten excluidas de la política, de la vida pública. Estas personas no solo están en los barrios populares, también se encuentran en la Francia rural.  

Por último, no debemos olvidarnos de los jóvenes, muy a menudo desvinculados de lo público. Por lo que respecta al voto y a la participación electoral, puede haber tasas de abstención muy elevadas entre los jóvenes. Hay que dirigirse a todos estos públicos y hacer campaña sobre el terreno para enviarles un mensaje fuerte. El concepto de una ‘Nueva Francia’ tiene que ser integrador, devolver la imagen de Francia tal como es, y no como dicen los otros que es. Debemos inscribir ese discurso dentro de las luchas progresistas y tenemos que trabajar para conseguir más paridad, más igualdad de género, menos discriminación, más inclusividad… Tenemos que abordar temáticas nuevas que conciernen a los más jóvenes, sin dejar de lado a nuestros mayores. Hay que proponer una articulación política de Francia que permita a un mayor número de personas sentirse incluidas en ella. 

¿Cómo crees que evolucionará el discurso sobre la identidad nacional durante la campaña electoral en Francia?

Respecto a la cuestión de la identidad, vamos a tener [en esta campaña electoral], efectivamente, dos apreciaciones ideológico-políticas. Para nosotros, la identidad nacional es una identidad republicana: ser francés se define por los compromisos comunes, una visión común, una sociedad común. Y para otros, en el caso de los adversarios de extrema derecha, se trata, ante todo, de una identidad nacional fija y excluyente. Por nuestra parte, la cuestión de la identidad tiene una vocación inclusiva. Los otros [la extrema derecha] distinguen entre el buen francés y el francés que nunca será verdaderamente francés, que está en Francia “en el papel”, tal y como dicen ellos. Este es un enfoque racista y tiene como objetivo crear jerarquías en torno a esta cuestión de la identidad nacional. Nuestro concepto de “la Nueva Francia” no solo aborda la cuestión de la identidad, sino que también mira hacia lo social: queremos una identidad nacional más inclusiva y más cercana a la realidad, alejarnos de la Francia con la que fantasea la extrema derecha.

 

[Foto: The Left - fuente: www.elsaltodiario.com]


quinta-feira, 25 de junho de 2026

Per què tants joves es giren d’esquena a la IA?

L'auge del moviment anti-IA defensa de protegir la privacitat i l'autonomia de l'usuari en un món en què els bots i l'automatització s'obren pas amb força

La demanda d'aparells sense IA ni connectivitat a internet, com ara l'iPod, s'ha disparat en els darrers mesos (f). Fotografia: Feureau/Wikimedia Commons 

Escrit per Catherine Thorbecke

La tendència tecnològica més engrescadora de l’any no té res a veure amb la intel·ligència artificial (IA). Són els anomenats cyberdecks: uns ordinadors personals estranys, de fabricació casolana i altament personalitzables que rebutgen de manera explícita la integració de la IA. Semblen attrezzo d’un film de cyberpunk, i solen fabricar-se a partir d’una Raspberry Pi i peces de recanvi. Una afeccionada a l’electrònica que té vídeos sobre cyberdecks que acumulen desenes de milions de visualitzacions diu: “Hem de protegir els cyberdecks de la IA i de les macrocorporacions.”

El furor pels cyberdecks s’afegeix al ressorgiment de l’iPod entre els internautes de la generació Z: molts usuaris, de fet, cerquen models que van sortir al mercat quan ells encara no havien nascut. L’any passat, les vendes d’iPods al portal de tecnologia recondicionada Back Market s’enfilaren gairebé d’un 50%; i al portal de vendes en línia eBay, la paraula clau “iPod” rebé més de 1.300 cerques l’hora.

El ‘cyberdeck’ de l’autora

La tecnologia analògica no ha passat mai de moda, però això no tracta exactament de nostàlgia. Quan Google anuncià que integraria la IA al seu motor de cerca, el trànsit del cercador DuckDuckGo, que no fa servir IA, repuntà. Pocs usuaris tenen un vincle emocional amb el seu cercador: la gent vol poder triar com funciona la tecnologia que fan servir. L’auge del moviment anti-IA –que defensa un maquinari i programari que protegeixi la privacitat i l’autonomia de l’usuari en un món en què els bots i l’automatització s’obren pas amb força– és una resposta lògica dels consumidors a una revolució tecnològica sobre la qual ningú no els ha demanat mai l’opinió.

És possible que la IA sigui inevitable, però Silicon Valley no aconseguirà mai que sigui atractiva. La tendència dels dispositius monofuncionals i anti-IA em recorda als inicis del sector tecnològic, quan les empreses competien per fer arribar al mercat artefactes estranys amb la promesa de connectar les persones i democratitzar la informació.

Amb el pas del temps, els gegants del sector consolidaren el seu poder i convertiren els seus dispositius en ecosistemes tancats i monopolístics, dissenyats per ser addictius i invasius. Les xarxes socials esdevingueren focus de discursos intolerants i perillosos, amb conseqüències especialment devastadores per als usuaris joves.

No és estrany, doncs, que la gent es decanti per màquines que fan menys. N’entenc l’atractiu. Els meus ginys favorits d’enguany han estat dispositius d’un sol ús que, sovint de manera subtil, refusen de participar en la cursa armamentística de la IA. Faig servir el meu lector electrònic diminut cada dia, precisament perquè l’única cosa que puc fer-hi és llegir llibres. Fa poc, vaig comprar un bloc de notes digital de l’empresa japonesa de papereria King Jim que l’única cosa que em permet de fer és escriure esborranys, sense la distracció d’internet ni la nosa dels suggeriments de la IA. I, per si no n’hi hagués prou, ve amb una funda transparent que sembla treta de mitjan anys 2000, el darrer gran moment cultural de tecnooptimisme.

Karen Hao, autora del llibre Empire of AI (“Imperi de la IA”), una crònica mordaç i incisiva sobre el naixement i creixement de la IA, ha estat una de les participants més destacades en The AI Resist List (“La llista de resistència de la IA”), un projecte que ofereix instruccions per als usuaris que vulguin purgar la IA del seu entorn digital. Alhora, algunes organitzacions ensenyen als usuaris a “enverinar” les seves dades d’ús per evitar que les grans empreses puguin fer-les servir per a entrenar la IA. Són dos senyals inequívocs del rebuig polític i cultural, com més va més ampli, a una tecnologia que s’ha implementat més de pressa que no pas pot entendre i consentir el públic, si més no, de manera informada.

De fet, el sector tecnològic ja ha començat a prendre’n nota. En una entrada al bloc publicada aquesta setmana, el president de Microsoft, Brad Smith, es referia explícitament a les crítiques dels estudiants universitaris als discursos de graduació que esmentaven la IA, i els considerava un “crit poderós d’atenció per al sector tecnològic”. Els joves, escrigué Smith, solen ser els primers d’adaptar les tecnologies noves, cosa que fa que el rebuig a la IA sigui encara més significatiu.

Smith té raó: la generació Z ha passat més temps que cap altra en un món regit pels algorismes. Sap perfectament què se sent quan les plataformes exploten l’atenció de l’usuari i optimitzen fins el detall més petit amb l’objectiu de mantenir-lo enganxat. També han vist la facilitat amb què la conveniència pot convertir-se en dependència: poques coses són més fàcils que delegar els deures i els treballs a la IA. Però, per desenvolupar l’intel·lecte, aquest esforç mental que es delega a la IA és, precisament, el més important. Bregar amb un problema és la manera com els joves aprenen a jutjar, a tenir bon gust, a ser resilients i a desenvolupar totes les habilitats que els caldran per prosperar en aquesta època de canvis ràpids.

Cal reconèixer que Smith ha gosat de fer allò que el seu sector ha de fer més sovint: parlar de la IA en termes que sonin humans i propers. L’article parla de les múltiples aplicacions de la tecnologia més enllà de l’àmbit estrictament tecnològic: els bombers que la fan servir per detectar incendis forestals abans no s’escampin, els operaris que l’empren per retirar mines terrestres a Ucraïna, entre més. Es miri com es miri, és un argument molt més potent a favor de la IA que no pas fingir que és conscient.

Però aquestes aplicacions, per útils que siguin, justifiquen l’adopció obligatòria de la IA en qualsevol àmbit? Els consumidors joves diuen que no. Serà una distinció clau per al sector tecnològic durant els anys vinents.

L’argument que sovint se sent a Silicon Valley és que resistir-se a la versió del progrés que defensa el sector tecnològic equival a rebutjar el progrés en si mateix. La idea que la IA és inevitable és, sens dubte, una manera molt convenient de simplificar els debats sobre els drets d’autor, la creativitat, els deepfakes o els costs ambientals de la IA. El furor anti-IA lluita contra aquest fatalisme, tot defensant que els únics responsables de triar quina tecnologia fan servir i quina no –i quines dades cedeixen i quines no– han de ser els usuaris.

Està condemnat al fracàs, el moviment anti-IA, ateses les desenes de milers de milions de dòlars que els gegants del sector han invertit en aquesta tecnologia? Probablement. Sigui com sigui: visca el moviment anti-IA!


[Font: www.vilaweb.cat]




quarta-feira, 22 de abril de 2026

Nathalie Baye : disparition d’une des actrices les plus attachantes du cinéma français

L’actrice est décédée le 17 avril 2026 à l’âge de 77 ans. Retour sur une carrière marquée par de grands films, de grandes rencontres (Jean-Luc Godard, François Truffaut, Maurice Pialat, Claude Chabrol, Noémie Lvovsky, Tonie Marshall…) et une façon très au point de conjuguer cinéma d’auteur et comédies populaires. 

Nathalie Baye dans « Juste la fin du monde», de Xavier Dolan

Écrit par Jean-Marc Lalanne 

Contrairement à d’autres actrices-phares de sa génération – Isabelle Adjani, Isabelle Huppert, Miou-Miou… –, et bien qu’elle était l’aînée d’entre elles (née en 1948), Nathalie Baye ne devint pas une star à 20 ans, mais plutôt dans la première moitié de sa trentaine. Son ascension fut lente, marquée par un passage progressif des seconds rôles aux premiers. 

C’était en accord avec sa nature, très douce en apparence (mais certains cinéastes, plutôt sur le tard, ont su creuser son potentiel volcanique), une forme de discrétion qui la caractérisait, d’extrême pondération dans son jeu csuperomme dans son rapport à la notoriété. D’ailleurs, lorsqu’elle devint dans les années 1980 surexposée médiatiquement en tant que compagne de Johnny Hallyday, elle sut jouer le jeu de la presse people sans rien perdre d’une forme de réserve et de fermeté dans la protection de sa vie privée. 

Des débuts downtempo    

Très tôt pourtant, elle ambitionne une carrière d’actrice. Ses parents sont tous les deux artistes peintres. Parallèlement à une pratique intensive de la danse depuis l’enfance, elle s’inscrit aux Cours Simon puis est reçue au Conservatoire national d’art dramatique. À peine diplômée du Conservatoire, le cinéma lui offre un second rôle, précisément aux côtés d’Isabelle Huppert et d’Isabelle Adjani, dans Faustine et le bel été, une chronique éthérée de vacances entres filles dans une maison de campagne signée par Nina Companeez. Le film, bien oublié, est même devenu très difficile à trouver, alors que son casting de jeunes stars pas encore écloses en fait une curiosité. 

 

Un an plus tard, c’est François Truffaut qui lui donne sa première véritable chance en lui attribuant le rôle de la scripte (inspiré de Suzanne Schiffman dans la chronique de toutes les vicissitudes et les joies d’un tournage de cinéma, La Nuit américaine de 1973). Dans une scène très drôle, elle y révèle déjà sa double nature, sage en apparence, très libre en réalité. Bernard Ménez lui fait des avances maladroites. Elle le désarçonne d’un coup en lui disant que c’est OK pour baiser là, tout de suite s’il le veut, mais sans perdre une seconde, car il y a beaucoup de taf ensuite. Elle consent de façon si abrupte, qu’elle prend de vitesse toutes les stratégies de drague de son partenaire et sans rien perdre de sa coolitude prend le lead de la relation.   

Quatre ans après ce beau second rôle, Truffaut l’inclut dans la galaxie féminine dans laquelle se meut l’obsessif Charles Denner dans L’homme qui aimait les femmes (1977). Et lui propose enfin le premier rôle de son film le plus secret et sombre, La Chambre verte (1978), où elle accompagne un homme veuf, interprété de façon fébrile par Truffaut lui-même, dans son culte morbide des proches disparus. Le film, pourtant d’une grande intensité, est un désastre commercial. Tout comme La Gueule ouverte (1974) de Maurice Pialat, film qui embrasse avec tout autant de violence que La Chambre verte l’épreuve humaine de la mort. Elle y accompagne Philippe Léotard (son mec dans la fiction, mais aussi à cette époque dans la vie) dans l’agonie de sa mère. Entre de beaux rôles dans de grands films d’auteur qui ne marchent pas, et quelques seconds rôles dans de grands succès populaires (dans La Gifle de Claude Pinoteau, elle est la copine de fac de l’étudiante en médecine Isabelle Adjani), elle parvient dans les années 1970 à s’imposer progressivement dans le paysage du cinéma français sans y occuper encore une place centrale. Ce sera chose faite avec les années 1980. 

Les années superstar  

Elle amorce la décennie sur les chapeaux de roue avec deux succès d’auteur : Une semaine de vacances de Bertrand Tavernier, une chronique de la vie d’enseignante, où elle consolide son image de jeune femme sage, sensible, un peu bon chic bon genre, et surtout Sauve qui peut (la vie), retour tonitruant de Jean-Luc Godard au cinéma “classique” après dix ans de films militants et d’expérimentations vidéos. 

           

Dans cette exploration extralucide des ravages du libéralisme sur les désirs et les affects (le film anticipe presque l’œuvre littéraire de Michel Houellebecq), elle incarne l’ex-compagne de Jacques Dutronc aux côtés d’Isabelle Huppert dans le rôle d’une prostituée avec qui elle va se lier d’affection. Les scènes où elle traverse des paysages de Suisse romande à vélo, tandis qu’un travail précurseur sur les possibilités nouvelles de la vidéo décompose chacun de ses mouvements dans des ralentis où l’image s’anamorphose et les couleurs paraissent couler sur l’écran, comptent parmi les plus grandes extases plastiques de l’histoire du cinéma.   

Le film lui vaut un premier César du second rôle en 1981. Elle en obtient un second l’année suivante, dans un rôle où elle reprend son emploi de jeune femme attentive, un peu sage, épouse rêvée (ici de Gérard Lanvin) dans Une étrange affaire de Pierre Granier-Deferre. Mais c’est l’année suivante, en 1982 qu’elle devient une star : elle enchaîne un beau succès (Le Retour de Martin Guerre, un thriller médiéval avec Gérard Depardieu) puis un triomphe public (le polar assez basique La Balance, son premier César de meilleure actrice).

La même année, elle devient pour quatre ans la compagne de Johnny Hallyday et donc une proie à paparazzis. Elle entraîne son compagnon dans une aventure de cinéma dont il était peu familier : ensemble, ils interprètent un nouveau film de Godard, le mélancolique Détective (1985) et montent ensemble les marches cannoises (durant la promo, aux côtés de Johnny et Nathalie, Godard se fera spectaculairement entarté).  

À la fin des années 1980, les propositions intéressantes se font plus rares, à l’exception du magnifique premier film de Nicole Garcia, Un week-end sur deux. Nathalie Baye y interprète une actrice qui galère, enchaîne les emplois dévalorisants, et peine à exister pleinement comme mère auprès de ses enfants. Garcia révèle chez sa contemporaine Nathalie Baye un potentiel Gena Rowlands jamais encore exploré. Éruptive, électrique, variant les états psychiques dans une très grande ébullition, elle y livre une de ses plus belles performances. Le film hélas ne marche pas. Et les années 1990 ressemblent pour l’actrice à une longue traversée du désert. Dont elle sort par le haut en 1999 : dans la comédie colorée et pimpante de Tonie Marshall, Vénus Beauté, une esthéticienne à l’approche de la cinquantaine qui drague beaucoup, enchaîne les aventures mais ne croit plus à l’amour. 

Un come-back foudroyant   

Le succès du film restaure l’actrice au sommet du cinéma français pour une décennie. Durant toutes les années 2000, elle enchaîne les succès : soit des comédies populaires (Ça ira mieux demainBarnie et ses petites contrariétésAbsolument fabuleuxLe Prix à payer…), soit de grands succès d’auteurs : La Fleur du mal de Claude Chabrol, Les Sentiments de Noémie Lvovsky, Le Petit Lieutenant de Xavier Beauvois où dans le rôle d’une flic alcoolique elle obtient son second César de Meilleure actrice… Elle le reçoit avec une nuance d’humour : après avoir déclaré “On dit souvent que les actrices n’aiment pas les dates, et c’est vrai !”, elle ajoute qu’elle est très fière d’obtenir un second César plus de vingt ans après le premier, à un âge où beaucoup d’actrices sont mises à l’écart. Nathalie Baye, comme Catherine Deneuve ou Isabelle Huppert, a contribué à faire reculer un plafond de verre sur lequel butaient la majorité des actrices jusque-là, en redevenant hyper bankable dans sa cinquantaine. Durant cette décennie, elle s’offre même un superbe second rôle dans un des plus beaux films de Steven Spielberg. Elle est la mère idéalisée mais traumatique de Leonardo DiCaprio dans Arrête moi si tu peux (2002).

 

Des rencontres avec la jeune génération  

Dans les années 2010, après un beau rôle chez Pierre Salvadori dans un film qui ne rencontre pas significativement le public, De vrais mensonges, elle continue à tourner très régulièrement, alterne les comédies à succès (la franchise Alibi.com de Philippe Lacheau) et les belles rencontres avec de jeunes auteurs. D’abord Xavier Dolan pour deux films : Laurence anyways, où elle est la mère de Melvil Poupaud en crossdresser, et ensuite Juste la fin du monde où elle est la mère, truculente, abusive et almodovarienne de Gaspard Ulliel, Vincent Cassel et Léa Seydoux. Puis Nicolas Maury, où, dans Garçon chiffon (2020), elle interprète la mère de l’acteur-cinéaste. Sa partition ultra-délicate en fait probablement son dernier très beau rôle au cinéma. Depuis 2023, la maladie l’avait tenue à l’écart du cinéma. Le chemin qu’elle y a accompli, auprès de tant de grand·es cinéastes, y est remarquable. Et l’estime et l’affection que sa présence sur les écrans depuis 50 ans a accumulé fait de sa mort une perte cruelle et un grand chagrin.

 

[Source : www.lesinrocks.com]