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terça-feira, 5 de maio de 2026

«Muita gente fala mal da imigração. Acho estranho, porque Portugal é um país de emigrantes»

O jornalista sueco Henrik Brandão Jönsson vive no Rio de Janeiro há 25 anos e escreveu o livro 'Saudade'. Falou com emigrantes açorianos na Califórnia, madeirenses que fizeram vida na Venezuela e cabo-verdianos que emigraram para Nova Inglaterra, nos EUA. Também ele, que nasceu na Suécia e trabalha no Brasil, passa pela “sensação de querer partir e querer ficar ao mesmo tempo”. 

Foi a saudade que Henrik Jönsson sentiu da Suécia na pandemia que o levou a falar com emigrantes da Madeira, Açores e Cabo Verde sobre a saudade deles.

Escrito por Carla Alves Ribeiro

Durante a Guerra Fria, os Estados Unidos terão colocado na Base das Lajes, nos Açores, 32 armas nucleares. A morna mais conhecida de Cabo Verde, Sodade, popularizada pelo mundo inteiro por Cesária Évora, foi escrita em 1954 pelo violonista Armando Soares, um dos músicos de morna mais conhecidos de São Nicolau, e não por Armando Cabral e Luís Morais. A autoria foi-lhe reconhecida por um tribunal em 2006, mas o músico morreria quatro meses depois, aos 77 anos, sem receber dinheiro nenhum de direitos de autor. Em 2017, Nicolás Maduro decidiu oferecer aos venezuelanos pernil de porco para o Natal, mas a empresa portuguesa a quem foi feita a encomenda recusou-se a fornecer a mercadoria se o pagamento não fosse efetuado antecipadamente e saldada uma dívida anterior. Quem sofreu as consequências foram os emigrantes portugueses em Caracas, donos de supermercados.

Estas histórias controversas são abordadas no livro Saudade que o autor, Henrik Brandão Jönsson, acaba de lançar em Portugal (Penguin) e que ele considera que podem interessar ao leitor português. Mas elas são apenas pequenos episódios da história maior, escrita originalmente em sueco pelo jornalista, que é perceber a palavra portuguesa “saudade” relacionada com a emigração.

“Eu sempre tive curiosidade sobre essa palavra, porque é tão bonita e tão única. Não tem outra palavra no mundo que tenha dois sentidos ambíguos. Tristeza e alegria juntos. Sempre tive curiosidade, mas não sabia pessoalmente o que é saudade, até que durante a pandemia estava no Brasil e fiquei com saudades da Suécia. Não podia ir à Suécia. Comecei a fazer comida sueca no Rio, a escutar música sueca, estava com muita saudade. Então pensei, tenho que escrever sobre saudade e divulgar essa palavra bonita aos suecos, para eles entenderem o que é saudade”.

A Penguin volta a editar um livro de Henrik Brandão Jönsson –em 2022 lançou Viagem pelos Sete Pecados da Colonização Portuguesa –, também por Saudade tocar num tema que se discute muito nesta altura em Portugal, explica Henrik Brandão Jönsson. “O livro fala muito de migração. Hoje em dia é um tema aqui em Portugal. Muita gente fala mal da imigração. Na Suécia e aqui. Mas o que eu acho estranho é que Portugal é um país de emigrantes. Agora há pessoas chegando aqui e eu acho que Portugal podia falar melhor da imigração. E são muito criticados, os imigrantes. Então eu espero que o meu livro possa também contribuir para entender o que é a imigração. Não são ladrões que vão de um país para o outro. É para melhorar a vida”.

Ao longo desta investigação em torno da “saudade”, que levou o jornalista a viajar para os Açores, Madeira, Cabo Verde, Venezuela e Estados Unidos, surgiram outras histórias que surpreenderam Henrik Brandão Jönsson – Brandão por via do casamento com uma brasileira –, correspondente na América Latina do principal jornal sueco (Dagens Nyheter) e que vive no Rio de Janeiro, Brasil, há 25 anos (ver entrevista ao lado).

É o caso, por exemplo, da emigração açoriana para Central Valley, na Califórnia, para onde levaram uma atividade que conheciam bem na sua terra natal – as vacarias. Descobriu que quando os açorianos chegaram àquele grande vale separado da costa californiana pelas Cordilheiras Costeiras, os suecos já lá estavam. “Eu não sabia dessa história. Quando eu cheguei lá havia uma cidade ao lado de Turlock que se chama Hilmar. E Hilmar é uma palavra sueca, o nome é sueco. E as pessoas disseram, há uma colónia sueca aqui. O quê? E eles contaram-me toda essa história, que os suecos chegaram antes dos açorianos. Eram suecos que moravam em Minnesota, nesses lugares frios. E foram enganados, compraram terra em Central Valley e não tinham água. Depois chegaram os açorianos e eles não se entenderam bem, porque os suecos eram protestantes e os açorianos são católicos. Eles não casaram entre si.”

Os açorianos levaram para a Califórnia a Festa do Espírito Santo (Holy Ghost Festa) que ainda hoje é uma grande celebração por aquelas terras – como aliás as touradas, embora “sem sangue” (Portuguese Bloodless Bullfights). Henrik Brandão Jönsson falou com muitos dos portugueses daquela região agrícola, mostrando como os emigrantes sentem a saudade, numa espécie de grande reportagem pintada pelas suas próprias angústias. “Retratando, explorando a saudade deles, também para entender a minha saudade. Entrevistei pessoas, migrantes, porque todo o mundo que emigrou tem saudades”, conta ao DN.


Há emigrantes portugueses espalhados por muitas partes do mundo, mas o ângulo do jornalista ficou bem definido à partida: os que vieram de ilhas. Por isso temos a emigração dos açorianos para a Califórnia, a dos madeirenses para Caracas, e a dos cabo-verdianos para Nova Inglaterra, nos Estados Unidos.

“Os que são das ilhas, têm mais saudade. Todo o mundo que muda de um lugar para outro tem saudade. Mas se você vem de uma ilha, sente mais, porque tem saudade do mar. E há essa coisa também de uma ilha ser uma área restrita, você pode ver de um lado para o outro”.

Alguns dos ‘personagens’ desta história são Daniel Martiniano, antigo caçador de baleias açoriano, Elda Medeiros, cujos pais emigraram para Turlock quando o vulcão Capelinhos entrou em erupção no Faial, era ela criança, ou o padre Isaque que aos oito anos, na década de 1980, também chegou a Central Valley. Também conhecemos a história de José Viveiros, que emigrou para Caracas com o padrasto e a mãe aos 13 anos, singrou e vendeu o posto de combustível antes que Chávez se apropriasse dele; ou de Dionísio Pereira, que partiu do Funchal para a Venezuela para fugir ao serviço militar, criou a sua própria empresa, vendeu-a, mas com a hiperinflação, perdeu todo o seu património; ou ainda de Fernando Campos, gerente dos supermercados Gama em Caracas que, na altura da polémica do pernil de porco, viu a Guarda Nacional invadir-lhe o escritório.

A primeira vez que Henrik Brandão Jönsson entrou em contacto com a palavra “saudade” foi numa loja de discos em Lisboa, em 1993, ao ver o álbum de Cesária Verde com a canção Sodade. E para este livro ele viajou até Cabo Verde e falou com Sónia e Irineu Soares, os filhos de Armando Soares, reconhecido pela justiça como o autor da letra e música da mais famosa morna do mundo, e que também foi emigrante.

Os cabo-verdianos são também um povo de emigrantes e neste livro ficamos a conhecer histórias de vida como a de João Cardoso Corrêa, 77 anos, originário da ilha do Fogo, que está há 25 anos em Brockton, Nova Inglaterra, e que não vê a mulher, Josefa, há 24 anos, por lhe ter sido recusado o visto.

Mas este livro é também uma viagem pessoal de um emigrante sueco a viver no Brasil há um quarto de século. Nas conversas que foi tendo com os emigrantes com quem se cruzou, levantou-se a questão: onde morrer e onde ser enterrado? Morrer no país de acolhimento mas ter a morada eterna onde se nasceu? “Todos os imigrantes lutam com essa questão. Eles vão voltar para morrer? Algumas pessoas querem isso. E outras pensam, não, porque tenho aqui os meus filhos, os meus netos. Mas a maioria quer ser enterrado por um padre português.”

Henrik Brandão Jönsson nunca tinha pensado nisso, mas o tema da morte do emigrante atravessou-se nesta narrativa, e ele até pediu conselho a dois padres com quem falou, um na Califórnia e outro na Venezuela. A resposta foi a mesma – o tempo ajudará a decidir – levando-o a questionar-se sobre se é uma pergunta padrão dos sacerdotes... A dúvida de Henrik acompanho-o neste livro, mas no final o escritor revela em que país quer morrer, e em que país quer ser enterrado.

Henrik escreve sobre como ele próprio sente saudades da Suécia quando está no Brasil, e do Brasil quando está na Suécia, e de como os sabores são importantes para “matar saudades”. “A minha saudade não é do nacionalismo, da bandeira sueca, é dos sabores. Agora na Páscoa tive um ataque de saudade. Estava a ver a família no Instagram celebrando e abri a geladeira, achei uma lata de arenque, fiz ovos, arenque, matei a saudade”.

A saudade também não tem o mesmo peso em Portugal e no Brasil. “Especialmente para os cariocas, a saudade é qualquer coisa. Ah, que saudade, esse sorvete! Você encontra uma pessoa ontem e encontra no dia seguinte, e que saudade de ontem! Então, a palavra não é tão pesada. Aqui em Portugal saudade é mais saudade, é mais séria, mais sentimental, mais melancólica”.

Não se teoriza sobre a saudade neste livro, mas explica-se a origem da palavra e de como se enraizou na língua portuguesa. O autor cita Onésimo Teotónio Almeida - açoriano que se doutorou em Filosofia na Universidade de Brown, onde foi professor catedrático no Departamento de Estudos Portugueses e Brasileiros - que diz que a saudade é um sentimento universal, mas que só o português tem uma palavra para o definir. Faz o contraponto com o linguista Marco Neves, que afirma que não é uma palavra intraduzível, embora não numa única palavra.

Uma coisa é certa: com a globalização, há cada vez mais pessoas no mundo a sentir saudade. Henrik Brandão Jönsson considera que a palavra vai espalhar-se por outras línguas. Com os anglicismos a proliferarem, saudade pode bem tornar-se um lusismo em várias línguas por esse mundo fora. “Eu acho que no futuro, dentro de dez, 15 anos, as pessoas vão usar a palavra saudade no inglês, no mandarim... Porque é uma palavra única para o sentimento que está virando a norma. Você nasce num lugar, muda para outro. Todo o mundo, daqui a pouco, vai ter saudade. Acho que essa palavra vai espalhar-se. Na Suécia, por exemplo, nós usamos muitas palavras em inglês. Os suecos já estão a começar, por causa do meu livro, a falar ‘ saudade’, com pronúncia sueca.

Henrik Jönsson vive no Rio de Janeiro e é correspondente do maior jornal sueco na América Latina.

“Se o Flávio ganhar, ele vai abrir o Brasil à exploração americana”

No livro Saudade relata uma conversa com Marcelo Rebelo de Sousa quando ele foi à reabertura do Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, em 2021. Mas ele não gostou das perguntas.

Não, ele não gostou, eu provoquei-o um pouco. São Paulo é a cidade onde há mais pessoas que falam português. Eu perguntei ao Marcelo o que ele sentia em relação a isso, que o Brasil, que é uma ex-colônia, tem um museu da língua que vem do Portugal. Ele realmente não gostou da pergunta. Porque ele tem orgulho que o português é de Portugal, não é do Brasil, o Brasil é uma ex-colónia. Então os repórteres de Portugal que estavam lá riam, porque eles não tinham, talvez, a coragem de fazer essa pergunta. Mas eu, enquanto sueco, não tenho nada a ver com isso. Então eu podia fazer essa pergunta.

Como correspondente do Dagens Nyheter, acompanha mais a área política?

Mais política, mas é claro que vou trabalhar na Copa do Mundo. Vou cobrir Portugal, Brasil e a Suécia, porque sou o único do jornal que fala português. Então vou ver o Colômbia-Portugal, em Miami. Talvez o último jogo do Cristiano Ronaldo.

E como é que está a situação política no Brasil?

Está muito difícil. Muito difícil, porque as pessoas cansaram-se de Lula. Lula fez muita coisa boa para o Brasil. Ele é uma pessoa maravilhosa, mas ele é um homem de 80 anos. Não tem herdeiro, não tem alguém que pode ganhar as eleições, mas as pessoas estão tão cansadas de ver Lula que eu acho que eles vão votar em qualquer um que não seja Lula.

O que antecipa nos próximos tempos no Brasil, com as eleições?

Quem na pesquisa é mais forte é o Flávio Bolsonaro, o filho de Bolsonaro, e ele pode ganhar. Ele é muito esperto, ele não usa o sobrenome Bolsonaro, ele só fala Flávio, Flávio, Flávio, Flávio. Porque as pessoas não gostam muito de Bolsonaro, mas como ele é Flávio, então não é Bolsonaro. Então há o risco de ele ganhar as eleições. Se o Flávio ganhar, ele já falou para Trump que ele vai vender os minerais raros para os Estados Unidos. Ele vai abrir o Brasil para a exploração americana. Agora tem muita exploração da China no Brasil, mas isso vai acabar, e os Estados Unidos vão entrar e enganar o Brasil pegando petróleo, minerais, pedras, essas coisas. Porque o Flávio já falou isso, vem para o Brasil, pega nossas coisas.

E qual é a situação agora na Venezuela?

Está melhor, mas ainda é uma ditadura, ainda tem presos políticos, a economia não vai para a frente. Mas eu acho que a Delcy Rodríguez é cem vezes melhor que Maduro. Ela está negociando com os Estados Unidos, está abrindo, mas o país está muito afetado pelo chavismo. Então vai demorar até pegar de novo. Mas eu, como jornalista, acho que é mais fácil ir para a Venezuela. Agora você pode fazer as matérias, a repressão não é tão forte como era dantes.

Os emigrantes portugueses na Venezuela podem ter alguma esperança?

Sim, eu acho que sim. Já falei com várias pessoas que saíram da Venezuela em 2016, quando havia fome, essas coisas. Foram para Madeira ou para o continente de Portugal e agora estão voltando para Caracas. Então tem mais esperança que a economia vai funcionar de novo na Venezuela.

 

[Fotos: Gerardo Santos - fonte: www.dn.pt]

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Por qué ni fija, ni limpia, ni da esplendor

Crece la impresión de que la Real Academia Española ha dejado de ejercer, incluso renuncia deliberadamente a ello, su papel normativo y cultural con la claridad, coherencia y autoridad que el antiguo lema sugería

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La célebre divisa de la Real Academia Española -Limpia, fija y da esplendor- surgió con un nobilísimo propósito: la lengua española contaría con una institución encargada de cuidarla, ordenarla y ennoblecerla. Pero el tiempo no pasa en balde. Trescientos trece años después de su fundación, para un buen número de hablantes, lingüistas, escritores y lectores, esa promesa ya no se cumple. No porque el español esté en decadencia -al contrario, camina más vivo e imparable que nunca- sino porque crece la impresión de que la RAE ha dejado de ejercer, incluso renuncia deliberadamente a ello, su papel normativo y cultural con la claridad, coherencia y autoridad que el antiguo lema sugería. Decir que la RAE ya no limpia, ni fija, ni da esplendor es, lamentablemente, una impresión generalizada.

Intentaremos explicarlo, aunque ni sea fácil ni sea cómodo, ni agradable. Limpiar, en el origen del lema, significaba depurar el idioma de usos incorrectos, confusos o innecesarios. No se trataba de imponer un castellano o español rígido, sino de establecer criterios claros que facilitaran la comprensión y la alta calidad expresiva. Sin embargo, la Academia se repliega ahora hacia posiciones más descriptivas que normativas, aunque rara vez sus miembros lo admitamos en público. Esto da ocasión a debates académicos internos, a veces muy tensos, que por prudencia institucional no suelen ir más allá de la sala de plenos. Debates que a menudo han opuesto y oponen dos formas distintas de entender la RAE, su función y sus obligaciones.

El argumento habitual de un sector académico, en el que se sitúan principalmente lingüistas -aunque no se trata de grupos compactos-, es que la Academia registra el uso. El problema, replica a eso otro sector donde abundan escritores o creadores, es que registrar no es limpiar. Si todo uso mayoritario, por vulgar o incorrecto que sea, resulta automáticamente válido, la noción misma de corrección pierde sentido. Y ahí reside uno de los problemas. La actual RAE acepta construcciones que hace años habría considerado erróneas, no tras un debate lingüístico profundo, sino por presión externa. Doblegándose con demasiada facilidad y frecuencia al simple uso mediático, político o de redes sociales. El resultado es una normativa cada vez más laxa, ambigua y contradictoria, que deja al hablante sin referencias firmes, sometido a los vaivenes de las modas y, lo que es peor, a la proliferación de elementos con notable presencia pública pero con escasa formación cultural. Un tertuliano, youtuber o influencer analfabetos pueden tener más influencia lingüística que un premio Cervantes. Y no es una figura retórica exagerada. Es que realmente ocurre.

Como institución colectiva, y desde hace tiempo, la RAE ha estado esquivando la constante petición de algunos académicos -cada vez menos, pues los más combativos van falleciendo o se cansan de bregar- en los debates de los plenos de los jueves: una declaración pública anual sobre el estado de la lengua española, a modo de balance, y no para imponer normas policiales, sino para prevenir y advertir de errores y malos usos antes de que éstos sean irremediables. Pues, al no establecer límites claros, la RAE deja de proteger precisamente a quienes más necesitan normas o referencias claras: estudiantes, docentes y hablantes no nativos. Pero esa renuncia de la Academia a limpiar -advertir de las amenazas antes de que se asienten sin remedio- no responde sólo a la fría concepción científica de algunos académicos, sino también a un miedo general asentado en la RAE: miedo a parecer elitistas, conservadores o excluyentes en un ámbito cultural hipersensible, en una España y una Hispanoamérica propensas a desconfiar de toda autoridad lingüística aunque esa autoridad sea noblemente compartida por todos los componentes de la Asociación de Academias de la Lengua Española. Que -a diferencia de la notoria incompetencia panhispánica del ministro español de Asuntos Exteriores, señor Albares- sí mantienen excelentes relaciones entre ellas y participan juntas en un Diccionario, una Ortografía y una Gramática milagrosamente comunes.

Fijar no es congelar la lengua

En cuanto a la segunda palabra del lema, Fijar, no pretendía en su origen congelar la lengua, sino establecer consensos estables. Todo idioma necesita puntos de anclaje; sin ellos, se fragmenta y empobrece. Paradójicamente, hoy la RAE se muestra incómoda con la idea de fijación, y las sucesivas reformas ortográficas son un ejemplo elocuente. Cambios poco justificados, explicaciones confusas y decisiones cuestionables erosionan la autoridad académica. ¿Se escribe solo sólo? ¿Guion guión? ¿Mayúsculas opcionales?... La respuesta académica suele ser tibia: «depende», «es válido», «se recomienda, pero no es obligatorio». Una institución que no fija, duda; y una que duda, deja de ser referencia. Además, y esto es asombroso, la RAE institucional hace caso omiso del criterio de escritores consagrados -muchos de ellos fueron en vida o son hoy académicos- para quienes la lengua era y es una herramienta con la que trabajan a diario. Sucede lo contrario: la Academia externaliza hoy parte de su función fijadora dejándola en manos de medios de comunicación y redes sociales, que se convierten en árbitros del asunto. Y con esa claudicación, en vez de orientar hacia el buen uso, la RAE lo desprecia.

Pero quizá lo más grave sea el abandono del Esplendor. Porque dar esplendor no es sólo pulir la ortografía y la gramática y hacer un Diccionario digno y eficaz; es, también, defender la riqueza literaria, histórica y simbólica del idioma. Desde su creación en 1713, la RAE estuvo asociada a una idea de la lengua como patrimonio cultural. Hoy, lamentablemente, esa ambición parece diluida. El sector oficial de la Academia responsable de las manifestaciones y comunicaciones exteriores vive obsesionado con que nadie asigne a la RAE la palabra elitista. En consecuencia, maneja un registro cada vez más vulgar, adaptado al lenguaje de redes sociales, con respuestas rápidas, ingeniosas y a menudo superficiales. A la altura intelectual de lo que hay.

Las redes sociales, desde luego, representan el grado extremo del problema. Son espacios donde priman la rapidez, la simplificación y la falta de contexto. Útiles como indicador sociolingüístico, resultan tóxicas como modelo normativo. Sin embargo, la RAE las menciona cada vez más como prueba de uso. El lenguaje de las redes, diseñado para impactar y no para pensar, es fragmentario, caótico, pobre en matices y proclive a la incorrección, la vulgaridad y el error. Cuando la Academia lo legitima, envía un mensaje peligroso: el cuidado, el rigor, no importan; basta con que algo circule lo suficiente. Esto tiene un efecto social devastador. Si todo vale porque se usa, ¿para qué esforzarse en escribir bien? ¿Por qué leer a buenos autores, estudiar o ampliar vocabulario? La lengua deja de ser una conquista cultural, una herramienta cuidada y noble, y se convierte en reflejo automático del confuso ruido social.

Y, bueno. Los resultados están a la vista. La sumisión de la RAE a las redes deteriora su imagen. El criterio académico se hace coloquial, el rigor es negociable. Todo vale y cualquier cateto audaz puede imponerse, si persevera, a Cervantes, Galdós o García Márquez. El antes buscado esplendor exigía distancia, profundidad, autoridad y exigencia sin complejos. Además, y como postre, la RAE ha mostrado una evidente falta de liderazgo cultural frente a la avalancha de anglicismos, tecnicismos innecesarios y empobrecimiento léxico. Aunque a veces los adapta, no siempre propone alternativas convincentes o realistas -todavía me sangran los ojos ante el amago de algún académico lingüista de proponer balé para sustituir a ballet-. Y cuando las alternativas razonables son asumidas, llegan tarde o no se aplican. El mensaje implícito es de resignación: la lengua cambia, y poco se puede hacer; sólo seguirle el paso, aunque sea cojeando.

La politización del lenguaje

Otro de los factores negativos para la autoridad de la RAE es su relación ambigua con el debate político, sobre todo respecto al llamado lenguaje inclusivo. La resistencia académica viene siendo honorable, pero sin la contundencia propia de su autoridad. No abrir la boca es la respuesta más frecuente, y dice poco en favor de la institución que las respuestas enérgicas se dejen a la iniciativa personal de los contados académicos -Javier Marías lo hizo siempre de forma destacada- que se atreven, por su cuenta y sobre todo su riesgo, a intervenir en el debate público. En la grotesca injerencia del oportunismo político, la ignorancia y la estupidez sectaria en materia lingüística, la Academia, en vez de sostener la posición firme y argumentada de su legítima autoridad, suele situarse entre el silencio administrativo y la cautela diplomática, intentando no incomodar a nadie. Esa prudencia, o ambigüedad, es interpretada como debilidad e incluso como cobardía. Cada vez que la Real Academia Española parece más preocupada por no irritar al poder político que por su propia coherencia y obligaciones, pierde autoridad. Y no se trata de negar debates sociales, que son necesarios, sino de establecer con claridad qué pertenece al ámbito de la lengua y qué al de la ideología, y ser inflexible con quienes desde el interés partidista intentan contaminar la lengua o adaptarla a sus intereses. Al no plantar cara públicamente a ese oportunismo ignorante e irresponsable, la RAE contribuye a la confusión general y abdica de su autoridad y prestigio.

Otro síntoma inquietante es la invisibilidad intelectual de muchos actuales académicos. Históricamente, la RAE estaba integrada por figuras literarias y filológicas de primer orden, cuya autoridad provenía tanto de su obra como de su pensamiento. Hoy, aunque sigue habiendo elementos brillantes entre los lingüistas -Ignacio Bosque, Pedro Álvarez de Miranda- y también hay escritores de reconocido prestigio y notables académicos de otras especialidades, sus voces públicas suenan aisladas, cuando suenan, y la institución en su conjunto no proyecta una voz prestigiosa y sólida. Las discusiones importantes sobre la lengua se dan fuera de la Academia, en universidades, medios, redes sociales y espacios independientes. La RAE suele reaccionar tarde y mal, y rara vez lidera el debate. Ha pasado de ser un faro que guía a comentarista de lo que hay.

Pero lo más grave, en mi opinión, es que en el corazón de la Real Academia Española se registra un desplazamiento silencioso, lamentable, de su principal fuente de autoridad. Durante tres siglos, la RAE entendió que la lengua se establecía principalmente de abajo arriba, pero enriquecida, contrastada, analizada y devuelta desde arriba hacia abajo mediante la literatura, el pensamiento, la tradición escrita y el criterio de autores solventes cuya obra demostraba excelencia, precisión y capacidad de perdurar. Hoy, en cambio, entregados los aspectos técnicos de la RAE a lingüistas partidarios de asumir dócilmente cuanto ocurre y no prevenir lo que ocurra, la Academia invierte esa jerarquía: otorga más peso normativo a lo que se repite en periódicos mal escritos, titulares apresurados, tertulias descuidadas o redes sociales, que a la autoridad intelectual de escritores, filólogos y creadores que trabajaron o trabajan la lengua con rigor. Se anteponen, más de lo necesario, los usos de un tuitero analfabeto o el texto de un folleto farmacéutico mal traducido a la obra de Soledad Puértolas, Carlos García Gual, Juan Mayorga, José María Merino, Luis Mateo Díez, Álvaro Pombo, José Manuel Sánchez Ron, Clara Sánchez, Javier Cercas y tantos otros académicos vivos o muertos.

La inversión de la autoridad lingüística

Tradicionalmente, los buenos escritores no se limitaban a utilizar la lengua española: la afinaban. La literatura era un laboratorio de posibilidades expresivas, de creación e innovación, pero sobre todo un espacio de autoridad. Un uso reiterado en Cervantes, Galdós, Borges o Vargas Llosa tenía más peso que mil ocurrencias bastardas o efímeras. La Academia observaba todo eso registrando cuanto había, pero aconsejando utilizar lo mejor. Don Manuel Seco, al que mi querido don Gregorio Salvador definió como «el académico perfecto», abrió siempre su diccionario al lenguaje popular y su evolución natural, pero nunca perdió de vista la autoridad superior de los grandes escritores. Durante mucho tiempo -llevo 23 años en la RAE y he conocido otras épocas- los sucesivos directores de la RAE incluido Darío Villanueva, el penúltimo de ellos, mantuvieron un exquisito y útil equilibrio entre lingüistas y creadores. Hoy ocurre todo lo contrario. Los debates lingüísticos -aquellas tradicionales papeletas de toda la vida- han desaparecido de los plenos y se solventan en comisiones parciales o con decisiones casi personales, ajenas al criterio general. En 2009, cuando Ignacio Bosque iba a publicar su importantísima Gramática, todos los académicos leímos, comentamos y discutimos durante mucho tiempo el borrador. Hoy eso sería imposible: suele imponerse el hecho consumado.

Recuerdo con añoranza mi primera década en la Academia, en la que tardé años en abrir la boca si no me preguntaban. Hoy están lejos los tiempos en que los jueves suponían fascinantes discusiones de gran altura: lingüistas de categoría como García Yebra, Rodríguez Adrados, Manuel Seco, Gregorio Salvador, se medían y enfrentaban en debates inteligentes, respetables y amistosos con Camilo José Cela, José Luis Sampedro, Mario Vargas Llosa, Claudio Guillén, Carmen Iglesias, Francisco Ayala o Castilla del Pino. Ahora, lamentablemente, el núcleo de lingüistas al que la actual dirección confía las decisiones maneja con naturalidad y sin apenas control, como justificación normativa, titulares periodísticos redactados con descuido o usos masivos en redes sociales, aunque estos contradigan principios sintácticos, semánticos o estilísticos largamente asentados. La repetición cuantitativa ha sustituido a la calidad cualitativa. Se confunde frecuencia con legitimidad, visibilidad con corrección. Y esta inversión es muy grave, porque los medios de comunicación actuales -con pocas y honrosas excepciones- ya no funcionan como filtros de calidad lingüística. La presión del clic, la velocidad de publicación y la precariedad laboral han erosionado el cuidado del idioma. Que la Academia tome ese material como referencia prioritaria equivale a aceptar como patrón lo que antes habría considerado síntoma de deterioro.

Una de las actitudes más discutibles, siempre en mi opinión, es que la RAE apenas advierte ya con claridad del mal uso. Tiene verdadero miedo de hacerlo. Antes, el diccionario y la gramática no sólo indicaban qué se decía, sino qué se debía o podía evitar. En el Diccionario o fuera de él constaban marcas claras: incorrectoimpropiodesaconsejadovulgar... Hoy, esas advertencias se han atenuado o desaparecido, sustituidas por fórmulas ambiguas: se documentase usaes frecuente en la lengua hablada. El problema no es admitir que un uso existe, pues la RAE está obligada a registrarlo, sino elevarlo a la categoría de aceptable o correcto sin un juicio crítico. Cuando se deja de señalar un error, el error ya no se percibe como tal: el hablante pierde herramientas para distinguir entre el descuido y el rigor, entre una solución pobre y una rica, entre una desviación ocasional y una norma consolidada. Y de ese modo la Academia ya no corrige la incorrección, sino que la acepta a toro pasado. Espera a que el mal uso se imponga por cansancio, repetición o presión mediática y entonces lo incorpora al Diccionario; no como excepción a señalar, sino como variante válida. Y así, la autoridad normativa se convierte en simple notaria del hecho consumado.

La marginación de los escritores solventes

Mientras tanto, como dije, la voz de los académicos escritores que por naturaleza son creadores, trabajadores y especialistas del lenguaje, apenas cuenta hoy en la RAE. Muchos de ellos, vivos o recientemente fallecidos, han señalado errores, empobrecimientos y banalizaciones del idioma, sólo para ver cómo el sector ahora dominante en la Academia -los talibanes del todo vale- los ignora o trata como opiniones respetables, pero irrelevantes. Durante el mandato del actual director -al que por otra parte se deben importantes logros, como la labor panhispánica en América y la salvación económica de una RAE asfixiada por el expresidente Mariano Rajoy- se ha roto el vínculo histórico, el respeto mutuo, el equilibrio al que antes aludía entre creación literaria y técnica lingüística. Y esto es especialmente grave, porque los escritores no sólo conservan la lengua: la trabajan y proyectan hacia el futuro. Son quienes exploran sus límites sin romper su coherencia. Prescindir de su criterio equivale a amputar la dimensión estética e intelectual del idioma, reduciéndolo a un mero instrumento funcional. La lengua sin autoridad literaria se vuelve plana; y una academia que no escucha a quienes mejor la manejan renuncia a dar esplendor en el sentido más profundo del término.

El proceso es siniestro: en los medios se escribe peor, la Academia lo acepta, y al aceptarlo, legitima ese empeoramiento. Al legitimar, los medios se esfuerzan todavía menos. El hablante asume que la corrección es irrelevante y reproduce usos cada vez más pobres. Pero este empobrecimiento no es sólo estilístico, sino cognitivo: una lengua descuidada piensa peor. La precisión léxica, la complejidad sintáctica y la riqueza expresiva no son adornos superfluos, sino herramientas para comprender y describir la realidad. Cuando la norma se rebaja, también se reduce la capacidad de pensar con claridad.

Decir que la Real Academia Española ya no limpia, ni fija, ni da esplendor no es negar su utilidad, su hermosa y noble historia ni su necesario futuro, sino prevenir una crisis. La lengua española no necesita una policía autoritaria, pero sí una institución capaz de establecer criterios, defender la excelencia y asumir que toda norma implica incomodar a alguien. Sin limpieza no hay claridad; sin fijación no hay estabilidad; sin esplendor no hay belleza. Si la RAE no mantiene esa triple vocación, su lema será una reliquia retórica. La Real Academia Española no perderá autoridad porque la lengua evolucione y cambie; la perderá si continúa consagrando más el ruido que el pensamiento, más el error y la vulgaridad que la excelencia. Privilegiar a periódicos mal escritos y redes sociales sobre escritores solventes y tradiciones literarias sólo contribuirá a la pérdida de calidad del español. Mientras no practique la valentía de señalar el error en vez de certificarlo, y de sostener la autoridad superior de quienes a uno y otro lado del Atlántico mejor escribieron y escriben en nuestra lengua, la RAE será una institución útil pero traidora a sí misma: alguien que llega tarde, cuando el daño está hecho. Y una lengua que renuncia a la exigencia, el rigor y la belleza, acaba por renunciar a su grandeza.


Arturo Pérez-Reverte es miembro de la Real Academia Española desde el año 2003


[Ilustración: PATRICIA BOLINCHES - fuente: www.elmundo.es]


quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Mainstream

En una societat impregnada d’anglicismes, on per comprar una barra de pa has d’entrar en una “bakery”, no deixa de ser estrany que els mitjans de comunicació es refereixin al “mainstream” com una cosa aliena, quan ells justament formen part d’aquest col·lectiu. 

Escrit per Alfons Duran-Pich

El “mainstream”  és un codi universalitzat que fa referència al conjunt d’idees, actituds o activitats compartides per la majoria de la població que són considerades les normals i/o convencionals. En aquest cas, la “normalitat” és valorativa i té una lectura sociològica, no estadística, encara que en termes de probabilitat les dues lectures s’associïn.

Des de la caiguda simbòlica del “mur de Berlín” i el suïcidi assistit que va posar fi a la utopia comunista a la Unió Soviètica, el món va tornar a ser unipolar i el gendarme de “les barres i estrelles” va imposar la seva llei militarment i culturalment. Es van tornar a vendre conceptes com democràcia  i llibertat i algun insensat va recuperar el ras eslògan de “el món lliure”, com si es tractés d’un axioma.

Era fàcil propagar la bona nova, ja que l’esperit crític feia temps que estava desaparegut de l’univers intel·lectual i el poble –en el sentit més ampli– donava la raó a Étienne de la Boétie i el seu senzill discurs sobre la “servitud voluntària”.  El missatge de la Boétie era molt clar: per regla general el poble se sotmet a l’autoritat, no qüestiona la seva legitimitat, accepta com a normal la submissió enfront del domini.

I si això succeïa al segle XVI, com havia succeït sempre, més fàcil és reproduir ara el vell model, ja que els mitjans de comunicació (premsa, ràdio i televisió) són simples corretges de transmissió del “corrent dominant”  (el “mainstream”), que imparteix el catecisme imposat per les elits corporatives.

El pensament neix en els think tanks que treballen per a aquestes elits i després és transferit als líders polítics, que actuen com a simples empleats ben remunerats d’aquestes mateixes elits. El pas següent és utilitzar els mitjans convencionals, tots ells ben greixats pel poder, per a la transmissió definitiva del missatge a la massa poblacional, que processa dòcilment tota mena d’informació.

Tot són falsos relats que es repeteixen constantment per fer-los més creïbles, d’acord amb els principis propagandístics de Joseph Goebbels  –el més fidel ministre d’Adolf Hitler– que insistia (i tenia raó tècnicament) a simplificar el missatge i individualitzar a  l’adversari com un enemic únic, a repetir-lo incansablement i a convèncer a la gent que tothom pensa igual sobre el tema, que això en definitiva és el normal.

I el millor exemple el tenim en el contenciós d’Ucraïna, que discorre pels camins trillats de “la invasió militar, el malvat Putin, el carismàtic Zelensky, la defensa d’Occident, el rearmament d’Europa, l’ós rus”  i el que vostè vulgui afegir.

No repetiré el que ja he explicat profusament en altres columnes, on s’explica amb detall l’origen de tot això. Em limitaré als moviments politicojurídics de les dues parts (l’OTAN i la Federació Russa) a partir del 24 de febrer del 2022, quan l’exèrcit rus va traspassar les fronteres d’Ucraïna pel nord i pel sud. Dos dies després el govern d’Ucraïna, amb el suport de trenta-tres països del bloc occidental, va presentar una demanda contra la Federació Russa davant del Tribunal Internacional de Justícia de les Nacions Unides per suposada violació de la convenció contra el genocidi. El primer de febrer del 2024 el Tribunal va emetre una decisió rebutjant les acusacions del govern ucraïnès. En paral·lel el govern de la Federació Russa va contra replicar aquesta demanda fallida i després d’un llarg i documentat treball de recerca va presentar una demanda el 18 de novembre del 2024, acusant de genocidi el govern ucraïnès per les seves actuacions contra la població dels oblasts de Donetsk i Luhansk. I ara, amb data del 8 de desembre del 2025, el Tribunal ha admès a tràmit la demanda de la Federació Russa.

El Tribunal Internacional de Justícia de les Nacions Unides és un tribunal, com tots els tribunals internacionals de menor rang, amb un biaix pro-occidental, la qual cosa es pot comprendre pel seu origen i el seu històric posicionament. I si aquest tribunal, sotmès a fortes pressions pel poder dominant dels Estats, ha estat capaç de votar a favor (per onze a quatre) i acceptar la demanda de genocidi contra el govern d’Ucraïna és que hi ha suficients proves que ho demostren.

Sabem que la sentència trigarà i aviat quedarà aquest contenciós en l’oblit, sobretot perquè el “mainstream” es cuidarà de silenciar tot el procediment. Però el que és realment rellevant és que la “invasió” no va ser més que un acte de legítima defensa per impedir el genocidi real contra la població russa d’Ucraïna, no el figurat que el “mainstream” ha estat venent.

Mentrestant la “servitud voluntària” continuarà acceptant el relat oficial, mentre s’afanya a comprar les entrades dels propers concerts de Rosalía, segueix amb fruïció la mel·líflua entrevista del periodista senyor Basté al senyor Iñaqui Urdangarín (elevat als altars pels seus reconeguts i notoris mèrits), espera l’edició de l’autobiografia del “trempat” senyor Juan Carlos (“Reconciliació”)  per a comprar el  llibre i regalar-lo als seus afins  i s’emociona amb la fotonovel·la explicada per la premi Nobel de la Pau senyora Marina Corina Machado.

A tot aquest bloc temàtic la Intel·ligència Artificial li podria posar música i lletra de bolero caribeny, aquesta rància combinació de mentides i sexe.

Això últim també és mainstream.

 

 

[Font: www.parlemclar.cat] 

terça-feira, 23 de setembro de 2025

Destronar a língua materna

 

Escrito por Maria do Rosário Pedreira

A língua mais importante no mundo não é a língua materna com mais falantes, mas aquela que é a segunda língua de mais pessoas. Pois, o inglês. Quando vamos a um país cuja língua não dominamos, puxamos logo do inglês como língua de comunicação; e, devido à produção em massa de séries, filmes e música em inglês (sobretudo nos EUA), não só uma quantidade enorme de palavras inglesas são usadas quotidianamente em Portugal (sobretudo nas empresas, onde todos os cargos foram convertidos à tradução inglesa e os Recursos Humanos, quando entra alguém de novo, chega a chamar à receção ao novo funcionário «On Boarding»), mas também a língua do país é permeada por construções gramaticais do inglês. Hoje, por exemplo, muitos portugueses usam o «tu» em lugar do «nós» ou do impessoal «se» (e tudo por causa do «you», que é simultaneamente «tu» e toda a gente); as redes sociais estão a abarrotar de anglicismos ou palavras em inglês; mas o que acho mesmo a pior das notícias é que, nas provas feitas este ano nas escolas concluiu-se que os alunos do 4.º ano (portanto, com 9 ou 10 anos) se saem melhor em inglês do que em português. Foram realizadas mais de 340.000 provas. Teme-se o pior. 

 

[Fonte: horasextraordinarias.blogs.sapo.pt] 

segunda-feira, 4 de agosto de 2025

Martín Caparrós Rosenberg: «Del Holocausto se vuelve; del Genocidio, no»

 

                                                                               Ciudadanos de Gaza portan sacos de harina que les racionan los genocidas sionistas para provocar el exterminio por hambruna. .



Escrito por Javier Morales 

Como tantos millones de personas woke (sigo sin entender bien qué quiere decir, pero si molesta a los ultras, bienvenido sea el anglicismo), gente que no ha perdido aún el alma para cedérselo a las corporaciones  y al tecnofascismo, me preguntaba desde hace tiempo qué piensan los israelíes de bien, sí, de bien, sobre lo que está haciendo su gobierno. Sé que hay periódicos, como Haaretz, que resisten, que critican el totalitarismo étnico del gobierno israelí, que hay ciudadanos que salen a la calle a protestar y que muchos de ellos son agredidos y asediados por los nazi-israelíes. ¿Pero y el resto?, pensaba con cierta congoja.  Pues justo esta semana dos importantes organizaciones de derechos humanos israelíes se han atrevido a poner nombre a lo que hace su gobierno, con una palabra que ya estará unida para siempre al Estado de Israel: genocidio. 

Del Holocausto se vuelve; del Genocidio, no”, escribe Martín Caparrós Rosenberg en un reciente y lúcido artículo sobre el exterminio palestino en Gaza. Normalmente Caparrós no usa el segundo apellido, Rosenberg, pero en este texto apelaba a sus orígenes judíos para criticar, desde dentro, la ejecución por hambruna a los gazatíes. Nos cuenta el escritor y periodista argentino que esa técnica, la de matar mediante la hambruna, ya la utilizaron con precisión de ingeniería alemana los nazis en el gueto de Varsovia, por ejemplo, y en las zonas que Hitler fue arrasando en su ambición imperial. El autor de El hambre (Anagrama) aconseja en su artículo a los israelíes que lean el estudio que el hermano de su abuelo Vicente, Bernardo Rosenberg, uno de los médicos del hospital del gueto, escribió ante la impotencia de poder alimentar a la población hambrienta: “No tenían remedios ni instrumental ni comida para curar a sus pacientes –ni la menor esperanza de sobrevivir–, pero podían estudiar intensamente la desnutrición y sus efectos, y lo harían para intentar aportar algo a la ciencia: ayudar a que, alguna vez, en otras condiciones, otros hambrientos tuvieran más opciones”, escribe.

Para resquebrajar la niebla de las malas noticias, que a veces te impide ver la luz, esta semana he vuelto a ver un par de películas (las que he podido conseguir) de Eric Rohmer. Como sabemos, la Nouvelle Vague revolucionó el cine (también la literatura, creo que la obra de Eloy Tizón, uno de nuestros mejores cuentistas, no sería igual sin la obra de estos atrevidos cineastas), no solo europeo, sino también mundial, por esa nueva manera de mirar la realidad y el propio medio cinematográfico. Los autores (reivindicaron esta condición, la de autor), cinéfilos empedernidos, hoy clásicos de la historia del séptimo arte, rompieron muchos moldes: había ruptura de tramas, por ejemplo (¿qué haría Netflix con ellos, ayy?) y exploraron nuevas técnicas en la composición, la imagen, la interpretación. Los dedos de la mano no me dan para mencionar las obras maestras que filmaron estos asiduos a los cineclubes y las filmotecas, que escribieron en la mítica Cahiers du Cinéma. Pero confieso que tengo un cariño especial por Eric Rohmer y, sobre todo, por El rayo verde, basada en una novela homónima del gran Julio Verne. Tengo suerte porque no la he leído y, si el libro llega a tiempo a la librería en la que lo he encargado en www.todostuslibros.com , será una de mis novelas del verano.

¿Quién no se ha sentido alguna vez como Delphine? ¿Quién no ha buscado ese rayo verde al atardecer, frente al mar, en el ocaso, en ese instante en el que la luz da paso a la oscuridad? ¿Quién no ha soñado con ese trazo escrito por la naturaleza que define el destino de una relación amorosa? Al verla de nuevo, me ha llamado la atención una escena que me había pasado desapercibida hasta ahora. Delphine ha roto con su pareja, llega el verano, y le parece un fracaso quedarse en París en vacaciones, sin la playa, el sol, el mar. Pero no encuentra un plan que la convenza y vive esa libertad laboral casi con angustia. En uno de los intentos que hace por salir de París, viaja a Cherburgo con una amiga y su familia. Y despierta curiosidad en los demás: está sola, no encaja con los planes que le proponen y, encima, no come animales. 

Sobre la cuestión de comer o no animales hablé hace algunos veranos en los encuentros de Verines, que desde hace años organiza el Ministerio de Cultura y que en esa ocasión se centraron en la escritura de naturaleza. Coordinados por Luis García Jambrina, guardo un precioso recuerdo de esos días frente al mar. Coincidí con algunos amigos e hice otros nuevos. Recuerdo que después de mi charla, se acercó a mí durante la pausa el escritor asturiano Xuan Bello, a quien hasta entonces no conocía en persona. Tampoco habíamos intercambiado nunca ningún mensaje. Me pareció alguien entrañable, inteligente, amable, socarrón y vitalista. Su charla, previa a la mía, fue una narración oral, como su Historia universal de Paniceiros, escrita en asturiano, y nos tuvo absortos a quienes allí estábamos. Él defendía la ganadería, yo no. “No estoy de acuerdo”, me dijo cuando se acercó después de mi intervención, “pero me ha encantado escucharte”. Fue la única y la última vez que nos vimos. No volvimos a tener contacto. Me entero estos días de su muerte, a los 60 años. “No estoy de acuerdo con esa vida arrebatada”, le digo ahora, “pero me encantó y fue un honor haberte conocido”.

 

 

[Foto: UNRWA - fuente: www.elasombrario.publico.es]

 

 

 

sábado, 21 de dezembro de 2024

El absurdo en los villancicos

Entonaremos felices estas letras navideñas, a pesar de sus contradicciones

Papá Noel con un coro de niños en Dublín el pasado 11 de diciembre de 2024.

Escrito por Álex Grijelmo

Llegaron los villancicos y en estos días cantamos sus letras sin percatarnos de qué estamos diciendo. Eso nos lleva a sacarles punta aquí con buen humor, como festejo navideño particular de esta columna.

Uno de ellos, por ejemplo, nos invita a mirar unos peces que están en el río y que beben y beben. Si están en el río, se supone que beben agua. Sin embargo, no se justifica una celebración con agua por ver a Dios nacido. Así que tal vez los peces estén bebiendo cava, o sidra-champán El Gaitero famosa en el mundo entero (y también en los ríos con peces). El estribillo no lo aclara. Y además, primero beben y beben los peces en el río por ver a Dios nacido, y luego beben y vuelven a beber por ver a Dios nacer, lo que carece de lógica porque ya nos habían dicho que estaba nacido, y si estaba nacido no cabe contar después que seguían bebiendo por ver a Dios en la acción de nacer, que se había dado por concluida.

El maravilloso villancico Stille Nacht, de los austriacos Joseph Mohr (letra) y Franz Gruber (música), traducido como Noche de paz, se canta con una notable contradicción en una de sus versiones más extendidas en español: “Noche de paz, noche de amor. Claro el Sol brilla ya”. Pero vamos a ver: ¿No se está diciendo que es de noche? ¿Qué pinta ahí un Sol brillante? Si brilla el Sol no puede ser de noche; sería de día incluso si los relojes marcaran las cero horas. Ni siquiera un milagro puede conseguir que sea de noche y de día a la vez.

Eso va en línea con el hecho de que en el portal de Belén haya estrellas, Sol y Luna. Si hubiera ocurrido tal coincidencia de todos esos astros, la Biblia ya se habría dado cuenta y lo habría contado antes que el villancico.

Igualmente, supone una cierta incongruencia festejar la marimorena, ande, ande, ande. Desde el diccionario de 1734, formar una marimorena equivale a montar una riña o pendencia; a cuento, según la tradición, de un altercado ocurrido hace siglos en una taberna madrileña llamada María Morena. Aquellos académicos del XVIII ponían como ejemplo la frase “Anduvo una marimorena”. Pues ande, ande, ande; o anduvo, anduvo, anduvo.

Y en el caso de que aceptemos la teoría de que “la Marimorena” se refiere en realidad a una Virgen negra, imaginaria hermana de La Moreneta, ¿qué sentido tiene que ahora ande, ande y ande en Nochebuena en lugar de estar cenando con la familia?

La traducción de White Christmas (Blanca Navidad) dice: “Oh, blanca Navidad, sueño. / Y con la nieve alrededor. / Blanca es mi quimera. / Y es mensajera / de paz y de puro amor”. Teniendo en cuenta que una quimera es una figuración irreal, o se está dando por falsa la Navidad o se nos está pidiendo aceptar que algo inexistente y de color blanco nos traerá un mensaje real de paz y de amor.

También cantaremos la buena nueva de que ya vienen los Reyes Magos cargaditos de juguetes, caminito de Belén, “olé, olé, Holanda y olé, Holanda ya se ve”. Y digo yo: si los Magos eran tan sabios, ¿cómo contrataron unos camellos tan tontos que los llevaban desde Oriente hacia Belén pasando por Holanda? Para justificar esto se ha aventurado que la estrella que seguían –o sea, su GPS de entonces– se llamaba Olanda, sin hache, lo que como invento no está mal; o que los desconocidos autores del secular canto se dejaron influir por el nombre inglés Holy Land (Tierra Santa). Esto constituiría un anglicismo muy de nuestra época, pero anacrónico en aquella.

Es lo que pasa con los villancicos, que lo mismo se echa uno un remiendo que se lo quita, o que cantamos a los pampanitos verdes como si los hubiera maduros, o que le llevamos a un bebé requesón, manteca y vino, lo que conculca las leyes de protección de menores.

Pero no importa. Entonaremos felices estas canciones entrañables y mantendremos la tradición popular. Eso sí, conscientes de que concederles cierta lógica exigiría un nuevo acto de fe.


[Foto: Brian Lawless (PA Images / Getty Images) - fuente: www.elpais.com]