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domingo, 26 de julho de 2026

Portugal sacrificado

Para onde vai Portugal? É frequente achar-se que as elites que mandam no país não têm um rumo para Portugal. Nada mais errado. Eles sabem o que querem. Têm um plano e ele está a avançar. 


Escrito por Manuel Afonso

Para onde vai Portugal?

É frequente achar-se que as elites que mandam no país — portuguesas, mas não só — não têm um rumo para Portugal. Seríamos uma noz à deriva, ao sabor do improviso e dos ventos imprevisíveis dos tão famigerados ciclos eleitorais. Nada mais errado.

Eles sabem o que querem. Têm um plano e ele está a avançar.

Podemos olhar para trás e tentar entender onde começou. Haveria vários marcos para assinalar o arranque dessa grande transformação. Mas certamente quando, em plena crise das  dívidas soberanas (ou da terapia de choque que as usou como pretexto), foi anunciada a intenção de «ir para além da Troika», era disso que estavam a falar. Não era só sobre cortes de salários e pensões; não tinha que ver com política fiscal. Era sobre um novo lugar (pior) de Portugal no mundo. Na divisão internacional do trabalho. Daquilo que Portugal faz e para que serve, se assim quisermos dizer. Da inauguração de uma economia de sacrifício. Para sempre. Foi esse o plano e desde então não foi travado. O atual Governo é, naturalmente, uma agremiação de talibans votados a esse plano: sacrificar Portugal. Mas desde, pelo menos, Passos Coelho até hoje ninguém travou este processo.

De que falamos?

Vejamos, por exemplo, o novo PSZAER: Plano Sectorial de Zonas de Aceleração de Energias Renováveis. Um mapa «verde» como lhe chamam. «Verde» no sentido de um semáforo permanente aberto para a «aceleração» do extrativismo selvagem, de fluxos de capital que cá vêm buscar energia barata, deixando sacrifício como resultado. Trocando por miúdos: neste mapa, o governo assinala as áreas do território onde se podem (devem?) instalar centrais fotovoltaicas ou de energia eólica, com maior facilidade de licenciamento (ou seja, menos regulamentação e proteção para o território e as populações). No total, 7% do território continental disponível para estes megaparques. Para termos uma noção, as áreas metropolitanas de Lisboa e Porto somadas são menos de 6%. Mas há distritos que veem mais de 10% do seu território potencialmente entregue as estas megacentrais; e concelhos que podem ter mais de 25% ocupado por estes desertos «verdes». Que não haja ilusões: não tem nada que ver com transição energética e climática. Para isso, cabe investir no solar descentralizado, essencialmente no cimo de edifícios já existentes e não seria necessária uma área tão grande. Problemas: áreas enormes de paisagem roubada, onde já nada crescerá, onde não há ecossistemas para absorver calor, carbono e água, onde os solos são esvaziados de nutrientes e desterificados por gerações; sem criação de emprego, de conhecimento ou inovação; sem embaratecer a eletricidade, devido ao modelo de fixação de preços, desenhado à medida das rendas da EDP; na mão de poucos investidores, que concentram poder e dinheiro. O que fica para Portugal? Zonas de sacrifício. Partes enormes do território fadadas à desertificação literal, à seca, ao abandono. Uma economia que não gera nada, para além de fartas rendas para uns poucos.

Mas as Zonas de Aceleração de Energias Renováveis são só um exemplo. Pensemos na contrarreforma agrária que viveu Portugal na última década, década e meia: explosão da agricultura intensiva ou ultraintensiva —frutos vermelhos, olival, amendoal, abacate. Um modelo que esgota os solos, absorve água em excesso, assente na exportação, muitas vezes com base a culturas geneticamente modificadas em que nem a reprodução é possível (os agricultores têm de comprar as plantas anualmente a multinacionais detentoras das patentes) e cujas margens só se mantêm através do uso em grande escala de mão de obra ultraprecária. Sacrifício da terra, sacrifício do trabalho. Saem os lucros, ficam os desertos.

Pensemos na turistificação dos centros às cidades, aliada ao rentismo imobiliário e à superexploração na hotelaria, restauração, limpezas, plataformas. Sobram os centros das cidades, inacessíveis a quem cá trabalha, e o seu correlato invisível, os subúrbios, armazéns de população «excedente», reservatórios de mão de obra. Ambas zonas de sacrifício.

Pensemos nos projetos de data centers. Só o data center Start Campus em Sines irá utilizar o equivalente a 15% da eletricidade nacional. Somando os pedidos de potência feitos pelos investidores em data centers em Portugal, o uso e eletricidade em território nacional pode vir a triplicar! (Já se percebe o interesse nos mares de painéis solares.)

Vejamos agora na mineração. A barbaridade em curso nas Covas do Barroso, distrito de Vila Real (e a heroica resistência da sua população), em que o Estado se coloca ao serviço, pela lei e pela força, da destruição do território e da comunidade para permitir a uma multinacional estrangeira executar um crime ambiental, é apenas um exemplo. Os novos projetos de mineração também surgem como cogumelos. E o modelo é sempre o mesmo: donos estrangeiros, extração para exportar, nenhum valor acrescentado, trabalho explorado, destruição do território. Sacrifício.

Naturalmente, o modelo de imigração realmente existente — não o direito humano a migrar — não pode ser dissociado desta economia de sacrifício. A ideia de importação de mão de obra, vista como mercadoria «essencial à nossa economia» (de sacrifício) e a perseguição aos trabalhadores imigrantes, construindo um novo proletariado numa situação de subcidadania disponível para o sacrifício são, nisto, complementares. Só assim se entende a revanche da AD e dos novos fascistas contra os imigrantes que trabalham, tal como é a esta luz que se percebe a sanha do malogrado e bem chumbado Pacote Laboral — criar um povo sacrificado.

Zonas de sacrifício. Economia de sacrifício. Portugal sacrificado. Eles têm um plano

Zonas de sacrifício. Economia de sacrifício. Portugal sacrificado. Eles têm um plano. As direitas e o PS distinguem-se no modo e no ritmo (o que, sim, circunstancialmente, conta), mas não na visão para o país. A escolha não pode ser entre os aceleracionistas selvagens e os gestores tecnocráticos do nosso sacrifício.

Também porque a economia do sacrifício é o sacrifício da democracia. Onde a serra arde, a água falta e o trabalho adoece, não há democracia; onde os abutres milionários são donos dos partidos e do poder, não há democracia. Aí, o Estado falha, a democracia esvazia-se. Não é um prognóstico, é um diagnóstico. E isso explica a abrupta mudança na política nacional. Vidas sacrificadas não têm o respeito por uma democracia que lhes falhou como critério eleitoral.

Temos de ter um diagnóstico claro, conhecer Portugal — os números, mas sobretudo as pessoas e lugares. E, principalmente, um plano alternativo. Para recuperar o controlo. Do território, da economia, da democracia. Do povo para o povo.

Este pode ser o ponto de partida: para um programa, para uma estratégia, para uma esquerda para vencer. 

 

[Fonte: www.esquerda.net]

terça-feira, 12 de maio de 2026

La modernització europea de Catalunya

Enguany fa quaranta d’anys de l’adhesió de Catalunya a la Unió Europea. Una fita que ha suposat la transformació del país. A través dels fons comunitaris, s’ha millorat la competitivitat de diferents sectors productius i s’ha reforçat la cohesió social. 


Poc després d’haver-se menjat el raïm per l’adveniment del nou any, Catalunya va preparar el confeti, les serpentines i els dolços per celebrar un aniversari ben especial. El Principat i la Unió Europea complien quatre dècades de matrimoni, d’una unió robusta i ben ferma. «L’ingrés a la comunitat europea va significar per a Catalunya l’entrada en un espai de pau, llibertat i progrés compartit», van subratllar des del govern de la Generalitat de Catalunya a través d’una declaració institucional.

«Catalunya reivindica —ara més que mai— el seu compromís amb una Europa de les regions, capaç d’integrar la diversitat dels seus territoris i que situï la proximitat a la ciutadania en el centre del projecte europeu», van proclamar. «Quaranta anys després, el Govern de la Generalitat de Catalunya reafirma la seva vocació europeista, la seva voluntat de contribuir de manera activa a la construcció d’una Europa més federal, més forta i més unida, i el seu compromís amb un projecte que ha sigut un motor de transformació, justícia i esperança per a milions de persones», van concloure per mostrar la seva fidelitat al projecte de la Unió Europea.

Perquè, en efecte, la pertinença de Catalunya a la Unió Europea ha donat grans fruits i ha estat palanca de modernització del país. Els fons europeus han contribuït a desenvolupar els sectors productius i econòmics catalans, així com han permès avançar en termes d’igualtat, inclusió i cohesió social al llarg d’aquests quaranta anys.

Un exemple han estat els diners aportats a través de la política agrària comuna (PAC). En 2024, la Generalitat de Catalunya va abonar 301 milions d’euros a 36.081 explotacions agràries catalanes. D’aquesta quantitat, 243 milions d’euros provenien d’ajudes directes sufragades mitjançant el Fons Europeu Agrícola de Garantia Agrària (FEAGA). La Unió Europea va desemborsar, a més, 56 milions d’euros en ajuts a la sostenibilitat agrària i ha destinat poc més de dos milions d’euros en subvencions per a la reestructuració dels cultius vitícoles.

Descarbonització i foment de la biodiversitat

Paral·lelament al suport desplegat al sector agrícola, la integració europea ha permès rebre fons per a garantir la biodiversitat a Catalunya, combatre el canvi climàtic i avançar en la transformació energètica cap a fonts menys contaminades i renovables. Amb una aportació 217 milions d’euros per part del club comunitari, s’ha finançat la implantació de zones de baixes emissions, l’electrificació del transport públic, la creació de carrils bici i l’adequació d’entorns escolars perquè siguin accessibles i segurs.

L’aposta per les renovables i per modificar els usos energètics s’ha visibilitzat a l’àrea metropolitana de Barcelona. A la corona metropolitana de la capital catalana, la Unió Europea s’ha implicat en la instal·lació de plantes fotovoltaiques. Si el desemborsament total ha estat de 7,1 milions d’euros, els recursos comunitaris n’han cobert el 41%, és a dir, 2,9 milions d’euros. Amb la meta de fomentar l’estalvi energètic i l’eficiència a través de l’energia renovable, el projecte s’ha centrat en la instal·lació de 70 plantes fotovoltaiques —dues per municipi, llevat de Barcelona—, en les cobertes dels edificis públics i en pèrgoles situades a la via pública.

A través de la via dels fons Next Generation, Europa s’ha implicat en el projecte Urban-Nat Lleida. Aquesta iniciativa té com a objectiu adaptar la ciutat al canvi climàtic i millorar la biodiversitat urbana. La Unió Europea n’ha aportat el 76% dels recursos econòmics, és a dir, ha injectat 3,7 milions d’euros dels gairebé cinc milions d’euros destinats al desenvolupament d’aquesta proposta. Les principals accions són la creació de nous espais verds i de sendes farcides d’arbres, la recuperació ambiental de la Seu Vella o la naturalització d’espais com ara el carrer del Riu Ebre o l’avinguda del Doctor Fleming.

La potència modernitzadora dels fons europeus ha abastat programes de mirada mediambiental i de preservació del territori del país. És el cas de Life medCLIFFS, amb un pressupost de gairebé milió i mig d’euros. Amb una contribució europea del 60%, això és, de 843.814 euros, la iniciativa cerca protegir la biodiversitat del litoral de Girona a través de l’eliminació de la seva flora exòtica i invasora. Per a fer-ho possible, s’han desenvolupat actuacions de conservació de la Costa Brava i del Parc Natural del Cap de Creus, prioritzant l’eliminació d’espècies invasores que amenacen el paisatge natural.

La cohesió social com a prioritat

La dotació d’oportunitats a tothom és una línia estratègica inserida dintre del model social europeu. En sintonia amb aquesta filosofia, la Unió Europea ha finançat el 60% del programa Noves Oportunitats. Amb un pressupost total de 31,4 milions d’euros, el club comunitari n’ha aportat 12,5. L’objectiu és facilitar la inclusió laboral dels joves de 16 a 24 anys amb dificultats per integrar-se al mercat de treball o en la formació postobligatòria.

Els recursos europeus han servit, al seu torn, per a digitalitzar els centres educatius i oferir als alumnes les eines tecnològiques necessàries per al món del demà. Mitjançant el bazuca econòmic dels Next Generation, les institucions comunitàries han invertit 198 milions d’euros per a instaurar el programa STEAM als centres eductius de Catalunya. Aquesta iniciativa ha permès dotar-los de material tecnològic i audiovisual.

Sense sortir de l’espai d’adquisició de coneixements, la petjada de la Unió Europea ha estat present en les línies per a incrementar la competitivitat del sistema de recerca de Catalunya, per exemple, en l’impuls de l’administració digital del Consorci de Serveis Universitaris de Catalunya o en l’ampliació dels serveis de gestió i dades per a millorar el posicionament, la viabilitat i l’impacte de la recerca catalana. A través del fons REACT-UE, s’han invertit poc més de 12,7 milions d’euros per a assolir aquestes metes.

La pertinença al club comunitari ha provocat el suport econòmic en inversions sanitàries, com ara en la millora dels centres d’atenció primària de l’Ametlla de Mar (Baix Ebre), amb 2,1 milions d’euros; Roquetes (Baix Ebre), amb 2,6 milions d’euros, i el del barri tarragoní de Torreforta, amb 2,6 milions d’euros. Tota una mostra dels avenços i de les aportacions europees —només en els darrers temps— per a la modernització, l’impuls econòmic i la cohesió social de Catalunya.

 

[Font: www.eltemps.cat]

segunda-feira, 20 de abril de 2026

El racismo de la «prioridad nacional» de las derechas extremas españolas

 

Escrito por Ignacio Escolar 

¿Las provincias de Extremadura? En realidad son tres: “Cáceres, Badajoz y Leganés”. 

El dicho popular, muy extendido hace décadas, respondía a una realidad. Entre 1950 y 1975, Extremadura expulsó a casi la mitad de su población. Se fueron a las fábricas de Alemania, a las obras de Barcelona, a los suburbios de Madrid. Barrios enteros nacieron así: sin plan urbanístico, sin escuadra o cartabón. Casas bajas, construidas con las manos desnudas por los emigrantes que buscaban un techo para dormir. Es una herencia que aún es visible en parte del mapa de las grandes urbes españolas. Trazados caóticos, de calles estrechas y retorcidas más propias de la Edad Media, pero que se edificaron mientras el hombre llegaba a la Luna. Un siglo después del ensanche Cerdà o del barrio de Salamanca de Madrid.

Aquellas ciudades no les esperaban, aquellos emigrantes tampoco eran bienvenidos. Las autoridades franquistas apostaban vigilantes en los trenes con destino a las zonas industriales. Identificaban a quienes viajaban sin contrato de trabajo. Los interrogaban y los mandaban de vuelta a sus pueblos. La respuesta de muchos extremeños era bajarse en la estación anterior y hacer el resto del camino a pie, campo a través, hasta llegar a casa de algún amigo o familiar en la ciudad. 

Esa gran ola migratoria afectó a toda la España rural. Pero se cebó especialmente con Extremadura.

Eran los “sin papeles” de entonces. Tampoco les trataron demasiado bien. 

Solo en Barcelona, el historiador Miguel Díaz Sánchez ha documentado más de 30.000 devoluciones desde el fin de la guerra hasta 1966. Antes de devolverles a su pueblo, primero se les encerraba con el pretexto de ser indigentes: en el Pabellón de Misiones, en Barcelona, o en el Matadero de Madrid. La orden de expulsión era clara: si les cazaban de vuelta, entrarían en prisión.

La represión del franquismo contra la emigración interior duró hasta los años 60. Acabó por dos motivos: la necesidad de más mano de obra en las ciudades y la incapacidad para evitar la emigración, por mucho esfuerzo que pusiera la Guardia Civil. Ni siquiera una dictadura pudo poner puertas al campo. Lo mismo ocurre hoy. A pesar de quienes creen que perseguir a los inmigrantes los hará desaparecer.

María Guardiola, presidenta de Extremadura: “Yo no puedo dejar entrar en Gobierno a aquellos que niegan la violencia machista, a quienes usan el trazo gordo, a quienes están deshumanizando a los inmigrantes”.

Es justo lo que acaba de firmar. 

El nuevo acuerdo extremeño entre el Partido Popular y Vox es una versión ampliada y extendida del mismo discurso ultra que ya pactaron en 2023. 

La extrema derecha no solo vuelve al Gobierno extremeño: ahora tendrá una vicepresidencia. Vox sigue negando la violencia machista y empleando el trazo gordo en sus discursos negacionistas contra las energías renovables o la agenda verde. En cuanto a la “deshumanización” de los inmigrantes, también subimos un nuevo escalón.

Vox lo llama “prioridad nacional”. El PP de Guardiola lo ha firmado sin rechistar. En la práctica, consiste en una política de racismo institucional: que los inmigrantes tengan menos derechos que los españoles pata negra en el acceso a las “ayudas, subvenciones y prestaciones públicas”.

Todo esto en una región donde los extranjeros son apenas el 4,7% de la población: un tercio de la media nacional (14,1%). No hay ninguna emergencia migratoria en Cáceres ni en Badajoz, es más bien al revés. Sin la llegada de los pocos inmigrantes extranjeros que se mudan allí, Extremadura seguiría perdiendo población. Son muy pocos, pero aunque no lo fueran: recortar derechos a personas por su origen es pura discriminación. 

“No se puede dejar al margen a nadie de un sistema en el que ha contribuido”. Y esto no lo digo yo, lo dice Isabel Díaz Ayuso. Cómo será este acuerdo para que le haya parecido mal incluso a la dirigente más trumpista del PP.

Hay otro problema: la “prioridad nacional” que plantean es profundamente ilegal. No se podrá aplicar. Con las leyes vigentes, a estas personas migrantes no se las puede discriminar. Otra cosa es que el PP y Vox, en el futuro, cambien la ley orgánica de Extranjería, como pretenden. Pero con este Congreso de los Diputados, por ahora, no ocurrirá. 

Tampoco podrán discriminar a los inmigrantes en el acceso a la Sanidad, como plantea Vox. Es una competencia cuya gestión está transferida, pero todas las autonomías deben dar acceso a todas las personas, según las leyes y derechos estatales. Hace unas semanas, un nuevo decreto amplió la sanidad pública incluso a los extranjeros sin residencia legal.

Que todas las personas que viven en España mantengan el acceso gratuito a la sanidad no solo es una buena noticia por una cuestión de humanidad: es también salud pública. ¿O acaso creen los votantes de Vox que los virus y bacterias respetarán su “prioridad nacional”?

Sí hay en el acuerdo extremeño otras trampas xenófobas que buscan este mismo objetivo racista, pero que recurren a métodos más sibilinos. PP y Vox han firmado ampliar el plazo mínimo de empadronamiento en Extremadura para poder optar a viviendas de protección oficial. Serán al menos diez años para la compraventa, cinco años para el alquiler social. No hace falta poner “los españoles primero” en este nuevo requisito legal, pero el objetivo es el que es: dejar fuera a los inmigrantes de las políticas públicas de vivienda. Son ellos, mayoritariamente, los que tienen pocos años de antigüedad en el padrón.

Esta idea, sin embargo, no es original. Es la misma medida que ha aplicado en Madrid Isabel Díaz Ayuso. Fue por voluntad propia: sin necesidad de que le presionaran desde Vox. 

El acuerdo extremeño es solo un aperitivo de lo que está por llegar. La “prioridad nacional” es el nuevo “pin parental”: la medida estrella que Vox quiere colar en todos los acuerdos con el PP, empezando por Aragón y Castilla y León. 

Tiene una parte de propaganda: varios de sus efectos prácticos en las autonomías serán muy limitados mientras no logren cambiar las leyes orgánicas. Pero también de amenaza: está claro cuál es el plan. Si de Vox dependiera, en España también tendríamos, a la caza de inmigrantes, a las milicias trumpistas del ICE.

Tanto Vox como el Partido Popular creen haber encontrado en el rechazo a la inmigración un caballo electoral ganador. Lamentablemente, es posible que tengan razón. Es una vieja historia. Cambian los nombres, el acento, el color de la piel, pero el mecanismo es siempre el mismo: culpar al último en llegar. Convertir al más débil en el problema. Señalar hacia abajo para no mirar hacia arriba.

El periodista alemán Ernst Klee publicó en 1971 un libro sobre las pésimas condiciones de vida de los inmigrantes españoles, italianos o griegos en la Europa rica. El título era esclarecedor: “Die Nigger Europas”. Los negros de Europa.

La mitad de los españoles que emigraron en esos años hacia Europa para trabajar lo hacía sin papeles ni permisos. Como siempre ha pasado en la historia, este tipo de barreras administrativas son inútiles cuando existe una necesidad material. Discriminar a los emigrantes no les hará desaparecer, solo hará su vida aún peor. 

Ojalá los abuelos extremeños expliquen a sus nietos en qué consiste la empatía, el respeto y la humanidad. Aquellos que se bajaban del tren una estación antes para no ser devueltos a su pueblo. Aquellos que mandaban pesetas a casa desde las fábricas del Ruhr. Aquellos que construyeron Leganés. 

No hace tanto tiempo, esos otros éramos nosotros. 

 

[Fuente: www.eldiario.es]

terça-feira, 10 de março de 2026

Els perills amagats de la traducció automàtica


La major part dels textos que consumim són traduccions, sobretot a les xarxes.

Escrit per Esther Monzó-Nebot

Professora de l'àrea de Traducció i Interpretació, Universitat Jaume I

La traducció i la interpretació amb intel·ligència artificial ja formen part de la vida quotidiana. La major part dels textos que consumim són traduccions, sobretot a les xarxes. En el dia a dia, utilitzem la traducció automàtica per entendre articles de diari o documents sanitaris.

En un context com el català, marcat pel plurilingüisme i pel valor social de les llengües, aquesta tecnologia, però, també reconfigura les relacions socials de poder i l’accés als drets en exacerbar estereotips i oferir més o menys qualitat en funció de la llengua que es parla.

I és que, com amb qualsevol altra tecnologia, el que veritablement importa són les implicacions polítiques i socials: què passa quan deleguem la nostra comunicació a sistemes automatitzats que ni volen ni poden entendre el context social en què operen?

Ho fan millor que abans, però al·lucinen

El 2016 el món de la traducció va canviar. La intel·ligència artificial (IA) va entrar en la traducció automàtica de la mà de Google Translate, amb el que s’anomena traducció automàtica neuronal. Poc a poc, tots els sistemes de traducció automàtica han anat incorporant models d’aprenentatge profund entrenats amb grans quantitats de textos. Aquests models calculen probabilitats del que traduiria una persona. Ho fan a partir dels patrons estadístics que es generen amb les traduccions que ja han fet altres persones.  

Aquests models han portat una millora notable: si abans les frases tenien errors lingüístics bàsics, ara els textos pareixen correctes. Els problemes han deixat de veure’s a simple vista. Vol dir que no n’hi ha? Malauradament, no.

Només són més difícils de detectar i necessiten coneixements de la llengua original per veure, per exemple, quan el que ofereix el sistema és una al·lucinació. Perquè les màquines al·lucinen. Ens donen solucions que han aprés amb els textos d’entrenament, independentment de si consten en el text original. El que és probable i majoritari passa per davant del que és real.

La màquina no entén el context

I n’hi ha més: les màquines no entenen els contextos en què s’usaran els textos, de manera que, si hi confiem, podem acabar presentant-nos com a persones maleducades perquè no comprenen que la cortesia no és igual en tots els grups lingüístics; mentideres, perquè no poden resoldre ambigüitats més enllà d’unes quantes paraules; ignorants, perquè no poden comprendre distincions entre conceptes que solen aparèixer junts; a més de racistesmasclistes o capacitistes.

Malauradament ja tenim casos en què aquesta confiança en la traducció automàtica ha comportat deportacions i detencionsdonacions d’òrgans no consentides o caos en la informació pública proporcionada durant la pandèmia, per posar només uns exemples. I, en tots els casos, la responsabilitat recau en qui usa l’eina, perquè la informació sobre els límits i riscos dels sistemes de traducció automàtica no sempre es presenta de manera clara ni proporcional als possibles impactes.

Prejudicis que s’exageren

Un dels problemes que aconsellen no confiar en la traducció automàtica és que aquests sistemes aprenen els prejudicis dels textos amb què s’han entrenat i els usen com a norma. Si ens mirem les societats en què vivim, podem imaginar què comporta això: biaixos de gènere, de classe, d’edat, culturals, lingüístics…

La traducció automàtica tradueix sistemàticament en masculí, excepte les professions relacionades amb la cura, i parla com una persona major.

No són errors innocus, ni tan sols aïllats: és una regularitat estructural que perpetua estereotips. La traducció automàtica és a tot arreu i, per això mateix, té un gran poder per normalitzar el que diu.

També cal considerar que el català, com moltes altres llengües minoritzades, està menys present en els corpus que alimenten aquests sistemes. Això fa que les traduccions cap al català o des del català tendisquen a ser menys precises, menys variades i més dependents d’estructures d’altres llengües dominants. El resultat n'és que els coneixements d’uns grups lingüístics s'imposen sobre d’altres i s'estableixen jerarquies en l’ecosistema digital.

A costa del planeta

La publicitat dels sistemes de traducció automàtica amb IA els presenta com a solucions eficients i ràpides, tant que pareixen immaterials. Tanmateix, darrere hi ha una infraestructura física amb un gran impacte ecològic, tant en l’entrenament dels models com en l’ús quotidià a gran escala, en especial per als sistemes de generació de textos que solen funcionar gràcies a megacentres de dades.

Els centres que allotgen i fan possible el funcionament dels servidors, sistemes d’emmagatzematge, xarxes i sistemes de refrigeració que sostenen aquests serveis digitals consumeixen grans quantitats d’energia i, malgrat que alguns proveïdors incorporen energies renovables, la demanda creixent ha portat les grans empreses tecnològiques a abandonar els seus objectius de sostenibilitat.

Traficar amb dades

Tan amagat com el cost ambiental és el cost que paguem amb dades. Ja ho diuen: quan no paga pel producte, el producte es vostè. Concretament, les seues dades.

La relació que establim amb els nostres ordinadors i mòbils acaba sent una d’identificació. Sense parlar-ho, hi col·laborem i n’esperem col·laboració. En aquest context quasi íntim, donar les nostres dades és pràcticament un acte reflex. Però les eines de traducció solen funcionar amb infraestructures al núvol i poden emmagatzemar els continguts processats i reutilitzar-los en altres traduccions. O analitzar-los.

Això planteja interrogants sobre la confidencialitat, especialment en àmbits protegits pel secret professional. És conegut el cas d’un professor holandés que va pujar les dades de tota la seua classe a una eina d’IA. Tot i que l’eina que utilitzava deia que processava les dades localment, les enviava als servidors d’OpenAI.

Podem reduir els riscos?

Aprendre quins són els riscos que amaguen aquests sistemes ens permet decidir quan utilitzar-los i quan els perjudicis són excessius. La nostra imatge, la nostra salut, les nostres dades, els nostres drets, l'aire que respirem o la disponibilitat d’aigua són tot riscos materials d'una subordinació generalitzada als gegants tecnològics.

De forma semblant a triar si agafar el cotxe o la bicicleta, la traducció automàtica requereix usos conscients. I de la mateixa manera, requereix límits generals que no depenguen de decisions individuals: una regulació que obligue a la transparència, limite les emissions, el tràfic de dades i la distribució dels prejudicis que empitjoren la nostra vida en societat.

Quan traduir no és triar sinó calcular

El llenguatge és l'eina més poderosa de construcció social. La traducció automàtica neuronal tria els mots per càlculs estadístics. Traduir patrons de llengua anul·la la força dels silencis, les ironies, les ambigüitats estratègiques i les formes de cortesia culturalment marcades, i ens deixa sense armes per contribuir a les nostres relacions i les nostres societats.

En usos quotidians o serveis públics, decidir com, quan i amb quines garanties utilitzem aquestes tecnologies hauria de ser, en última instància, una decisió col·lectiva. Però ho és?

 

[Foto: Anna Gawlik/Shutterstock - font: www.theconversation.com ]


quarta-feira, 5 de novembro de 2025

Un gallego en la cima de Bolivia

Entre sus propuestas, destaca facilitar el acceso al crédito, reducir los aranceles y crear un marco normativo transparente para todos los agentes productivos. Su lema, «platita para la gente, estabilidad para que bajen los precios, reglas claras para producir con un Estado que te ayuda», ha calado hondo en amplios sectores.

Escrito por  

El nuevo presidente de Bolivia, Rodrigo Paz Pereira, representa una oportunidad histórica para la nación andina. Sobre el telón de fondo de una sociedad dividida y exhausta por los excesos partidistas, la figura de Paz Pereira adquiere relevancia por su temple, su 'sentidiño' y su visión inclusiva para el futuro del país.

Rodrigo Paz nació en Santiago de Compostela, hijo de una enfermera compostelana y de un líder boliviano exiliado durante la dictadura. No solo encarna la fecunda fusión de dos tradiciones —la gallega y la andina—, sino que su biografía recuerda que todos los pueblos de Iberoamérica tienen su propio Santiago, como ciudad, patrón o símbolo de encuentro y mestizaje. En efecto, su nacimiento accidental en Galicia fue resultado del exilio familiar, pero ha dejado en el nuevo presidente una impronta de prudencia y universalidad, tan característica de la identidad gallega.

Sólida formación para tiempos de cambio

Paz Pereira posee una sólida formación académica y política, adquirida entre Europa y América Latina, y una experiencia que lo convierte en un estadista para tiempos de incertidumbre. Lejos del sectarismo, ha construido su liderazgo sobre las bases del diálogo y la unidad nacional. Bolivianos y observadores internacionales coinciden en señalar que llega a la presidencia bien preparado, con prestigio técnico y una sólida red de contactos internacionales, reflejo de su vivencia entre dos continentes.

Moderación y 'sentidiño' como bandera

La cita «El hombre superior es aquel que es moderado en sus palabras y acciones» se atribuye a Confucio, en sus Analectas. Confucio defendía que el verdadero líder debía inspirar, educar y gobernar mediante el ejemplo y la moderación más que desde la coerción, y evitar excesos y palabras vanas. Después de veinte años de gobiernos caracterizados por una visión dogmática y polarizadora de izquierda, Bolivia necesitaba un giro hacia el consenso. Paz se ha destacado por un espíritu moderado y no revanchista, celebrando la reconciliación nacional y el respeto institucional. El famoso 'sentidiño', esa sensatez gallega empapada de resistencia estoica ante la adversidad, se traslada ahora a la gestión de los asuntos públicos, donde ha prometido «capitalismo para todos», acceso a créditos, reducción de las cargas tributarias y reglas claras para la empresa, sin caer en extremismos ni populismos.

Principales propuestas: apertura, estabilidad e inversión

Recientemente, ha expuesto en entrevistas a medios de referencia como El País una agenda basada en la apertura económica y la inclusión social. Entre sus propuestas, destaca facilitar el acceso al crédito, reducir los aranceles y crear un marco normativo transparente para todos los agentes productivos. Su lema, «platita para la gente, estabilidad para que bajen los precios, reglas claras para producir con un Estado que te ayuda», ha calado hondo en amplios sectores sociales. El contraste con los años de estatización y nacionalización masiva no puede ser más explícito: Bolivia se abre al mundo.

Oportunidades para quienes apuestan por Bolivia

Para los inversores y agentes estratégicos, el mensaje es claro: Bolivia entra en una etapa de oportunidades inéditas ahora que hay estabilidad y voluntad de reglas predecibles. Las energías renovables, la agroindustria, la minería, en pleno triángulo del litio, tan necesitada de modernización, y los servicios digitales aparecen como motores del futuro. Las recientes reformas legales, así como la proyección de crecimiento moderado pero sostenido para 2025, apuntalan la confianza en un país que busca diversificar su economía y sus socios comerciales y forjar alianzas conforme a estándares multilaterales.

En suma, el mandato de Rodrigo Paz Pereira se abre bajo auspicios prometedores y una simbología de pragmatismo y moderación. Galicia y Bolivia se estrechan la mano en su figura, y toda Iberoamérica observa que la sensatez y el respeto pueden, finalmente, inaugurar una nueva era para el país del altiplano.


Pedro Santos es analista geopolítico

[Fuente: www.eldebate.com]

quarta-feira, 18 de dezembro de 2024

Uruguay como eslabón fuerte de soberanía digital

Un llamado a resistir globalmente los oligopolios transnacionales

Escrito por Emilio Cafassi

Profesor titular e investigador de la Universidad de Buenos Aires

En las certezas del programa del Frente Amplio uruguayo (FA), subrayadas en artículos previos, resuena la impronta de 15 años de transformación, desplegada como un mosaico sobre la vida social, económica y política. Me ceñiré ahora exclusivamente a las transformaciones en el campo de las tecnologías digitales y la matriz energética, un aspecto en el que el país pasó del grave atraso a alzar un sueño que pocos osaron imaginar: tejer un manto digital que abraza campos, ciudades y costas, alimentado por energías renovables. En este territorio, donde los ceibales se obstinan en florecer, la tecnología no fue concebida como privilegio, sino como derecho para el FA. Así nacieron el Plan Ceibal, el Ibirapitá y el WiFi público, iniciativas que, como raíces profundas, buscaron anclar la igualdad y la inclusión en el corazón de la sociedad. 

El punto de partida fue posible no solo por voluntad política, sino también gracias a la fundación ‘One Laptop per Child’, presidida por Nicholas Negroponte, que en 2006 desarrolló las maquinitas que revolucionaron las escuelas. El Plan Ceibal, esa audaz utopía que germinó en 2007, plantó en las manos de cada niño y docente de las escuelas públicas una ventana al mundo. Las pequeñas computadoras XO se erigieron como antorchas de conocimiento, iluminando hasta los rincones más olvidados del país. Rompieron el silencio de las aulas rurales y encendieron la chispa del aprendizaje colaborativo. No era solo tecnología; era la promesa de que ningún rincón, por remoto que fuera, quedaría excluido del concierto global. Recuerdo haber defendido estas ideas en contratapas dominicales del diario La República, cuando introduje términos como ceibalización y ceibalismo, anticipando incluso lo que luego sería el Plan Ibirapitá (v.g: “Ceibalizar también la vejez” 26/10/08).

El Ibirapitá, por su parte, susurró al oído de los mayores la promesa de un nuevo amanecer de aprendizajes. Con tablets primero y teléfonos inteligentes después, ofreció a los jubilados herramientas para reconectar con sus familias, gestionar su salud y redescubrir el mundo desde la palma de sus manos. Más que dispositivos, fueron semillas de dignidad y autonomía, sembradas en quienes a menudo se sienten olvidados. Donde los árboles de Artigas crecen cerca del agua, las raíces digitales encontraron también su terreno fértil. Mientras tanto, el WiFi público se expandió como un viento libre por plazas, parques y centros comunitarios, al tiempo que comenzaba a cavarse el complejo hormiguero de fibras ópticas por todo el ejido urbano del país. Montevideo y Canelones, entre otros departamentos, iluminaron sus espacios con conectividad gratuita, acercando internet a quienes más lo necesitan. No era solo un gesto técnico, sino un acto político: la ruptura paulatina de las cadenas de la desigualdad que a menudo encarcelan el acceso a la comunicación.

En este pequeño rincón del mundo, la penillanura ondulada es acariciada por los vientos del Atlántico. Allí, el sol se conjuga con la biomasa y los ríos, nutriendo un sistema de sostenibilidad. Uruguay se ha alzado como un faro de la transición energética. Con un modelo audaz, el país ha venido transformando su matriz eléctrica (fuente casi excluyente de energía doméstica, pública e industrial), alcanzando niveles altísimos y aún superables de generación renovable en condiciones climáticas normales.Inversiones de 8.000 millones de dólares colocaron al país entre los líderes globales, hermanándolo con Dinamarca e Irlanda en la danza de los vientos y la biomasa.

Sin ánimo de exhaustividad, en el corazón digital de Uruguay, tres instituciones sostienen las bases de un futuro inclusivo.La Agesic, creada en 2005, es la arquitecta del gobierno electrónico, construyendo puentes entre el Estado y su gente con identidades digitales seguras y plataformas que transparentan la gestión pública. La ANII, desde 2006, fomenta la innovación con proyectos científicos, becas y emprendimientos estratégicos. Y, obviamente, Antel, con su vasta red de fibra óptica, traza las líneas que conectan hasta el último rincón de la nación, convirtiendo a Uruguay en pionero de la inclusión digital.

La coalición multirreaccionaria no pudo desandar este camino, salvo para aprovecharse de la enorme inversión del Estado, particularmente en Antel, cediendo a oligopolios comunicacionales buena parte de la infraestructura construida bajo el pretexto de abrir un juego competitivo que resultó desigual. ¿Alcanza lo logrado hasta aquí? En absoluto. Sin embargo, hay dos razones internas para suponer que el desarrollo continuará, y una exógena. Entre las primeras está el programa del FA, con detallados propósitos y pasos concretos en estas áreas. Además, la próxima vicepresidenta, Carolina Cosse, ha sido piedra angular, tanto desde Antel como desde el Ministerio de Industria y la Intendencia de Montevideo.Cifro expectativas en que articule y acelere la reapropiación ciudadana de las tecnologías en sintonía con la descarbonización.

Además del motor propio del FA, con su programa y ejército militante, este no está solo en el impulso. Entre varias iniciativas, se ha constituido recientemente la “Coalición por la Soberanía Digital Democrática y Ecológica”, una articulación pluralista de académicos e intelectuales de diversas partes del mundo que se propone intervenir contra los oligopolios tecnológicos transnacionales. El primer eje articulador es el documento de diagnóstico y propuesta ‘Recuperar la soberanía digital’. Este texto, disponible también en español y portugués, puede encontrarse en [https://www.ucl.ac.uk/bartlett/public-purpose/publications/2024/dec/reclaiming-digital-sovereignty ]. Un quinteto de especialistas entusiastas de generación intermedia, Cecilia Rikap (University College London), Cédric Durand (University of Geneva), Edemilson Paraná (LUT University, Finland), Paolo Gerbaudo (Universidad Complutense de Madrid) y Paris Marx (Host of Tech Won’t Save Us), delinearon la columna vertebral de un texto que late con propuestas transformadoras. Luego, 49 coautores integrantes de la iniciativa, entre los que me cuento, produjeron de conjunto el manifiesto inaugural. En cualquier caso, mi insignificante contribución se redujo a un par de simples líneas. Al momento de enviar este texto a edición, se sumaron 8 apoyos institucionales y 40 adhesiones individuales de académicos e intelectuales. Si el derrotado candidato Delgado se escandalizaba en el debate presidencial por el término antimperialismo en el programa del FA, mucho más lo estará si leyera en el texto internacional no solo las propuestas de lucha que se formulan contra las formas actuales de sometimiento a los Estados, es decir actualmente antimperialistas, sino más aún por rescatarse otro término que conmoverá al veterinario: “internacionalismo”.

El lector puede acceder al texto aludido, al igual que al programa del FA para el período actual, en la web. No los resumiré, sino que intentaré realizar un cruce sintético elemental entre ambos, a fin de resaltar convergencias y estimular colaboraciones fructíferas, además de preparar futuros textos más detallados. Ambas propuestas trazan caminos hacia un futuro. En él, lo público y lo colectivo se erigen como pilares frente al poder violento y hegemonista de las corporaciones y el colapso ambiental. El llamado del programa del FA hacia una ‘segunda generación de transformación digital’ germina en la apropiación tecnológica, florece en la inclusión y se enraíza en una regulación ética y responsable, orientadas a empoderar a la ciudadanía frente a las nuevas dinámicas globales (pp. 81-83 y p. 30). Este esfuerzo resuena con las propuestas del manifiesto, que insisten en la creación de una nube pública y plataformas digitales democráticas para liberar a las sociedades de las cadenas invisibles que las atan al control corporativo.

La transición ecológica ocupa un lugar destacado en ambos textos. El programa del FA plantea una economía circular, la reducción de plásticos y la protección de ecosistemas como bases de un desarrollo consciente (pp. 22, 24 y 25). Este abrazo entre lo tecnológico y lo ambiental reafirma que innovación y sostenibilidad son los pilares gemelos que sostienen un porvenir viable. Ambos documentos ven la inteligencia artificial como una herramienta para mejorar la vida, no solo para la productividad. El programa del FA fomenta competencias STEM desde la educación inicial y regula éticamente la IA en sectores clave (pp. 82, 24-26). Por su parte, el manifiesto destaca la importancia de regular los algoritmos para garantizar transparencia y equidad.

La noción de soberanía, un hilo conductor en ambas propuestas, se alza como un acto de resistencia para romper las cadenas que atan a los Estados a la lógica de la dependencia global. Para el programa del FA, la soberanía se manifiesta en la gestión autónoma de recursos estratégicos como el agua, la energía y las telecomunicaciones (pp. 6, 9 y 30), mientras que el manifiesto amplía este concepto hacia la creación de redes internacionales orientadas hacia la solidaridad y la cooperación entre Estados. Estas visiones coinciden en que la soberanía no es un repliegue aislado, sino un acto de resistencia frente a las cadenas de la dependencia global que excede los confines de un Estado-Nación. En la cultura digital, el programa del FA enfatiza el empoderamiento ciudadano ante los desafíos éticos y sociales de las nuevas tecnologías. Mediante iniciativas como ANTEL TV o la regulación de plataformas de streaming, se busca garantizar el acceso equitativo y la promoción de contenidos nacionales (pp. 63 y 83). Este esfuerzo encuentra un paralelo en el manifiesto, que enfatiza la urgencia de desmantelar los monopolios culturales y tecnológicos que sofocan la diversidad como un yugo, estrangulando el pensamiento crítico ciudadano. El programa del FA también destaca la relevancia de una planificación estratégica a largo plazo para transformar la matriz productiva mediante tecnologías avanzadas y una recalificación laboral que fomente la justicia social (pp. 29 y 45-46). Estas ideas convergen con el llamado del manifiesto a priorizar desarrollos tecnológicos soberanos y públicos, subrayando que la transformación digital debe ser el arado que cultive la equidad y el bienestar colectivo, y no un fin en sí misma. Ambas propuestas, aunque con distintos enfoques, delinean caminos hacia un horizonte donde la tecnología y la sostenibilidad convergen, transformando las infraestructuras digitales en bienes comunes y poniendo a las personas en el centro de las decisiones.

Luego de un año de contribución semanal en este espacio, me permito ahora una pausa, buscando refugio en la calidez de la amistad y el abrazo de los afectos. El próximo año retomaré la escritura, tal vez profundizando en estas inquietudes articuladas con colegas del mundo sobre tecnología y sostenibilidad.


[Fuente: www.elmercuriodigital.net]