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sexta-feira, 25 de setembro de 2026

«Neutralidade ativa»: pode um país tomar partido sem pegar em armas?

A 27 de setembro, um referendo sobre a neutralidade no país neutro por excelência — a Suíça — colocará esta questão. Entre o silêncio e as armas existe um vasto espaço de ação política. 

Instalação do artista espanhol Fernando Sánchez Castillo

Escrito por Marco Morosini 

Pode um Estado ser “parcialmente neutro”? Tanto quanto se pode estar “parcialmente grávida”, disse na rádio suíça o professor vienense Ralph Janik, referindo-se à quase-neutralidade da Áustria. Mas a questão vai muito além da Áustria e da Suíça. Entre o silêncio e as armas existe um arsenal sem armas: diplomacia, sanções, direito, comércio, finanças e mediação. Até que ponto pode um Estado opor-se a uma guerra sem tornar-se beligerante? 

A Suíça, o país neutro por excelência, oferece esta semana um caso revelador. Quatro dias depois de a Rússia ter invadido a Ucrânia, em 2022, a Suíça adotou também as sanções da União Europeia contra a Rússia. Pouco depois, Christoph Blocher, patriarca da direita suíça, lançou a “iniciativa da neutralidade”. Desde então, a sua SVP (Schweizerische Volkspartei) fez da luta por uma nova e absoluta neutralidade suíça uma causa urgente. 

A 27 de setembro, os eleitores suíços votarão uma alteração constitucional proposta pela iniciativa “Salvaguardar a Neutralidade Suíça”. A Constituição de 1848 exige que o Governo “salvaguarde a neutralidade”, mas não define o que é a neutralidade. A iniciativa pretende especificar o que a Suíça deve — e, sobretudo, o que já não poderá — fazer para ser neutra: manter uma “neutralidade permanente e armada”, limitar a cooperação militar e proibir sanções contra Estados beligerantes, exceto as impostas pelas Nações Unidas. Blocher, antigo ministro da Justiça afastado do Governo pelo Parlamento em 2007, afirma que, mesmo que perca a 27 de setembro, continuará a lutar pela “neutralidade absoluta”, inclusive através de um novo referendo. 

“Não à guerra”. E os negócios na Rússia? 

O multimilionário Blocher é também o maior financiador individual da campanha pelo Sim: mais de dois milhões de francos suíços, num total declarado de 3,84 milhões. A campanha pelo Não declara 1,67 milhões. Ao longo de décadas, Blocher transformou a SVP no maior partido da Suíça e construiu a fortuna familiar através do gigante químico Ems-Chemie, hoje controlado pelas suas filhas. Em 2025, a empresa faturou 1,95 mil milhões de francos suíços, 96% dos quais no estrangeiro. A sua filial Eftec possui duas fábricas na Rússia; no total, o grupo EMS tem 25 unidades de produção em 16 países. 

A 4 de setembro, a Republik publicou uma investigação que causou grande impacto, “Os negócios dos Blocher na Rússia”, documentando a presença industrial e comercial da Ems-Chemie na Rússia. A investigação levanta uma questão: poderia a proibição de sanções como as impostas à Rússia beneficiar também os interesses económicos de uma família que financia esta campanha com milhões de francos? 

“Não à guerra. Sim à neutralidade suíça”, proclamam os cartazes da campanha pelo Sim, acompanhados por uma pomba da paz. Um folheto com o rosto de John Lennon e as palavras “Give Peace a Chance!” teve de ser retirado depois da intervenção dos detentores dos direitos. Mas, afinal, quem votaria “a favor da guerra”? A escolha não é entre guerra e paz, mas entre duas definições de neutralidade: a flexível, testada pela prática, e uma nova, estritamente definida na Constituição. 

Neutralidade: um instrumento, não um valor 

A SVP argumenta que a Suíça deve manter uma neutralidade sem concessões perante todas as partes num conflito, para preservar a sua capacidade de mediação, como tantas vezes fez no passado. O argumento é sério. Mas a neutralidade militar não exige equidistância moral, política ou jurídica. Sancionar um Estado que viola o direito internacional não significa fazer-lhe guerra. A neutralidade exige que um país não pegue em armas; não exige cegueira nem silêncio. 

Para o Departamento Federal dos Negócios Estrangeiros suíço, a neutralidade é “um instrumento da política externa suíça”. A democracia, a paz, a dignidade humana e o Estado de direito são valores. A neutralidade é um meio, que deve ser avaliado pelo que permite a um país fazer. 

O artigo constitucional proposto permitiria apenas sanções decididas pelas Nações Unidas. Mas, no Conselho de Segurança, os membros permanentes — incluindo um eventual agressor — dispõem de direito de veto. A Suíça poderia, portanto, ter de esperar pelas grandes potências em vez de agir autonomamente. As grandes potências têm grandes exércitos; os pequenos Estados têm fronteiras cuja segurança depende de os outros as respeitarem. Para os pequenos Estados, o direito internacional não é um ornamento moral. É um seguro de vida. 

As sanções não são guerra, mas podem provocar retaliações: ciberataques, sabotagem, desinformação e outras formas de conflito híbrido. A fronteira entre a paz e a guerra é cada vez mais porosa. Uma definição constitucional detalhada da neutralidade imporia importantes limitações à política suíça e poderia congelar a sua capacidade de resposta perante formas de conflito em rápida transformação. 

Por uma “neutralidade ativa” 

Daí a ideia de uma “neutralidade ativa”, assente numa longa prática suíça: ficar fora da guerra, mas não ser indiferente perante o direito internacional; conservar a capacidade de condenar violações, impor sanções não militares, oferecer bons ofícios e falar com todos. 

Esta questão diz respeito a todos os Estados: como pode um Estado opor-se à força sem fazer da força o seu único instrumento? Uma violação do direito internacional deve ser condenada, venha ela, por exemplo, de Moscovo, Washington ou Pequim. A independência mede-se também pela capacidade de dizer não aos próprios amigos. 

É certo que um Estado sancionado pode recusar a mediação suíça. Mas deverá a credibilidade de um país medir-se pela sua capacidade de nunca desagradar a ninguém? O referendo suíço de 27 de setembro coloca frente a frente duas conceções de neutralidade: credibilidade através da distância ou através da independência de julgamento. 

No final de agosto, nas margens do lago de Zurique, uma enorme bandeira branca, de 22 por 14 metros, flutuava suspensa de uma alta grua: uma instalação do artista espanhol Fernando Sánchez Castillo. A imagem parecia feita para a Suíça. Uma bandeira branca pode pertencer a quem renuncia a tomar posição. Ou pode querer dizer: “Não dispararei contra ti. Vem, falemos.” 

Falar com todos. Não fazer guerra a ninguém. Mas não chamar neutralidade ao silêncio.


Marco Morosini é professor emérito da ETH Zurique, jornalista independente. 

 

[Foto do autor - fonte: www.esquerda.net]

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Port du voile : Jean-Luc Mélenchon dit avoir « changé d’avis » et parle d’une « erreur terrible »

Jean-Luc Mélenchon a reconnu avoir profondément revu sa position sur le port du voile islamique. Devant des militants de La France insoumise réunis dans la capitale, le candidat à l’élection présidentielle a jugé que son opposition passée relevait d’une « erreur terrible ». 

Écrit par Léandre Genet

Cette prise de parole intervient dans le sillage de la proposition du Rassemblement national de pénaliser le port du voile dans l’espace public. Le sujet, récurrent dans le débat politique français, oppose des conceptions divergentes de la laïcité, des libertés individuelles et de l’émancipation des femmes.

Un mea culpa devant les militants insoumis

Jean-Luc Mélenchon a expliqué qu’il ne partageait pas, auparavant, l’approche qu’il défend aujourd’hui. « Il y avait un temps aussi, je n’étais pas d’accord avec cette histoire de voile, je n’avais pas compris », a-t-il déclaré lors de cette conférence parisienne.

Le fondateur de La France insoumise a attribué cette évolution à ses échanges avec des femmes aux parcours et aux convictions différents. « Mais j’ai rencontré des femmes qui portaient le voile ou des femmes très croyantes et qui ne portaient pas le voile, et des femmes qui n’étaient pas croyantes mais qui disaient chacun “fait comme il veut”. Et on en a parlé (…) et j’ai été convaincu. Je me suis dit que j’ai fait une erreur terrible », a-t-il poursuivi.

Ces déclarations constituent une clarification publique de sa position, alors que les débats sur le voile occupent à nouveau une place importante dans la séquence politique précédant l’élection présidentielle. Elles visent aussi à inscrire son discours dans une défense de la liberté de choix des personnes concernées.

 

Une évolution qui tranche avec ses propos passés

Le changement revendiqué par Jean-Luc Mélenchon contraste avec plusieurs déclarations antérieures. En 2010, il qualifiait le voile de « signe de soumission patriarcale ». Sept ans plus tard, en 2017, il employait l’expression « chiffon sur la tête ».

Ces prises de position avaient nourri les critiques de responsables et d’intellectuels attachés à une lecture stricte de la laïcité. Pour eux, le voile ne peut être dissocié des rapports de domination pouvant peser sur certaines femmes, même lorsque celles-ci affirment le porter volontairement.

À l’inverse, les défenseurs d’une approche centrée sur les libertés individuelles soulignent que la laïcité française encadre les relations entre les institutions publiques et les cultes, sans imposer une neutralité religieuse générale aux citoyens dans l’espace public. Jean-Luc Mélenchon s’inscrit désormais dans cette seconde lecture, en mettant en avant l’écoute des premières concernées.

Le débat relancé par la proposition du RN

La déclaration du candidat insoumis survient après l’annonce d’une proposition du Rassemblement national visant à sanctionner le port du voile islamique dans l’espace public. Le parti défend cette orientation au nom de la lutte contre l’islamisme et de la protection des femmes.

Le gouvernement a également émis des réserves sur la constitutionnalité et l’applicabilité d’une telle mesure. La question touche en effet à plusieurs principes juridiques, dont la liberté de conscience, la liberté religieuse et l’égalité devant la loi.

Jean-Luc Mélenchon avait déjà dénoncé cette proposition, estimant que « la laïcité est une loi de liberté et d’unité du peuple » et que « le voile, la kippa, les crucifix sont des choix libres dans l’espace public ». Son mea culpa sur ses déclarations passées donne désormais une dimension personnelle à cette ligne politique.

Une séquence révélatrice des clivages

Au-delà du parcours de Jean-Luc Mélenchon, cette séquence illustre la persistance d’un désaccord de fond dans le débat public. Certaines voix considèrent que le voile renvoie à une norme religieuse susceptible de limiter l’autonomie des femmes. D’autres refusent que l’État ou les responsables politiques définissent à leur place ce qu’elles peuvent porter dans la rue.

Le candidat de LFI affirme avoir modifié son analyse au contact de femmes voilées, croyantes non voilées et non croyantes. Son intervention ne mettra probablement pas fin aux divergences, mais elle acte sans ambiguïté une rupture avec ses formules antérieures.

À moins d’un an de la présidentielle, le voile demeure ainsi un sujet à la fois politique, juridique et social. Les positions exprimées cette semaine montrent qu’il continuera de structurer une partie des oppositions entre les candidats, autour de la définition de la laïcité et de la place des signes religieux dans l’espace public.

[Photo: STEPHANE DE SAKUTIN/AFP via Getty Images - source : www.epochtimes.fr]

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

El sionismo es una opción política, no siempre forma parte de la identidad judía

 Entrevista a Alan Wald

Michigan News

El activismo estudiantil en los campus estadounidenses como respuesta a la guerra en Gaza se ha convertido en un debate nacional sobre dónde trazar la línea entre la disidencia política y el antisemitismo.

Aunque muchas universidades han tomado medidas para restringir, dispersar o sancionar las protestas, estas –y los debates sobre cómo describirlas– han seguido adelante, lo que ha planteado dudas sobre la libertad de expresión, la seguridad en los campus y si las críticas a Israel se están confundiendo con el odio hacia los judíos.

¿Qué es el sionismo? ¿Y por qué describes convertirte en sionista como una elección en lugar de una identidad?

Para entender el sionismo hay que adentrarse en un terreno político complejo. La afirmación de que el sionismo es esencial para la identidad judía es engañosa por varias razones. El judaísmo es una religión monoteísta con al menos 3000 años de antigüedad, mientras que el sionismo surgió como un movimiento político de carácter laico a finales del siglo XIX. Como respuesta comprensible al odio hacia los judíos, el sionismo se inspiró en el auge del nacionalismo europeo. Al igual que muchos otros movimientos nacionalistas, recurrió a la retórica religiosa; en este caso, reinterpretando temas del Antiguo Testamento sobre el regreso del pueblo judío a la Tierra Santa, que se produciría tras la llegada de un mesías.

El número de personas judías que se sumaron al proyecto de colonización del sionismo europeo fue reducido hasta que el antisemitismo del siglo XX limitó la inmigración judía a EE UU. y el incipiente genocidio nazi expulsó a los judíos de Europa. Hoy en día, sin embargo, la mitad de la población judía mundial vive fuera de Israel, sin muchas ganas de emigrar y sin voz ni voto en las decisiones políticas de Israel. Debido a la creciente estrechez de miras y al cariz de derechas del sionismo político, cada vez más jóvenes judíos se están distanciando de él y se oponen a él. La mayoría de las y los sionistas de EE UU y de todo el mundo son sionistas cristianos.

¿Qué es el antisemitismo hoy en día? ¿Qué tipo de amenaza supone? ¿Y los manifestantes y estudiantes de los campus son realmente antisemitas?

El significado del antisemitismo (odio a la gente judía) ha evolucionado en etapas entrelazadas desde que surgió en el mundo antiguo como hostilidad hacia la diferencia cultural. Primero vino el supersesionismo cristiano, seguido de las teorías de la conspiración en la Europa medieval y luego, tras la Ilustración, un prejuicio racial pseudocientífico que culminó en el exterminio nazi. Tras la fundación del Estado de Israel en 1948, una población judía minoritaria (y en gran parte formada por gente inmigrante y refugiada) en Palestina fue ganando terreno cada vez más a la población mayoritaria (árabe indígena) del antiguo mandato británico. Aunque se reconoce que las y los judíos israelíes tienen sin duda un vínculo histórico con la tierra y que están ahí para quedarse, a quienes critican las políticas y prácticas de este Estado que privilegia a la población judía se les ha acusado injustamente de antisemitismo. Esto ocurre sobre todo si se oponen a la falta de democracia de Israel para toda la población bajo su dominio, a las estructuras similares al apartheid y a la represión violenta de los palestinos en Gaza y Cisjordania.

Como todos los movimientos políticos, las protestas en los campus no han estado exentas de cánticos y consignas ambiguas, ni de algunos comportamientos innecesariamente provocadores. Pero el argumento principal de las y los manifestantes, muchos de los cuales son judíos, es que la política y las prácticas sionistas ni representan plenamente a los judíos ni benefician sus intereses a largo plazo. En la actualidad, la mayor parte del odio real hacia las y los judíos en los campus proviene de elementos conservadores y de derechas que sostienen la opinión contraria; estos promueven teorías conspirativas que equiparan a los judíos con el sionismo y la política del Estado israelí.

¿Qué similitudes hay entre la represión en los campus de los años 50 (el macartismo) y lo que está pasando ahora?

Las similitudes son evidentes en dos aspectos: 1) la colaboración entre las universidades y el Gobierno en diversas formas de represión política, a veces llevadas a cabo en nombre de la protección de la libertad académica; y 2) el uso de pretextos exagerados y alarmistas, como las acusaciones de "infiltración comunista" entonces y de "antisemitismo desenfrenado" ahora, para provocar cambios más profundos en la cultura académica. La razón de esta fijación en el ámbito académico en ambos periodos de represión es que las universidades han sido, potencialmente, centros de pensamiento crítico, donde se concentran académicos y estudiantes que plantean preguntas que cuestionan los discursos oficiales. Entender cómo y por qué la capitulación anticipada de las administraciones universitarias en la década de 1950 facilitó un daño duradero a nuestra cultura puede ayudarnos a comprender cómo responder hoy en día.

¿Cómo deberían responder las universidades a los conflictos en los campus sobre Israel/Palestina sin dejar de proteger la libertad de expresión y la libertad académica?

Los conflictos en los campus se dan en un contexto mucho más amplio. El cambio en el clima político de EE UU forma parte de un auge mundial del nacionalismo de derechas. Protestar por los derechos de las y los palestinos es un tema político delicado porque plantea preguntas sobre la historia política de esa región tan inestable: ideas inquietantes sobre el legado del colonialismo, la política exterior de EE UU, el antirracismo, la necesidad de que un Estado represente a todos sus ciudadanos, la enseñanza precisa de la historia y mucho más. Solo un intercambio honesto y abierto de todos los puntos de vista, incluidos los más polémicos, llevará a aclarar las cosas. Pero eso no es lo que está pasando ahora mismo en muchos sitios, bajo el pretexto engañoso de la neutralidad institucional y la diversidad de puntos de vista.

Pueden ser nuevas políticas mal definidas, impuestas desde arriba por las administraciones, que las aplican, interpretan y refuerzan de forma selectiva.

La realidad es que las nuevas leyes en algunos estados están limitando las protestas y la actividad política en los campus; se han eliminado los consejos académicos o se han sustituido por órganos consultivos más débiles; las asambleas legislativas intentan cada vez más influir en los planes de estudios, restringir asignaturas o imponer contenidos; y las universidades han recortado programas, fusionado departamentos y despedido a profesores de humanidades –un ámbito fundamental del pensamiento crítico y creativo–. Hay que restablecer la gobernanza compartida como requisito previo para proteger la libertad de expresión y la auténtica libertad académica.


Alan Wald, catedrático emérito H. Chandler Davis de la Universidad de Míchigan, es historiador de la izquierda cultural estadounidense del siglo XX. Habla de los paralelismos con la política universitaria de la época de la Guerra Fría, del sionismo y de cómo los debates sobre el significado del antisemitismo dan forma a las protestas en los campus.

 

[Traducción: Viento Sur - reproducido en www.vientosur.info]

sexta-feira, 31 de julho de 2026

A fin da lectura está aquí

 

Imaxe que encabeza o artigo publicado por Rose Horowitch en The Atlantic

Escrito por Xurxo Borrazás

No último número de The Atlantic a escritora Rose Horowitch publica un ensaio co título desta columna, un texto polémico, e polo tanto oportuno. Nel analiza a lectura como práctica non innata senón continxente e fráxil, apenas 6000 anos en termos absolutos e non máis duns séculos se consideramos as sociedades nas que a inmensa maioría das persoas están alfabetizadas e teñen acceso a un volume xeneroso de publicacións diversas. A autora describe como na “era da lectura” esta era a vía principal para transmitir a cultura, informarse, fixar contratos e pactos sociais ou xerar significado. Ese carácter central estaría agora sometido a asedio e Horowitch prognostica a deriva acelerada cara unha sociedade non analfabeta pero si, no ronsel de McLuhan, post-letrada. 

O papel referencial da escrita, sinónimo de fiabilidade, verdade ou lei, xógao a cada paso máis a imaxe, fronte á cal nos pasa desapercibida a súa condición de construída e metafórica, que comparte coa linguaxe. Unha imaxe mostraría de maneira transparente o que hai, non contaminado pola opinión. Hoxe que a fabricación de imaxes e textos a base de clics é a norma, esa crenza produce risa. A substitución da cultura escrita pola da imaxe trae consigo a perda de capacidade para procesar e producir mensaxes complexas, e unha sofisticación da camuflaxe ideolóxica por medio dunha suposta neutralidade.

O noso cerebro non está programado para ler. Esa actividade non é natural, debe ser adquirida, practicada e perfeccionada. Se deixamos de ler, a habilidade deteriórase e atrófiase, coma se deixamos de correr ou de falar unha lingua estranxeira. A lectura non é un modo de comunicación coma outros senón que precisa dunha fase de abstracción e activación neurolóxica que a contemplación de imaxes non require. Ao deixarmos de ler pérdese a exposición á diversidade de opinións e a toma en consideración das visións que non coinciden coa nosa, pérdense igualmente autonomía, capacidade de asociación, de proxección, de pausa, de decisión ou de interpretación. Pérdese credibilidade e gáñase credulidade. En palabras de Machado, fáisenos máis difícil “distinguir as voces dos ecos”.

Para o que si está programado o cerebro é para ser sensíbel e reaccionar ante as distraccións. Rexistramos e respondemos a calquera cambio na contorna, calquera movemento, como mecanismo de alerta e prevención. As redes sociais, provedoras de distracción a grande escala en forma de memes ou vídeos curtos, en moitas ocasións reproducidos ao dobre de velocidade, sábeno. Os xestores das redes sociais coñecen ese calcañar de Aquiles e, como sinala o psiquiatra Anders Hansen, hackearon o noso cerebro para explorar esa fenda nas nosas defensas.

Hoxe ninguén lle prende lume aos libros. Ao contrario, lemos máis palabras que nunca en múltiples formatos breves. O equivalente actual das lapas na Biblioteca de Alexandría, e tantas outras, non é a destrución da cultura escrita senón a implantación na mentalidade colectiva da súa irrelevancia. De feito, a desaparición da biblioteca de Alexandría debeuse só en parte ao lume, o resto pode atribuírse ao desleixo e a falta de mantemento: ratos, fungos, insectos, etc. A maneira máis efectiva de anular unha idea non se leva a cabo pola forza (sentirse atacado pode levar a redobrar as defensas) senón pola desidia ou o abandono.

Este proceso é evidente na estrutura das mensaxes políticas, básicas, polarizadas, efémeras, máxicas e entretidas: as arroutadas e xestos charramangueiros e autocancelados de Donald Trump son o exemplo paradigmático: el mesmo recoñece en público que o único que le son reportaxes que falen del, ademais do teleprompter. Traspasado ao campo das matemáticas, non é que perdamos habilidades para o cálculo mental con números de varias cifras. O que está a acontecer cultural e socialmente coa renuncia á lectura de textos complexos parécese máis a renunciar aos números, vén sendo como substituír todos os libros orixinais escritos ao longo de milleiros de anos por versións adaptadas, coas ideas e as situacións resumidas e simplificadas, redactadas con frases máis curtas e cun vocabulario básico. A prosa de Proust supón unha barreira infranqueábel para o público maioritario, afeito a textos da literatura xuvenil, a preferida tamén por bo número de persoas adultas. O resultado é unha infantilización e unha relegación do pensamento racional e analítico. Se non somos quen de concentrármonos en textos longos e complexos durante un período extenso de tempo, calquera proxecto cultural ou científico ambicioso se converterá para nós en inasumíbel e renunciaremos a el. A cultura escrita, por conseguinte a lectura, é a que levou a Newton a sentenciar que avanzamos sobre os ombros de xigantes.

No camiño pérdese igualmente o gozo da lectura das obras mestras da literatura, a filosofía, a historia, o xornalismo ou a ciencia. Pérdese a memoria e o coñecemento acumulado polas mentes máis preclaras e reflexivas na cadea de xeracións que nos trouxo desde a invención da linguaxe articulada ata os nosos días. Isto está a acontecer e é un camiño fomentado, non se trata dun proceso espontáneo nin decidido pola xeneralidade das persoas, moito menos desexado. Na poboación máis nova medra o número de persoas que desexarían ler máis pero non se ve capaz ou non o consegue porque a súa capacidade de concentración está debilitada pola xustaposición de fragmentos conectados arbitrariamente, as fontes de distracción asáltanos coa gratificación instantánea de satisfacer o instinto natural de atender aos cambios, reificado nun desfile sen fin de imaxes e mensaxes breves e primarias en tweets, whatsapps, scroll, reels, threads ou links. Quizais por iso máis e máis mozos e mozas expresan que preferirían vivir nun mundo sen internet, á que en parte atribúen a agresividade emocional, a ansiedade existencial e a deshumanización das relacións persoais.

Horowitch cita múltiples estatísticas que apoian a tese da erosión acelerada da lectura en todos os grupos demográficos. Un estudo rechamante di que o número de norteamericanos que len é xa inferior ao dos que participan en apostas. A autora explica como feitos que en teoría contradín as súas conclusións, tales como o auxe na vendas de libros ou os clubs de lectura, responden menos a un aumento que á concentración: hai menos persoas que len pero len máis. Os clubs de lectura funcionarían así como células de resistencia e apoio para contrarrestar a tendencia xeral. 

Os cambios que Rose Horowitch prognostica son lexitimamente discutíbeis, nós mesmos temos reservas sobre a súa inminencia e inevitabilidade, por iso mesmo agradecemos que nos obriguen a consideralos. Se se chegan a dar, a magnitude das súas consecuencias será semellante á que no seu día tivo o fenómeno contrario, a aparición da escrita. Agora ben, xa que estamos e falan deste tempo, algo teremos que dicir nós.

 

[Foto: The Atlantic - fonte: www.praza.gal]

 

 

 

 

quinta-feira, 16 de julho de 2026

¿Será Trump el último presidente sionista de EEUU?

 


Escrito por David Hearst

No hay nada peor que un Israel despreciado. En tan solo unas semanas —un abrir y cerrar de ojos en la cronología de este conflicto de Oriente Medio—, el presidente de EE. UU, Donald Trump, ha pasado de ser tan popular en Israel que se jactaba de que podría ser su próximo primer ministro a convertirse en un hombre tan odiado que podría ser considerado el próximo Amalec de Israel.

Para que se hagan una idea del rencor dirigido personalmente contra Trump, Yinon Magal, presentador de un programa en horario de máxima audiencia del Canal 14 israelí, calificó a Trump de «perdedor» y tildó a su yerno Jared Kushner y a Steve Witkoff de «pequeños judíos».

Yaakov Bardugo, un comentarista político israelí, afirmó que Trump y su vicepresidente, JD Vance, se estaban convirtiendo en el Chamberlain moderno, el primer ministro británico asociado con la política de apaciguamiento hacia Hitler en 1938.

Amit Segal, analista político jefe de Channel 12 y de Israel Hayom —periódico propiedad de la multimillonaria Miriam Adelson— afirmó que Trump se había rendido por completo al permitir que Irán enriqueciera uranio.

Shimon Riklin, presentador del Canal 14 israelí, de tendencia conservadora, publicó en X que Estados Unidos estaba más débil que nunca y que nadie querría ser su aliado.

Estos comentaristas son cercanos al primer ministro israelí, Benjamin Netanyahu. A algunos se les considera sus portavoces. Y, colectivamente, han dado un giro de 180 grados digno de un manual. Se están volviendo contra el presidente, quien, en su primer mandato, otorgó a Israel el reconocimiento por parte de EE. UU de la anexión de los Altos del Golán ocupados y de Jerusalén como capital de Israel, algo que una larga lista de sus predecesores en la Casa Blanca había evitado hacer.

Este es el presidente que nombró a David Friedman, un defensor de los colonos, embajador de EE. UU en Israel. Friedman abandonó toda pretensión de neutralidad en este conflicto al inaugurar con un mazo un túnel bajo el barrio palestino de Silwan, en el Jerusalén Este ocupado.

Como candidato presidencial, Trump aceptó a Adelson como el tercer mayor donante de su campaña de reelección en 2024. Para comunicarse con la Casa Blanca, Netanyahu ni siquiera tuvo que descolgar el teléfono. Ya contaba con Kushner, entre muchos otros, susurrándole al oído al presidente.

Trump: de leal a traidor

Trump apoyó plenamente el genocidio de Israel en Gaza y sigue haciéndolo hasta el día de hoy. Kushner fue el artífice de «la Junta de la Paz» y de un plan surrealista para convertir Gaza en uno de sus muchos complejos turísticos de playa en el Mediterráneo.

Apenas hay duda de que la decisión de Trump de entrar en guerra con Irán se tomó tras una sesión informativa a cargo de Netanyahu y David Barnea, entonces director del Mossad, en la sala de crisis de la Casa Blanca. El mero hecho de que se permitiera la entrada de un líder de un país extranjero en la sala de crisis no tenía precedente. Nunca antes un presidente de EE. UU. había sido tan influenciable y nunca antes un primer ministro de Israel había estado tan cerca del corazón palpitante de una administración estadounidense.

Este es el hombre al que ahora tildan de traidor

La verdadera pregunta es: ¿hasta qué punto es profunda esta ruptura? ¿Y hasta qué punto es permanente? Trump fue el presidente que dio a Israel todo lo que necesitaba, y más, para librar sus guerras eternas. ¿Está llamado a ser el último presidente sionista de EE. UU? Una ruptura de esta naturaleza no es única en la historia del sionismo. Hay muchos ejemplos de sionistas que se han vuelto contra la superpotencia de su época de la que dependían.

Un patrón histórico

Cuando 250 000 refugiados judíos quedaron varados en campos de personas desplazadas en Europa tras la Segunda Guerra Mundial y Gran Bretaña se negó a levantar la prohibición de inmigración para admitir a 100 000 judíos en Palestina, la resistencia judía se unió. Entre 1945 y 1948, más de 780 soldados británicos, agentes de policía y civiles fueron asesinados en Palestina, muchos de ellos a manos del Irgun y la Banda de Stern (Lehi). Todo ello a pesar de que Gran Bretaña, a través de la Declaración Balfour, abogó por un hogar nacional judío en 1917, incumpliendo su promesa a los líderes árabes de establecer un Estado árabe. La peor atrocidad fue el atentado con bomba contra el Hotel Rey David el 22 de julio de 1946, sede administrativa británica en Jerusalén, en el que murieron 28 súbditos británicos de un total de 91 víctimas mortales. Hasta el día de hoy, Israel se niega a honrar sus tumbas, aunque sí lo hace con quienes perpetraron el atentado contra el hotel. En 2006, el Centro del Legado de Menachem Begin, que lleva el nombre del antiguo líder de la banda terrorista Irgun —quien aprobó el atentado y más tarde se convirtió en primer ministro—, celebró un acto para conmemorar el ataque. El brigadier Peter Smith-Dorrien, el funcionario de mayor rango fallecido en el atentado, yace en una tumba sin identificar.

Tampoco la extraordinaria valentía demostrada durante el Holocausto supuso ningún obstáculo para los terroristas judíos

El Lehi o Banda de Stern también asesinó a un diplomático sueco, el conde Folke Bernadotte, que había negociado la liberación de más de 4 000 judíos de los campos de concentración nazis durante los últimos meses de la guerra. Después de la guerra, se convirtió en el primer mediador oficial de las Naciones Unidas en el conflicto entre el nuevo Estado de Israel y los palestinos. Su pecado original, a ojos de la Banda de Stern, fue haber negociado una tregua y haber sentado las bases para las primeras iniciativas de ayuda humanitaria.

Este patrón se repite a lo largo de la historia de Israel

El regalo de despedida del expresidente estadounidense Barack Obama a Israel fue un paquete militar por valor de 38 000 millones de libras (51 000 millones de dólares) a lo largo de diez años. Se trató del mayor paquete de ayuda de la historia de Estados Unidos.

Avi Shlaim, el historiador israelí, escribió en The Guardian en aquel momento: «Netanyahu siempre correspondió a la generosidad de Obama con ingratitud y desprecio». Nunca dejó pasar una oportunidad para atacar a Obama; intervino de forma descarada en las elecciones presidenciales de 2012 respaldando al candidato republicano; abusó del privilegio de dirigirse a una sesión especial de ambas cámaras del Congreso para insultar a su presidente; y llevó a cabo la campaña pública más vociferante para sabotear el acuerdo nuclear con Irán.

«Resulta difícil pensar en un ejemplo más flagrante de morder la mano que le da de comer. La conducta de Netanyahu lo distingue como el aliado especial salido del infierno».

El expresidente de EE.UU Joe Biden, un sionista liberal por instinto, recibió el mismo trato. El general Amos Gilead escribió que la «reprimenda sin precedentes» de Netanyahu hacia Biden fue una manifestación extrema de ingratitud y un fracaso estratégico de primer orden.

«Estados Unidos es el único verdadero aliado de Israel, y Joe Biden es el presidente más favorable a Israel de la historia. No hay ninguna lógica estratégica para arremeter contra él y contra el líder de la mayoría demócrata en el Senado, Chuck Schumer, y solo cabe sospechar que la mezquina política interna está sustituyendo a una estrategia crucial para la seguridad y el futuro de Israel».

El verdadero rostro del sionismo

Para algunos comentaristas, lo que estamos presenciando es cómo el sionismo revela su verdadero rostro supremacista. Y eso incluye incluso a Moshe Ya’alon, exministro de Defensa bajo el mandato de Netanyahu entre 2013 y 2016.

En una entrevista con Ynet, Ya’alon afirmó que algunas facciones del movimiento sionista religioso, estrechamente alineado con los colonos israelíes, defienden una «ideología de supremacía judía». «¿Qué es la supremacía judía? Ochenta años después del Holocausto, es Mein Kampf a la inversa. La raza superior somos nosotros», afirmó Ya’alon

La supremacía judía ocupa ahora un lugar central en el discurso político dominante de Israel. Basta con escuchar cómo Naftali Bennett, el principal rival de Netanyahu, habla de Irán y de los palestinos. O, de hecho, basta con escuchar cómo los judíos israelíes hablan de los palestinos. Lo que está impulsando la disputa de Israel con Trump podría reducirse simplemente al impacto de lo nuevo.

El impacto consiste en que un presidente de EE.UU le diga a Israel que deje de librar la guerra. Es el impacto que experimenta una colonia de colonos cuando se da cuenta de que ha perdido el control sobre su potencia matriz.

Un impacto similar lo sufrieron los pieds-noirs en Argelia, quienes contribuyeron a llevar al poder a Charles de Gaulle en 1958, solo para ver cómo el presidente francés daba un giro hacia la autodeterminación y la independencia argelina.

O pensemos en la ira de la comunidad unionista de Irlanda del Norte cuando la mayor unionista de ellas, la primera ministra británica Margaret Thatcher, firmó el Acuerdo anglo-irlandés, que permitía a Dublín tener voz en el proceso de paz.

Un tsunami tóxico

Sea lo que sea lo que se está gestando en el seno de Israel tiene un efecto verdaderamente tóxico en la opinión pública al otro lado del Atlántico. No es exagerado afirmar que el genocidio en Gaza, la fallida guerra contra Irán y la negativa de Israel a retirarse de Siria, el sur del Líbano y Gaza han acabado con toda una generación de apoyo en EE. UU.

Tanto en el Partido Republicano como en el Demócrata, la mayoría de los adultos menores de 50 años valoran negativamente a Israel y a Netanyahu, según revela Pew Research. En la actualidad, el 57 % de los republicanos de entre 18 y 49 años tiene una opinión desfavorable de Israel, frente al 50 % del año pasado.

En general, el 60 % de los adultos estadounidenses tiene una opinión desfavorable de Israel, frente al 53 % del año pasado. El 59 % tiene poca o ninguna confianza en que Netanyahu actúe correctamente en materia de asuntos internacionales, frente al 52 % del año pasado.

La tendencia es clara

Sin embargo, existe menos consenso sobre lo que este cambio en la opinión pública significa en términos políticos y cuándo podría desencadenar un cambio significativo en la política. Nueva York, sede de la mayor población judía de la diáspora del mundo, acaba de ser testigo de cómo tres congresistas demócratas en el cargo han perdido sus escaños y cinco escaños locales han sido ocupados por candidatos respaldados por el alcalde Zohran Mamdani. Poco después, Melat Kiros, abogada y estudiante de doctorado, dio una sorprendente sorpresa a los demócratas del establishment al ser declarada ganadora de las primarias demócratas en el primer distrito congresional de Colorado, que incluye la capital del estado, Denver. Kiros desbancó a Diana DeGetter, una política que llevaba tres décadas en el Capitolio y que había recibido más de 1,6 millones de dólares del Comité Americano-Israelí de Asuntos Públicos (AIPAC).

Jewish Voice for Peace – Action afirmó que la contienda demostró que el AIPAC era una «marca tóxica» en el Partido Demócrata, y que los votantes demócratas estaban cansados de los legisladores que apoyan o defienden el genocidio. Sin duda, esto supuso una derrota para el AIPAC. Tres candidatos críticos con la guerra genocida de Israel derrotaron a sus oponentes respaldados por el AIPAC. Pero, ¿representaron los resultados un giro significativo a favor de Palestina o simplemente una reincorporación por parte de los demócratas de los sionistas liberales, sin el respaldo del AIPAC?

¿Se está preparando el partido simplemente para una era post-Netanyahu, en la que el apoyo a Israel volverá a quedar integrado en el sistema?

Uno de los vencedores fue Brad Lander, quien ganó las primarias por el décimo distrito congresional de Nueva York. Lander, que se presentó a la alcaldía antes de respaldar a Mamdani, se había opuesto anteriormente al movimiento de Boicot, Desinversión y Sanciones (BDS) y, durante su mandato como contralor municipal, aumentó las inversiones del fondo de pensiones de la ciudad de Nueva York en Elbit Systems, un fabricante de armas israelí. Se describe a sí mismo como un sionista liberal.

«En un momento en el que quienes, dentro del movimiento de solidaridad con Palestina, entorpecieron las operaciones de Elbit Systems se enfrentan a la más dura represión estatal, resulta un golpe bajo ver cómo sectores del mismo movimiento celebran a Lander, dada su propia implicación con el fabricante de armas Elbit», declaró a MEE Nazia Kazi, profesora de la Universidad de Stockton.

Tras la victoria de Kiros, el senador demócrata Bernie Sanders la felicitó en X. «La marea está cambiando», escribió. «Los estadounidenses están cansados de la política del statu quo».

El propio Mamdani afirmó que se trataba de una victoria para la clase trabajadora, lo que refuerza las conclusiones de una encuesta del año pasado que revelaba que los votantes se guiaban principalmente por las preocupaciones económicas nacionales, la vivienda asequible y el coste de la vida.

Sin embargo, en sus discursos, los candidatos ganadores presentaron las cuestiones nacionales y las demandas para poner fin al genocidio en Gaza como un todo. Su desafío al statu quo se produjo en ambos frentes.

Un largo camino

Para expertos en las relaciones entre Israel y EE. UU. como Daniel Levy, presidente del Proyecto EEUU/Oriente Medio (USMEP), Estados Unidos se encuentra solo al inicio de un largo camino para reajustar su apoyo a Israel. «Aún está por ver si una parte suficiente del movimiento en el bando demócrata podrá centrarse en acumular poder, aunque tengan que hacer de tripas corazón para lograr un cambio en la política, y esto ocurra más lentamente de lo que cualquiera de nosotros desearía. «Nos esperan oportunidades sin precedentes y me encantaría ver que ese cambio se produce, pero aún no ha llegado. La presión contraria de un grupo de presión muy arraigado y la capacidad de nuestro propio bando para cometer errores, así como la ausencia de un movimiento de liberación palestino que impulse este cambio, todo ello significa que aún no ha llegado».

Y, sin embargo, se ha producido un cambio real en la opinión pública estadounidense.

Uno de los cambios más significativos en Estados Unidos ha sido el giro que ha sacado a Palestina de los márgenes políticos para situarla en el centro del debate. Lo que antes se descartaba como una preocupación minoritaria de la izquierda —o se reducía a cuestiones de islamismo o terrorismo— se ha convertido en un tema que trasciende todo el espectro político. Incluso sectores de la derecha estadounidense han comenzado a considerar a Israel como un lastre en lugar de una ventaja. Para algunos conservadores, la conducta de Israel —su matanza masiva de civiles, incluidos niños, y su abierto desprecio por el derecho internacional— ha hecho cada vez más difícil conciliar el apoyo incondicional a Israel con la imagen que Estados Unidos tiene de sí mismo. Para algunos, distanciarse de Israel se ha convertido en una forma de intentar redimir el proyecto estadounidense.

Sin embargo, la incorporación de Palestina al debate dominante también ha traído consigo nuevas limitaciones. Los términos del debate se han ampliado, pero siguen estando estrictamente controlados tanto en los círculos conservadores como en los progresistas. Cada vez resulta más aceptable debatir la influencia de la AIPAC, ya que ello permite a los estadounidenses enmarcar el problema como una cuestión de influencia indebida por parte de un poderoso grupo de presión. Sin embargo, al menos por ahora, los límites de este debate son claros: la resistencia palestina, la autodeterminación o las aspiraciones políticas que sustentan la lucha palestina son cuestiones que siguen quedando en gran medida al margen de los límites de un debate respetable.

Estados Unidos podría encontrarse en un camino que discurre por etapas: un aumento de la simpatía hacia el sufrimiento palestino y una creciente hostilidad hacia un Israel en guerra permanente. Esto, a su vez, conduce al fin del excepcionalismo israelí en la política estadounidense y, finalmente, al reconocimiento de todos los derechos de los palestinos. Puede que se necesiten varios ciclos electorales para lograrlo.

Pero para Netanyahu, o quienquiera que le suceda, volver a hacer que Israel resulte relevante para la derecha estadounidense no será fácil. Frustrado en lo relativo a Irán, pero con permiso para mantener sus avances territoriales en el Líbano y Siria, la reacción de Netanyahu será reanudar la guerra para hacerse con el control de toda Gaza.

No le queda otra opción, si quiere mantener a la extrema derecha en su gabinete y a su lado durante la campaña electoral. Pero una nueva matanza en Gaza aumentará el sentimiento de repulsa en Estados Unidos en ambos extremos del espectro político.

Plantear la guerra como el «11-S» de Israel es una baza que ya se ha jugado. Incluso republicanos como Tucker Carlson están reconsiderando la Guerra contra el Terror como un intento erróneo de presentar a todo el islam como un enemigo existencial. Por el momento no hay salida. El lobby no está dispuesto a rendirse y llevará a cabo una feroz acción de retaguardia en la política estadounidense.

Pero cuanto más se convierta el apoyo a Israel en un acto de fuerza, y menos en un artículo de fe, mayor será el problema en el que se encuentra el sionismo.

[Fuente: https://rafaelpoch.com/2026/07/08/sera-trump-el-ultimo-presidente-sionista-de-estados-unidos - reproducido en https://www.elviejotopo.com]