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terça-feira, 30 de junho de 2026

Perguntem a João Pinto Coelho sobre os esquecimentos da História

A deriva nazi não deixa de marcar presença no novo romance de João Pinto Coelho, mas é a decadência de uma família o cenário principal de um dos mais interessantes romances recém-publicados.  

Os cenários físicos do novo romance, 'Aguarela de Paris', são vários, mas o da Escócia predomina porque o escritor quis estar num lugar a que queria voltar.

Escrito por João Céu e Silva 

O mais recente romance de João Pinto Coelho, Aguarela de Paris, é um objeto de leitura muito sedutor para o leitor. Bastam as páginas iniciais para impedir qualquer desistência e para colocar ao leitor a pergunta sobre a ausência na literatura portuguesa atual de romances tão exigentes como bem realizados como os que escreve. Mesmo quem não tenha acompanhado a sua escrita elaborada desde o início, com Perguntem a Sarah Gross (2015), tem neste seu quinto romance uma ótima entrada para o universo do autor. Avisa-se desde já que para se chegar à “ação” neste romance, são muitas as histórias que preparam o leitor para entender o falhanço de uma humanidade como foi o daquelas gerações obrigadas a conviver com o drama da II Guerra Mundial. Ao fazer-se um paralelo com a situação bélica atual em que o mundo vive, João Pinto Coelho aceita que o seu novo romance possa ser um alerta. Considera que “toda a evocação da violência num contexto histórico, seja pela abordagem académica, seja pela ficcional, deve servir de prova. Se aconteceu, pode voltar a acontecer, como lembra Primo Levi”. No entanto, se acha que aquilo que se observa nas guerras em curso “devia bastar para ser tomado como um aviso sério”, essa é “uma expetativa que perdi há muito”. 

Decerto que o leitor fiel do escritor ficou marcado pela deriva antissemita da Alemanha como a que era narrada no primeiro, em seguida no romance Prémio Leya, Os Loucos da Rua Mazur (2017); depois, no retrato do ódio legado por Mussolini em Um Tempo a Fingir, (2020), e a procura de respostas para a infância em Mãe, Doce Mar, (2022). Desta vez, não fugindo à sua técnica de enquadramento, o autor passa as primeiras dezenas de páginas num cenário tão realista como delirante da Escócia, que irá desembocar na questão judaica e hitleriana, num “murro” no estômago inesquecível a quem o lê. Quando questionado sobre o fruto dessa técnica, Pinto Coelho passa a resposta para o leitor: “Caberá sempre a quem me ler. Nunca escrevo em função deste ou daquele efeito ou reação, até porque o encaixe da história varia de leitor para leitor. Em romances anteriores acompanhei a fermentação do preconceito e da intolerância, desta vez instalo-os de supetão no cenário da França ocupada, sublinhando mais o colaboracionismo dos agentes políticos e das forças de segurança do que o antissemitismo de outros sectores da sociedade parisiense.” 

A narrativa passa também por Portugal, país em que não existe uma família que possa rivalizar com a do barão de Senigallia, que domina a entrada apoteótica de Aguarela de Paris. Servirá de contraponto, pergunta-se ao escritor, ou será o tour de force adequado literariamente para engrandecer o cenário de um romance passado numa outra época escocesa. Pinto Coelho clarifica: “Este é um romance sobre a decadência. Não só a decadência moral e a recodificação de valores à luz de um sistema ideológico, mas a decadência de duas personagens, as gémeas Senigallia. Precisava começar pelo fausto para acabar como queria, na indigência e na degradação mais drástica. O meu ponto de partida foi a opulência de um castelo escocês e o poder de uma família - não houve outra razão.” 

O principal cenário nunca é o nacional, que apenas apanha boleia devido às circunstâncias históricas de ter sido o ponto final para múltiplas fugas ao pesadelo do Terceiro Reich, mas em muito o da Escócia. Tal como nos romances anteriores, a escolha não foi por acaso, como recorda: “Às vezes há razões muito primárias e o facto de querer escrever desta vez nos cenários escoceses foi a minha maneira de estar num lugar onde queria voltar. Sempre houve razões para me localizar num ou noutro cenário e não será por acaso, é que todos os anos organizo viagens literárias a qualquer lugar do mundo em que haja um livro ou um autor que nos chame. Cracóvia e Auschwitz por causa do meu primeiro romance; a Toscana, levados pelo segundo, mas também os cafés literários de Praga, de Kafka e Kundera, o território Maasai, no Quénia de Karen Blixen, a Irlanda de Joyce, Yeats e Oscar Wilde. Duas delas, em que percorremos o sul da Inglaterra nos trilhos de Jane Austen, Agatha Christie, Virginia Woolf e outros, acabaram num clube literário que atravessou a ilha de comboio, desde King’s Cross, em Londres, até aos confins da Escócia. Foi aí, entre Inverness e o Loch Ness, que reinstalei este romance quando regressei a Portugal.” 

Uma das características de Aguarela de Paris é a existência de um grande leque de personagens secundárias. Pinto Coelho concorda: “Os meus livros sempre foram muito populosos.” Mas, específica no que respeita à forma como estrutura essa rivalidade para com as protagonistas Franca e Giullietta: “Cada personagem serve o romance à sua maneira, pois o importante é ser imprescindível. Até as secundárias, as que uso para a caracterização sociológica de um lugar ou de um tempo histórico, existem para que nelas se expressem as principais ou, simplesmente, como instrumentos de ação. O problema é que se acho graça a um revisor de bilhetes ou a um rato de sacristia e lhes dou mais importância do que a que têm para a história, situação para que o leitor, tal como o autor, tem de estar preparado para se despedir delas.” 

Não é por acaso que João Pinto Coelho intervala a seguinte frase a dado momento num diálogo deste livro: “Não estamos a falar de romances nem das tuas personagens. Esta mulher [Wallis Simpson] existe, não precisa de um escritor para se tornar extraordinária.” A intenção de incluir esta deixa pretende ser, diz, “a constatação de que existe gente assim: homens e mulheres que habitam fora dos livros e dispensam floreados, mesmo literários, para se descreverem como extraordinários”. É o caso de uma outra frase literária sobre vários pintores, como Chagall, Picasso, Dali e Rivera, e do que numa das páginas é referido assim: “Cada história [deles] dava um conto e não eram os quadros mas as suas vidas que mereciam ser emolduradas”. Pinto Coelho confessa: “É uma frase que decorre do meu encontro com eles, de tudo o que aprendi nos bancos das Belas Artes, ou do que vim a encontrar enquanto chocava com as suas biografias. Por trás do génio, há vidas complexas, paradoxais, fascínios que davam quadros ou romances inteiros.” 

Quando se quer saber qual das gémeas prefere como protagonista, João Pinto Coelho garante que essa é uma “pergunta é provocatória, pois não faço ideia a que gémea dei preferência”. No entanto, não as evita qualificar: “Se for pela voz da Chuva, Aguarela é a favorecida, chegando a admitir ter calhado ser a gémea errada. Se for pela mão do autor, Aguarela, é sempre mais grandiosa do que o mundo que a cerca, é a sacrificada e de longe a mais maltratada. O autor tem outras preferências, contudo deve deixar a empatia para quem o lê.” 

Uma segunda pergunta provocatória surge quando escreve “Era a segunda vez que eu ouvia falar de Hitler e da deriva antissemita que a Alemanha cozia.” É hora de saber se as imagens que passam nas televisões sobre a atual atividade militar de Israel lhe fazem lembrar o pesadelo desse passado. João Pinto Coelho recorre à História: “Em 1941, durante a invasão da União Soviética, Hitler enviou os seus esquadrões da morte para chacinar todos os judeus que encontrassem. Estamos a falar dos homens, mulheres e crianças que se achassem no caminho, nenhum deles capaz de constituir ameaça, fosse de que natureza fosse, ao Reich de Mil Anos. Não se descobrem disputas territoriais, preocupações de segurança nem guerras de poder que expliquem a obsessão de uma campanha assim. O Holocausto não tem precedente nem explicação plausível. O que hoje se passa no mundo, em Gaza e noutros lugares de desastre, obriga a uma reflexão urgente, mas a História nunca se deu bem com as equivalências.” 

Qual terá sido o cenário que mais trabalho deu a escrever no caso de Paris sob duas épocas: com e sem ocupação alemã. Responde: “Foi muito mais trabalhoso escrever sobre o período pós-ocupação, sobretudo porque, pela primeira vez, abordo uma temática que não conhecia com a profundidade que o romance reclamava: as experiências médicas perpetradas sobre os prisioneiros nos blocos de Auschwitz I e Birkenau. Tanto que tive de recorrer a médicos com as especialidades que me interessavam para afinar a linguagem científica e varrer da narrativa certos anacronismos. Escrever sobre os crimes que aconteceram no bloco 10 do Stammlager não só foi mais trabalhoso, como emocionalmente exigente.”



AGUARELA DE PARIS, de João Pinto Coelho

D. Quixote

423 páginas

 

[Fonte: www.dn.pt] 

terça-feira, 26 de maio de 2026

«El nom a la paret», d’Hervé Le Tellier

Confrontar la França resistent i la col·laboracionista 

Hervé Le Tellier

Escrit per Vicent Flor

Traducció de Jordi Boixadós

Un llibre monogràfic sobre un maquisard desconegut que morí als vint anys en una emboscada de la Wehrmacht? Dona per a tant aquesta vida massa curta? El matemàtic, periodista i crític cultural Hervé Le Tellier (París, 1957) ha canviat profundament de registre respecte de l’exitós llibre anterior, L’anomalia (Edicions 62, 2021), premi Goncourt, i ofereix una novel·la sense ficció sobre el guerriller André Chaix (1924-1944).

Cal un motiu? No, però aquest nom apareix escrit a la paret d’una casa que compra l’autor. No és la primera vegada que una història captivadora sorgeix d’un fet atzarós. Tot estirant alguns fils, s’ofereix un viatge de descobriment de la vida –i la mort– d’André, que, i aquesta és la clau, és un periple cap a la resistència francesa i, també, al col·laboracionisme amb els nazis.

Així, Le Tellier va i ve dels fets particulars a la cosa general i posa al lector davant cruïlles, doloroses, a les quals hagueren d’enfrontar-se persones en un període en què encara no vivia l’autor. Aquesta és una de les funcions principals del novel·lista, posar-nos en la pell dels altres, siguen bons o roïns o una barreja, ja que “la vida, igual que les pel·lícules en blanc i negre, en realitat és en matisos de gris”.

Ja sabem que el mite de la nació francesa resistent i màrtir és fals. La Segona Guerra Mundial també fou una contesa civil a França. Le Tellier retorna a la ferida. I no fuig d’estudi. Es posiciona contra el nazisme i, per tant, contra el règim de Vichy. El resultat n’és aquest: “durant l’Ocupació, no es crea res que no sigui ‘malgrat tot’, de vegades, ‘en contra’ i el conjunt es diu ‘què hi farem’”.

Per a la Resistència obeir era “trair”. A l’altre bàndol, tanmateix, no sols s’obeïa. Alguns actuaven amb deler i excés de zel. Per als nazis els maquis eren “terroristes”. “La paraula és tan pràctica que continua fent molt de servei”, afirma Le Tellier. I contra els terroristes, bé que ho sabem, no hi ha límits.

En foren tants, els col·laboracionistes, que la llei d’amnistia de 1953 els perdonà fins al punt que no es podien ni tan sols recordar els crims comesos! El president del Consell de Ministres d’aleshores, René Meyer, resistent, socialista, jueu i amb el fill únic mort en combat, afirmà que “la unitat nacional [és] superior a tots els dolors, més urgent encara que les reparacions”. Fou just per a André? La Guerra Freda, ja sabeu.

I també hi és el nacionalisme francés, per descomptat. No debades, en la cartera André duia un full del llibre Le Tour de la France par deux enfants, un llibre “patriòtic i republicà” en què es descobreix “una història rica” que inclou el líder gal Vercingètorix. La nació cívica. 

Hervé Le Tellier, El nom a la paret, Edicions 62 (2026)

André era d’una pedania occitana no massa lluny dels Alps. Estava promès amb Simone, qui perdrà nuvi i pare. Refeu la vida, si es pot fer servir aquest verb, amb un matrimoni el 1946. I tingué descendència. El narrador llança una mirada comprensiva: “Comprenc, davant de la traïció de la vida, el seu rebuig a abdicar”. Però no oblidà. I a Christiane li parlarà del iaio i d’aquell amor…

Què se n’hauria fet d’André si haguera vist la victòria contra Hitler? Le Tellier juga a preguntar-s’ho. Hauria sigut artista? Hauria seguit amb Simone? És inútil… “perquè André tindrà vint anys fins a l’eternitat”.

L’autor, a més, ens situa davant l’espill. Recorda que moriren cinc milions de soldats alemanys durant la Segona Guerra Mundial –pràcticament tota la població actual del País Valencià– i el mes d’agost del 1944, el que mataren André, quatre-cents cinquanta mil, el més mortífer per a ells.

Le Tellier, de tant en tant, apareix i se sincera. Pels soldats alemanys caiguts diu que “d’indulgència, però, no en trobo a dintre meu per aquells que a França i a tot arreu van deixar que el seu odi, però sobretot la seva covardia o el seu afany de fer carrera, definissin el seu destí”. Veure la pel·lícula Nit i boira, d’Alain Resnais, sobre el genocidi jueu, l’expulsà de la infantesa: “La ràbia, la ira, fins i tot, no s’han esvaït mai. Convé que continuïn intactes”.

Tanmateix, no culpa els alemanys, en general. I reconeix que “la qualitat de miserable, no caldria repetir-ho, no coneix fronteres”. A la mateixa França molts voluntàriament dugueren francesos, i no francesos, a l’escorxador. I recorda que no se n’han anat: el Front Nacional de Jean-Marie Le Pen fou fundat per col·laboracionistes. 

En definitiva, El nom a la paret és una novel·la amb una certa dosi d’assaig —com en les obres de Milan Kundera i uns altres— i on el narrador no se n’amaga. Potser no està de moda aquesta prosa, però continua tenint pegada. Com l’antifeixisme, que ensenya que les idees ultradretanes…

“no es debaten, es combaten. Perquè la democràcia és una conversa entre persones civilitzades, la tolerància limita amb la intolerància. Qui sembra l’odi contra l’altre no mereix l’hospitalitat d’una discussió. Qui vol la desigualtat dels homes no té dret a la igualtat en l’intercanvi. Ve al cas la frase lapidària de l’historiador i membre de la Resistència Jean-Pierre Vernant: ‘No es parla de receptes de cuina amb antropòfags’”.

Al capdavall, “som uns primats conformistes i mimètics”. És millor adonar-se’n més prompte que tard. “Cal recordar-ho: els feixismes corren més de pressa que qualsevol democràcia”. 

Sí, no ho oblidem.

 

[Foto: Edicions 62 - font: www.diarilaveu.cat]

quinta-feira, 21 de maio de 2026

Tots els camins de la llengua a l’exili

Llegim 'La traductora dels haikus' (Galàxia Gutenberg), una novel·la de Monika Zgustová que parla d’una exiliada als Estats Units que tradueix versos de poesia japonesa per trobar el seu forat al món.

Monika Zgustová

Escrit per Alba Mallada

El segle passat, entre moltes altres coses, fou el segle dels exilis. Milions de persones al voltant del món es van veure desplaçades —expulsades— de les seves terres natals i obligades a tornar a començar. Empesos a construir una nova vida en un lloc diferent, amb persones diferents i, molt habitualment, en una llengua diferent. El seu imaginari s’omple d’una barreja i contradicció d’estils de vida, realitats i vivències: identificació i reconeixement, descobriment i nostàlgia i la sensació d’anhelar un retorn que és impossible. Perquè on o a quina vida se suposa que han de tornar?  

Aquesta és la història que narra Monika Zgustová —ella mateixa nascuda a Praga i exiliada a Barcelona— a La traductora dels haikus (Galàxia Gutenberg) a través de la història de la Jana i el Tomáš, narrada per una Jana ja anciana que repassa la seva trajectòria marcada per l’exili de Praga als Estats Units.  

La narració parteix d’una estratègia clàssica: la de repassar una vida a través d’una conversa casual. Així, de la conversa entre la Jana i el Danny al present, es van fent grans flashbacks que repassen la història de la protagonista i la novel·la ens va situant entre la Praga comunista de després de la guerra i els Estats Units de fa una dècada. 

De fet, l’inici d’aquest repàs vital va també carregat de recursos tradicionals, de llocs comuns en la literatura. La mare moderna i jove per qui la filla és un ressentiment, una amenaça. La història d’amor entre un aristòcrata altiu i una adolescent corrent. El rerefons històric. El relat fragmentat, fet de converses, d’imatges que formen el collage d’una vida.   

Però el relat comença a teixir-se i trenar-se de forma interessant obrint camins insospitats. El relat es converteix en una història d’amor i d’absències, de cerca personal i construcció d’identitats, també una història de país i de pors i de dubtes. I una història d’un exili. De nous començaments, de nous dubtes, nous reptes. Una història de família.    

El relat sempre en primera persona té una veu molt particular, honesta fins al punt que es torna incòmode. El lector es troba sovint jutjant la narradora, una veu que pren un to egocèntric i que, a vegades, juga el paper de la víctima. Però és precisament aquesta entrada intrusiva en el monòleg interior i profundament íntim de la narradora que aporta un valor afegit a la història. En realitat, el relat conté totes les contradiccions de l’ésser humà exiliat. Sense filtres. És una veu que incomoda perquè esdevé profundament valenta: perquè diu en veu alta inclús allò que la protagonista no s’atreveix a sentir.

Tot i que no es tracta d’una autobiografia, és inevitable pensar que moltes de les reflexions de la Jana estan construïdes a través de la història de Monika Zgustová. Una autora fascinant perquè, en exiliar-se a Barcelona, va adoptar la llengua catalana com a veu literària. El seu nou món -el de l’exili- es construeix i articula a través del català, de forma que la llengua es converteix en indissociable de l’experiència de l’exili. Potser per això necessita expressar-ho en català. És, en aquest sentit, més admirable encara aquesta veu narrativa tan transparent.  

Així, l’autora parla d’un exili sense parlar d’ella mateixa i de la llengua com una irònica metàfora d’aquesta incapacitat de pertànyer. Diu en la novel·la: “El Tomáš i els fills se sentien com si s’haguessin perdut en un món que no entenien. Això era l’exili. De sobte et converties per als altres en un idiota, incapaç de fer-te entendre, d’embastar quatre paraules seguides amb sentit. La teva llengua materna, aquella amb què sempre vas parlar als teus pares, amb els teus avis, amb els teus fills i amics, aquella amb què et vas enamorar i vas expressar el més íntim de tu, tot d’una aquella llengua no servia per a res, era una deixalla que els altres menyspreaven. Això és també l’exili”.   

Alhora, la llengua és també la via per què la protagonista aconsegueix generar-se un forat propi en un món d’intrusivitats. La Jana comença a estudiar japonès pel plaer de començar una cosa que fos només seva. I comença a traduir haikus. I a escriure versos ella mateixa. La seva ploma va adoptant els colors dels diferents idiomes que conformen ara la seva existència perquè la seva ànima té ara diferents formes d’expressar les seves realitats. El txec, l’anglès, el japonès. Diu: “I continuaria escrivint la meva pròpia poesia. En l’idioma que fluís de la meva ploma. Per a un exiliat, la llengua materna és un aliment de l’ànima. I la llengua apresa és un regal”.   

És inevitable pensar en Milan Kundera quan llegim aquesta novel·la. I el lector es creua amb l’agradable sorpresa de veure la seva obra mestra, La insuportable lleugeresa de l’ésser, mencionada directament a la novel·la de Zgustova. Kundera, també nascut a Praga i exiliat a França, escriví en francès des de la seva partida. Són molts els escriptors i escriptores que, sigui per un exili polític o per desplaçaments d’altres tipus, per qüestions estètiques o personals, han jugat amb els idiomes i les seves possibilitats literàries. Joseph Conrad —del polonès a l’anglès—, Nabokov —del rus a l’anglès—, Kafka —del txec a l’alemany—, Jorge Semprún —de l’espanyol al francès—, i un llarguíssim etcètera. Mendoza que transitava del castellà a les novel·les al català pel teatre. Najat El Hachmi com a exemple deliciós de la nostra literatura contemporània. 

Tot això revela que la llengua és una manera de reconfigurar la identitat. En cada elecció lingüística hi ha una nova forma de relacionar-se amb el món. La llengua articula, ordena i dibuixa la realitat i en un context d’exili, en què la realitat és descobriment i adaptació, nostàlgia i reconeixement, la llengua és identitat i arrelament. Tant Zgustova com Kundera (al seu gran llibre de l’exili, La ignorància) tornen a la gran epopeia del retorn: L’Odissea. Una història d’absències i esperes, d’anhels i esperances, de viatge i transformació i de la necessitat profundament humana d’arrelar i retornar, de retrobar-se amb Penèlope i de despertar un dia, qualsevol, a la platja d’Ítaca i sentir la música del Gran Retorn.


[Foto: Antoni Sella - font: www.nuvol.com]

domingo, 5 de janeiro de 2025

‘La ciudad y sus muros inciertos’: solo un libro más de Haruki Murakami

Mundos paralelos, viajes en el tiempo, amores imposibles, personajes alienados y hasta un poco de jazz. El escritor japonés recorre en su última novela territorios ya transitados en otras obras

El escritor japonés Haruki Murakami, en la ceremonia de los Premios Princesa de Asturias, el 20 de octubre pasado en el Teatro Campoamor de Oviedo.

Escrito por Leonardo Padura

Si una imagen de la más reciente novela de Haruki Murakami me acompañará con persistencia, esa será la de una torre en cuya cúspide ha sido colocado un reloj sin manecillas: el tiempo ha perdido su valor o ha dejado de tener su más esencial sentido.

 

Sin embargo, fuera de esa extraña ciudad amurallada, ubicada en un espacio arbitrario y donde se vive al margen de las cronologías, una urbe construida en sus detalles por el escritor japonés, el tiempo existe, siempre existe y es mensurable. Y ahí están para demostrar su persistente transcurso los seis años que debieron esperar los millones de fieles lectores que Haruki Murakami ha ido ganando por todo el mundo para que al fin comenzara a circular su nueva novela, La ciudad y sus muros inciertos, publicada el año pasado en su país y ahora estampada en español por su sello habitual, Tusquets Editores. Seis años especialmente intensos en los que en el mundo han ocurrido acontecimientos que han alterado el ritmo de la vida de todo el planeta: desde una pandemia global que dio la impresión de detener el tiempo hasta el inicio de guerras en Europa y Oriente Próximo (que nos da el sentimiento de haber retrocedido en el tiempo), y otros muchos acontecimientos que de algún modo nos afectan a todos y también alimentan una cada vez más visible polarización de las sociedades, divididas entre los individuos y grupos que están a favor o en contra, no importa en ocasiones de qué, y, como parece corresponder a nuestra época, que se perciben (y comportan) como enemigos.

 

De esos años, varios de ellos fueron dedicados por Murakami a la escritura de esta novela y ese lapso también ha afectado a la vida del escritor. Lo sé por experiencia —y lo ha refrendado Kundera—, pues el novelista que comienza un libro y el que lo termina no son la misma persona. Cuando menos, es el autor de un libro más.

 

Y este libro, que expectantes y curiosos ahora leemos, creo que para un autor con una obra como la de Haruki Murakami, resulta ser solo eso: un libro más.

El tempo narrativo resulta más trabado que lento y las reiteraciones, con repeticiones textuales de ideas, frases, incluso momentos de las casi 600 páginas del texto, me hicieron recordar en muchas ocasiones el sabio consejo de Juan Rulfo de que “se escribe con el hacha”

Para esa multitud de seguidores del japonés, el tránsito por esta novela los llevará por territorios que nos parece que, de su mano, ya hemos recorrido (en otros tiempes y más de una vez): la presencia de mundos paralelos que implican la existencia de diferentes dimensiones de la realidad, viajes a través del tiempo en el mismo espacio, quiebres de las lógicas racionales con la creación de universos alterados propios de la literatura fantástica, personajes alienados (vivos y muertos) portadores de una inconmensurable tristeza, amores imposibles y hasta un poco de jazz. Todo Murakami, mucho Murakami, pero ahora en una novela en la cual, quizás más que en ninguna otra de las firmadas por él y que yo haya leído, el tempo narrativo resulta más trabado que lento y las reiteraciones, con repeticiones textuales de ideas, frases, incluso momentos de las casi 600 páginas del texto, me hicieron recordar en muchas ocasiones el sabio consejo de Juan Rulfo de que “se escribe con el hacha”.

La ciudad y sus muros inciertos comienza contando la historia de un amor frustrado. El joven narrador de la novela se enamora de una también muy joven muchacha que un buen día desaparece, luego de confiarle que existe una ciudad amurallada ubicada en una geografía imprecisa, donde no se marca el tiempo, un lugar al que se puede entrar y de donde no se puede salir. Allí, además, las personas pierden su sombra, se pasean unicornios y, sobre todo, hay una biblioteca que, en lugar de libros, conserva “viejos sueños”. Una ciudad que, ya lo sabremos, fue creada con una muralla inexpugnable a raíz de una pandemia que asoló al mundo.

 

Y allá aparece el narrador, sin saber nunca cómo llegó a ese sitio, para encontrar al otro yo de la joven a la que amó 20 años antes y que resulta ser la bibliotecaria que le entregará los “viejos sueños” que el ya no tan joven protagonista debe leer.

 

También, siempre sin saber cómo, el narrador de la historia logra lo imposible: salir de la ciudad inexpugnable para redefinir su vida convirtiéndose, por un llamado de su conciencia, en el anodino director de la biblioteca de un pequeño pueblo rodeado de montañas (que son como murallas). Allí, en un tiempo y espacio que parecen ser reales, también asistiremos a rupturas de nuestras lógicas con distintas situaciones, personajes y acontecimientos que no pretendo revelar y que se prolongan hasta el regreso del protagonista a la ciudad amurallada, aunque para él su posibilidad de permanecer allí ya no será posible.

Durante su lectura no podía dejar de preguntarme qué se proponía el escritor, adónde quería llegar, qué me quería decir con esta especie de distopía literaria…

En mi lectura, mientras atravesaba las escasas peripecias que alimentan el argumento de una novela que podría considerarse de tesis, no podía dejar de preguntarme qué se proponía el escritor, adónde quería llegar, qué me quería decir con esta especie de distopía literaria… Y encontraba, dichas por él, posibles respuestas como esta: “Sostengo que no hay una sola realidad, sino que se nos ofrece un amplio abanico de posibilidades, de entre las cuales cada persona tiene que seleccionar una”. O esta otra: “En cualquier caso, hacía tiempo que para mí el término realidad no estaba claro, se había roto en pedazos. Me veía incapaz de discernir lo real de lo irreal. Sentía zozobra y confusión”, dice el narrador, anticipando quizás lo que puede sentir el lector ante tales afirmaciones: zozobra y confusión.

 

A Haruki Murakami no le hacen falta elogios de la crítica para que sus libros sean recibidos con entusiasmo. Sus éxitos de venta, el culto que le profesan sus lectores, lo han ido convirtiendo en un escritor con méritos para ser un “eterno aspirante al Nobel de Literatura”. Pero recordemos que con cada uno de sus trabajos el artista da unos brochazos sobre el lienzo de su obra y que a veces un espacio en blanco aporta más al conjunto que unos colores inciertos.

Portada de 'La ciudad y sus muros inciertos', de Haruki Murakami

La ciudad y sus muros inciertos

Haruki Murakami
Traducción de Juan Francisco González Sánchez
Tusquets, 2024
576 páginas. 22,90 euros

 

 [Foto: Carlos Alvarez (GETTY IMAGES) - fuente: www.elpais.com]


domingo, 13 de outubro de 2024

«La gent de Gaza és, també, un arxiu oral, molt important per lluitar contra la narrativa del colonialisme»

Arrenca la segona temporada de ‘Nexes’, la sèrie de pòdcasts del CIEMEN, amb un episodi sobre la memòria del poble palestí

 


“Per eliminar les nacions, el primer que es fa és treure’ls la memòria.” La cita, de l’escriptor txec Milan Kundera, sintetitza una de les moltes negacions simultànies que pateix el poble palestí sota l’ocupació israeliana des de 1948 i que centra l’episodi “Palestina: la història que no oblidem” de la sèrie de pòdcasts Nexes, del CIEMEN. Al llarg de tres quarts d’hora, el capítol inclou reflexions sobre les narratives que sostenen la colonització i sobre el paper de la memòria col·lectiva, tant in situ com a la diàspora.


L’episodi dedicat a la memòria del poble palestí és el primer de la segona temporada de Nexes, una sèrie de pòdcasts que aborda els drets humans i les migracions des de la perspectiva de les comunitats residents a Catalunya. En la primera temporada, Nexes va centrar-se en els pobles originaris del nord-oest d’Àfrica, i va acostar-se a les realitats dels amazics, sahrauís i soninkes, en una sèrie de sis pòdcasts. En aquesta segona temporada, coordinada i presentada per la periodista Alba Cartanyà, el focus està posat en els pobles de la ribera oriental de la Mediterrània.

La forma com es percep la memòria del poble palestí fora de les comunitats palestines està mediatitzada pel relat del sionisme. Un relat que a l’activista palestina Salam al-Maslamani, una de les tres persones participants en el pòdcast, es va veure sorpresa per com era d’hegemònic a Catalunya quan ella va arribar-hi el 1987. “Quan hem perdut el relat, els palestins?”, es demanava llavors. Al-Maslamani pensa que la feina feta per la comunitat palestina ha estat fonamental per fer bascular l’opinió pública catalana cap a posicions més conscients i comprensives de la situació d’opressió que pateix el poble palestí.

La conversa de “Palestina: la història que no oblidem” també fa referència, com és obvi, als esdeveniments que es despleguen a Gaza des de fa un any i la relació que tenen amb la memòria col·lectiva. Des d’aquesta perspectiva, el segon convidat del pòdcast, Mohammed Hamarsha, periodista de la xarxa palestina Al-Shabarka, destaca el valor que té el fet que “el 80% de la gent de Gaza són refugiats o descendents de refugiats”. Aquesta gent “són un arxiu oral. Han parlat amb els seus avis, que van néixer a Palestina a les dècades de 1930 i 1940, al que ara es diu Israel. Això és molt important per lluitar contra el relat sionista, contra la narrativa del colonialisme i del món blanc occidental”. Hamarsha explica el treball de recopilació de fonts orals que el poble palestí duu a terme des de fa quatre dècades, i que continua avui, “perquè el que va passar el 1948 no és història: la Nakba continua en procés. La gent de Gaza està documentant la seva Nakba en viu”.

El tercer convidat del pòdcast, Laurent Cohen Medina, copresident de Junts–Associació Catalana de Jueus i Palestins, considera que les narratives hegemòniques a Israel beuen, sobretot, d’una “visió monolítica” elaborada per una part dels jueus europeus, que en tot cas no poden representar tota la diversitat de relats i memòries dels jueus. Abans d’Israel “ja hi havia un món, a l’Orient Mitjà”, diu Cohen, “i l’estat nació és un reduccionisme: una nació, una terra i una religió”. Per Cohen, de la diàspora estant “és més fàcil poder parlar, s’és més lliure. Es poden trencar mites, es pot debatre. No hi ha els murs imposats al terreny”.

Tots els episodis de Nexes es poden trobar al web del CIEMEN i a les plataformes Spotify i Ivoox, i formen part del projecte Som Part.

 

[Imatge: David Forniès - RafahKid Kid @ Flickr - font: www.nationalia.cat]