terça-feira, 8 de setembro de 2026

Artistas portugueses saem do festival acusado de “normalizar o genocídio”

Vários artistas anunciaram o cancelamento da sua presença no festival Commedia a La Carte, que tem como cabeça de cartaz Jerry Seinfeld, o humorista que apoia o genocídio em Gaza. 


Marcado para o final de outubro em Lisboa, o Festival MEO Commedia a La Carte viu nos últimos dias vários artistas cancelarem a sua presença. Os cancelamentos do concerto do Conjunto Cuca Monga e do espetáculo Tributo Pop, com Tatanka, Carolina Deslandes e Bárbara Tinoco, foram os primeiros a ser divulgados pela organização.

Mais tarde, a dupla de comediantes Cebola Mol, de Eduardo Madeira e Filipe Homem Fonseca também anunciou que não faria parte do cartaz do evento. "Celebraremos justiça, liberdade e alegria numa próxima oportunidade”, afirmaram os humoristas nas redes sociais, publicando uma foto sua ao lado da imagem de uma fatia de melancia, associada ao movimento de solidariedade com o povo palestiniano.

A atriz Inês Aires Pereira foi mais explícita ao justificar o cancelamento com a recusa de “normalizar um genocídio” e referindo que um dos nomes convidados "defende insistentemente ideias e atos" que considera "indefensáveis".

Outros nomes em cartaz que já anunciaram o cancelamento são o artista visual Vhils e o humorista Pedro Tochas.

A razão principal da debandada de artistas deste festival que pretendia reunir "o melhor da comédia, teatro, música, performance, 'storytelling' e cultura pop" é a presença como atração principal do humorista Jerry Seinfeld, que desde o início do genocídio em Gaza não tem poupado apoios à ação militar israelita e críticas ao movimento de solidariedade com a Palestina.

Seinfeld comparou mesmo o movimento pela Palestina Livre ao Ku Klux Klan, acusando os ativistas contra o genocídio em Gaza de partilharem o antissemitismo do KKK. “Digam só que não gostam de judeus. Ao dizer 'Libertem a Palestina', não estão a admitir o que realmente pensam. Por isso, na verdade — em comparação com o Ku Klux Klan, acho que o Klan é um pouco melhor, porque podem dizer logo à partida: 'Não gostamos de negros, não gostamos de judeus'. OK, isso é honesto”, afirmou o artista na Universidade de Duke. Noutra ocasião, desafiado a dizer “Free Palestine” num espetáculo, respondeu a dizer que a Palestina “não existe”.

[Fonte: www.esquerda.net]

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