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quarta-feira, 21 de outubro de 2026

A arte imperfeita de Amelie Von Wulffen e os fantasmas do nazismo

Culturgest traz a Portugal pela primeira vez a obra da artista alemã. 'Panic Realism' apresenta cerca de cem obras produzidas sobretudo na última década, entre pintura, desenho e escultura.

A artista, que vive e trabalha em Berlim, junto de uma das suas esculturas, que diz ser um autorretrato. 

Escrito por Carla Alves Ribeiro 

“Não consigo pensar quando tenho pessoas à minha volta”, diz Amelie Von Wulffen, explicando que não tem assistentes no seu ateliê, trabalha sozinha. O que também explica a escolha dos materiais que utiliza na sua produção artística, por exemplo, nas suas esculturas – ou dummies, como as designa o curador Bruno Marchand –, feitas de papel maché. “É um material muito fácil de trabalhar, que consigo produzir sozinha. Não preciso saber muito sobre escultura e também não é muito pesado. Normalmente, não tenho assistentes no ateliê e não gosto de depender de outras pessoas”, diz a artista ao DN, no âmbito de uma visita antecipada a Panic Realism, a exposição que abriu as portas ao público este sábado, 17 de outubro, na Culturgest. 

Trata-se da primeira exposição em Portugal da artista que vive e trabalha em Berlim, e uma das mais extensas dos últimos anos, com mais de cem obras, sobretudo da última década, entre pintura, desenho e escultura.

Bruno Marchand, que conheceu o trabalho da artista numa exposição em Bruxelas, considera que Amelie Von Wulffen “ocupa um lugar particular no campo da produção artística”, porque as suas obras tanto refletem o universo pessoal, como configuram um olhar sobre o que se passa no mundo. 

“Ela está sempre a deslizar entre um campo e outro. Entre aquilo que é o seu campo interior, o lugar do trauma, do desejo, da biografia e, por outro lado, aquilo que está acontecer no mundo exterior, que tem que ver com dinâmicas políticas, com questões sociais, com dinâmicas de grupo. Toda a sua obra circula por este campo cinzento e em que muitas vezes sobrepõe estas duas realidades".  

Muitas das pinturas de Amelie Von Wulffen evocam figuras e cenários de uma burguesia conservadora da qual ela provém, incluindo da família. Diz a artista que é uma forma de ela lidar com um “segredo” que veio a conhecer recentemente após a morte dos pais. “Senti uma grande pressão para abordar a história alemã, porque venho de uma família com raízes culturais muito conservadoras. A minha mãe representava muito uma determinada forma de pensamento conservador e também nacionalista. Quer dizer, ela não era nazi, mas os meus avôs estiveram envolvidos em algumas coisas que hoje não consideraríamos propriamente aceitáveis. E fui muitas vezes confrontada com uma forma de não se falar com clareza sobre o que tinha acontecido na Alemanha. Por isso, esta é uma confrontação muito direta. Faz parte do meu trabalho e talvez seja também uma das razões pelas quais a minha família aparece tanto. Precisava refletir muito sobre estas questões, e lidar com tudo isto. Foi, por vezes, bastante perturbador.” 

Bruno Marchand sublinha que “a exposição está repleta dos seus traumas familiares, é uma história muito complexa”. Na pintura de Amelie Von Wulffen o curador vê não uma tentativa de "desorganizar a experiência", mas "uma forma muito clara e honesta de documentá-la, no sentido em que a própria forma como a pintura é feita retrata um pouco essa coisa mal acabada." 

Por outro lado, a artista está preocupada com o clima de incerteza do mundo atual, que compara ao que se vivia nos anos 1920/30, durante o qual apareceu o movimento artístico Nova Objetividade, com o regresso do realismo. Num texto que escreveu para outra exposição, em Berlim, em 2024 - que está disponível na galeria para os visitantes lerem e levarem -, ela revela que após a morte dos pais arranjou um cão, e nos seus passeios diários por Weissenseer Spitze, o bairro onde mora, imaginava “o que aconteceria se caísse uma bomba atómica sobre Berlim”.

Passou a olhar de outra maneira - até com “gratidão” – para “coisas factuais, concretas, tangíveis”, como “as decorações decadentes, mas também comoventes, que se veem nas janelas dos apartamentos, nos jardins e nas montras, e que, de certeza, em breve desaparecerão”. Esse fim que a artista antecipa pode não ser por causa de uma bomba, basta a gentrificação que começa a chegar àquela parte da cidade. As decorações, “ouriços, bonecos, flocos de neve, anões, frutas com pés, coelhos e budas de plástico ou de cerâmica”, aparecem aqui e ali nas suas obras.

Amelie Von Wulffen diz que a maioria da pintura alemã "sempre teve e continua a ter pouco a ver com a luz", e a sua segue o mesmo caminho. "Os meus quadros de Berlim também não têm muita luz. Isso não significa que sejam escuros; a luz, aqui, é sóbria e permanece exterior às coisas”. 

'Flies' (2020)

A cor castanha domina nas obras mais recentes da artista, e aparece muitas vezes espalhada nas paredes. Aliás, a exposição começa com a obra Flies (2020), com insetos feitos em papel maché, arame e conchas a deixarem rasto castanho na superfície. Uma cor que aponta também para outras inquietações. "Na segunda sala abordo as minhas preocupações com a natureza e com aquilo que está a acontecer aos oceanos. E é também uma reflexão sobre os próprios artistas. Esta figura castanha, por exemplo, de certa forma, é uma espécie de autorretrato: o artista que cria pequenas coisas bonitas e as vende", explica a artista, referindo-se a uma das suas esculturas.

A reflexão sobre o papel da arte e dos artistas na sociedade também está presente na obra de Amelie Von Wulffen, que se diz preocupada com o estado do mundo. "Isso tem um grande impacto no meu trabalho. A pergunta se faz sentido trabalhar em arte e tentar fazer parte de um processo de esclarecimento, de reflexão sobre a história alemã e contribuir para um pensamento moderno, para um pensamento racional. Começamos realmente a questionar-nos por que razão fazemos tudo isto", diz ao DN. 

Na última sala do percurso expositivo veem-se figuras de desenhos animados e banda desenhada bem conhecidas, como a Abelha Maia ou a Heidi. Mas a sua evocação é tudo menos inocente. “Esta parte tem que ver com a desilusão que senti mais tarde, quando percebi que todas estas coisas modernas — que eu julgava talvez serem americanas — tinham sido criadas por antigos nazis. Não só a Abelha Maia, mas também Fix & Foxi. A Heidi, não tanto. Coloquei-a ali porque faz parte do meu universo, mas Fix & Foxi era a banda desenhada que todas as crianças alemãs liam no pós-guerra. E este homem, Rolf Kauka [o autor], dominava todo o mercado alemão de banda desenhada. Tinha sido um nazi convicto e continuou a ser uma figura obscura, mesmo mais tarde", explica.

"Quando descobri isso, fiquei verdadeiramente chocada. Foi como perceber que tudo aquilo que julgávamos ser uma janela para um mundo novo, moderno e feliz acabava por revelar-se uma realidade triste".

A Abelha Maia na obra 'Amber Room and Maya the Bee' (2020)

A exposição foca-se num período em que a artista "está concentrada completamente em pintura sobre tela. Há duas ou três aproximações a períodos anteriores, porque há um lado da produção da Amelie muito ligada à banda desenhada e às comics e que aparece num contexto muito particular da recessão de 2008 na altura do subprime", diz Bruno Marchand.

Exibem-se 37 desenhos de pequeno formato em aguarela e tinta sobre papel, desse período. "Chegaram numa altura em que o mercado da arte sofreu uma quebra muito acentuada. Até aí, eu tinha construído uma carreira bastante interessante e ganhava relativamente bem. Mas, de repente, em 2008, o mercado da arte mudou profundamente. E tive de repensar todo o meu percurso profissional", recorda Amelie Von Wulffen ao DN.

"Num formato mais modesto, ela decide embarcar para uma produção que está entre a ilustração e o cartoon", duas áreas das quais os artistas se querem normalmente distanciar, frisa o curador. "Há uma tensão muito clara, e uma espécie de preconceito entre áreas. A Amelie não ligou a isso e começou a produzir a um ritmo avassalador, cerca de três, quatro por dia, estes pequenos desenhos, figuras, que nos fazem pensar que já vimos nalgum sítio, mas na verdade não vimos. Elas são de tal maneira familiares dentro da nossa cultura comum, cartoonística, da banda desenhada, mas estas personagens foram criadas por ela".

"Era algo a que podia dar continuidade, porque já fazia este tipo de trabalho quando era muito jovem, antes de estudar arte. Na altura, pensei que poderia seguir uma carreira na ilustração ou em algo semelhante. Portanto, era uma prática que já estava desenvolvida, de certa forma. Só precisava recuperá-la e levá-la a sério", diz a artista, revelando que esta dimensão do seu trabalho despertou interesse e foi ganhando mais espaço nas exposições que foi fazendo.

 

Panic Realism abriu as portas ao público na Galeria 1 da Culturgest, em Lisboa, este sábado, 17 de outubro, e estará patente até 24 de janeiro do próximo ano. 

[Fotos: Leonardo Negrão - fonte: www.dn.pt]


domingo, 27 de setembro de 2026

«Mira la mar, Marcel•la!», una antologia que convida a navegar J. V. Foix

Poesia | Selecció de poemes —i de proses— que Montse Ginesta i Lluís Quintana Trias ens ofereixen en un format especialment atractiu

J. V. Foix

Escrit per Daniel P. Grau 

L’univers mariner de Foix emergeix amb força en aquesta petita obra d’art que té cura tant del contingut com de la forma i reivindica la bellesa del llibre com a objecte. 

La poesia deu ser el gènere literari que més atenció ha rebut i rep per part dels antòlegs. A més a més, la tipologia d’antologies pot ser molt diversa: des d’aquelles que fan un repàs al conjunt líric d’una llengua a les que se centren en un sol llibre d’un sol autor; des de les que ens mostren un moviment literari a les temàtiques… 

En tots els casos, hem de deixar clar que el que irremeiablement domina la tria és el gust de l’antòleg. Cal assumir-ho amb la màxima normalitat i sense esquinçar-se les vestidures, cosa habitual en la crítica que es fa de les antologies, amb qüestions que solen anar per aquests camins: amb quins paràmetres s’han pres les decisions?; per què n’ha quedat fora tal autor?; com és que s’hi ha triat aquest poema i no aquell altre?…   

A mi, m’agraden particularment les antologies temàtiques, d’un sol autor o de diversos. Poden resultar un acostament força interessant, a més de ben útil en determinades situacions. Per exemple, si mai us demanen que intervingueu en un casament —m’ha passat més d’una vegada—, una antologia de poemes d’amor us hi pot ajudar. 

I si voleu fer un regal a algú que li agradi la mar —a qui no li agrada la mar?—, teniu una molt bona opció en Mira la mar, Marcel·la, la selecció de poemes —i de proses— de J. V. Foix que Montse Ginesta i Lluís Quintana Trias ens ofereixen en un format especialment atractiu: 26,5 × 16,5 cm, tapa dura, bon paper i la reproducció d’il·lustracions de pintura sobre fusta de Montse Ginesta mateixa, amb una maquetació valenta i ben treballada de Jordi Avià —permeteu-me que també esmenti el dissenyador i maquetador del llibre, perquè s’ho mereix—; un conjunt preciós.

J. V. Foix, Mira la mar, Marcel·la!, Abadia de Montserrat (2026)

J. V. Foix és un poeta —ell es proclamava “investigador en poesia”— original, amb una riquesa idiomàtica i una tècnica excepcionals, un avantguardista que connecta amb els clàssics, que beu en els trobadors, en els clàssics catalans i italians, amb unes metàfores impactants i rimes insòlites —ja em direu qui és capaç de fer rimar Freud amb introit en un sonet de decasíl·labs perfectes: “Ens banyarem de frac: som a l’introit […] Del son, grosser, ja en parla Sigmund Freud”; crec que l’altra única opció en català és coit—, que es mou amb gran facilitat entre les formes tradicionals i el vers lliure o la prosa poètica, trenca els límits dels gèneres literaris i ofereix textos que no sempre resulten del tot accessibles. 

És per això que el gran públic agrairà —les antologies també poden tenir una funció didàctica— les explicacions que Ginesta i Quintana ofereixen com a introducció de cadascun dels textos escollits. Bé, tampoc no cal espantar-s’hi, perquè els textos seleccionats, amb molt bon criteri, van des de la poesia metafísica i transcendent del sarrianenc a les proses sobre la seva vida quotidiana d’estiuejant a la caseta de pescadors que va adquirir al final de la dècada de 1940 al Port de la Selva. En tot cas, les aportacions dels antòlegs són sempre mesurades i adients: contextualitzadores i aclaridores sense excessos. 

Us ofereixo, com a exemple, el text d’un dels cal·ligrames que recull aquesta antologia, precedit per la introducció dels antòlegs:  

“Foix va compondre alguns cal·ligrames, poemes que disposen els versos de manera que formen un dibuix que evoca el contingut del text. Es un procediment que té una antiquíssima tradició, però que les avantguardes del segle XX van reivindicar amb força. Aquest cal·ligrama és un poema amorós, en què el jo poètic, navegant («nauxer») de l’embarcació representada en el cal·ligrama, s’adreça a la seva estimada, «ocell entre els ocells», i manifesta el seu desig d’apoderar-se’n tot i saber-ho impossible, perquè ella cauria «en intocable riba». El banderí du la data 18-XI-51 però hauria de dir 18-IX-51, la data en què Joana Givanel feia anys. 

Si l’ocell fossis tu entre els ocells cerosos que ençà i enllà del mar amoregen deserts taciturns, o, amb bec clarós, picotegen estels sangonejants a l’alguera cativa, jo seria el nauxer de braços tenebrosos que abat ocell i estel en intocable riba.

J. V. Foix

18-XI-51” 

El cal·ligrama corresponent, amb una embarcació de vela que navega sobre una mar de paraules, acompanyada per uns ocells, el trobareu reproduït tot seguit en el llibre. A banda de les magnífiques il·lustracions de Montse Ginesta, també hi ha un desplegable amb fotografies de Foix ben marineres: en alguna, navegant amb el seu llagut, El Freu de la Medella.  

Durant els períodes feiners, el podíeu trobar darrere el taulell, cobrant molt eficientment els pastissos i els bombons que es podien comprar al negoci que la seva família regentava a Sarrià. Com em conta el meu amic Dominic Keown, que, en la seva època d’estudiant d’intercanvi hi anava cada diumenge, durant tot un any, només pel gust que l’atengués —per falta de coratge, mai no es va atrevir a dirigir-li la paraula i en sortia amb un pastisset—, poca gent podia imaginar que darrere d’aquella personeta encorbatada hi havia un dels poetes més genials del nostre segle XX.  

Keown va fer després la seva tesi doctoral sobre la lírica avantguardista catalana, centrada en Joan Salvat-Papasseit i J. V. Foix, i va acabar la seva carrera acadèmica com a catedràtic d’estudis catalans a la Universitat de Cambridge.

 

[Foto: Fundació J. V. Foix - font: www.diarilaveu.cat]





quarta-feira, 16 de setembro de 2026

«Hem hagut de marxar. Sis testimonis de joves migrants», llibre de Laia de Ahumada i Cinta Fosch

 


El Soly és originari del Senegal. L’Helena va deixar Bolívia. El Said va haver de fugir de Síria. La Ruth va néixer a El Salvador. La Meriem va marxar del Marroc, igual que l’Ossama. El que relliga les seves històries és que tots ells han hagut de marxar. Amb aquest llibre volem mostrar sis històries de vida, sis recorreguts plens de dificultats i reptes. Tres dones i tres homes que van haver d’emigrar ens expliquen com era la seva vida abans; per què i com van marxar, i com és actualment la seva vida en un país nou on no coneixien ningú. Són històries de superació, però també de dolor, de soledat, d’acollida i d’integració. Històries que, malgrat tot, acaben bé, perquè algú (persones o entitats) s’ha ocupat que fos així. Els testimonis que presentem ens conviden a canviar la mirada, a posar nom i cara a l’experiència de tantes i tantes persones que es veuen obligades a jugar-se la vida buscant un futur més digne. 

Biografia de les autores

Laia de Ahumada 

Vaig néixer a Barcelona fa una pila d’anys; tants, que ja soc àvia i tot. Soc de tarannà inquiet i he fet moltes coses al llarg de la vida: escriure, sobretot, però també em vaig doctorar en Filologia Catalana i vaig impulsar la creació de projectes socials com el Centre Heura per a persones sense llar, al capdavant del qual he estat prop de vint anys. Com a escriptora, he publicat gairebé una vintena de llibres, cinc dels quals d’entrevistes a persones vinculades al món de l’espiritualitat, la cultura i la pagesia, però no n’havia fet cap encara sobre el món de l’exclusió social. És per això que aquest llibre és molt especial per a mi, perquè reuneix tot el que soc i faig. I, sobretot, dona veu a persones a qui ningú escolta. I també és singular perquè, mentre l’escrivia, he marxat d’on era, tot buscant un lloc millor per viure. La diferència amb les persones entrevistades és que jo no "he hagut de marxar". He marxat, i prou.

Cinta Fosch

Vaig néixer el 1986 i sempre m’he envoltat de llibres. Com va dir un autor, la meva pàtria són els meus llibres. Soc il·lustradora, encara que també vaig formar-me com a historiadora de l’art i m’interessen moltes coses més: la literatura, el cinema, la música, els ocells… El meu treball combina les col·laboracions amb mitjans de comunicació i publicacions amb la creació de llibres il·lustrats per a adults i joves, a més dels projectes personals. Com a il·lustradora, he dibuixat sobre drets humans, història, pensament, informació internacional i món contemporani, que són, precisament, els ingredients que es troben en les imatges d’aquest llibre. 

Títol: Hem hagut de marxar. Sis testimonis de joves migrants
Autor:
Editorial: Akiara books
Col·lecció: Akivida
Pàgines: 88
ISBN
:
978-8418972492

 

[Font: www.racocatala.cat]

domingo, 6 de setembro de 2026

Santiago Alba Rico: «Israel es la supervivencia de la peor Europa en Oriente Medio»

El filósofo publica 'Gaza y el destino del mundo', un ensayo en el que reflexiona sobre el punto de no retorno que implica el genocidio y lo que revela de nosotros como sociedad

Santiago Alba Rico reflexiona sobre Gaza en su último libro.

Escrito por Neus Tomàs

En un país que no va sobrado de pensadores, Santiago Alba Rico (Madrid, 1960) se ha convertido en un referente para la izquierda, y ojalá no solo para ella. Su voz tímida, casi susurrante, se abre paso en artículos y libros que ayudan a combatir el griterío de parlamentos y tertulias. Su último ensayo, Gaza y el destino del mundo (Arpa), nos sitúa ante un espejo incómodo, el de la doble moral de Occidente.

“Israel es obra del antisemitismo europeo y en ese sentido, no debería haber existido. La fundación de Israel es injusta en todos los sentidos”, denuncia Alba Rico. Considera que la solución de los dos Estados ya no es posible. Defiende que los propios israelíes, junto con los europeos, son los que tienen que desionizar Israel. “Entonces podrán plantearse cosas como las que decía Martin Buber: un Estado binacional o un solo Estado democrático en el que sea posible establecer unas reglas de juego compartidas”, añade.

Mientras, el filósofo se niega a caer en el pesimismo. No porque falten motivos sino porque si los palestinos resisten, pese a todo, a no tener nada, hay que aguantar y seguir denunciando el genocidio del que son víctimas. Alba Rico nos obliga a pensar sobre ese mundo que Gaza ha marcado como punto de no retorno civilizatorio y, también con las imágenes de Ceuta en la retina, lanza esta advertencia: “Estamos en un momento de la historia en el que uno puede creerse bueno mientras participa en un linchamiento”.

El arranque del libro es sorprendente porque se retrotrae a dos aspectos de la infancia: la diurna, que, por resumirlo, sería más la del juego; y la nocturna, que podría ser más la del miedo. Y a partir de ahí las vincula a algunas dinámicas del poder. ¿Cómo se le ocurrió?

Es una analogía que está presente en mi cabeza desde hace ya algún tiempo. Como lector de Freud creo que era casi inevitable plantearlo así. Pero quizá también tiene que ver con la percepción de los últimos años, en un contexto de descomposición de las democracias y de expansión del autoritarismo. El proyecto de la Ilustración ha fracasado claramente.

Kant decía que la Ilustración era la humanidad que alcanza la mayoría de edad. Durante dos siglos hemos creído, a ratos, que había sido así, pero en los últimos años vemos que no. Nunca hemos llegado a ser mayores de edad del todo. Seguimos como en un patio de colegio en el que los más fuertes, los que menos se atienen a los principios pactados por todos, son los que finalmente se apoderan de territorios, de las vidas de los demás y deciden, en definitiva, quién merece vivir y quién no.

Eso que yo llamo la infancia diurna, que es la del juego, en un momento determinado se convierte en hipocresía. Hemos seguido jugando a los valores morales, a la democracia, a la división de poderes. Lo que ha ocurrido es que se ha venido abajo ese aparato lúdico, más o menos pactado, en el que todos, hipócritamente, nos guiábamos por ciertos principios en los que quizá no creíamos, pero que nos defendían del niño nocturno. Y ese niño nocturno se ha apoderado del patio del colegio.

En ese patio incluso los juegos infantiles tienen reglas. Trasladado al comportamiento de dirigentes como Trump y Netanyahu, ¿el resumen sería que ellos no respetan ninguna regla?

Exactamente. Es una idea que recojo de Chesterton, de ese libro maravilloso que es Ortodoxia, en el que explica la obsesión que tienen los niños por las reglas. Pueden inventar las reglas, pero lo importante es seguirlas. Recuerdo en el libro una frase de un libreto de Wagner, Los maestros cantores de Núremberg, en la que dice: “Cread vuestras propias reglas, pero seguidlas”.

Hay algo siempre tranquilizador en las reglas. Incluso, si se quiere, en las mafias que tienen, o han tenido durante algún tiempo, reglas internas que había que respetar. Y los niños están obsesionados con ellas: quieren a toda costa que se cumplan.

Ese niño diurno que juega con reglas inventadas, pero en todo caso rígidas y de obligado cumplimiento, se convierte en un hipócrita civilizado, diría Freud. En El malestar en la cultura, la civilización sirve fundamentalmente para reprimir al niño nocturno. Y ese niño nocturno ha quedado liberado, desencadenado. No cumplir las reglas tiene en estos momentos muchas ventajas en términos de poder, de ganancia, de beneficio capitalista, de beneficio imperialista y de protección de los propios intereses.

En uno de los capítulos se hace una pregunta: ¿qué es Gaza? Y una de las conclusiones destacables sería que es mucho más que un territorio físico con una historia milenaria.

Sí. A mi juicio, Gaza no es solo un territorio, como han señalado autores como Pankaj Mishra. Es un cambio de paradigma, un concepto, un objeto mental.

En algún momento lo comparo con otros conceptos que ha habido a lo largo de la historia, sobre todo del siglo XX. Hablo de Verdún, que nadie sabe dónde está, pero que es un paradigma de guerra que, de alguna manera, establece también un parteaguas en la historia del siglo XX. Las trincheras de Verdún fundan el siglo XX. Y luego tenemos claramente dos conceptos que originalmente son territorios: Auschwitz e Hiroshima. Auschwitz, el de la liquidación horizontal del otro; Hiroshima, el de la liquidación vertical del otro.

Gaza es otro nuevo concepto en el que se combina lo horizontal de Auschwitz y lo vertical de Hiroshima. Al mismo tiempo, se introduce una novedad tecnológica que convierte —o ha convertido— Gaza en un laboratorio de una nueva forma de hacer la guerra; por ejemplo, mediante el uso de la inteligencia artificial.

Hay semejanzas y, como señala, también alguna diferencia.

Hay una cosa que rompe con el modelo del siglo XX. Auschwitz, después de todo, fue ocultado. Los nazis intentaron ocultarlo, no se jactaron de Auschwitz. La decisión relativa a lo que llamaban, eufemística y terriblemente, la “solución final” se tomó en una reunión secreta. Todo ocurría en la niebla, en la oscuridad. En Gaza, ha sido exactamente lo contrario: lo hemos vivido en tiempo real, a la vista de todos. Digo en algún momento, con mucha amargura, que si Hitler hubiera introducido cámaras de televisión en las cámaras de gas quizá habría podido ir más lejos de lo que llegó, que fue realmente bastante lejos.

No podemos mirarlo todo sin contaminarnos; no podemos permitirnos mirarlo todo sin que sufra también nuestra alma, nuestra integridad moral. Hemos visto demasiadas cosas. Las hemos visto en tiempo real, minuto a minuto, sin poder cambiar lo que estaba ocurriendo. Esto es un batacazo civilizacional y moral sin precedentes por una sencilla razón: ya no ocultamos los crímenes; incluso nos enorgullecemos de ellos.

Hay un 90% de la población mundial que está absolutamente en contra del genocidio en Gaza y que, sin embargo, totalmente impotente, ha tenido que contemplar imágenes que han dañado moralmente a la humanidad. Lo han hecho de una manera que no voy a llamar irreparable, pero sí con efectos muy duros.

Dice que un 90% de la población mundial pero al final parece que ese 10% restante de la población es el que acaba decidiendo qué pasa en Gaza.

Pues sí. El libro también es un acta de acusación a Estados Unidos y a la Unión Europea. Esto es algo que podemos constatar en otros campos, no solamente en Gaza. Lo decía Gaetano Mosca, filósofo y teórico del derecho en la Italia prefascista: una minoría organizada siempre es más poderosa que una mayoría desorganizada.

Obviamente, esas minorías que acaban apoyando un genocidio tienen más medios, más dinero y más recursos. También más recursos de propaganda. No solo se han apoderado de las armas y de la violencia, sino también de las palabras. En esas condiciones, una mayoría desorganizada puede hacer muy poco, salvo sufrir desde lejos el veneno moral de esas imágenes terribles en las que hemos visto a niños muertos, enterrados bajo los escombros, disparados por francotiradores o asesinados en sus camas.

Hay un momento en el que habla de la doble moral occidental. Ahora mencionaba a Estados Unidos y a la Unión Europea. ¿Un ejemplo es cómo se condena la violencia palestina, pero se tolera la de Israel?

Cuando se hacen condenas son puramente formales o retóricas y no van acompañadas de medidas que, sin embargo, sí se han tomado en otros lugares. Se han tomado medidas contra Rusia, muy legítimamente, frente a una invasión y una ocupación que hay que condenar sin ambages. Pero eso no se hace con Israel.

En el libro intento explicar que no se hace porque Israel forma parte de la peor historia de Europa, la que una y otra vez se ha impuesto, salvo en este breve paréntesis posterior a la Segunda Guerra Mundial. Israel es lo que queda de la Europa anterior a la Segunda Guerra Mundial. Y, como superviviente de lo que era aquella Europa, puede hacer retroceder a Europa. Lo estamos viendo con la islamofobia, el racismo y la ultraderecha creciente en Europa.

Todo eso tiene mucho que ver con Israel, como el propio Netanyahu reconoce y consagra estableciendo relaciones privilegiadas con partidos de la ultraderecha europea, que son los mismos partidos que antes de la Segunda Guerra Mundial perseguían a los judíos. De manera que sí: Israel es la supervivencia de la peor Europa en Oriente Medio y, desde allí, puede conducirnos a los europeos de nuevo a lo peor de nuestra historia.

Hay un momento en el que es especialmente contundente y dice que Israel no debería haber existido nunca y que no fue, como a veces se ha explicado, la presencia minoritaria y legítima de inmigrantes de religión judía en Palestina, en 1881 o 1906, la que reclamaba su existencia.

Israel es obra del antisemitismo europeo y en ese sentido, no debería haber existido. La fundación de Israel es injusta en todos los sentidos. Es fruto, en efecto, de un proyecto nacionalista excluyente que surge a finales del siglo XIX, cuando aparecen los nacionalismos, especialmente en Europa, y posteriormente en un contexto de imperialismo colonial. Es, por lo tanto, como decía Theodor Herzl, una avanzadilla de Europa en Oriente Medio y un parapeto frente a los bárbaros colonizados.

Ahora bien, que su existencia no fuera justa no quiere decir que debamos perseguir ahora la destrucción de Israel. No. Israel existe y no se puede neutralizar una injusticia con otra injusticia 80 años después.

Por tanto, tenemos una sola herramienta, una herramienta que va a dejar siempre insatisfechos a los justicieros de uno y otro lado, pero que es la única que tenemos: el derecho internacional.

Pero, cuando habla del derecho internacional, en el libro lo presenta como un débil cascarón en el que apenas se han contenido las ambiciones de las grandes potencias. Tal como está concebido ahora, ¿nos sirve?

Tal y como está, no nos sirve. Desde el mismo momento en que toda una serie de niños nocturnos han declarado no vinculante ese derecho, de alguna manera se vuelve nulo o inútil. También es consecuencia de cómo se construye ese derecho a partir de la Segunda Guerra Mundial. Pensemos, por ejemplo, en las Naciones Unidas.

Hay mucha gente que lleva mucho tiempo pidiendo una reforma de las Naciones Unidas. No puede ser que los vencedores de la Segunda Guerra Mundial sigan teniendo derecho de veto después de un largo proceso de descolonización, con un protagonismo creciente de otros países y de potencias al menos medias. Hay que reformar las Naciones Unidas. Es un buen momento para, al menos, plantear esa reforma. No para ejecutarla, porque para eso necesitamos más fuerza y más poder del que tenemos las mayorías desorganizadas, pero sí para plantearla.

No podemos permitirnos el pesimismo mientras los palestinos sigan resistiendo

Una cuestión sobre la que también reflexiona en el libro es la identificación entre el Estado de Israel y el pueblo judío. ¿Es un error que se ha cometido tanto desde la derecha como desde la izquierda?

Creo que sí. Esto es fruto también de esa culpa histórica resultado del Holocausto. Como cuentan muy bien Pankaj Mishra y Finkelstein, esto es relativamente reciente: empieza a ocurrir en los años sesenta.

Hasta finales de los años sesenta, hasta la Guerra de los Seis Días, no se establece una identificación entre el Estado de Israel y el Holocausto. De hecho, Israel no era un Estado victimista. Había una especie de huida: el sionismo intentaba huir precisamente de esa identificación que establece el imaginario europeo entre el judío y la víctima. El sionismo reclamaba su derecho a la violencia, a no ser la víctima.

Pero, a partir de finales de los años sesenta, sí se establece esa identificación y el Estado de Israel comienza a extraer legitimidad de la invocación permanente del Holocausto y de la identificación entre el Estado de Israel y el pueblo judío.

Tenemos a Peter Beinart o a Marc H. Ellis, toda una serie de judíos que de ninguna manera están dispuestos a aceptar que Israel mate niños en su nombre. Hay que recordar constantemente esas voces judías y tratar de disolver esa identificación entre el Estado de Israel y el llamado pueblo judío que busca el sionismo para legitimar sus crímenes.

No hay un pueblo judío; hay una religión judía, hay una cultura judía. Y lo que no se puede hacer, desde luego, es identificar a Israel con el pueblo judío.

¿Por qué?

Porque la identificación entre el pueblo judío e Israel, allí donde Israel es una empresa colonial que comete un genocidio, hace algo que, por lo demás, desea el sionismo: promover el antisemitismo.

Y la mejor manera de combatir el antisemitismo es romper esa identificación entre el Estado de Israel y el pueblo judío. El pueblo judío, la cultura judía, la religión judía, no son culpables de los crímenes de Israel.

¿Cómo se podría desionizar Israel?

Va a ser difícil porque nace con el sionismo. La fundación de Israel es indisociable de ese proyecto, que desde el principio es excluyente y supremacista. Pero creo que es la única solución. Ahora mismo vemos muy lejos cualquier solución. La de los dos Estados es imposible. Hay que tener en cuenta que, en realidad, esto es lo que desde el principio se pretendió: hacer imposible la existencia de un Estado palestino.

Me irrita muchísimo que se hable constantemente del derecho a la existencia de Israel cuando el único derecho a la existencia que está siendo cuestionado constantemente, incluso desde Europa y desde Estados Unidos, es el derecho a la existencia de Palestina.

Con la particularidad de que Israel y sus gobernantes, desde Ben-Gurión, no han dejado de expresar clarísimamente su negativa a aceptar la existencia de un Estado palestino. Netanyahu no ha dejado de repetirlo en los últimos años. En el propio programa fundacional del Likud está escrito que el territorio de Israel va desde el río hasta el mar. Se reprocha constantemente a los palestinos que utilicen ese lema cuando está incluido en el programa fundacional del Likud.

No hay ninguna disposición por parte de Israel a aceptar la existencia de un Estado palestino. Por eso es necesario desionizarlo, y la única manera de hacerlo es que quienes han apoyado desde fuera a Israel dejen de apoyarlo.

Si Israel es un proyecto europeo, para que deje de ser un proyecto colonial, un proyecto genocida, es Europa la que tiene que dejar de apoyar a Israel.

¿Cree que veremos el fin de la ocupación?

Personalmente, no lo sé. Confío en que mis hijos lo vean. Para eso es muy necesario que muchos más israelíes, y no solo judíos, se den cuenta de que la propia existencia de Israel, como señalan Ilan Pappé o Gideon Levy, está en peligro. Lo está porque es completamente inviable el proyecto sionista de un Israel excluyente en permanente guerra civil. Y son los propios israelíes, junto con los europeos, los que tienen que desionizar Israel.

Entonces podrán plantearse cosas como las que decía Martin Buber: un Estado binacional o un solo Estado democrático en el que sea posible establecer unas reglas de juego compartidas.

Hoy eso es totalmente inviable, pero no porque no pueda existir Hamás, sino porque existe un Estado de Israel gobernado, además, por partidos ultrarreligiosos que de ninguna manera pueden aceptar que exista un Estado palestino, ni siquiera que existan los palestinos.

No hay un reconocimiento de la existencia de los palestinos. No los llaman palestinos: los llaman árabes, precisamente para no tener que reconocer que existe un pueblo palestino.

En el libro señala que Gaza marca el inicio de un nuevo mundo. ¿Pronostica que ese mundo todavía será peor?

Últimamente, me resisto a dejarme llevar por el fatalismo o por el pesimismo. Creo que hay algo también muy político en esto: la decisión política que podemos tomar es precisamente la de no dejarnos arrastrar por ellos.

¿Cómo dejarse llevar por el fatalismo desde Europa cuando los palestinos están todos los días levantando escuelas en una jaima entre los escombros de Gaza; cuando están una y otra vez cambiando los pañales a sus niños, reconstruyendo sus casas, cuidando el olivo que les han quemado?

Lo que sí creo es que se avecinan tiempos aún peores, porque ese modelo Gaza es un modelo que estamos viendo en todas partes. Israel lo aplica en Líbano, Estados Unidos e Israel lo aplican en Irán, Rusia lo aplica en Ucrania, y estamos viviendo un proceso de desdemocratización mundial que no augura precisamente la reconstrucción de un derecho internacional más vigoroso y con mayor capacidad de protección, sino lo contrario.

No podemos permitirnos el pesimismo mientras los palestinos sigan resistiendo.

Hablando de cómo será ese nuevo mundo y viendo lo que ha pasado en Ceuta, tampoco parece haber demasiados motivos para el optimismo. ¿Cuál es su análisis de lo que está pasando?

Lo que más me preocupa, dejando de lado los análisis geopolíticos —que ya se han hecho, y muy buenos y muy finos; desde luego también en vuestro periódico—, es algo en lo que insisto en el libro. De pronto, estos días nos estamos encontrando con gente que se cree buena mientras impide que la Cruz Roja entregue pan y agua a los inmigrantes, los expulsa de los lugares donde los ha instalado precariamente el Gobierno o quema sus pertenencias.

Eso me preocupa mucho, porque estamos en un momento de la historia en el que uno puede creerse bueno mientras participa en un linchamiento. Es un poco lo que ocurre en Gaza. Hemos visto a ciudadanos israelíes que suben a la colina en Sderot para ver arder Gaza mientras toman una suculenta merienda o que impiden que se hagan entregas de ayuda humanitaria. Cómo se han tenido que quebrar los vínculos con algo que antes llamábamos ética o moral universal para que puedas creerte bueno mientras estás participando en un linchamiento.

Ese nuevo marco moral, o amoral, esté siendo alimentado por partidos políticos que aspiran a gobernar, incluso a derrocar a un gobierno legítimo por cualquier vía, amparándose en el niño nocturno, en el niño nocturno que todos llevamos dentro. Que nos creamos buenos ciudadanos o buenas personas mientras excluimos al otro, perseguimos al otro o matamos al otro es lo que más me preocupa en estos momentos.

Y en lo de Ceuta ya lo vemos: a través de Ceuta, este nuevo modelo, este modelo Gaza, está también deslizándose muy deprisa en España, que hasta ahora era un poco una isla que se mantenía protegida del fascismo. Creo que a través de Ceuta el fascismo desembarca definitivamente en España.

 

[Foto: Marta Jara - fuente: www.eldiario.es]

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Fernand Iveton, l’execució que França no va voler evitar

A 'Els nostres germans ferits' Joseph Andras novel·la la condemna contra aquest revolucionari que va lluitar per la independència d'Algèria 

Fernand Iveton

Escrit per Mario Guerrero 

Els nostres germans ferits (Afers en català amb traducció de Pau Bosch i Anagrama en castellà amb traducció d’Álex Gibert) és l’òpera prima de Joseph Andras (França, 1984) i guanyadora del premi Goncourt a la primera novel·la, un guardó que l’autor, per cert, va rebutjar. Situada a Alger el 1956, narra el cas de Fernand Iveton, l’únic pied noir -francès blanc nascut a Algèria— executat per l’Estat francès durant la guerra per la independència del país nord-africà. Aquesta novel·la reconstrueix el cas Iveton, un obrer comunista que va decidir posar una bomba per reivindicar la independència, sense buscar-ne víctimes. Així i tot, la bomba és desactivada i ell, detingut, torturat i condemnat a mort.

La trama comença amb el protagonista amagat en una carretera esperant que li donin les bombes que ha de posar. Una, a la fàbrica on treballa, però en un lloc estratègic perquè no hi hagi víctimes. Tota l’acció es desenvolupa ràpidament i les tortures arriben aviat per part del país que fou el bressol de la Il·lustració. A continuació, la història de la detenció i el judici d’Iveton s’alterna amb la de la seva vida i el seu passat. Alhora, es descriuen l’ambient i l’atmosfera de l’Algèria de llavors, així com la convivència entre algerians i europeu.

Joseph Andras

Iveton va ser una figura que va generar divisió entre els qui pensaven que era un heroi i els qui creien que era un terrorista. Mentrestant, el Front d’Alliberament Nacional (FLN) es debatia entre reivindicar-ne la figura o no fer-ho. Hi ha qui prega perquè es revoqui la seva condemna al president de la República francesa d’aleshores i al ministre de Justícia, François Mitterrand, però no aconsegueixen res. És abandonat pels seus companys del Partit Comunista i rebutjat pels europeus d’Algèria, que el consideraven un traïdor.

En aquesta novel·la, l’important no és què passa, sinó com es desenvolupen els fets i tot allò que l’autor aporta amb la seva prosa. Andras ha superat les meves expectatives i ha aconseguit traçar un retrat cruel i descarnat de les autoritats i l’acció policial contra el protagonista. Aquestes pàgines són una crítica al colonialisme i a l’Estat francès de l’època. A la guerra d’Algèria, hi havia qui defensava que la lluita no era racial, sinó que era entre oprimits i opressors, sense distinció de procedència. Iveton va participar en aquesta lluita i va ser condemnat.

 

[Font: www.llegir.cat]

quinta-feira, 30 de julho de 2026

La littérature palestinienne en Israël, éditer sous domination coloniale

Publier en arabe en Israël ne consiste pas uniquement à essayer de faire vivre la langue d’une minorité. La géographie du livre révèle les profondes inégalités et difficultés auxquelles se heurte l’édition en arabe dans un État organisé autour de la souveraineté de l’hébreu moderne. 

Bureau de Mahmoud Darwich (musée Mahmoud Darwich de Ramallah) @ Agsous Zahra

Écrit par Sadia Agsous-Bienstein

Lorsque je me suis rendue pour la première fois en Palestine/Israël il y a une dizaine d’années, je me suis naturellement mise à chercher des librairies pour acheter des livres en arabe et créer des contacts avec des éditeurs palestiniens qui sont citoyens de l’État d’Israël1. J’ai rapidement découvert combien cette quête pouvait s’avérer difficile. À Jaffa comme à Haïfa, les librairies proposant un véritable fonds en langue arabe étaient peu nombreuses. Le même constat s’imposait à Jérusalem-Ouest, où les principales librairies offraient essentiellement des ouvrages en hébreu, en anglais et, dans une moindre mesure, en russe. C’est finalement dans la vieille ville de Jérusalem que j’ai trouvé une papeterie/librairie dont le premier étage ressemblait à une véritable caverne d’Ali Baba. Des romans palestiniens, de la littérature arabe, des essais en sciences humaines et sociales, des ouvrages d’histoire, de philosophie ou de sciences politiques remplissaient les rayonnages. Pour les publications les plus spécialisées, y compris celles de l’Institut d’études palestiniennes, il fallait toutefois se rendre à Ramallah. On trouve aussi à Naplouse ou Hébron des librairies qui proposent des livres de toutes catégories en langue arabe.

Cette géographie du livre n’avait rien d’anecdotique. Elle révélait déjà les profondes inégalités qui structuraient la circulation et la présence de la langue arabe en Israël face à la langue hégémonique et coloniale, l’hébreu. En effet, tandis que les grandes chaînes de librairie en Israël diffusent principalement des ouvrages en hébreu, les livres en arabe demeurent concentrés dans quelques établissements palestiniens, le plus souvent indépendants, dont la survie dépend de conditions économiques et politiques particulièrement fragiles. C’est dans ces conditions qu’est produite la littérature palestinienne.

Pour comprendre cette dernière ainsi que les conditions de son édition et de sa circulation, il est nécessaire de dépasser le cadre national à partir duquel sont habituellement pensées les littératures modernes. La littérature palestinienne est une littérature transnationale. Elle s’écrit en arabe ainsi que dans d’autres langues. Elle est créée en Israël, en Cisjordanie occupée, à Gaza, mais aussi au Liban, en Jordanie, en Europe, en Amérique du Nord et dans les différents espaces de la diaspora palestinienne. Depuis la Nakba de 1948, l’exil, la dispersion et la fragmentation du territoire palestinien ont profondément façonné les conditions de production et de circulation de cette littérature. Cette dimension transnationale lui a permis de s’imposer comme l’une des composantes majeures du champ littéraire arabe contemporain. Les œuvres de Jabra Ibrahim Jabra, Émile Habibi, Fadwa Touqan, Mahmoud Darwich, Ghassan Kanafani ou, plus récemment, Susan Abulhawa2 sont aujourd’hui largement reconnues dans le monde arabe comme à l’international.

Cette reconnaissance se manifeste également à travers les grandes distinctions littéraires. En 2024, Basim Khandaqji a été le lauréat du Prix international de la fiction arabe (Arab Booker) pour son roman Mask, the Colour of the Sky (Qināʿ bi-lawn al-samāʾ), publié en 2023 par Dār al-Ādāb à Beyrouth. Quelques années auparavant, Rabai al-Madhoun était devenu le premier écrivain palestinien à obtenir cette récompense pour son roman Destins. Concerto de l’Holocauste et de la Nakba (Maṣāʾir: Kūnširtū al-Hūlūkūst wa-l-Nakba), paru en 2015 au Liban. Le fait que ces deux romans aient été publiés à Beyrouth n’a rien d’anodin. Il rappelle que, depuis 1948, la littérature palestinienne se développe au sein d’un espace éditorial largement situé hors des frontières de la Palestine historique. Les principaux centres de publication se trouvent aujourd’hui à Beyrouth, Amman, Ramallah ou encore dans plusieurs capitales européennes et nord-américaines. La formation de cette littérature moderne remet ainsi en cause l’idée selon laquelle une littérature nationale ne pourrait se développer qu’à l’intérieur d’un territoire délimité et dans le cadre d’un État souverain. Le projet Country of Words: A Transnational Atlas for Palestinian Literature, dirigé par Refqa Abu-Remaileh, propose précisément de comprendre la littérature palestinienne comme une littérature déterritorialisée, façonnée par les circulations, les déplacements et les expériences de l’exil plutôt que par les frontières étatiques.

C’est dans cette perspective qu’il convient d’aborder la littérature des Palestiniens de 1948 dont les poètes et écrivains, localisés en Galilée, ont pu tenir bon face aux conditions catastrophiques de l’après Nakba. Cette littérature a été repérée et définie par Ghassan Kanafani comme la littérature de résistance. Pour les chercheurs Mohammad Hamza Ghanyim, Anton Shalhat, Habib Bolous, ou Ibrahim Taha, elle est la littérature autochtone (al-Adab al-Mahalli). Elle rassemble plusieurs auteurs dont Mahmoud Darwich, Émile Habibi, Rached Hussein, Taha Mohammed Ali, Salman Natour, Amer Hlehel, Adania Shibli, Majd Kayal ou Ibtissem Azem, dont les œuvres sont publiées et circulent entre Haïfa, Jérusalem, Ramallah, Amman, Beyrouth et de nombreuses villes de la diaspora palestinienne afin de contourner les contraintes qui pèsent sur l’édition arabe en Israël. 

De la Nahda palestinienne à la recomposition du paysage éditorial après 1948

Les difficultés rencontrées aujourd’hui par l’édition littéraire arabe en Israël trouvent leur origine dans les bouleversements provoqués par la Nakba de 1948 et le nettoyage ethnique de la Palestine. Avant la création de l’État d’Israël, la Palestine disposait pourtant d’une vie intellectuelle et éditoriale particulièrement dynamique. Jérusalem, Jaffa, Haïfa ou Nazareth accueillaient des imprimeries, des librairies, des journaux et des maisons d’édition qui participaient pleinement aux circulations intellectuelles de la Nahda arabe. Les livres imprimés en Palestine circulaient entre Beyrouth, Damas et Le Caire, tandis que les grandes revues arabes alimentaient les débats politiques, littéraires et scientifiques. Les écoles, les bibliothèques et les sociétés savantes contribuaient à l’émergence d’un espace intellectuel particulièrement actif à la fin de l’Empire ottoman puis sous le mandat colonial britannique.

Des intellectuels tels que Khalil al-Sakakini ou Khalil Baydas ont joué un rôle majeur dans cette renaissance culturelle. Baydas a participé notamment à l’introduction de la littérature russe dans le monde arabe grâce à ses nombreuses traductions, tandis que les premiers romans modernes palestiniens, qu’Al-Warith (L’Héritier) de Khalil Baydas et Al-Hayat baʿd al-Mawt (La vie après la mort) d’Iskandar al-Khoury al-Beitjali, témoignaient de l’émergence d’une littérature profondément inscrite dans les dynamiques intellectuelles de la Nahda et en dialogue avec les littératures mondiales. Cette vitalité apparaît clairement dans la première Foire palestinienne du livre arabe organisée à Jérusalem en 1946 par le Comité culturel arabe. À cette occasion, le quotidien Falastin3 célébrait « les dignes efforts de notre Nahda culturelle » et mettait à l’honneur les principaux écrivains palestiniens. 

La Nakba de 1948 a profondément bouleversé cet équilibre. L’expulsion de plus de 700 000 Palestiniens, le déplacement des Palestiniens qui sont restés, la destruction de centaines de villages et l’exil d’une grande partie des élites intellectuelles ont engendré la désorganisation de la production éditoriale. Des imprimeries, plusieurs journaux et une partie importante des librairies ont tout simplement été détruits par le nouvel État. À cette destruction matérielle s’est ajoutée celle des patrimoines documentaires. Plusieurs dizaines de milliers d’ouvrages provenant de bibliothèques publiques et privées palestiniennes ont été saisis par les autorités israéliennes avant d’être intégrés aux collections de la Bibliothèque nationale d’Israël sous la mention AP, Abandoned Property (biens abandonnés).

Au moment même où les institutions culturelles palestiniennes étaient profondément ébranlées, le nouvel État, Israël, disposait déjà d’un appareil éditorial en hébreu solidement structuré hérité des structures du Yishouv4 qui ont été mises en place et consolidées pendant le mandat britannique. Dès la fin du XIXᵉ siècle, le mouvement sioniste a fait de la création de l’hébreu moderne un objectif politique central pour en faire la langue nationale du futur État. Sous le mandat britannique, l’hébreu a bénéficié d’une reconnaissance officielle en 1922 qui a favorisé son institutionnalisation dans l’enseignement, l’administration, la recherche et la production culturelle.

C’est ainsi que le nouvel État d’Israël a pu s’appuyer sur un réseau éditorial déjà largement constitué. Des maisons d’édition telles que Kinneret-Zmora-Dvir (1919), Hakibbutz Hameuchad (1927), Schocken (1939) ou Am Oved (1942) disposaient d’infrastructures solides, d’un lectorat en constante expansion et de réseaux de diffusion efficaces. Elles ont été progressivement rejointes par Keter (1958) puis Modan (1970) ainsi que d’autres maisons d’édition avec le soutien des politiques publiques à la lecture, à la traduction et à la diffusion internationale de la littérature hébraïque. La création, en 1962, de l’Institute for the Translation of Hebrew Literature a participé également à cette stratégie en favorisant la traduction des œuvres israéliennes et leur présence dans les grandes foires internationales du livre.

La création de l’État d’Israël et la destruction de la Palestine historique ont bien évidement eu des conséquences désastreuses sur la production et l’édition de la littérature palestinienne. Les écrivains, journalistes, traducteurs et éditeurs palestiniens ont désormais été obligés d’exercer leurs activités dans un environnement institutionnel où l’ensemble de la chaîne du livre était progressivement organisé autour de la langue hébraïque. Les conséquences ont été particulièrement visibles dans le domaine de l’édition. Entre 1948 et 1967, la production romanesque palestinienne en Israël est demeurée extrêmement limitée. Manar Makhoul recense seulement onze romans publiés durant cette période, dont plus de la moitié ont été édités par l’imprimerie Maṭbaʿat al-Ḥakīm, aujourd’hui disparue. En effet, Le monde éditorial arabophone des années 1950 se résumait en Israël à trois imprimeries et non maisons d’édition : Maṭbaʿat al-Ḥakīm à Nazareth, Maṭbaʿat al-Ittiḥād à Haïfa et Maṭbaʿat al-Zaibaq à Saint-Jean d’Acre, sans omettre l’institution étatique Dār al-Nashr al-ʿArabī. Ainsi, l’édition palestinienne apparaissait alors presque inexistante au regard du développement rapide de l’édition hébraïque. Comme le rappelle le romancier Atallah Mansour, publier un livre en arabe dans les années 1950 relevait presque de l’impossible en raison de la faiblesse des infrastructures éditoriales, du faible nombre de lecteurs ayant accès à l’enseignement secondaire et supérieur, et de l’isolement culturel imposé aux Palestiniens de 1948. 

Siège d’Al Aswar (Saint-Jean-d’Acre, 2018) © Sadia Agsous-Bienstein

Les maisons d’édition arabes dans un champ éditorial dominé par l’hébreu

L’édition en langue arabe en Israël s’est donc développée dans des conditions profondément inégales. Contrairement aux grandes maisons d’édition hébraïques, les éditeurs palestiniens disposaient de moyens financiers limités, d’un lectorat fragmenté par les frontières issues de 1948 et de réseaux de diffusion beaucoup plus restreints. La séparation des Palestiniens citoyens d’Israël du reste du monde arabe, renforcée par le régime militaire entre 1948 et 1966, a réduit considérablement les possibilités de circulation des livres, des auteurs et des idées.

Malgré ces contraintes, quelques maisons d’édition arabes ont progressivement vu le jour en Israël mais ce sont les revues culturelles et les journaux littéraires qui vont jouer un rôle fondamental dans la publication et la diffusion de la littérature palestinienne en langue arabe. La revue al-Sharq, fondée par Mahmoud Abbasi en 1970, a ainsi constitué un espace d’expression pour de nombreux écrivains palestiniens appartenant à des sensibilités politiques diverses. Elle a également accueilli des intellectuels juifs arabophones, parmi lesquels Sasson Somekh, illustrant les échanges culturels entre Juifs-Arabes et Palestiniens qui ont pu exister au sein du champ littéraire. 

En 1978, Yaqub Hijazi a fondé à Saint-Jean-d’acre la revue al-Aswar, publiée par l’Institute for Cultural and Social Development. Bien au-delà d’une simple revue littéraire, cette institution a progressivement fonctionné comme une véritable maison d’édition, publiant de nombreux auteurs palestiniens et contribuant à la diffusion de leurs œuvres. Les membres palestiniens du Parti communiste en Israël ont accordé une place importante à la création littéraire en langue arabe, notamment à travers le journal al-Jadid, publié à Haïfa. Celui-ci a accueilli les textes d’écrivains majeurs tels qu’Émile Habibi ou Salman Natour, dont plusieurs œuvres ont été accompagnées des illustrations de l’artiste Abed Abdi. En 1984, Fawzi Abdallah et Hanna Abu Hanna ont fondé à Nazareth la revue al-Mawakib afin de promouvoir la littérature et la culture palestiniennes produites en Israël.

Ces revues et ces structures éditoriales ont joué un rôle essentiel dans l’émergence d’un espace littéraire palestinien à l’intérieur d’Israël. Elles ont permis la publication de nombreux écrivains, favorisé la traduction d’ouvrages et contribué à la diffusion de la littérature palestinienne contemporaine. Aujourd’hui encore, les éditeurs palestiniens de 1948 participent régulièrement aux salons du livre du monde arabe, souvent grâce au soutien du ministère de la Culture de l’Autorité palestinienne. Toutefois, leurs capacités de publication, de distribution et de promotion demeurent sans commune mesure avec celles des principaux groupes éditoriaux israéliens.

Cet ordre hiérarchique entre le champ éditorial israélien et l’espace palestinien renvoie également à la place qu’occupe la langue arabe dans l’espace public israélien. Bien que l’arabe ait conservé, jusqu’en 2018, un statut officiel hérité du mandat britannique, cette « reconnaissance » demeurait largement symbolique. L’adoption, le 19 juillet 2018, de la Loi fondamentale : Israël, État-nation du peuple juif marque une étape supplémentaire dans cette tentative d’effacement de la langue arabe de l’espace public. Ce texte affirme que « l’hébreu est la langue de l’État », tandis que l’arabe ne bénéficie plus que d’un « statut particulier ». Pour la première fois depuis 1948, la hiérarchie coloniale entre les deux langues est inscrite dans une Loi fondamentale, consacrant juridiquement la prééminence de l’hébreu dans la définition de l’identité nationale juive israélienne. Cette évolution nourrit un profond sentiment de marginalisation parmi les écrivains palestiniens en Israël. L’écrivain Ayman Sikseck résumait cette inquiétude dès 2017 en écrivant que « la langue arabe devenait une étrangère, une réfugiée », dénonçant un processus qui transforme progressivement les Palestiniens en étrangers dans leur propre pays. 

Mur de l’apartheid (Bethlahem, 2019) © Sadia Agsous-Bienstein 

Au-delà de sa portée symbolique, cette évolution juridique vient renforcer des déséquilibres déjà anciens dans le domaine de la production culturelle. Les statistiques publiées chaque année par la Bibliothèque nationale d’Israël illustrent clairement cette situation. En 2025, un peu plus de 7 000 livres ont été publiés dans le pays. Près de 90 % de cette production a paru en hébreu, tandis que les ouvrages en arabe ne représentent qu’environ 4 %, contre 3 % en anglais. Si la part de l’arabe a doublé par rapport à 2024, où elle ne s’élevait qu’à 2 %, cette progression demeure limitée au regard de la place occupée par l’hébreu.

Le fait que l’anglais, langue principalement destinée au monde universitaire et aux marchés internationaux, représente une part comparable à celle de l’arabe souligne le déséquilibre qui caractérise le paysage éditorial israélien. La Bibliothèque nationale rappelle d’ailleurs que ces chiffres sous-estiment probablement la production en arabe, de nombreux ouvrages étant imprimés dans les pays arabes voisin sans être soumis au dépôt légal israélien. Les statistiques mettent également en évidence l’empreinte considérable laissée par le 7 octobre 2023 sur le monde du livre israélien. Depuis cette date, plus de 2 100 ouvrages ont été consacrés à l’attaque, aux otages, à la guerre et à ses conséquences. En 2025, près de 500 nouveaux titres sont venus enrichir cette production, soit environ 7 % de l’ensemble des livres publiés cette année-là. Essais, témoignages, romans, biographies, ouvrages commémoratifs et littérature jeunesse témoignent de la rapidité avec laquelle le secteur éditorial israélien s’est saisi de cet événement pour en faire un objet de mémoire, de réflexion et de transmission. Alors que du côté palestinien, une grande répression s’est abattue sur eux les empêchant d’exprimer leur solidarité avec Gaza meurtrie par le génocide.

À l’inverse, la production en langue arabe demeure quantitativement limitée et beaucoup moins visible dans les statistiques nationales. Cette différence ne résulte pas seulement de la taille respective des lectorats ; elle traduit des déséquilibres structurels qui affectent l’ensemble de la chaîne du livre, depuis les conditions de publication jusqu’à la diffusion des ouvrages. Publier en arabe en Israël ne consiste donc pas uniquement à écrire dans la langue d’une minorité. Il s’agit de produire des livres dans la langue de la population autochtone palestinienne au sein d’un État dont les principales institutions culturelles, éducatives et éditoriales sont organisées autour de la souveraineté de l’hébreu moderne au service d’un projet colonial qui vise à vider ce qui reste de la Palestine de sa population autochtone.

Cette politique de restriction éditoriale en arabe exercée par le champ éditorial hégémonique israélien est palpable aujourd’hui dans le reste des territoires palestiniens. Les arrestations, en février 2025, des responsables de l‘Educational Bookshop à Jérusalem-Est, suivies quelques jours plus tard de celles de trois libraires palestiniens de la vieille ville, ont rappelé avec force la place singulière qu’occupe aujourd’hui le livre dans la question coloniale palestinienne. Accusés d’« incitation à la haine » pour avoir vendu des ouvrages consacrés à la Nakba ou à l’histoire de la Palestine, ces libraires ont vu leur activité assimilée à une menace pour l’ordre public. Ces événements ne constituent pas des faits isolés ; ils s’inscrivent dans un contexte plus large de pressions exercées sur les institutions culturelles palestiniennes, qu’il s’agisse de librairies, de maisons d’édition, de bibliothèques ou de lieux de création comme le Théâtre national palestinien al-Hakawati à Jérusalem.

Cette situation ne saurait être interprétée uniquement à l’aune du génocide contre Gaza depuis octobre 2023, même si celui-ci a considérablement accentué les violences exercées contre les institutions culturelles palestiniennes. Cela s’inscrit dans une temporalité plus longue, que l’écrivain Elias Khoury qualifiait de « Nakba continue » (al-Nakba al-mustamirra). La dépossession ne concerne pas seulement les terres et les populations ; elle touche également les langues, les bibliothèques, les archives, les théâtres, les librairies et les maisons d’édition. Les livres deviennent ainsi des lieux de mémoire autant que des objets de savoir, tandis que les librairies palestiniennes apparaissent comme des espaces où se joue encore la possibilité de transmettre une histoire, une culture et une langue par le sumud de ses acteurs.


1 Connus sous le vocable Palestiniens de 1948, ils représentent 21% de la population en Israël. Environ 156 000 Palestiniens ont pu rester en Israël après 1948. Placés sous administration militaire jusqu’en 1966, ils ont été séparés des principaux centres intellectuels palestiniens et du reste du monde arabe avec lequel ils ont pu renouveler les liens après 1967.

2 Elle publie des romans en anglais.

3 Falastin vol. XXX, numéros 180-6435 (10.10.1946).

4 Le Yishouv (1882-1948) est une période importante dans l’histoire du sionisme durant laquelle les différentes vagues de migrations coloniales juives ont constitué des structures économiques, sociales et culturelles qui ont posé les bases de l’État d’Israël créé en 1948.


Sadia Agsous-Bienstein est maîtresse de conférences à l’université Sorbonne-nouvelle et coorganisatrice du séminaire « Faire des sciences sociales autour de la Palestine : renouvellement des savoirs et des pratiques » à l’EHESS. Ses recherches, ancrées en études culturelles, portent sur les cultures palestiniennes et israéliennes et les relations juives-arabes dans la région du MENA. 

 

[Source : www.en-attendant-nadeau.fr]