Mostrar mensagens com a etiqueta Vitalité. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Vitalité. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 8 de setembro de 2026

“Miroirs No. 3”: o gesto e o resto

Miroirs No. 3 (2025), de Christian Petzold

Escrito por Daniela Rôla 

“A simplicidade é a complexidade resolvida.”

Constantin Brâncusi

Era uma vez… uma jovem chamada Laura, que viajava de carro com o namorado por estradas tranquilas. No caminho, algo muito triste aconteceu, e Laura ficou sozinha e perdida, sem saber para onde ir.

Uma senhora chamada Betty encontrou Laura e levou-a para sua casa, que ficava num lugar calmo, com árvores, silêncio e rotinas simples. Betty cuidou dela com atenção, deu-lhe comida, descanso e um lugar seguro para ficar.

Laura conheceu também o marido e o filho de Betty. Aos poucos, todos aceitaram Laura, e ela passou a ajudá-los nas pequenas tarefas do dia a dia. Juntos, comiam, trabalhavam e partilhavam o tempo, quase como se fossem uma família.

Mas aquela casa escondia uma tristeza antiga, e Laura percebeu que, ao estar ali, fazia os outros lembrar alguém que já tinha partido. E compreendeu que não podia ocupar esse lugar.

Então, quando chegou a hora, Laura partiu também. Voltou à sua cidade, sentou-se ao piano e tocou. A música não apagou a tristeza, mas mostrou que ela podia continuar.

Miroirs No. 3 (2025) poderia ser um conto infantil, no tom leve que acima se sugere. Christian Petzold conta esta história sem ornamentos, sem excessos, quase em voz baixa. O que acontece é mínimo – alguém perde, alguém acolhe, alguém parte – mas é precisamente nessa simplicidade que o filme toca algo de essencial. Ao retirar o dramatismo, a necessidade de explicar tudo e a psicologia barata, Petzold deixa a descoberto gestos elementares: cuidar, permanecer, deixar ir. O filme parece pequeno, nos seus 86 minutos e na sua escala, quase frágil, mas é exactamente aí que reside a sua força: como os contos, fala de algo que todos conhecemos antes das palavras.

A história de Laura (Paula Beer) corre como um conto para crianças, despojado de pormenores supérfluos. Mas, como no tema de Ravel que lhe empresta o nome, Miroirs No. 3 não é simples por ser pobre, mas por ser rigoroso: cada gesto, cada silêncio e cada rotina quotidiana funcionam como ondas que vão e vêm, reflectindo perdas, ausências e pequenas presenças.

O filme integra o elemento do ar, sugerindo liberdade, respiração e espaço entre as personagens, como se cada gesto e cada olhar fossem movimentos atmosféricos que atravessam o cenário e ligam passado, presente e memória. Essa simplicidade é sofisticada: ela permite que a narrativa, aparentemente leve como o vento, toque algo universal sobre a experiência humana, funcionando como um espelho onde o espectador se reconhece.

A ideia de reflexo está ainda na forma como cada personagem funciona como espelho do outro: Laura vê em Betty (Barbara Auer) a dor da perda; Betty vê em Laura a presença da filha; o marido e o filho veem nelas uma forma de relacionarem-se com a perda. Mas também no seu interior o filme encerra outros espelhos, de situações, de figuras, de objectos, de gestos. Se Jacques Demy concebia a exuberância de cor e de música como enigma para encerrar o essencial não dito, Petzold consegue fazer algo de semelhante sob um manto de ascetismo bressoniano.

O espelho manifesta-se também em relação a outros filmes do realizador alemão, em particular aos que integram a parte inicial da sua sequência dos elementos:  Undine (2020), – água – e Roter Himmel (Céu em Chamas, 2023) – fogo. Neles é possível encontrar objectos que dialogam entre si (a máquina de lavar a roupa de Rotter Himmel e a máquina de lavar a louça de Miroirs No. 3), bem como sons mínimos, distintos, que assumem protagonismo (os mosquitos num filme, os pássaros no outro).

São gestos que se reiteram, tanto no interior de cada filme como de filme para filme – o andar de bicicleta, o olhar através da janela, o gesto de virar a cabeça para trás, o carro que acelera, as peças de roupa, ou ainda, no contexto de Miroirs No. 3, as frases recorrentes (“esqueci-me da carteira”; “eles devem querer estar sozinhos”) ou o olhar frontal dirigido à cortina da janela do apartamento.

A natureza toma forma no ar, que é, por definição, ausência de forma. Parece confuso? Na verdade, é de uma extrema simplicidade: um artifício que opera de modo singelo – mais uma vez, o contrário do artifício – para contar uma história.

São os pequenos ruídos do quotidiano que provocam ou traduzem uma hipersensibilidade: o tilintar dos pratos e talheres, os passos que fazem ranger o soalho, o som distante das obras no terreno da oficina. Em contraponto, surgem os grandes ruídos que se impõem e perturbam: o acidente de automóvel, a explosão da máquina de lavar a louça.  

A progressão narrativa opera, assim, com recurso a pequenos nadas, a sinais quase imperceptíveis. Assistimos à recomposição de um casal que se havia afastado e que agora caminha de mãos dadas, furtando-se a outros olhares; vemos Betty tornar-se mais bela, mais cuidada, mais sofisticada na sua forma de vestir.  

Acompanhamos Laura e Betty no processo de recuperação de um trauma, cada uma habitada pelos seus próprios fantasmas, ligadas por uma entreajuda inconsciente. O trauma de Laura não decorre apenas da perda do namorado; note-se que existe já nela uma perturbação anterior ao acidente. As duas mulheres relacionam-se sem saberem – e sem que saibamos nós, espectadores – de que matéria é feito o seu passado, quem são fora daquele encontro. Apresentam-se como uma “folha limpa”, sem qualquer carga prévia, uma perante a outra. São, simplesmente, duas mulheres que se relacionam. 

Estamos no território dos vivos, dos fantasmas, dos sonhos? Desde logo, o nome Laura evoca a personagem homónima de Gene Tierney, que regressava ao mundo dos vivos quando Dana Andrews despertava de um sonho. A Laura de Paula Beer sobrevive miraculosamente a um grave acidente de viação, com o automóvel abandonado na natureza como se fosse uma instalação artística, um corpo estranho que remete para o prodigioso Les choses de la vie (As Coisas da Vida, 1970), de Claude Sautet, com as longas divagações mentais do moribundo Michel Piccoli. Mas Miroirs No. 3 é também um parente próximo de Yella (2007), o que nos coloca, enquanto espectadores, num estado de desconfiança desde o momento do acidente, numa incerteza da realidade.

O encontro entre Laura e Betty (já depois daquele primeiro reconhecimento, uma fugaz troca de olhares quando Laura seguia no automóvel) ocorre num mundo estranho, despojado, num minimalismo quase opressivo, marcado pelas ausências de som, de objectos, de pessoas – de passado! – que exacerba tudo aquilo que está presente. A simples tarefa de pintar uma cerca adquire a dimensão de uma tarefa de uma vida.

Há algo que é difícil de agarrar, está lá e não está, sem que saibamos explicar o que torna este ambiente, desprovido de grandes ornamentos, tão irreal (e neste ponto se reforça o paralelismo com Yella). O ornamento é crime, diria Adolf Loos. Laura e Betty são duas mulheres suspensas entre a vida e a morte, num lugar da vida que roça a loucura. Esse isolamento em relação ao mundo (uma espécie de esclarecimento superior) torna possível a comunicação entre ambas, abrindo um espaço de compreensão e empatia.

Durante um longo período, o filme pertence quase integralmente a estas duas mulheres. Os homens (“os meus homens”, como afirma Betty) apenas entram em cena mais tarde, convocados pela iguaria preparada por Laura, as célebres Königsberger Klopse.

Em Petzold, o ofício de representar passa pelo corpo, por uma fisicalidade vincada que aqui se afirma de forma exemplar. A maneira como cada personagem caminha torna-se expressiva: Laura, titubeante no início, vai ganhando firmeza; Max (Enno Trebs) move-se como um adolescente em ponto grande; Betty, por vezes, parece pairar, deslocar-se como se fosse impelida apenas pelo sopro do vento.

Neste micromundo, perdido na vastidão da paisagem campestre, a câmara encontra espaço apenas para os quatro rostos que compõem esta família inquinada – Betty, Max, Richard (Matthias Brandt) e Laura, que vem ocupar o lugar da filha. Quando os quatro se encontram no alpendre da casa, os vizinhos espreitam; a sua arrogância é palpável, mas deles pouco mais vemos do que um pequeno rosto que se perde na tela. São rostos imaginados, ainda assim não menos agressivos, tanto no modo abusivo como observam uma casa que não lhes pertence, como na forma como julgam aquela família. 

A pergunta a que ambas as mulheres, Laura e Betty, procuram dar resposta é, afinal, a mesma: como recuperar de um trauma? Uma interrogação que tanto vale para um indivíduo como para uma nação – regressando, assim, aos múltiplos jogos de espelhos do filme. No final, a recuperação do trauma assume a forma de um gesto de extrema simplicidade: o olhar de Laura, que volta a deter-se na janela do seu apartamento, tal como no início do filme. A cortina de uma outra janela, a da casa que ela abandonou, conservava o grão próprio de uma cópia de película riscada após muitos visionamentos, carregada de passado. Mas é nesta casa que renasce uma vitalidade nova, uma confiança num futuro possível.

★★★★☆

 

 

[Fonte: www.apaladewalsh.com]

sábado, 22 de agosto de 2026

S’émanciper du sionisme

« Les Juifs sont devenus blancs ». Dans Redevenir juif, le philosophe Michel Feher nuance et critique cette formule contestable. Selon lui, la figure du Juif n’est aujourd’hui politiquement acceptée qu’à la condition d’adhérer sans réserve aux dogmes coloniaux de l’État d’Israël et aux mythologies historiques qui exonèrent l’Europe occidentale de sa judéophobie exterminatrice.  

Publier par Faris Lounis

«Les Juifs sont devenus blancs». Cette formule, forgée dans le camp de l’émancipation sur fond de concurrence victimaire, de néo-campisme et de réflexes anti-impérialistes quelque peu romantiques, est-elle vraiment pertinente, analytiquement juste?

Dans Redevenir juif, un ouvrage très documenté, savant — tant sur le passé du mouvement sioniste que sur son actualité —, stimulant sur le plan des analyses et iconoclaste par les idées qu’il avance, le philosophe Michel Feher nuance et critique cette formule contestable, au motif que les colporteurs de l’antisémitisme «à l’ancienne» sont toujours actifs.

Énergiquement, l’auteur enjoint à réinvestir la tradition d’une pensée juive aujourd’hui minorée : celle des Juifs diasporiques qui se sont toujours opposés, depuis une optique internationaliste, cosmopolite et résolument universaliste, au nationalisme ethnoreligieux, au suprémacisme et, surtout, à la déclinaison coloniale, puis impériale, du sionisme.

Précisons d’emblée les choses. Redevenir juif, qui n’ignore rien des brimades et des persécutions subies par les Juifs en Europe, s’oppose au sionisme et le rejette en raison de la supériorité ethnoreligieuse qui le traverse et de sa réalisation coloniale en Palestine historique. Loin du dogmatisme antisioniste, qui ne prend pas en considération l’existence, depuis la Nakba de 1948, d’un peuple israélien, comme des judéophobes patentés qui prétendent «défendre le peuple palestinien», ce livre aide à comprendre, à partir de l’histoire des Juifs européens, la genèse du nationalisme juif, dont la motivation première était de mettre fin à une judéophobie séculaire en terre européenne.

Ce besoin de protection et, en définitive, de dignité est parfaitement illustré par une controverse qui eut lieu à Vienne, alors capitale de l’Empire austro-hongrois, en 1897, sur le sens du mot «sionisme».

Scandalisé par les formulations ethnicistes et chauvinistes du livre programmatique de Theodor Herzl, L’État des Juifs (La Découverte, 2008) — lequel pensait que recouvrer la supposée terre du lointain ancêtre et y fonder son propre État soulagerait l’Europe d’un «grand nombre de spéculateurs financiers et d’agitateurs révolutionnaires» —, l’érudit et rabbin juif Moritz Güdemann (1835-1918) précise, dans un texte intitulé «Du nationalisme juif», que ce «terme et le phénomène qu’il désigne doivent leur existence à l’antisémitisme» et que l’idée «d’un nationalisme juif était inconnue il y a encore trente ans».

Auparavant, poursuit le rabbin, les Juifs d’Europe se disaient Allemands, Français, Anglais, etc. Mais à partir du moment où «l’antisémitisme, pour faire meilleure impression sur lui-même et sur le monde, s’est octroyé un caractère national et s’est mis à proscrire les Juifs non seulement en tant que juifs, mais aussi en tant qu’étrangers, [...] ceux-ci ont réagi à cet ostracisme en admettant leur propre individualité nationale, en la soulignant même avec zèle, et en étendant à leur nationalité l’appellation de judaïsme qui n’avait, jusque-là, correspondu qu’à leur conviction religieuse».

Les textes de cette controverse, traduits et publiés récemment aux éditions Verdier sous le titre D’une nation juive, ou non (2025), éclairent au moins deux visages du sionisme : une quête d’émancipation plurielle qui se matérialise, depuis la précitée «Nakba continue» de 1948, en un projet de destruction de l’humain, de l’habitat et du climat.

Antidogmatique, l’antisionisme de Michel Feher est clair quant à l’avenir du peuple israélien : s’il ne croit aucunement en la chimérique solution à deux États, il fait sienne l’idée d’un Edward Said qui, en plus de son engagement pour «une solution binationale au conflit entre Israéliens et Palestiniens», rêvait de voir un jour naître, en Palestine historique, une société plurielle qu’aucun nationalisme ne pourrait posséder, dont aucune souveraineté ne saurait entraver la vitalité, «un tissu social plus riche, que personne ne pourrait entièrement posséder».

Pour lui, le «blanchiment» des Juifs n’est pas de l’ordre de l’essence, mais du contrat : un contrat inégalitaire au nom d’une «égalité» qui serait l’apanage des seules nations occidentales. «Initialement conçu pour séparer le combat contre la judéophobie des autres formes d’antiracisme, voire pour insinuer que ces dernières sont le plus souvent les paravents du “‘nouvel antisémitisme”’, le pacte de blanchiment auquel nous autres juifs sommes pressés de souscrire est progressivement devenu le ferment de la coalescence des droites».

Ici, le philosophe s’inscrit au cœur de la «bataille culturelle», au sein de laquelle les droites dures et extrêmes, ainsi que de larges pans du centre et de la gauche sociale-démocrate, tentent délibérément de confondre la critique de l’apartheid colonial organisé par Israël, du fleuve Jourdain jusqu’à la mer Méditerranée, et le racisme spécifique dirigé contre les Juifs à travers le monde.

Certes, la judéophobie existe à gauche. Et, regrettablement, Michel Feher ne traite pas suffisamment de cet écueil majeur qui affaiblit le camp de l’émancipation : se mobiliser prioritairement contre telle ou telle forme de racisme, au lieu de mener une lutte fédératrice et définitivement débarrassée du boulet de la concurrence victimaire. Mais sa rupture avec le «pacte de blanchiment réciproque» des Juifs a le mérite de défaire méthodiquement la thèse essentialiste d’un prétendu «nouvel antisémitisme» qui ne concernerait que les Palestiniens, les Arabes et les musulmans. 

Dans cette perspective, la contestation de ce «blanchiment» conditionnel — sur fond de mauvaise conscience occidentale face à la destruction des Juifs d’Europe et de narcissisme civilisationnel — fait écho à l’ironie ravageuse du classique Le Monolinguisme de l’autre, dans lequel Jacques Derrida évoquait «l’ablation de [sa] citoyenneté française» durant deux ans, «“sous l’Occupation” sans occupation» du régime de Vichy en Algérie dite française.

Explorant les liens qui unissent les droites euro-étasuniennes, et tout particulièrement celles qui se nourrissent du venin de l’antisémitisme biologique, aux néofascistes nationalistes et religieux qui tiennent les rênes du gouvernement israélien, le philosophe démontre que la figure du Juif n’est acceptable politiquement qu’à condition de servir les intérêts des nations puissantes, jadis responsables et complices du judéocide. À l’imputation d’une «détestation des juifs à quiconque s’indigne des crimes commis par l’État israélien», l’arsenal argumentatif du sionisme réellement existant réalise la performance de classer parmi les «nouveaux antisémites» des personnes juives.

Selon Steve Bannon, lors de la Conférence d’action politique conservatrice (CPAC) de février 2025, «ces juifs» bénéficieraient «des largesses d’une poignée de spéculateurs hors-sol» et s’en serviraient «pour comploter contre la restauration de la grandeur américaine et l’établissement du Grand Israël».

Le «redevenir juif» auquel invite Michel Feher est loin d’impliquer les seuls Juifs. Parmi ses agents propagateurs, un bon nombre de non-Juifs travaillent activement à la réhabilitation de la figure du paria qui, en habitant pleinement et fièrement sa condition diasporique, inscrit la «question juive» dans un vaste champ de luttes cosmopolites.

Révolte destinée à résonner avec celles de tous les autres parias, les Palestiniennes et les Palestiniens au premier chef, ce texte trace le chemin, depuis une énonciation juive francophone, d’une intégration en permanente insurrection «contre les formes de souveraineté exclusive», voire contre le «principe de souveraineté lui-même, dans la mesure où son application tend à fabriquer des laissés-pour-compte».

Certes minoritaires dans le judaïsme français, qui peine à s’émanciper du poids du sionisme en raison de la judéophobie qui continue de travailler la société française, des crimes antisémites des deux dernières décennies, mais aussi du passé colonial qui ne passe pas et du refus des États postcoloniaux du Maghreb et du Machrek d’attribuer aux Arabes juifs la citoyenneté et une place légitime, Redevenir juif pose les premiers jalons d’une réflexion de fond sur un possible renouveau diasporique.

À l’instar de mouvements ouvriers ou culturels tels que le Bund au XIX siècle ou d’associations comme Jewish Voice for Peace (JVP) aujourd’hui, il rappelle, à rebours de l’essentialisme qui domine le débat public, qu’on peut être parfaitement solidaire de tous les dominés, à partir de l’histoire des luttes juives et des enseignements du judaïsme auxquels déroge l’État d’Israël, notamment depuis les massacres du 7 octobre 2023 et son «coming out spartiate».

Dire que «la Colonisation», pour reprendre l’un des substantifs par lesquels les médias arabes désignent «la seule démocratie de la Jungle du Proche-Orient», doit renoncer à son éthos colonial et à ses pratiques génocidaires n’est pas un scandale, mais une radicalité humaniste qui, en ces temps de valorisation des pulsions annihilatrices de la vie, devient presque indicible dans «le monde libre», et particulièrement dans «la patrie des droits de l’Homme».

  

[Source : www.actualitte.com]

quinta-feira, 30 de julho de 2026

La littérature palestinienne en Israël, éditer sous domination coloniale

Publier en arabe en Israël ne consiste pas uniquement à essayer de faire vivre la langue d’une minorité. La géographie du livre révèle les profondes inégalités et difficultés auxquelles se heurte l’édition en arabe dans un État organisé autour de la souveraineté de l’hébreu moderne. 

Bureau de Mahmoud Darwich (musée Mahmoud Darwich de Ramallah) @ Agsous Zahra

Écrit par Sadia Agsous-Bienstein

Lorsque je me suis rendue pour la première fois en Palestine/Israël il y a une dizaine d’années, je me suis naturellement mise à chercher des librairies pour acheter des livres en arabe et créer des contacts avec des éditeurs palestiniens qui sont citoyens de l’État d’Israël1. J’ai rapidement découvert combien cette quête pouvait s’avérer difficile. À Jaffa comme à Haïfa, les librairies proposant un véritable fonds en langue arabe étaient peu nombreuses. Le même constat s’imposait à Jérusalem-Ouest, où les principales librairies offraient essentiellement des ouvrages en hébreu, en anglais et, dans une moindre mesure, en russe. C’est finalement dans la vieille ville de Jérusalem que j’ai trouvé une papeterie/librairie dont le premier étage ressemblait à une véritable caverne d’Ali Baba. Des romans palestiniens, de la littérature arabe, des essais en sciences humaines et sociales, des ouvrages d’histoire, de philosophie ou de sciences politiques remplissaient les rayonnages. Pour les publications les plus spécialisées, y compris celles de l’Institut d’études palestiniennes, il fallait toutefois se rendre à Ramallah. On trouve aussi à Naplouse ou Hébron des librairies qui proposent des livres de toutes catégories en langue arabe.

Cette géographie du livre n’avait rien d’anecdotique. Elle révélait déjà les profondes inégalités qui structuraient la circulation et la présence de la langue arabe en Israël face à la langue hégémonique et coloniale, l’hébreu. En effet, tandis que les grandes chaînes de librairie en Israël diffusent principalement des ouvrages en hébreu, les livres en arabe demeurent concentrés dans quelques établissements palestiniens, le plus souvent indépendants, dont la survie dépend de conditions économiques et politiques particulièrement fragiles. C’est dans ces conditions qu’est produite la littérature palestinienne.

Pour comprendre cette dernière ainsi que les conditions de son édition et de sa circulation, il est nécessaire de dépasser le cadre national à partir duquel sont habituellement pensées les littératures modernes. La littérature palestinienne est une littérature transnationale. Elle s’écrit en arabe ainsi que dans d’autres langues. Elle est créée en Israël, en Cisjordanie occupée, à Gaza, mais aussi au Liban, en Jordanie, en Europe, en Amérique du Nord et dans les différents espaces de la diaspora palestinienne. Depuis la Nakba de 1948, l’exil, la dispersion et la fragmentation du territoire palestinien ont profondément façonné les conditions de production et de circulation de cette littérature. Cette dimension transnationale lui a permis de s’imposer comme l’une des composantes majeures du champ littéraire arabe contemporain. Les œuvres de Jabra Ibrahim Jabra, Émile Habibi, Fadwa Touqan, Mahmoud Darwich, Ghassan Kanafani ou, plus récemment, Susan Abulhawa2 sont aujourd’hui largement reconnues dans le monde arabe comme à l’international.

Cette reconnaissance se manifeste également à travers les grandes distinctions littéraires. En 2024, Basim Khandaqji a été le lauréat du Prix international de la fiction arabe (Arab Booker) pour son roman Mask, the Colour of the Sky (Qināʿ bi-lawn al-samāʾ), publié en 2023 par Dār al-Ādāb à Beyrouth. Quelques années auparavant, Rabai al-Madhoun était devenu le premier écrivain palestinien à obtenir cette récompense pour son roman Destins. Concerto de l’Holocauste et de la Nakba (Maṣāʾir: Kūnširtū al-Hūlūkūst wa-l-Nakba), paru en 2015 au Liban. Le fait que ces deux romans aient été publiés à Beyrouth n’a rien d’anodin. Il rappelle que, depuis 1948, la littérature palestinienne se développe au sein d’un espace éditorial largement situé hors des frontières de la Palestine historique. Les principaux centres de publication se trouvent aujourd’hui à Beyrouth, Amman, Ramallah ou encore dans plusieurs capitales européennes et nord-américaines. La formation de cette littérature moderne remet ainsi en cause l’idée selon laquelle une littérature nationale ne pourrait se développer qu’à l’intérieur d’un territoire délimité et dans le cadre d’un État souverain. Le projet Country of Words: A Transnational Atlas for Palestinian Literature, dirigé par Refqa Abu-Remaileh, propose précisément de comprendre la littérature palestinienne comme une littérature déterritorialisée, façonnée par les circulations, les déplacements et les expériences de l’exil plutôt que par les frontières étatiques.

C’est dans cette perspective qu’il convient d’aborder la littérature des Palestiniens de 1948 dont les poètes et écrivains, localisés en Galilée, ont pu tenir bon face aux conditions catastrophiques de l’après Nakba. Cette littérature a été repérée et définie par Ghassan Kanafani comme la littérature de résistance. Pour les chercheurs Mohammad Hamza Ghanyim, Anton Shalhat, Habib Bolous, ou Ibrahim Taha, elle est la littérature autochtone (al-Adab al-Mahalli). Elle rassemble plusieurs auteurs dont Mahmoud Darwich, Émile Habibi, Rached Hussein, Taha Mohammed Ali, Salman Natour, Amer Hlehel, Adania Shibli, Majd Kayal ou Ibtissem Azem, dont les œuvres sont publiées et circulent entre Haïfa, Jérusalem, Ramallah, Amman, Beyrouth et de nombreuses villes de la diaspora palestinienne afin de contourner les contraintes qui pèsent sur l’édition arabe en Israël. 

De la Nahda palestinienne à la recomposition du paysage éditorial après 1948

Les difficultés rencontrées aujourd’hui par l’édition littéraire arabe en Israël trouvent leur origine dans les bouleversements provoqués par la Nakba de 1948 et le nettoyage ethnique de la Palestine. Avant la création de l’État d’Israël, la Palestine disposait pourtant d’une vie intellectuelle et éditoriale particulièrement dynamique. Jérusalem, Jaffa, Haïfa ou Nazareth accueillaient des imprimeries, des librairies, des journaux et des maisons d’édition qui participaient pleinement aux circulations intellectuelles de la Nahda arabe. Les livres imprimés en Palestine circulaient entre Beyrouth, Damas et Le Caire, tandis que les grandes revues arabes alimentaient les débats politiques, littéraires et scientifiques. Les écoles, les bibliothèques et les sociétés savantes contribuaient à l’émergence d’un espace intellectuel particulièrement actif à la fin de l’Empire ottoman puis sous le mandat colonial britannique.

Des intellectuels tels que Khalil al-Sakakini ou Khalil Baydas ont joué un rôle majeur dans cette renaissance culturelle. Baydas a participé notamment à l’introduction de la littérature russe dans le monde arabe grâce à ses nombreuses traductions, tandis que les premiers romans modernes palestiniens, qu’Al-Warith (L’Héritier) de Khalil Baydas et Al-Hayat baʿd al-Mawt (La vie après la mort) d’Iskandar al-Khoury al-Beitjali, témoignaient de l’émergence d’une littérature profondément inscrite dans les dynamiques intellectuelles de la Nahda et en dialogue avec les littératures mondiales. Cette vitalité apparaît clairement dans la première Foire palestinienne du livre arabe organisée à Jérusalem en 1946 par le Comité culturel arabe. À cette occasion, le quotidien Falastin3 célébrait « les dignes efforts de notre Nahda culturelle » et mettait à l’honneur les principaux écrivains palestiniens. 

La Nakba de 1948 a profondément bouleversé cet équilibre. L’expulsion de plus de 700 000 Palestiniens, le déplacement des Palestiniens qui sont restés, la destruction de centaines de villages et l’exil d’une grande partie des élites intellectuelles ont engendré la désorganisation de la production éditoriale. Des imprimeries, plusieurs journaux et une partie importante des librairies ont tout simplement été détruits par le nouvel État. À cette destruction matérielle s’est ajoutée celle des patrimoines documentaires. Plusieurs dizaines de milliers d’ouvrages provenant de bibliothèques publiques et privées palestiniennes ont été saisis par les autorités israéliennes avant d’être intégrés aux collections de la Bibliothèque nationale d’Israël sous la mention AP, Abandoned Property (biens abandonnés).

Au moment même où les institutions culturelles palestiniennes étaient profondément ébranlées, le nouvel État, Israël, disposait déjà d’un appareil éditorial en hébreu solidement structuré hérité des structures du Yishouv4 qui ont été mises en place et consolidées pendant le mandat britannique. Dès la fin du XIX siècle, le mouvement sioniste a fait de la création de l’hébreu moderne un objectif politique central pour en faire la langue nationale du futur État. Sous le mandat britannique, l’hébreu a bénéficié d’une reconnaissance officielle en 1922 qui a favorisé son institutionnalisation dans l’enseignement, l’administration, la recherche et la production culturelle.

C’est ainsi que le nouvel État d’Israël a pu s’appuyer sur un réseau éditorial déjà largement constitué. Des maisons d’édition telles que Kinneret-Zmora-Dvir (1919), Hakibbutz Hameuchad (1927), Schocken (1939) ou Am Oved (1942) disposaient d’infrastructures solides, d’un lectorat en constante expansion et de réseaux de diffusion efficaces. Elles ont été progressivement rejointes par Keter (1958) puis Modan (1970) ainsi que d’autres maisons d’édition avec le soutien des politiques publiques à la lecture, à la traduction et à la diffusion internationale de la littérature hébraïque. La création, en 1962, de l’Institute for the Translation of Hebrew Literature a participé également à cette stratégie en favorisant la traduction des œuvres israéliennes et leur présence dans les grandes foires internationales du livre.

La création de l’État d’Israël et la destruction de la Palestine historique ont bien évidement eu des conséquences désastreuses sur la production et l’édition de la littérature palestinienne. Les écrivains, journalistes, traducteurs et éditeurs palestiniens ont désormais été obligés d’exercer leurs activités dans un environnement institutionnel où l’ensemble de la chaîne du livre était progressivement organisé autour de la langue hébraïque. Les conséquences ont été particulièrement visibles dans le domaine de l’édition. Entre 1948 et 1967, la production romanesque palestinienne en Israël est demeurée extrêmement limitée. Manar Makhoul recense seulement onze romans publiés durant cette période, dont plus de la moitié ont été édités par l’imprimerie Mabaʿat al-akīm, aujourd’hui disparue. En effet, Le monde éditorial arabophone des années 1950 se résumait en Israël à trois imprimeries et non maisons d’édition : Mabaʿat al-akīm à Nazareth, Mabaʿat al-Ittiḥād à Haïfa et Mabaʿat al-Zaibaq à Saint-Jean d’Acre, sans omettre l’institution étatique Dār al-Nashr al-ʿArabī. Ainsi, l’édition palestinienne apparaissait alors presque inexistante au regard du développement rapide de l’édition hébraïque. Comme le rappelle le romancier Atallah Mansour, publier un livre en arabe dans les années 1950 relevait presque de l’impossible en raison de la faiblesse des infrastructures éditoriales, du faible nombre de lecteurs ayant accès à l’enseignement secondaire et supérieur, et de l’isolement culturel imposé aux Palestiniens de 1948. 

Siège d’Al Aswar (Saint-Jean-d’Acre, 2018) © Sadia Agsous-Bienstein

Les maisons d’édition arabes dans un champ éditorial dominé par l’hébreu

L’édition en langue arabe en Israël s’est donc développée dans des conditions profondément inégales. Contrairement aux grandes maisons d’édition hébraïques, les éditeurs palestiniens disposaient de moyens financiers limités, d’un lectorat fragmenté par les frontières issues de 1948 et de réseaux de diffusion beaucoup plus restreints. La séparation des Palestiniens citoyens d’Israël du reste du monde arabe, renforcée par le régime militaire entre 1948 et 1966, a réduit considérablement les possibilités de circulation des livres, des auteurs et des idées.

Malgré ces contraintes, quelques maisons d’édition arabes ont progressivement vu le jour en Israël mais ce sont les revues culturelles et les journaux littéraires qui vont jouer un rôle fondamental dans la publication et la diffusion de la littérature palestinienne en langue arabe. La revue al-Sharq, fondée par Mahmoud Abbasi en 1970, a ainsi constitué un espace d’expression pour de nombreux écrivains palestiniens appartenant à des sensibilités politiques diverses. Elle a également accueilli des intellectuels juifs arabophones, parmi lesquels Sasson Somekh, illustrant les échanges culturels entre Juifs-Arabes et Palestiniens qui ont pu exister au sein du champ littéraire. 

En 1978, Yaqub Hijazi a fondé à Saint-Jean-d’acre la revue al-Aswar, publiée par l’Institute for Cultural and Social Development. Bien au-delà d’une simple revue littéraire, cette institution a progressivement fonctionné comme une véritable maison d’édition, publiant de nombreux auteurs palestiniens et contribuant à la diffusion de leurs œuvres. Les membres palestiniens du Parti communiste en Israël ont accordé une place importante à la création littéraire en langue arabe, notamment à travers le journal al-Jadid, publié à Haïfa. Celui-ci a accueilli les textes d’écrivains majeurs tels qu’Émile Habibi ou Salman Natour, dont plusieurs œuvres ont été accompagnées des illustrations de l’artiste Abed Abdi. En 1984, Fawzi Abdallah et Hanna Abu Hanna ont fondé à Nazareth la revue al-Mawakib afin de promouvoir la littérature et la culture palestiniennes produites en Israël.

Ces revues et ces structures éditoriales ont joué un rôle essentiel dans l’émergence d’un espace littéraire palestinien à l’intérieur d’Israël. Elles ont permis la publication de nombreux écrivains, favorisé la traduction d’ouvrages et contribué à la diffusion de la littérature palestinienne contemporaine. Aujourd’hui encore, les éditeurs palestiniens de 1948 participent régulièrement aux salons du livre du monde arabe, souvent grâce au soutien du ministère de la Culture de l’Autorité palestinienne. Toutefois, leurs capacités de publication, de distribution et de promotion demeurent sans commune mesure avec celles des principaux groupes éditoriaux israéliens.

Cet ordre hiérarchique entre le champ éditorial israélien et l’espace palestinien renvoie également à la place qu’occupe la langue arabe dans l’espace public israélien. Bien que l’arabe ait conservé, jusqu’en 2018, un statut officiel hérité du mandat britannique, cette « reconnaissance » demeurait largement symbolique. L’adoption, le 19 juillet 2018, de la Loi fondamentale : Israël, État-nation du peuple juif marque une étape supplémentaire dans cette tentative d’effacement de la langue arabe de l’espace public. Ce texte affirme que « l’hébreu est la langue de l’État », tandis que l’arabe ne bénéficie plus que d’un « statut particulier ». Pour la première fois depuis 1948, la hiérarchie coloniale entre les deux langues est inscrite dans une Loi fondamentale, consacrant juridiquement la prééminence de l’hébreu dans la définition de l’identité nationale juive israélienne. Cette évolution nourrit un profond sentiment de marginalisation parmi les écrivains palestiniens en Israël. L’écrivain Ayman Sikseck résumait cette inquiétude dès 2017 en écrivant que « la langue arabe devenait une étrangère, une réfugiée », dénonçant un processus qui transforme progressivement les Palestiniens en étrangers dans leur propre pays. 

Mur de l’apartheid (Bethlahem, 2019) © Sadia Agsous-Bienstein 

Au-delà de sa portée symbolique, cette évolution juridique vient renforcer des déséquilibres déjà anciens dans le domaine de la production culturelle. Les statistiques publiées chaque année par la Bibliothèque nationale d’Israël illustrent clairement cette situation. En 2025, un peu plus de 7 000 livres ont été publiés dans le pays. Près de 90 % de cette production a paru en hébreu, tandis que les ouvrages en arabe ne représentent qu’environ 4 %, contre 3 % en anglais. Si la part de l’arabe a doublé par rapport à 2024, où elle ne s’élevait qu’à 2 %, cette progression demeure limitée au regard de la place occupée par l’hébreu.

Le fait que l’anglais, langue principalement destinée au monde universitaire et aux marchés internationaux, représente une part comparable à celle de l’arabe souligne le déséquilibre qui caractérise le paysage éditorial israélien. La Bibliothèque nationale rappelle d’ailleurs que ces chiffres sous-estiment probablement la production en arabe, de nombreux ouvrages étant imprimés dans les pays arabes voisin sans être soumis au dépôt légal israélien. Les statistiques mettent également en évidence l’empreinte considérable laissée par le 7 octobre 2023 sur le monde du livre israélien. Depuis cette date, plus de 2 100 ouvrages ont été consacrés à l’attaque, aux otages, à la guerre et à ses conséquences. En 2025, près de 500 nouveaux titres sont venus enrichir cette production, soit environ 7 % de l’ensemble des livres publiés cette année-là. Essais, témoignages, romans, biographies, ouvrages commémoratifs et littérature jeunesse témoignent de la rapidité avec laquelle le secteur éditorial israélien s’est saisi de cet événement pour en faire un objet de mémoire, de réflexion et de transmission. Alors que du côté palestinien, une grande répression s’est abattue sur eux les empêchant d’exprimer leur solidarité avec Gaza meurtrie par le génocide.

À l’inverse, la production en langue arabe demeure quantitativement limitée et beaucoup moins visible dans les statistiques nationales. Cette différence ne résulte pas seulement de la taille respective des lectorats ; elle traduit des déséquilibres structurels qui affectent l’ensemble de la chaîne du livre, depuis les conditions de publication jusqu’à la diffusion des ouvrages. Publier en arabe en Israël ne consiste donc pas uniquement à écrire dans la langue d’une minorité. Il s’agit de produire des livres dans la langue de la population autochtone palestinienne au sein d’un État dont les principales institutions culturelles, éducatives et éditoriales sont organisées autour de la souveraineté de l’hébreu moderne au service d’un projet colonial qui vise à vider ce qui reste de la Palestine de sa population autochtone.

Cette politique de restriction éditoriale en arabe exercée par le champ éditorial hégémonique israélien est palpable aujourd’hui dans le reste des territoires palestiniens. Les arrestations, en février 2025, des responsables de lEducational Bookshop à Jérusalem-Est, suivies quelques jours plus tard de celles de trois libraires palestiniens de la vieille ville, ont rappelé avec force la place singulière qu’occupe aujourd’hui le livre dans la question coloniale palestinienne. Accusés d’« incitation à la haine » pour avoir vendu des ouvrages consacrés à la Nakba ou à l’histoire de la Palestine, ces libraires ont vu leur activité assimilée à une menace pour l’ordre public. Ces événements ne constituent pas des faits isolés ; ils s’inscrivent dans un contexte plus large de pressions exercées sur les institutions culturelles palestiniennes, qu’il s’agisse de librairies, de maisons d’édition, de bibliothèques ou de lieux de création comme le Théâtre national palestinien al-Hakawati à Jérusalem.

Cette situation ne saurait être interprétée uniquement à l’aune du génocide contre Gaza depuis octobre 2023, même si celui-ci a considérablement accentué les violences exercées contre les institutions culturelles palestiniennes. Cela s’inscrit dans une temporalité plus longue, que l’écrivain Elias Khoury qualifiait de « Nakba continue » (al-Nakba al-mustamirra). La dépossession ne concerne pas seulement les terres et les populations ; elle touche également les langues, les bibliothèques, les archives, les théâtres, les librairies et les maisons d’édition. Les livres deviennent ainsi des lieux de mémoire autant que des objets de savoir, tandis que les librairies palestiniennes apparaissent comme des espaces où se joue encore la possibilité de transmettre une histoire, une culture et une langue par le sumud de ses acteurs.


1 Connus sous le vocable Palestiniens de 1948, ils représentent 21% de la population en Israël. Environ 156 000 Palestiniens ont pu rester en Israël après 1948. Placés sous administration militaire jusqu’en 1966, ils ont été séparés des principaux centres intellectuels palestiniens et du reste du monde arabe avec lequel ils ont pu renouveler les liens après 1967.

2 Elle publie des romans en anglais.

3 Falastin vol. XXX, numéros 180-6435 (10.10.1946).

4 Le Yishouv (1882-1948) est une période importante dans l’histoire du sionisme durant laquelle les différentes vagues de migrations coloniales juives ont constitué des structures économiques, sociales et culturelles qui ont posé les bases de l’État d’Israël créé en 1948.


Sadia Agsous-Bienstein est maîtresse de conférences à l’université Sorbonne-nouvelle et coorganisatrice du séminaire « Faire des sciences sociales autour de la Palestine : renouvellement des savoirs et des pratiques » à l’EHESS. Ses recherches, ancrées en études culturelles, portent sur les cultures palestiniennes et israéliennes et les relations juives-arabes dans la région du MENA. 

 

[Source : www.en-attendant-nadeau.fr]

domingo, 19 de julho de 2026

Israël: une société qui s’interroge sur son avenir

Écrit par Marc Lefèvre

Israël traverse une période charnière de son histoire. Si la guerre, les tensions régionales et les crises diplomatiques occupent l’avant-scène, les interrogations les plus profondes concernent désormais les fractures internes qui traversent la société israélienne. Entre dynamisme économique, polarisation politique, montée des extrémismes religieux et défis démocratiques, le pays s’interroge sur son avenir et sur les fondements de son unité nationale. Pour prendre la mesure de ces questions, par-delà les opinions et les analyses il semble judicieux de procéder à une observation en profondeur, sans jugement, de ce qui occupe les esprits au sein des diverses composantes d’une société israélienne qui s’interroge sur son avenir.

Un avenir incertain

Un observateur extérieur pourra être frappé par la diversité de cette société où se côtoient les manifestations les plus extrêmes de la modernité et des traditions religieuses qui confinent parfois à la radicalité.

Israël est à la pointe de plusieurs innovations technologiques majeures dans des domaines aussi variés que les télécommunications, la cybersécurité et l’exploitation des ressources de l’intelligence artificielle. Les conflits militaires auxquels il a été confronté ainsi que les incertitudes persistantes sur la sécurité de la région n’ont pas eu d’impacts notables sur son économie. Une lourde charge budgétaire est générée par la continuation de l’état de guerre depuis le 7 octobre, et cette charge est vouée à augmenter quand on intégrera toutes les dépenses de réhabilitation et de reconstruction des zones dévastées, ainsi que les coûts liés aux dommages humains et traumatiques sur les soldats et les civils.

Mais l’économie générale ne s’en trouve pas significativement affectée, malgré la désorganisation du marché de l’emploi causée par les incessantes périodes de rappel des réservistes militaires. Porté par un excédent permanent de sa balance des paiements et par une monnaie qui s’est renforcée face à la faiblesse du dollar, le PIB par habitant en parité de pouvoir d’achat (PPA) est même devenu comparable à celui de la France. Et les investissements étrangers continuent à affluer dans les secteurs de la haute technologie, où le marché de l’emploi est stimulé par les demandes en continu de nouveaux recrutements. Mais ces données encourageantes ne suffisent pas à créer un sentiment de sécurité dans une société déstabilisée par un état de guerre qui s’éternise et dont on ne voit pas l’issue.

Sur tous les théâtres de guerre qui ont été ouverts, les résultats, même significatifs d’un point de vue strictement militaire, restent fragiles. À Gaza, l’évolution du rapport de force entre le Conseil de la Paix voulu par Donald Trump et le Hamas toujours présent est incertaine. La nouvelle frontière dessinée avec la Syrie reste potentiellement instable, et les premiers signes apparaissent d’un renouveau des affrontements internes entre les différentes composantes de la société syrienne. Les opérations menées conjointement avec les États-Unis en Iran n’ont pas atteint leurs objectifs : le régime des mollahs et des Gardiens de la Révolution s’en trouve renforcé et en position d’imposer sa loi aux États arabes du Golfe. Au Liban, le pouvoir politique en place se retrouve face au défi majeur d’asseoir son contrôle sur un Hezbollah aidé par l’Iran, et Israël risque de se retrouver une fois de plus dans le piège d’une occupation militaire des zones frontalières.

Après presque trois ans de guerre, la société israélienne ne peut pas éviter de comparer les sacrifices humains consentis par une majorité de sa population avec la fragilité des résultats obtenus. Portées par les urgences du quotidien, les questions de fond sur les possibilités réelles d’un retour à la stabilité sont occultées, et tardent à se faire jour.

Un observateur peu au fait des réalités et des sensibilités qui habitent ce pays portera spontanément son attention sur les péripéties extérieures les plus spectaculaires. Il fera le lien entre la brutalité politique de la coalition gouvernementale au pouvoir et les violences de colons en Cisjordanie. Il notera une augmentation de la criminalité et de la corruption, en particulier au sein des populations arabes. Il assistera aux provocations et à l’indécence de minorités religieuses juives ultra-orthodoxes qui marchandent leur soutien à une coalition gouvernementale en fin de vie, et obtiennent des avantages spécifiques, au détriment du reste de la population. Il constatera que la pression sur les réservistes oblige à rallonger la durée du service militaire. Des conscrits libérables vont être contraints de rester sous les drapeaux pendant des mois supplémentaires tandis qu’une minorité religieuse extrémiste qui refuse la conscription bloque le pays en suscitant des manifestations de plus en plus violentes.

Mais à ce stade, la multiplication des observations sur les phénomènes les plus spectaculaires ne renseigne pas sur ce qui traverse en profondeur la société israélienne dans ses diverses composantes.

Un pays crispé et incompris       

Les aspirations sous-jacentes restent encore peu formulées, mais les éléments qui commencent à émerger du débat politique à l’échéance des prochaines élections législatives permettent néanmoins de dégager quelques grandes lignes.

Avant même sa naissance, Israël a été confronté au défi de faire face à l’hostilité qui l’entoure. Et cette confrontation à l’hostilité et à la nécessité d’y répondre n’a pas quitté Israël ni sa population depuis le début de sa courte existence. Selon les périodes, cette gestion de l’hostilité a pu être habile et intelligente, mais aussi souvent maladroite et excessive. Il en ressort une société de plus en plus crispée, habitée par le sentiment général d’être incomprise et mal acceptée.

En tout état de cause, le Moyen-Orient est depuis des dizaines d’années le théâtre d’une suite ininterrompue de guerres civiles et d’affrontements ethniques et religieux plus cruels les uns que les autres. Et quelles que soient les sensibilités politiques ou religieuses, le sentiment collectif prédominant est que les indignations mondiales sont sélectives et qu’Israël en recueille plus que sa part.

La société israélienne a dû faire le constat que l’horreur ressentie dans le monde par la barbarie des massacres perpétrés par le Hamas le 7 octobre 2023 a été vite oubliée et effacée. Après près de trois ans de conflit, les avis en Israël restent partagés sur la nature et l’ampleur des ripostes mises en œuvre face aux agressions subies. Et le débat continue, en particulier chez les responsables de la défense et de la sécurité, sur l’absence de perspectives politiques de sortie des conflits en cours. Mais au-delà des divergences d’opinion et d’analyse, le sentiment qui prévaut est que Israël est un pays isolé, dont le droit à se défendre n’est globalement pas reconnu.

C’est dans ce contexte général d’isolement et d’incompréhension que s’articule le débat politique dans le pays. La droite et l’extrême-droite annexionniste, qui rejettent le principe même de la recherche d’une solution aux revendications nationales palestiniennes, ont beau jeu d’exploiter l’hostilité internationale pour continuer à enfoncer la société israélienne dans le scepticisme et le repli sur soi.                                       

Aspirations et perspectives   

La campagne électorale qui commence est le théâtre de marchandages et de surenchères au sein de la coalition gouvernementale. Les manœuvres du gouvernement Netanyahou pour affaiblir les contre-pouvoirs juridiques sont incessantes. La volonté de dénaturer la démocratie, de créer les conditions d’établissement d’un régime autoritaire et sans contrôle, est clairement affichée par le gouvernement encore en place. Des minorités de colons extrémistes violents et d’ultra-orthodoxes bruyants monopolisent l’attention des médias et donnent l’image d’une société divisée et conflictuelle.

Mais une analyse des premières propositions des partis d’opposition au gouvernement Netanyahou donne une indication des thèmes qui pourraient faire bouger les lignes et sortir de l’actuel brouhaha.               

En premier lieu, une aspiration au retour à l’apaisement et à une unité nationale à reconstruire. L’ex chef d’état-major, Gadi Eizenkot, est le seul leader de l’opposition qui monte dans les sondages et qui se positionne comme une alternative crédible à Benjamin Netanyahou. Son parcours militaire et politique dit son dévouement au pays. Mais c’est sa modestie personnelle qui semble séduire une population fatiguée de l’arrogance et des rodomontades de ses actuels dirigeants.

L’aspiration au retour à l’apaisement et à l’unité nationale se retrouve aussi dans la proposition de raffermir et stabiliser la démocratie en l’appuyant sur une véritable Constitution, qui suppléerait à la Déclaration d’Indépendance originelle, mise à mal il y a quelques années par la promulgation des lois sur l’identité nationale.                                   

Les enjeux liés à une démocratie à défendre et à une unité nationale à retrouver posent aussi la question de la place de la religion dans le débat national. Les écarts de taux de natalité entre les familles religieuses ultra-orthodoxes et les autres secteurs religieux ou laïques de la population ont bouleversé l’équilibre démographique en Israël. Si les familles religieuses traditionnelles ont un taux de natalité supérieur aux familles laïques (3 à 4 enfants par famille religieuse, comparés à 2,5 enfants pour les familles laïques), le taux de natalité chez les ultra-orthodoxes est de 6 à 7 enfants par famille. Ainsi la population ultra-orthodoxe croît de 4% par an et représente désormais 14% de la population totale du pays en 2025 alors qu’elle ne comptait que pour 4% en 1980.

Ce bouleversement démographique renforce le poids électoral et social de cette communauté ultra-orthodoxe, et éclaire aussi les conflits actuels sur son opposition à la conscription militaire et sur l’affaiblissement en ressources humaines de l’armée. Le refus de cette communauté ultra-orthodoxe de prendre sa part du fardeau des responsabilités nationales tout en monnayant son soutien politique au gouvernement Netanyahou par des avantages fiscaux et budgétaires suscite une réprobation générale du reste de la population, qu’elle soit laïque ou religieuse traditionnelle.

Si un changement politique s’annonce en Israël, la nouvelle coalition au pouvoir devra veiller à une meilleure répartition des obligations et des devoirs qui incombent aux différents secteurs de la population. Elle devra également répondre à une attente générale pour plus de tolérance et de respect mutuels des différentes composantes de cette société.

La place de la religion, en particulier de la religion dominante, dans le fonctionnement du pays et dans le quotidien de ses habitants a toujours fait débat en Israël, et des conceptions différentes se sont toujours opposées. Les déséquilibres d’évolution démographique des différents secteurs de la population viennent aujourd’hui exacerber ces divergences. Alors qu’une unité du pays est perçue comme nécessaire face aux menaces extérieures, les affrontements internes sur les questions religieuses se conjuguent aux confrontations politiques, et contribuent à fragiliser la société israélienne de l’intérieur. Tôt ou tard, ces fractures internes devront être traitées.

À l’instar de nombreux pays développés, les comparaisons internationales nous disent que le niveau général d’éducation en Israël est en baisse. Parmi les 15 pays de l’OCDE évalués, Israël se retrouve dernier en mathématiques et avant-dernier en compréhension écrite. Si la baisse constatée, en particulier en mathématiques, est la plus forte parmi les pays de l’OCDE, elle se caractérise surtout par de très fortes inégalités internes propres au système éducatif israélien.

Israël recueille ainsi le fruit du compromis historique conclu par David Ben Gourion au moment de la création de l’Etat, qui a permis la coexistence d’un système d’éducation d’État avec des systèmes d’éducation parallèles ressortant des diverses tendances religieuses nationales, orthodoxes et ultra-orthodoxes. Conjugué à la croissance démographique continue de la population ultra-orthodoxe, le mauvais niveau général de l’éducation dans le système scolaire rattaché à ce secteur est un signe avant-coureur des difficultés auxquelles sera confronté le marché du travail pour recruter à l’avenir des travailleurs qualifiés. C’est pourquoi un renforcement de l’enseignement des matières de base, en particulier les matières scientifiques et les langues étrangères, et l’uniformisation des différents systèmes parallèles d’éducation, deviennent une revendication majeure des partis d’opposition.

Le défi démocratique

À l’approche des élections législatives annoncées pour l’automne, les sondages créditent régulièrement l’opposition actuelle d’un avantage en sièges sur la coalition Netanyahou actuellement au pouvoir. Mais à ce stade, cet avantage n’est pas suffisant pour lui garantir une majorité absolue stable.

Cette probable fragilité politique à venir illustre une autre question non résolue, celle de l’intégration des minorités, arabes et autres non juives, au sein de la société israélienne. Si de nombreux arabes israéliens de toutes confessions ont pu trouver leur place dans les professions de la santé, du droit et dans l’enseignement, si les Druzes et de nombreux Bédouins servent dans l’armée et accèdent à des postes de responsabilités, l’intégration des minorités non juives au sein de l’Etat d’Israël reste un sujet ouvert.

Si on exclut la Cisjordanie occupée, l’horreur ressentie par les massacres du 7 octobre n’a pas donné lieu à des affrontements significatifs de nature ethnique et nationaliste au sein de l’État d’Israël dans ses frontières reconnues. Pendant ces trois années de tension, se sont même développées beaucoup d’initiatives de rapprochement et de solidarité entre communautés juives et arabes. La relative tranquillité dont jouissent des villes multicommunautaires comme Haifa ou Akko (Saint-Jean D’Acre) en est un exemple. Mais en même temps, la criminalité et la corruption ont atteint un niveau inégalé au sein des localités arabes israéliennes. À cet état d’insécurité permanent, facilité par la passivité d’une police aux mains d’un ministre d’extrême-droite, s’ajoute la mauvaise volonté administrative israélienne qui empêche un développement urbain régulé des localités arabes.

Face à cette situation, les différents partis politiques arabes israéliens jouent leur rôle d’opposants, en demandant, chacun à leur façon, que les minorités non juives en Israël soient traitées sur un pied d’égalité avec le reste de la population.

Une tentative timide d’intégration politique avait eu lieu quand le parti Ra’am (Liste Arabe Unie) de Mansour Abbas s’était rallié au gouvernement dirigé par Naftali Bennet et Yair Lapid, avant le retour au pouvoir de Benjamin Netanyahou. De crainte d’effrayer les électeurs de droite qu’il faut encore rallier, une majorité des partis d’opposition se refusent encore à intégrer des partis politiques arabes dans une future coalition à bâtir. Mais les chiffres et la démographie parlent. Une démocratie israélienne stable aura besoin de toutes les composantes de la société, y compris les minorités non juives, pour que le pays ne soit plus l’otage de ses franges ultranationalistes et religieuses messianiques.   

L’État d’Israël est né, a grandi et continue d’exister en étant confronté à des adversités de formes et d’intensité diverses. De plus en plus isolé et se sentant incompris, la seule confiance qu’il trouve est dans son énergie et sa vitalité propre. Face aux choix qui s’offrent, il faudra que l’énergie et la vitalité qui caractérisent cette société dans toutes ses composantes, fassent le choix de la construction plutôt que celui d’une fuite en avant autodestructrice. Si les Israéliens savent que les avis et les critiques seront abondants, ils savent également que les mains tendues bienveillantes seront rares. Pour la majorité d’entre eux, ils se rappelleront une fois de plus qu’avant d’être israéliens, ils sont d’abord et avant tout juifs.

 

[Source : www.telos-eu.com]