Escrito por Teresa Ribeiro
Constato, desde há muito, que mais depressa as pessoas falam publicamente da sua intimidade do que de política. Ainda há pouco tempo li, no Público, uma crónica que começava com a afirmação: "Não gosto de falar de política". Um desabafo tranquilo, de quem sabe que está a exprimir uma posição consensual. Este pudor sempre me intrigou, visto que não há nada que tenha mais impacto no "condomínio" social em que vivemos do que a política. Discutir política é, em última análise, um acto cívico. Exprime envolvimento, preocupação, sentido crítico e desejo de clarificar tudo o que de polémico vai acontecendo neste âmbito.
Ao contrário, cultivar a reserva e o distanciamento sobre este tema é negar uma dimensão muito importante da nossa vida colectiva e passar a mensagem errada para as gerações vindouras, a de que a política não interessa a ninguém. Nada mais falso, nada mais perigoso.
[Fonte: delitodeopiniao.blogs.sapo.pt]
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