Sonhos e Comboios acompanha os 80 anos de vida de um lenhador eremita da América profunda do final do século XIX, um filme muito contemplativo que nos mostra as mudanças do homem e da natureza ao longo da vida, e como umas impactam as outras.
De inspiração muito malickiana, cada cena em que vamos ouvindo o narrador é como se estivéssemos a ler a página de um livro, todos os planos, e não só nos que vemos árvores, são muito poéticos
Todo o elenco é notável, como a fugaz e fulgurante Kerry Condon, mas a rudeza sensível de Joel Edgerton é muito expressiva e comovente, cada olhar, cada ruga, cada gesto, uma interpretação cheia de força e vulnerabilidade, só não torço para a sua nomeação ao Óscar porque me palpita que a luta para a quinta nomeação será entre Edgerton e o nosso maravilhoso Wagner Moura.
Se a fotografia de Adolpho Veloso é magnética, a banda sonora de Bryce Dessner (da banda The National), e a canção de Nick Cave, são perfeitas.
Train Dreams é puro slow movie, apesar de não ser longo pode ser difícil mantermo-nos sempre acordados, no meu caso, que fui pregando o olho aqui e acolá, enrolado no calorzinho das mantas caseiras, com o comando a andar para trás sempre que necessário, foi um filme certeiro, sobre a vida, a passagem do tempo e as memórias que vamos deixando uns nos outros, e também sobre outras coisas, sobre o romance, a perda, o racismo, ou a violência, muito bonito.
Na Netflix, sem passar nas salas de cinema.
[Fonte: burrovelho2.blogs.sapo.pt]

Sem comentários:
Enviar um comentário