domingo, 4 de novembro de 2018

Quando a proteína vem do grão, das amêndoas e dos espinafres

Os portugueses (e o mundo) comem demasiada carne. Conheça outras fontes de proteína mais amigas dos animais, do ambiente e da sua saúde.
 
Grão, feijão, lentilhas e legumes são óptimas opções para responder às necessidades diárias de proteína

Escrito por MARTA CERQUEIRA 
Haveria, com certeza, muito vegano rico se ganhasse um euro por cada vez que ouve um comentário sobre a suposta privação de nutrientes a que sujeita o seu corpo ao decidir não comer produtos de origem animal.
Habituámo-nos a ver os culturistas a comer doses industriais de frango, batidos de proteína e ovos cozidos. E, mesmo para quem não treina, um bife nunca ocupa menos de metade do prato e um pequeno-almoço sem leite ou iogurtes não faz de todo sentido. 
Pois bem, fique sabendo que, primeiro, não precisamos assim de tanta proteína, e que é possível ir buscá-la a fontes vegetais.
De acordo com a Organização Mundial de Saúde, um adulto deve consumir por dia, em média, 0,83 gramas de proteínas por cada quilo corporal, enquanto uma criança deve consumir cerca de 1,20 gramas por cada quilo de peso. É possível usar esta fórmula para perceber a quantidade certa para cada pessoa (mas que pode variar consoante, por exemplo, a atividade física): 0,8 gramas de proteína por quilo de peso corporal.
Assim, uma pessoa com 80 quilos deve ingerir, por dia, 64 gramas de proteína, enquanto uma de 63 quilos, por exemplo, deve ficar-se pelas 50 gramas.
Aposto que está a fazer contas de cabeça para tentar encaixar nas metas diárias aqueles 220 gramas de Black Angus que o restaurante “Butchers” serve numa tábua ou até mesmo o Big Mac que, só por si, tem já mais de metade da dose de proteína recomendada para um adulto.
Portugal consome demasiada proteína e não somos (só) nós a dizê-lo. De acordo com a ZERO — Associação Sistema Terrestre Sustentável, deveríamos ingerir cerca de 33 quilos de carne, ovos e pescado por ano, mas os portugueses estão a consumir 178 quilos destas fontes de proteína animal, ou seja, mais 145 do que aquilo que é suposto.
Os principais prejudicados desta equação são a saúde, o ambiente e o orçamento familiar. Sim, porque se formos a fazer contas, um saco de feijão ou de grão fica bem mais em conta do que uma bife de vaca, tem uma produção menos poluente e, mais uma vez recorrendo ao que a OMS diz, lembramos que o consumo de carne vermelha, como vaca ou porco, foi considerado como “provavelmente carcinogénico para humanos” e o consumo de carne processada, como salsichas ou enlatados, como “carcinogénico para humanos”.

[Fonte: www.magg.pt]

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