sábado, 27 de maio de 2017

Na Universidade de Toronto a língua portuguesa é ensinada há 70 anos


Dois mil e dezassete é um ano especial para a língua Portuguesa, para quem a ministra e para quem a aprende na Universidade de Toronto, no Canadá: celebram-se os 70 anos da primeira oferta oficial de um curso em português, naquela instituição de ensino superior canadiana. O Programa de Estudos Lusófonos tem sido objeto de mudança e evolução desde a sua implementação há sete décadas, e novas mudanças irão ocorrer. Tudo para continuar a proporcionar um ensino de excelência e dar continuidade ao programa que mais alunos inscritos tem em todo o Canadá…
São sete décadas a ensinar uma língua estrangeira a nível universitário em Toronto, e milhares os alunos que a têm aprendido nos cursos de língua, literatura e história, entre outros. Foram vários os escritores, conferencistas, músicos, artistas plásticos e académicos lusófonos que ali transmitiram conhecimento. Inúmeras exposições, conferências, simpósios, colóquios, semanas de língua portuguesa, publicações de livros, festivais de cinema, entre outras atividades, complementaram, naquela universidade, a aprendizagem de uma língua que se mantém dinâmica e de ‘olhos’ postos no futuro.
“O futuro é construído sobre o passado; acredito que nas últimas três décadas fortalecemos a fundação do Programa de Estudos Lusófonos. Minha convicção é que a importância do português não diminuirá nos próximos anos, só pode prosperar. Cada estudo mostra que esta língua ‘romântica’ está entre as dez mais faladas no mundo, sendo utilizada por 250 milhões de pessoas. Esta tendência continuará num futuro previsível”, defende Manuela Marujo, diretora associada do Departamento de Espanhol e Português da Universidade de Toronto, numa publicação que elaborou e na qual resume os mais importantes momentos do Programa de Estudos Lusófonos nestes 70 anos de atividade.
Em 1997, durante um simpósio realizado no Colégio Universitário para celebrar 50 anos de português na Universidade de Toronto, Manuela Marujo entrevistou Kurt Levy, profundo conhecedor dos primeiros passos do ensino do português naquela academia. Segundo o professor, a primeira oferta oficial de português aparece no ano académico de 1947-1948, com um curso de três horas. O seu conteúdo foi apresentado como “pronúncia, gramática, prática oral e leitura de textos prescritos”, como recordou o docente.
Língua de projeção mundial
Entretanto, desde 1978 o Departamento de Espanhol e Português dinamiza “um Specialist in Portuguese, um Four Honours Program, o que corresponde de certa maneira a uma licenciatura em Estudos Portugueses”, explica a professora universitária, que dedicou 32 anos da sua carreira académica ao ensino do português naquela universidade. No âmbito desta licenciatura, há cursos de língua, cultura, história, literatura, cinema, entre outros, e que têm variado ao longo dos anos conforme as especialidades dos professores.
Sobre as causas para a longevidade do Programa de Estudos Lusófonos, Manuela Marujo aponta, entre outras, a sua “boa reputação” junto dos departamento e dos alunos e ainda o facto do português “ter cada vez maior projeção no mundo”, para além da presença de uma grande comunidade de imigrantes portugueses em Toronto e do o crescimento económico do Brasil. “São muitas as razões”, defende.
A comprovar o sucesso deste programa estão os números. Ao longo dos seus 32 anos a lecionar naquela universidade, a professora refere entre 150 a 200 os alunos que o têm frequentado anualmente, distribuídos pelos vários cursos. Sobre o perfil desses estudantes nas últimas três décadas, acredita, com base em estudos feito com frequência pelos Leitores do Camões, I.P., “que metade são lusodescendentes e os outros 50 por cento são das origens mais variadas”. “Como ensinei durante mais de 20 anos os Cursos de Iniciação, os meus favoritos, posso dizer que tenho tido “o mundo” a aprender português”, destaca. “A nossa cidade orgulha-se de ter falantes de mais de 150 línguas e, as aulas de português são uma pequena mostra dessa realidade. É fascinante ver uma multitude de heranças culturais e linguísticas nas nossas salas de aula”, sublinha.
Com um passado de que os docentes se orgulham e um presente bem estruturado, para o futuro a diretora associada do Departamento de Espanhol e Português da Universidade de Toronto gostaria de ver concretizado o mestrado e doutoramento na área de Estudos Lusófonos. E deixa o repto: “países mais ricos do que o nosso dão grandes subsídios para convencer a universidade a investir em programas de pós-graduação. Não sei se Portugal, o Brasil ou um outro país da CPLP terão a capacidade financeira ou o empenho para se interessar e ajudar financeiramente a realizar tal projeto”. Elogia, porém, a “ajuda imprescindível que Portugal tem proporcionado” com a existência de um leitorado naquela universidade. “Estamos muito  reconhecidos a Portugal; seria muito difícil proporcionar aos nossos estudantes a variedade de disciplinas que podem escolher, sem a presença do leitor”, assegura. Quase a deixar as suas funções e a reformar-se, a professora diz que levará consigo o orgulho nos seus antigos alunos que encontra em cargos diversificados pela cidade e pela província do Ontário. A estes agradece por a “terem ouvido” e aos que vão começar a estudar português dá “os parabéns” porque souberam escolher “e vão ter como resultado portas e janelas abertas para muitos mundos diferentes”.
[Fonte: Mundo Português]

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