quinta-feira, 18 de junho de 2026

Alemanha está perante um ataque maciço ao Estado providência

Enquanto centenas de milhares de milhões de euros são canalizados para o rearmamento, a alegada ausência de alternativa ao desmantelamento social propagada pelo governo conduz a uma enorme perda de confiança nos partidos políticos tradicionais.

Protesto dos trabalhadores hospitalares contra a reforma dos seguros de saúde.

Escrito por Harald Wolf

«O Estado social, tal como o temos hoje, já não é financiável com aquilo que produzimos em termos de economia nacional», declarou o chanceler alemão Friedrich Merz no verão de 2025. Só através de uma reforma fundamental do Estado providência seria possível restabelecer a competitividade internacional da Alemanha e dar início à «viragem económica» prometida por Merz durante a campanha eleitoral. Desde então, associações empresariais, organizações de lóbi, economistas neoliberais e os media têm defendido em uníssono uma «reforma radical do Estado social». O que se pretende não é outra coisa senão os velhos instrumentos neoliberais de tortura – redução das prestações sociais, ataque aos direitos dos trabalhadores, desregulamentação e privatização. 

As primeiras medidas já foram aprovadas pelo governo. Assim, está previsto que, no sistema de seguro de saúde, sejam poupados 16,3 mil milhões de euros em 2027 e até 30 mil milhões de euros em 2030. Isto é mais um exercício. O fardo principal recai sobre as pessoas com seguros sociais que terão de carregar com mais de 20 mil milhões de euros em custos adicionais, entre outros através do aumento das comparticipações em medicamentos e internamentos hospitalares, bem como da eliminação da isenção de contribuições para 1,6 milhões de familiares dos segurados. Particularmente grave é também o congelamento do orçamento destinado aos cuidados de enfermagem nos hospitais, o que significa que os aumentos salariais e as melhorias das condições de trabalho, conquistados com grandes esforços e consagrados em convenções coletivas de trabalho, novamente voltam a ser postos em causa. A escassez já existente de pessoal nos hospitais irá, assim, agravar-se ainda mais. 

O sistema da reforma também se encontra sob ataque intenso. Perante o aumento da proporção de reformados na população, o sistema da reforma, na sua construção atual, já não seria financiável, razão pela qual a idade de reforma teria de ser aumentada. A reforma pública apenas poderia continuar a constituir uma «proteção básica» – segundo o chanceler Merz – que teria de ser complementada por regimes de reforma no nível das empresas e por uma reforma financiada através de investimentos financeiros no mercado capitalista. Contudo, muitas pessoas não dispõem dos recursos financeiros necessários para investir adicionalmente num sistema de reforma baseado na capitalização. Além disso, apenas a metade dos trabalhadores sujeitos a contribuições para a segurança social tem direito a uma pensão complementar das suas empresas. O enfraquecimento do sistema público de reformas e o fortalecimento das reformas baseadas em investimentos financeiros não serve os interesses dos reformados, mas sim os dos investidores financeiros, dos grupos seguradores e dos gestores de ativos como a Blackrock. 

O chanceler Merz declarou que «todos temos que trabalhar mais». Assim, o Governo alemão planeia abolir o limite máximo diário de trabalho de 8 horas. Com esta reforma prevista, será possível trabalhar até 13 horas por dia. O dia de trabalho de 8 horas foi introduzido na Alemanha após a Revolução de 1919, na sequência de décadas de luta. Desta forma, uma das mais importantes conquistas do movimento operário fica posta em causa, razão pela qual os sindicatos anunciaram uma forte resistência. A 1 de julho entra em vigor uma nova regulamentação do subsídio básico para os desempregados. Quem ficar desempregado será obrigado a aceitar imediatamente um novo emprego, enquanto a regulamentação anterior previa a possibilidade de uma requalificação profissional. As sanções foram agravadas e o reembolso das despesas com rendas e aquecimento foi reduzido – apesar da explosão dos preços da habitação. Como consequência, o número de pessoas sem abrigo irá aumentar.

O partido Die Linke apelou a protestos maciços contra o desmantelamento do Estado providência. Numa primeira fase, começou a construir, em muitas cidades, alianças locais com associações sociais, iniciativas cívicas e sindicatos. Também o sindicato dos serviços ver.di iniciou uma ampla mobilização. Como alternativa à política governamental – e tal como é exigido por muitas associações sociais e sindicatos – Die Linke propõe uma reforma verdadeiramente fundamental do Estado social. O sistema social alemão sofre de uma injustiça estrutural profunda. Entre outros, trabalhadores independentes, funcionários públicos, militares e políticos não estão integrados no sistema solidário dos seguros públicos de reformas e de saúde – têm o direito de recorrer a seguros privados ou recebem uma pensão estatal, bem como um reembolso parcial das despesas de saúde. Além disso, as pessoas com rendimentos elevados apenas pagam contribuições sociais sobre uma parte dos seus rendimentos. Por isso, Die Linke defende um sistema único de seguro solidário para o qual todos contribuam de acordo com os seus rendimentos. A preservação do Estado social é, assim, uma questão de distribuição da riqueza e não de evolução demográfica.

Não é apenas o Estado social que está em perigo, mas também a democracia. Atualmente, a extrema-direita da AfD é, de longe, o partido mais forte nas sondagens, enquanto os partidos governamentais CDU e SPD perderam maciçamente o apoio que antes desfrutaram.  Enquanto centenas de milhares de milhões de euros são canalizados para o rearmamento, a alegada ausência de alternativa ao desmantelamento social propagada pelo governo conduz a uma enorme perda de confiança nos partidos políticos tradicionais. Antigos eleitores sociais-democratas passaram para a AfD e a proporção de sindicalistas que votam na AfD atingiu, entretanto, níveis alarmantes. Caberá também a Die Linke, em conjunto com os sindicatos e as associações sociais, organizar a resistência contra os ataques maciços ao Estado social e apresentar uma alternativa solidária à política do Governo Federal de Alemanha.


Harald Wolf é membro do partido Die Linke


[Foto: Hannibal Hanshke/EPA - fonte: www.esquerda.net]

Engega el Fòrum de Diversitat Lingüística a Barcelona

La trobada tracta fins dissabte la situació de les llengües minoritzades i la gestió del multilingüisme

Sessió del Fòrum de Diversitat Lingüística a Barcelona

Barcelona acull des d’aquest dimecres i fins dissabte el Fòrum de Diversitat Lingüística – Reptes globals, empoderament i treball en xarxa, una trobada dedicada a analitzar la crisi de la diversitat lingüística i a repensar les polítiques de revitalització de les llengües minoritzades i de gestió del multilingüisme.

El Fòrum aplegarà experts de l’àmbit acadèmic, de l’activisme i de diferents comunitats lingüístiques amb l’objectiu de teixir ponts entre el món acadèmic i les iniciatives de base, compartir experiències d’èxit i establir aliances a llarg termini per revertir la crisi de la diversitat lingüística i reforçar el capital lingüístic d’Europa i del món.

La trobada analitzarà l’impacte de les llengües dels immigrants en les llengües pròpies de Catalunya i buscarà propostes que ajudin a enfortir el català com a llengua de cohesió i, alhora, garantir els drets lingüístics de totes les comunitats. El Fòrum també es proposa actualitzar els relats que, tradicionalment, han donat suport als processos de revitalització lingüística i enfortir-ne la capacitat transformadora, connectant-los amb els reptes contemporanis en matèria de drets humans, sostenibilitat, feminismes, moviments ambientals i humans.

De forma paral·lela al Fòrum, hi haurà dues exposicions, obertes del 17 al 20 de juny: Tres dècades sembrant llavors: materials en llengües indígenes per a la revitalització lingüística, de Linguapax Amèrica Llatina i el Laboratori de Llengua i Cultura del CIE-SAS-Centre d’Investigacions i Estudis Superiors en Antropologia Social, al pati de l’Institut d’Estudis Catalans, i Les llengües no moren, les maten, de Linguapax, que es farà al Pati de Lletres de l’Edifici Històric de la Universitat de Barcelona (UB).

El dia 18, es farà el lliurament del premi Linguapax 2025 al projecte Hilo de Ju’gthë’sx Pthuuse’jnxi’s, del Plan de Vida Proyecto Nasa de Colòmbia.

 

[Foto: Fosterlang - font: www.diaridelallengua.cat]

S’ha mort Carlo Ginzburg, fundador de la microhistòria i autor de «El formatge i els cucs»

L’historiador italià va transformar la manera de llegir el passat, recreant-lo a partir de vides anònimes i indicis menors de la gent corrent  

L’historiador italià Carlo Ginzburg s’ha mort a Bolonya a vuitanta-set anys. Autor d’El formatge i els cucs, era considerat una de les grans figures de la historiografia contemporània i un dels fundadors de la microhistòria, el corrent que reconstrueix grans processos històrics a partir de casos concrets, vides anònimes i indicis aparentment menors.

En català han estat traduïts els seus llibres El formatge i els cucs (Publicacions de la Universitat de València i  Por reverència terror. Llegir Hobbes avui (Arcàdia)

Nascut a Torí el 1939, era fill de l’escriptora Natalia Ginzburg i de l’intel·lectual antifeixista Leone Ginzburg, mort el 1944 després d’haver estat empresonat pels nazis. Aquella experiència familiar, marcada pel feixisme, la persecució i la guerra, va travessar bona part de la seva obra.

Ginzburg es va fer mundialment conegut amb El formatge i els cucs, publicat el 1976, en què reconstruïa la visió del món de Menocchio, un moliner friülà del segle XVI perseguit per la Inquisició. A partir dels interrogatoris inquisitorials, va demostrar que una vida aparentment marginal podia obrir una finestra sobre la cultura popular, la religiositat i els conflictes intel·lectuals d’una època.

També va ser autor d’Els benandantiHistòria nocturna i El jutge i l’historiador, i va desenvolupar l’anomenat paradigma indiciari: una manera de llegir el passat a partir de rastres, detalls i proves fragmentàries, com faria un detectiu. La seva obra va influir la història, l’antropologia, la crítica literària i la història de l’art.

Professor a Bolonya, Pisa i la Universitat de Califòrnia a Los Angeles, entre més centres, Ginzburg defensava una història atenta als qui sovint havien quedat fora dels grans relats.

Ginzburg va estudiar a la Scuola Normale Superiore de Pisa i va completar la seva formació al Warburg Institute de Londres. Va exercir la docència a les universitats de Bolonya, Harvard, Yale, la Universitat de Califòrnia a Los Angeles i Princeton, entre d’altres. Des del 2006 fins al 2010 va tornar a la Normale de Pisa com a catedràtic d’Història de les cultures europees.

El compromís cívic va ser una constant en la seua trajectòria, heretada del context familiar marcat per l’antifeixisme i la persecució racial. En els últims anys havia denunciat sense ambigüitats el negacionisme i el fenomen de les “fake news” i, en la seua darrera obra, El vincle de la vergonya, havia reflexionat sobre la seua condició de jueu davant del massacre del 7 d’octubre de Hamas i davant de la resposta del govern Netanyahu a Gaza.


[Font: www.vilaweb.cat]

Soïssa ditz de non a la limitacion de sa populacion a 10 milions d’abitants

Portada per l’UDC, l’iniciativa qu’aviá per mira de limitar la populacion soïssa es regetada malgrat un sosten important de l’electorat

Escrich per Jòrdi Ràfols

Los electors soïsses refusèron dimenge l’iniciativa populara «Non a una soïssa de 10 milions d’abitants», portada pel partit de drecha radicala populista Union Democratica del Centre (UDC). Segon Reuters, lo 54,4% dels votants se prononcièron contra lo tèxt, mentre que lo 45,6% lo sostenguèron.

L’iniciativa prepausava d’inscriure dins la Constitucion federala un limit demografic de dètz milions de residents permanents. Un còp arribat al lindal de 9,5 milions d’abitants, lo govèrn seriá estat obligat de prene de mesuras per tal de frenar la creissença de la populacion. S’aquelas mesuras foguèsson estadas insufisentas, Soïssa seriá poguda èsser menada a metre en question cèrts acòrdis internacionals, sustot l’acòrdi de liura circulacion de las personas conclús amb l’Union Europèa fa mai de vint ans.

La question demografica se tròba al còr del debat dempuèi mantun an. Segon las donadas oficialas, la populacion soïssa passèt de mai o mens 7,3 milions d’abitants en 2002, an de la dintrada en vigor de l’acòrdi sus la liura circulacion de las personas amb l’Union Europèa, a mai de 9,1 milions a la fin 2025. Aquò representa una auça de mai o mens 1,8 milion de personas, siá près d’un 25%, en un pauc mai de dos decennis. Los partisans de l’iniciativa estimavan qu’aquela creissença exercissiá una pression creissenta sul lotjament, suls transpòrts e sus las infrastructuras publicas, mentre que sos opausants soslinhavan qu’aquela pojada de populacion aviá tanben contribuit a sosténer l’economia e a respondre als besonhs de man d’òbra del país.

Lo govèrn federal, los principals partits politics, las organizacions economicas e los sindicats avián cridat a votar contra l’iniciativa. Segon eles, una limitacion tanben estricta auriá fragilizat l’economia soïssa, que depend largament de la man d’òbra estrangièra dins mantun sector essencial, tals coma la santat, la construccion o l’ostalariá-restauracion.

La victòria del «non» representa una revirada per l’UDC, a l’origina de l’iniciativa, mas lo resultat relativament estrech de la votacion illustra un sosten significatiu de la populacion soïssa e sembla de confirmar la persisténcia en Soïssa de las tensions a l’entorn de las questions migratòrias pels ans venents.

 

[Sorsa: www.jornalet.com]


Fassbinder, l’amore fa ancora male

Il 10 giugno 1982 moriva il regista tedesco: autore scomodo, scandaloso ancora oggi, capace di trasformare la retorica del sentimento in una fredda anatomia del potere, della sottomissione e del desiderio

Regista e produttore cinematografico tedesco, ritratto dietro la macchina da presa durante le riprese di "Lola" a Monaco di Baviera, il 14 maggio 1981. Nato il 31 maggio 1945 a Bad Woerrishofen, Fassbinder raggiunse la fama internazionale con film come "Katzelmacher" (1969), "Warnung vor einer heiligen Nutte" ("Attenti a una santa prostituta", 1971) e "Effi Briest" (1974). Morì il 10 giugno 1982 per overdose di droga. picture-alliance/ dpa

quarta-feira, 17 de junho de 2026

Les Palestiniens dehors, les travailleurs étrangers dedans : comment Israël est en train de remodeler sa main-d’œuvre

Longtemps pilier de l’économie à bas salaires d’Israël, les Palestiniens de Cisjordanie et de Gaza sont écartés depuis le 7 octobre — remplacés par un afflux de travailleurs migrants soumis à des conditions de travail extrêmement précaires. 

Les autorités israéliennes empêchent des milliers de Palestiniens d’entrer à Jérusalem par le checkpoint de Qalandia, 20 février 2026.

Écrit par Charlotte Ritz-Jack et Dana Mills

Le hayon d’un camion-poubelle s’ouvre lentement. À l’intérieur, une septantaine d’hommes palestiniens sont entassés les uns contre les autres, leurs yeux peinent à s’habituer à la lumière après ce qui semble avoir été un trajet étouffant. Ils se protègent les yeux alors que des lampes torches éclairent leurs visages. Des policiers israéliens pointent leurs fusils sur eux à bout portant et leur lancent des ordres, ce qui pousse certains hommes à lever instinctivement les mains. Un par un, ils sont tirés hors du camion, un bras forcé derrière le dos, puis emmenés en garde à vue. 

La vidéo de près de 10 minutes diffusée par la police israélienne le 13 avril, peu après l’interception du véhicule sur l’autoroute reliant la région métropolitaine de Tel-Aviv à la Cisjordanie occupée, montre les conséquences d’une tentative de passage en Israël par des travailleurs palestiniens sans permis. Traités comme s’ils étaient de dangereux terroristes, ces hommes ne cherchaient guère plus que de gagner leur vie pour subvenir aux besoins de leur famille. 

Depuis des décennies, l’emploi dans les secteurs à bas salaires en Israël — en particulier la construction, l’agriculture et d’autres formes de travail manuel — constitue un pilier des moyens de subsistance des Palestiniens dans les territoires occupés, où l’étouffement de l’économie par Israël maintient les salaires à un niveau bas et le chômage à un niveau élevé. Avant le 7 octobre 2023, ces travailleurs injectaient environ 380 millions de dollars par mois dans les marchés locaux. Dans certaines villes de Cisjordanie, plus de 90 % des hommes dépendaient d’emplois en Israël. 

Aujourd’hui, ces possibilités ont pratiquement disparu. Après le 7 octobre, plus de 200 000 Palestiniens de Cisjordanie et de Gaza — dont 150 000 titulaires de permis de Cisjordanie, environ 50 000 travaillant sans permis et 18 500 originaires de Gaza — se sont vu interdire l’entrée en Israël, officiellement pour des « raisons de sécurité ». 

En réalité, la guerre contre Gaza a donné à l’État israélien l’impulsion nécessaire pour réduire considérablement sa dépendance de longue date à l’égard de la main-d’œuvre palestinienne, marquant ainsi un tournant décisif dans l’équilibre qui prévalait depuis des décennies entre l’impératif idéologique d’exclure les travailleurs palestiniens et le rôle essentiel de ces derniers dans le développement économique israélien.  

Un équilibre précaire  

« Avant la guerre, l’intégration des travailleurs palestiniens sur le marché du travail servait les intérêts économiques d’Israël », a déclaré Maayan Niezna, experte juridique qui suit de près le recours d’Israël à la main-d’œuvre migrante, au magazine +972. « Mais cela s’inscrivait également dans le projet politique de l’occupation, visant à créer une dépendance tout en “contenant” le risque de résistance grâce à une certaine stabilité économique. »  

À cette fin, lorsque Israël a entamé son occupation militaire de la Cisjordanie et de Gaza en 1967, il a rapidement commencé à délivrer des permis aux Palestiniens qui souhaitaient travailler en Israël — lançant ainsi une politique qualifiée d’« inclusion contrôlée ». Entre 1968 et 1973, le nombre de Palestiniens travaillant en Israël a augmenté de plus de 38 % par an. En réponse à la première Intifada qui a débuté à la fin des années 1980, Israël a toutefois imposé un régime de permis strict qui limitait l’accès des Palestiniens à son marché du travail, et a commencé à remplacer ces travailleurs par une main-d’œuvre migrante.  

Les travailleurs thaïlandais ont occupé les emplois agricoles, tandis que des ouvriers chinois et indiens ont été recrutés pour le bâtiment et des Philippins pour les soins. En 2000, lorsque la deuxième Intifada a éclaté, environ 240 000 travailleurs migrants, en situation régulière ou irrégulière, représentaient environ 10 % de la main-d’œuvre israélienne.  

Mais l’économie allait mal : en 2002, elle a connu sa pire année depuis 1953. Alors que la suprématie juive et le racisme devenaient de plus en plus manifestes dans la politique israélienne, le gouvernement a commencé à faire des travailleurs étrangers les boucs émissaires de la récession, les accusant d’être responsables de la hausse du chômage et de « saper la nature juive de l’État à la suite de mariages mixtes ».   

En 2002, le Premier ministre de l’époque, Ariel Sharon, a lancé une campagne d’expulsion massive visant les travailleurs migrants. Les autorités ont recruté des informateurs qui laissaient des marques visibles sur les portes des travailleurs étrangers afin de fracturer délibérément les communautés migrantes. Quelque 40 000 personnes ont été expulsées, et environ le double de ce nombre ont été intimidées au point de partir de leur propre gré.   

Au cours des années 2010 et au début des années 2020, Israël a progressivement rouvert ses frontières aux travailleurs étrangers, notamment dans les secteurs de l’agriculture, du bâtiment et des services à domicile. Dans les deux premiers secteurs, les travailleurs étrangers ont progressivement remplacé la main-d’œuvre palestinienne, tandis que le secteur des services à domicile a créé un nouveau créneau (les quotas gouvernementaux ont plafonné la main-d’œuvre étrangère dans l’agriculture et le bâtiment à environ 30 000 personnes par secteur, alors qu’il n’y a pas de limite dans le secteur des services à domicile).   

Bien que l’emploi des Palestiniens en Israël ait continué d’augmenter au cours des années précédant le 7 octobre — avec plus de 20 % des Palestiniens des territoires occupés employés en Israël en 2022, contre 13 % en 2020 —, leur emploi restait fortement contrôlé : concentré dans des secteurs peu valorisés, dépendant de systèmes de permis instables et du parrainage des employeurs, et souvent informel ou non réglementé, avec peu de recours contre l’exploitation.  

Puis vint le 7 octobre. Presque du jour au lendemain, des centaines de milliers de travailleurs palestiniens ont perdu leur emploi lorsque leurs permis d’entrée ont été révoqués. Des milliers de Gazaouis, qui constituaient autrefois l’épine dorsale de cette main-d’œuvre, ont été détenus ou se sont retrouvés bloqués en Cisjordanie. Au cours des mois qui ont suivi, la construction résidentielle en Israël a chuté de 95 %, tandis que la production agricole a baissé de 80 %.  

Les « préoccupations sécuritaires » invoquées par Israël pour justifier cette mesure — suggérant que les travailleurs pourraient profiter de leur accès pour aider le Hamas dans la guerre — ne résistent pas à un examen minutieux. Des recherches menées par des institutions liées aux propres services de sécurité israéliens, telles que l’Institut d’études sur la sécurité nationale (INSS), indiquent que les travailleurs palestiniens titulaires d’un permis ne sont presque jamais impliqués dans des activités militantes, y compris le 7 octobre.   

« C’est une forme de punition collective », a déclaré Niezna. « Interdire l’accès aux travailleurs palestiniens n’a aucun sens d’un point de vue sécuritaire ; cela n’a de sens que dans le cadre d’un projet politique d’occupation et d’annexion. » Dans le contexte de la violence des colons en Cisjordanie et du génocide à Gaza, a expliqué Niezna, l’affaiblissement de l’économie palestinienne vise à étouffer les derniers soubresauts d’autosuffisance et d’autonomie politique palestiniennes.  

« Les migrants sont invités en tant que travailleurs, pas en tant qu’êtres humains »   

Si les efforts visant à mettre fin à la dépendance à l’égard de la main-d’œuvre palestinienne sont bien antérieurs au gouvernement israélien actuel, le ministre des Finances Bezalel Smotrich s’est imposé comme une figure centrale de leur accélération. Sous le couvert de la guerre, son ministère a pris des mesures pour accélérer les réformes néolibérales du travail, assouplissant la réglementation tout en faisant peser les coûts les plus lourds sur les travailleurs migrants et les rares travailleurs palestiniens restants, qui ont le moins accès aux protections juridiques et sociales contre les abus.  

« Nous avons allégé la réglementation », s’est vanté Smotrich dans une annonce faite en 2024 pour promouvoir des politiques visant à accroître le recrutement de main-d’œuvre étrangère. « [Nous] avons fait venir plus de 20 000 travailleurs étrangers dans le pays depuis le début de la guerre à Gaza. »  

Cette même annonce présentait des plans visant à recruter quelque 65 000 travailleurs originaires d’Inde, du Sri Lanka et d’Ouzbékistan par l’intermédiaire de nouveaux centres de recrutement dans les grandes villes, des négociations étant en cours pour porter ce nombre jusqu’à 80 000. Selon l’organisation de défense des droits du travail Kav LaOved, environ 270 000 travailleurs migrants sont actuellement employés en Israël.  

Les conséquences de ce changement ont été dévastatrices pour les travailleurs palestiniens. Les 8 000 permis délivrés en 2025 pour travailler en Israël ne représentent qu’une fraction de ce qui est nécessaire pour maintenir à flot l’économie de la Cisjordanie, alors même que plus de 10 000 Palestiniens continuent de travailler dans les colonies. Privés des salaires israéliens, des ménages entiers ont perdu leur seule source de revenus et sont poussés au bord du gouffre.  

« Les travailleurs palestiniens sont confrontés à une véritable pauvreté », a déclaré Yael Berda, sociologue à l’Université hébraïque de Jérusalem, qui a beaucoup écrit sur le travail palestinien sous le régime des permis israéliens. « Ils n’ont même pas de quoi se nourrir correctement — la situation est vraiment extrême. »  

Dans ce contexte, de nombreux travailleurs palestiniens prennent de graves risques pour subvenir aux besoins de leur famille. On estime à 10 000 le nombre de Palestiniens travaillant en Israël sans permis, un chiffre qui serait probablement plus élevé sans l’effet dissuasif des abus généralisés dans les prisons israéliennes.  

Les travailleurs palestiniens, bien qu’ils soient sans aucun doute les plus durement touchés, ne sont pas les seuls à voir leurs moyens de subsistance mis à rude épreuve ces dernières années. L’état de guerre permanent en Israël a fait grimper le taux de chômage parmi sa propre population à près de 10 %. Parallèlement, les dispositifs d’indemnisation du gouvernement ont évolué, passant de la protection des salaires vers des congés sans solde — ce qui perturbe la constitution des droits à la retraite et prive de nombreux travailleurs d’un revenu stable.   

Ces changements s’accompagnent de budgets axés sur l’austérité et d’une confrontation croissante avec les syndicats, notamment par des tentatives visant à bloquer les grèves. Les tribunaux israéliens se rangent de plus en plus du côté du gouvernement, ordonnant parfois aux employés de reprendre le travail même en pleine salve de tirs de missiles. En conséquence, les travailleurs à bas salaire de tous les secteurs ont du mal à joindre les deux bouts et disposent d’un faible pouvoir de négociation collective.   

Pour les travailleurs migrants et les Palestiniens, les risques sont aggravés : la menace d’expulsion ou de révocation du permis de séjour donne aux employeurs un moyen de pression important pour exploiter la main-d’œuvre. « Ces travailleurs peuvent se syndiquer », a déclaré Yaniv Bar Ilan, porte-parole du syndicat israélien Koach LaOvdim. « Mais comme ils se trouvent dans une position très précaire — [ils] ne peuvent pas se plaindre par crainte de représailles et ignorent souvent leurs droits —, les tentatives en ce sens restent limitées. »  

Alors que les droits du travail sont, sur le papier, les mêmes pour les travailleurs israéliens et les travailleurs migrants, « nous constatons des différences évidentes dans la manière dont les règles de sécurité et les protections sont mises en œuvre », a expliqué Yahel Kurlander, sociologue qui étudie la main-d’œuvre agricole migrante en Israël. En moyenne, les travailleurs migrants dans l’agriculture israélienne ne perçoivent qu’environ 70 % des salaires qui leur sont légalement dus.   

Ces disparités sont encore amplifiées en temps de guerre. L’accès aux abris anti-bombes et aux autres mesures de sécurité est souvent laissé à la discrétion des employeurs, malgré les risques accrus — en particulier dans l’agriculture, où le travail s’effectue fréquemment dans des zones frontalières instables. L’État a largement failli à son devoir de fournir une formation ou des conseils de base en matière de sécurité, laissant les travailleurs sans même une compréhension minimale des protocoles d’urgence.  

Les conséquences ont été catastrophiques. Lors des attaques du 7 octobre, 22 travailleurs thaïlandais ont été pris en otage et 32 ont été tués. Depuis le début de la guerre américano-israélienne contre l’Iran fin février, au moins trois travailleurs migrants ont été tués lors de frappes de missiles. Pourtant, le sort de ces travailleurs n’a suscité qu’un intérêt limité de la part du public, ce qui reflète leur statut au sein de la société israélienne : indispensables à l’économie, mais rendus invisibles.  

Deux ans et demi après le début de la guerre contre Gaza, « il n’y a toujours pas d’instructions pour les aides à domicile sur ce qu’il faut faire en cas d’alerte », a déclaré Kurlander. « Les migrants sont invités en Israël uniquement en tant que travailleurs, pas en tant qu’êtres humains. »   

« Cela pourrait se retourner contre eux »   

En Israël, à l’instar du système de la kafala utilisé dans les pays du Golfe, les visas (pour les migrants) et les permis (pour les Palestiniens) sont généralement liés à l’employeur du travailleur. Les travailleurs migrants se voient généralement délivrer des visas de cinq ans parrainés par leurs employeurs, qui sont légalement tenus de leur fournir un logement, de faciliter l’accès à des comptes bancaires et de leur garantir un temps de repos hebdomadaire suffisant. De plus, ils contractent souvent des emprunts pour financer leur déménagement, s’endettant ainsi de plusieurs milliers de dollars qu’il leur faudra des mois, voire des années, de salaire pour rembourser.   

Dans la pratique, cette dépendance rend les travailleurs extrêmement vulnérables — et même lorsque leurs droits sont formellement égaux à ceux des citoyens israéliens, leur application est inégale. Un rapport de 2014 publié par Kav LaOved a révélé que les travailleurs agricoles signalaient régulièrement être exposés à des pesticides sans protection ni formation adéquates, subir des retenues sur salaire, souffrir de la faim et vivre dans des logements impropres à l’habitation humaine. Les employeurs omettaient également fréquemment d’ouvrir des comptes bancaires pour les travailleurs, comme l’exige la loi.   

Sans intervention du gouvernement, ces abus sont devenus la nouvelle norme. Comme le souligne le rapport, « le secteur agricole israélien est devenu dépendant de salaires illégalement bas », avertissant que « l’application de la loi sans compensation d’une sorte ou d’une autre pour les agriculteurs pourrait causer un grave préjudice au secteur ». Ces violations représentent 500 millions de NIS de pertes annuelles pour les travailleurs.   

Les récentes dynamiques de guerre ont mis en évidence ce changement. Le meurtre de trois travailleurs migrants en Israël par des missiles iraniens lors de la dernière escalade s’ajoute à des pertes similaires dans les pays du Golfe, soulignant les parallèles entre le modèle de main-d’œuvre israélien et ceux d’économies plus dépendantes de la migration.   

Si les travailleurs migrants représentent une part plus faible de la main-d’œuvre israélienne — environ 7 à 15 %, contre 90 % aux Émirats arabes unis —, le système partage une caractéristique essentielle : la dépendance des travailleurs vis-à-vis de la volonté de leurs employeurs et de l’État. Cela rend les travailleurs facilement remplaçables, permettant des changements vastes et rapides sur le marché du travail — comme on l’a vu après le 7 octobre, lorsque la main-d’œuvre palestinienne a été rapidement réduite et remplacée par des travailleurs migrants.  

Il est toutefois encore trop tôt pour dire si cette exclusion des travailleurs palestiniens marque un changement durable. Tout comme Israël a rapidement remplacé la main-d’œuvre palestinienne par des travailleurs migrants, il pourrait choisir de faire l’inverse si les conditions politiques et économiques venaient à changer. « C’est un pendule », a déclaré Niezna. « Il pourrait revenir en arrière. »  

L’érosion des protections dont bénéficient les travailleurs ne s’est pas limitée aux migrants : sur l’ensemble du marché du travail, les travailleurs israéliens, palestiniens et étrangers à bas salaire ont vu leurs conditions se détériorer en raison de la déréglementation du travail migrant.   

Pourtant, alors même que leurs destins sont étroitement liés, le taux de chômage élevé et la précarité des conditions de vie ont compromis toute possibilité de solidarité interethnique. Dans des secteurs comme la construction et l’agriculture, les travailleurs palestiniens ont souvent été présentés comme des concurrents de la main-d’œuvre israélienne, tandis que les travailleurs migrants sont parfois décrits comme nuisant aux deux.  

Après la première Intifada, par exemple, la reprise des campagnes en faveur de la « main-d’œuvre hébraïque » — popularisées pour la première fois lors des premières vagues d’immigration sioniste en Palestine — a poussé les entreprises à éviter d’embaucher des travailleurs palestiniens, qu’elles considéraient comme responsables de la baisse des salaires et du remplacement des Israéliens. De tels discours occultent le rôle des politiques néolibérales d’Israël dans la baisse des salaires et des protections sociales, tout en alimentant facilement un discours populaire raciste qui fait des Palestiniens et des travailleurs migrants des boucs émissaires. 

« J’ai entendu certains qualifier les travailleurs migrants de "briseurs de grève" », a déclaré à +972 Matan Kaminer, professeur d’anthropologie au Royaume-Uni qui mène des recherches sur la main-d’œuvre migrante en Israël. Même s’ils ont été amenés pour remplacer les Palestiniens dans les emplois à bas salaire, il rejette cette formulation. « L’État israélien repose sur une idée de suprématie juive, et ces personnes sont utilisées à des fins politiques et économiques qui n’ont vraiment rien à voir avec ce qu’elles pensent elles-mêmes de la situation. »  

« Un imaginaire véritablement progressiste et décolonial envisage un avenir dans lequel toutes les personnes vivant dans le pays jouissent de droits égaux », a-t-il poursuivi. « Il va au-delà du nationalisme et même du binationalisme comme seule frontière possible. »

 

Traduction : AFPS

[Publié sur +972 Magazine - photo : Al-Jarmaq News - reproduit sur www.france-palestine.org]