quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Kenneth Maxwell: «Esta é sempre a minha recomendação: nunca subestimem os portugueses»

A primeira visita a Lisboa foi em 1964, em pleno salazarismo, e desde então Kenneth Maxwell tem estudado Portugal, escrevendo sobre o Marquês de Pombal ou o 25 de Abril, também sobre o Império Português. O Brasil é outro dos interesses do grande historiador britânico. Publicou agora mais três livros, entre eles 'Perspectives on Portuguese History'.

Escrito por Leonídio Paulo Ferreira

Acaba de publicar três novos livros. Um deles intitula-se Perspetivas sobre a História Portuguesa. Como é que um inglês se interessou por um pequeno país isolado pela ditadura salazarista na década de 1960?

O professor Sir Harry Hinsley incentivou-me a “olhar para sul”, mas eu precisava de aprender espanhol e português para isso. Estive seis meses em Madrid, na universidade local, e depois planeei seis meses em Lisboa. Tanto a Espanha como Portugal estavam muito isolados na época. Espanha, em consequência da ditadura de Franco após a Guerra Civil, e Portugal, sob o regime de Salazar. O livro sobre Perspetivas é em inglês e português, e começa com um ensaio escrito em outubro de 1964 com as minhas observações sobre Portugal uma década antes dos acontecimentos de 1974.

Recorda-se dessa sua primeira visita a Portugal?

Cheguei a Lisboa no comboio noturno Lusitânia Expresso, vindo de Madrid, em 1964. Pretendia aprender português, mas isso foi muito difícil porque ninguém falava comigo! Portugal era, na altura, muito mais fechado do que a Espanha, e o poder da PIDE e dos informadores estava em todo o lado. E um estudante inglês não era alguém com quem alguém quisesse conversar. Por fim, publiquei um anúncio no Diário de Notícias procurando uma troca de experiências com um estudante português, para ver se funcionava. E recebi então um convite inesperado para visitar a Fundação Gulbenkian, então em instalações temporárias, onde o Dr. Monteiro, diretor de serviços internacionais, me ofereceu apoio durante cinco meses na minha estadia em Portugal. O que foi muito bem-vindo, uma vez que estava praticamente sem dinheiro na altura e os ganhos como colunista de um jornal de província inglês rendiam-me apenas cinco libras e cinco xelins...

Salazar morreu em 1970, mas o regime sobreviveu até 1974. A Revolução foi uma surpresa para si enquanto historiador?

Não, não foi uma surpresa. Quando o general Spínola publicou o seu livro Portugal e o Futuro, pensei que algo de importante tinha acontecido. Eu estava no Instituto de Estudos Avançados de Princeton na altura, quando Robert Silvers, o editor da New York Review of Books, me enviou a Portugal para saber o que se passava, o que fiz. Passei algum tempo em Londres a caminho, analisando tudo. A cobertura da imprensa internacional sobre Portugal, presente na então maravilhosa coleção de recortes da Biblioteca de Londres, dada a conhecer por um amigo que era editor da revista The Economist. Em Lisboa, conheci muitas pessoas, e um dos meus amigos mais próximos, de 1964, era um oficial miliciano com base em Lisboa...

Também escreveu há alguns anos um livro sobre a construção da democracia portuguesa. Mário Soares foi decisivo no confronto com os comunistas e na obtenção do apoio dos Estados Unidos? Soares é o pai da nossa democracia?

É mais complexo. O papel fundamental em 1975 foi desempenhado por Frank Carlucci, que era o embaixador americano, e pelo seu adjunto, Herb Okun. Ambos falavam português e ambos tinham servido no Brasil. O seu papel, sobretudo o de Carlucci, foi absolutamente crucial para contrariar Henry Kissinger em Washington, que queria fazer de Portugal um exemplo de como impedir a propagação da ameaça comunista no sul da Europa. E o general Spínola conspirava para invadir Portugal pelo norte de Espanha, com o seu quartel-general em Salamanca. Mas, crucialmente, os EUA não o apoiaram e o próprio Brasil sob o comando do general Geisel também não o apoiou. E naquele momento, Mário Soares mostrou-se muito mais resiliente do que até os seus amigos esperavam. Mas o papel dos militares foi crucial, e especialmente o papel de Ramalho Eanes e Melo Antunes foi fundamental naquele momento.

Kenneth Maxwell tem ainda boas memórias da descoberta de Portugal em 1964, e guarda o anúncio que publicou no DN, o postal do Rossio enviado para a família, que depois o visitou. Entre os seus livros está 'A Construção da Democracia em Portugal'. Tem agora mais três livros e a História de Portugal, tal como a do Brasil, continuam entre os seus grandes interesses como historiador.

Outro livro lançado recentemente, Uma história de três cidades, fala sobre a reconstrução de Lisboa, Londres e Paris. O que se fez em Portugal após o terramoto de 1755 é um acontecimento raro na história?

Sim, foi. O papel de Pombal foi crucial. Detinha praticamente o poder absoluto após o terramoto e foi em grande parte responsável pela cidade planeada em que Lisboa se tornou depois, uma cidade muito ligada ao Iluminismo. E Pombal foi aconselhado sobre saúde pública por Ribeiro Sanches, um português cristão-novo exilado de Paris, que era consultor remunerado de Pombal (claro que Sebastião José de Carvalho e Melo só mais tarde ficou conhecido como Marquês de Pombal). Mas os planos para a nova Lisboa também foram feitos por engenheiros militares portugueses, e eram altamente utilitários, austeros e uniformes, o que provavelmente só um déspota esclarecido poderia ter imposto, ao contrário do que aconteceu em Londres após o grande incêndio. Embora a experiência de Pombal em Londres, quando era embaixador português, tenha sido também crucial. Assim como no seu período como representante português em Viena. Pombal expulsou também os jesuítas, o que levou a ações semelhantes em França e Espanha, e à supressão da ordem pelo papa. A imagem histórica de Pombal é ainda muito impactada por estas medidas: o seu ataque aos jesuítas e o seu ataque aos conspiradores aristocráticos que tentaram um regicídio contra o rei D. José. O livro está publicado em inglês, português e francês e nele conto que as ruas de Londres permanecem tal como eram antes do grande incêndio, quando foi negada a Christopher Wren a oportunidade de replanear a capital. Mas Lisboa e Paris permanecem como o Marquês de Pombal e Napoleão III e o Barão Haussmann as imaginaram, Lisboa reconstruída após o catastrófico terramoto de 1755, e Paris reconstruída entre a revolta revolucionária de 1848 e a catastrófica derrota de França por Bismarck e uma Prússia ressurgente e o cerco de Paris e os dias sangrentos da comuna de Paris.

Outra das suas áreas de interesse é o Brasil. Para compreender o Brasil, um país gigante até hoje, é essencial conhecer o impacto da transferência da corte para o Rio de Janeiro?

Sim. A transferência da corte portuguesa para o Brasil no final de 1807 e o seu estabelecimento no Rio em 1808, até ao início da década de 1820, explicam a continuidade e a preservação da integridade territorial do Brasil durante o período da independência. O meu livro mais recente, A globalização do século XVIII, foi publicado no meu 85.º aniversário e no 250.º ano da independência americana e relaciona a tradução dos documentos constitucionais americanos feita por Benjamin Franklin e a sua publicação em francês para encorajar a França a apoiar as colónias americanas na sua luta contra a Grã-Bretanha, e o papel de Thomas Jefferson, que, como enviado americano que sucedeu a Franklin em Paris, se encontrou secretamente em Nimes com um jovem estudante brasileiro da Universidade de Montpellier, que procurava apoio americano para uma revolta anticolonial no Brasil contra o domínio português. A revolta foi planeada em Minas Gerais para 1789, mas o plano foi denunciado e fracassou. Jefferson foi ambíguo na sua resposta, preferindo um acordo comercial com Portugal e o apoio naval português no Mediterrâneo contra os Estados da Barbária. É também uma história do livro Recueil des loix constitutives de colonies anglaises, confédérées sous la dénomination d’Etats-Unis, de 1778), que descobri na Biblioteca Newberry em Chicago quando eu era um Newberry-Gulkbenkian Fellow em 1968. Subsequentemente, o original Recueil dos conjurados Mineiros foi redescoberto e agora, depois de 1994, está no Museu da Inconfidência em Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil.

Depois de perder o Brasil no século XIX, Portugal construiu um império africano no século XX. Mesmo lutando em três frentes, Portugal era impotente, até por as colónias terem sido um importante teatro da competição da Guerra Fria entre os EUA e a URSS, sobretudo Angola?

Tanto Portugal como Angola tornaram-se, durante um período em meados da década de 70, o fulcro das tensões da Guerra Fria entre o Leste e o Oeste. Em Portugal, porém, a democracia ocidental triunfou, apesar de Kissinger, dos soviéticos e de Spínola, o que levou à incorporação de um Portugal democrático na Comunidade Europeia. Em África, porém, e em Angola em particular, a intervenção cubana foi crucial para a vitória do MPLA contra a intervenção armada clandestina apoiada pelos Estados Unidos e pela África do Sul, o que levou depois à queda do regime branco na Rodésia e na África do Sul. Estas foram consequências internacionais importantes.

Portugal celebrará 900 anos em 2043. Como vê a sobrevivência histórica de um país nascido da Reconquista e sem fronteiras naturais com Espanha? Deve-se muito à aliança com a Inglaterra?

É um quadro complexo. Certamente, o apoio inglês e, mais tarde, britânico, ajudou em momentos críticos. E recorde-se que, na década de 1640, foi a República Parlamentar Inglesa de Oliver Cromwell que assinou o tratado com o recém-independente Portugal, após o domínio espanhol. Mas Portugal acaba sempre por fazer a sua própria história. Esta é sempre a minha recomendação: nunca subestimem os portugueses.

Uma última questão, mais pessoal, ao historiador que conhece o país há seis décadas. Quando visita Portugal, do que mais gosta? Dos monumentos, das paisagens ou dum bom prato de bacalhau?

Bacalhau à Brás com um copo de vinho alvarinho.

 

[Foto: Carlos Manuel Martins/Global Imagens - fonte: www.dn.pt]


« Exiger la démission de Francesca Albanese, c’est sanctionner la pensée critique et ses droits »

Le 11 février 2026, Jean-Noël Barrot a réclamé la démission de la rapporteuse spéciale des Nations unies sur les droits humains dans les territoires palestiniens occupés pour des propos qu’elle n’a jamais tenus. Le ministre a repris à son compte une accusation fabriquée par la députée macroniste Caroline Yadan sur la base d’une vidéo tronquée. L’historienne Sophie Bessis et l’essayiste Dominique Eddé dénoncent une politique étrangère française sans boussole, qui choisit de s’en prendre à Francesca Albanese tandis qu’elle se tait sur la guerre génocidaire menée contre Gaza et sur les violations quotidiennes du cessez-le-feu au Liban. 

Bogotá, 16 juillet 2025. Francesca Albanese à la Conférence d’urgence sur la Palestine, organisée sous l’égide de la Colombie et de l’Afrique du Sud.

Écrit par Sophie Bessis et Dominique Eddé

De Kaboul, où les filles sont interdites d’école et les femmes vêtues de prisons ambulantes, jusqu’à l’île d’Epstein, paradis pour pédocriminels, où des célébrités en tous genres ont abusé et avili, une décennie après l’autre, des fillettes et des femmes importées de tous les coins du monde, il n’est plus une parcelle de la planète qui ne soit envahie par la boue. La « révolution » iranienne qui, en 1979, se revendiquait entre autres du combat contre l’arrogance occidentale, promettant à son peuple de le restaurer dans ses droits, a battu des records dans l’écrasement de sa population et la négation de ces droits eux-mêmes.

Partout, la figure de la tenaille est à son comble. L’ennemi du dedans et celui du dehors en activent chacun un manche, confisquent des milliards de destins au prétexte d’en décider. Gangrenés l’un et l’autre par le règne du mensonge et de la voracité, l’Occident et l’Orient ne dialoguent plus désormais qu’à travers la logique obscène du plus fort, du plus riche, du plus offrant. Alors qu’au Soudan les Émirats arabes unis poursuivent leur aide multiforme à une entreprise génocidaire, l’armée israélienne achève la sienne en Palestine, brisant les dernières poches de vie à Gaza et annexant la Cisjordanie. Que proposent, que font pendant ce temps les gouvernants des pays qui se réclament encore de la démocratie face à ce raz-de-marée ? Que fait la France ?

Une diplomatie sans colonne vertébrale

S’agissant d’Israël et de la Palestine, sa politique étrangère est devenue illisible. Elle n’a plus de colonne vertébrale. Après avoir soutenu l’extension aux Palestiniens de Pause, le programme d’accueil en urgence des scientifiques et artistes en exil créé en 2017 à l’initiative du Collège de France, elle décide brusquement, à l’été 2025, de le bloquer, au prétexte du tweet antisémite d’une Gazaouie qui ne figurait même pas parmi les lauréats. Alors qu’elle a reconnu il y a quelques mois l’État palestinien, La France réclame aujourd’hui, par la voix de son ministre des affaires étrangères, Jean-Noël Barrot, la démission – rien que cela - de la rapporteuse spéciale des Nations unies pour les territoires palestiniens occupés, Francesca Albanese. 

Pourquoi ? Parce que Caroline Yadan, députée des Français de l’étranger et avocate passionnée de l’extrême droite israélienne, ne supporte pas que les Palestiniens, si mal défendus par leurs représentants politiques, le soient si bien par une voix étrangère et libre. C’est assez logique. On peut la comprendre. Mais pourquoi a-t-il suffi que Caroline Yadan déforme les propos de Francesca Albanese, selon la méthode éhontée d’un Donald Trump ou d’un Benyamin Nétanyahou - pour que Jean-Noël Barrot lui emboîte le pas ?

C’est la même qui a qualifié la reconnaissance de l’État de Palestine par le président Macron de « faute politique, morale, et historique ». La même qui a déposé à l’Assemblée nationale une proposition de loi qui, au prétexte de lutter contre l’antisémitisme, entend avaliser la loi israélienne de 2018 désignant Israël comme « L’État-nation du peuple juif » et de lui seul. Toute personne contestant ce fait - nous en sommes - pourrait être poursuivie en justice si cette loi était adoptée. Cent vingt personnalités françaises ont cosigné cette proposition. Parmi elles, l’ex-chef de l’État François Hollande, dont nous attendons de savoir s’il souhaite également la démission de Francesca Albanese. Les tentatives de clarification avancées par le Quai d’Orsay n’ont rien changé quant au fond. La France, par la voix de son ministre, persiste à réclamer la tête de Francesca Albanese1.

On peut ne pas adhérer à telle ou telle formulation des propos de cette dernière, mais de quel droit les défigure-t-on ? Elle a reconnu avoir manqué de réflexe en ne se retirant pas d’une réunion à laquelle assistait, sans qu’elle en soit prévenue, l’un des dirigeants du Hamas Khaled Mechaal. Qu’est-ce que cette erreur, de surcroît reconnue, face à l’incroyable complaisance d’une majorité d’États européens envers le gouvernement israélien ?

Rappelons au passage que la France, co-garante du cessez-le-feu au Liban, ne dit pas un mot contre les violations quasi quotidiennes dont il est l’objet. Tandis que nous assistons, dans une indifférence à peu près générale, à l’application de la phase terminale d’un plan d’effacement des Palestiniens de leur terre, la France ne trouve-t-elle rien de mieux à faire que de s’en prendre à une femme insurgée contre cette infamie ? Rien de mieux que d’entraîner l’Allemagne et l’Autriche dans son sillage ?

Contre le silence et l’impunité

Bien des esprits réduits au silence, épouvantés par l’impunité dont jouit la politique israélienne, se sont sentis entendus et compris par Francesca Albanese comme par le secrétaire général de l’ONU António Guterres. Faut-il que les derniers recoins onusiens de courage soient interdits à l’heure où Nétanyahou et Trump liquident l’Office de secours et de travaux des Nations unies pour les réfugiés de Palestine dans le Proche-Orient (UNRWA) et où le second ambitionne de mettre fin à l’existence même des Nations unies ?

 

Ce sont ces voix, au même titre que les très nombreuses voix dissidentes parmi les juifs de par le monde, qui permettent à la raison de tenir encore tête à la folie générale. Ils ne se comptent pas, heureusement, ceux qui rament contre le règne actuel de l’inconcevable, contre une dégradation planétaire de la santé mentale. Faut-il leur porter secours ou les sommer de disparaître ?

 

Exiger la démission de Francesca Albanese revient à vouloir sanctionner la pensée critique et ses droits. C’est en outre fouler aux pieds le legs inestimable de la pensée juive moderne. Car qui de Franz Kafka à Hannah Arendt, Erich Auerbach, Walter Benjamin, Canetti, Freud ou Einstein, aurait avalisé une telle réclamation ? L’entériner, c’est déposséder les sans-voix du peu de recours qui leur reste. C’est favoriser la haine au prétexte de la combattre. C’est confier le train de l’avenir à des rails qui vont dans le mur. Nous attendions mieux de la diplomatie française.

[Photo officielle de la présidence colombienne - source : www.orientxxi.info]

Causir l’occitan dins los estudis universitaris

L’ÒPLO encoratja los estudiants a aprene l’occitan tre la primièra annada après lo bachelierat


Lo portal Parcours Sup, dobèrt fins al 12 de març, marca cada an l’intrada dins lo periòde de causida universitària pels liceans de l’estat francés. Dins aquel encastre, l’Ofici Public de la Lenga Occitana (ÒPLO) encoratja los estudiants a aprene l’occitan tre la primièra annada après lo bachelierat dins qualques universitats. 

L’organisme ramenta que, al mièg de l’amplor de formacions existentas, l’occitan demòra una opcion reala dins l’ensenhament superior, particularament dins las regions mai occidentalas del país, çò es la Nòva Aquitània e en region dicha Occitània. Las formacions son accessiblas jos divèrsas formas: licéncias completas, diplòmas universitaris o unitats d’ensenhament integradas dins d’autres percorses.  

A Bordèu, Montpelhièr, Pau o Tolosa, los estudiants pòdon causir d’estudis especificament dedicats a la lenga e cultura occitanas o integrar l’occitan coma competéncia complementària. Segon l’ÒPLO, aquela competéncia lingüistica es fòrça demandada dins l’ensenhament, ont los besonhs de professors son importants, mas pòt tanben constituir un avantatge dins de sectors coma lo torisme, la formacion professionala, l’audiovisual o la comunicacion.   

L’organisme encoratja los parents e los liceans a considerar aquela possibilitat e a s’informar sus las diferentas ofèrtas abans la tampadura de las inscripcions. Per l’ÒPLO, causir l’occitan dins l’ensenhament superior permet non solament d’aquerir una competéncia lingüistica suplementària, mas tanben de participar a la transmission e la valorizacion de la lenga istorica del territòri.

[Imatge: Marcela - sorsa: www.jornalet.com]

O Goberno aclara que non esixirá coñecer galego, catalán ou eúscaro na regularización extraordinaria de migrantes

O borrador do Real Decreto contempla a aprendizaxe das linguas oficiais só en prórrogas posteriores e baixo determinadas condicións

Goberno central confirmou este venres que o coñecemento do galego, do catalán ou do eúscaro non será un requisito para acceder á autorización inicial de residencia e traballo no marco da regularización extraordinaria de migrantes que prepara e que podería beneficiar a máis de medio millón de persoas.  

Desde o Ministerio de Inclusión, Seguridade Social e Migracións subliñaron que o texto en tramitación "en ningún caso inclúe a obrigatoriedade de coñecer ningunha lingua oficial para recibir a autorización inicial de residencia e traballo", ao tempo que lembraron que o borrador aínda non é definitivo.   

Segundo o documento sometido a audiencia pública, a aprendizaxe das linguas oficiais poderá ser tida en conta en fases posteriores, especialmente no momento de solicitar unha prórroga da autorización ao cabo dun ano.  

O borrador establece que, de maneira excepcional, se unha persoa non pode modificar a súa autorización conforme ao Regulamento de Estranxeiría, poderá prorrogala se acredita estar en procura activa de emprego e inscrita no servizo público correspondente ou se achega un informe de esforzo de integración emitido pola comunidade autónoma de residencia.  

Nese contexto, o texto recolle que o informe favorable poderá certificar, entre outros aspectos, "a aprendizaxe das linguas oficiais do lugar de residencia". Este requisito non será aplicable a persoas con enfermidade grave, discapacidade ou en idade de xubilación.  

Fontes ministeriais explicaron que, ademais das opcións de arraigamento previstas na normativa vixente —como o arraigamento por formación ou por emprego—, tamén podería concederse unha prórroga alternativa cun informe favorable dos servizos sociais autonómicos, sempre que se manteñan as condicións que deron dereito á regularización extraordinaria. Segundo sinalaron, esta previsión é "coherente" co que xa establece a lexislación de estranxeiría para outras autorizacións.  

A regularización extraordinaria foi pactada con Podemos para trasladar a un real decreto a Iniciativa Lexislativa Popular que permanece en tramitación no Congreso. O primeiro borrador recibiu arredor de 350 consultas e propostas durante o período de audiencia pública. O texto deberá ser ditaminado polo Consello de Estado e polo Fondo para a Integración Social dos Inmigrantes antes da súa aprobación polo Consello de Ministros.  

No ámbito político, Esquerra Republicana de Catalunya (ERC) asegurou que durante a negociación logrou incorporar ao texto a consideración do coñecemento e uso do catalán, así como doutras linguas oficiais distintas do castelán, como supostos válidos para acreditar o arraigamento na revisión posterior á autorización inicial. O deputado Jordi Salvador afirmou que "aprender catalán non é un trámite, é integración real", e defendeu que recoñecer este criterio supón incorporar unha dimensión social ao concepto de arraigamento.  

Con anterioridade, tanto a Generalitat de Catalunya como o Goberno Vasco presentaran alegacións para que o catalán e o eúscaro fosen tidos en conta na renovación dos permisos de residencia. A proposta catalá contemplaba que as persoas regularizadas dispuxesen dun ano, ata a primeira renovación, para iniciar a aprendizaxe das linguas oficiais, deixando en mans de cada comunidade autónoma a forma de acreditar eses coñecementos. Pola súa banda, o Executivo vasco defendeu que valorar o eúscaro contribuiría a unha maior integración e cohesión social.   

CONTROL DE ANTECEDENTES E INFORME POLICIAL   

O novo borrador tamén incorpora a obrigatoriedade de comprobar, mediante informe policial solicitado de oficio, que as persoas solicitantes non supoñen unha ameaza para a orde pública, a seguridade pública ou a saúde pública. Esta verificación aplicarase ás solicitudes de residencia temporal por arraigamento, tanto por situación de protección internacional previa como por arraigamento extraordinario.   

En relación cos antecedentes penais, o texto especifica que, no caso de que se aceptase inicialmente unha declaración responsable e posteriormente se recibise un certificado positivo fóra de prazo, revisarase a autorización concedida.   

As persoas solicitantes poderán residir e traballar provisionalmente desde o momento da presentación da solicitude. Ademais, os menores ou dependentes integrantes da unidade familiar contarán cunha autorización con protección reforzada. O prazo para presentar solicitudes estenderase ata o 30 de xuño de 2026.   

O borrador tamén prevé que as solicitudes de protección internacional presentadas antes da entrada en vigor da norma poidan resolverse favorablemente, sempre que se acredite a ausencia de antecedentes e que non exista risco para a seguridade ou a saúde pública, circunstancia que tamén será avaliada mediante o correspondente informe policial.


[Imaxe: Foro galego de inmigración / EP - fonte: www.galiciaconfidencial.com]

Le plan de régularisation massif de l’Espagne pourrait finalement concerner près d’1 million de sans-papiers

Le gouvernement espagnol de Pedro Sánchez s’apprête à lancer une régularisation exceptionnelle des étrangers en situation irrégulière présents sur son territoire. Officiellement, l’exécutif évoque « environ 500 000 » bénéficiaires potentiels, principalement originaires d’Amérique latine. 

Le Premier ministre espagnol Pedro Sanchez prononce un discours lors de la 62e Conférence sur la sécurité de Munich (MSC) le 14 février 2026 à Munich, dans le sud de l'Allemagne.

Écrit par Léandre Genet 

Plusieurs travaux d’experts et documents internes estiment que le volume réel pourrait approcher le million de personnes, soit presque le double du chiffre avancé par Madrid.

La fondation espagnole FUNCAS évoque à elle seule 840.000 sans‑papiers potentiellement éligibles, tandis qu’un rapport de la police nationale évoque un scénario compris entre 1 et 1,35 million de régularisations possibles selon Le Figaro.

Une régularisation par décret, à contre‑courant de l’Europe

Le Conseil des ministres a validé un projet de décret‑loi permettant de contourner les blocages parlementaires qui freinaient jusqu’ici une initiative législative populaire en faveur de la régularisation. L’initiative citoyenne, portée par la plateforme « Regularización Ya », demandait déjà la légalisation d’environ 500.000 personnes, après avoir recueilli plus de 700.000 signatures.

Le décret prévoit que pourront déposer une demande les étrangers en situation irrégulière justifiant d’une présence en Espagne avant le 31 décembre 2025, d’une résidence continue d’au moins cinq mois et de l’absence de casier judiciaire. Les titulaires d’une demande d’asile introduite avant cette date seront également éligibles, de même que leurs enfants à charge.

Les bénéficiaires obtiendront un titre de séjour et de travail d’un an, renouvelable ensuite dans le cadre du droit commun, avec un examen accéléré des dossiers entre avril et fin juin 2026. Le simple dépôt de la demande suspendra les procédures d’éloignement en cours.

FUNCAS et la police prévoient jusqu’à 1 million de bénéficiaires

Si le gouvernement continue de communiquer sur un « demi‑million » de bénéficiaires, les estimations techniques convergent vers des ordres de grandeur plus élevés. Dans une étude publiée en janvier, la fondation FUNCAS estime à près de 840.000 le nombre de personnes remplissant les critères de la régularisation, rappelant que la population de sans‑papiers a été multipliée par huit en neuf ans.

Un rapport de 29 pages du Centre national d’information (CNIF) de la police nationale, cité par la presse espagnole, évoque pour sa part une fourchette de 1 à 1,35 million de régularisations possibles. Les forces de l’ordre additionnent, d’une part, 750.000 à 1 million d’étrangers en situation irrégulière déjà présents sur le territoire, et, d’autre part, 250.000 à 350.000 demandeurs d’asile pouvant changer de statut grâce au décret.

Les syndicats policiers alertent sur un risque « d’appel d’air » et sur la pression supplémentaire que cette mesure pourrait exercer sur les frontières et les dispositifs d’accueil. À l’inverse, plusieurs économistes mettent en avant la possibilité de faire sortir de l’ombre une main‑d’œuvre déjà indispensable à certains secteurs, du bâtiment à l’aide à la personne.

Objectif affiché : intégrer une main‑d’œuvre déjà présente

Pour l’exécutif, cette régularisation vise d’abord à aligner la réalité administrative sur la réalité économique. Les migrants sans papiers concernés sont déjà insérés dans le marché du travail informel et contribuent, selon le gouvernement, à soutenir une croissance qui reste fragile, notamment dans les services.

La ministre des Migrations, Elma Saiz, insiste sur un « impératif moral et une nécessité économique », en rappelant que ces personnes vivent en Espagne « depuis des années » sans accès normalisé aux droits sociaux et à la protection du travail. Elle souligne que la régularisation doit aussi permettre d’augmenter les recettes fiscales et de cotisations, en limitant la concurrence déloyale entre employeurs.

Cette opération s’inscrit dans une tradition espagnole de régularisations massives : depuis 1986, plusieurs programmes ont déjà permis à environ un million de personnes d’obtenir des papiers, dont la moitié lors de la grande régularisation de 2005. Reste à savoir si, cette fois, l’ampleur potentielle – jusqu’à 1 million de sans‑papiers régularisés – ne ravivera pas les clivages politiques au sein d’une Europe déjà traversée par de fortes tensions sur la question migratoire.

 

[Photo: THOMAS KIENZLE / AFP via Getty Images - source : www.epochtimes.fr]

Carta desde Ciudad de México: blues de la gentrificación

Las ciudades, escribió Calvino, se forman y se desvanecen continuamente. A veces por necesidad, a veces en nombre del turismo. 


Escrito por Emilio Rivaud Delgado

En 2025, 60.5 millones de turistas visitaron la Ciudad de México. Muchos de ellos pasaron por la colonia Condesa o por su vecina la Roma, porque hay restaurantes y bares de renombre, hoteles y alojamientos temporales, calles arboladas y arquitectura instagrameable.

Muchos no se limitaron a pasar por ahí: desde la pandemia de covid-19, la zona se ha llenado de los llamados “nómadas digitales”, que encontraron en el trabajo a distancia, el tipo de cambio favorable y las escasas restricciones sanitarias una combinación perfecta para ejercer el wanderlust. Como ha pasado en otras ciudades del planeta, los dueños de casas y departamentos vieron en esta demanda una oportunidad de negocio (30% de las viviendas en renta en la Ciudad de México están destinadas a alojamientos de corta estancia) y los alquileres en la Roma-Condesa y otras áreas céntricas subieron. Hubo negocios que cerraron y mucha gente tuvo que moverse. En julio del año pasado, varias marchas contra la gentrificación recorrieron las calles de la Condesa. El gobierno local prometió tomar medidas y hasta la fecha todo sigue igual.

Una víctima reciente de la gentrificación fue la Fonda Garufa, que a inicios de enero cerró su sucursal en la Condesa. La Garufa es un restaurante argentino famoso por su rosca de Reyes, que tuvo un lugar importante en la historia de la colonia. A principios de los años 90, la Condesa era un rumbo de clase media, que había perdido habitantes y atractivo luego del sismo de 1985. Tenía sus tiendas de abarrotes, zapaterías, vulcanizadoras y unos pocos lugares para comer que llevaban mucho tiempo y, en algunos casos, siguen ahí: el Sep’s, la cantina Xel-Ha, la Nevería Roxy. La Garufa, abierto en 1992, fue el primero de una nueva ola de restaurantes que pusieron mesas en las aceras, acid jazz en sus bocinas y exposiciones de foto y pintura en sus muros. Atrajeron a la colonia a artistas, escritores, bohemios bien vestidos y jóvenes de otras colonias que queríamos ver cómo era aquello. Empezó a convertirse, en palabras de Sergio González Rodríguez, en “un sitio que muchos optimistas comenzaban a asociar con la imagen del Soho neoyorquino”.

Muchos de los dueños y empleados de los restaurantes eran vecinos de la Condesa y vieron en todo aquello un cambio positivo, un movimiento cultural, una reinvención urbana que también pintaba para ser un buen negocio. Otros vecinos lo vieron como una amenaza a su tranquilidad y a los valores de sus propiedades. En los primeros años, la disputa se centró en las banquetas, que poco a poco eran ocupadas por las mesas de los restaurantes. Guillermo Osorno escribió una buena crónica sobre aquellos años, recomendable para quien quiera enterarse de los pormenores. En ella, dice que “fue el inicio de una batalla por dos conceptos de ciudad, cuyo resultado definió los fenómenos que vivimos ahora”, entre ellos, claro, la gentrificación.

Desde luego, la batalla no ha terminado y ha tenido consecuencias mixtas. Como temían los vecinos que no querían cambios, la Condesa, y luego la Roma, se llenaron de restaurantes, bares, oficinas, ruido, airbnbs, crimen y tráfico. Al mismo tiempo, se convirtieron en colonias donde la gente deseaba vivir, lo cual, supongo, benefició al menos a los propietarios de inmuebles. Los restauranteros lograron convertir al barrio en un lugar de moda, un referente gastronómico y cultural, aunque la mayoría terminaran siendo desplazados por las rentas altas y la clientela cambiante. En el camino, aquella Condesa de finales los 90 e inicios de los dos miles dejó de existir.

Muchas lecciones se pueden extraer de esta historia, aquí muy resumida. Los barrios exitosos acaban por devorarse a sí mismos. El negocio inmobiliario es voraz. La vivienda es inaccesible para mucha gente, y los airbnbs complican el problema. El cosmopolitismo vive horas bajas. Pero este no es un texto sobre gentrificación.

En su Ciudades invisibles, ese catálogo de ciudades inventadas, Italo Calvino habla de Maurilia, donde “se invita al viajero a visitar la ciudad y al mismo tiempo a observar viejas tarjetas postales que la representan como era”.

Las ciudades cambian. Una casa de los años 40, enredaderas en la fachada y molduras art decó, es demolida. En su lugar alguien pone un edificio idéntico a todos los de la cuadra: concreto expuesto, pérgolas de madera de teka en las azoteas. Lo llaman densificación –que se supone benéfica, porque concentra mayor población en zonas donde hay más servicios– y también especulación inmobiliaria.

Es inevitable ponerse nostálgico ante estos procesos. Sigue Calvino diciendo que quien conoce Maurilia, “para no decepcionar a los habitantes […] elogia la ciudad de las postales y la prefiere a la presente […], reconociendo que la magnificencia y prosperidad de Maurilia convertida en metrópoli, comparada con la vieja Maurilia provinciana, no compensan cierta gracia perdida”.

Hace poco fui a la Covadonga, una cantina en la colonia Roma que se puso de moda hacia 2007. Recientemente sus propietarios decidieron remozarla. Pintaron las paredes, pusieron luces muy potentes y cambiaron unos murales de mosaico con postales de La Habana bastante feos, pero que llevaban varios años, por cuadros de aspecto más contemporáneo, que no son menos feos. No es una transformación radical, y da gusto saber que, antes que cerrar o convertirse en otra taquería Dua Lipa, la Covadonga decidió renovarse. A la vez, me es inevitable pensar que, sin esa atmósfera decadente que acompaña a las cantinas que se respetan, con sus pisos nuevos y su resplandor de LED, será más atractiva para el turismo que, en este año mundialista, se espera que se multiplique. Y eventualmente desaparecerá.

Las ciudades cambian por la mala planeación, la injusticia, la corrupción o los desastres naturales, y también por necesidades o buenas intenciones. Evidentemente, Italo Calvino no debe ser tomado como referente al diseñar políticas de vivienda. Pero vale la pena reconocer, con él, la existencia de “ciudades felices que cobran forma y se desvanecen continuamente”. Puede uno, por cortesía, aferrarse a las tarjetas postales que las muestran como fueron. Pero solo por un tiempo. ~

 

[Fuente: www.letraslibres.com]

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Descobrir Tolstoi

L’editorial Eclecta publica ‘Vida de Tolstoi. Un assaig de lectura’ d’Andrei Zorin, traduïda al català per Arnau Barios 

El llaurador (1887), Iliá Repin   

Escrit per Alba Mallada 

El gènere de la biografia no deixa ningú indiferent. Per a alguns lectors és una porta privilegiada a vides extraordinàries. Per a d’altres, un exercici feixuc, massa lligat al detall i a la cronologia. Aquesta polarització explica per què les biografies poden despertar tant entusiasme com desinterès: tot depèn de com s’expliqui una vida. Quan la narració es limita a enumerar fets, el resultat pot ser previsible. Però, quan sap convertir l’experiència vital en relat, la biografia es transforma en una lectura tan absorbent com una novel·la. És en aquest segon grup on s’inscriu la biografia de Tolstoi que tenim al davant. Escrita amb un estil viu i suggeridor, que recorda les millors i més divertides biografies de Stefan Zweig, el llibre atrapa el lector des de les primeres pàgines. La vida de Tolstoi hi apareix com un relat ple de contradiccions, passions i conflictes interiors, i el personatge —tan excessiu, tan brillant, tan humà— acaba sent encara més fascinant que la seva obra. Llegir aquesta biografia no és només conèixer un escriptor, sinó deixar-se arrossegar per una història que enganxa. 

Andrei Zorin desplega a Vida de Tolstoi. Un assaig de lectura (Eclecta) una lucidesa narrativa que fa de la biografia una lectura inesperadament addictiva. El llibre no avança com una cronologia freda, sinó com una novel·la plena de cambres interiors: el jove aristòcrata, el soldat, l’escriptor celebrat, el pare turmentat, el moralista, el profeta, el vell que fuig. Són molts Tolstois, i el lector els va trobant com qui travessa un bosc on cada clariana obre un paisatge diferent. La prosa de Zorin té aquesta qualitat rara: és amena sense ser lleugera, rigorosa sense ser feixuga. Tot està sostingut per una documentació íntima —correspondència, diaris, confessions—, i encara més pel fet extraordinari que Tolstoi i la seva dona escrivien diaris personals que després llegien mútuament. La vida, literalment, es convertia en text. Potser per això aquesta biografia té alguna cosa de mirall infinit: la literatura i l’existència s’hi reflecteixen constantment, com si fos impossible separar-les del tot. 

Arribats a cert punt, quan Tolstoi ja ha escrit les grans novel·les, Zorin comença a barrejar biografia i obra amb una naturalitat preciosa. Els triangles amorosos, les crisis espirituals, els cops de mort: tot circula entre la ficció i la vida. La mort, sobretot, apareix com una presència persistent, gairebé com un personatge. I Zorin ens recorda de nou les reminiscències d’aquestes temàtiques en la mateixa vida de l’escriptor. Res no és aleatori. “La mort rondava Tolstoi”, escriu Zorin, “mentre redactava una novel·la que s’obre amb un home aixafat per un tren i es tanca amb el suïcidi d’Anna”. És difícil no sentir que, en Tolstoi, la literatura no és mai evasió, sinó una forma d’encarar el que és inevitable. És potser una manera d’enfrontar allò que viu. Ja cap el final de la seva biografia, ho diu directament: “Li quedava una sola manera de plantar cara a la tristesa: escriure”.

I alhora, llegir la seva vida és també entrar en un segle XIX rus convuls, en un país que es transforma profundament, en una cultura que encara arrossega el pes del feudalisme i de la tradició ortodoxa, però que està a punt d’esclatar en modernitat. Tolstoi és un esperit completament històric: no observa el seu temps des de la distància, sinó que s’hi implica amb el cos. És l’encarnació del dasein de Heidegger, aquest ésser en el món i existir amb el pes de la història com a condició absoluta. Va anar a la guerra, va conèixer de primera mà la violència i el desordre del món; va néixer terratinent i aristòcrata, però amb els anys intentà abandonar els privilegis de classe fins al punt de voler viure com un pagès, treballant la terra, buscant una autenticitat radical. Va fundar escoles per als fills dels camperols, va escriure sobre educació, sobre justícia social, sobre la vida real de la Rússia profunda. La seva biografia es converteix així en una porta d’entrada a la Rússia de finals del XIX, a les seves tensions i esperances, a la seva censura, a les seves premonicions de canvi.   

Retrat de Lev Tolstoi (1887), Iliá Repin

Zorin evoca meravellosament aquell moment de tensió literària, quan escriure era gairebé un acte de tossuderia política. Explica com un membre del comitè de censura es preguntava, sorprès: “Digui’m: tots aquests, com és que perden el temps escrivint? Per què s’hi escarrassen? Ja saben prou que no deixarem passar res”. I tanmateix, afegeix Zorin, “els escriptors i els lectors sabien que valia la pena escarrassar-s’hi. Suraven en l’aire premonicions de canvis”. Aquesta frase conté tota una època: la literatura com a necessitat vital, com a respiració col·lectiva.  

No és estrany que Tolstoi fos ja en vida una figura gairebé mítica. No parlem només d’un novel·lista admirat, sinó d’un home que es convertí en una autèntica consciència pública del seu temps: els seus llibres circulaven amb una força immediata, els intel·lectuals en parlaven, els escriptors el llegien com qui llegeix un oracle, i el seu nom era conegut molt més enllà dels cercles literaris. Tolstoi era una presència viva en la Rússia del segle XIX, un autor que escrivia i, al mateix temps, intervenia en la vida moral i política del país. La literatura no era per a ell un refugi, sinó un espai on es decidien coses essencials. Potser per això la seva obra es llegia amb una expectativa gairebé col·lectiva, com si en cada llibre hi hagués alguna cosa més que ficció. Txèkhov ho va dir amb una admiració neta i definitiva: “La seva obra justifica totes les esperances que posem en la literatura”.

A mesura que avança la vida, la recerca espiritual es torna més urgent, més radical, i sempre travessada per una ombra persistent: la mort. Tolstoi és un personatge marcat des de l’inici per la pèrdua —la mort de la mare, la mort del pare—, com si el món se li hagués obert ja amb una ferida inaugural. I aquesta presència no l’abandona mai: morts familiars, morts properes, morts que s’acumulen al seu voltant mentre escriu. La mort no és un tema literari, sinó una obsessió existencial, una pregunta que el persegueix i que acaba convertint-se en motor espiritual. En els seus últims anys, la seva vida sembla empesa per una necessitat de salvació que no és decorativa, sinó desesperada… 

Llegir aquesta biografia és entendre que la figura de Tolstoi desborda la seva obra. És una veu amb carisma, amb gravetat, amb una màgia estranya que travessa el temps. Potser, com suggereix Zorin, el secret no es pot reduir a cap fórmula: cal buscar-lo “en la màgia de la veu, en la serietat existencial de la seva retòrica, en el carisma i, també, en el moment històric”. I és aquí on aquesta biografia es converteix en una invitació preciosa. Perquè aquest no és només un llibre sobre un geni literari: és un llibre sobre la vida com a problema, sobre la mort com a pregunta, sobre la literatura com a destí. Un assaig que es llegeix com una novel·la, i una biografia que, en realitat, és un retrat d’allò que passa quan un home intenta viure a l’alçada de la veritat. Tolstoi, al capdavall, no cap dins dels seus llibres. I potser per això encara ens fascina: perquè en ell la literatura no és el final, sinó el començament.

 

[Font: www.nuvol.com]