terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Dois ex-advogados de Pinochet vão ser ministros no governo de Kast

Novo presidente chileno, que toma posse a 11 de março, escolheu Fernando Rabat para a Justiça e Direitos Humanos, para desagrado das famílias das vítimas da ditadura. Fernando Barros fica na Defesa. 

Muitos independentes no governo de Kast, que toma posse a 11 de março.

Escrito por Susana Salvador

 

Entre os muitos técnicos e independentes que o chileno José Antonio Kast nomeou para o seu governo, que toma posse a 11 de março, há dois nomes que chamaram a atenção: Fernando Rabat e Fernando Barros. Os dois foram advogados do ex-ditador Augusto Pinochet, sendo que o primeiro vai assumir a pasta da Justiça e Direitos Humanos, o que já gerou críticas da parte das associações de famílias de desaparecidos e vítimas. O segundo será ministro da Defesa. 

"Este gabinete não nasceu de quotas, cálculos ou pressões. Nasceu de uma profunda convicção e de uma vocação partilhada: colocar sempre o Chile em primeiro lugar", disse o ultraconservador de 59 anos, que derrotou a candidata de esquerda Jeanette Jara na segunda volta das presidenciais chilenas, a 14 de dezembro. 

"O Chile precisa de bom-senso, sentido de urgência e, acima de tudo, de união nacional. Todos somos chamados a algo que vai muito para além das disputas políticas", acrescentou, na apresentação do executivo. 

O seu governo terá ex-ministros da direita e da esquerda, mas a maioria dos escolhidos são técnicos e independentes. 

Entre os independentes houve contudo dois que geraram polémica: Fernando Rabat e Fernando Barros. Em comum têm não só o primeiro nome, mas o facto de terem sido advogados de Pinochet, que esteve à frente dos destinos do Chile após o golpe de 1973 e até 1990.  

Fernando Rabat - Justiça  

Fernando Rabat e Kast

Fernando Rabat, de 53 anos, estreia-se no governo depois de deixar o escritório privado onde trabalha há décadas -- e no qual foi sócio do falecido Pablo Rodríguez Grez, que fundou o Pátria e Liberdade (movimento de extrema-direita que cometeu atentados contra Salvador Allende).  

Formado na Faculdade de Direito da Universidade dos Andes e especialista em direito civil, sendo professor na Universidade do Desenvolvimento, Rabat integrou ainda jovem a equipa que defendeu Pinochet.  

Esteve envolvido no Caso Riggs (referente às contas bancárias secretas nos EUA, para onde terá desviado mais de 21 milhões de dólares em fundos públicos) e no caso da Operação Colombo (desenvolvida pela polícia secreta DINA para encobrir o desaparecimento de 119 opositores).  

Pinochet morreu em 2006, sem ter sido condenado.  

A nomeação de Rabat foi criticada pela Associação de Familiares de Detidos e Desaparecidos, que indicou que "constitui uma ofensa direta à memória das vítimas da ditadura e das suas famílias". Esta nomeação "reafirma um historial de apologia da ditadura e um compromisso com a impunidade", acrescentaram.  

Kast é o primeiro presidente da era democrática a ter apoiado o regime militar, embora tenha evitado abordar o assunto durante a sua terceira tentativa de chegar ao palácio La Moneda.  

A possibilidade de, durante o seu mandato, poder conceder indultos a quem violou os direitos humanos, cortar verbas para a manutenção de monumentos às vítimas e interromper a busca de desaparecidos está entre as preocupações da futura oposição.   

Fernando Barros - Defesa   

Fernando Barros

O presidente escolheu outro advogado, um dos maiores especialistas em direito tributário, para a pasta da Defesa. Fernando Barros, de 68 anos, é apelidado pelo jornal chileno La Tercera como "o escudeiro" de Pinochet, tendo defendido o antigo ditador no seu processo em Londres por crimes contra a humanidade, incluindo acusações de genocídio e tortura.   

Barros, que estudou Direito na Universidade do Chile e se especializou em direito tributário em Harvard e na London School of Economics, e a sua mulher estavam em 1998 num ano sabático na Europa, quando o advogado acabou por transformar-se no porta-voz de Pinochet, depois de este ser detido na capital britânica a pedido do juiz espanhol Baltasar Garzón. Como parte da operação de relações públicas, conseguiu que Margaret Thatcher fosse visitar o antigo ditador na casa onde cumpria prisão domiciliária.   

Após 17 meses de batalhas jurídicas, Pinochet seria libertado por razões de saúde em 2000, regressando ao Chile. A relação de Barros com Pinochet (e a sua amizade com o seu filho Marco António Pinochet) levaram-no também a participar na defesa do caso Briggs, em 2005.   

Apesar de ser independente, o católico conservador e pai de 13 filhos esteve sempre ligado à direita tradicional, tendo trabalhado durante mais de três décadas com o ex-presidente Sebastián Piñera, assumindo a parte jurídica dos seus vários negócios. Além de advogado, já se sentou nos conselhos de administração de várias empresas. Atualmente estava na sociedade de investimentos Odisea, que administra o património da família Piñera.   

Outros ministros 

A maioria dos escolhidos pode ser independente (16 em 24), o que causou críticas entre os diferentes partidos que o apoiaram, mas há também políticos experientes no executivo de Kast. E nem todos da direita. Entre os 24, há 13 homens e 11 mulheres.   

"Não lhes pedi lealdade pessoal ou com um partido político. Pedi-lhes lealdade com o Chile", afirmou o presidente eleito.   

novo ministro do Interior será Claudio Alvarado, militante da União Democrática Independente (direita tradicional), que já foi autarca, deputado e senador. Esteve nos dois mandatos de Piñera, e Kast tinha-o já escolhido para supervisionar a transição de poder do governo de Gabriel Boric.   

chefe da diplomacia será Francisco Pérez Mackema, que militou no Renovação Nacional (direita) e foi diretor-geral da Quiñenco, empresa associada à família mais rica do Chile. Neste cargo, estabeleceu ligações no setor do comércio internacional e junto com governos estrangeiros, segundo o El País.   

Ministério das Finanças ficará nas mãos do economista e consultor Jorge Quiroz, que vai ter supremacia dentro de toda a equipa económica. Foi o coordenador económico da campanha de Kast, tendo ganhado fama por criticar as medidas económicas do presidente Boric.    

Para a pasta da Segurança, Kast foi buscar outra advogada, atual procuradora regional de Taracapá, Trinidad Steinert. Ganhou destaque pelos processos contra os membros do Tren de Aragua, a organização criminosa transnacional de origem venezuelana, assim como pela investigação aos casos de narcotráfico entre as Forças Armadas.   

Uma das figuras da extinta Concertação, a coligação de centro-esquerda que governo o Chile depois da queda do regime de Pinochet e até 2010, será ministro da Agricultura. Jaime Campos era militante do Partido Radical (que foi dissolvida por não conseguir os mínimos nas legislativas de novembro). Já esteve à frente da pasta da Agricultura no governo de Ricardo Lagos (entre 2000 e 2006), tendo uma década depois sido ministro da Justiça e Direitos Humanos de Michelle Bachelet.  

Outra representante do centro-esquerda é a até agora senadora Ximena Rincón, que será ministra da Energia. Foi ministra do Trabalho de Bachelet, sendo ex-militante do Partido Democrata Cristão, do qual se afastou para fundar o Democratas (centro, opositor ao governo de Boric).

 

[Fotos: EPA/ADRIANA THOMASA - fonte: www.dn.pt]

La Universitat de Liverpool celebra el centenari de la creació dels estudis catalans

El centre universitari britànic va ser el primer a impartir estudis sobre Catalunya fora de l'Estat espanyol 

Escrit per David González 

Liverpool és universalment coneguda com la ciutat dels mítics The Beatles, però no tant perquè la seva universitat va ser la primera fora de l'Estat espanyol en impartir estudis sobre Catalunya. Enguany farà 100 anys d'aquesta fita, i, per això, el centre universitari ha organitzat un seguit d'activitats que es prologaran durant tot el 2026. Entre elles, hi haurà una jornada sobre llengua i cultura catalanes els propers 11 i 12 de març i un concert del duo The Tyets al club The Cavern, on el quartet de pop més famós del món va fer la seva primera actuació el 1957.

Els estudis catalans a la Universitat de Liverpool els va fundar Edgar Allison Peers (1891-1952), professor Gilmour de llengua castellana durant uns trenta anys i pioner dels estudis espanyols i catalans al Regne Unit. Durant l'últim segle, el centre ha apropat centenars d'estudiants a la llengua i la cultura catalanes a través de l'estudi de la literatura, la història, la política, la música, la gastronomia, l'arquitectura, l'esport o les arts escèniques.

La institució ha planejat un seguit d'activitats que volen transcendir les fronteres del campus de la universitat amb l'objectiu d'apropar la cultural catalana als alumnes, la societat britànica i la comunitat catalana a l'exterior, ha informat l'Institut Ramon Llull, que col·labora en l'organització dels actes. A més, la Universitat de Liverpool bé vol aprofitar el centenari dels estudis acadèmics catalans per establir aliances amb la Facultat de Filologia i Comunicació de la UB. 

Dins l'extens programa previst, l'11 de març, i en el marc dels Annual Peers Symposium, se celebraran xerrades sobre l'obra de Salvador Espriu o la situació del català a la Catalunya Nord. Aquest simposi l'organitza anualment la secció d'Estudis Hispànics des del 2009.  Carlota Gurt, escriptora visitant de Peers per a 2026, pronunciarà la conferència magistral, centrada en la importància de la traducció per donar visibilitat internacional de la literatura catalana. El programa també inclou un taller de cuina menorquina, cinefòrums sobre cinema català i una jornada acadèmica de poesia i xerrades musicals. 

Edifici victorià de la Universitat de Liverpool, Anglaterra

Ferran Soldevila, primer lector de català a Liverpool 

El vicerector de la Universitat de Liverpool, el professor Tim Jones, ha destacat que, des que Peers va establir la disciplina durant els anys vint del segle passat "Liverpool s'ha enorgullit d'impulsar l'estudi i la promoció de la llengua, la cultura i l'erudició catalana". La tradició de lectors de català a la Universitat de Liverpool, que va adquirir aquesta condició el 1903, es va iniciar amb l'historiador Ferran Soldevila a finals dels anys vint i tenia el doble propòsit d'ampliar la formació del personal acadèmic més enllà del restringit àmbit acadèmic espanyol i contribuir a la difusió de la llengua i la literatura catalanes en un context especialment advers.

Després de Soldevila van ser lectors de català figures de la talla de Joan Triadú, Jordi Carbonell, Jordi Rubió i Lois, Ramon Gubern, Josep Fontana, Enric Lluch, Jordi Nadal, Joaquim Molas, Joaquim Marco, Ramon Sumoy, Xavier Serrahima, Joan Lluís Marfany i Joaquim Nadal. Des de la creació de l'Institut Ramon Llull l'any 2002, els lectors d'estudis catalans en aquesta universitat han estat: Xavier Barceló, Magdalena Ramon, Carme Rodríguez i Joan Mas. Actualment s'ocupa d'aquesta docència Pol Masdeu

 

[Foto: University of Liverpool - Font: www.elnacional.cat ]

Dans une indifférence générale, la barbarie israélienne se déchaîne aussi en Cisjordanie

En Cisjordanie occupée, Israël a mobilisé tous ses moyens militaires et coloniaux pour rendre la vie impossible aux Palestiniens.

Écrit par Mariam Barghouti 

Alors que les États-Unis s’efforcent de prolonger l’agression israélienne contre Gaza à travers le théâtre d’un cessez-le-feu, une autre guerre se déroule en Cisjordanie.

Au cours des deux dernières années, Israël a intensifié ses « opérations de contre-insurrection » en Cisjordanie afin de « lutter contre le terrorisme palestinien ».

Le terme « opérations de contre-insurrection » n’est pas fortuit. Israël instrumentalise les termes militaires pour dissimuler ses intentions et fabriquer une autre réalité.

Toutes leurs opérations, de l’opération « Mur de fer » à l’opération « Camps d’été » et à l’opération « Cinq pierres », en passant par, plus récemment, l’opération « antiterroriste » à al-Khalil (Hébron), sont présentées et analysées comme des opérations temporaires et ciblées de simples représailles.

Mais elles ne le sont pas. L’intensification de l’agression militaire – ainsi que la violence des milices de colons, la destruction des infrastructures, les démolitions de maisons et la multiplication des barrages routiers et des points de contrôle – vise à créer sur le terrain des conditions qui rendent la vie impossible aux Palestiniens de Cisjordanie, sur le modèle de Gaza.

Les zones de guerre en Cisjordanie

En 2025, l’offensive militaire israélienne en Cisjordanie a entraîné la plus grande campagne de déplacements massifs de population que les Palestiniens aient connue depuis 1967, avec près de 50 000 Palestiniens expulsés de force de leurs maisons.

L’armée israélienne a détruit les camps de réfugiés de Jénine et de Tulkarem et a interdit à leurs habitants d’y revenir en violation du droit. Elle a désormais transformé les deux camps en quartiers généraux militaires du nord.

Les troupes israéliennes ont également procédé à la destruction quasi totale des infrastructures, y compris les routes, les systèmes d’assainissement et le réseau électrique.

Au moins 70 % des routes de la ville de Jénine ont été détruites au bulldozer, et la majorité des canalisations d’eau et des réseaux d’égouts ont été détruits à Jénine et à Tulkarem en quelques semaines, entraînant des pertes économiques de plusieurs millions de dollars.

Des milliers de foyers ont été privés d’eau et d’électricité dans tout le district. Et aujourd’hui encore, des familles déplacées vivent dans des zones difficiles d’accès, dépourvues de toute infrastructure civile.

Parallèlement, l’armée israélienne a élargi le périmètre géographique de ses violences. Les troupes israéliennes mènent désormais des raids réguliers dans les villes du centre de la Cisjordanie, notamment Ramallah et Ariha (Jéricho), et dans le sud, comme al-Khalil (Hébron) et Bethléem.

Lors de ces attaques, les Palestiniens sont assiégés, terrorisés et parfois exécutés par des soldats israéliens qui opèrent en toute impunité.

Cette semaine, l’armée israélienne a lancé une opération de grande envergure à al-Khalil (Hébron) sous prétexte de rétablir l’ordre public. La ville entière a été placée sous couvre-feu et des chars israéliens patrouillaient dans les rues. L’armée a arrêté des hommes et des jeunes garçons, les a soumis à des interrogatoires sur le terrain et détenus dans des conditions brutales.

Mais la violence israélienne ne se limite pas aux raids et aux opérations de l’armée. Les colons suivent l’armée. L’armée coloniale ouvre la voie aux attaques des milices de colons israéliens contre la population et les biens palestiniens et facilite l’annexion des terres.

Au cours des deux dernières années, les Israéliens vivant illégalement en Cisjordanie ont été équipés d’armes militaires, allant des M16 de fabrication américaine aux pistolets et aux drones, et ils les utilisent à leur guise.

Il est désormais clair que les opérations « anti-insurrectionnelles » d’Israël ne visent pas à remporter une quelconque victoire « sur le champ de bataille ». Il s’agit d’un effort coordonné avec les colons pour remodeler l’environnement spatial et social en Cisjordanie dans le but d’écraser toute dissidence ou résistance.

Appliquer la logique de la contre-insurrection à une population civile occupée, permet de transformer les maisons, les rues et tout ce qui est nécessaire à la vie quotidienne en instruments de contrôle.

L’infrastructure de la peur

En janvier dernier, les colons israéliens ont installé des panneaux d’affichage sur les routes principales de Cisjordanie. Ils ont écrit en lettres capitales : « Il n’y a pas d’avenir en Palestine ». Les Palestiniens ont compris ce que cela signifiait : une déclaration de guerre. Et nous y sommes maintenant en plein.

Chaque semaine, en moyenne, neuf Palestiniens sont tués, 88 autres blessés, 180 arrêtés, une douzaine torturés lors d’interrogatoires sur le terrain, auxquels s’ajoutent en moyenne 100 attaques de colons israéliens, 300 raids et assauts militaires et 10 démolitions de maisons et de biens palestiniens. Tout cela en une semaine seulement.

Ces chiffres ne reflètent pas seulement l’intensification de la violence, mais aussi de sa fréquence. L’objectif de cette intensification est d’éroder tout sentiment de normalité chez les Palestiniens.

Des milliers de raids au cours d’une année, associés à l’expansion des colonies, à la construction de nouvelles routes de contournement, à des centaines de nouveaux checkpoints militaires et à la surveillance systémique, ne sont pas des formes d’oppression séparées ; elles constituent un système de gouvernance où la violence n’est plus exceptionnelle mais routinière et où les persécutions, dépossessions et tueries sont devenues normales.

La violence coloniale dicte la vie des Palestiniens ; elle détermine quand les gens dorment, où les enfants jouent, quand ils peuvent aller à l’école, si les commerces ouvrent et comment ils voient leur avenir. Elle oblige à une adaptation constante. Elle épuise et exténue.

Dans toute la Cisjordanie, la vie quotidienne des Palestiniens est structurée par de violentes attaques disruptives. Israël ne se contente pas de redessiner la carte par une annexion de facto, mais utilise la peur pour modifier constamment les limites de l’espace où les Palestiniens peuvent vivre en relative sécurité.

Cela affecte tous les aspects de la vie. En tant que journaliste palestinienne, chaque fois que je prends la route, je suis envahie par l’angoisse… Une angoisse familière et paralysante car je m’attends à tout. Je prends rarement deux fois le même itinéraire.

Un jour, c’est un village qui est fermé, le lendemain, c’est une ville entière. Un trajet d’une heure se transforme en trois heures, parfois quatre.

Je change sans cesse d’itinéraire pour passer par les montagnes, car des barrières et des points de contrôle israéliens sont régulièrement installés aux entrées et sorties des villages et villes palestiniens.

Notre vie en Cisjordanie se mesure en détours. Ces détours ne sont pas seulement la conséquence du vol systématique et accéléré de territoires et de ressources vitales par Israël, ils servent également à nous voler du temps et à épuiser nos capacités socio-économiques.

Israël a non seulement rompu la continuité territoriale en Cisjordanie, mais a également détruit la vie sociale, le bien-être psychologique, et les capacités politiques.

Ainsi, Israël a mis en place un système et des infrastructures qui distillent la terreur au quotidien pour faire partir les Palestiniens qu’ils ne peuvent pas chasser par les armes.

Israël a réussi à créer un environnement hostile où même les maisons peuvent devenir des champs de bataille en quelques minutes. Dans le même temps, la violence des milices armées israéliennes et la prolifération des avant-postes étouffent les zones urbaines comme Naplouse, Ramallah, Bethléem et al-Khalil (Hébron).

L’armée israélienne s’est même mise à piller systématiquement les bureaux de change et à voler les objets de valeur, comme l’or et l’argent, dans les foyers. Cela est aussi dramatique que la terreur quotidienne, car Israël ne se contente pas de détruire les infrastructures physiques, il rend également impossible toute reconstruction et tout redressement.

La fragmentation de la terre et du peuple

Les Palestiniens sont coupés les uns des autres par le découpage des terres en petits bantoustans. Les villes palestiniennes de Cisjordanie rétrécissent de plus en plus et sont englouties par un État colonial israélien en constante expansion.

L’année dernière, Israël a officialisé ses plans de développement du projet illégal de colonie E1, et cette année, il devrait faire avancer son projet d’expansion des colonies près de Jérusalem, dans la vallée du Jourdain et à travers Ramallah.

Ces développements couperaient effectivement Jérusalem-Est occupée de la Cisjordanie et le nord du sud. Les colons israéliens hissent désormais des drapeaux israéliens sur les routes et les maisons palestiniennes en signe de conquête.

La Cisjordanie est essentielle pour comprendre que la guerre ne se fait pas toujours seulement avec des bombes ; elle s’accompagne parfois de points de contrôle, de permis, de zones de restrictions, de violences orchestrées par l’État et du détournement des ressources vitales des Palestiniens vers les colonies de peuplement.

Il ne s’agit pas seulement de fragmenter le territoire pour favoriser sa colonisation, il s’agit aussi de détruire la possibilité d’exister collectivement de la population autochtone.

La Cisjordanie est le théâtre d’une guerre sans merci qui se déroule loin des gros titres et sans ligne de front.

Mariam Barghouti

Traduction : Chronique de Palestine – Dominique Muselet 


[Image en vedette : les forces israéliennes d’occupation démolissent la maison d’Abdulkarim Snobar dans le village de Zawata, en Cisjordanie, près de Naplouse, le 2 décembre. La démolition a nécessité l’utilisation d’explosifs, qui ont également causé des dégâts dans les environs. Snobar a été arrêté en juillet après avoir échappé à la capture pendant cinq mois, alors qu’il était accusé d’avoir participé à la pose d’explosifs dans des bus à Bat Yam, près de Tel-Aviv, en février. La démolition, un acte de punition collective interdit par le droit international, a laissé la famille de Snobar, composée de six personnes, sans abri – Photo : Wahaj Bani Moufleh / ActiveStills - reproduit sur www.mondialisation.ca]

David Lynch como prerrafaelita

A un año del fallecimiento y 80 del nacimiento de David Lynch, Slavoj Žižek encuentra en la pintura prerrafaelita un antecedente de su cine

Fotograma de ‘Terciopelo azul’ (1986), de David Lynch

Escrito por Slavoj Žižek 

E

n la historia del arte, los prerrafaelitas funcionan como el paradójico caso límite de una vanguardia que se superpone al kitsch. Inicialmente fueron percibidos como portadores de una revolución antitradicionalista en la pintura, rompiendo con la tradición entera del Renacimiento en adelante, para ser desvalorizados poco después –con el auge del impresionismo en Francia– como el epítome mismo del lúgubre kitsch seudorromántico victoriano. Esta baja estima se mantuvo hasta la década de los sesenta, es decir, hasta la aparición del posmodernismo. ¿Cómo fue posible, entonces, que se volvieran “legibles” solo de manera retroactiva, desde el paradigma posmoderno? 

En este sentido, el pintor crucial es William Holman Hunt, habitualmente descartado como el primer prerrafaelita en venderse al sistema, convirtiéndose en un productor bien remunerado de empalagosas pinturas religiosas (El triunfo de los inocentes, etc.). Sin embargo, una mirada más atenta nos confronta con una dimensión inquietante y profundamente perturbadora de su obra: sus pinturas producen una especie de incomodidad o sensación indeterminada de que, a pesar de su contenido “oficial” idílico y elevado, algo no encaja. 

Tomemos El pastor distraído, aparentemente un simple idilio pastoral que representa a un pastor ocupado en seducir a una campesina y, por esta razón, abandonando el cuidado de un rebaño de ovejas (una obvia alegoría de la Iglesia abandonando a sus corderos). Cuanto más tiempo observamos el cuadro, más conscientes nos volvemos de una gran cantidad de detalles que dan testimonio de la intensa relación de Hunt con el goce, con la sustancia vital, es decir, con su repugnancia hacia la sexualidad. El pastor es musculoso, torpe, tosco y groseramente voluptuoso; la mirada astuta de la joven indica una explotación manipuladora y vulgar de su propio atractivo sexual; los rojos y verdes excesivamente vivaces marcan toda la pintura con un tono repulsivo, como si estuviéramos ante una naturaleza hinchada, pasada de madura, putrefacta. Algo similar ocurre en Isabella y la maceta de albahaca de Hunt, donde numerosos detalles desdicen el contenido trágico-religioso “oficial” (la cabeza en forma de serpiente, los cráneos en el borde del jarrón, etc.). La sexualidad irradiada por el cuadro es húmeda, “malsana”, y está impregnada por la descomposición de la muerte. Nos sumerge en el universo del cineasta David Lynch. 


        William Holman Hunt, El pastor distraído (1851). Manchester Art Gallery


Toda la “ontología” de Lynch se basa en la discordancia o el contraste entre la realidad, observada desde una distancia segura, y la proximidad absoluta de lo real. Su procedimiento elemental consiste en avanzar de un plano panorámico de la realidad a una proximidad perturbadora que vuelve visible la repugnante sustancia del goce, el reptar y el centelleo de la vida indestructible; en suma, la lamella. Recordemos la secuencia inicial de Terciopelo azul. Tras los planos que encarnan la idílica pequeña ciudad estadounidense y el derrame cerebral del padre mientras riega el césped (cuando se desploma, el chorro de agua recuerda de forma inquietante una surreal y abundante micción), la cámara se acerca a la superficie del pasto y muestra la vida rebosante, el reptar de insectos y escarabajos, su traqueteo y devoración de la hierba. 

Al comienzo mismo de Twin Peaks: Fuego camina conmigo encontramos la técnica opuesta, que sin embargo produce el mismo efecto. Primero vemos formas protoplasmáticas blancas y abstractas flotando sobre un fondo azul, una especie de forma elemental de la vida en su centelleo primordial; luego la cámara se aleja lentamente y nos damos cuenta de que lo que veíamos era un primerísimo plano de una pantalla de televisión1. Ahí reside el rasgo fundamental del hiperrealismo posmoderno: la excesiva proximidad a la realidad provoca una “pérdida de realidad”. Detalles inquietantes sobresalen y perturban el efecto tranquilizador del conjunto de la imagen2

El segundo rasgo, estrechamente vinculado al primero, está contenido en la propia denominación de “prerrafaelismo”: la reafirmación de representar las cosas tal como “realmente son”, aún no distorsionadas por las reglas de la pintura académica establecidas por Rafael. Sin embargo, la práctica misma de los prerrafaelitas desmiente esta ideología ingenua del retorno a una manera “natural” de pintar. Lo primero que llama la atención en sus cuadros es un rasgo que necesariamente aparece ante nosotros, acostumbrados al realismo perspectivo moderno, como un signo de torpeza. Las pinturas prerrafaelitas son de algún modo planas, carentes de la “profundidad” espacial organizada según líneas de perspectiva que convergen en un punto infinito; es como si la “realidad” misma que representan no fuera una realidad “verdadera”, sino más bien una realidad estructurada como un relieve. Otro aspecto de este mismo rasgo es la cualidad “muñequizada”, mecánicamente compuesta y artificial de los individuos representados: de algún modo carecen de la profundidad abismal de la personalidad que solemos asociar con la noción de “sujeto”. La denominación “prerrafaelismo” debe tomarse entonces de manera literal, como indicación del paso del perspectivismo renacentista al universo medieval “cerrado”.   

Fotograma de Terciopelo azul (1986), de David Lynch


En las películas de Lynch, la “planitud” de la realidad representada, responsable de la cancelación de la apertura infinita de la perspectiva, encuentra su preciso correlato o contraparte en el nivel del sonido. Volvamos a la secuencia inicial de Terciopelo azul: su rasgo crucial es el ruido inquietante que emerge cuando nos acercamos a lo real. Este ruido es difícil de ubicar en la realidad. Para determinar su estatuto, uno se siente tentado a evocar la cosmología contemporánea, que habla de ruidos en los bordes del universo. Estos ruidos no son simplemente internos al universo; son los restos o últimos ecos del Big Bang que creó el universo mismo. El estatuto ontológico de este ruido es más interesante de lo que podría parecer, ya que subvierte la noción fundamental del universo “abierto” e infinito que define el espacio de la física newtoniana. Es decir, la noción moderna de universo “abierto” se basa en la hipótesis de que toda entidad positiva (ruido, materia) ocupa algún espacio (vacío); se apoya en la diferencia entre el espacio como vacío y las entidades positivas que lo ocupan, que lo “rellenan”.  

Aquí el espacio se concibe fenomenológicamente como algo que existe antes de las entidades que lo “rellenan”. Si destruimos o retiramos la materia que ocupa un espacio dado, ese espacio como vacío permanece. El ruido primordial, el último resto del Big Bang, es por el contrario constitutivo del espacio mismo: no es un ruido “en” el espacio, sino un ruido que mantiene abierto el espacio como tal. Si, por lo tanto, elimináramos este ruido, no obtendríamos el “espacio vacío” que estaba siendo llenado por él. El espacio mismo, el receptáculo de toda entidad “intramundana”, desaparecería. Este ruido es, en cierto sentido, el “sonido del silencio”. De modo análogo, el ruido fundamental en las películas de David Lynch no es simplemente causado por objetos que forman parte de la realidad; más bien constituye el horizonte o marco ontológico de la realidad misma, es decir, la textura que mantiene unida a la realidad. Si este ruido fuera erradicado, la realidad misma colapsaría. Del universo “abierto” e infinito de la física cartesiano-newtoniana regresamos así al universo premoderno “cerrado”, cercado y delimitado por un “ruido” fundamental.   

Encontramos este mismo ruido en la secuencia de la pesadilla en El hombre elefante. Transgrede la frontera que separa el interior del exterior; la exterioridad extrema de una máquina coincide de manera inquietante con la máxima intimidad del interior corporal, con el ritmo de las palpitaciones del corazón. Este ruido aparece también después de que la cámara entra en el agujero de la capucha del hombre elefante, que representa la mirada. La inversión de la realidad en lo real corresponde a la inversión del mirar [look] (el sujeto que mira la realidad) en la mirada [gaze]; esto ocurre cuando entramos en el “agujero negro”, la grieta en la textura de la realidad.  

Fotograma de El hombre elefante (1980), de David Lynch


Hallamos la misma paradoja en una escena sobresaliente al comienzo de Érase una vez en América, de Sergio Leone, en la que vemos un teléfono sonar estruendosamente. Cuando una mano levanta el auricular, el timbre continúa sonando, como si la musical fuerza vital del sonido fuera demasiado intensa para quedar contenida por la realidad y persistiera más allá de sus límites. O de nuevo en Lynch: recordemos una escena similar de Sueños, misterios y secretos (Mulholland Drive) en la que una cantante interpreta en el escenario “Crying”, de Roy Orbison, y cuando se desploma inconsciente la canción continúa. ¿Qué ocurre, sin embargo, cuando este flujo mismo de sustancia vital se suspende, se interrumpe?   

Georges Balanchine escenificó una breve pieza orquestal de Anton Webern (todas son breves) en la que la música terminaba, pero los bailarines continuaban bailando durante un tiempo en completo silencio, como si no se hubieran dado cuenta de que la música que proporcionaba la sustancia de su danza ya había terminado –como el gato de los dibujos animados que sigue caminando más allá del borde del precipicio, ignorando que ya no tiene suelo bajo los pies… Los bailarines que continúan bailando después de que la música ha terminado son como muertos vivientes que habitan un intersticio de tiempo vacío: sus movimientos, carentes de soporte sonoro, nos permiten ver no solo la voz sino el silencio mismo. Ahí reside la diferencia entre la voluntad schopenhaueriana y la pulsión (de muerte) freudiana: mientras que la voluntad es la sustancia de la vida, su presencia productiva, que excede a sus representaciones o imágenes, la pulsión es una persistencia que continúa incluso cuando la voluntad desaparece o queda suspendida. La pulsión es la insistencia que persiste aun cuando se le priva de su soporte vital, la apariencia que persiste incluso cuando se le priva de su sustancia. 

La diferencia sexual misma se ve perturbada en tales escenas. Uno se siente tentado a recordar aquí la escena más inquietante de Salvaje de corazón de Lynch, en la que Willem Dafoe acosa a Laura Dern: aunque un hombre acosa a una mujer más joven, una serie de indicios (el rostro aniñado [boyish] de Dern, la “cara de coño” obscenamente distorsionada de Dafoe) señalan que el escenario fantasmático subyacente es el de una mujer vulgar y demasiado madura que acosa a un niño inocente. ¿Y qué decir de la escena de Por el lado oscuro del camino en la que el aniñado Pete se enfrenta a un rostro femenino, contraído por el éxtasis sexual, mostrado en una gigantesca pantalla de video? Quizá el ejemplo más destacado de esta confrontación del niño asexual con la mujer sea la famosa secuencia de planos del inicio de Persona de Ingmar Bergman, en la que un niño preadolescente con grandes gafas examina con una mirada perpleja la gigantesca imagen desenfocada del rostro femenino. Esta imagen se transforma gradualmente en el primer plano de lo que parece ser otra mujer que se le asemeja estrechamente: otro caso ejemplar del sujeto confrontado con la pantalla-interfaz fantasmática.  

El lugar originario de la fantasía es el de un niño pequeño que por casualidad escucha o atestigua el coito parental y se siente incapaz de darle sentido: ¿qué significa todo esto: los susurros intensos, los sonidos extraños en el dormitorio, etc.? El niño fantasea una escena que pueda dar cuenta de estos fragmentos extrañamente intensos; recordemos la escena más conocida de Terciopelo azul de Lynch, en la que Kyle MacLachlan, escondido en el armario, presencia el extraño juego sexual entre Isabella Rossellini y Dennis Hopper. Lo que ve es un claro suplemento fantasmático destinado a dar cuenta de lo que oye. Cuando Hopper se pone una máscara a través de la cual respira, ¿no es esta una escena imaginada destinada a dar cuenta de la respiración intensa que acompaña la actividad sexual? La paradoja fundamental de la fantasía es que el sujeto nunca llega al momento en que pueda decir: “De acuerdo, ahora lo entiendo completamente. Mis padres estaban teniendo sexo. ¡Ya no necesito una fantasía!”. Esto es, entre otras cosas, lo que Lacan quiso decir con su “Il n’y a pas de rapport sexuel” (“No hay relación sexual”). Todo sentido tiene que apoyarse en algún marco fantasmático sin sentido; cuando decimos “¡Ok, ahora lo entiendo!”, lo que esto significa en última instancia es: “Ahora puedo ubicarlo dentro de mi marco fantasmático”. 

Por eso las películas de David Lynch desafían la comprensión; ahí reside su grandeza. Y también por eso, aunque Lynch haya muerto, seguirá acechándonos durante mucho tiempo como los muertos vivientes. 

1. El mismo procedimiento fue empleado por Tim Burton en la sobresaliente secuencia de créditos de Batman: la cámara vaga por conductos metálicos ásperos, sinuosos e indefinidos; después, a medida que se va alejando gradualmente y adquiere una distancia “normal” respecto de su objeto, se vuelve claro cuál es en realidad ese objeto: el diminuto emblema de Batman. [↩


2. El contrapunto a esta actitud lyncheana es quizá la filosofía de Leibniz: Leibniz estaba fascinado con los microscopios porque le confirmaban que aquello que, desde el punto de vista “normal” y cotidiano, parece un objeto inerte está en realidad lleno de vida. Basta con observarlo más de cerca, es decir, contemplar el objeto desde una proximidad absoluta: bajo la lente de un microscopio se percibe el salvaje reptar de innumerables seres vivos diminutos. 


Traducción del inglés de Alfredo González Reynoso

[Fuente:  e-flux - reproducido en www.latempestad.mx]