quarta-feira, 6 de maio de 2026

Sociedade civil questiona decreto que pode bloquear acesso a redes de telecomunicações em Moçambique

Governo alega que medida 'protege a sociedade', mas organizações veem risco à liberdade de expressão

Protestos pós-eleições em Maputo, Moçambique, em 2025

Escrito por Tirso Sitoe

Organizações da sociedade civil em Moçambique, como o Centro para Democracia e Direitos Humanos (CDD), submeteram um documento ao provedor de Justiça contestando a constitucionalidade do Decreto n.º 48/2025, de dezembro de 2025, que estabelece mecanismos de controlo e possíveis bloqueios do acesso às redes de telecomunicações no país. 

Segundo o portal Moz24h, a preocupação entre jornalistas e especialistas é que a medida possa ameaçar direitos como a liberdade de expressão, o acesso à informação e à comunicação, sobretudo em contextos de mobilização social ou tensão políticaO questionamento surge num contexto ainda quente para o país dos conflitos após as eleições de 2024 — dados da Plataforma Decide, até outubro de 2025, apontaram 411 mortos e cerca de 7.200 detidos.   

Ativistas e organizações cívicas argumentam que o decreto pode permitir restrições ao acesso à internet e às plataformas digitais — ferramentas cada vez mais centrais para a circulação de informação, organização de protestos e participação cívica. O texto aprovado permite ao Estado suspender os serviços de telecomunicações por até 48 horas, sem necessidade de ordem judicial, reporta a Deutsche Welle.  

Ainda segundo organizações da sociedade civil, o decreto concede amplos poderes às autoridades para intervir nas redes de telecomunicações sob justificativas relacionadas à segurança nacional ou à manutenção da ordem pública.    

Ao recorrer ao provedor de Justiça, as organizações solicitam uma análise sobre a compatibilidade do decreto com a Constituição da República de Moçambique e com os compromissos internacionais que reforçam o país em matéria de direitos humanos e liberdade de expressão.   

Em março de 2026, o ministro das Comunicações e Transformação Digital, Américo Muchanga, negou que a medida fosse uma restrição de direitos. Ele a defendeu como forma de proteger a sociedade em momentos críticos, reforçando a capacidade de o Estado de gerir situações de crise e de proteger infraestruturas críticas de telecomunicações.  

Especialistas divergem na leitura    

Especialistas consultados pelo GV sobre o decreto apresentam interpretações diferentes sobre seus possíveis impactos.  

Um pesquisador, que pediu para não ser identificado por questões de segurança, lembra que várias democracias do mundo possuem mecanismos legais que permitem restrições temporárias às comunicações. Para o pesquisador, contextos políticos onde manifestações sociais são frequentemente interpretadas como ameaças à estabilidade podem tornar a aplicação desse tipo de legislação particularmente sensível. Ele pontua:    

O que foi feito neste decreto é tentativa de legalizar toda e qualquer ação que o governo possa ter em uma situação de protesto social. Na França existe, no Brasil existe, nos Estados Unidos existe. Em qualquer parte em que exista alguma democracia, que chamamos a dita democracia consolidada, existem dispositivos estatais, governamentais, que limitam o acesso às comunicações, quando se entende que eles violam o direito de outras pessoas ou imposições em causa do próprio Estado. Não é o decreto o problema. O problema é como pode ser aplicado. O nosso problema é que não há tolerância. Tudo aquilo que parece ser protesto é visto como tentativa de subversão, tentativa de colocar em causa a ordem. É um problema histórico de governança e questão central na interpretação também do próprio decreto.      

Já o ativista e jornalista Nadio Taimo ressalta que o decreto surge num momento em que o espaço cívico digital em Moçambique enfrenta pressões crescentes. Segundo ele, o acesso à internet tornou-se fundamental para a circulação de informação e para o exercício da liberdade de expressão. Taimo observa que muitos órgãos de comunicação social migraram para plataformas digitais devido aos costumes da imprensa tradicional, tornando o ambiente online um espaço importante para divulgação de notícias, debate público e mobilização social. Nesse contexto, possíveis bloqueios de acesso à internet poderiam significativamente limitar o acesso à informação.      

Já temos uma expansão, uma onda crescente de jornais eletrônicos. Já não imprimimos jornais, devido aos custos. Migramos para a era digital, logo, há aqui um bloqueio de acesso à informação, e até o próprio espaço de opinião, de promoção da liberdade de expressão, pode ser limitado. Os órgãos de comunicação social são todos, a maior parte deles, do governo, e controlados, e nos é fechado o espaço cívico, o espaço físico, nas ruas, quando nos proíbem de realizar marchas.      

O ativista acrescenta ainda que o decreto pode formalizar práticas que, segundo organizações da sociedade civil, já ocorreram anteriormente em momentos de tensão política:  

Este documento é apenas uma formalização de uma intenção política de bloqueio da internet, que já vinha sendo aplicada, só que não havia uma formalização legal.     

Casos antecedentes: protestos e controlo      

O debate sobre o controlo das telecomunicações em Moçambique também está ligado a episódios anteriores de mobilização social. Em fevereiro de 2008  e setembro de 2010protestos populares nas cidades de Maputo e Matola foram desencadeados pelo aumento do custo de vida, especialmente dos preços do transporte e de bens essenciais. Durante essas manifestações, telefones móveis e mensagens de texto foram amplamente utilizados para mobilizar e coordenar as ações. Em resposta, o governo da época promoveu medidas mais rigorosas de regulação das comunicações, incluindo a obrigatoriedade do registo de cartões SIM para todos os utilizadores.     

Novos protestos voltaram a ocorrer em novembro de 2012, impulsionados principalmente por jovens que contestavam o aumento das tarifas do transporte semicoletivo urbano, conhecidos como chapa-100A rápida intervenção das forças policiais em locais de maior concentração de manifestantes impediu que os protestos se expandissem.      

Esses episódios ocorreram em momentos marcantes de reivindicação social da juventude moçambicana no período pós-independência (1975), refletindo frustrações relacionadas com desigualdades econômicas, desemprego e aumento do custo de vida num contexto de liberalização econômica. Nesse cenário, a cultura urbana também desempenhou um papel importante na expressão do descontentamento social. Artistas como o rapper Azagaia tornaram-se vozes influentes entre os jovens, com canções de crítica social amplamente difundidas em manifestações e plataformas digitais.     

Tendência regional de bloqueios de internet      

O debate em Moçambique não é uma situação isolada. Organizações internacionais de monitoramento digital documentaram diversos casos de interrupção da internet em países africanos nos últimos anos, frequentemente associados a processos eleitorais, manifestações populares ou conflitos internos. Em Angola e Guiné-Bissau, por exemplo, o bloqueio ou a restrição do acesso à internet tem sido utilizado por governos durante períodos de instabilidade política.        

Organizações de direitos humanos e grupos de defesa da liberdade digital argumentam que os bloqueios limitam o acesso à informação, dificultam o trabalho de jornalistas e restringem a participação cívica, e especialistas em governança digital alertam que tais medidas podem ter impactos significativos não apenas no debate público, mas também nos meios de subsistência da população civil.      

Apesar da entrada em vigor do decreto referido, em Moçambique, ainda não se registou a sua aplicação prática, o que dificulta avaliar os efeitos que ele poderá ter nas mãos do governo. Paralelamente, o Conselho Constitucional ainda não se manifestou sobre o posicionamento das organizações da sociedade civil quanto a uma eventual inconstitucionalidade do diploma, o que contribui para um cenário de incerteza jurídica e institucional.

 

[Foto: Wilson Thole - fonte: www.globalvoices.org]



Lo provençal serà lèu present dins la sintèsi vocala del Congrès

Après l’enregistrament d’una votz novèla, lo Congrès prepara l’integracion del provençal a «Votz», contunhant lo desvolopament dels espleches numerics en occitan

L’escrivan e professor Joan-Ives Casanova, especialista del provençal, prestèt sa votz pendent tres jorns d’enregistrament intensiu

Escrich per Jòrdi Ràfols

Lo Congrès Permanent de la Lenga Occitana perseguís lo desvolopament de sos espleches numerics amb l’integracion del provençal dins «Votz», sa plataforma de sintèsi vocala en occitan. Après lo lengadocian e lo gascon, aquela estapa novèla marca una avançada importanta per la representacion de las diferentas varietats de la lenga.

Per menar a bon tèrme aquel projècte, una votz novèla foguèt enregistrada en estúdio. L’escrivan e professor Joan-Ives Casanova, especialista del provençal, prestèt sa votz pendent tres jorns d’enregistrament intensiu. Aquel trabalh a permés de constituir un còrpus d’aperaquí 6000 frasas, representant près de dètz oras de donadas àudio brutas.

La sintèsi vocala «Votz» se basa sus de tecnologias neuronalas, capablas de produire una votz artificiala a partir d’aqueles enregistraments. Una fasa novèla d’entraïnament es prevista d’aicí a la fin de l’an, per tal d’integrar aquela votz provençala, mas tanben de melhorar las voses ja existentas en gascon e en lengadocian, aital coma d’apondre d’autras variantas.

Aquel projècte s’inscriu dins una dinamica mai larga de modernizacion de las aisinas lingüisticas occitanas. Gràcias a las avançadas recentas en intelligéncia artificiala, ven possible de crear e de melhorar de voses sinteticas amb de volums de donadas mai reduches que de per abans, facultant aital l’integracion de novèlas varietats de la lenga, coma la lemosina o l’aranesa, que seràn lèu tanben disponiblas.


[Imatge: CPLO - sorsa: www.jornalet.com]

Cierra Ediciones de la Flor, un sello emblemático de la historia del libro argentino

La editorial Ediciones de la Flor anunció el cierre de sus actividades, poniendo fin a una trayectoria de casi seis décadas en la industria del libro argentino. La despedida se hace visible en la actual edición de la Feria Internacional del Libro de Buenos Aires, donde el sello participa por última vez con la liquidación de su catálogo en el stand del Pabellón Amarillo.


Fundada en 1966 por Daniel Divinsky y Ana María “Kuki” Miller, la editorial se consolidó como una referencia dentro del campo independiente, con un catálogo que incluyó autores nacionales e internacionales de peso. Entre sus publicaciones más destacadas se encuentran obras de Quino, cuyo personaje Mafalda fue uno de sus mayores éxitos, así como títulos de Roberto Fontanarrosa, Griselda Gambaro, Umberto Eco y Rodolfo Walsh.   

En los últimos años, el sello había atravesado cambios significativos, entre ellos la salida de Divinsky en 2015 y la posterior migración de obras clave de su catálogo a grandes grupos editoriales. En particular, la transferencia de la obra de Quino a otra casa editorial fue señalada en el sector como un punto de inflexión para la sostenibilidad del proyecto.   

“En 1975 participamos de la primera Feria Internacional del Libro de Buenos Aires y, aun estando presos o en el exilio sus editores, estuvimos en todas las que hubo desde entonces, festejando la posibilidad de encontrarnos con nuestros lectores, escuchar sus comentarios, responder sus preguntas, y sonreír con cada uno que llegaba, libro o papelito en mano, a llevarse la firma de sus autores favoritos”, puede leerse en un texto expuesto en el stand en la Feria del Libro.

“Nuestros autores más importantes han sido nuestra familia, pero sus herederos eligieron otros rumbos. Editar libros en Argentina siempre fue una carrera con vallas y hasta aquí hemos llegado a los saltos. Hoy la tecnología y el estado de la economía exigen nuevos y muy diferentes desafíos, que resultan determinantes para una editorial que ha mantenido su independencia como bandera”, añade.

“Es nuestra última feria, y nuestro último año de actividad. Nos despedimos, sabiendo que nuestro legado vive en las nuevas editoriales fundadas por jóvenes que crecieron con nuestros libros, y que esos libros que editamos con convicción y amor todos estos años, seguirán en las bibliotecas y la memoria de nuestros lectores. Gracias a ustedes por ser parte de estos 60 años de nuestra historia”.  

El cierre marca el final de un ciclo para una editorial que mantuvo durante décadas un perfil independiente en un mercado atravesado por transformaciones económicas y tecnológicas. Su legado, sin embargo, permanece en un catálogo que formó parte central de la cultura literaria argentina y en generaciones de lectores que crecieron con sus libros.


[Fuente: www.huelladelsur.ar]

L’inizio della fine della dottrina israeliana della «sicurezza permanente»

La costante ricerca della “vittoria totale” da parte di Israele lo ha invischiato un una guerra contro l’Iran che non può vincere, erodendone la legittimità all’estero e approfondendone il degrado morale all’interno.

Un frammento di missile iraniano caduto sulle alture del Golan

di Meron Rapoport e Ameer Fakhoury

Il nome attribuito alla letale ondata di bombardamenti israeliani in Libano l’8 aprile, lanciata mentre entrava in vigore il cessate il fuoco tra USA e Iran, è estremamente rivelatrice riguardo all’attuale posizione regionale di Israele. Fino a poco tempo fa Israele sceglieva nomi delle guerre che edulcorassero le enormi distruzioni o mobilitassero il fronte interno. L’operazione “Margine Protettivo” del 2014 a Gaza, per esempio, cercava di trasmettere resilienza, mentre la campagna “Spade di ferro” nella Striscia dopo il 7 ottobre e “Ruggito del Leone” di quest’anno contro l’Iran ha inteso evidenziarne la potenza militare.   

Non più: con 100 attacchi aerei in Libano che hanno lasciato 300 morti e oltre 1.100 feriti “Oscurità eterna” suggerisce che l’unico obiettivo di Israele in Libano sia morte e annientamento. Se nel 1996 l’uccisione di 100 civili libanesi da parte di Israele nel villaggio di Qana nel sud del Libano provocò la fine dell’operazione “Grappoli d’ira”, oggi il massacro di centinaia di persone è percepito praticamente come un fine in sè, senza neppure una traccia di critiche da parte dell’esercito o dell’opinione pubblica.   

Nonostante l’attuale cessate il fuoco di 10 giorni in Libano, Israele continua a distruggere villaggi e infrastrutture civili in zone del sud sotto il suo controllo, un tentativo di creare una zona cuscinetto permanente e, come a Gaza, impedire agli abitanti di tornarvi. A fine marzo il ministro della Difesa Israel Katz ha dichiarato che alla fine della guerra ai 600.000 libanesi che vivevano a sud del fiume Litani non sarà permesso tornare e le loro case presso il confine saranno state distrutte.  

Sia in Libano che in Iran, guerre non iniziate come risposta a un attacco né per impedire una minaccia imminente, Israele è sembrato adottare in pieno la dottrina della “sicurezza permanente”. Come ha sostenuto recentemente il sociologo politico Yagil Levy adottando il termine coniato dallo storico Dirk Moses, questo approccio intende non solo eliminare minacce immediate ma anche quelle future attraverso distruzioni su vasta scala della vita dei civili ed espellere o controllare la popolazione. In sintesi, non c’è una soluzione politica, ma solo militare, e quello che non si può ottenere con la forza lo si potrà ottenere con ancora più forza.   

Questo approccio della “sicurezza permanente” è stato evidente in primo luogo nella guerra di Israele contro Gaza dopo gli attacchi del 7 ottobre. Quando solo qualche giorno dopo il primo ministro israeliano Benjamin Netanyahu ha iniziato a parlare di “vittoria totale”, inizialmente, e a ragion veduta, la frase è stata percepita dall’opinione publica israeliana come un tentativo di sfuggire alle sue responsabilità per gli errori [del sistema di sicurezza]. Ma ciò ha rappresentato molto più di un esercizio retorico: il genocidio, la pulizia etnica e la riduzione di intere città in polvere e cenere sono stati la manifestazione della “vittoria totale” sostenuta da tutto il sistema politico e militare israeliano.  

Non è un caso che lo spostamento sia avvenuto specificamente a Gaza. Fino al 7 ottobre la Striscia era il principale esempio della messa in pratica della dottrina della “gestione del conflitto” firmata Netanyahu, una combinazione di blocco quasi totale, recinzione sopra e sotto terra, controllo completo in cielo e in mare e una rigida sorveglianza elettronica della vita quotidiana dei palestinesi insieme a periodici episodi di bombardamenti ogni anno o due che venivano reputati “tollerabili” dal punto di vista israeliano.   

La gestione del conflitto ha fornito anche una formula per frammentare e contenere la politica palestinese, parte di una strategia per rinviare la questione dell’autodeterminazione. Hamas è stato “tenuto sotto controllo” attraverso un meccanismo di deterrenza, contenimento e convogliando fondi approvati dallo stesso Netanyahu in modo da mantenere le tensioni a bassa intensità. E in Cisgiordania l’Autorità Palestinese è servita come subappaltante dell’occupazione israeliana, conservando l’illusione dell’autonomia palestinese. Persino Naftali Bennett [exprimo ministro e dirigente di un partito di estrema destra dei coloni, ndt.], che ora si presenta come un’alternativa a Netanyahu, l’ ha brutalmente definita come “una scheggia nel culo”, una seccatura da gestire piuttosto che una minaccia esistenziale.   

Quando la barriera attorno a Gaza è crollata il 7 ottobre, altrettanto ha fatto la dottrina del contenimento del conflitto. Ma ciò non ha portato Israele a cercare il modo per risolvere lo scontro con i palestinesi. Al contrario ha deciso di vincerlo definitivamente. E non solo con i palestinesi. Israele ha esteso il concetto di sicurezza assoluta a buona parte del Medio Oriente: Libano, Siria, Yemen, Qatar e Iran. In base a questa dottrina le leggi internazionali non esistono più, il compromesso politico è sparito e i cessate il fuoco non vincolano Israele nè a Gaza nè in Libano. Questa è la guerra permanente, in cui Israele sfrutta la sua superiorità militare per eliminare ogni minaccia, grande o piccola, e a ogni distanza.   

L’ultima campagna contro l’Iran ha elevato il concetto di “sicurezza permanente” a un ulteriore livello. Non è stato piu sufficiente colpire duramente i dirigenti, gli impianti nucleari e gli obiettivi militari, come Israele ha fatto nel giugno 2025. Questa volta l’obiettivo era il cambiamento di regime in un Paese di circa 90 milioni di abitanti con una civiltà di migliaia di anni, non semplicemente per neutralizzare una minaccia percepita, ma ridefinendo lo stesso contesto politico.   

Eppure Israele da solo non ha la forza militare né la legittimità politica sufficienti per una mossa talmente ambiziosa, e di conseguenza era necessario il coinvolgimento americano. Quindi, contrariamente alle posizioni più caute espresse nel gabinetto di Trump, Netanyahu è riuscito a convincere il presidente USA Donald Trump che questo obiettivo poteva essere raggiunto e così è iniziata una guerra israelo-americana che per il momento è parsa essere un altro passo verso il raggiungimento della “sicurezza permanente” in tutta la regione.   

E qui, di fatto, è dove questa logica si è rivelata un’illusione. Anche se una minaccia viene affrontata, immediatamente se ne produce un’altra, evidenziando così il paradosso dell’intero progetto: non raggiungere la “sicurezza permamente” ponendo fine al conflitto ma piuttosto il suo perpetuarsi attraverso un orizzonte di minacce in continua espansione.   

“Dopo l’Iran Israele non può vivere senza un nemico,” ha notato all’inizio del mese il ministro degli Esteri turco Hakan Fidan. “Non solo l’amministrazione Netanyahu ma anche alcune figure dell’opposizione, anche se non tutte, stanno cercando di dichiarare la Turchia come il nuovo nemico.” Il vicino capisce come ragiona la Super Sparta [come Netanyahu ha definito Israele, ndt.].   

Un nuovo Medio Oriente   

E’ troppo presto per sintetizzare i risultati della guerra, ma sembra già che Israele abbia sbattuto contro un muro: invece di avvicinarsi alla “sicurezza permanente” si è ritrovato in una situazione di sicurezza più precaria di prima. Non solo l’obiettivo generale di rovesciare il regime iraniano non è stato raggiunto, ma Israele non può neppure cercare di raggiungere un’amara situazione di stallo.   

Di fatto l’Iran ha resistito alla pressione militare congiunta di Stati Uniti e Israele e, come molti commentatori ed esperti hanno sostenuto, è riuscito a spostare la discussione da un contesto di coercizione militare a uno di negoziati politici, cambiando di conseguenza le stesse regole del gioco.   

Sta iniziando a prendere forma un nuovo Medio Oriente, in cui lo status sia di Israele che degli Stati del Golfo viene eroso. Israele ha dovuto interrompere i suoi attacchi in Libano e Washington ha riconosciuto la necessità di un cessate il fuoco con Hezbollah per porre fine alla guerra con l’Iran e riaprire lo Stretto di Hormuz. La Repubblica Islamica, libera da sanzioni e con ampie dimensioni geografiche, demografiche e ideologiche, non è più soltanto un attore regionale ma sta raggiungendo uno status di potenza globale.   

È il suo potere sullo stretto che probabilmente ha obbligato Trump a prendere in considerazione come base legittima per i negoziati la proposta iraniana in 10 punti per porre fine alla guerra, dal togliere le sanzioni e un ritiro statunitense dal Medio oriente fino a garanzie per i suoi alleati regionali. Persino ora, mentre il presidente USA cerca di imporre un contro blocco al blocco iraniano di Hormuz, le condizioni dell’Iran hanno già iniziato a definire i confini dei colloqui.   

Il punto più drammatico qui non è l’uranio arricchito che rimane nelle mani dell’Iran né la sua insistenza nel continuare il programma nucleare civile, e neppure i missili balistici che l’Iran ha lanciato per 40 giorni contro Israele e gli Stati del Golfo arabico.   

È piuttosto il ruolo dell’Iran nella regione. L’Iran non ha rispettato la richiesta americana di sconfessare i suoi alleati in Libano, Iraq e Yemen, ma ha fatto il contrario. In particolare gli Stati Uniti e Israele sono obbligati a fare i conti con la profondità dei legami strategici tra l’Iran ed Hezbollah: Hormuz non verrà riaperto se Israele continua a bombardare il Libano.    

A questo si aggiunge un altrettanto significativo cambiamento nei rapporti tra USA e Israele, e la decisione israeliana di trascinare gli Stati Uniti in guerra potrebbe dimostrarsi il colpo di grazia. Nel giugno 2025 Israele ha agito da solo fino all’ultimo dei 12 giorni del conflitto, colpendo obiettivi militari e uccidendo importanti politici del regime, e l’Iran ha risposto lanciando missili solo contro Israele. Questa volta l’ingresso di Washington nell’attacco fin dal primo giorno ha cambiato le regole del gioco, garantendo all’Iran la legittimità per ampliare il campo colpendo le basi americane nel Golfo, coinvolgendo gli Stati della regione e soprattutto chiudendo lo Stretto di Hormuz. Ciò ha dunque trasformato uno scontro bilaterale in una crisi globale costruita da Israele con le sue stesse mani.    

Un sondaggio dell’opinione pubblica rivela un drastico declino nell’appoggio a Israele tra gli americani, sospendere la vendita di armi a Israele è rapidamente diventata una posizione maggioritaria nel partito Democratico, con una maggioranza di senatori democratici che ora votano per tali misure. Come ha rilevato una recente inchiesta del New York Times, è diventato impossibile ignorare che Netanyahu ha trascinato Trump nella guerra e la crescente reazione è un segnale sempre più chiaro del desiderio di Washington di allontanarsi dall’Israele di Netanyahu.   

Un vuoto di paradigma   

Se due anni e mezzo fa il paradigma della “gestione del conflitto” di Netanyahu è fallito, ora potremmo stare assistendo all’inizio della fine anche della dottrina della “sicurezza permanente”. Entrambi si basavano sullo stesso presupposto, cioè che la realtà può essere controllata attraverso la forza, ed entrambi hanno fallito.   

Il vuoto che accompagna il fallimento di entrambi i paradigmi rivela anche il decadimento morale all’interno della società israeliana. Il discorso pubblico è per lo più pervaso dal linguaggio dell’annientamento. Quando Trump ha minacciato di cancellare l’intera civiltà iraniana molti americani e persone in tutto il mondo hanno condannato come genocide le sue affermazioni. In Israele c’è stato silenzio, lo stesso che ha prevalso mentre le forze israeliane distruggevano Gaza o perpetravano la pulizia etnica in Cisgiordania e in Libano.   

Nonostante la marea di commentatori e politici che hanno vantato giorno e notte gli “enormi” risultati della guerra e nonostante le assicurazioni di Netanyahu che Iran ed Hezbollah sono stati indeboliti come non mai, l’opinione pubblica israeliana sta già iniziando a vedere le crepe. In un sondaggio condotto da Canale 13 dopo il cessate il fuoco con l’Iran solo il 33% di chi ha risposto credeva che Israele e gli Stati Uniti avessero vinto la guerra e il 28% che avesse vinto l’Iran. Un sondaggio simile del giornale israeliano Maariv ha scoperto dati altrettanto sorprendenti, che si sono raramente visti alla fine delle guerre o delle operazioni militari israeliane.   

Ma per comprendere la profondità del fenomeno si deve essere precisi: è il paradigma della “vittoria totale” in sè che si è spezzato. Prima a Gaza, quando i palestinesi sono rimasti lì e Hamas non è stato sconfitto, e persino ancor di più nelle ultime settimane, quando è diventato chiaro che Hezbollah, che si presumeva sconfitto, ha continuato ad operare e a lanciare decine e persino centinaia di missili al giorno. E alla fine, poichè gli israeliani vedono i rappresentanti iraniani che negoziano con gli americani da una posizione di maggior forza rispetto a quella che avevano prima della guerra conservando il controllo di una delle arterie di trasporto più importanti al mondo.   

Eppure questa frattura nella consapevolezza dell’opinione pubblica non garantisce un ravvedimento politico. Senza un progetto politico che fornisca agli israeliani un linguaggio, una direzione e un’alternativa, la crescente sensazione di fallimento politico e militare potrebbe trasformarsi in disperazione piuttosto che in critica. Tale disperazione ha la paradossale tendenza a stabilizzare lo status quo e potrebbe in ultima istanza favorire Netanyahu.  

Infatti il collasso nella gestione del conflitto e dei paradigmi della “sicurezza permanente” non indica una transizione ordinata tra quadri di riferimento. Israele sta invece cadendo profondamente in un vuoto strategico, politico e morale in cui la violenza militare continua per conto suo, persino quando smette di generare un senso o uno scopo.

(traduzione dall’inglese di Amedeo Rossi)

[Foto: Ayal Margolin/Flash90 - riprodotto su www.zeitun.info]

Cadaqués abans del turisme i de Salvador Dalí

 

Pier Maria Baldi, Vista de Cadaqués, 1668. © Biblioteca Medicea Laurenziana, Firenze, Codice Med.Pal.123.1, fol. 16

Escrit per Maria Garganté Llanes

Profesora titular de Historia del arte, Universitat Autònoma de Barcelona

El 25 de setembre de 1668, de matinada, Cosme III de Mèdici i el seu seguici van arribar a la costa catalana. La seva arribada es va produir després d'haver-se fet a la mar a la ciutat italiana de Livorno, recórrer la costa tirrena, el mar de Ligúria i el golf de Lleó. El príncep hereu de Toscana iniciava així un viatge —com a part d'un periple europeu més ampli— per la península Ibèrica. La seva intenció era visitar les principals ciutats espanyoles i portugueses i, sobretot, la tomba de l'apòstol Santiago a Compostel·la.

Avui podem resseguir l'itinerari del príncep toscà gràcies, principalment, a la crònica oficial del viatge que va escriure el comte Lorenzo Magalotti i als 86 dibuixos que va realitzar l'arquitecte florentí Pier Maria Baldi sobre les poblacions visitades. Text i vistes conformen el volum titulat Relazione ufficiale del viaggio di Cosimo III dei Medici, custodiat a la Biblioteca Medicea Laurenziana de Florència.

Recorregut de Cosme III de Médici des de Livorno fins a Cadaqués. Google Maps

Una costa militaritzada

Cadaqués, a l'extrem oriental del cap de Creus, va constituir la primera parada peninsular de les dues galeres del seguici toscà. A aquesta li van seguir els ports de Roses i Palamós abans de desembarcar definitivament a Barcelona per continuar el viatge per terra. De la crònica de Magalotti es desprèn que la decisió de fondejar a la badia de Cadaqués va venir donada per la manca de vent, que aconsellava fer parada en aquest enclavament, situat als peus del puig Pení i a resguard dels corrents del nord.

La seva geografia abrupta i el difícil accés terrestre havien condicionat tant el seu desenvolupament econòmic com la seva exposició constant als atacs pirates, en particular per part de corsaris berberiscos. Aquests continuaven representant una amenaça significativa per a les poblacions costaneres catalanes al llarg del segle XVII.

Després de la guerra francoespanyola anomenada “dels Segadors”, un tractat de pau va obligar ambdues nacions a cedir territoris, fet que va convertir Cadaqués en una població gairebé fronterera i amb una guarnició militar permanent. Segons Magalotti, això consistia en un batalló “de cent homes que depenen del rei”.

L'arribada al port de Cosme de Médici va ser saludada amb quatre trets i contestada amb tres. En la visita al castell, el príncep va observar que els soldats anaven “mig nus” i molts d'ells no tenien ni la beina de la seva espasa, en “un clar senyal de la seva extrema mendicitat”. Per això, Cosme els va acabar regalant dotze peces de drap.

El dibuix de Baldi

La vista de Cadaqués realitzada per Pier Maria Baldi està presa des del mar, tot i que adopta un punt de vista més elevat. En tractar-se de la primera població en què s'aturen en territori hispànic, el dibuix presenta la singularitat de contenir dos emblemes heràldics. Així, s'hi poden veure el de la monarquia dels Habsburg a la part superior esquerra, i el del Principat de Catalunya a la part superior dreta.

El dibuix situa en primer terme una de les galeres amb els rems desplegats i l'illot anomenat “Es Cucurucut”. Als extrems apareixen, de manera fragmentària, la proa d'una altra embarcació i un altre illot corresponent al de s'Arenella. La població resulta fàcilment recognoscible, especialment pel sector anomenat “Es baluart”. El seu perfil lleugerament sortint el distingeix, així com els edificis que s'aixequen directament sobre la muralla, encara perfectament recognoscible i on s'observen algunes de les seves torres dempeus.

Pier Maria Baldi, Vista de Cadaqués, 1668. © Biblioteca Medicea Laurenziana, Firenze, Codice Med.Pal.123.1, fol. 16.

Per la seva banda, l'església parroquial, tot i ser identificable, apareix una mica desdibuixada a causa de l'absència del campanar, que encara no s'havia construït i que avui constitueix un dels elements més característics del perfil de la població. Així mateix, encara faltaven prop de quaranta anys per a l'execució del seu retaule major, considerat actualment un dels exemples més notables del barroc català conservat in situ.

Davant el context esmentat d'inseguretat pels atacs corsaris, Cadaqués va desenvolupar un sistema defensiu d'acord amb els seus recursos. Tot i que en el dibuix es distingeix la torre del castell (avui desaparegut) a la part alta del nucli urbà, no disposava d'una fortalesa monumental. Tanmateix, comptava amb diverses torres de vigilància costanera, algunes de les quals es distingeixen en diferents punts de l'horitzó.

A banda i banda del conjunt emmurallat i més compacte s'estenen dos ravals. Les poques cases a mà esquerra es correspondrien avui amb les de Port Doguer, mentre que les situades a mà dreta, on es distingeixen fins i tot algunes empallissades a la platja, avui serien les del passeig marítim que condueix a les platges d'Es Poal i Es Pianc.

D'un lloc ‘miserable’ a icona de la Costa Brava

En el seu llibre sobre Cadaqués, el gran prosista Josep Pla assenyala de manera elegíaca que els pescadors solien pintar les seves embarcacions de negre, en consonància amb la pobresa del lloc.

Aquesta peculiar situació d'aïllament no va ser incompatible amb el comerç marítim amb ciutats com Gènova, Nàpols o l'Havana, o fins i tot amb l'origen grec d'alguns pescadors i coralers locals. La sortida per mar era més fàcil i natural que per terra, de manera que abans del segle XIX, Cadaqués va arribar a ser el segon port de la província de Girona en volum de mercaderies, només per darrere de Sant Feliu de Guíxols i per davant de Roses i Palamós.

Cadaqués de nit, per Eliseu Meifrèn, al 1911. Museu Nacional d'Art de Catalunya

A finals del segle XIX, l'arribada de famílies benestants i cultes, com els Pitxot, va afavorir la creació d'un ambient intel·lectual al qual també van contribuir notables locals com els Rahola. Aquest context va actuar com un poderós focus d'atracció per a artistes. Un dels primers a arribar-hi va ser Eliseu Meifrén, la pintura del qual va captar nombrosos racons de la llavors solitària bellesa d'aquesta vila marinera.

Amb el pas del temps, la població va deixar de ser aquell lloc “miserable” descrit per Magalotti per convertir-se, durant la primera meitat del segle XX, en una imatge icònica del paisatge català i en un nucli destacat de l'avantguarda artística. Va succeir especialment al voltant de la figura de Salvador Dalí qui, tot i que no va néixer a Cadaqués, hi va passar els estius de la seva infantesa i la petjada del paisatge va definir el seu imaginari pictòric. Més endavant, l'artista va adquirir i transformar diverses barraques de pescadors a la badia propera de Portlligat en la seva cèlebre casa-taller, avui convertida en museu i visitada anualment per milers de persones.

Panoràmica de la badia de Cadaqués, d'Antoni Bartumeus i Casanovas (feta entre 1906 i 1924). Memòria Digital de CatalunyaCC BY-NC-ND

La presència de Dalí va actuar com un autèntic imant per a altres artistes, intel·lectuals i creadors internacionals. Al llarg del segle XX, figures com Pablo Picasso, Richard Hamilton, Marcel Duchamp, Federico García Lorca i Man Ray, entre d'altres, van passar temporades a Cadaqués o hi van trobar inspiració, fet que va consolidar la seva reputació com a enclavament artístic.

En definitiva, tot i que aquesta vila marinera és una de les més representades en tot el paisatgisme català, va ser un arquitecte florentí del segle XVII el primer a plasmar la bellesa i singularitat del seu paisatge.


El projecta compta amb el suport del The Medici Archive Project de Florència, dirigit per Alessio Assonitis, expert internacional en els Medici, i del Centro Interdipartimentale di Ricerca sull’Iconografia della Città Europea, dirigit per Alfredo Buccaro, expert internacional en coreografies urbanes. A més, col·laboren la Biblioteca Medicea Laurenziana i el Kunsthistorisches Institut de Florència

[Font: theconversation.com]