sexta-feira, 6 de março de 2026

Mor António Lobo Antunes, gegant de la literatura portuguesa, a 83 anys

António Lobo Antunes era un dels escriptors més grans de les lletres portugueses, amb més de trenta novel·les editades 


Escrit per Berto Sagrera

S'ha mort António Lobo Antunes, gegant de la literatura portuguesa, a 83 anys, segons recullen diversos mitjans locals aquest dijous i ha confirmat a Efe un portaveu de l'editorial Leya —on hi ha diversos dels seus llibres publicats. Era un dels escriptors més grans de les lletres portugueses i autor d'una obra àmplia amb més de trenta novel·les editades.

Nascut a Lisboa el 1942, en el si d'una família burgesa, Lobo Antunes va estudiar Medicina i es va especialitzar en Psiquiatria. Com a metge militar va ser a Angola durant la guerra colonial, una experiència que va marcar de forma decisiva la seva obra. El 1979 va fer el seu debut literari a Portugal amb Memória de Elefante i, una mica més tard aquell mateix any, va publicar Os Cus de Judas, l'obra que el va consagrar com una de les veus més poderoses de la ficció portuguesa. Encara més, sempre va sonar com a candidat al Premi Nobel de Literatura.

La soledat, la mort, l'amor, la bogeria i la guerra colonial van ser temes recurrents en les seves obres. Ara bé, el mateix escriptor havia explicat en diverse entrevistes que mai no plantejava com escriure les seves novel·les, tal com recorda aquest dijous el setmanari Expresso. "Les imatges m'arriben sense saber molt bé com ni d'on", va dir a Expresso en una d'aquestes entrevistes, en la qual també va afirmar que la memòria era el motor de la seva escriptura.

La seva obra va ser traduïda i editada en molts països, com Espanya, França, Itàlia, el Regne Unit, els Estats Units, el Canadà i el Brasil. En la seva extensa bibliografia, hi ha novel·les com Ontem não te vi em BabilóniaO meu nome é LegiãoO arquipçelago da insóniaQue cavalos são aqueles que fazem sombra no mar?Sôbolos rios que vãoComissão das lágrimas o O tamanho do mundo.

 

 

[Foto: Wikimedia Commons - font: www.elnacional.cat]

 

quinta-feira, 5 de março de 2026

«António Lobo Antunes mudou a literatura portuguesa»

Maria da Piedade Ferreira foi editora de António Lobo Antunes na Dom Quixote nos últimos 15 anos. Sobre o livro de poemas do autor a publicar em abril, considera que será "um livro importante".

António Lobo Antunes a autografar livros na Feira do Livro de Lisboa, em 2009.
Escrito por Carla Alves Ribeiro

Maria da Piedade Ferreira foi editora de António Lobo Antunes na Dom Quixote nos últimos 15 anos e sublinha o impacto que o escritor teve na literatura portuguesa, desde a primeira hora. "Teve uma importância enorme. O António Lobo Antunes mudou a literatura portuguesa, porque quando ele começou a publicar - Memória de Elefante -, foi um cometa na literatura portuguesa que estava nessa altura muito marcada pela política, era uma literatura muito engagé. E ele saiu completamente disso para uma literatura diferente, para uma literatura sobre as pessoas, os sentimentos, e depois também os livros sobre a guerra, porque ele foi médico militar e fez a guerra em Angola. E isso marcou-o muito também e há livros que refletem isso", diz Maria da Piedade Ferreira ao DN.

A editora da Dom Quixote diz que trabalhavam "muito bem juntos", apesar da personalidade por vezes difícil do escritor. "Ele era uma pessoa exigente e autoritária, mas quando dava as coisas estavam completamente prontas, ele não gostava nada de que eu lhe indicasse coisas que não estavam exatas, datas, por exemplo. Ficava muito zangado comigo, mas depois dava-me razão".

Eterno candidato ao prémio Nobel da Literatura, Maria da Piedade Ferreira revela que "ele a partir de certa altura deixou de pensar nisso, deixou de algum modo de lhe interessar. Ele achava que merecia - e teria merecido -, mas os anos passavam e não vinha; e depois, a certa altura, isso passou a nem sequer fazer mais parte da conversa".

Sobre o novo livro do escritor que a Dom Quixote anunciou que será lançado em abril, Maria da Piedade Ferreira adianta ao DN "que ainda em vida ele juntou os poemas que tinha feito, uns publicados, outros inéditos, e eu tenho esse livro já pronto a imprimir. Portanto, daqui a um ou dois meses estará na rua".

O título ainda não está escolhido, mas a editora adianta que lhe vai dar o nome de um dos poemas, só ainda não sabe qual.

"E é um livro grandinho, não é um livrinho pequeno. Junta tudo o que ele publicou e não publicou, portanto vai ser um livro importante", considera a editora.

 

[Foto: Lionel Balteiro - fonte: www.dn.pt]

Morreu o escritor António Lobo Antunes

Com o seu estilo único, Lobo Antunes foi um dos mais reconhecidos e premiados escritores portugueses das últimas décadas.


Morreu esta quinta-feira aos 83 anos o escritor António Lobo Antunes, um dos nomes que mais marcaram a literatura portuguesa no último meio século. Licenciado em Medicina com especialização em Psiquiatria, dedicou-se à escrita a tempo inteiro em 1985, afirmando que o fazia “para combater a depressão”, embora mantivesse por mais de uma década a rotina da ida semanal ao Hospital Miguel Bombarda "para não ficar maluco".

Nessa altura já contava com vários livros publicados, como “Memória de Elefante” e “Os Cus de Judas” (1979), "Conhecimento do Inferno" (1980) e "Explicação dos Pássaros" (1981), com tema que giravam em torno da experiência da guerra colonial, que viveu mobilizado para Angola entre 1971 e 1973, e pelo exercício da psiquiatria que dizia ter-lhe dado “um raciocínio diferente, uma maneira particular e talvez mais aguda de encarar o mundo”. 

"Parte importante da obra literária de Lobo Antunes é um monumento de denúncia da guerra colonial e do colonialismo, culminando no devastador “O Esplendor de Portugal”. A ficção em contraponto com a doutrina oficial, assumindo o verdadeiro peso da realidade", escrevia Mário Tomé em 2010, a propósito de uma polémica lançada por ex-militares contra o escritor.

“Nunca soube verdadeiramente fazer outra coisa que não escrever”, disse Lobo Antunes em 2004, quando se assinalavam 25 anos da sua carreira literária. Uma carreira repleta de prémios nacionais e internacionais e doutoramentos honoris causa, mas também com o reconhecimento do público que além dos seus livros o lia nas muitas centenas de crónicas que escreveu para a imprensa nacional.

Lobo Antunes deixa mais de três dezenas de romances publicados, metade dos quais nos últimos 20 anos, vários livros de crónicas reunidas, um livro para crianças e uma coletânea de correspondência de guerra que esteve na base do filme de Ivo M. Ferreira, “Cartas de Guerra”.

“Sou demasiado individualista e rebelde para aceitar uma disciplina partidária”, dizia o escritor em 2007. A sua intervenção política passou em 1980 pelo apoio à APU e mais recentemente, em 2022, apoiando António Costa. Nos anos da troika criticou o governo de Passos Coelho, afirmando que “os portugueses estão a viver de forma muito dura e a ser tratados como cães". Mais tarde, juntou a sua voz em defesa da autodeterminação da Catalunha e pela amnistia aos políticos independentistas condenados após a realização do referendo em 2017.

“Lobo Antunes conseguiu, com honestidade crua, denunciar a brutalidade da guerra colonial, mas também dar a conhecer recantos escondidos da humanidade. Perdemos todos com a sua morte”, afirmou esta quinta-feira o coordenador do Bloco de Esquerda, somando-se às inúmeras mensagens de reconhecimento vindas de todo o espectro da política e da sociedade portuguesa.

[Foto: Georges Seguin - fonte: www.esquerda.net]

António Lobo Antunes: «Faig els llibres que puc, els que es deixen fer»

L'escriptor portuguès, que ja no rebrà mai el Nobel de literatura, va intentar avançar-se al seu temps 


Escrit per Eva Piquer

L'escriptor portuguès António Lobo Antunes (Lisboa, 1 de setembre del 1942 - Lisboa, 5 de març del 2026) ha mort als 83 anys sense haver rebut el premi Nobel de literatura, tot i que va sonar de forma recurrent com a candidat al guardó. Entre 1971 i 1973 va servir com a metge militar a la guerra d'alliberament colonial d'Angola. Considerat un dels grans renovadors de la literatura contemporània, la seva obra destaca per un estil dens, polifònic i una exploració profunda de la ment humana i del passat colonial de Portugal. Destaquem 14 frases d'una conversa que va tenir lloc la primavera del 2005 a Barcelona.

1. Tots els llibres són autobiogràfics encara que no parlin de cap episodi factual de la vida de l'autor.

2. La història que trio explicar a cada llibre és el pretext que m’ajuda a arrencar. No començo mai amb una idea. A vegades començo amb un color, un to, una melodia, una frase... I em deixo portar.

3. Abans feia plans molt detallats, ara no: el llibre mana i es fa d’acord amb les seves normes, no pas amb les meves. No pots pretendre estar embarassada i decidir que el fill neixi ros o morè: surt com surt. El llibre té una identitat pròpia i, per molt que el vulguis acotar, sempre se t’escapa. L’escriptor s’ha de limitar a escoltar les veus que li dicten el que ha d’escriure. Si el llibre és bo, no deixa que l’autor li imposi la seva voluntat. Si un llibre obeeix, senyal que és dolent. Passa el mateix amb les persones: si en una parella tots dos pensen el mateix, vol dir que un dels dos no pensa.

4. Treballo en la foscor, avançant com un cec, i quan finalment obro els ulls i veig el que he fet, em sento feliç i alleujat. Em preocupa molt decebre la gent que des del principi va confiar en mi, amb una fe que jo no compartia.

5. Intento modificar l’art d’escriure, avançar-me al meu temps, i això no sempre és ben rebut. Fins i tot per a mi encara és massa aviat per entendre el que estic fent.

6. No soc candidat a res, el Nobel te’l donen o no te’l donen i ja està.

7. Jo no faig els llibres que vull, faig els llibres que puc, els que es deixen fer. Per escriure has de tenir molta humilitat, no pots presumir d’haver fet una cosa que no et pertany: els llibres ja existien abans d’escriure’ls, i tu has tingut la sort d’haver topat amb ells.

8. Quan acabo un llibre estic molt agraït amb el món, cada llibre és un miracle. Sempre em fa por ser incapaç d’escriure’n un altre.

9. Fins als 19 anys només escrivia poesia, però un bon dia em vaig adonar que era un poeta molt dolent. Escriure és una droga dura: com que aleshores ja hi estava enganxat, em vaig fer novel·lista.

10. El meu admirat Céline em va dir que ser escriptor requereix massa temps i sacrificis, i és cert. Vaig estudiar medicina per imperatiu familiar i perquè no es pot viure de la literatura. I em vaig especialitzar en psiquiatria, cosa que m'ha permès aprofundir en els traumes aliens.

11. Els cafès són plens d’escriptors que no escriuen, de pintors que no pinten i de músics que no componen. Hi ha molts artistes i ben poques obres d’art.

12. Em desconcerta que el món sigui tan ple d’artistes amb ganes de ser-ho. El drama ve quan et volen ensenyar les seves creacions.

13. Si no escrius ni pintes ni compons et pots dedicar a fer una obra d’art de la teva vida, que és molt més important que qualsevol llibre. La vida està per damunt de la literatura.

14. Als lectors que intenten llegir els meus llibres i els troben massa difícils, els diria que ho tornin a intentar sense prejudicis. Que tinguin paciència, que no llegeixin amb el cap, que tirin endavant com si caminessin enmig de la boira. Les coses s’entenen quan deixes d’esforçar-te per entendre-les. Els llibres no són per ser llegits, sinó per ser viscuts. Has de ficar-t’hi dins fins a emmalaltir. A mi em va passar amb Pedro Páramo: el llegia i no l’entenia. Però el problema no el tenia Rulfo, el tenia jo. Amb les persones passa el mateix: a vegades no comprenem algú perquè és diferent de nosaltres i ens costa penetrar en el seu univers. Però el defecte és nostre.

[Foto: Penguin Random House - font: www.catorze.cat]

Sirat : une fascinante et inoubliable onde de choc

SIRAT

Un film de Oliver Laxe


Écrit par Olivier Bachelard

Synopsis du film

Le fin fond du Maroc. Luis, un père espagnol, recherche sa fille aînée disparue dans le milieu des rave-partys. Accompagné de son jeune fils Estéban et de sa chienne, il campe au milieu des autres camping-cars et se mêle à la foule, montrant le portrait de celle-ci à qui veut bien les écouter. Déterminé, il s’enfonce dans le désert avec son van, à la suite d’un groupe de ravers se dirigeant vers une autre fête, plus loin dans le désert…


Critique du film SIRAT

Film espagnol reparti du dernier Festival de Cannes avec un fort mérité Prix du jury, "Sirat" est le quatrième long métrage d’Oliver Laxe ("Viendra le feu" prix du jury à Un Certain Regard en 2019, "Mimosas, la voie de l’Atlas" grand prix de la Semaine de la critique en 2016). Et le moins que l’on puisse dire c’est que son entrée dans la cour des grands a été plus que remarquée, devenant le film choc de cette édition 2025, par ses scènes marquantes et un assez incroyable travail sur le son, facteur d’immersion indéniable dans ce milieu des rave-parties, mais pas uniquement. Car le film nous entraîne à la suite d’un van, lancé sur les pistes du désert comme de montagnes, conduit par un père (Sergi Lopez, impeccable d’entêtement et de détresse à peine dissimulée), son fils Estéban et leur chienne silencieuse, à la recherche de la fille aînée partie de la maison. Un reste de famille qui devra se confronter autant aux personnes qu’aux éléments.

Vibrations, bourdonnements, basses intenses et soutenues, la bande originale du film et son impressionnant travail sur le son nous plongent dans le monde des rave-partys et englobent cette course éperdue dans le désert, à la recherche d’une connexion perdue. Avec pour toile de fond un monde qui va mal (on perçoit des nouvelles inquiétantes d'une guerre généralisée, on aperçoit des colonnes de véhicules militaires qui passent…), "Sirat" nous introduit à un groupe de marginaux et d’estropiés lancés sur les pistes du désert marocain, entre différentes fêtes, transportant eux-mêmes des baffles énormes, synonymes d’échappée vers d’autres états du corps ou de l’esprit. Véritable immersion sonore et sensorielle, la mise en scène joue de la transe dans laquelle se retrouve peu à peu le spectateur, pour mieux asséner divers uppercuts, coups de théâtre soudains dont l’onde de choc vous suivra bien après la séance.

À l’image d’une humanité qui court à sa perte, le film fait intelligemment contraster toute la beauté du monde avec la noirceur des actions humaines, capables d’emporter même les innocents. L’effroi qui nous saisit ponctuellement est ainsi à la hauteur de la beauté des lieux et de cette mise en scène, qui n'a que l'apparence de la simplicité. Du nom du pont, dans la croyance islamique, que l’on doit traverser avant la mort, et menant vers l’enfer ou le paradis, "Sirat" est une œuvre à la fois inattendue, envoûtante et fortement déstabilisante, qui vous emporte et vous secoue au fil des épreuves que doit franchir le convoi : route de montagne, plaine désertique, tempêtes… Certes les personnages, peu approfondis, gardent une part de mystère, mais la symbolique est forte, jusque dans le plan final, qu’on pourra lire de différentes façons. LE film de la rentrée à ne surtout pas manquer.


[Images : Pyramide Distribution - source : www.abusdecine.com]



Els rètols dels carrers d’Eivissa seran només en català

Fem-ho en Català força l’Ajuntament a retirar la licitació de la nova senyalització bilingüe, contrària a la normativa lingüística

L’Ajuntament d’Eivissa ha hagut de fer marxa enrere i retirar la licitació dels nous rètols dels carrers de la ciutat, que havien de ser en format bilingüe i incloure el tipus de via en català i castellà (carrer-calle, passeig-paseo, avinguda-avenida), segons ha informat l’associació Fem-ho en Català, que va presentar un recurs contra els plans del consistori. Els Serveis Jurídics de l’Ajuntament diuen que l’associació “no disposa de legitimació per interposar aquest recurs”, però n’accepten els arguments per tal de complir amb la normativa lingüística vigent.

El consistori reconeix que, “en el marc del compliment de la Llei 3/1986 i del Reglament de Normalització Lingüística de l’Ajuntament d’Eivissa” “des dels anys noranta, s’han anat substituint les velles plaques que identifiquen els noms dels carrers del municipi per d’altres íntegrament en català, sense fer distincions entre el genèric (tipus de via) i el topònim concret, una acció municipal que ha comptat, des dels seus inicis, amb una massiva acceptació per part de la ciutadania, sense que en cap moment hi hagi hagut cap queixa o denúncia expressa al·legant vulneració de drets lingüístics personals”.

L’Ajuntament admet que “la retolació de les vies urbanes al municipi d’Eivissa ha de ser únicament en català, inclosos els genèrics, atès que no es vulnera cap dret lingüístic, per la seva pròpia naturalesa identificativa i identitària” i assenyala que la retolació de les vies en dues llengües significa ”una passa enrere en el procés de normalització lingüística” iniciat per l’Ajuntament a partir dels anys noranta. L’Ajuntament ha ordenat l’”inici immediat” d’una nova licitació del contracte.

“Anomalia lingüística”

Fem-ho en Català ha assenyalat que “no existeix cap situació sociolingüística extraordinària que pugui justificar una desviació tan evident de la norma” i que “ja fa quaranta anys que es començaren a instal·lar els primers rètols indicadors de carrers i vies en català” i “no hi deu haver cap municipi a les Illes Balears que no els tengui normalitzats”. “Eivissa hagués esdevingut una anomalia en el paisatge lingüístic insular si no ho haguéssim aturat”, afegeix l’associació, que celebra que l’Ajuntament d’Eivissa hagi escoltat la seva demanda i que els seus tècnics l’hagin avalada. “Els carrers seran carrers i les avingudes seran avingudes. Clar i català”, conclou Fem-ho en Català.

[Foto: CC BY-SA 2.0 - font: www.diaridelallengua.cat]

Disparaître pour se retrouver

Dans son nouveau roman, L’art de disparaître, dont paraît la traduction française en ce mois de février, l’écrivaine Maria Stepanov interroge son identité russe et se met en quête d’elle-même.

« Suprematisme », Olga Rozanova (1916)

Écrit par Isaure Hiace

« En cet été 2023, l’herbe poussait comme si de rien n’était, comme si c’était nécessaire, comme si elle voulait montrer, une fois de plus, qu’elle s’obstinerait dans son désir de pointer hors de terre. » Tout aussi persévérante est la narratrice de L’art de disparaître. Celle-ci est – tout comme l’autrice, Maria Stepanova, romancière, poétesse, essayiste et journaliste reconnue – une femme russe au mitan de sa vie, exilée en Allemagne. Si aucun pays n’est cité dans le roman, ils sont, à dessein, facilement reconnaissables. D’ailleurs, la narratrice, prénommée M., est écrivaine elle aussi, mais une écrivaine qui n’écrit plus. Elle doit se rendre à un festival littéraire dans un pays étranger, rencontrer des lecteurs qui espèrent qu’une discussion avec l’auteure entrouvrira « une porte dans un mur de papier ». Mais elle n’ira pas. Elle loupe sa correspondance et décide de rester dans la ville où son premier train l’a conduite. C’est son premier art de disparaître : elle éteint son téléphone, se fond dans la masse, observe les inconnus autour d’elle, erre dans la ville. Ainsi suit-elle sans réfléchir un homme dont les épingles à cheveux l’intriguent, jusqu’à faire avec lui un étrange escape game, puis elle finit par découvrir un cirque, qui la recrute pour un numéro : celui de la femme coupée en deux, incarnation symbolique de son exil. Le roman pourrait n’être que ça : une déambulation dans une ville inconnue, une succession de choses vues. Il ne l’est pas et son intérêt réside ailleurs : dans les sensations et réflexions de cette écrivaine qui semble se dissoudre sous nos yeux. 

Et cela est intrinsèquement lié à son pays d’origine, la Russie. Pays « qui mèn[e] à présent une guerre contre un autre […], sans pouvoir ni le vaincre ni se résigner à l’idée que celui-ci ne se laisse pas dévorer » et qui «trouv[e] aussi le temps de tuer ses habitants, qu’il vo[it] comme ses propres organes – organes rebelles, dangereux, qui le détourn[ent] de ses chasses et de ses festins ». Ce régime – nommé ici « la bête » – n’est pas décrit comme quelque chose d’extérieur à ses habitants, ni même de distinct, fussent-ils ses opposants. La réflexion porte, au contraire, sur ceux qu’il a avalés et qui dès lors le constituent, qu’ils le veuillent ou non. M. se demande comment combattre une bête qui n’est «ni devant ni derrière moi [mais] partout autour, au point qu’il m’a fallu des années pour m’apercevoir que je vivais en elle et que j’y étais peut-être née ». Mais cela, elle ne peut le dire à ses interlocuteurs, sans doute parce qu’ils ne le comprendraient pas, mais peut-être aussi parce qu’elle éprouve une forme de culpabilité, celle d’être une partie de cette bête qui a eu la chance, sans trop comprendre comment, d’en être « éjectée ». Et si cette vérité, aux yeux de l’écrivaine, «décrédibilise [s]on récit », cela lui offre au moins la possibilité de décrire « l’aménagement intérieur de la créature », dont elle est «sortie depuis peu » pour gagner «la terre ferme ».  

Le deuxième « art de disparaître » concerne la langue. Certes, la sienne, le russe qu’elle ne parle plus, est « antérieure à la bête », mais elle s’est « brusquement couverte d’une mucosité suspecte », s’est « ensauvagée et ne reconnai[t] plus ses familiers ». Au fil de ses déambulations, la narratrice tombe sur le Grand Hôtel Petukh. Si voir ce lieux luxueux affublé de ce nom, qui signifie « coq » en russe, l’amuse d’abord, l’autre sens de ce mot, indissociable de l’URSS, s’impose. C’est ainsi qu’on appelle ceux qu’on « rabaissait » dans le camp ou dans la prison : « soit le malheureux était violé collectivement […] soit on lui plongeait la tête dans les latrines, le souillant à jamais ». Et le moindre contact avec un petukh « vous rendait « impur » à votre tour, comme si vous étiez aussitôt contaminé ». C’est la langue qui est ainsi souillée et qui dès lors disparaît de la bouche de la narratrice. Culpabiliser cette langue, qui, comme d’autres, porte « sous [son] épiderme des ecchymoses, des balafres » est « absurde et injuste », mais comment faire autrement ? On assiste dans ce roman à ce questionnement profond, non résolu, à cette lutte entre le silence et le verbe, à cette tension entre disparaître et exister.

C’est le troisième « art de disparaître » : celui de l’identité même. La narratrice est constituée par une « sensation de chute constante – impression d’être transparente […], de passer au travers et de tomber de plus en plus profond ». Mais le récit ouvre un espoir : celui d’exister autrement. Après tout, il paraît que « le corps humain a pour habitude de renouveler complètement ses cellules en sept ans, de sorte qu’à l’issue de ce septennat, l’on se réveille autre sans en avoir conscience ». C’est là que le récit a sa portée universelle car se (re)définir passe par les histoires, celles qu’on nous raconte et celles qu’à notre tour on raconte. Tout au long du roman, dans une langue onirique, bien rendue par la traduction d’Anne Coldefy-Faucard, Maria Stepanova fait ainsi appel à des contes venus de différents pays, qui peu à peu (re)construisent un corps et un esprit, forment un ADN. Ainsi ce conte dans lequel on tente de ranimer le héros taillé en morceaux par des scélérats : il faut d’abord « rassembler tous les éléments du corps, remettre à sa place tout ce qui avait été tranché et disséminé dans la steppe, en refaire une chair unie ». Puis on apporte deux flacons d’eau, l’un d’eau morte, l’autre d’eau vive. Le défunt est arrosé d’eau morte, le corps « se resoud[e] » alors, « reconstitue son intégrité perdue » et, sous l’effet de l’eau vive, ensuite, « les yeux qui ne voyaient rien s’ouvr[ent] », « les membres sectionnés retoruv[ent] leur chaleur habituelle, voici que l’homme [est] à nouveau sur pied, comme neuf ». C’est précisément ce que s’attelle à faire Maria Stepanova dans ce roman : reconstruire par les mots, disparaître en eux, pour se retrouver.

 

Maria Stepanova | L’art de disparaître. Trad. du russe par Anne Coldefy-Faucard. Stock, 208 p., 20 €

 

[Illustration : CC0/WikiCommons  - source : www.en-attendant-nadeau.fr]

«La posición del Gobierno de España se resume en cuatro palabras: no a la guerra»

 


Así se expresó en la mañana de hoy, desde el Palacio de La Moncloa, el presidente español Pedro Sánchez. El mandatario analizó la crisis de Medio Oriente, esclareció la posición de su gobierno y afirmó: “No vamos a ser cómplices de algo que es malo para el mundo y que también es contrario a nuestros valores e intereses.”

Estos son algunos de los tramos principales de su discurso. (Texto completo al final de esta nota)

“La posición del Gobierno de España ante esta coyuntura es clara y consistente. Es la misma que hemos mantenido en Ucrania o también en Gaza. En primer lugar, no a la quiebra de un derecho internacional que nos protege a todos, especialmente a los más indefensos, a la población civil. En segundo lugar, no a asumir que el mundo solo puede resolver sus problemas a base de conflictos, de bombas. Y finalmente, no a repetir los errores del pasado. En definitiva, la posición del Gobierno de España se resume en cuatro palabras: no a la guerra”.

“De la guerra de Irán  no va a salir un orden internacional más justo, ni tampoco van a salir de ella salarios más altos, ni mejores servicios públicos, ni un medio ambiente más saludable. (…) Lo que de momento podemos vislumbrar son más incertidumbre económica, subidas de precio de petróleo y también del gas. Por eso desde España estamos en contra de este desastre, porque entendemos que los gobiernos estamos aquí para mejorar la vida de la gente (…). Y es absolutamente inaceptable que aquellos dirigentes que son incapaces de cumplir con ese cometido, usen el humo de la guerra para ocultar su fracaso y llenar de paso los bolsillos de unos pocos, los de siempre. Los únicos que ganan cuando el mundo deja de construir hospitales para construir misiles.”

“Vamos a colaborar, como hemos hecho siempre, con todos los países de la región que abogan por la paz y por el cumplimiento de la legalidad internacional, que son dos caras de la misma moneda. (…)  Y vamos a seguir trabajando para lograr una paz justa y duradera en Ucrania y en Palestina, dos lugares que merecen no ser olvidados.

“Por último, el Gobierno va a seguir exigiendo un cese de las hostilidades y una resolución diplomática de esta guerra. Y quiero además explicitarlo, porque sí, la palabra adecuada es exigir. Porque España es un miembro pleno de la Unión Europea, de la OTAN y de la comunidad internacional. Y porque esta crisis también nos afecta a nosotros, a los europeos y por consecuencia, a los españoles. (…) Lo he dicho en muchas ocasiones y lo repito ahora, no se puede responder a una ilegalidad con otra, porque así es como empiezan los grandes desastres de la humanidad.

«Debemos aprender de la historia y no podemos jugar a la ruleta rusa con el destino de millones de personas. Las potencias involucradas en este conflicto deben cesar inmediatamente las hostilidades y apostar por el diálogo y la diplomacia. Y los demás debemos actuar con coherencia, defendiendo ahora los mismos valores que defendemos cuando hablamos de Ucrania, de Gaza, de Venezuela o de Groenlandia. Porque la pregunta no es si estamos o no a favor de los ayatolás. Nadie lo está. Desde luego, no lo está el pueblo español y, por supuesto, tampoco el Gobierno de España. La pregunta, en cambio, es si estamos o no del lado de la legalidad internacional y, por tanto, de la paz.

«Nosotros repudiamos al régimen de Irán que reprime, que mata vilmente a sus ciudadanos, particularmente a las mujeres. Pero al mismo tiempo rechazamos este conflicto y pedimos una solución diplomática y política. Algunos nos van a acusar de ser ingenuos por hacerlo, pero lo ingenuo es pensar que la solución es la violencia. Ingenuo es creer que las democracias o el respeto entre naciones brotan de las ruinas. O pensar que practicar un seguidismo ciego y servil es una forma de liderar. Al contrario, yo creo que esta posición no es en absoluto ingenua, es coherente y por tanto, no vamos a ser cómplices de algo que es malo para el mundo y que también es contrario a nuestros valores e intereses, simplemente por el miedo a las represalias de alguno.

«Algunos dirán que estamos solos en esta esperanza, pero tampoco es verdad. El Gobierno de España está con quienes tiene que estar. Está con los valores que nuestros padres y abuelos fijaron en nuestra Constitución. España está con los principios fundacionales de la Unión Europea. Está con la Carta de Naciones Unidas. Está con el derecho internacional y por tanto, está con la paz y la existencia pacífica entre países y su convivencia. Estamos, además (…) con millones de ciudadanos y ciudadanas que lo que piden al mañana no es más guerra o más incertidumbre, sino más paz y más prosperidad. Porque lo primero solo beneficia a unos pocos y lo segundo nos beneficia a todos». 


Texto completo del discurso

[Fuente: www.pressenza.com]