terça-feira, 3 de novembro de 2026

90 anos do Tarrafal - um campo de concentração português

Seguindo o exemplo de Adolf Hitler, Salazar também criou um campo de concentração para presos políticos. Escolheu um local em Cabo Verde, especialmente propício a doenças tropicais, como febres palustres e biliosas. Foi no dia 29 de outubro de 1936 que entrou em funcionamento.

Fotografia aérea de 1937 do Campo de Concentração do Tarrafal. Foto: Omar Camilo

Escrito por Luís Carvalho

Seguindo o exemplo de Adolf Hitler, Salazar também criou um campo de concentração para presos políticos.

Escolheu um local em Cabo Verde, especialmente propício a doenças tropicais, como febres palustres e biliosas. Somaram-se torturas e maus-tratos, subalimentação e negação de assistência médica.

Resultado: ali morreram cerca de 10% dos prisioneiros. Apesar de que eram homens na força da vida, sobretudo entre os 25 e os 45 anos.

Entre os mortos do Tarrafal ficaram dois dos mais importantes líderes do movimento operário português à época: o ferroviário anarquista Mário Castelhano (aos 44 anos) e o torneiro mecânico comunista Bento Gonçalves (aos 40 anos).

Foi no dia 29 de outubro de 1936 que entrou em funcionamento. 

Mário Castelhano e Bento Gonçalves
Foi Salazar que disse

O Dicionário de História de Portugal, dirigido por António Barreto e Maria Filomena Mónica, repete o discurso da ditadura, designando o Tarrafal como “colónia penal”.

E vá de sentenciar que isso de lhe chamar “campo de concentração” era coisa da “propaganda antirregime”. E que dava uma “conotação” abusiva com os “campos de extermínio nazis”.

Acontece que foi a própria ditadura que começou por fazer essa “conotação”.

Fê-lo em janeiro de 1934, logo após reprimir uma revolta contra a dissolução forçada dos sindicatos livres - o 18 de janeiro.

Numa “nota oficiosa”, o governo de Salazar anunciou a intenção de deportar os revoltosos para um “campo de concentração”, que previa instalar em Angola.

Era já o que viria a concretizar dois anos depois no Tarrafal.

Essa “nota oficiosa” está publicada em vários jornais do dia 20 de janeiro de 1934. Por exemplo, no Diário de Lisboa.

E repetiu…

Depois, no decreto que instituiu o Tarrafal, foi novamente o governo de Salazar que o “conotou” com um “campo de concentração”.

Fazendo alusão a um projecto anterior, também em Cabo Verde, afirma que “a colónia penal criada por este decreto poderá instalar-se provisoriamente” utilizando os meios “destinados ao campo de concentração da Ilha de S. Nicolau”.

Este decreto está publicado no Diário do Governo de 23 de abril de 1936.

2ª Guerra Mundial

Em 1936 ainda não existiam os “campos de extermínio” nazis, com câmaras de gás para assassinar populações judaicas numa escala industrial. Esses só surgiram em 1941/42, num contexto radicalizado pela 2ª Guerra Mundial.

Ao criar o Tarrafal, o modelo nazi que Salazar seguiu foi uma coisa diferente. Foi o “campo de concentração” para presos políticos criado por Hitler em 1933, junto à cidade alemã de Dachau. E cujo alvo principal também foi o movimento operário.

O dicionário dirigido por António Barreto e Maria Filomena Mónica confundiu, afinal, coisas diferentes. E que importa saber distinguir?

A Biblioteca Wiener do Holocausto define “campo de concentração” como um “local onde pessoas são concentradas e aprisionadas sem julgamento”, sendo “usualmente exploradas como mão de obra e submetidas a duras condições”, com “desprezo pelas suas vidas e pela sua saúde”.

“Mesmo método”

Indo aos factos, o tal dicionário dirigido por Barreto e Mónica reconhece que no Tarrafal o “processo utilizado para executar adversários do regime” seguiu o mesmo “método, por sinal utilizado em grande escala nos campos alemães”, que “era o da chamada ‘morte natural’ (também assim lhe chamavam os nazis)”.

E descreve a “falta de condições de salubridade e higiene, na subnutrição, na quase inexistência de medicamentos, na recusa de assistência médica e na exposição deliberada ao mosquito da malária”.

Note-se que, no decreto que instituiu o Tarrafal, o governo de Salazar assumiu que escolheu a sua localização “depois de um reconhecimento cuidadosamente feito por técnicos”. O qual concluiu que aquele local era o que “reunia as condições necessárias”, “sob o ponto de vista higiénico”…

“Condenação à morte”

Mais diz o dito dicionário que “acresciam o trabalho forçado, a tortura […] e os espancamentos”. E conclui que era “praticamente uma condenação à morte, ainda que aleatória na escolha das vítimas”.

Aponta ainda que alguns diretores do Tarrafal “confessavam sem problemas a intenção de provocar mortes” e que um até “terá estagiado em campos de concentração alemães e italianos”...

Colonialismo

Com a derrota dos fascismo alemão e italiano, na 2ª Guerra Mundial, as condições do Tarrafal deixaram de ser tão mortíferas. E acabou por ser encerrado ao fim de poucos anos.

Mas voltou depois a entrar em funcionamento, já na década de 1960. Menos assassino, mas como novos métodos de tortura. Nessa nova fase o seu alvo foram militantes dos movimentos africanos de libertação anticolonial. Um dos prisioneiros foi então o escritor Luandino Vieira.

O Tarrafal só foi definitivamente encerrado com a revolta armada que derrubou a ditadura em Portugal, no 25 de abril de 1974.


Luís Carvalho é investigador


[Fonte: www.esquerda.net]

Élections en Israël: le passage de la mer Rouge

 Écrit par Éric Dufeil

On vote beaucoup de par le monde ces derniers temps : Brésil et Serbie le 25 octobre, Israël le 27, Midterms américaines le 3 novembre, législatives espagnoles le 29, en attendant une série non moins importante en 2027 : France, Italie, Pologne... S’agit-il d’un brassage général des cartes sur fond de vague populiste ? Ou bien, selon le prince de Salina dans le Guépard, faut-il que tout change pour que rien ne change ?

On peut se poser la question au vu des résultats en Israël. Ces élections sont les premières depuis la tragédie du 7 octobre, qui vit le pays vaciller sur ses bases, avec un premier ministre, Benjamin Netanyahu, 77 ans, à la longévité exceptionnelle dix-neuf ans dans le poste, quatre ans de plus que Ben Gourion), mais de plus en plus critiqué. Au XXe siècle, en Israël comme aujourd'hui encore au Brésil ou en Espagne, la campagne aurait été un affrontement droite/gauche portant sur les grandes orientations politiques, économiques ou sociales. Mais depuis l’échec des accords d'Oslo et la seconde intifada, la gauche, identifiée généralement au « camp de la paix » alors qu'une majorité d'Israéliens ne la croient plus possible, a considérablement réduit son audience. Elle est aujourd’hui représentée par le parti « les Démocrates » dirigé par Yaïr Golan, et a décroché 8 sièges. C'est le double de ce qu'elle avait auparavant, mais ne lui permet pas de diriger une coalition. Elle est au mieux une force d'appoint et un laboratoire d'idées. Les autres partis, presque tous de droite ou d'extrême droite, n'ont guère de différences idéologiques entre eux. On n'a d'ailleurs presque jamais évoqué leurs programmes, sauf très superficiellement.

C'est ainsi que la campagne s’est focalisée sur la personne du premier ministre, au point de dire qu’il s'agissait d’un référendum pour ou contre lui. Contre : c’est un personnage toxique, de graves soupçons de corruption et de malversation pèsent sur lui et des membres de sa famille ; il a peut-être délibérément ignoré les avertissements qui lui avaient été communiqués sur la préparation du 7 octobre. Avec les alliés d’extrême droite dont il a absolument besoin pour se maintenir au pouvoir, il conduit une désastreuse politique de guerre permanente et d'oppression des Palestiniens, et il est en train de transformer le pays en une démocratie illibérale de plus en plus isolée du reste du monde. Pour : les faits reprochés ne sont pas prouvés. Même s’ils étaient avérés, ils ne sont rien en regard des multiples dangers qui assaillent le pays, dont atteste le 7 octobre. Netanyahu est le meilleur gardien d’Israël et il faut le maintenir au pouvoir pour parachever la réduction de tous ses ennemis, affaiblis mais pas encore vaincus : Hamas, Hezbollah, régime des mollahs, Houtis, milices syriennes et irakiennes, terroristes en Cisjordanie. Voilà les deux narratifs entre lesquels les quelque 7 millions d'électeurs israéliens étaient appelés à trancher. 

Haute en couleur, très fragmentée, en état de recomposition quasi-permanente, la vie politique israélienne fait penser à un kaléidoscope bourré d'énergie. Rien d'étonnant à ce qu’il en sorte parfois des étincelles. Une législature dure au maximum quatre ans, mais des élections anticipées peuvent être organisées. C’est un outil aux mains du Premier ministre, qui peut juger de la meilleure opportunité pour lui et son camp. On y renouvelle la Knesset, assemblée unique de 120 membres, selon un scrutin de liste à la proportionnelle intégrale où Israël, pays d’une taille comparable à la Bretagne, constitue une circonscription unique. Dans le but de limiter la fragmentation politique, la loi prévoit un seuil de 3,25% des votants pour qu’une liste soit représentée. Elle reçoit alors un minimum de 4 députés. Cette clause est importante, parce que selon qu’une "petite liste" réussit ou non à dépasser le seuil, elle peut modifier les équilibres entre les autres listes, et dès lors la formation d’une majorité (61 députés au minimum). C’est le président de la République (Isaac Herzog) qui nomme le Premier ministre, en fonction de sa capacité à réunir une majorité. Netanyahu a subi un incontestable recul, puisque sa coalition passe de 68 à 53 députés et perd du coup sa majorité. En son sein le Likoud, son parti, passe de 36 à 27 députés et est le principal responsable du recul. Une partie de l'opposition souligne qu'une majorité d'électeurs (67 sièges) lui a signifié un rejet sans appel, raison pour laquelle il doit partir. Cette logique imparable, à laquelle on a envie de se rallier pour toutes les raisons qui rendent Netanyahu odieux, est en réalité simpliste.

Car en face l'alternative, qui aurait dû surgir du « bloc de l'opposition » dirigé par Gadi Eisenkot, un ancien chef d’état-major issu d’une famille modeste d’origine marocaine, peine à exister, si tant est qu'elle le puisse. Non seulement ce bloc n’a fait élire que 48 députés, loin des 61 fatidiques, mais encore Yashar ("droit"), le parti d'Eisenkot, n'atteint que 21 députés, 6 de moins que le Likoud. Autant d'arguments en moins devant Herzog pour être choisi comme premier ministre. Avant le scrutin, la plupart des sondages ne voyaient pas l'opposition dépasser 61 sièges, mais la plaçaient devant la coalition de Netanyahu. Ne reculant devant aucun mensonge ni aucune caricature, jouant sur la peur, Netanyahu a renversé la tendance dans la dernière ligne droite, et c’est pour l’opposition un échec puisque le résultat du vote est une impasse : aucune majorité ne se dessine. Israël est une société très particulière. Outre les deux blocs mentionnés, il faut prendre en compte la percée des partis arabes, qui représentent environ 21% de la population. On parle ici des Arabes israéliens, qui vivent dans les limites d'Israël avant juin 1967 et sont citoyens de ce pays, même si c’est plutôt de seconde zone. Grâce à une mobilisation très forte, ils décrochent 19 sièges alors qu’ils n'en avaient que 10 précédemment et apparaissent comme d'incontournables « faiseurs de rois ». Dans n'importe quel autre contexte, il suffirait d'additionner les 48 députés du bloc de l'opposition aux 19 des partis arabes, car tous veulent le départ de Netanyahu et la constitution d’une commission d’enquête indépendante sur le 7 octobre (obstinément refusée par lui), pour constituer une confortable majorité alternative de 67 députés. Ils ont manifesté une ouverture à cet égard, tant ceux de la liste unifiée (11 sièges), que le parti islamiste Ra'am (8 sièges), fût-ce via un soutien parlementaire sans participation ministérielle. Détail significatif : le numéro 2 de la liste Ra'am est un juif nommé Yoav Segalovitch, qui fut un temps ministre de la Sécurité publique. Ils veulent que l'on reconnaisse une bonne fois pour toutes qu'ils sont des citoyens à part entière et ont toute légitimité pour prendre part à la vie politique. Mais c’est encore loin d’être une évidence pour tout le monde.

L'opposition est tout sauf unie, en particulier sur cette question, et le leadership d’Eisenkot, qui doit compter avec des politiciens chevronnés comme Benny Gantz, Yaïr Lapid ou Naftali Bennett, tous d’anciens ministres, alors qu’il est un néophyte en politique, n'est en rien équivalent à celui de Netanyahu, chef incontesté de son camp. Elle menace de se désunir sur la réponse à donner à la situation actuelle. Avigdor Liberman, lui aussi ancien ministre, chef du parti laïque Israël Beitenou (Israël notre maison, 7 députés) et représente habituellement les juifs israéliens venus de l'ex URSS. Très conservateur, il est opposé à toute intégration des partis arabes et pourrait quitter l'opposition pour cette raison. En dépit de ses fortes divergences avec Netanyahu, à qui il reproche ses concessions aux religieux (par exemple sur la conscription ou les subsides), il menace même de rejoindre sa coalition. Gantz est également fermement opposé à une telle intégration et durant la campagne, Eisenkot avait lui-même exclu cette option, sachant qu’elle le couperait de nombreux électeurs. Finalement, seuls les « Démocrates » se sont exprimés clairement en ce sens, rappelant que la loi fondamentale d’Israël stipule l'égalité de tous ses citoyens, indépendamment de leur appartenance ethnique ou religieuse.

Si donc l'opposition dans son ensemble ne peut pas ou ne veut pas entrer dans la logique arithmétique d'une alliance avec les partis arabes, elle est confrontée à trois possibilités qui lui sont toutes défavorables :

. Attendre de nouvelles élections, qui pourraient avoir lieu au printemps 2027, avec l'actuel gouvernement pour expédier les affaires courantes. Netanyahu conserverait l'initiative et pourrait provoquer des tensions, voire une guerre avec l'Iran ou en Cisjordanie, dans le but de faire jouer un réflexe sécuritaire en sa faveur. En outre, il est permis de penser que la mobilisation des électeurs arabes et des Israéliens de l'étranger serait moindre, ce qui favoriserait encore Netanyahu. Le président Herzog appelle à tout faire pour éviter de nouvelles élections. 

. Entrer, au moins pour une partie d'entre elle, dans un gouvernement d'union nationale dirigé par Netanyahu. D'une part, ce serait se déjuger face aux électeurs aussi bien que face aux alliés et laisserait des traces dans le futur. D'autre part, ce serait encore se mettre sous la coupe de Netanyahu avec le risque d'être à nouveau roulés par lui dans la farine : Bennett ou Lapid doivent en avoir gardé un mauvais souvenir. L’opposition s’est intitulée « bloc du changement », mais il n’y aurait aucun changement !

. Se lancer dans l'aventure d'un gouvernement minoritaire, fragile et instable par définition, dont on ne voit pas clairement les contours et qui serait voué à chuter rapidement. Elle serait alors tenue pour responsable de l'échec et se trouverait pour longtemps écartée du pouvoir. 

N'ayant durant la campagne jamais été capable d'expliciter le projet commun qu’elle pourrait porter, elle est bien trop hétérogène pour cela et c’est sa faiblesse, elle s’était réunie sur le « tout sauf Netanyahu ». Mais c’est un peu court. Ce n'est pas une très bonne prémisse pour trancher le nœud gordien actuel. Pourtant, plus qu’à quiconque, c’est à elle que ce choix appartient. Elle doit mettre à profit les délais légaux requis pour les tractations (28 jours après proclamation des résultats, éventuellement prolongés de 14 jours) pour décider laquelle est, parmi des options toutes deux difficiles, la chose qu’elle désire le moins : (1) ne pas franchir le pas d’une alliance judéo-arabe, mais alors laisser la voie libre à Netanyahu pour poursuivre son actuelle et désastreuse politique de guerre permanente. Ou bien (2) passer outre ses préventions et ses peurs, innover, entrer en terre inconnue, mais avec peut-être de grands bénéfices politiques à la clef.

De façon immédiate, après trois années tellement éprouvantes à tous égards, ce serait ouvrir la porte à un retour à une certaine normalité pour le pays et au changement par rapport à l’ère Netanyahu, ce à quoi aspire une majorité d'électeurs. À moyen terme, ce serait permettre une consolidation d’Israël en le rapprochant de sa réalité sociologique. Au quotidien, même s’il n’y a pas partout mixité, les Arabes israéliens partagent la vie de leurs concitoyens juifs. Ils étudient, deviennent médecins, ingénieurs ou juges quand ils le peuvent et n’aspirent à rien d’autre que mener une vie normale. Israël est leur pays, ils n’en ont pas d’autre, et demandent seulement à être reconnus et que leurs difficultés spécifiques (criminalité, accès aux services publics) soient prises en compte et traitées. On n’a pas assez souligné en dehors d’Israël, en Europe par exemple, que face aux actions du Hamas ou à celles de l’Iran, les Arabes israéliens ne se sont pas révoltés contre leurs concitoyens juifs sur une base ethnique ou religieuse, contrairement à ce que le Hamas espérait vraisemblablement. Ils ont sans doute une sensibilité particulière pour le sort des Palestiniens de Gaza ou de Cisjordanie et s'expriment en faveur d’une solution politique au conflit. Qui s’en étonnerait ? Et qui ne voit que cela peut faire partie d’une vie démocratique normale au sein d’Israël ? À plus long terme, et dit avec toute la prudence qui s’impose, cette étape d’une meilleure intégration des Arabes israéliens dans leur société serait un signal fort alentour pour indiquer un chemin vers une possibilité de paix avec les Palestiniens, un thème qui a été le grand absent de la campagne alors qu’il est la clef de la paix au Proche-Orient. Il n’y a évidemment aucune garantie à ce sujet, et toujours beaucoup de risques. Au Proche-Orient, combien de fois les espoirs les mieux fondés n’ont-ils pas tourné court ? On ne reprocherait à personne d’être prudent, voire méfiant. Mais le chemin de Netanyahu est-il meilleur ? Conduit-il vers la paix ? À l'étape actuelle, la gauche israélienne, mais aussi des journaux comme Haaretz ou the Times of Israël, des intellectuels, des artistes comme la chanteuse Noah font activement campagne pour que cet espoir se réalise. Il y a aujourd'hui une fenêtre d'opportunité. On ne peut pas dire que si elle n’était pas saisie, elle serait définitivement perdue, parce qu’on ne le sait pas. Peut-être que la société israélienne, polytraumatisée, n’est pas encore prête pour franchir ce pas. Mais quand même, il y a une circonstance historique dont il serait bien que les responsables soient à la hauteur. 

Comme jadis, les tribus d’Israël se trouvent devant la mer Rouge, un obstacle réputé infranchissable. Comme jadis, il s’agit de se libérer de l’esclavage, celui de la peur, des préjugés, du racisme. Derrière eux, des terroristes de tout poil veulent s’en prendre à eux. On ne sait pas où est le chemin, mais il y en a peut-être un. Il y a même une tribu, la gauche démocratique, les activistes de Standing Together, d’autres encore, qui sont prêts à se jeter à l'eau dans l’espoir qu’alors le chemin apparaisse. Question : parviendront-ils à attirer à leur suite la majorité du peuple ? En Israël, être réaliste, c’est croire au miracle.

 

[Source : www.telos-eu.com]

segunda-feira, 2 de novembro de 2026

«Terra del foc», poemari d’Adam Zagajewski

Alegria enmig de la foscor 

Traducció de Xavier Farré

Escrit per Sandra Sàrrias

Adam Zagajewski (1945-2021) és considerat un dels poetes polonesos més rellevants i amb més projecció internacional, inclòs en la Generació del 68.  S’exilià l’any 1982, perseguit pel règim comunista, a París i als EUA, i el 2002 tornà i restà a la seva pàtria.

La nostàlgia de la pèrdua, pròpia d’un hom exiliat que ha tornat finalment a la seva terra, i que la sensació d’estranyesa i allunyament li retorna la memòria d’allò que no pogué ser, es reflecteix en cadascun dels poemes de Terra del foc (1994).

És com si l’autor es volgués despertar de la feixuga tristor de l’existència, de la seva pèrdua, dels seus morts, i per això, mentre crea poemes carregats d’analogies, imatges i descripcions desesperançadores, es fa visitar pels tres àngels o per un instant d’alegria.

Adam Zagajewski, Terra del foc, Quaderns Crema (2026)

Així doncs, després de gairebé més de la meitat del poemari, un cop has visualitzat: el pes del temps i la saviesa, la força descriptiva del poema, els soliloquis del poeta enamorat; el silenci després de la guerra i el florir en el silenci mentre un tren ja s’ha perdut; així com: la vellesa imprudent emmirallada en les fulles lleugeres de la tardor, el fet d’oblidar-se d’un mateix, la cerca de la veritable pàtria i la fugida amb un poema ràpid. A més a més, el fet d’haver deixat perdre l’oportunitat d’ajudar els altres i de retruc no haver conegut ni la seva música ni la seva crida. Altrament, després de somnis cansats o morts, banderes de nacions cansades, i una casa desolada com a metàfora de la vida perduda, finalment apareix “Instant” –el qual em recorda el poema “Instant” (2002) de la poeta polonesa Wislawa Szymborska–, moment desbordant d’alegria que l’autor o el poeta, semblava desconèixer, i que reverdeix la lectura amb un bri d’esperança.

Entremig, el poeta respira estèticament per mitjà de poemes com ara “Pintors holandesos” o “La noia de Vermeer”, fent-ne pintures verbals, en què l’autor descriu les seves imatges interiors a partir de les pintures, continuant, però, amb el fil de tristor del poemari: “La llum observa l’ombra altivament, indulgentment, amb tristesa potser”.

També trobem entre la foscor, anhels de l’autor de retrobar la vida, com en “Carta d’un lector”, en què el lector, el mateix poeta, demana que s’escrigui sobre la vida, cansat de tanta mort, com si l’autor s’ho reclamés a ell mateix. O en “Allò que va passar”, exclama la veu del poeta: “Però nosaltres hem de viure”, com una autoajuda per fugir del record de la mort.

Fins i tot inclou una elegia, poema que es dol de la pèrdua d’un ser estimat o d’alguna cosa valuosa, com ara la joventut i el temps. De fet, tot el poemari podria ser una elegia, una mena d’oració expiatòria per allò perdut. A més a més, introdueix el personatge de Persèfone dedicant-li un poema, amb la seva baixada a l’infern.

Hi ha elements que es repeteixen, com ara l’al·lusió al color blau, evocant-li diferents simbologies, de vegades és el misteri, altres és la llum, i a vegades també pot ser despietat. La referència constant a la sang, com la vida no viscuda: “amargor de sang no vessada”. I de vegades com a allò aliè: “la sang (la gran absent) entonava el seu cant gregorià”. I el foc, com a element del patiment o el no-res.

La sensació de desassossec hi és constant, i tampoc és d’estranyar que en un poema escrigui la referència Douleurs du monde de Shopenhauer.

En definitiva, és un llibre ple de melangia, experimentada probablement per l’autor a causa del seu context; tanmateix, el gust per la bellesa hi és sempre present: en l’art de la seva ploma i en el seu virtuosisme visual.

 

[Foto: Quaderns Crema - font: www.diarilaveu.cat]


Chi sono i Bolsonaro d’Italia?

 

di Pier Paolo Caserta 

La vittoria di Lula in Brasile è un’ottima notizia. Questo vale per tutti quanti sono sempre stati coerentemente e sinceramente legati ai valori lavoristi e del sindacalismo di lotta, dei quali Lula è portatore. Quanto ad alcuni improbabili parallelismi occorre chiarire le differenze nei contesti.

Nell’occidente collettivo, che ha sempre prodotto una immagine dell’America Latina a proprio uso e consumo, deformandola secondo schemi coloniali e neocoloniali, le cose stanno molto diversamente. Il continente europeo ha seguito una traiettoria affatto diversa. Dopo la fine della Guerra fredda, l’Unione europea è stato lo strumento di un crescente assoggettamento agli Stati Uniti. Uno degli effetti è stata la svolta degli anni Novanta, quando il testimone del neoliberismo, lanciato nel decennio precedente da Reagan e Thatcher, fu raccolto dalla sinistra di sistema: dapprima Clinton e Blair, sulle due sponde dell’anglosfera, e via via gli altri nell’Europa sempre più satellitare agli USA.

In Brasile la classe sociale dominante è ancora quella dei grandi latifondisti strettamente legata al Capitale straniero, in particolare statunitense (ma anche e in misura crescente europeo). I Bolsonaro sono i referenti di questo blocco sociale, dell’industria estrattiva e dall’agro-business. Gli stessi interessi contro i quali lottò Chico Mendes pagando con la vita nel 1988. La radice è la stessa, anche se i flussi finanziari si sono diversificati da allora. Lula è stato compagno di lotta di Mendes. Insieme fondarono il Partido dos Trabalhadores (PT), il partito brasiliano dei lavoratori. Lula è l’espressione di punta di un personale politico che si è formato nelle lotte condotte a fianco di Chico Mendes, raccogliendone l’eredità. È anche il caso di Marina Silva, giovane seringueira (raccoglitrice di gomma) che condivise il percorso sindacale e politico di Mendes, diventata senatrice federale per lo Stato dell’Acre, carica che ha ricoperto per sedici anni, tra il 1995 e il 2011, e di ministro per l’ambiente tra il 2003 e il 2008 nel primo e nel secondo governo Lula. È stata ancora alla guida del Ministero dell’Ambiente e del cambiamento climatico nel terzo governo Lula, a partire dal 1o gennaio 2023.

L’antitesi tra una destra reazionaria e una sinistra lavorista e progressista ha ancora, in Brasile e in generale nell’America Latina, più senso di quanto ne abbia in Europa e negli Stati Uniti, insomma nell’occidente tecno-capitalistico, dove la contrapposizione tra “destra” e “sinistra” di sistema deve essere considerata da tempo destituita di qualsiasi credibilità. Non ha alcun valore reale. Se prendiamo in esame la situazione italiana, il principale partito di governo e il principale partito di “opposizione” (le virgolette sono d’obbligo) sono ugualmente espressione delle élite. Questo è il grande imbroglio allestito nella sub-colonia Italia.

In Italia esiste ancora la grande proprietà terriera, tuttavia non costituisce una classe dominante come in Brasile, ma mutatis mutandis il PD è pienamente espressione del blocco sociale formato da top manager, immobiliaristi, capitalisti per procura, e dei suoi wannabe.

Il PD non ha nulla a che vedere con il Partido dos Trabalhadores (PT) fondato da Mendes e da Lula. Il PD, partito del Jobs act, della “buona scuola”, del sostegno alla legge Fornero sulle pensioni, del sostegno a tutte le politiche neoliberiste e di guerra nacque esattamente con lo scopo di marginalizzare e scoraggiare qualsiasi opzione di sinistra d’alternativa in Italia. È un partito atlantista per collocazione inamovibile e tanto servile nei confronti di Washinton quanto Meloni e quanto i Bolsonaro in Brasile, che usa i diritti civili e il peloso sostegno alle proteste in atto come strategie di marketing elettorale.

Se la vicinanza tra Meloni e Bolsonaro appare più immediata sul piano identitario, il PD è nondimeno pienamente espressione delle classi dominanti. se in Brasile fosse esistito qualcosa come il PD italiano – che in realtà lì non esiste proprio perché si spiega con la degenerazione assoluta e definitiva del campo progressista in Italia, in Europa e nell’occidente tecno-capitalistico iniziata dopo il 1990 – Mendes e Lula se lo sarebbero ritrovato come avversario da combattere.

 

[Foto: lastampa - fonte: www.linterferenza.info]

domingo, 1 de novembro de 2026

Les citoyens palestiniens sont les grands gagnants des élections israéliennes. Cela n’a aucune importance.

Ce résultat historique pour les partis arabes est rendu vain par une opposition israélienne qui semble réticente à s’allier avec eux pour destituer Netanyahu.

Le président de la Liste unifiée, Yousef Jabareen, et ses partisans se rassemblent au siège électoral du parti à Nazareth, dans le nord d’Israël, après la fermeture des bureaux de vote le soir des élections israéliennes, le 27 octobre 2026. Sharon Leibel/Flash90

Écrit par Rami Younis 

Que cela soit bien clair : les Palestiniens d’Israël ont atteint un taux de participation historique de 80 % lors des élections de cette semaine, répondant à l’appel de leurs frères et sœurs de Cisjordanie, de Gaza et des centres de torture à travers Israël. 

Nous avons utilisé l’une des rares cartes dont nous disposions et nous l’avons employée avec force, en nous unissant contre le pouvoir génocidaire, contre les crimes d’Itamar Ben Gvir et contre les tentatives de Bezalel Smotrich de judaïser la Galilée, le Naqab, Ramle, Lyd et Jaffa. Et vous savez quoi ? Nous l’avons fait de la manière la plus inspirante qui soit. 

Mon fil d’actualité était rempli de photos de nonagénaires se rendant aux urnes, parfois portés par de jeunes membres de leur famille dont ils cherchaient à protéger l’avenir sur leurs terres par leur vote. De nombreux Palestiniens qui, traditionnellement, boycottent les élections à la Knesset pour des raisons idéologiques (j’en faisais partie autrefois) partageaient des messages de proches de prisonniers politiques nous suppliant de voter et de destituer le sadique Ben Gvir. En Cisjordanie, des personnes sans protection nous demandaient, à nous qui possédions la citoyenneté israélienne, d’utiliser notre vote pour les aider à se protéger. 

Dans un pays où nous sommes perçus comme une menace constante et où nous peinons à exprimer notre douleur face au sort de notre peuple à Gaza, il est erroné de considérer le vote aux élections de la Knesset comme une simple légitimation de la façade de la démocratie israélienne. Cette illusion est dépassée depuis longtemps. Il est évident pour quiconque suit l’actualité qu’Israël ne peut être à la fois « juif et démocratique  » ; comme l’a dit un jour le député Ahmad Tibi, de la Liste unifiée, il est « démocratique » pour les Juifs et « juif » pour les Arabes. 

Après avoir été témoins du génocide diffusé en direct à Gaza et du nettoyage ethnique en Cisjordanie, le monde entier voit enfin ce qu’Israël fait subir à des millions de personnes qu’il domine et qui n’ont aucun pouvoir sur leur propre destin. Si vous appelez encore cela une « démocratie », je crains que vous ne soyez incapables d’en reconnaître une, même si elle vous saute aux yeux. Car, vous savez, parce qu’elle a le droit de se défendre. 

Alors nous avons voté. Nous nous sommes organisés. Nous nous sommes mobilisés. Dans notre communauté fracturée, rongée par la criminalité et l’abandon, le fait de prendre des mesures collectives pour utiliser le peu de pouvoir dont nous disposons est une raison de se réjouir. 

Alors pourquoi cette victoire a-t-elle un goût si amer ?

Le président de la Liste arabe unie (Ra’am), Mansour Abbas, se tient aux côtés de ses collègues du parti sur scène après la publication des résultats des sondages de sortie des urnes le soir des élections israéliennes, dans la ville de Sakhnin, au nord d’Israël, le 27 octobre 2026. (Michael Giladi/Flash90)

Car le système politique israélien hégémonique perçoit la forte mobilisation des électeurs arabes non comme une célébration de la démocratie, mais comme une menace pour l’État juif. Et vous l’avez deviné, je ne parle pas seulement de Benjamin Netanyahu. 

Avant les élections, la quasi-totalité des dirigeants du bloc anti-Netanyahu ont déclaré vouloir s’appuyer exclusivement sur les partis « sionistes » pour former le nouveau gouvernement, excluant explicitement toute coopération avec la Liste unifiée et la Liste arabe unie (Ra’am). Même maintenant qu’il est clair que l’opposition ne dispose pas de majorité sans ces partis arabes, le bloc anti-Netanyahu continue de les exclure largement. 

Tout le monde s’est mobilisé pour destituer Netanyahu. Mais dans une société devenue véritablement génocidaire, même l’obtention de près de 20 sièges au Parlement – ​​soit un sixième du total – pourrait s’avérer dérisoire. Si notre unique arme échoue, quel espoir nous reste-t-il ? 

Pour quoi ? 

Il y a quelque chose à la fois d’inspirant et de déchirant dans la façon dont les Arabes d’Israël perçoivent leur place dans le pays. Nous savons tous que nous serions impuissants si Ben Gvir mettait en œuvre sa solution finale, sous les acclamations du reste de la société israélienne. Et si vous pensez que j’exagère, souvenez-vous de ce qui s’est passé en mai 2021. 

Ce mois-là, presque chaque ville, village ou rue palestinienne en Israël s’est soulevée contre le racisme systémique et la situation à Jérusalem-Est et à Gaza. C’était dans les jours qui ont suivi les accords de normalisation, et cette brève résurgence de la contestation radicale a semblé restaurer une certaine dignité collective. Fiers de notre identité palestinienne, nous nous sommes levés à l’unisson – comme une force avec laquelle il fallait compter – et nous avons baptisé ce mouvement « l’ Intifada de l’Unité ». 

Les manifestations ont été réprimées avec une extrême brutalité policière et ont entraîné des années de persécution politique – et ce, avant même le génocide. Mais nous avons résisté malgré tout.

Des citoyens palestiniens d’Israël manifestent dans le centre-ville de Haïfa en solidarité avec Gaza et Jérusalem, le 11 mai 2021. (Mati Milstein)

J’étais alors enthousiaste à l’idée d’un possible soulèvement populaire mené par la jeunesse, semblable à celui que nous avons observé en Europe ces dernières semaines. Nous espérions que ce mouvement de rue se traduirait par une influence politique, nous permettant ainsi de revendiquer l’égalité des droits sans renoncer à nos valeurs fondamentales : notre appartenance au peuple palestinien et l’inadmissibilité de notre identité. 

Mansour Abbas, chef du parti Ra’am, décida alors de rompre les rangs et de rejoindre le gouvernement israélien. Pour la première fois de l’histoire, un parti arabe non sioniste faisait partie de la coalition. Mais les conditions posées par Abbas pour intégrer la coalition se résumaient, en substance, à accepter l’identité juive d’Israël et à négocier les budgets. 

Notre identité palestinienne, ce qui cimente notre communauté, a été sacrifiée au profit de la promesse du gouvernement israélien d’agir contre les bandes criminelles qui terrorisent nos rues. Ce qui aurait dû aller de soi a été présenté comme un « succès » qu’Abbas a pu obtenir de Naftali Bennett et Yaïr Lapid, alors à la tête du nouveau gouvernement. 

En un instant, tout l’élan d’un mouvement de protestation historique s’est évanoui. Notre communauté est devenue de plus en plus individualiste, conséquence directe de cette erreur d’appréciation. 

Cinq ans plus tard, nous nous sommes à nouveau soulevés en masse pour chasser Netanyahu, Smotrich et Ben Gvir. Pourtant, une fois de plus, nous craignons que tout cela n’ait été vain. 

Le Likoud de Netanyahou a déjà lancé une campagne de diffamation contre les électeurs arabes, affirmant sans fondement que nos partis ont « volé l’élection » grâce à une ingérence qatarie – la version sioniste du fameux slogan « Stop the Steal » de Donald Trump, en plus prévisible. Son objectif est clair et il a de fortes chances d’être atteint : toute possibilité que les dirigeants de l’opposition aient renié leur parole et coopéré avec les partis arabes pour destituer Netanyahou semble s’amenuiser. 

Nous avons voté. Nous nous sommes organisés. Nous étions présents. Cela se traduira-t-il un jour par un véritable accomplissement historique ?

 

Rami Younis est cinéaste, écrivain, personnalité de la télévision et journaliste. Il a été chercheur invité à la Harvard Divinity School en 2019-2020. Rami a été consultant parlementaire et porte-parole de Haneen Zoabi, députée palestinienne à la Knesset (Parlement israélien). Il est également cofondateur et directeur du premier « Palestine Music Expo  », un événement qui met en relation la scène musicale palestinienne locale et l’industrie musicale internationale. Rami a animé et cofondé « On the Other Hand  », une émission d’actualités quotidienne en langue arabe, diffusée pour la première fois en novembre 2022 sur la chaîne de télévision publique israélienne et qui a cumulé des millions de vues depuis. Rami est également le coréalisateur et coproducteur de « Lyd », un documentaire de science-fiction réalisé avec Sarah Friedland, qui retrace l’histoire de sa ville natale, Lyd, depuis 1948.

 

[Source : www.972mag.com - reproduit sur www.assopalestine13.org]

 


El modernisme català viu a Múnic la seva gran primera exposició a Alemanya

La Kunsthalle es converteix en l'epicentre de la difusió de l'art català al país amb "Barcelona Moderna. De Gaudí a Picasso"

Escrit per Berto Sagrera

El modernisme català viu a Múnic la seva gran primera exposició a Alemanya, amb el títol "Barcelona moderna. De Gaudí a Picasso". La prestigiosa Kunsthalle München s'ha convertit en l'epicentre de la difusió de l'art català al país, amb la inauguració aquest dijous del primer gran projecte expositiu dedicat íntegrament al modernisme català. 

La galeria de la capital bavaresa acull una àmplia retrospectiva que disposa de més d'un centenar d'obres mestres signades per figures clau del tombant de segle, com Antoni Gaudí, Pablo Picasso, Lluís Domènech i Montaner, Josep Puig i Cadafalch, Santiago Rusiñol i Ramon Casas. 

La mostra es pot visitar fins al 21 de febrer del 2027, i després viatjarà fins al Museum Barberini de Potsdam, a tocar de Berlín, del 20 de març al 20 de juny de l'any que ve per consolidar la internacionalització del patrimoni artístic català a Europa. 

A través d'unes 160 pintures, dibuixos, escultures, mobles i maquetes, l'exposició explora la riquesa i la diversitat del modernisme català en el període 1880-1914. La proposta situa les creacions en el seu context urbà, social i cultural, mostrant com les influències històriques i contemporànies —catalanes, espanyoles i europees— van confluir per donar forma a una interpretació pròpia de la modernitat. 

Comissariada per Franziska Stöhr i Carlos Alonso Pérez-Fajardo, la mostra té com a propòsit oferir una visió global que superi els tòpics i ofereixi visibilitat a creadors essencials, alguns dels quals han quedat a l'ombra de perfils més internacionals. 

Entre els autors representats, destaquen mestres de primer ordre com els esmentats Gaudí, Picasso, Domènech i Montaner, Puig i Cadafalch, Rusiñol i Casas, com també Hermen Anglada Camarasa, Isidre Nonell i Joaquim Mir. Malgrat la referència a Barcelona en el títol, la iniciativa planteja una lectura de tot l'art català del període, recordant el paper de la capital del país com un laboratori cultural obert en el qual també es van formar i integrar artistes com el mateix Picasso o Joaquim Torres i García. L'exposició s'endinsa a més en escenaris que van actuar com a veritables dinamitzadors de l'avantguarda i la bohèmia, com Els Quatre Gats, el Cercle del Liceu, la Sala Parés o el Cau Ferrat de Sitges. 

Stöhr ha remarcat la intensa feina que ha suposat el muntatge durant prop de tres anys, augurant que serà una gran descoberta per als visitants alemanys. "Gaudí i Picasso els coneixen, però podran descobrir altres noms que segur que els sorprendran i els faran adonar que el modernisme és un moviment que poden apreciar encara més", ha dit. 

Per la seva banda, Pérez-Fajardo ha posat en relleu la importància que un centre tan prestigiós com la Kunsthalle München s'hagi interessat per la totalitat del moviment i "no només pels noms coneguts". "Que no es coneguin certs noms és una mica culpa nostra, perquè no ens adonem que tenen una projecció europea", ha lamentat el comissari. 

Precisament, la galeria bavaresa és una de les sales de referència d'Alemanya, amb una afluència d'uns 350.000 visitants anuals. Destaca per oferir programacions interdisciplinàries que combinen pintura, disseny, arts decoratives i arquitectura. 


La consellera de Cultura, Sònia Hernández, ha destacat que el projecte permet donar a conèixer artistes catalans al públic i al mercat internacional a través de peces de primer nivell, moltes de ls quals no surten habitualment de les seves seus museístiques habituals. "És una oportunitat no només per explicar-nos, sinó de fer-ho a través de la cultura i amb la veu de Catalunya", ha celebrat Hernández, que ha assenyalat que la proposta és una "gran exposició" tant per les dimensions com per la pluralitat de les disciplines que abraça. Així doncs, ha afegit: "És una oportunitat per presentar el període amb una altra mirada, més enllà dels grans noms i de l'arquitectura, tenint en compte la pintura i els objectes. Hi ha moments que són propicis, i en aquest cas la Kunsthalle ha volgut acostar-se a aquesta mirada, i els museus del país han respost". 

En aquest sentit, cal dir que l'envergadura de la iniciativa ha requerit un esforç coordinat que ha implicat nombrosos fons públics i privats del país. La gran majoria de les peces exhibides provenen de la Col·lecció Nacional de Catalunya, i destaca de manera singular el paper del Museu Nacional d'Art de Catalunya (MNAC), soci i col·laborador especial del projecte. El MNAC hi ha aportat suport científic i acadèmic, a més d'un nombre molt notable d'obres fonamentals. 

També s'hi compten el Museu Picasso de Barcelona, els Museus de Sitges, el Museu Víctor Balaguer de Vilanova i la Geltrú, el Museu Abelló de Mollet del Vallès, el Museu de la Garrotxa i la Sagrada Família. 

A més, hi han sumat fons la Casa Museu Joan Maragall, la Casa Museu Lluís Domènech i Montaner, la Fundació Catalunya La Pedrera, la Fundació Cultural Privada Casa Rocamora, la Col·lecció Carmen Thyssen, el Museu d'Història de Barcelona, la Reial Acadèmia Catalana de Belles Arts de Sant Jordi, la Col·lecció El Conventet, el Cercle del Liceu, la Fundació Amatller, la Col·lecció d'Art Banc Sabadell i la Fundació Orfeo Català - Palau de la Música Catalana.

 

[Fotos: ACN - font: www.elnacional.cat]

IAN LUSTICK, politólogo: «El truco desesperado del ‘lobby’ israelí en EEUU es afirmar que lucha por la civilización judeocristiana»

 

El politólogo Ian Lustick

Escrito por Sebastiaan Faber  

El poderoso lobby israelí en Estados Unidos –financiado por un puñado de multimillonarios reaccionarios, prepotentes y aficionados al chantaje– ha tenido una influencia sumamente tóxica no solo en la política y vida civil norteamericanas, sino también en el ecosistema político de Israel y en el mismo orden mundial. En las últimas décadas, son tres los factores que han intensificado esta toxicidad: el final de la Guerra Fría; la radicalización de la vida política israelí; y la decisión de la Corte Suprema en el caso Citizens United de abrir la vida política estadounidense a cantidades ilimitadas de dinero, justo cuando una porción cada vez mayor del poder económico nacional quedaba concentrada en manos de una nueva clase de hiperricos. Desde 2010, Citizens United ha multiplicado la influencia política de donantes multimillonarios (e hiperconservadores) como los hermanos Koch y el matrimonio Adelson. Dado, además, que las políticas y actuaciones del país liderado por Benjamin Netanyahu –el genocidio perpetrado en Gaza; el muro de Cisjordania; las violaciones constantes de derechos humanos en los territorios ocupados y otras políticas inspiradas por la idea ultraderechista del Gran Israel– son cada vez más difíciles de justificar, el lobby ha renunciado a su afán inicial de convencer a la opinión pública. En su lugar, recurre directamente –con la connivencia de republicanos tanto como demócratas– a formas de coacción y de censura que socavan las libertades civiles de las y los norteamericanos.  

Pero, aunque el daño que inflige afecta al mundo entero, en última instancia el lobby es su peor enemigo. Por más que se presente como defensor de Israel y protector de los judíos en Estados Unidos, la irónica verdad es que su labor, a lo largo de los años, ha terminado por debilitar la posición de Israel, por fracturar a la comunidad judía norteamericana y por crear las condiciones para que florezca el antisemitismo –el de verdad, no el creado por definiciones oportunistas que pretenden incluir en la categoría a toda expresión crítica del gobierno israelí o del sionismo–.   

Estas son algunas de las principales conclusiones de Israel’s Lobby: America in the Grip of a Foreign Power (El lobby de Israel: Estados Unidos en las garras de un poder extranjero), el nuevo libro coescrito por Ian Lustick, un veterano politólogo, y Eli Clifton, periodista de investigación. Rigurosamente documentado, el análisis de Lustick y Clifton continúa la línea marcada hace dos décadas por John Mearsheimer y Stephen Walt en The Israel Lobby and U.S. Foreign Policy (El lobby israelí y la política exterior de EE.UU.) al hacer sonar la alarma sobre la amenaza que representan organizaciones como el Comité Estadounidense–Israelí de Asuntos Públicos (AIPAC) y la Liga Antidifamación (ADL) para la salud de la democracia estadounidense.   

Es un peligro, apuntan, contra el cual ya advertía el mismo George Washington cuando, al despedirse de la presidencia en 1796, avisaba a sus compatriotas del riesgo que suponían para los intereses de Estados Unidos las “adhesiones apasionadas” y las “antipatías inveteradas” de ciudadanos norteamericanos para con otros países. El éxito del lobby a la hora de afianzar la relación especial entre Israel y Estados Unidos, escriben Clifton y Lustick, le ha permitido a Israel “extraer, de forma incondicional, ayudas, coordinación y apoyo en una escala y por una duración que exceden lo que ninguno de los grandes poderes ha hecho para ningún país extranjero”.   

Ian Lustick (Syracuse, Nueva York, 1949) es catedrático emérito de la Universidad de Pensilvania. Autor de numerosos libros, entre ellos Trapped in the War on Terror (Atrapados en la guerra contra el terrorismo, 2006) y Paradigm Lost: From Two-State Solution to One-State Reality (Paradigma perdido. De la solución de dos Estados a la realidad uniestatal, 2019), trabajó como analista en el Departamento de Estado durante la administración de Jimmy Carter a finales de los años 70 y, en los 80, fundó y presidió la Asociación para el Estudio de Israel. Hablamos a finales de agosto.   

Cuando entrevisté a Stephen Walt, me contó que él y John Mearsheimer pagaron un precio muy alto por haberse atrevido a romper el tabú de describir y denunciar los daños hechos por el lobby israelí.     

Sí que pagaron un precio. Su libro no fue el primero en demostrar de forma documentada que los intereses de Estados Unidos en política internacional quedaron gravemente comprometidos por el lobby israelí. Pero sí fue el más importante. Aunque ellos no eran expertos en el tema –y yo, ciertamente, no estuve de acuerdo con todo lo que decían–, me sigue pareciendo un libro fantástico.   

A estas alturas, supongo que usted y su coautor son conscientes de lo que arriesgan.  

Eli y yo estamos dispuestos a pasar por lo que pasaron John y Steve, sí. Bueno, a mí me tildan de nazi desde hace medio siglo –concretamente desde que, en los años 70, organicé una campaña de protesta contra los asentamientos judíos en los territorios ocupados–. Y, sin embargo, nuestra situación es diferente. Y no solo porque tanto Eli como yo somos judíos. También es verdad que las cosas han cambiado. Cuando salió el libro de Walt y Mearsheimer, los críticos los podían denunciar como antisemitas sin más e ignorar las pruebas que presentaban. Hoy, eso ya no es posible. El lobby ya no puede contar con ello. ¿Cómo responderá entonces? Hasta ahora, solo ha habido silencio. Nos han ninguneado. Pero si al final deciden atacarnos, no pasa nada. Llevo muchos años en este combate y estoy muy preparado para continuarlo. Tuvimos a dos fact checkers revisando el manuscrito y tengo un buen seguro contra los juicios por difamación. Y, como digo, llevo 55 años en esto. De mis cien artículos y veinte libros publicados, nadie nunca me ha disputado una afirmación factual.  

Ustedes explican en detalle cómo el lobby se ha radicalizado en los últimos años. A la vista de que las políticas de Israel ya son indefendibles, ha pasado a tácticas de silenciamiento, censura e intimidación. Al mismo tiempo, también parece haber crecido el cinismo. Quiero decir que los financiadores y administradores del lobby ya no parecen esforzarse en ocultar sus motivos. Así como Trump, dicen en voz alta lo que deberían callar.  

Es que han renunciado a la idea de convencer a nadie. En su lugar, se deleitan en confirmar sus propias ideas para sí y sus allegados. Todas las personas que se refugian en su propia burbuja acaban por comunicar en voz alta lo que piensan, aunque después acabe haciéndose público. Por otra parte, sabemos que estas cosas se llevan diciendo de forma privada desde hace muchos años.   

Han renunciado a la idea de convencer a nadie. Se deleitan en confirmar sus propias ideas   

Tal y como lo describen ustedes, el discurso del lobby israelí se ha hecho prácticamente indistinguible del de la ultraderecha global. La lucha, se supone, ya no es solo por Israel o los judíos, sino por la civilización occidental. Y ya no es solo contra los antisemitas y palestinos, sino contra los marxistas culturales y otros comunistas, la izquierda woke y la ideología de género.   

Exacto: se trata de salvar la civilización judeocristiana contra la alianza verdirroja que pretende destruirla. Esta es una idea que domina en el ala derecha del lobby, que incluye a su cúpula. Como decía antes, reconocen que no hay forma de ganar el debate en la opinión pública. Pero también saben que, a la larga, tampoco serán capaces de suprimir todo debate sobre Israel. Por tanto, inflan el problema hasta dimensiones epocales, convirtiéndolo en una lucha por la misma civilización humana. No deja de ser un truco desesperado.   

En ese relato, Israel se convierte para Estados Unidos en un ejemplo a seguir.   

En efecto. Israel no solo se presenta como el único aliado fiable de Estados Unidos en esta lucha civilizacional, sino que, como un robusto Estado etnonacionalista, se erige como modelo para lo que Estados Unidos debería ser si quiere seguir fiel a su esencia. Al mismo tiempo, argumentan que los judíos norteamericanos deberían construir para sí una especie de gueto.   

¿En qué sentido?     

Afirman, por ejemplo, que deberían invertir mucho más dinero en instituciones judías, sacar a sus hijos de las escuelas públicas y enviarlos a escuelas de orientación parroquial que les adoctrinen con ideas sionistas. Y después no enviarles a que estudien en Harvard o Penn, sino a universidades judías, o directamente a Israel.    

Lo curioso es que el lobby, al enrocarse y derechizarse de esta manera, excluye a la mayoría de la población judía del país. Como ustedes explican en el libro, más de un 60 por ciento de los votantes judíos se identifica con el Partido Demócrata, una cifra muy estable a lo largo de los años.    

Es más: muchos judíos estadounidenses se sienten muy distantes de Israel o se oponen directamente a sus políticas. ¿Recuerdas cómo el entonces primer ministro del país, Ehud Barak, describió a Israel como una villa en la jungla? Pues de la misma manera, el lobby anima a que los judíos que se identifican con Israel se sientan como en una jungla, rodeados de antisemitas. Por tanto, necesitan construir fortificaciones, levantar un muro alrededor de ellos mismos. Vamos, como el muro del apartheid israelí, la barrera de Cisjordania.    

Cuando entrevisté a Arielle Angel, la entonces directora de la revista progresista Jewish Currents (Corrientes Judías), me explicó que muchos judíos norteamericanos dejaron de sentirse bienvenidos en sus sinagogas y centros sociales después del 7 de octubre, y que la revista acabó funcionando como una especie de hogar alternativo.    

Sí, en efecto. Otro buen ejemplo de esta sed de relatos alternativos es la popularidad del libro de Molly Crabapple sobre el Jewish Bund [un partido político socialista, secular para obreros judíos, fundado a finales del siglo XIX]. Pero si me permites un matiz importante, el cambio a que te refieres no se produjo a raíz del 7 de octubre. Fue a raíz del 8 de octubre: la reacción de Israel a la masacre del día anterior. El lobby, sin embargo, nos quiere hacer creer que hubo un auge de antisemitismo como resultado del día 7. Al fundir un evento con otro, están manipulando la memoria histórica del 7 para distraer de lo que ocurrió el día después. Sin contar que, como explicamos en el libro, la Liga Antidifamación (ADL) manipuló las estadísticas de forma realmente escandalosa, al ampliar de un día para otro la definición de lo que contaba como incidente de antisemitismo.   

La radicalización del lobby, así como su atrincheramiento y su cinismo, han debilitado su poder, que durante muchos años consistió en limitar lo que se podía decir en público sobre Israel. Hoy hay más espacio que nunca para discursos más críticos. Y, sin embargo, hay medios mainstream, como el New York Times, el New Yorker  y el Atlantic, que siguen respetando en gran medida los antiguos tabúes.    

Exacto. Esto lo detalla muy bien Adam Johnson en su maravilloso libro How to Sell a Genocide: The Media's Complicity in the Destruction of Gaza (Cómo vender un genocidio. La complicidad de los medios en la destrucción de Gaza). También lo hemos notado nosotros. Desde que salió nuestro libro, el 11 de agosto, nos han inundado con peticiones de entrevistas. Apenas damos abasto. Pero fíjate de dónde nos llegan. No desde los medios mainstream, establecidos, sino desde otros canales más autónomos, sea de la derecha libertaria o la izquierda progresista.    

Al explicar la toxicidad del lobby, ustedes mencionan los efectos nefastos que ha tenido su actuación sobre la política nacional estadounidense –incluida, hace poco, la derrota de Kamala Harris– y su política internacional. Pero también señalan el daño incalculable que ha hecho el apoyo incondicional de Estados Unidos al país en la política nacional israelí.    

Este es un argumento que desarrollo con más detalle en mi libro Paradigm Lost. La crisálida con la que Estados Unidos envolvió a Israel acabó por distorsionar de forma terrible el campo político del país, destruyendo las carreras de los políticos que habrían hecho la paz con los palestinos. En este sentido, el propio Israel es la mayor víctima del aplastante éxito de su lobby.    

Explican también que ese apoyo incondicional ha limitado la capacidad de la comunidad internacional de presionar a Israel en cuestiones de derechos humanos y el derecho internacional. En este sentido, ¿cabe decir que el lobby israelí en Estados Unidos contribuyó a debilitar de forma fatal el orden internacional de la posguerra?    

Es un planteamiento interesante: ¿hasta qué punto el orden mundial fue socavado por el tratamiento especial, hipócrita, que Estados Unidos dio a Israel a pesar de sus constantes violaciones de derechos humanos y del derecho y la cortesía internacionales? No cabe duda de que fue una debilidad en la agenda de derechos humanos de un presidente como Jimmy Carter, en cuya administración trabajé. Por otra parte, Israel no es el único caso. Hay otro parecido.    

¿Supongo que se refiere a Cuba? En el libro, escriben que, aunque los casos de Cuba e Israel “no tienen virtualmente nada en común”, comparten algo crucial: para cada uno, existe en Washington “un lobby monotemático, estratégicamente posicionado y extremadamente influyente”, que ha forzado a presidentes demócratas y republicanos a adoptar políticas hacia ambos países que se desmarcan de forma significativa de la norma internacional.    

Exacto. Lo que quisimos subrayar es que el problema real reside en la estructura de la política norteamericana. Es el peligro contra el cual ya advirtió George Washington: que un apasionado lobby extranjero distorsione el enorme poder que tiene este país en el mundo.    

Otro punto que subrayó Arielle Angel fue que la supuesta lucha contra el antisemitismo de la ultraderecha norteamericana –por no hablar de lo que ocurre en Alemania o Reino Unido– acabará con los judíos en la diana, como siempre. Ustedes, en su libro, llaman la atención sobre el hecho de que tanto el lobby israelí como el gobierno de Trump se obsesionan con el supuesto antisemitismo de la izquierda, pero ignoran el de la derecha, que, lejos de amainar, está en auge.    

Así es. Hablamos de una caza de brujas. Pero ocurre que, a diferencia de las cazas de brujas históricas del siglo XVII, en este caso realmente hay brujas. Quiero decir que los antisemitas existen. Y el lobby israelí les está dando material. No solo por la imagen de nueve milmillonarios judíos que contribuyen con 1.700 millones de dólares a defender las políticas de Israel, sino porque el lobby insiste en identificar el Estado de Israel con toda la colectividad judía. Pero si te empeñas en la idea de que Israel actúa en nombre de todo el pueblo judío –y que toda crítica a Israel es un ataque a todos los judíos–, entonces expones a todos los judíos a acusaciones injustas. Es una táctica autodestructiva. 

 

[Imagen: Instagram - fuente: www.ctxt.es]