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segunda-feira, 28 de setembro de 2026

António Zambujo: «Asústame ver que as persoas viven de xeito cada vez máis impersoal, máis acelerado e con menos profundidade»

Este sábado, Santiago de Compostela acolle o concerto de António Zambujo, unha das voces máis singulares e recoñecidas da música portuguesa actual. O día 2 de outubro, repetirá no Teatro Colón da Coruña. Nas vésperas destes concertos, o artista reflexiona sobre o seu novo traballo, Oração ao tempo, e reivindica a necesidade de desacelerar fronte á vertixe dos algoritmos e do consumo inmediato, refuxiándose nunha lírica persoal que mestura o fado, a bossa nova, a complicidade no estudio e o seu vencello afectivo coa Galiza.

Zambujo en concerto 

Escrito por Manuel Xestoso  

Nunha época dominada pola vertixe dos algoritmos, a velocidade do consumo dixital e a urxencia constante da industria musical, o cantante e compositor portugués António Zambujo (Beja, 1975) fai unha pausa reflexiva para colocar o tempo como eixe vertebrador do seu máis recente traballo discográfico, Oração ao tempo, un título extraído da canción homónima de Caetano Veloso (que os dous cantan xuntos na gravación). Ese título, dalgunha maneira, fecha un círculo: Zambujo comezou a atraer a atención internacional cando Veloso confesou sentirse emocionado ao escoitalo, sinalando que lle lembraba a João Gilberto nun contexto de fado. 

—Neste novo traballo discográfico, que sen dúbida terá un protagonismo central nos concertos na Galiza, escoller o concepto do tempo como eixe vertebrador nunha época tan marcada pola rapidez e polo consumo inmediato de algoritmos semella case un manifesto de carácter social.

Máis que un manifesto social, eu diría que é unha afirmación estritamente persoal. A miña intención con este disco non é mover masas, nin alterar opinións de ninguén, nin nada que se pareza a iso. É simplemente a afirmación persoal de que me recuso a entrar por ese camiño da présa, porque non me interesa absolutamente nada e porque non sei vivir desa maneira. Asústame ver que as persoas viven de modo cada vez máis impersoal, máis acelerado, con menos profundidade, con menos tempo para analizar e con menos capacidade para interpretar aquilo que as rodea. E o resultado desa actitude está á vista de todos: o mundo atópase no estado no que está precisamente por causa desa vertixe. Polo tanto, eu non quero de ningunha forma subir a ese tren. 

—Nese sentido, actuar no Festival Maré semella o escenario axeitado. É un encontro que procura precisamente ofrecer ese espazo de repouso, acougo e diálogo directo co público.

Completamente. O festival Cantos na Maré marcou a primeira vez que toquei na Illa da Arousa e na Galiza, e foi a ocasión na que coñecín a Vítor Belho e a toda o seu equipo fabuloso. Hai precisamente seis anos, pasamos unha semana enteira en Santiago de Compostela a preparar ese concerto. Lembro perfectamente que noutra edición eramos Lenine, Aline Frazão, Guadi Galego e máis eu. Foi unha semana incribelmente divertida e marabillosa. O meu fillo João acababa de nacer había só unha semana, pero valeu moito a pena afastarme del temporalmente para preparar o espectáculo aí e poder tocar. Aínda que o concerto final foi en Pontevedra, toda a preparación decorreu en Santiago e foi unha experiencia fantástica. A propia idea de unir a lusofonía, xuntando músicos de varios países onde se fala portugués, aliada ao concepto do festival de facer as cousas con máis tempo, reflexión e pausa, é algo que considero profundamente interesante e co que me identifico na totalidade. Este disco ten todo que ver con esa mesma filosofía. 

 

[Imaxe: Sebastião Ferreira - fonte: www.nosdiario.gal]

quarta-feira, 3 de junho de 2026

«Edgar Morin via nos portugueses uma combinação singular de resiliência e gentileza, de coragem e humildade»

Isabelle de Oliveira, presidente do Institut du Monde Lusophone, estará nesta quarta-feira, em Paris, na homenagem ao filósofo francês que morreu dia 29, com 104 anos. Ao DN, fala sobre o amigo.

Escrito por Leonídio Paulo Ferreira 

Como recorda Edgar Morin, o homem mais ainda do que o filósofo ?

Por trás do grande pensador existia o homem. O meu querido Edgar, como eu o chamava. E eu, para ele, era simplesmente a sua Isa. Era um homem de uma simplicidade desarmante, como tantas vezes acontece com os verdadeiramente grandes deste mundo e cada vez são menos. Exigente, sim, consigo próprio e com os outros, mas profundamente humano. Habituado à complexidade do pensamento, encontrava a sua maior felicidade nas coisas mais simples da vida. Gostava de um bom queijo da serra, de um bom vinho, de contemplar o mar num passeio de barco enquanto o olhar se perdia no infinito. Gostava de dançar, de cantar e de celebrar a amizade. Nunca esquecerei a noite em que, num jantar no Porto rodeado de amigos, levantou-se para cantar a Marselhesa com um entusiasmo contagiante, arrancando sorrisos e aplausos de todos os presentes. Era também impaciente, e essa impaciência proporcionou-me alguns dos momentos mais divertidos que partilhámos. Recordo, com uma ternura imensa, uma viagem de táxi em Lisboa que me fez chorar de tanto rir. Eram momentos simples, mas que hoje guardo como verdadeiros tesouros. Adorava a sua Sabah. E nós éramos, e continuamos a ser, família. Acima de tudo, Edgar era um apaixonado pela vida. Vivia-a com intensidade, curiosidade e gratidão. Procurava compreender o mundo, mas nunca deixou de maravilhar-se com ele. E talvez seja essa a memória mais bonita que dele guardo: a de um homem extraordinário que, apesar da sua grandeza intelectual, nunca perdeu a capacidade de emocionar-se com as pequenas coisas. O pensador ficará para a História. Mas o homem — o meu querido Edgar — ficará para sempre no coração daqueles que tiveram o privilégio de amá-lo e de caminhar ao seu lado. Recordarei sempre com grande carinho o meu querido Edgar, não apenas como um dos maiores pensadores do nosso tempo, mas sobretudo como um homem extraordinariamente humano. Ir-me-ei sempre lembrar da sua boa disposição contagiante, da sua energia inesgotável e da curiosidade que o animava em relação a tudo e a todos. Era um verdadeiro bon vivant, sempre atento ao mundo, sempre desejoso de compreender, descobrir e partilhar. Recordo também a sua impaciência perante a inércia, as simplificações e as injustiças, expressão de um espírito inquieto que nunca se resignou nem deixou de interrogar o seu tempo. Mais do que o filósofo, permanece para mim a recordação do homem: generoso, caloroso, livre de espírito, intensamente vivo e profundamente comprometido com a aventura humana.

A última visita de Morin a Portugal foi em 2023, para uma conferência em Lisboa sobre o humanismo. Sei que foi com ele a uma casa de fados. Como era a relação de Morin com Portugal, que um dia disse ser "um país extraordinário"?

Era impossível o Edgar estar em Portugal e não entrar numa casa de fados. Havia ali algo que o chamava de forma inevitável, quase como um regresso a casa. Eterno apaixonado por Amália Rodrigues, via nela muito mais do que uma cantora: via a alma de um povo, a voz das suas alegrias, das suas saudades e das suas esperanças. Sempre que escutava Amália, sentia que Portugal falava diretamente ao coração. Numa casa de fados, entre guitarras que choram e vozes que contam histórias de vida, o Edgar encontrava aquilo que mais admirava nos portugueses: a capacidade rara de transformar emoções profundas em beleza. Para ele, o fado não era apenas música; era uma forma de entender a vida, de aceitar as suas perdas e celebrar os seus encontros. Edgar dizia, com uma convicção que impressionava quem o ouvia, que Portugal era um país extraordinário. Não por ser perfeito, nem por procurar impressionar o mundo a todo o momento, mas precisamente pela autenticidade que se sente em cada lugar e em cada pessoa. Para ele, Portugal possuía uma rara capacidade de preservar a sua identidade, mantendo-se fiel às suas raízes sem nunca perder a abertura ao que vem de fora. O que mais admirava era a forma como os portugueses enfrentam a vida. Via neles uma combinação singular de resiliência e gentileza, de coragem e humildade. Um povo que conheceu desafios ao longo da sua História, mas que nunca deixou que as dificuldades apagassem a sua capacidade de acolher, de sorrir e de ajudar quem chega. Edgar acreditava que existe uma grandeza silenciosa no caráter português: uma força que não precisa de ser exibida porque se manifesta naturalmente nos pequenos gestos do quotidiano. Encantava-o também a importância que os portugueses atribuem às relações humanas. Num mundo cada vez mais acelerado, encontrava em Portugal o valor do tempo partilhado, das conversas demoradas à mesa, da amizade cultivada com dedicação e do respeito pelos mais velhos. Via um país onde as pessoas ainda sabem parar para escutar, para receber e para estar presentes umas para as outras. Portugal era extraordinário, dizia ele, porque consegue reunir numa dimensão relativamente pequena uma riqueza humana e cultural imensa. Das aldeias históricas às grandes cidades, do interior ao litoral, cada região preserva tradições, memórias e formas de viver que enriquecem a identidade coletiva do país. Há um profundo orgulho naquilo que se é, mas sem ostentação; uma consciência tranquila do próprio valor. Edgar admirava ainda a ligação dos portugueses à sua História. Não uma história guardada apenas nos livros ou nos monumentos, mas uma História que continua viva nas famílias, nos costumes, na língua e nas tradições transmitidas de geração em geração. Via nisso um sinal de maturidade coletiva: a capacidade de honrar o passado sem deixar de olhar para o futuro. Mas, acima de tudo, acreditava que a verdadeira riqueza de Portugal estava nas pessoas. Na sua generosidade, na sua humanidade e na forma como fazem qualquer visitante sentir-se bem-vindo. Para Edgar, era isso que tornava Portugal extraordinário: a capacidade de tocar o coração de quem o conhece, não através da grandiosidade, mas através da autenticidade. Porque há países que impressionam pela dimensão, pela riqueza ou pelo poder; Portugal, na sua opinião, conquistava algo muito mais difícil e duradouro — o afeto e a admiração de quem tem o privilégio de o viver.

Surpreende-a a admiração por Morin em Portugal ? Foi condecorado por dois presidentes, e agora o presidente António José Seguro emitiu uma nota a elogiar o grande pensador.

Era impossível não admirar o homem Edgar Morin. Mais do que uma personalidade marcante, é o pensador planetário, um ser fora do comum, daqueles que surgem raramente e deixam uma marca profunda no seu tempo. Ao longo da vida recebeu inúmeras condecorações, distinções e homenagens vindas dos mais diversos cantos do mundo. Contudo, nunca foram esses reconhecimentos que o moveram. Estava acima da busca por títulos e medalhas. Com a lucidez e frontalidade que o caracterizavam, não hesitava em afirmar que muitas condecorações são atribuídas a quem nem sempre as merece verdadeiramente. Para ele, o valor de uma vida não se media pelo brilho das insígnias, mas pela profundidade das ideias e pelo impacto que se deixa nos outros. O que realmente o apaixonava era algo muito mais nobre: estar junto dos estudantes, dialogar com os jovens, desafiar certezas e abrir horizontes. Sentia-se em casa no meio da juventude, não para ensinar verdades absolutas, mas para despertar perguntas, cultivar o pensamento crítico e estimular a reflexão sobre o mundo e o futuro. Edgar acreditava que a maior herança que uma geração pode deixar à seguinte não são monumentos nem honrarias, mas a capacidade de pensar, questionar e compreender a complexidade da condição humana. Por isso, preferia uma sala cheia de estudantes curiosos a qualquer cerimónia solene. Sabia que é na mente dos jovens que se constrói o amanhã e que cada conversa profunda podia ser a semente de uma transformação. Foi essa grandeza intelectual e humana que o tornou inesquecível. Não apenas um homem de conhecimento, mas um construtor de consciências; não apenas um académico brilhante, mas um inspirador de gerações. Edgar pertenceu ao raro grupo daqueles que não procuraram a admiração dos outros, mas acabaram por conquistá-la de forma inevitável. Porque era impossível não admirar o homem Edgar Morin.

Esta quarta-feira Morin vai ser homenageado pelo presidente Emmanuel Macron, numa cerimónia em Paris na qual a Isabelle, como amiga, vai estar presente. Como vê a França este resistente contra os invasores nazis ?

O presidente Macron prestou várias homenagens a Edgar ao longo dos anos, e a celebração do seu centenário foi particularmente memorável, marcada pela alegria, pela gratidão e pelo reconhecimento de uma vida extraordinária. Tive o privilégio de estar presente em todas essas ocasiões, guardando delas recordações inesquecíveis. Esta homenagem, porém, tem um sabor diferente, profundamente doloroso. É o momento da despedida do homem na sua dimensão física, mas jamais do pensador universal, cuja obra e legado permanecem vivos e imortais. Edgar é um verdadeiro monumento do saber, uma consciência rara que iluminou gerações com a sua inteligência, humanidade e visão do mundo. A sua partida deixa-nos órfãos da sua presença, mas enriquecidos para sempre pelo imenso património intelectual e humano que nos legou. Hoje despedimo-nos do homem, mas o seu pensamento continuará a inspirar, a questionar e a guiar aqueles que procuram compreender a complexidade da condição humana. A sua voz permanecerá entre nós, atravessando o tempo, porque os grandes espíritos nunca desaparecem verdadeiramente. Edgar Morin foi membro da Resistência Francesa durante a Segunda Guerra Mundial e combateu a ocupação nazi. Por isso, Emmanuel Macron homenageou-o como um “soldado da Resistência” e uma figura maior do humanismo francês. Macron descreveu-o como: “Soldado da Resistência, militante e homem livre, escritor e pensador do século, defensor da natureza e dos povos”, acrescentando que Edgar Morin era “o humanismo feito pessoa”. Para a França, Edgar Morin representa: a luta contra o nazismo e a defesa da democracia; o humanismo e os valores universais; o pensamento crítico e independente; Uma das maiores referências intelectuais francesas dos séculos XX e XXI. Em poucas palavras, Macron apresentou Edgar Morin como um herói da Resistência e um dos mais importantes.

Qual é o seu livro preferido de Morin?

Gosto de O Paradigma Perdido porque ele não fala apenas sobre o ser humano: ele obriga-me a reencontrá-lo. Numa época em que tudo parece dividido em categorias, disciplinas e definições, Edgar Morin procura aquilo que ficou esquecido entre essas divisões — a essência complexa da nossa existência. É como se o livro recuperasse uma peça perdida do espelho da humanidade e me mostrasse que somos muito mais do que as explicações simplificadas que costumamos aceitar. O que mais me marca na obra é a ideia de que o ser humano não pode ser reduzido a uma única dimensão. Somos feitos de paradoxos: carregamos a herança biológica dos nossos ancestrais e, ao mesmo tempo, criamos arte, ciência, sonhos e revoluções. Em nós convivem a racionalidade e o caos, a lucidez e a imaginação. Edgar Morin não tenta eliminar essas contradições; pelo contrário, mostra que é nelas que reside a nossa verdadeira riqueza. Este livro faz-me pensar que a humanidade se perdeu quando começou a separar aquilo que sempre esteve ligado. Ao fragmentar o conhecimento, ganhámos especialização, mas muitas vezes perdemos a visão do todo. O Paradigma Perdido é, para mim, um convite à reconciliação: entre natureza e cultura, entre emoção e razão, entre o indivíduo e a sociedade. É uma obra que não procura simplificar a realidade, mas ensiná-la a ser compreendida na sua profundidade. Gosto deste livro porque ele transforma a dúvida numa forma de conhecimento. Em vez de apresentar verdades absolutas, abre caminhos para novas perguntas. Faz-me perceber que compreender o ser humano não é chegar a uma conclusão definitiva, mas aceitar uma aventura intelectual permanente. Cada página lembra-me que somos uma espécie capaz de estudar as estrelas sem nunca deixar de procurar respostas dentro de si própria. Por isso, O Paradigma Perdido não é apenas um livro que leio; é um livro que me lê. Ele desafia as minhas certezas, amplia a minha forma de pensar e faz-me olhar para a condição humana com mais humildade e admiração. Poucas obras conseguem fazer-nos sentir simultaneamente pequenos perante a vastidão da vida e grandiosos pela capacidade de a questionar. É precisamente essa sensação que torna esta obra inesquecível para mim.

 

[Fonte: www.din.pt]

terça-feira, 5 de maio de 2026

«Saudades trago comigo», fado mouraria interpretado por Camané

                                                                              Saudades trago comigo

Do teu corpo e nada mais

Pois a lei por que me sigo

Não tem pecados mortais

 

Talvez tu queiras saber

Porque em vida já estou morto

São apenas podes crer

As saudades do teu corpo

 

E tu que sentes por mim

Desde essa noite perdida

Sentes esse frio em ti

Que eu sinto na minha vida

 

Eu sei que o teu corpo

Há-de sentir a falta do meu

Por isso eu tenho a saudade

Que o meu corpo tem do teu

 

Eu tenho um sonho doirado

Sonho que a minha alma quer

É morrer cantando o fado

Nos braços duma mulher




                                                                

Letra: António Calém

Disco: «Uma Noite de Fados», 1995

 

quarta-feira, 18 de março de 2026

António Lobo Antunes ou l’ordre naturel de la langue

António Lobo Antunes est mort le jeudi 5 mars à Lisbonne à 83 ans. Nous perdons l’un, peut-être le plus grand écrivain contemporain. Il a inventé une manière de dire le monde, de faire tenir ensemble l’individu et le réel, qui bouleverse l’ordre narratif à un point si extrême et si virtuose qu’il a changé notre manière de lire, de sentir le texte. Labeur sisyphéen d’une vie entière pour un homme qui éprouvait la littérature comme la vie. Au-delà de l’admiration absolue, nous sommes tristes de perdre un homme étonnant et profond, un peu ours et si drôle, de savoir aussi que les voix qu’il a inventées ne peupleront désormais, dans un paradoxe ultime, que notre mémoire. Mais comme il le rappelait, les livres sont infinis, définitivement inachevés.

Antonio Lobo Antunes

Écrit par Hugo Pradelle

Lire António Lobo Antunes est une expérience qui ne ressemble à aucune autre. Il disait d’ailleurs : « Ce que je voudrais ce n’est pas qu’on me lise, mais qu’on vive le livre. » C’est quelque chose de physique, d’intérieur, de viscéral. Quelque chose qui ne se raisonne pas. On admet son écriture ou pas, on y plonge avec une confiance absolue ou on demeure sur le bord, méfiants. Il faut dire que son écriture nous happe, nous enveloppe, nous retourne, nous entraîne. Qu’elle bouleverse quelque chose en nous. Qu’on y perd et qu’on y gagne une part de soi. C’est une expérience de lecteur rare, sublime, presque ineffable. Comme s’égarer dans une obscure forêt de conte de fées, s’effrayer de rien, des formes du monde, des silhouettes fantomatiques et insaisissables des autres, de soi-même aussi. On y rencontre des figures, des personnages, des voix qui ne peuvent plus nous quitter, qui s’incorporent à nous-mêmes. On s’y confronte à un ordre du langage inédit, à une prose qui pulvérise le réel et les paroles qui le hantent, à une manière de concevoir le roman si totale, si puissante, que l’on doit admettre de ne pas en sortir indemne. 

Dans le troisième volume de ses Chroniques, il écrit : « Parcourez mes pages comme si vous étiez dans un rêve car c’est dans ce rêve, dans ce jeu d’ombres et de lumières, que vous saisirez l’essence du roman avec une intensité qui vous révélera le fond irrationnel de votre préhistoire. Puis, le voyage achevé / et le livre refermé / vous entrerez en convalescence. J’exige que la voix du lecteur se mêle à celle du roman / du poème, de la vision, ou de tout autre nom que vous lui donnerez / pour qu’il trouve son équilibre parmi les démons et les anges de la terre. » Si on accepte cet inconnu, ce trouble, le vide qu’ils font béer devant nous, si on prend le risque d’un grand partage, d’y croire, de se laisser faire, d’accepter de ne pas comprendre tout, alors débute une aventure absolue, enchanteresse, un compagnonnage merveilleux. 

C’est un écrivain qui ne nous quitte pas. Ou qu’on ne quitte pas. Comment dire ? Lorsque les voix qui habitent ses livres nous touchent, nous attrapent, on ne peut s’en dépêtrer. Elles gagnent une part dans nos existences, elles y laissent des traces, inscrivent des luminescences dans la ténèbre de la vie. Peu d’écrivains atteignent cette sorte de hantise ou ordonnent des langues propres, altérées à la mesure de ce qu’ils éprouvent, vivent ou partagent par le geste de la fiction, à la mesure du romanesque. Il fait partie, assurément, de cette confrérie des écrivains immenses qui changent la vie, qui changent la prose, qui font vaciller quelque chose du langage, de ce qu’il bouleverse de la perception que nous avons de nous-mêmes. Car s’il raconte des expériences, s’il explore leur épaisseur, s’il travaille leur densité, Lobo Antunes ne raconte pas d’histoires, ne se limite pas à la complexité de trames romanesques. Il cherche, essaie des formes, pousse le plus avant possible des organisations verbales. Comme il le confie à María Luisa Blanco dans leurs entretiens parus en 2004 : « Peu à peu je me suis de plus en plus intéressé au style, à l’épuration de la forme et du mot. »

Son œuvre obéit à un mouvement, à une direction que l’expérience de l’écriture impose. Car pour Lobo Antunes, c’est l’effort d’écrire, le geste physique, sa durée, sa reprise, son épuisement qui comptent. il y revient toujours, à l’organisation du texte, à son adéquation avec les possibles qu’il engage ou qu’il figure. Ses livres ordonnent des expériences de langue, ils forcent à admettre que la littérature est une affaire de forme, d’agencement de mots. Ni plus, ni moins. L’écrivain n’est rien d’autre qu’un praticien du langage, quelqu’un qui en admet l’épreuve, qui, modestement, essaie de le transformer. Il imagine, pas à pas, un autre ordre du langage, une forme verbale qui excède ses contingences habituelles. Il semble donner un volume à un plan, offrant des points de coordonnées démultipliés au texte. Et chacun d’entre nous doit apprivoiser cette langue, la forme singulière de ses livres – que tant d’écrivains tentent d’imiter sans y parvenir vraiment –, cette composition par séquences verbales d’une longueur voisine qui s’interrompent pour y intégrer des paroles orales qui entrecoupent un récit plus ou moins discontinu. Passé la stupeur ou le désarroi, le lecteur saisit des mécaniques, des reprises, des signes et des indices qui l’informent de variations dans les locuteurs et les temporalités qui se partagent un même tissu textuel. C’est une polyphonie dans la polyphonie. Une sorte de récit impossible qui advient dans sa diffraction même, dans une combinatoire qui semble infinie.  

Aucun écrivain n’est parvenu à cette virtuosité formelle qui semble n’être qu’un flux, à cette complexité évidente, à cette sorte de miracle qui fait qu’on comprend un texte, ses enjeux, sa trame, ses rapports, sans s’en rendre compte. Car oui, si on accepte de ne pas tout comprendre immédiatement, si on se laisse emporter par les voix qui peuplent les romans de Lobo Antunes, soudain, tout est d’une clarté stupéfiante. Et ce qui avait échappé se reconfigure naturellement dans notre esprit, comme si ce texte avait contaminé notre psyché, notre mémoire, notre vie. C’est une joie esthétique prodigieuse, incomparable, miraculeuse. En plus de trente livres, l’écrivain est parvenu à une forme d’acmé qui semble himalayenne, indépassable. C’est une œuvre qui réclame de lâcher prise, d’admettre un désordre verbal apparent qui désoriente. De lire comme on rêve, comme on associe notre passé et notre présent, comme on confond notre parole et celle des autres. On y découvre comment notre mémoire se meut en nous-mêmes, comment le réel et le fantasme, l’essentiel et le détail, le vrai et le faux, se mélangent, s’équivalent, se contaminent. Et l’écrivain confère un ordre au chaos de nos vies, de celles qui le heurtent et qu’il partage avec nous. Si on a le courage d’affronter ces voix, on aura vécu une des plus belles choses que les livres offrent à la vie.

L’écrivain a longtemps cherché cette forme d’écriture, cette maîtrise, une clarté opaque. Il a tâtonné, écrit avec une énergie ahurissante – on connaît les anecdotes sur cette cadence : les plages d’écriture de plus de dix heures dont il disait que les trois premières ne comptaient que comme un échauffement, son écriture minuscule dont il noircissait dans la cantine de son ancien hôpital les pages de blocs d’ordonnances, ses incroyables brouillons caviardés…  – et, de livre en livre, essayé, produit, des formes romanesques de plus en plus complexes et cohérentes. Il confiait ainsi : « Chaque roman est une nouvelle prise de conscience du chemin qu’il faut encore parcourir pour parvenir au roman que je veux faire. » Et son œuvre a obéi à cette injonction existentielle sisyphéenne. Une évolution qui obéit à une expurgation de soi, au filtre que l’écrivain impose au monde, à une collection du réel que la langue vient reconfigurer. Passant du sujet qui nourrit l’œuvre à une œuvre nourrie par le monde. 

On lit ainsi dans la première période des textes qui infusent l’expérience personnelle de la guerre coloniale en Angola ou du métier de psychiatre et configurent une mémoire familiale et convoquent des lieux et des expériences intimes qui frottent avec le réel, les aventures de la vie des personnages. Lobo Antunes refuse avec virulence le récit strict de soi – il le manie dans ses chroniques de manière évidente et dans des textes qu’il mettait à part, les considérant comme légers et peu mémorables, ses Lettres de la guerre publiées à la demande de ses filles ou son récit sur son cancer intitulé Au bord des fleuves qui vont – mais il en a nourri ses premier récits. Ceux de la guerre qui lui ont apporté la célébrité – Le cul de Judas et Fado Alexandrino –, l’expérience du psychiatre dans Connaissance de l’enfer et Mémoire d’éléphant, les deuils et la famille dans Explication des oiseaux ou La farce des damnés, la politique, et sa trilogie sur la mort entamée avec Traité des passions de l’âme.

Ce sont des romans qui oscillent entre un lyrisme flamboyant et un humour noir corrosif, qui travaillent l’expérience intime avec quelque chose de fellinien, de baroque et d’excessif. Ils augurent un basculement plus radical dans l’écriture d’une polyphonie déstructurée avec Le manuel des inquisiteurs ou Le retour des caravelles qui croisent tous ces enjeux, pour aboutir à son roman pivot, dont le titre provient de l’hymne national portugais : La splendeur du Portugal. Roman, d’évidence le plus faulknérien (qualificatif qui l’aurait amusé et agacé), sur une fratrie qui doit se retrouver le soir de la Noël et que hante la figure complexe d’une mère absente, roman qui semble véritablement inventer et maîtriser la forme des récits à venir que l’écrivain ne cessera de perfectionner pendant trente ans.

Ce livre marque un changement dans le parcours de l’écrivain qui rappelait souvent qu’il était, pour la première fois, tombé amoureux du personnage de Clarice et qui disait de ce texte : « Dans La splendeur il y a tout ! » À partir de ce mitan des années 1990, Lobo Antunes écrit à un rythme incroyablement soutenu une série de très grands livres qui embrassent l’histoire et la mémoire collective du Portugal en les incorporant à des individualités qui produisent les voix qui s’essaient à dire ensemble cette hétérogénéité romanesque. Des romans qui racontent tous une incertitude, une impossibilité de la mémoire totale, la fragmentation du temps et du réel. C’est comme si le monde passait à la moulinette des personnalités et des subjectivités et qu’il les réordonnait dans le même temps comme une manière de faire le point sur une image ou de la brouiller. Il y a son extraordinaire, peut-être l’un de ses plus beaux livres, Exhortation aux crocodiles qui se compose entièrement de voix féminines, ses grands romans comme Que ferai-je quand tout brûle ? ou le très sombre et particulièrement bouleversant N’entre pas si vite dans cette nuit noire dont il emprunte le titre à Dylan Thomas, l’un de ses auteurs favoris. 

On lira avec passion cette série de grands textes qui vont de Mon nom est légion, Bonsoir les choses d’ici-bas et Jusqu’à ce que les pierres deviennent plus douces que l’eau sur les conséquences des guerres coloniales et les rapports entre les Blancs et les Noirs, aux sublimes portraits polyphoniques d’Il me faut aimer une pierre et De la nature des dieux, jusqu’aux grands récits familiaux de Quels sont ces chevaux qui jettent leur ombre sur la mer ? et de La nébuleuse de l’insomnie ou encore le superbe livre sur la perte de la mémoire (qui avait quelque chose de prémonitoire de la maladie de Lobo Antunes lui-même) intitulé magnifiquement Pour celle qui est assise dans le noir à m’attendre. Tous ces textes explorent une violence, une sorte de dépossession, d’affaissement, de disparition progressive. Une douleur de la perte et un sursaut des êtres devant un monde qui les violente et où ils cherchent infiniment leur place. Jusqu’aux tout derniers textes – La dernière porte avant la nuit et L’autre rive de la mer magnifiquement traduits par Dominique Nédellec – qui semblent accentuer encore la déconstruction ou la faire jouer autrement, avec d’autres influences, nourris d’un réel mouvant, d’une accentuation plus forte encore de ce qui semble manquer dans le texte et que le lecteur doit recomposer infiniment.

C’est peut-être pourquoi ses livres se sont, plus l’œuvre avançait, moins vendus. Car il fallait, revenons-y, s’adapter, s’acclimater à cette forme de langage – encore plus radicale que chez Claude Simon, Juan Benet ou William Faulkner –, apprivoiser un monde, des voix, il fallait se déprendre de l’habitude de comprendre immédiatement un texte, le laisser exister dans le temps, comme si les livres étaient un impossible palimpseste que les lecteurs déchiffrent sans fin. C’est un abandon, un changement de paradigme, que peu d’œuvres contemporaines imposent. Comme le disait Lobo Antunes : « Un livre m’apparaît toujours davantage comme un organisme vivant, il fait ce qu’il veut. Et je dois le suivre Et je dois le suivre à la trace, faire ce qu’il exige. C’est un organisme indépendant. » Ajoutant que « les romans poussent peu à peu », que « ce sont les mots qui inventent le texte. […] C’est le texte qui se construit malgré nous. […] c’est le livre qui m’emmène là où il a décidé d’aller ». Il faut se laisser faire par l’écrivain qui nous guide « comme un torero attire le taureau », placer sa confiance en lui. Se désentraver du sens, de l’évidente logique, de l’ordre du temps, des thèmes, pour entrer de front dans une langue, comme on entre dans l’océan. 

Les livres de Lobo Antunes parlent du monde qui l’entoure, du passé de son pays et du sien, d’une société coloniale terrible (il faut le lire pour mesurer la portée de ce qu’il en dit), de l’ambiguïté de la guerre, de l’effroi des solitudes, de l’effondrement d’un monde et des êtres fantomatiques qui le peuplent. On dit souvent de lui que c’est un immense écrivain de la mémoire, de la disparition, d’un deuil impossible, des rapports entre les hommes et les femmes, de la sexualité, de la violence, de la mort, de la folie… La liste serait très longue tant il a brassé d’enjeux et de thèmes au gré de ses livres. Alors, oui, bien sûr… Il faudrait être aveugle pour ne pas le voir. Et pourtant, comme il le disait : « Ce n’est pas nous qui devons être intelligents, c’est le livre qui doit l’être. » Ajoutant, avec une malice qui n’appartenait qu’à lui, que ses romans sont infiniment plus faciles qu’on ne le croit, qu’ils parlent d’expériences que nous faisons tous, rappelant que pour lui « ils sont très simples ». Affirmant que tout ce qui compte, c’est le langage, les voix, la parole, ce qui se joue en elle, sur la page « comme si c’était un miroir ». De nous, de la vie, du passé, de ce qui nous touche, nous bouleverse, ce qui nous échappe et qu’on cherche comme dans l’obscurité. Viennent à l’esprit les derniers mots de Je ne t’ai pas vu hier dans Babylone : « ce que j’écris peut se lire dans le noir ». 

Oui, ce qu’écrit António Lobo Antunes semble être en nous-mêmes. Sa voix vit en nous, comme un organisme secondaire qui s’attacherait à nous : sa langue est comme une ombre en nous-mêmes. Si elle est ardue, exigeante, si elle nous perturbe au plus profond, si elle dérange nos âmes et nos sens, elle fait partie de celles qui comptent le plus. Car elles ne peuvent s’abolir ou s’oublier, parce qu’elles ont défait le monde et ont proposé une manière de le dire, de l’entendre, de le concevoir autrement. Comme si tout pouvait se dire en même temps, comme si des voix fictives pouvaient gagner les proportions des existences véritables, comme lovées dans notre psyché pour toujours. Ses livres nous rendent plus grands car ils nous font vivre autrement, parce qu’ils désordonnent l’existence et les moyens de sa figuration, parce qu’il partagent, littéralement, des expériences altérées du monde. Il nous font traverser les expériences des autres, traverser leur langue, traverser le temps. António Lobo Antunes a inventé un langage, une dramaturgie de la parole dans le temps, qui atteint ce miracle d’être comme la vie, dans la vie, éternellement. Il disait : « Un livre n’est jamais fini ; il est juste définitivement inachevé. » Comme nos vies, comme la sienne, comme celles des personnages de ses livres. Et on les entendra, pour toujours, retentir dans le temps.

[Photo : Jean-Luc Bertini - source : www.en-attendant-nadeau.fr]

terça-feira, 5 de novembro de 2024

La península Ibérica se une: así es Cultura Portugal 2024

Más de 70 iniciativas para celebrar la cultura lusa que se desarrolla en España y Andorra hasta el mes de diciembre. Arte plástico, música, literatura, danza, arquitectura, cine, ilustración procedentes de Portugal inundarán las salas españolas y andorranas este otoño gracias a la programación de Cultura Portuguesa 2024. Una programación que usa como centro la celebración de los 50 años de democracia en el país vecino.

                       Fotograma de la película ‘As Melusinas à Margem do Rio’, de Melanie Pereira

Escrito por Laura L. Ruiz

“Compartimos, en un espíritu de convergencia total, el alto sentimiento de querer conocer más y más profundamente, de querer hacer más y con mayor alcance, a través no solo del intercambio, sino también de proyectos conjuntos entre Portugal y España”, indicó Dalila Rodrigues, la ministra de Cultura de Portugal en la presentación del evento en Madrid.

En esa presentación, en el Museo Reina Sofía, contó con la presencia, entre otros, de su homólogo español, Ernest Urtasun; el embajador de Portugal en España, João Mira-Gomes, además de numerosos invitados, como el director del museo madrileño, Manuel Segade. El ministro español de Cultura recordó que, tras el encuentro Mostra Espanha 2024, donde la obra El abrazo de Juan Genovés fue la obra invitada, era el momento de acoger una obra lusa. La obra lusa invitada que estará hasta el 6 de enero en el Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía es Autorretrato en un grupo, de Almada Negreiros. Sobre ella, Urtasun afirmó: “Apela a una memoria compartida entre Portugal y España, porque refuerza un vínculo de amistad y porque nos habla de esa creatividad que se sobrepone siempre a las guerras, a las dictaduras y a la censura”.

Durante la presentación también se pudo apreciar arte contemporáneo, como es la performance. El artista Pedro Barateiro se inspira en una manifestación estudiantil de 1994 para hablarnos sobre la idea de tacto y cuidado, en forma de abrazo y beso entre dos personas en My body. Una pequeña muestra de lo que Cultura Portuguesa 2024 será durante el otoño y que visitará festivales como el de Cine de Sevilla –con la Revolución de los Claveles en el foco–, el Festival Eñe o el ciclo Tramas Europeas, en colaboración con la Biblioteca Nacional de España. 


En cuanto a teatro portugués, estará presente en el Festival de Otoño de Madrid o el teatro gallego São João con la obra Dura Dita Dura. La visión social estará presente con dos eventos importantes: la colaboración de la mostra con la asociación Dragones de Lavapiés, en un proyecto abierto y participativo que combina cultura y deporte; y con BIME de Bilbao, donde se hablará sobre el poder de la música como herramienta de transformación social, la responsabilidad social. 

Y mucha música. Dos eventos de fado se celebrarán dentro del programa: Festival de Fado de Barcelona y el Festival de Fado de Sevilla. Destacan actuaciones de artistas lusos como Carminho y Júlio Resende, la proyección de la película O Cônsul de Bordéuso o la conferencia del historiador y musicólogo Rui Vieira Nery. Hay que subrayar también los conciertos de Maria João (29 noviembre en Sevilla), Carmen Souza (22 noviembre en Madrid) y MARO-Mariana Secca (10 de noviembre en Barcelona).

Cine, arte y literatura

En el apartado del cine se celebran varias citas importantes donde Portugal será la invitada. El festival Un Camiño Ben Temperado, que ya se celebró en septiembre; el festival Portugal Alive y la propuesta performativa y sonora de Von Calhau! en el Museo Vostell

Malpartida de Cáceres. La cita con el teatro viene de la mano de As Bruxas de Salem, en Compostela, Falsos amigos y la mencionada Dura Dita Dura (Festival de Otoño, 29 y 30 noviembre, Madrid, Teatros del Canal). 

                     Vista de la exposición ‘El poder con que saltamos juntas’, en el IVAM. Foto: Miguel Lorenzo

Portugal también estará en Manifesta 15 (hasta 24 noviembre), la gran bienal nómada europea, que en su XV edición cuenta con los artistas portugueses Carlos Bunga, Hugo Canoilas, Maja Escher y Diana Policarpo, con intervenciones por toda la ciudad de Barcelona. El arte luso estará presente en cuatro exposiciones más: La colectiva Así que pasen diez años (hasta 8 noviembre, Madrid, Galería Silvestre), que incluye obras de Catarina Botelho, Martinho Costa y Sara Bichão; Mapa y paisaje (hasta 16 noviembre, Madrid, Galería La Caja Negra), una colectiva que celebra los 25 años de esta galería con obras de Daniel Blaufuks y Pedro Cabrita Reis; Vão, una exposición de Pollyana Freir; y Canhoto As Zurdo, muestra que indaga sobre la producción del portugués Nuno Sousa Vieira y la española Tamara Arroyo (14 a 30 noviembre, Madrid, Nadie Nunca Nada No).

Las letras portuguesas estarán presentes en la Biblioteca Nacional de España, en noviembre y diciembre, y en la Residencia de Estudiantes, que concede una beca a João Concha con su proyecto Once Retratos, sobre la singularidad y diversidad de los habitantes de la ciudad de Madrid. Será una oportunidad para celebrar los 500 años del nacimiento de Luís de Camões, la figura más universal de la literatura portuguesa: cuatro conferencias sobre el autor el 13 de noviembre en la Universidad de Sevilla.

Podéis ver el programa completo en culturaportugal-espana.es

 

 

[Fuente: www.elasombrario.publico.es]

sábado, 15 de junho de 2024

Maja Milinković : la musicienne qui mélange le fado portugais avec le sevdah bosniaque

 

Maja Milinković. Photo par Vanja Lisac, via Balkan Diskurs



Écrit par Balkan Diskurs

Traduit par Rodrigue Macao

Écrit par Amir Barleci, cet article fut originellement publié par le Centre de Recherche Post-Conflit sur le site de Balkan Diskurs . Une version éditée de cet article est republiée sur Global Voices dans le cadre d'un accord de partage de contenu.

Voilà seize années que Maja Milinković, auteure-compositeur originaire de Sarajevo, capitale de Bosnie-Herzégovine, est entrée en contact avec la musique fado, le destin en portugais. Elle est alors devenue une pionnière du genre, l'introduisant avec son ensemble dans tout le pays. Combinant le fado au traditionnel sevdah de Bosnie, Milinković parvient à créer et à mélanger différents rythmes et sonorités contemplatives en un seul et même genre.

Milinković, artiste internationalement reconnue et récompensée, à découvert le fado en 2008, au travers d'une représentation par la « reine » du genre, Amália Rodrigues :

J'aime penser que c'est le fado qui m'a trouvée. C'était l'amour au premier regard. Le désir d'approfondir mon exploration du genre est arrivé plus tard. Le fado a complètement changé ma vie. J'ai appris une nouvelle langue très exigeante et j'ai découvert une culture musicale entièrement différente de ce que je connaissais. En a résulté ma longue carrière au Portugal.

L'origine du fado remonterait au 18ᵉ siècle. Il est caractérisé par une mélodie et des paroles mélancoliques, abordant bien souvent le thème de la mer et les expériences des classes pauvres. Des thèmes récurrents capturés par le terme saudade, la nostalgie, l'envie de revenir chez soi. Selon certains, le fado serait un mélange entre des sonorités créées par les esclaves africains au Brésil et des sonorités typiquement portugaises, sonorités elles-mêmes influencées par la culture arabe.

Maja Milinković, originaire de Sarajevo, est une chanteuse de fado et de sevdah. Elle est reconnue et récompensée internationalement. Photo provenant d'une archive privée, via Balkan Diskurs.

Milinković pense que ce serait grâce au « destin » si ce genre la fascine tant. Une manière amusante de voir la chose. Elle fonde en 2011 l'ensemble Fado Verdadeiro, le « Véritable fado ». Le seul ensemble de ce genre en Bosnie-Herzégovine. En 2012, elle enregistre son premier titre de fado, Tudo isto é fado, « Tout est fado ».

Tandis qu'elle revenait sur l'ensemble de sa carrière, Milinković a insisté sur le fait que c'est son amour pour le fado qui la pousse à jouer à Sarajevo. Il ne faut pas oublier que Mirza Redžepagić, joueur de guitare décrit comme un « génie de la guitare » et mélangeant le flamenco avec le sevdah a aussi joué pour Milinković.

Milinković détaille :

Nous sommes des pionniers du fado dans notre pays. Ce fut une surprise totale pour moi, mais aussi un défi. Nous avons commencé par jouer à Baščaršija Nights, Chamber Theater 55, où nos morceaux furent très bien reçus par le public. Après six mois, j'en ai conclu que je devais continuer sur cette voie.

Le fado et le sevdalinka, de véritables jumeaux

« De véritables jumeaux nés dans deux régions différentes », une phrase sans cesse répétée par Milinković pour parler du fado et du sevdah. Alors que le fado mélange des rythmes venant de la péninsule Ibérique, le sevdah, lui, est plus calme et relaxant. Elle ajoute que ces deux genres tirent leurs origines du peuple et de la rue, qu'ils racontent des histoires d'amour, de vie et de désir.

La musique de Milinković combine deux cultures, le fado Portugais avec le sevdah de Bosnie-Herzégovine. Photo provenant d'une archive privée, via Balkan Diskurs.

« Ce sont avant tout des récits, sans aucun refrain », explique-t-elle.

Vous pourrez retrouver les mélanges de Milinković dans son album Fadolinka, sorti en 2019, ou dans son dernier album Fadolinka 2.0. Disponible sur toutes les plateformes de streaming.

« Cela m'est venu naturellement. Après avoir découvert le fado, je suis revenu à mes racines et j'ai construit un pont appelé « fadolinka » entre deux genres que j'adore. L'un qui m'a vu naître, et un autre qui m'a adopté. Le « fadolinka » est ma marque de fabrique. C'est un genre unique qu'on m'associe directement. »

« Sarajevo, tu vis dans mon cœur »

En 2023, grâce à sa chanson « Kada dunja zamiriše » (Lorsque le cognassier fleurit), véritable modèle du genre fadolinka, Milinković remporta un prix au Split Festival. Son album Kaftan D’Alma, sorti en 2021, est mondialement reconnu. En février 2024, Sarajevo u duši mi spavaš (Sarajevo, tu vis dans mon cœur), sa dernière composition, s'est retrouvée numéro 1 du top Apple Music aux Émirats arabes unis.

Milinković explique que malgré ses succès gratifiants, elle se sent obligée de créer de nouvelles sonorités originales et personnelles. Elle est revenue avec beaucoup d'émotions sur sa dernière composition, une ode à sa ville natale :

Cette chanson a vraiment touché le cœur des Sarajéviens, et elle est maintenant reconnue comme l'une des plus belles compositions dédiées à la ville de Sarajevo. Cela me rend évidemment très heureuse, parce que cette chanson une véritable lettre d'amour à Sarajevo. Peu importe où vous vous trouvez, Sarajevo ne vous quittera jamais. Milinković a ensuite annoncé qu'elle était en train de travailler sur son prochain morceau. Même si elle n'a pas pu aborder ce sujet bien longtemps, elle espère que ce single sera accueilli avec plaisir lors de sa sortie au printemps, et que d'autres surprises attendent ses fans.

Elle a ensuite remercié ses fans de l'avoir suivie aussi longtemps, et termine par une citation du poète portugais Fernando Pessoa :

Pour être grand, sois entier : rien en toi n'exagère ni exclus. En chaque chose, sois tout. Mets tout ce que tu es dans le moindre de tes actes. La lune en chaque lac brille entière, pour ce qu'elle vit haut.

 

[Source : www.globalvoices.org]