Teatro Amazonas e Theatro da Paz foram construídos no final do século XIX. São os primeiros monumentos situados na maior área florestal tropical do mundo distinguidos pela UNESCO.
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O Teatro Amazonas foi inaugurado no dia 31 de dezembro de 1896.
DN/Lusa
A UNESCO declarou como Património Mundial os dois
teatros luxuosos de ópera construídos no coração da Amazónia brasileira, com
estilos arquitetónicos e materiais europeus, que simbolizam a riqueza da
chamada Belle Époque na maior floresta tropical do mundo.
O Comité do Património Mundial da Organização das
Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) tomou esta
decisão sobre o conjunto arquitetónico composto pelo Teatro Amazonas (1896), em
Manaus, e pelo Theatro da Paz (1878), em Belém, durante a assembleia anual que
está a decorrer na cidade sul-coreana de Busan, nesta segunda-feira, 27 de
julho.
A delegação brasileira destacou durante a
assembleia que esta inscrição tem "uma importância particular", pois
é a primeira vez que um bem cultural localizado na Amazónia brasileira é
incluído na lista.
O presidente do Instituto do Património Histórico e
Artístico Nacional do Brasil, Deyvesson Israel Alves Gusmão, salientou que esta
"conquista histórica" representa o reconhecimento de que, além de
constituir um paradigma de património natural e ambiental, a Amazónia é
geradora de culturas, memórias e identidade.
"Trata-se, portanto, de um local patrimonial
que mostra ao mundo a riqueza da diversidade cultural da Amazónia
brasileira", declarou. Estes espaços não só acolhem espetáculos de ópera e
produções teatrais, como também atividades de uma ampla variedade artística,
tais como a dança carimbó, o jazz ou o cinema.
Ambos os teatros foram construídos no final do
século XIX nos dois maiores centros urbanos da Amazónia, com os recursos
gerados pelo auge da exploração da borracha, quando a procura mundial de látex
transformou a região num dos principais polos económicos do Brasil e permitiu reproduzir
nos trópicos o requinte cultural e arquitetónico europeu.
A odisseia para erguer essas construções numa
região isolada e rodeada pela selva, onde praticamente todos os materiais
tinham de chegar por barco após atravessarem o Atlântico e subirem o rio
Amazonas, inspirou o célebre filme alemão "Fitzcarraldo" (1982), cujo
protagonista sonha em construir um teatro de ópera na selva.
Ambos os edifícios acolheram, durante décadas,
companhias de ópera, orquestras e artistas europeus que chegavam à Amazónia
atraídos pela riqueza da região, tornando-se símbolos do intercâmbio cultural
entre a América e a Europa nos séculos XIX e XX.
[Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil - fonte: www.dn.pt]

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