sexta-feira, 13 de março de 2026

Hai guerra em Irão, mas respiremos, já temos Junta de Paz para Gaza

 
Presentación da 'Xunta de Paz' de Donald Trump 

Escrito por Bieito Lorenzo Penela

1) Por fim, logo de tantos anos, décadas de feito, de sofrimento, já temos Junta de Paz para Gaza. Por fim poderemos deixar de preocuparmo-nos do que passa ali, desse genocídio e limpeza étnica que se estava a produzir. E bem que se nota, já se fala menos disso. Nem nas redes nem nos jornais. E, agora, com o de Irão, menos ainda.

É umha boa nova. E como nos di Jesús A. Núñez, em ElDiario.esjá se reuniu!, começou a funcionar!!! E que vemos? Pois vejamos um resume do que nos di na crónica:

- Em primeiro lugar: resulta que o Conselho de Seguridade da ONU definia à Junta de Paz de Gaza como “a administração de transição que determinará o marco e coordenará o financiamento para a reurbanização de Gaza”. Mas Trump quere convertê-la numha “instância com pretensiões planetárias, da que se autodesignou presidente vitalício” (Si, mentres viva).

- Em segundo lugar: pretende substituir fraudulentamente à própia ONU como representante legítima da comunidade internacional para gestionar a agenda mundial de paz e seguridade.

- Em terceiro lugar: Israel sigue a violar diariamente o acordo de alto o fogo logrado com Hamás o 10 de outubro. Os mortos já se contam por centenas. O órgão tecnocrático palestino não puido começar as suas funciones. A ajuda humanitária segue corto-circuitada por Tel Aviv e a anexião de Cisjordânia está já na sua última fase. Os palestinos estão apartados da Junta de Paz para Gaza.

Não é um alerta ilhado. O diário Público informa da declaração (tão descarnada coma sincera) de Trump sobre da Franja no Foro de Davos: "No fundo são um agente imobiliário, e o más importante é a ubicação, assí que dixem: mirade esta ubicação junto ao mar. Mirade esta preciosa propiedade, o que poderia significar para tanta gente". Ou, numha visão mais geral, esta opinião de Antonio Gregorio em Praza.gal “Privatizando o goberno (do mundo)

2) Cisjordânia: Por se quedasse algumha dúvida sobre o destino dos Palestinos de Gaza observemos o que está a fazer Israel em Cisjordânia. Também está a construir. E boas construções, abofé que si. Mas não para os palestinos senão para os colonos israelitas. Como nos di Publico.es: Israel põe em marcha a anexão de Cisjordânia com umha lei para registar como própias terras palestinas: "Os palestinos não serão capazes de demostrar que as suas terras são suas, polo que o Governo israelí confiscará-as e as declarará terras do Estado… dado que não reconhecem a documentação palestina, já provenha da corte, ministérios ou de qualquera concelho palestino".

3) E por riba, o de Irão vai ser aproveitado polos genocidas para fazer mais invisível a Gaza e Cisjordânia, como podemos ver em Público.es, titulado, precisamente, “Gaza, a vítima invisível da guerra contra Irão”.

4) Mas, imos ver, isto é umha barbaridade, não fai nada a ONU?

Pois a ONU, certamente, parece paralisada para tanto como o que tinha que fazer. Mas, bem mirado, também é doado de entender sabendo que, no seu Conselho de Seguridade, os EUA tenhem direito de voto e veto. Mas, também é certo que a ONU não é o só o Conselho de Seguridade. Vexamos outras “partes” da ONU:

a) UNRWA: Pois si, a ONU está fazendo. Bem sabemos o que passa coa UNRWA polo que não me vou estender. A reação do governo genocida é um bom botão de mostra de que fai. E de que fai muito, senão não a perseguiria tanto: Israel irrumpe nas oficinas da UNRWA em Jerusalén Oriental.

b) A Corte Penal Internacional: A própia ONU denuncia na sua web que “as sanciones de EUA à Corte Penal Internacional ameaçam a Justiça universal”. Resulta significativo enteirarmo-nos em “elDiario.es” de como sobrevivem os juízes baixo as sanciones de Trump, sem tarjeta nem conta de Google por investigar a Israel.

c) Um caso especial é o acosso abafante a que se está a submeter a Francesca Albanese, como podemos ver nesta entrevista com Olga Rodríguez. Um acosso que, “incrivelmente?”, não se reduze aos EUA, senão mesmo a Estados da “democrática?” Europa, aos que lhes vale qualquer bulo (trola) para “alporizar-se?” e pedir a sua “demissão”.

5) Desde logo, é compreensível que a Trump e aos trumpistas não lhes goste que a ONU faga o pouco que fai. Mas, que fai (que fazemos) a gente? Pois no mundo vemos um enfrontamento entre os partidários da humanidade e os partidários do genocídio. E como aumenta a repressão contra os primeiros. Mencionando brevemente:

a) Hai repressão em EUA, mas também em Europa. Por exemplo mencionemos a Alemania, ou a Inglaterra e Palestine Action: que segue a ser declarado terrorista malia a sentença do 13 de fevereiro ao seu favor do Tribunal Supremo inglés.

b) Hai loitas com pequenas victorias que dão azos como a cancelação de alguns actos por Euro-visão. Ou no festival de San Remo, com dous cantantes que renunciarão a Euro-visão e mais um terceiro que lhe dedicou umha nana a umha nena morta em Gaza.

d) Também no Estado espanhol, e na Galiza onde temos que lembrar a repressão e as mostras de solidariedade com o companheiro Bruno Lópes (ver em praza.gal) ou as vitorias da Volta ciclista (ver, por exemplo a crónica previa à etapa em Mos por praza.gal) ou do festivais de Rok como o de Vina-Rok onde os novos patrocinadores falam de que “Volvemos às origens com um promotor histórico e umha nova equipa à fronte totalmente independente de KKR”.

e) Seguimos com um novo intento de Flotilla, esta vez mais forte: Porque a Flotilla da Liberdade anunciou (pouco antes do ataque a Irão) que lançará a sua maior missão rumbo a Gaza o 29 de março acompanhada dum convoi terrestre. Podemos lê-lo aquí. Ou na página da CNT aquí, ou obter máis informação na sua web

g) Ou na minha vila, Betanzos, onde a organização Betanzos e Comarca com Palestina, estamos a organizar diversas atividades (exposições, presença em mercados…) e também umhas jornadas de cine como podemos ver instagram ou em mastodon: Durante este mês de março e o vindeiro mês de abril, o cine Alfonsetti está a acolher o ciclo "Betanzos com Palestina", com a projeção de quatro filmes nas seguintes datas, todas ás 20,30h:

  • 7 de março: Bye, Bye, Tiberias
  • 14 de março: A voz de Hind.
  • 28 de março: Checkpoint Rock
  • 11 de abril: No Other Land


[Foto: CC-BY-SA The White House - fonte: www.praza.gal]

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