Abdul El-Sayed venceu as primárias democratas no Michigan. A sua plataforma política inclui medidas para combater o custo de vida, taxar os ricos e a defesa de um sistema de saúde pública. Mas o que incomoda mesmo a AIPAC são as suas críticas a Israel.
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Abdul El-Sayed na noite eleitoral das primárias
Chama-se American Israel Public Affairs Committee e é uma poderosa organização sionista fundada em 1954. Recentemente, começou a investir em financiar candidatos pró-Israel ou financiar campanhas contra quem apoie a causa palestiniana de alguma forma. A sua mais recente ação foi investir nas primárias do Michigan do partido Democrata para tentar que Haley Stevens ganhasse a Abdul El-Sayed.
O lóbi sionista gastou diretamente 32 milhões de dólares nesta campanha mas o candidato mais à esquerda, e muçulmano, ganhou. Agora, de acordo com o The New York Times, pondera gastar mais “dezenas de milhões de dólares” contra ele, desta feita apoiando o seu concorrente republicano, Mike Rogers.
Caso vença, este médico epidemiologista, de ascendência egípcia, ex-diretor de um departamento local de Saúde Pública, pode tornar-se o primeiro senador muçulmano dos Estados Unidos da América. Para além do lóbi sionista, enfrentou o ex-senador, o governador do Estado, os membros democratas do Congresso pelo Michigan, o procurador geral, entre outras figuras destacadas do partido. A campanha tornou-se assim a mais cara da história das primárias democratas para o Senado, estimando-se que tenha custado no total 98 milhões de dólares, estando El-Sayed numa desvantagem financeira de nove para um.
No seu discurso depois de uma primeira vitória apertada, esta quarta-feira, tentou desmontar a campanha negativa de que é alvo, dirigindo-se também à comunidade judaica: “A todos os meus irmãos e irmãs da fé judaica, ou de qualquer fé, ou sem fé alguma, quero que saibam que o meu compromisso com a vossa segurança – com a segurança dos judeus – é o mesmo compromisso que tenho com a segurança das minhas próprias filhas”. Claro, continua a defender o fim do fluxo de dinheiro norte-americano que chega às mãos do governo israelita.
Mas essa não foi a sua mensagem central. Na mesma ocasião declarou: “Somos um estado que precisa de um movimento para retomar o controlo da nossa política”. Isto significa libertar a política do domínio das grandes corporações que a têm dominado. Este é um dos pontos da sua mensagem que inclui ainda medidas para combater o custo de vida, taxar os ricos, combater a perseguição de migrantes empreendida por Trump e defender um sistema de saúde pública.
O seu oponente republicano conta já com apoios milionários, o republicano Senate Leadership Fund comprometeu-se a gastar 45 milhões de dólares, e o grupo conservador financiado pela família DeVos vai lançar mais 15 milhões para a corrida eleitoral.
A ala mais à esquerda dos democratas conseguiu ainda vencer outras primárias como para o 7º distrito para a Câmara dos Representantes com o ativista ambiental do Sunrise Mouvement, William Lawrence, com uma mensagem contra os milionários e em defesa dos trabalhadores. Também no 13º distrito da mesma zona, Donavan McKinney, candidato dos Democratas Socialistas da América, venceu contra o milionário empresário Shri Thanedar.
De registar ainda uma derrota deste movimento. Cori Bush perdeu a sua disputa eleitoral no Missouri. A sua adversária também foi financiada por grupos sionistas.
Esta não foi suficiente para o senador Bernie Sanders, a figura mais destacada da esquerda dos democratas, deixar de considerar que estamos perante uma tendência "absolutamente coerente" que mostra que "o povo quer mudança" já que a "política do status quo" não funciona para o povo "apenas para o 1%" dos mais ricos.
Apesar de falar em tendência, Sanders destaca o que se passou na eleição de El-Sayed é "a vitória mais extraordinária de que me posso recordar na política moderna dos Estados Unidos".
What Abdul’s victory in Michigan means for the future. pic.twitter.com/gyaN4CjTEa
— Bernie Sanders (@BernieSanders) August 5, 2026
[Foto:
DIEU-NALIO CHERY/EPA/Lus - fonte: www.esquerda.net]

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