Em resposta à pressão dos EUA para o fim dos “assassinatos seletivos” de Israel em Gaza, Itamar Ben Gvir diz que “há ali pessoas que não merecem viver, nem sequer são pessoas”.
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Itamar Ben Gvir. Foto publicada na sua página Facebook
No dia em que o
enviado e genro de Donald Trump, Jared Kushner, reuniu com o líder do Hamas no
Egito para discutir o desarmamento do grupo e em que países como a Arábia
Saudita, os Emirados Árabes Unidos, Egito, Jordânia, Catar, Indonésia, Turquia
e Paquistão condenaram a postura do governo de Israel de rejeitar o roteiro
para a paz proposto por Washington, o ministro da Segurança Interna israelita
Itamar Ben Gvir voltou a defender a política de limpeza étnica em Gaza.
Numa conversa com
Rom Braslavski, que foi refém do Hamas na Faixa de Gaza, Itamar Ben Gvir disse
não estar de acordo com a redução dos ataques a Gaza durante a primeira
quinzena de agosto, justificada pelo primeiro-ministro Netanyahu para permitir
o avanço do plano de Trump.
Ben Gvir foi mais
longe e apelou ao reforço dos assassinatos em Gaza. “Acho que deveriam ser
levados a cabo assassinatos seletivos em Gaza, eliminando entre 30 e 40 pessoas
todas as noites. Não apenas aqueles que representam uma ameaça imediata; há
pessoas lá que não merecem viver. Não deviam viver. Nem sequer são pessoas”,
afirmou o ministro, reiterando a defesa da “migração massiva” dos palestinianos
de Gaza para que Israel possa colonizar o território palestiniano. Palavras
semelhantes às do ministro, incluindo ditas pelo mesmo Ben Gvir, têm sido
apresentados ao Tribunal Penal Internacional como prova da “intenção genocida”
do governo de Israel em Gaza.
“Considero que toda a Faixa de Gaza é nossa (...) Devíamos ter colonatos não só em Gush Katif (a colónia israelita na Faixa de Gaza desmantelada em 2005), mas em toda a Faixa de Gaza, promovendo a maior emigração possível, enviando-os para os seus países de origem; e, no que diz respeito aos terroristas, nada de emigração, nada, simplesmente matá-los um a um”, prosseguiu Ben Gvir, também ele colono nos territórios ocupados ilegalmente por Israel na Cisjordânia e que no governo tutela as prisões onde milhares de palestinianos são torturados.
O plano de paz colocado pelos EUA em cima da mesa em julho tem 15 pontos e propõe o desarmamento da Hamas em troca da retirada completa dos militares israelitas da Faixa de Gaza, com uma transição de poder para uma comissão independente. Mas Netanyahu já fez saber que recusa o plano e não aceita retirar o exército antes que esse desarmamento ocorra. “E quando digo desarmamento do Hamas, refiro-me a armamento pesado, armamento ligeiro, todo o tipo de armamento”, referiu o primeiro-ministro que enfrenta novas eleições a 27 de outubro. Por seu lado, os dirigentes do Hamas dizem que a entrega do armamento pesado depende do fim de “todas as formas de agressão” e da retirada das tropas israelitas de Gaza, que têm atacado diariamente o território desde o início do suposto cessar-fogo em outubro passado.
[Fonte: www.esquerda.net]

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