Escrito por Maria do Rosário Pedreira
Talvez por o ter traduzido há muitíssimos anos (e revisto há uns dez), mandaram-me do Brasil um exemplar de A tabela periódica, de Primo Levi, que acaba por ser uma espécie de autobiografia em vinte e tal capítulos, cada qual relacionado com um elemento químico. Carbono, zinco, ferro, níquel, hélio e muitos outros servem de ponto de partida para Levi, químico e escritor judeu italiano que esteve num campo de concentração durante a Segunda Guerra Mundial, falar da trajectória da sua vida, desde os anos de formação no Piemonte, passando pela descoberta da vocação e pela experiência profissional, chegando ao testemunho do horror nazi e ao regresso a uma Itália completamente devastada no fim da guerra.
Brilhante como outros livros do autor (Se isto é um homem, A trégua, Se não agora quando?...), este livro foi traduzido em muitas línguas e, no Reino Unido, foi também considerado o melhor livro de ciência já escrito, embora não seja um livro científico, mas uma reflexão sobre como a condição humana resiste a limites impensáveis (os relatos que têm que ver com o campo são terríveis, mas magníficos.
Saul Bellow referiu que A tabela periódica não tem nada de supérfluo e que o impressionou muito.
Gostei de o ler e de o traduzir. Oxalá os
Extraordinários o leiam. Para nunca esquecer, sobretudo num tempo que há loucos
ao leme neste mundo.
[Fonte: horasextraordinarias.blogs.sapo.pt]

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