terça-feira, 14 de abril de 2026

Uma autobiografia química

 


Escrito por Maria do Rosário Pedreira  

Talvez por o ter traduzido há muitíssimos anos (e revisto há uns dez), mandaram-me do Brasil um exemplar de A tabela periódica, de Primo Levi, que acaba por ser uma espécie de autobiografia em vinte e tal capítulos, cada qual relacionado com um elemento químico. Carbono, zinco, ferro, níquel, hélio e muitos outros servem de ponto de partida para Levi, químico e escritor judeu italiano que esteve num campo de concentração durante a Segunda Guerra Mundial, falar da trajectória da sua vida, desde os anos de formação no Piemonte, passando pela descoberta da vocação e pela experiência profissional, chegando ao testemunho do horror nazi e ao regresso a uma Itália completamente devastada no fim da guerra.  

Brilhante como outros livros do autor (Se isto é um homemA tréguaSe não agora quando?...), este livro foi traduzido em muitas línguas e, no Reino Unido, foi também considerado o melhor livro de ciência já escrito, embora não seja um livro científico, mas uma reflexão sobre como a condição humana resiste a limites impensáveis (os relatos que têm que ver com o campo são terríveis, mas magníficos.

Saul Bellow referiu que A tabela periódica não tem nada de supérfluo e que o impressionou muito.

Gostei de o ler e de o traduzir. Oxalá os Extraordinários o leiam. Para nunca esquecer, sobretudo num tempo que há loucos ao leme neste mundo.

 

[Fonte: horasextraordinarias.blogs.sapo.pt]


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