Assalto de alta precisão expõe vulnerabilidade crítica dos museus europeus, sugerindo encomendas do mercado negro e exigem agora uma cooperação policial internacional.
'Os Peixes' uma pintura a óleo de Pierre-Auguste Renoir, datada de 1917, foi um dos quadros roubados.
Escrito por Adelaide Cabral
Três telas de grandes mestres da pintura francesa — Pierre-Auguste
Renoir, Paul Cézanne e Henri Matisse — foram roubadas de um prestigiado museu
no norte de Itália, num assalto sofisticado que está a mobilizar as
autoridades policiais europeias, anunciou esta segunda-feira, 30 de março, a
polícia italiana. A notícia, avançada pela agência Reuters, citando fontes
policiais locais, confirma que o desaparecimento das obras foi detetado durante
a madrugada do assalto, antes da abertura da instituição ao público.
Os três quadros
têm um valor total estimado em cerca de 10 milhões de dólares (aproximadamente
9,2 milhões de euros), representando uma das maiores perdas patrimoniais
recentes no país. O roubo, agora divulgado pela polícia italiana - os
Carabinieri -, ocorreu na madrugada do dia 22 pra 23 de
março, na Fundação Magnani Rocca, nos subúrbios da cidade de Parma, na
região de Emília-Romanha, norte do país.
O assalto terá
sido executado com uma precisão cirúrgica, tendo os autores do crime conseguido
neutralizar os sistemas de vigilância eletrónica de última geração sem
despertar a atenção dos guardas noturnos que patrulhavam o edifício.
Segundo os primeiros dados da investigação técnica, os criminosos terão acedido
ao interior através de uma conduta de ventilação secundária, utilizando
equipamento de escalada e dispositivos eletrónicos para bloquear os sensores de
movimento e as câmaras de infravermelhos.
Entre os itens subtraídos da Fundação Magnani-Rocca,
em Traversetolo, encontram-se Os Peixes (Les Poissons),
uma rara pintura a óleo de Pierre-Auguste Renoir datada de 1917, e a aguarela Natureza-morta
com Cerejas de Paul Cézanne, executada por volta de 1890.
O terceiro
quadro é Odalisca no Terraço (Odalisque sur la terrasse),
uma peça de 1922 de Henri Matisse que exemplifica o seu
célebre período de Nice. Os investigadores confirmaram ainda que os assaltantes
chegaram a preparar uma quarta tela para transporte, mas o disparo do sistema
de alarme forçou a interrupção do assalto, que durou menos de três minutos.
O Ministério da Cultura de Itália já reagiu oficialmente ao
incidente por meio de um comunicado de emergência, classificando o roubo como
um grave e inaceitável atentado ao Património Cultural Mundial. Especialistas
do setor e curadores internacionais sublinham que, embora a avaliação monetária
seja de 10 milhões de dólares, a comercialização destas peças em canais legais
é considerada virtualmente impossível devido à notoriedade
global e documentação exaustiva das telas subtraídas. Existe
o receio de que as obras possam ser utilizadas como moeda de troca em
transações do crime organizado ou que permaneçam ocultas
em coleções clandestinas durante décadas.
A investigação está agora a cargo do "Nucleo Tutela
Patrimonio Culturale" dos Carabinieri, a unidade de elite especializada em
crimes contra a arte, que trabalha em estreita colaboração com a Interpol e a
Europol. As autoridades já reforçaram significativamente o controlo em
todas as fronteiras terrestres, bem como nos principais portos e aeroportos
internacionais do país, numa tentativa de impedir que as
pinturas abandonem o território nacional. Paralelamente, equipas de peritos
forenses estão a analisar minuciosamente a cena do crime na esperança de
identificar qualquer rasto deixado pelos assaltantes durante a fuga.
Este incidente
levanta questões críticas sobre a vulnerabilidade das instituições culturais
europeias perante grupos criminosos cada vez mais tecnologicamente avançados. O governo
italiano anunciou que irá rever os protocolos de segurança de todos os museus
estatais, admitindo que os sistemas atuais podem necessitar de atualizações
urgentes para enfrentar novas ameaças.
Enquanto a investigação prossegue sob segredo de justiça, a
comunidade artística internacional aguarda qualquer pista que possa levar à
recuperação destes três quadros que são considerados pilares fundamentais da
História da Arte Moderna.
[Fonte: www.dn.pt]

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