Proposta de revisão das Aprendizagens Essenciais, em consulta pública até 28 de abril, prevê que deixe de ser obrigatório estudar o único autor português distinguido com o Nobel da Literatura
Escrito por Rui Frias
As obras "Memorial do convento"
e "O ano da morte de Ricardo Reis", de José Saramago, vão deixar de
ser de leitura obrigatória no 12.º ano, segundo a proposta de revisão das
Aprendizagens Essenciais atualmente em consulta pública até 28 de abril.
O documento, elaborado pelo Ministério da Educação, Ciência e
Inovação, prevê uma maior flexibilidade na escolha das obras literárias,
permitindo aos professores optar entre diferentes autores. Entre as novidades
está a introdução de "Um deus passeando pela brisa da tarde", de
Mário de Carvalho, como alternativa possível no currículo.
Na prática, os docentes passam a poder escolher entre um romance
de Saramago ou a obra de Mário de Carvalho, deixando de existir a
obrigatoriedade de abordar o único autor português distinguido com o Nobel da
Literatura, prémio que recebeu em 1998.
Apesar desta alteração, mantêm-se como obrigatórias no 12.º ano
obras de Fernando Pessoa e o conto “George”, de Maria Judite de Carvalho. Já no
11.º ano, continuam no programa autores como Padre António Vieira, Almeida
Garrett, Eça de Queirós, Camilo Castelo Branco e Antero de Quental, reforçando
a presença de clássicos da literatura nacional.
A revisão curricular integra um conjunto mais vasto de mudanças,
incluindo a introdução de Educação Física logo no 1.º ano e a manutenção do
ensino de Inglês a partir do 3.º ano.
As alterações deverão entrar em vigor no ano letivo 2027/2028, após a fase de consulta pública, que o Governo descreve como uma etapa de “aperfeiçoamento e validação” com contributos da comunidade educativa e da sociedade civil.
[Fonte: www.dn.pt]

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