“Não quero ouvir o Mick Jagger a cantar o 'Malhão' ou o Bob Dylan o 'Tenho Dois Amores' ”
Escrito por LIA PEREIRA
“Hoje não há preconceito contra o fado como antigamente. Em relação ao que se faz hoje no fado pode dizer-se que há de tudo: coisas que são fado e outras que não. Porque o fado está na moda e toda a gente o quer cantar fado. Todos os dias nasce uma fadista nova, no entanto nem toda a gente é fadista”. As afirmações são de Camané, em entrevista ao Diário de Notícias.
Considerando que se faz “muito fado que não é autêntico, a par de coisas muito boas”, Camané acredita que “o que fica é a verdade, mas isso aconteceu em todas as fases do fado”.
“Há coisas boas, gente nova com imenso talento e a fazer bons projetos; outros que estão no fado só para serem famosos. É o mesmo que um ator ir para o teatro para fazer telenovelas, os bons atores querem mesmo é fazer teatro. É como em tudo, como o fado funciona lá fora, pega-se numa guitarra portuguesa e já está”.
Para Camané, “é preciso cantar com alma, sentir e encontrar um registo emocional. O tempo da palavra é importante mas tem de se o fazer sem exibição, encontrar a forma de contar a história com aquela música. Principalmente, evitar exibir-se vocalmente quando se diz uma frase, o que é preciso é ser-se o mais verdadeiro possível”.
Ilustrando com exemplos, Camané prossegue: “Não quero ouvir o Mick Jagger a cantar o 'Malhão' ou o Bob Dylan o 'Tenho Dois Amores'. E eu adoro a voz do Marco Paulo porque é genuína. O Pavarotti cantou um fado, mas aquilo não é fado, as pessoas tem de perceber isso. Eles cantam fado, é muito engraçado, mas não deixa de ser um fado na voz daquela pessoa. Fado é outra coisa e é preciso percebê-lo. É mais uma simpatia para o público, que também faço quando vou para fora de Portugal e canto uma música em francês”, comenta.
[Foto: RITA CARMO - fonte: www.blitz.pt/]

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