Edney Veras dos Santos
criou livro com traduções em áudio durante o mestrado Propriedade Intelectual e
Transferência de Tecnologia para a Inovação. Livro está disponível para
download gratuito.

E-book pode ser acessado por notebooks, tablets e smartphones
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| E-book pode ser acessado por notebooks, tablets e smartphones |
Escrito por Fabrício Araújo
O mestrado de Edney Veras dos Santos,
de 44 anos, resultou em um livro digital para aprendizagem da língua indígena wapichana.
Além de textos com lições no idioma, o e-book tem traduções para português e
áudios com a pronúncia.
Edney entrou no mestrado em
Propriedade Intelectual e Transferência de Tecnologia para a Inovação (PROFNIT)
da Universidade Federal de Roraima (UFRR) no primeiro semestre de 2017 e
defendeu o projeto em 10 de julho deste ano.
Depois de formado, ele disponibilizou
o livro para download gratuito. O material, produzindo enquanto ele estudava,
possui lições com diálogos para saudações, nomes, comidas, bebidas, trabalho,
parentes, saúde, caça, pesca, escola, e outros assuntos. É possível acessá-lo
por notebooks, tablets e smartphones.
Baixe aqui e-book Watuminhap Wapichan Da’y! -
Vamos aprender wapichana.
Os áudios com a pronúncia das
palavras foram cedidos por uma rádio local, retirado de um programa onde foram
transmitidas 26 lições sobre a língua wapichana.
O trabalho de Edney teve a orientação
do professor Eliseu Adilson Sandri e coorientação da professora Ananda Machado,
ambos do Insikiran - instituto da UFRR com cursos exclusivos para indígenas.
Como nasceu a ideia
Edney também é servidor da área de
tecnologia da informação da UFRR. A ideia nasceu de uma conversa com um
representante de uma multinacional americana que desenvolve programas de
computador sobre o tipo de ferramentas em curso na universidade.
"Falei sobre o Instituo
Insikiran, que é exclusivamente para indígenas, e ele ficou muito interessado,
perguntou se já havia um tradutor indígena ou algo parecido e achei uma boa
ideia. Como já tinha iniciado o mestrado, mas ainda não havia definido o
projeto, decidi investir nisso", declarou.
A ideia inicial era criar um tradutor
que reconhecesse a língua wapichana através da fala, mas durante a pesquisa
Edney percebeu que havia pouco conteúdo para alimentar um aplicativo desse
tipo. A partir do e-book, ele pretende criar mais conteúdo relacionado a
línguas indígenas.
Antes de finalizar a dissertação,
Edney passou um ano e meio em estudos teóricos. O livro digital demorou seis
meses para ficar pronto. Ele afirma que o material, com recurso de áudio
referente na língua wapichana, é o primeiro no estado.
Curiosidades sobre
a língua wapichana
O alfabeto da língua wapichana no
Brasil é composto por dezesseis consoantes e cinco vogais: a, b, c, d, e, g, h,
i, m, n, p, k, r, s, t, u, w, x, z, y, '.
Na língua, a vogal “y” não existe em
português: é pronunciada como se fosse “u”, mas com os lábios estendidos.
A vogal “u” é falada como o “u” na
língua portuguesa, e raras vezes como “o”. Já as vogais a, i, u, y, têm
correspondentes longas: aa, ii, uu, yy.
Dentre as consoantes, algumas têm uma
pronúncia característica que não é a mesma do português: “d”, “z”, “r” são
pronunciadas com a ponta da língua virada para cima, em direção atrás dos
dentes.
O “d” muitas vezes é glotalizado,
sobretudo em início de palavra, com um pequeno fechamento da glote. O “b” às
vezes tem também esta característica. O “ch” tem som como na palavra “tchau”. A
glotal ” ’ “, é pronunciada fechando a corrente do ar pulmonar com uma
paradinha na garganta (com a glote).
Livro digital foi desenvolvido pelo aluno da
UFRR
[Foto do autor - fonte: www.g1.globo.com]

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