sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Campanha de Lula apresenta queixa contra Meta por interferência na campanha

Dona do Instagram, Facebook e WhatsApp é acusada de restringir acesso aos conteúdos da campanha de Lula da Silva, enquanto o algoritmo promove os de Flávio Bolsonaro. 

Lula da Silva 

A campanha eleitoralbrasileira está ao rubro nasegunda volta daspresidenciais e o papel nas redes sociais para o alcance da mensagemdos candidatos é crucial. Mas como já se verificou na primeira volta, trata-se de um terreno desequilibrado.

A campanha de Lula da Silva apresentou uma queixa junto do Tribunal Superior Eleitoral e dos observadores internacionais sobre o comportamento do algoritmo usado pelas redes da Meta - a empresa de Mark Zuckerberg que detém o Facebook, Instagram e WhatsApp - para favorecer o alcance da mensagem de Flávio Bolsonaro e restringir o de Lula.

Entre os exemplos apontados nesta queixa estão a suspensão temporária da conta de anúncios da campanha lulista, uma queda na contagem de visualizações dos posts afetos à candidatura, um bloqueio de 24 horas às publicações na conta Instagram e diferenças no tratamento dado pela inteligência artificial nas buscas no WhatsApp. Por exemplo, utilizadores que pediam à ferramenta de IA para criar um banner com apelo ao voto em Lula viam o pedido recusado, enquanto um pedido igual para o voto em Bolsonaro era prontamente gerado.

No que diz respeito ao desequilíbrio no alcance dos posts, a campanha de Lula regista que os de Bolsonaro têm quase o triplo das interações apesar de este ter menos 17% de seguidores do que Lula.

A justificação da Meta de que se tratam de falhas técnicas que ocorreram também noutros mercados e anunciantes não convencem a campanha de Lula, pois nenhuma prova foi apresentada de que outros candidatos tenham sido afetados.

A campanha de Lula lançou uma plataforma de denúncia de censura digital, que em três dias recebeu 2.700 denúncias, sobretudo relacionadas com incidentes no Instagram.

“A sucessão de problemas técnicos que a empresa não conseguiu explicar suscita fortes suspeitas de que as ações da Meta possam constituir uma tentativa de interferência no processo eleitoral brasileiro, em benefício da candidatura de Flávio Bolsonaro. A falta de transparência nos sistemas da empresa faz com que as suas explicações sejam limitadas e pouco claras”, afirma a campanha de Lula da Silva.

A denúncia destes casos junto de observadores internacionais tem por objetivo “chamar a atenção para os efeitos do controlo que as empresas transnacionais exercem sobre as infraestruturas de comunicações e sobre a segurança, o armazenamento, a distribuição e o fluxo de informação — um controlo que põe em causa a soberania de nações inteiras e constitui uma fonte crescente de preocupação a nível mundial”, conclui o comunicado.

[Foto: Ricardo Stuckert / PR - fonte: www.esquerda.net]

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