Dona do Instagram, Facebook e WhatsApp é acusada de restringir acesso aos conteúdos da campanha de Lula da Silva, enquanto o algoritmo promove os de Flávio Bolsonaro.
Lula da Silva
A campanha eleitoralbrasileira está ao rubro nasegunda volta daspresidenciais e o papel nas redes sociais para o alcance da mensagemdos
candidatos é crucial. Mas como já se verificou na primeira volta, trata-se de
um terreno desequilibrado.
A campanha de Lula da Silva
apresentou uma queixa junto do Tribunal Superior Eleitoral e dos observadores
internacionais sobre o comportamento do algoritmo usado pelas redes da Meta - a
empresa de Mark Zuckerberg que detém o Facebook, Instagram e WhatsApp - para
favorecer o alcance da mensagem de Flávio Bolsonaro e restringir o de Lula.
Entre os exemplos apontados nesta
queixa estão a suspensão temporária da conta de anúncios da campanha lulista,
uma queda na contagem de visualizações dos posts afetos à candidatura, um
bloqueio de 24 horas às publicações na conta Instagram e diferenças no
tratamento dado pela inteligência artificial nas buscas no WhatsApp. Por
exemplo, utilizadores que pediam à ferramenta de IA para criar um banner com
apelo ao voto em Lula viam o pedido recusado, enquanto um pedido igual para o
voto em Bolsonaro era
prontamente gerado.
No que diz respeito ao desequilíbrio
no alcance dos posts, a campanha de Lula regista que os de Bolsonaro têm quase
o triplo das interações apesar de este ter menos 17% de seguidores do que Lula.
A justificação da Meta de que se tratam de falhas técnicas que ocorreram
também noutros mercados e anunciantes não convencem a campanha de Lula, pois
nenhuma prova foi apresentada de que outros candidatos tenham sido afetados.
A campanha de Lula lançou uma
plataforma de denúncia de censura digital, que em três dias recebeu 2.700
denúncias, sobretudo relacionadas com incidentes no Instagram.
“A sucessão de problemas técnicos que
a empresa não conseguiu explicar suscita fortes suspeitas de que as ações da
Meta possam constituir uma tentativa de interferência no processo eleitoral
brasileiro, em benefício da candidatura de Flávio Bolsonaro. A falta de
transparência nos sistemas da empresa faz com que as suas explicações sejam
limitadas e pouco claras”, afirma a campanha de Lula da Silva.
A denúncia destes casos junto de
observadores internacionais tem por objetivo “chamar a atenção para os efeitos
do controlo que as empresas transnacionais exercem sobre as infraestruturas de
comunicações e sobre a segurança, o armazenamento, a distribuição e o fluxo de
informação — um controlo que põe em causa a soberania de nações inteiras e
constitui uma fonte crescente de preocupação a nível mundial”, conclui o
comunicado.
[Foto: Ricardo Stuckert / PR - fonte: www.esquerda.net]

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