Escrito por Maria do Rosário Pedreira
No mais recente romance de
Rodrigo Guedes de Carvalho, O Meu
Primeiro Apocalipse, cujo enredo decorre cerca de 2066 (não é um
futuro tão longínquo como possa parecer), os céus já têm mais drones do que
pássaros, e duas mulheres – uma delas curiosamente jornalista e escritora –
querem resgatar a importância da leitura para tentar salvar o mundo. Penso que
o assunto, sobretudo tratado por um jornalista, um homem que lida com
informação e deve saber de notícias falsas e manipuladas como poucos, deveria
ter gerado mais interesse dos nossos jornais, até porque se sabe que o QI tem
vindo a baixar desde o princípio do século e que a culpa é sobretudo da falta
de linguagem e consequente incapacidade de construir ideias e argumentos,
resultado, claro, da falta de leitura. Mas não. Infelizmente, em vez de pegarem
nesta questão, que foi falada num debate durante a feira do livro de Évora, por
ocasião do Comboio Literário, os blogues, revistas e jornais referem a resposta
do escritor à pergunta sobre o que o levou a estudar jornalismo em Lisboa. E
porque terá sido? Bem, porque foi um desgosto de amor que fez Rodrigo Guedes de
Carvalho abandonar o Porto natal e vir para a Universidade Nova de Lisboa.
Caramba, pensei que os nossos meios de comunicação fossem um nadinha mais
crescidos... Eu, que recebo os recortes de imprensa das Publicações Dom Quixote,
estou sempre a ler sobre o coração partido de Rodrigo Guedes de Carvalho há
décadas. Se essa ninharia levar as pessoas a ler o livro, tudo bem, mas duvido.
Leiam-no os que se preocupam com o descréscimo do nível das leituras.
[Fonte: horasextraordinarias.blogs.sapo.pt]

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