Autarca de Riccione garante que irá manter o nome de Villa Mussolini e passará a receber exposições sobre o «bom, o mau e o feio» da história do século XX, além de outros eventos sociais e cuturais.
Escrito por Carlos Nogueira
A câmara
municipal de Riccione, na costa Este de Itália, perto de Rimini, comprou a mansão
onde o ditador Benito Mussolini passava as férias de verão.
A história é contada pelo jornal britânico
The Guardian, revelando que o objetivo desta medida é evitar que a propriedade
caia nas mãos dos chamados "nostálgicos do fascismo". A autarca
Daniela Angelini assumiu que a compra da Villa Mussolini em leilão foi “um ato
de amor e visão”, pelo que a trazer de volta para as mãos públicas foi uma
vitória para a cidade.
É que o município evitou que a mansão caísse
nas mãos de um antigo membro do partido neofascista de Mussolini, o Movimento
Social Italiano fundado em 1946, que também estava interessado no leilão.
A casa é situada junto ao mar e foi
construída em 1893, tendo sido comprada por Rachele, a segunda mulher de
Mussolini, em 1934. O ditador chegava à quinta de hidroavião e era habitual
usá-la para assuntos do Governo.
A família Mussolini aumentou a propriedade ao
longo dos anos, acrescentando um terceiro andar, passando a ter 20 quartos,
tendo ainda sido feito um court de ténis.
Após a Segunda Guerra Mundial e a queda do
regime fascista de Mussolini, a propriedade passou a ser da esfera pública,
tendo sido inclusive utilizada como veterinário e restaurante nas décadas de
1950 e 1960.
No final da década de 1970, um autarca
comunista de Riccione tentou demoli-la. A quinta ficou então abandonada durante
vários anos até que no final dos anos de 1990 foi comprada pela Cassa
di Risparmio, a caixa económica de Rimini, que a restaurou e a abriu
ao público em 2005 como um espaço para exposições e outros eventos, incluindo
casamentos.
No ano passado, a Cassa di Risparmio decidiu
leiloá-la, e os vereadores do partido Irmãos de Itália, da
primeira-ministra Giorgia Meloni, defenderam que não devia ser mudado o nome
Villa Mussolini. Agora a autarca Daniela Angelini já veio dizer que o nome será
mantido, apesar das inúmeras pressões para não o fazer.
A líder do município diz que a história deve ser
preservada e não "cancelada”, pelo que alterar o nome poderia ter o
"efeito perigoso" de transformar a vila em um local para
"nostálgicos fascistas”.
O objetivo agora é continuar a usar a Villa
Mussolini como espaço comunitário, inclusive para exposições que narrassem o
“bom, o mau e o feio” da história do século XX, e também para outros eventos
sociais e culturais.
[Foto: comuna de Riccione - fonte: www.dn.pt]

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