Escrito por Maria Dulce Fernandes
Hoje lemos: Salman Rushdie, "Faca".
Passagem a L-Azular: “É isto que somos enquanto espécie: encerramos dentro de nós tanto a possibilidade de assassinar um velho estranho quase sem motivo – a capacidade que tem Iago de Shakespeare a que Coleridge chamou “Malignidade sem motivo” – e contemos também o antídoto para esta doença – coragem, altruísmo, vontade de arriscar ajudar aquele velho estranho caído no chão.”
A malignidade sem motivo não existe. Há sempre uma razão por detrás de cada realização, seja ela boa ou má. Esse motivo pode parecer sem motivo para todo o mundo, excepto para o autor. Quem não se rege pelo padrão linear, incomplexo e desintrincado, é incapaz de compreender os demais, porque não tem motivos para tal. Os seus, abertos a todas as possibilidades, abrangem uma miríade de pretextos, mesmo aquele de poder exterminar os seus iguais. E não vê razão porque lhe poderia ser imputada uma qualquer transgressão, já que agiu de acordo com os seus motivos.
[Fonte: delitodeopiniao.blogs.sapo.pt]

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