sexta-feira, 8 de setembro de 2023

Das coisas belas

 Escrito por Maria do Rosário Pedreira

Confesso que nunca tinha lido esta pérola nem ouvido falar do autor, que era sobretudo um diplomata que se dedicava à escrita de peças de teatro. O conhecimento veio através do professor Miguel Viqueira, que usou o texto como trabalho de mestrado com alunas do curso de Tradução na Faculdade de Letras e, assim que o li, fiquei completamente seduzida. Na Espanha católica dos anos cinquenta, um rapaz aguarda, ansioso, a chegada do verão e dos primos, principalmente Helena. Mas, de um verão para outro, Helena transformou-se. Pode a inocência tornar-se subitamente desejo? E pode o que se sente… ser pecado? Este é um livrinho absolutamente maravilhoso sobre a transição da infância para a adolescência. Tão simples que é impossível não nos revermos nele. Quando apareceu, em 1952, Helena ou o Mar do Verão foi considerado por um o grupo de leitores entusiastas uma das obras mais extraordinárias da narrativa espanhola do pós-guerra. Passados tantos anos, permanece intacto o seu poder de sugestão e o lirismo da escrita de Julián Ayesta. O jornal El País considerou-o um dos dez mais belos textos ficcionais espanhóis do século passado.

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[Fonte: horasextraordinarias.blogs.sapo.pt]

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