
Escrito por Eduardo Affonso
– Excelência…
– Bom dia, ilustríssimo.
– Um cafezinho, por favor. Vossa senhoria soltou hoje o preso que eu mandei prender ontem?
– Sim, vossa magnificência, mandei. Dois, por favor.
– Alicerçado em que jurisprudência, eminência? O meu sem açúcar.
– Adoçante para mim. Eu me basto jurisprudencialmente, vossa reverendíssima.
– Vossa santidade acha mesmo que pode fazer isso? Me vê um biscoitinho desses de nata.
– Posso, e não há nada que vossa alteza possa fazer. Um amanteigado pra mim.
– Vossa majestade imperial sabe que seu comportamento é teratológico – mais um, por favor – e exordialmente, incabível?
– Uma delícia esse amanteigado! Embrulha um pacotinho para eu levar para minha digníssima consorte. Vossa mercê está equivocado,
– Vossa graça exorbita. Um pacote para mim também, e pode misturar os de nata com uns de chocolate.
– Vossa alteza senhoril, summum jus, summa injuria. Ubi non est justitia, ibi non potest esse jus.
– Salus populi suprema lex esto, mas vossa onipotência se acha o próprio onipotente!
– Ora ora, vejam quem fala! O egrégio meritíssimo que quer para si todos os méritos!
– Passar bem, insigne sumidade!
– Passar bem, supremo e excelso indigente togado!
(Os dois, em uníssono)
– Pendura a conta, Onofre!
[Fonte: www.eduardoaffonso.com]
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