Fresco? Estruturado? Elegante? Austero? “Traduzimos” algumas expressões muito usadas pelos críticos para descrever vinhos
Críticos têm um dicionários próprio para descrever a variedade de características de um vinho
Escrito por Eduardo Milan
O universo dos vinhos é repleto de particularidades. Uma delas é a
grande quantidade de termos, palavras e expressões normalmente
utilizadas para descrevê-los. Apesar de essas definições não serem
exatamente rigorosas, é importante conhecê-las.
Antigamente, os críticos costumavam descrever os vinhos com metáforas
bastante inventivas. Não era raro ver descrições que comparassem os
aromas de um vinho ao perfume de uma mulher, ou então as “viagens”
literárias eram ainda mais complexas, comparando o vinho a um “homem que
caminha na selva sem medo do desconhecido”. Estranho, não? O que será
que ele queria dizer com isso, muita gente se perguntava.
Ainda hoje, as metáforas e comparações continuam, porém, os críticos
tendem a descrever um vinho de forma bem mais direta e simples, com
termos que qualquer pessoa possa compreender, como por exemplo: aroma de
cerejas. Por mais que você não esteja acostumado ao cheiro de cerejas, é
algo “palpável”, é algo que remete a uma sensação específica de olfato.
No entanto, por mais diretas que essas descrições sejam, sempre há
alguns termos que, apesar de terem virado “convenções” entre os críticos
e enófilos, nem sempre todo mundo compreende de primeira. Dessa forma,
selecionamos alguns dos principais termos descritivos dos vinhos e os
traduzimos para ajudá-lo a dar o primeiro passo para se tornar um
verdadeiro connaisseur. Segue a lista:
ÁCIDO: a acidez é uma sensação detectada nas
laterais da língua. Os ácidos são responsáveis por manter o bom
equilíbrio do vinho; porém, em excesso, podem ser considerados um
defeito;
ALCOÓLICO: diz-se de um vinho em que se sente muito o álcool;
AMADEIRADO: vinho no qual o sabor da madeira domina
os demais. Normalmente, é um termo negativo, já que esse sabor só é
desejável se balanceado pela fruta;
AMARGO: costumeiramente se refere a um vinho com excesso de taninos agressivos e que deixam retrogosto desagradável;
AROMÁTICO: vinhos aromáticos são aqueles com muitos aromas perfumados e frutados que aparecem logo na taça;
AUSTERO: diz-se de um vinho com aromas e sabores
menos frutados, mais sério, geralmente com taninos mais marcantes e alta
acidez. Muitas vezes, os grandes vinhos têm essas características
quando jovens;
COMPLEXO: vinho com várias nuances de sabores e de
aromas, vindos do seu modo de produção, tempo de estágio em madeira e/ou
garrafa, etc;
CONCENTRADO: vinho com sabor intenso, em que os taninos são mais pronunciados, a cor mais presente, aromas e sabores mais marcados;
CORPO: sensação do peso do vinho na boca.
Normalmente, classifica-se um vinho como tendo pouco corpo, médio corpo
ou sendo encorpado, comparando-o com a sensação da água na boca;
CURTO: vinho que não deixa sabor persistente na boca, com pouco retrogosto;
DOCE: vinho com teor elevado de açúcar residual. A doçura é percebida na ponta da língua;
DURO: geralmente se refere a vinhos jovens, que apresentam acidez pronunciada e taninos marcantes;
ELEGANTE: vinho equilibrado, sutil, que demonstra boa qualidade. É um termo bastante subjetivo;
EQUILIBRADO: vinho em que acidez, álcool, tanino e açúcar estão em harmonia;
ESTRUTURADO: vinho com boa base de taninos e corpo
para sustentar todos os demais elementos (álcool, ácidos, fruta etc) e
mantê-los bem agregados;
FECHADO: vinho que ainda não demonstra todos os seus
aromas e sabores. Normalmente, logo ao serem servidos, os vinhos estão
mais fechados, “abrindo” com o tempo em taça ou decanter;
FLORAL: vinho com aromas de flores;
FRESCO: vinho com acidez mais perceptível, porém de forma agradável, que lhe traz vivacidade;
FRUTADO: vinho em que os sabores de frutas estão mais pronunciados;
HERBÁCEO: vinho em que se sentem notas de grama, ervas etc. É um termo geralmente associado ao frescor;
LEVE: vinho descompromissado, fácil de beber. Quando
usada como sinônimo de “ligeiro”, a expressão indica que o vinho tem
pouca complexidade;
LIMPO: vinho sem defeitos, tanto em seus aromas, quanto no sabor;
MACIO: vinho mais delicado, com taninos suaves;
MADURO: vinho que atingiu um estágio ideal de evolução, estando no ponto para ser consumido;
MAGRO: vinho diluído, aguado, sem caráter definido;
MINERAL: caráter mais difícil de ser detectado no
vinho, refere-se a aromas associados a grafite, petróleo, querosene,
pedra de isqueiro etc;
PESADO: vinhos muito estruturados e tânicos, sem delicadeza, mais difíceis de beber;
POTENTE: vinho equilibrado de forma intensa, com todos os níveis – de tanino, acidez, corpo, fruta – em patamares altos;
QUENTE: o mesmo que alcoólico;
REDONDO: vinho balanceado, equilibrado, com todos os elementos em harmonia;
RETROGOSTO: a sensação que fica na boca momentos depois de que a bebida é ingerida;
TÂNICO: vinho com taninos pronunciados, indicando excesso, que deixa sensação de adstringência na boca.
[Fonte: www.revistaadega.com.br]

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