sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

"Ele é, de certa maneira, a História de Israel". Morreu o escritor israelita Amos Oz

Amos Oz morreu aos 79 anos, vítima de cancro. Para além de escritor foi cofundador do movimento pacifista Paz Agora.


Por Sara Beatriz Monteiro, Cristina Lai Men e Leonor Ferreira
O autor israelita, Amos Oz, morreu esta sexta-feira, aos 79 anos, devido a um cancro. A notícia foi avançada pela filha do autor no Twitter.
"Obrigada àqueles que o amavam", pode ler-se na mensagem da filha Fania Oz-Salzberger.
À TSF, a escritora Esther Mucznik lembra um homem apaixonado pelo seu país.
"Ele foi o fundador daquele movimento Paz Agora, em Israel. É um homem cujo amor a Israel é, sem a mínima reserva, um amor absoluto. Ele é, de certa maneira, a História de Israel. Ele é, e sempre foi até ao fim, sionista profundo. Inclusivamente, foi publicado agora um livro "Caros fanáticos", em que ele fala também de Israel e onde ele diz 'este país é um país complexo, cheio de tensões, mas é o meu país e eu não o trocaria por nenhum outro'".
"É uma perda para os judeus, é uma perda para Israel e é também uma perda para o mundo e para todos aqueles que sonham a paz, mas sem ódio".
Amoz Oz entendia que o conflito israelo-palestiniano devia ser resolvido através dos argumentos e do diálogo e não através da guerra. O editor da Leya Pedro Sobral lembra que o escritor israelita defendia a existência dos dois Estados - Israel e a Palestina - e faz notar como a obra de Amoz Oz refletia a luta pela paz através da palavra.

"Eu penso que a escrita era a sua grande arma. Os livros eram uma forma de passar a mensagem que ele considera que era relevantíssima: que a conversação, que o diálogo, eram capazes de resolver os conflitos mais intrincados e mais complexos."
A organização não governamental "Paz Agora" tem como objetivo lutar pela pacificação interna e externa de Israel através da conciliação com os palestinianos e vizinhos árabes, uma missão que transparece na obra literária de Amos Oz.

Professor de Literatura a Universidade Ben-Gurion, nascido em Jerusalém, em 1939, formou-se em filosofia e literatura. Ao longo de mais de 50 anos, escreveu uma vasta obra entre romances e ensaios, traduzidos em mais de trinta línguas.
Em setembro deste ano, foi editado em Portugal o livro "Caros Fanáticos", um conjunto de três ensaios sobre "fé, fanatismo e convivência no século XXI". Este livro junta-se a outros publicados em Portugal, tais como "A Caixa Negra", "Não Chames Noite à Noite", "Uma Pantera na Cave", "O Mesmo Mar", "Uma História de Amor e Trevas" e "Judas".

O livro "Judas" valeu-lhe, em 2016, o Prémio Yasnaya Polyana, criado pelo Museu Leo Tolstoi, o mais importante galardão literário russo. A este prémio, Amos Oz somou outros, como o Fémina, o da paz dos livreiros alemães, o Goethe e o príncipe das Astúrias.



[Fonte: www.tsf.pt]

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