O temor de ser cobrado por atos indignos em vez de arrependimento verdadeiro num filme pungente.
De FERENC TÖRÖK
Com PÉTER RUDOLF, BENCE TANÁSDI, TAMÁS SZABÓ KIMMEL
Com PÉTER RUDOLF, BENCE TANÁSDI, TAMÁS SZABÓ KIMMEL
Escrito por Luiz Fernando Gallego
Assim como a obra premiada com o Oscar de filme em língua não inglesa em 2015, “IDA”, abordou o antissemitismo e colaboracionismo polonês na época do nazismo, o filme “1945” trata das mesmas questões, só que na Hungria.
Tal como IDA, é filmado em expressivo preto e branco, privilegiando exteriores, ao contrário do filme polonês. A ação se passa no final imediato da II Guerra, enquanto no outro filme os fatos denunciados eram resultado de uma pesquisa em tempos posteriores à guerra. Em ambos, a mesquinhez e o oportunismo mais vil. Em “1945”, tais atitudes propiciam culpas em várias pessoas, mas apenas quanto ao medo de serem cobrados por seus atos indignos; ou seja, uma “culpa persecutória” - como é chamada em psicanálise - jamais uma “culpa reparadora” realmente sentida e arrependida.
“Eles voltaram” é a curta frase que a todo instante é comunicada entre os habitantes de um pequeno vilarejo em dia de festa: um casamento está marcado. A ameaça pior, há poucos meses da rendição alemã, seria se os nazistas estivessem retornando? Não: são dois judeus bastante silenciosos que chegaram de trem, vivenciados pelos locais como se fossem fantasmas egressos do mundo dos mortos para assombrar... quem tiver do que se culpar. E não são poucos, mesmo numa amostragem tão pequena.
Além do cultuado Béla Tarr, o cinema húngaro, pouco depois do ótimo “Corpo e Alma” (indicado ao Oscar deste ano) mostra que tem outros cineastas de qualidade. Ainda recentemente também tivemos o premiado “O Filho de Saul”, e mesmo que este “1945” não chegue a ser tão original como os demais citados, merece - e muito - ser visto. O diretor e corroteirsta é Ferenc Török, com quase vinte anos de carreira em seu país. Outro nome para ser acompanhado.
[Fonte: www.criticos.com.br]

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