terça-feira, 4 de julho de 2017

A homoafetividade entre índios

As relações homoafetivas entre índios eram comuns antes da colonização do nosso país. Os antropólogos brasileiros Estevão Rafael Fernandes e Barbara Arisi acabam de desafiar a noção de que a homossexualidade foi trazida às tribos pela influência do homem europeu.
Recém-publicado, apenas em inglês, pela editora suíça Springer Publishing, o livro “Gay Indians in Brazil: Untold stories of the colonization of indigenous sexualities” (“Índios gays no Brasil: a história não contada sobre a colonização de sexualidades indígenas” - em tradução livre) argumenta que a homossexualidade era comum e bastante aceita entre os índios brasileiros antes da colonização.
Segundo o livro, em 1613 a homofobia fez a primeira vítima de que se tem registro no novo mundo: um índio tupinambá foi condenado à morte por ser homossexual. Sob os olhares de jesuítas — que diziam estar salvando a alma do pecador — o silvícola foi executado por um tiro de canhão em São Luís (MA).
Apoiados em farto material histórico, os antropólogos mostram que a acusação lançada contra o Pankararu, os tikuna ou os bororo homossexuais no século XX é uma manifestação homofóbica que desembarcou na América junto com os brancos, por volta do ano 1500.
 Vários indígenas assumiram o discurso de que gays são degenerados culturalmente. Hoje, boa parte das línguas indígenas tem um termo para definir homossexualidade que é uma tradução do termo “viado”, com toda a carga de preconceito que ele carrega.
“Mas, historicamente, não havia relatos de preconceito com homossexuais entre indígenas. Nem havia um nome para isso. Nós os ensinamos a ter preconceito” - afirma Estevão Fernandes, antropólogo da Universidade Federal de Rondônia e um dos autores do livro.

[Fonte: www.espacovital.com.br]

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