Quando
o presidente francês Charles de Gaule disse que nosso país não era
sério ele colocou todo mundo nesse adjetivo. Foi uma expressão
generalizada, mas na época já tinha um destino, como hoje, ele se
referia a uma elite política como a que temos no Brasil, que neste
momento estão dando um golpe de Estado revestido de legitimidade porque é
comandado pelo STF, mas quem vai julgar são senadores corruptos e que
temem a Lava Jato e a prisão.
"Se
esse não é um golpe de Estado, é no mínimo uma farsa. E as verdadeiras
vítimas dessa tragicomédia política infelizmente são os brasileiros."
Dilma
Rousseff, a primeira presidente mulher do Brasil, está vivendo seus
últimos dias no comando do Estado. Praticamente não há mais dúvidas
sobre o resultado do julgamento de sua destituição, iniciado na
quinta-feira (25) no Senado. A menos que aconteça uma reviravolta, a
sucessora do adorado presidente Lula (2003-2010), que foi afastada do
cargo em maio, será tirada definitivamente do poder no dia 30 ou 31 de
agosto.
Dilma
Rousseff cometeu erros políticos, econômicos e estratégicos. Mas sua
expulsão, motivada por peripécias contábeis às quais ela recorreu bem
como muitos outros presidentes, não ficará para a posteridade como um
episódio glorioso da jovem democracia brasileira.
Para
descrever o processo em andamento, seus partidários dizem que esse foi
um "crime perfeito". O impeachment, previsto pela Constituição
brasileira, tem toda a roupagem da legitimidade. De fato, ninguém veio
tirar Dilma Rousseff, reeleita em 2014, usando baionetas. A própria
ex-guerrilheira usou de todos os recursos legais para se defender, em
vão.
Impopular
e desajeitada, Dilma Rousseff acredita estar sendo vítima de um "golpe
de Estado" fomentado por seus adversários, pela mídia, e em especial
pela rede Globo de televisão, que atende a uma elite econômica
preocupada em preservar seus interesses supostamente ameaçados pela sede
de igualitarismo de seu partido, o Partido dos Trabalhadores (PT).
Essa
guerra de poder aconteceu tendo como pano de fundo uma revolta social.
Após os "anos felizes" de prosperidade econômica, de avanços sociais e
de recuo da pobreza durante os dois mandatos de Lula, em 2013 veio o
tempo das reivindicações da população. O acesso ao consumo, a
organização da Copa do Mundo e das Olimpíadas não conseguiam mais
satisfazer o "povo", que queria mais do que "pão e circo". Ele queria
escolas, hospitais e uma polícia confiável.
O
escândalo de corrupção em grande escala ligado ao grupo petroleiro
Petrobras foi a gota d'água para um país maltratado por uma crise
econômica sem precedentes. Profundamente angustiados, parte dos
brasileiros fizeram do juiz Sérgio Moro, encarregado da operação "Lava
Jato", seu herói, e da presidente sua inimiga número um.
A
ironia quis que a corrupção fizesse milhões de brasileiros saírem para
as ruas nos últimos meses, mas que não fosse ela a causa da queda de
Dilma Rousseff. Pior: os próprios arquitetos de sua derrocada não são
santos.
O homem
que deu início ao processo de impeachment, Eduardo Cunha, ex-presidente
da Câmara dos Deputados, é acusado de corrupção e de lavagem de
dinheiro. A presidente do Brasil está sendo julgada por um Senado que
tem um terço de seus representantes, segundo o site Congresso em Foco,
como alvos de processos criminais. Ela será substituída por seu
vice-presidente, Michel Temer, embora este seja considerado inelegível
durante oito anos por ter ultrapassado o limite permitido de doações de
campanha.
O
braço direito de Temer, Romero Jucá, ex-ministro do Planejamento do
governo interino, foi desmascarado em maio por uma escuta telefônica
feita em março na qual ele defendia explicitamente uma "mudança de
governo" para barrar a operação "Lava Jato".
Se
esse não é um golpe de Estado, é no mínimo uma farsa. E as verdadeiras
vítimas dessa tragicomédia política infelizmente são os brasileiros.
[Fonte: www.afinsophia.com]

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