O livro, com tradução de Esteban Campanela, reúne peças
peças apresentadas na Capital pela La Vaca Companhia de Artes Cênicas
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| [foto: Rosane Lima] |
O dramaturgo uruguaio Gabriel Calderón estará em
Florianópolis nesta sexta-feira, às 18h, para o lançamento da publicação
“Sempre tem mais”, um conjunto de obras com organização e tradução do pesquisador Esteban
Campanela, pelo edital Elisabete Anderle 2014. O livro é inédito em português e
traz, além da trilogia composta por “UZ – A Cidade”, “OR – Talvez a vida seja
ridícula” e “EX - Que se arrebentem os atores”, a adaptação de “Minha Bonequinha”,
primeiro texto do autor traduzido para outro idioma.
Calderón já
foi traduzido para vários outros idiomas e se tornou um expoente do teatro
contemporâneo latino-americano. A trilogia “UZ/OR/EX” já foi publicada no
Uruguai, na Espanha e na França e montados em países como Argentina, Brasil,
Chile, Colômbia, México, Espanha e França. O autor explica que o público alvo
são as pessoas iniciadas em teatro, porém, para sua surpresa, o livro atrai
também outros interessados. “Tenho visto que ‘UZ – A cidade’, por exemplo, é
dos preferidos para quem quer apenas ler. O dramaturgo é o único escritor que
escreve para ser lido, visto ou experienciado”, diz.
“Minha
Bonequinha” é uma comédia farsesca que retrata uma menina que precisa se
libertar da violência de sua família desajustada e para isso lança mão de seu
duplo, sua boneca preferida; “UZ – A Cidade” relata a ruína moral de uma
família tradicional desencadeada por fanatismo religioso; “OR - Talvez a vida
seja ridícula”, conformada por três partes, sendo uma tragédia, uma comédia e
uma tragicomédia, se passa na cidade de OR e envolve um grupo de pessoas unidas
pela tragédia que veem suas vidas caminharem em direção à comédia, ao mesmo
tempo em que a tragicomédia parece se instalar em seu cotidiano. São três modelos
narrativos em uma única peça; “EX - Que se arrebentem os atores”, sobre o tempo
e a dor, a peça intercala cenas do passado e do presente, obrigando o
espectador/leitor a reconstruir as informações sobre os personagens e as
histórias que os unem o tempo todo.
A encenação
brasileira de “Minha Bonequinha”, montada pela catarinense La Vaca Companhia de
Artes Cênicas, com direção de Renato Turnes, que optou por manter o nome
original (“Mi Muñequita”), iniciou um intercâmbio entre coletivos de artistas
brasileiros e uruguaios que se mantém vivo até hoje. O espetáculo “UZ”, que
conta novamente com a direção de Turnes e com parte do elenco de “Mi
Muñequita”, acaba de retornar de uma circulação por 26 cidades do estado
através do projeto do Sesc, EmCena
Catarina. Calderón já assistiu a duas de suas obras encenadas pela Cia. de
Florianópolis, e lembra a preocupação que eles têm em respeitar seu texto.
“Eles entendem bem o que quero dizer, encenam corretamente, são maravilhosos. E
eu também gosto como uma companhia pega e modifica os textos como uma
plataforma para dizer algo a si mesmo. Muitos têm feito o trabalho melhor do
que está escrito”, revela o escritor.
Segundo
Turnes, diretor e um dos fundadores da La Vaca, “Calderón nos oferece um teatro
político que extrapola o convencional. Utiliza metáforas profundas para falar
da sociedade atual. Em toda América Latina, esse é um movimento político e
social aberto para o novo. Somos iguais neste processo de endividamento
internacional, exploração, injustiça social, enfim, elementos que nos unem como
povos. O que nos afasta é o idioma”, diz. O autor uruguaio ainda comemora as
mudanças que muitas vezes são feitas em suas obras ao serem encenadas. “Eu fico
feliz, pois meu texto não anula, pelo contrário, promove a imaginação. Os
textos teatrais devem levar ao teatro, ao efêmero. São ossos de um esqueleto.
Eu gosto de ir deixando, enterrado em livros de todo o mundo, corpos inquietos
para motivar autópsia, surpreender-nos e excitar. Sou dramaturgo porque amo o
teatro, não vice-versa”, finaliza.
O trabalho "Mi Muñequita" foi encenado
pela cia catarina La Vaca -
[Foto: Cristiano Prim/Divulgação/ND]
[Foto: Cristiano Prim/Divulgação/ND]
Utilização da palavra
Ainda na sexta-feira, durante o lançamento da publicação, acontece a palestra “A palavra como plataforma do teatro” com o autor, e uma leitura dramática de um dos textos pela La Vaca Companhia de Artes Cênicas. Toda a programação terá entrada franca.
Na palestra,
Gabriel Calderón mostrará que a escrita do teatro é algo muito particular. “Eu
posso escrever em uma linguagem literária, mas com o encerramento do trabalho o
idioma será performático. Assim, o dramaturgo escreve em uma linguagem de
adivinhação, projeção e promove outra linguagem. O literário tem que escrever
usando pontos, vírgulas, exclamações, porém a personificação destes sinais toma
diferentes direções no palco e tensões no ambiente”, antecipa ele.
Serviço
“Sempre tem mais”. De: Gabriel Calderón. Tradução: Estaban Campanela.
Editora:
Letras Contemporâneas. R$ 30
O quê:
lançamento do livro “Sempre tem mais”, de Gabriel Calderón
Quando: 12/8, às 18h (palestra) e 19h30 (leitura dramática)
Onde: Museu da Escola, rua Saldanha Marinho, 196, Centro, Fpolis
Quanto: entrada gratuita
Quando: 12/8, às 18h (palestra) e 19h30 (leitura dramática)
Onde: Museu da Escola, rua Saldanha Marinho, 196, Centro, Fpolis
Quanto: entrada gratuita
[ Fonte: www.ndonline.com.br]


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