sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Dramaturgo uruguaio Gabriel Calderón lança conjunto de obras traduzido para português nesta sexta

O livro, com tradução de Esteban Campanela, reúne peças peças apresentadas na Capital pela La Vaca Companhia de Artes Cênicas  

 [foto: Rosane Lima] 
Escrito por Karin Barros  



O dramaturgo uruguaio Gabriel Calderón estará em Florianópolis nesta sexta-feira, às 18h, para o lançamento da publicação “Sempre tem mais”, um conjunto de obras com organização e tradução do pesquisador Esteban Campanela, pelo edital Elisabete Anderle 2014. O livro é inédito em português e traz, além da trilogia composta por “UZ – A Cidade”, “OR – Talvez a vida seja ridícula” e “EX - Que se arrebentem os atores”, a adaptação de “Minha Bonequinha”, primeiro texto do autor traduzido para outro idioma. 

Calderón já foi traduzido para vários outros idiomas e se tornou um expoente do teatro contemporâneo latino-americano. A trilogia “UZ/OR/EX” já foi publicada no Uruguai, na Espanha e na França e montados em países como Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México, Espanha e França. O autor explica que o público alvo são as pessoas iniciadas em teatro, porém, para sua surpresa, o livro atrai também outros interessados. “Tenho visto que ‘UZ – A cidade’, por exemplo, é dos preferidos para quem quer apenas ler. O dramaturgo é o único escritor que escreve para ser lido, visto ou experienciado”, diz. 

“Minha Bonequinha” é uma comédia farsesca que retrata uma menina que precisa se libertar da violência de sua família desajustada e para isso lança mão de seu duplo, sua boneca preferida; “UZ – A Cidade” relata a ruína moral de uma família tradicional desencadeada por fanatismo religioso; “OR - Talvez a vida seja ridícula”, conformada por três partes, sendo uma tragédia, uma comédia e uma tragicomédia, se passa na cidade de OR e envolve um grupo de pessoas unidas pela tragédia que veem suas vidas caminharem em direção à comédia, ao mesmo tempo em que a tragicomédia parece se instalar em seu cotidiano. São três modelos narrativos em uma única peça; “EX - Que se arrebentem os atores”, sobre o tempo e a dor, a peça intercala cenas do passado e do presente, obrigando o espectador/leitor a reconstruir as informações sobre os personagens e as histórias que os unem o tempo todo. 

A encenação brasileira de “Minha Bonequinha”, montada pela catarinense La Vaca Companhia de Artes Cênicas, com direção de Renato Turnes, que optou por manter o nome original (“Mi Muñequita”), iniciou um intercâmbio entre coletivos de artistas brasileiros e uruguaios que se mantém vivo até hoje. O espetáculo “UZ”, que conta novamente com a direção de Turnes e com parte do elenco de “Mi Muñequita”, acaba de retornar de uma circulação por 26 cidades do estado através do projeto do Sesc, EmCena Catarina. Calderón já assistiu a duas de suas obras encenadas pela Cia. de Florianópolis, e lembra a preocupação que eles têm em respeitar seu texto. “Eles entendem bem o que quero dizer, encenam corretamente, são maravilhosos. E eu também gosto como uma companhia pega e modifica os textos como uma plataforma para dizer algo a si mesmo. Muitos têm feito o trabalho melhor do que está escrito”, revela o escritor.

Segundo Turnes, diretor e um dos fundadores da La Vaca, “Calderón nos oferece um teatro político que extrapola o convencional. Utiliza metáforas profundas para falar da sociedade atual. Em toda América Latina, esse é um movimento político e social aberto para o novo. Somos iguais neste processo de endividamento internacional, exploração, injustiça social, enfim, elementos que nos unem como povos. O que nos afasta é o idioma”, diz. O autor uruguaio ainda comemora as mudanças que muitas vezes são feitas em suas obras ao serem encenadas. “Eu fico feliz, pois meu texto não anula, pelo contrário, promove a imaginação. Os textos teatrais devem levar ao teatro, ao efêmero. São ossos de um esqueleto. Eu gosto de ir deixando, enterrado em livros de todo o mundo, corpos inquietos para motivar autópsia, surpreender-nos e excitar. Sou dramaturgo porque amo o teatro, não vice-versa”, finaliza.

                            

                                       O trabalho "Mi Muñequita" foi encenado pela cia catarina La Vaca -
                                        [Foto: Cristiano Prim/Divulgação/ND]

Utilização da palavra


Ainda na sexta-feira, durante o lançamento da publicação, acontece a palestra “A palavra como plataforma do teatro” com o autor, e uma leitura dramática de um dos textos pela La Vaca Companhia de Artes Cênicas. Toda a programação terá entrada franca. 

Na palestra, Gabriel Calderón mostrará que a escrita do teatro é algo muito particular. “Eu posso escrever em uma linguagem literária, mas com o encerramento do trabalho o idioma será performático. Assim, o dramaturgo escreve em uma linguagem de adivinhação, projeção e promove outra linguagem. O literário tem que escrever usando pontos, vírgulas, exclamações, porém a personificação destes sinais toma diferentes direções no palco e tensões no ambiente”, antecipa ele. 


Serviço
“Sempre tem mais”. De: Gabriel Calderón. Tradução: Estaban Campanela. 
Editora: Letras Contemporâneas. R$ 30
O quê: lançamento do livro “Sempre tem mais”, de Gabriel Calderón
Quando: 12/8, às 18h (palestra) e 19h30 (leitura dramática)
Onde: Museu da Escola, rua Saldanha Marinho, 196, Centro, Fpolis
Quanto: entrada gratuita




[ Fonte: www.ndonline.com.br]

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