sexta-feira, 18 de março de 2016

Rede estadual de ensino atende estudantes de quatro nacionalidades


Bolivianos, haitianos, sírios e russos. Estas são as nacionalidades de imigrantes atendidos na rede estadual de ensino em Mato Grosso este ano. A estimativa é que o número de alunos chegue a 500, o dobro recebido em 2015 - ano em que a Secretaria de Estado de Educação Esporte e Lazer (Seduc) iniciou o atendimento das especificidades deste público.
A procura por vagas na rede vem aumentando gradativamente. Em 2014, a Seduc registrou acréscimo devido a chegada de imigrantes para trabalhar em obras da Copa do Mundo. Já em 2015, mais 155 haitianos – que representam a maioria dos alunos estrangeiros - se inscreveram nas unidades escolares.
Para todos os novos estudantes estrangeiros, a adaptação à Língua Portuguesa é o primeiro desafio a ser vencido. Em geral, são necessários três meses para que os estudantes consigam se comunicar em português, o que vem exigindo das equipes pedagógicas uma preparação especial para garantir aos estudantes estrangeiros um bom acolhimento e a efetiva inserção na comunidade escolar, nas unidades estaduais e nos Centros de Educação de Jovens e Adultos de Barra do Garças, Cárceres, Cuiabá, Colíder, Lucas do Rio Verde, Sorriso e Várzea Grande.
O secretário ajunto de Política Educacional da Seduc, Gilberto Fraga de Melo, explica que apesar de matricular os estudantes, até o início dessa gestão, as escolas realizavam um atendimento precário. Por isso, a matriz curricular nos EJAs e Cejas com alunos imigrantes foi adaptada e as salas ganharam a presença do intérprete. “A expectativa é incluir de forma digna o imigrante. Mas esse atendimento está em construção no Brasil inteiro, porque não existe uma política e cada estado cria suas próprias estratégias”, pontua.
O secretário destaca que o bom atendimento realizado pela Seduc já garantiu o ingresso de imigrantes no Ensino Profissionalizante ou Superior, por meio do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
Política Estadual
Ainda em 2016, o acolhimento aos alunos estrangeiros será aperfeiçoado e contará com um planejamento amparado na Política Estadual para Educação da População Imigrante. Mas algumas ações previstas neste plano já acontecem nas escolas, como a presença dos intérpretes.
Outra ação de inclusão da Seduc é a busca ativa de alunos oriundo da Bolívia. Para Melo, apesar da proximidade entre os países, é preciso lembrar que os bolivianos são estrangeiros e devem ter o mesmo tratamento destinado aos demais imigrantes. “Nós temos com a Bolívia uma fronteira que traz um desgaste grande por questões policiais e, ao invés de serem acolhidas, essas pessoas são discriminadas. Atitude que por vezes, se estende as salas de aula. Assim quando estão nas escolas, ao invés da integração, aceita-se indevidamente uma rejeição a esses imigrantes”, alerta.
Interior
A presença dos imigrantes, mais forte na Baixada Cuiabana até 2014, avança em diversas regiões do Estado. Em Colíder, o Ceja Cleonice Miranda da Silva, matriculou 17 haitianos em 2016. “Eles trabalham em um curtume e fazem aula de ambientação, alfabetização de português, e devem avançar para o atendimento nas demais disciplinas”, relata o diretor da unidade escolar, Cláudio Scalon.
Assim como no estado, o atendimento no Ceja pode dobrar. Cláudio explica que por conta da conjuntura mundial de migração, a unidade começou a receber imigrantes refugiados de outras áreas do continente africano.
O gestor destaca que a presença dos estudantes estrangeiros em sala de aula contribuí de forma positiva com a construção do conhecimento. Eles agregam valores nas aulas comentando sobre as tradições do seu país de origem e até ensinando um novo idioma aos amigos de classe. 



[Fonte: www.mt.gov.br]

Sem comentários:

Enviar um comentário