A Estepe é um belo retrato da Rússia a partir da sua paisagem imensa e das suas pessoas
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Escrita aos 28 anos, a obra mostra Tchékhov tentando criar uma históriamais longa que seus contos costumazes |
Uma boa narrativa é, muitas vezes, uma das portas de entrada mais estimulantes para uma cultura desconhecida. Mais bonito do que captar a Rússia czarista pelos olhos de um estrangeiro, talvez seja olhá-la pelo cotidiano, imenso e tedioso, da viagem de um garoto para estudar em outra cidade. Em A Estepe (A História de uma Viagem) (Companhia das Letras), novela do escritor russo Anton Tchékhov, o leitor percorre o país junto com o garoto Iegóruchka – que vai acompanhado do tio Iván e do padre Khristofor – e suas impressão da vegetação e das pessoas.
Traduzida com fluência pelo escritor Rubens Figueiredo, a história é uma das tentativas do autor russo de compor uma narrativa mais longa. Pouco acontece de extraordinário nesse caminho – Iegóruchka precisa de separar brevemente do tio e passa a ser acompanhado por homens do povo, mujiques; também enfrenta uma tempestade e pega uma gripe. Ao mesmo tempo, estamos mergulhados na compreensão delicada dos valores e das relações materiais da país então, com a sutileza de um olhar familiarizado com a hierarquia, mas que ainda vê novidades no cenário das estepes e nas injustiças.
Não há muito o que se dizer sobre a capacidade de Tchékhov de compor, com tão pouco, uma narrativa envolvente. Desde a primeira impressão sobre o tédio na estepe, o leitor se vê presente naquela mesma viagem. A Estepe é uma bela novela de formação, com uma sensibilidade que lembra outro clássico, Proust, quando narra seus medos e afetos quando criança – ainda que seu olhar seja menos íntimo e mais social.
[Fonte: www.jconline.ne10.uol.com.br]

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