'Quaisqualigundum',
de Roger Cruz e Davi Calil, cria histórias paralelas para os personagens das
músicas
'Samba
do Arnesto', 'Saudosa Maloca' e 'Apaga o Fogo Mané' estão entre as canções que
inspiram o livro
Por DOUGLAS GAVRAS
Um
dia, Ernesto convidou os amigos para um samba. Na frente da casa dele, no Brás,
em São Paulo, a turma se reuniu, ansiosa, mas deu com a cara na porta. Sem
deixar um bilhete, ele só se desculparia no dia seguinte, mas nunca explicou o
sumiço.
O
que aconteceu com Ernesto --ou "Arnesto", como diria Adoniran Barbosa
(1910-1982) em sua música-- compõe o enredo de "Quaisqualigundum",
história em quadrinhos com roteiro de Roger Cruz e ilustrações de Davi Calil,
que imagina histórias paralelas para personagens do compositor.
Além
de "Samba do Arnesto", as tramas do livro são inspiradas em clássicos
de Adoniran, como o do barraco que dá lugar ao prédio, em "Saudosa
Maloca", "Apaga o Fogo Mané" --a busca de um marido pela
mulher-- e "Um Samba no Bixiga", sobre briga que movimenta o bairro.
Cruz,
que já desenhou gibis dos X-Men e do Hulk, conta que cresceu ouvindo as músicas
de Adoniran, mas se perguntava o destino dos personagens do músico paulista.
"Em
2009, ouvindo as canções do Adoniran na internet, comecei a fazer perguntas que
me levaram a escrever as histórias. Juntar música com quadrinhos não foi
difícil nesse caso, já que ele contava boas histórias na maioria das
letras", relembra.
A
HQ foi beneficiada em 2012 pelo ProAC (Programa de Ação Cultural do Estado de
São Paulo).
No
próximo dia 12, a galeria Ornitorrinco, em São Paulo, vai sediar uma exposição
com as artes originais da HQ, além de conduzir um bate-papo com os autores do
livro. A galeria fica na av. Pompeia, 520, tel. (11) 2338-1146.
Pintada
com guache e aquarela, "Quaisqualigundum" tem como pano de fundo os
bairros paulistanos da Mooca, do Brás e do Bixiga, em uma atmosfera que remete
às décadas de 1970 e 1980.
"Em
busca de referências visuais, passeamos por esses bairros, fotografando os
resquícios que achávamos da São Paulo do Adoniran. Muito desapareceu, mas quem
olhar com atenção pode sentir um eco da cidade de 30 ou 40 anos atrás",
diz Calil, que também é professor de pintura.
"As
pessoas que Adoniran retratou ainda estão lá", acredita Calil. "O
mundo mudou, a tecnologia transformou tudo. Olhando por esse lado, aquele mundo
desapareceu. Mas os botecos, trambiques e cortiços não somem."
QUAISQUALIGUNDUM
AUTOR: Roger Cruz
ILUSTRAÇÃO: Davi Calil
EDITORA: Dead Hamster
QUANTO: R$ 45 (100 págs.)
[Fonte: www.folha.com.br]
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