Por DIOGO BERCITO
de JERUSALÉM
Um jovem árabe
olha, de dentro de seus 18 anos, para a lente do fotógrafo. Registrado em um
clique, ele agora observa o espectador da coleção de fotos "Eighteen"
(dezoito), expostas pelo artista israelense Natan Dvir, 41.
As imagens parecem
capturar, entre diversos elementos, a desconfiança e o atrito entre fotógrafo e
fotografado. Dvir é judeu, e seus personagens, árabes, o que os coloca em meio
a um antigo conflito pela posse do território hoje sob o controle de Israel.
"É óbvio que
há tensão", se irrita Dvir, em entrevista à Folha. Ele acha
que é desnecessário explicar por que há atrito "na natureza da nossa
relação". "Eu sou judeu e eles são árabes", resmunga.
O governo israelense enfrenta,
na população árabe que permaneceu dentro de suas fronteiras como cidadã, um
desafio social e demográfico, enquanto luta para definir em termos legais que
Israel é um "Estado judeu".
Parte da proposta de Dvir,
quando entrou na vida de jovens árabes para retratá-los, era trabalhar com essa
tensão. Ele também quis conhecê-los mais a fundo, já que a infância no país não
lhes garantiu proximidade, em meio ao conflito e à separação no país. "Meu
projeto é sobre o respeito pela cultura deles."
Apesar das histórias de
convivência entre árabes e judeus, em Israel, ambas as populações vivem em
contextos distintos e, na prática, pouco interagem. "Eu tive contato com
árabes, quando era jovem, mas não conhecia seus valores", afirma Dvir.
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O projeto
"Eighteen" é, assim, a maneira que o fotógrafo encontrou de construir
um mundo em comum entre a sua cultura e aquela de seus colegas de cidadania, os
árabes. Dvir diz acreditar que, se ele foi capaz de fazê-lo, outros
israelenses também poderão.
O fotógrafo conta que "alguns dos árabes fotografados
estavam muito amigáveis depois do processo". Foram 64 personagens
registrados entre 2009 e 2010. Cada um levou, em média, metade de um dia para
as fotos.
Todos eles foram fotografados aos 18 anos, a partir da ideia de que essa é a idade
em que a separação entre judeus e árabes é mais acentuada, em Israel. Judeus
são alistados, mas a maioria dos árabes não participa do serviço militar
obrigatório ali.
Assim, as imagens
de Dvir registram a falha tectônica entre esses dois grupos. Apesar de ambos
serem cidadãos em Israel, eles vivem culturas diferentes. E a distância,
afirma o fotógrafo, cresce.
"Esta geração de árabes tem mais orgulho de suas raízes palestinas", diz Dvir. "E os jovens
judeus estão se tornando mais radicais, com parte deles acreditando que os
árabes-israelenses deveriam ser privados de seus direitos como cidadãos."
[Fotos: Natan Dvir/Polaris – fonte:
www.folha.com.br]


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