sexta-feira, 28 de março de 2014

Exibição de "cultura"...


Leia e "traduza" para o inteligível, se conseguir.
O periculum in mora é coevo, aplicado à circunstância sensível do conhecimento de telemática para embasar conexão delitiva, diante da natural demora de tramitação de ação penal posterior, a qual oportunizará possível evasão da suspeição, dificultando a finalização integral da persecução penal, mormente da execução da pena. Temerário o prejuízo com a demora para a persecução penal e à sociedade.
O trecho verborrágico copiado de uma decisão judicial serviu para que o professor (PUC-PR) Vladimir Passos de Freitas, ex-presidente do TRF-4, em interessante artigo publicado pelo saite Consultor Jurídico, deixasse algumas sugestões para jovens operadores jurídicos:
a) leitura de livros que enriqueçam o vocabulário e auxiliem na redação;
b) participar de cursos de português e ter aulas particulares;
c) escrever uma folha, todos os dias, sobre qualquer tema;
d) evitar colocar palavras difíceis ou em desuso apenas para exibir cultura, porque provavelmente ficarão inadequadas e o resultado será negativo;
e) inclusão de Português no currículo das faculdades de Direito,
O professor Freitas arremata corretamente que "lucraremos todos".
Juridiquês
O juridiquês é um neologismo em voga no Brasil para designar o uso desnecessário e excessivo do jargão jurídico e de termos técnicos de Direito. Embora tenha conotação pejorativa, a ideia de juridiquês como jargão profissional tem ganhado cada vez mais espaço na sociedade letrada por causa de sua crescente utilização na imprensa e nos meios de comunicação de massa.
No jornalismo jurídico, por exemplo, costuma-se dizer que repórteres e redatores que reproduzem em suas matérias os termos rebuscados utilizados pelos entrevistados (como juízes e advogados) são "contaminados pelo juridiquês" (assim como, no jornalismo econômico, o são pelo "economês").
Frases em juridiquês podem ser de difícil compreensão e entendimento, até mesmo para juristas. É comum encontrar textos em juridiquês onde uma única frase se estende por um parágrafo inteiro, com dezenas de vírgulas e verbos no gerúndio, condicionais, apostos e outros.
Nestes casos, quando o leitor chega ao meio do parágrafo-frase, a frase já deu tantas reviravoltas gramaticais e já agrupou tantas ideias que não é mais possível acompanhar o raciocínio sem voltar ao começo do parágrafo-frase e tentar novamente.

[Fonte: www.espacovital.com.br]

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