Muitos estudantes estrangeiros de Língua
Portuguesa decidem ir para o Brasil não apenas para reforçar os
conhecimentos sobre o idioma, mas também para aproveitar oportunidades
de trabalho e de negócios no país que experimenta crescimento económico e
que hospedará grandes eventos internacionais nos próximos anos.
Ventos da Lusofonia
mostra reportagem sobre uma experiência bem-sucedida de ensino de Língua
Portuguesa no Rio de Janeiro e as perspectivas de influência de
negócios da Língua Portuguesa no mundo. E como a boa situação do idioma
traz estímulos à aprendizagem do chamado “português do Brasil” – não da Língua lusófona, mas restritivamente da Língua tal como é usada no Brasil.
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Brasil promove o ensino de Português dentro e fora de suas fronteiras
Da Agência Xinhua (China)
A Língua do maior país da América Latina, que nos próximos anos será o anfitrião de grandes eventos internacionais, tornou-se um valor diferencial no currículo e a sua aprendizagem é outro motivo para muitos estrangeiros viajarem ao Brasil.
Até algum tempo atrás, quando algum
estrangeiro decidia aprender o português, costumava ser porque tinha uma
relação amorosa com alguém do Brasil ou porque estava interessado em um
aspecto cultural do país, como a música.
Esta situação tem dado uma virada nos
últimos anos, e cada vez mais universidades e escolas de idiomas de
diferentes países oferecem aulas de “português do Brasil” e intercâmbios
para que se aprenda “a Língua do samba”, através de experiências de
imersão em uma das cidades do país.
Natural do Rio de Janeiro, Roberta
Mallows, 35 anos, nunca planeou ser uma professora de português. Ela
acabou a dedicar-se ao ensino de sua Língua nativa ao comprovar a enorme
demanda existente, impulsionada pelo entusiasmo e pelas expectativas
depositadas no Brasil pelo resto do mundo.
Seu primeiro trabalho na educação foi
como professora de um instituto de português para estrangeiros na cidade
do Rio de Janeiro.
Os caminhos da vida levaram esta
professora brasileira à Inglaterra, onde hoje ajuda a criar um curso de
Língua Portuguesa e cultura brasileira no King’s College de Londres e é a
responsável por seis classes de 12 alunos.
Na capital britânica, também ensina em duas escolas e em uma ONG [organização não governamental] e tem várias aulas particulares por semana.
“Há muito mais gente que tenta aprender o
idioma por questões pragmáticas, especialmente para ampliar suas
oportunidades de trabalho e para fazer negócios no Brasil”, disse
Roberta Mallows, enquanto caminhava por uma rua no bairro turístico de
Ipanema, onde fica sua antiga escola chamada Casa do Caminho.
Na Europa, Roberta Mallows observou os
perfis de vários alunos que se atiram à Língua Portuguesa: jovens
profissionais interessados em melhorar suas perspectivas de carreira
profissional ou em encontrar trabalho no Brasil, funcionários de grupos
multinacionais que começaram a operar no “gigante da América Latina”, e
brasileiros expatriados, estes preocupados com que seus filhos tenham um
bom nível de português escrito e falado.
“Agora, com a economia europeia em crise,
muitos pais na Inglaterra procuram as nossas aulas acreditando que um
bom português não só pode ser um fator diferencial no mercado de
trabalho daqui [da Europa], mas também pode garantir que o filho possa ir para o Brasil, caso a crise por aqui se agrave”, disse a professora.
Alguns estrangeiros preferem fazer as
malas e lançar-se para aprender a Língua em uma cidade brasileira, com
programas de intercâmbio ou matricular-se em aulas de Português.
Na escola de idiomas Casa do Caminho,
onde Roberta começou a se familiarizar com lousas e carteiras, o
ambiente mais lembra um albergue da juventude do que uma instituição
escolar em funcionamento.
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| Grupo de estudantes de português da Casa doCaminho, no Rio de Janeiro: experiência local. |
De acordo com o imigrante holandês que
dirige o centro, Jascha Lewkowitz, “a atmosfera descontraída – o que o
diferencia das sedes de empresas mais formais– e a ampla oferta de
atividades culturais entusiasmam os alunos.”
Os eventos detalhados em um cartaz
afixado na parede da recepção da escola incluem aulas de samba, aulas de
música brasileira, voleibol de praia e noites de cinema brasileiro,
além de caminhadas de excursão pelo Rio de Janeiro.
.
A escola também oferece um programa de
alojamento nas casas de famílias locais, que é mais barato do que os
preços encarecidos da cidade e é também uma oportunidade para obter uma
visão mais completa da vida cotidiana dos cariocas.
Licenciada em Administração e Gestão de Empresas, a italiana Mariana Vega mostrou-se satisfeita com o curso.
“Faz apenas uma semana que eu vim para a
cidade e era exatamente do que eu precisava: conhecer gente e
familiarizar-me com a Língua”, diz Mariana, que também aproveita estes
dias para buscar trabalho no setor administrativo e de turismo.
Numerosos académicos perceberam as enormes oportunidades que a Língua pode gerar, como Luís Reto, autor de Potencial Económico da Língua Portuguesa.
Essa publicação aposta pela afirmação da
Língua como um bem econômico, pois se Angola, Brasil, Cabo Verde,
Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste
formassem uma única nação, diz o livro, teria um Produto Interno Bruto
(PIB), o equivalente a 3,85 por cento da riqueza gerada no mundo.
Além disso, a Comunidade dos Países de
Língua Portuguesa (CPLP) tem uma população de 254,5 milhões de pessoas,
não incluindo as cerca de cinco milhões de pessoas que falam português
em Goa (na Índia) e Macau (na China). :::
.[Fonte: ventosdalusofonia.wordpress.com]



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