quarta-feira, 9 de setembro de 2026

O galego deixa de impartirse en Londres após 35 anos: a CIG-Ensino acusa a Consellaría e o Ministerio de "eludir" as súas responsabilidades

O Instituto Español Vicente Cañada Blanch inicia o curso 2026-2027 sen clases de Lingua e Literatura Galegas malia o compromiso da Consellaría de Educación a garantir unha solución transitoria que asegurase a continuidade do proxecto en vindeiros cursos.

Fachada exterior do Instituto Español Vicente Cañada Blanch en Portobello Road, Londres, Reino Unido. 

A CIG-Ensino responsabiliza a Xunta da Galiza e o Goberno do Estado de que por primeira vez en máis de tres décadas o Instituto Español Vicente Cañada Blanch de Londres comece o curso sen ofrecer ao seu alumnado a materia de Lingua e Literatura Galegas como optativa. 

Desde os anos 90 o galego facía parte da oferta académica do Cañada Blanch, un centro depende do Ministerio de Educación, quen mantiña un convenio de colaboración coa Xunta da Galiza, lembra o sindicato, que acusa ambas as dúas administracións de non cumprir coas súas responsabilidades.

Segundo informa nun comunicado dirixido aos medios, o subsecretario de Educación, Santiago Roura, confirmou á central nacionalista que o Ministerio decidiu "por problemas con intervención" non renovar este convenio. O Goberno galego comprometeuse entón a asumir só durante o curso 2026-2027 o salario dunha persoa docente e o complemento de estranxeiría que até entón sufragaba o Ministerio se finalmente, despois, este garantía de novo a continuidade do programa nos vindeiros cursos. 

Neste sentido, a Xunta anunciou o paso mes de agosto que acadara este compromiso co Ministerio e que se manterían as clases de maneira transitoria durante o presente curso ao tempo que se adiaba para o vindeiro a convocatoria dunha praza docente para ser cuberta de forma definitiva. "Todo isto nun contexto no que 40% do alumnado matriculado na ESO, arredor de 40 estudantes tiñan formalizada a matrícula nesta materia", precisa a CIG-Ensino.

Porén, censura agora, "aínda que a Consellaría de Educación convocara en xuño de 2025 a praza para o curso 2025-2026, cun nomeamento que podía renovarse anualmente até un máximo de cinco anos, a realidade é que non se fixo efectiva a súa continuidade máis alá do primeiro ano" e, dado que no actual tampouco se vai ofertar, a CIG-Ensino aventura que "desaparecerán as clases de galego pola falta de compromiso de ambos gobernos".

"Desleixo" da Xunta

O sindicato aféalle especialmente á Xunta que noutros conflitos que mantén co Goberno do Estado, como o das persoas auxiliares de conversa estranxeiras, si busque unha solución e anuncie un programa galego propio. "Semella que a nosa lingua non merece o mesmo trato, tendo en conta que se trata dunha única praza docente".

A CIG-Ensino lamenta que "se perda un dos principais espazos de ensino e de divulgación da nosa lingua entre a comunidade galega do Reino Unido", que lle viña outorgando un "indiscutíbel prestixio". "É innegábel a perda de competencia e uso do noso idioma entre a poboación escolar e este é, polo tanto, outro dos efectos colaterais da falta de vontade política da Administración galega en prol do galego".

A central nacionalista sinala o desinterese por parte do Ministerio, do que di agardar "pouco", e castiga indiferenza da Xunta, da que "polo que se ve, non podemos agardar máis". "Isto demostra que a súa política lingüística é mera propaganda e cando se trata de feitos o galego é segundo prato", afirma.

Con todo, a CIG-Ensino esixe que se resolva a situación nomeando transitoriamente unha persoa docente sufragada, ben sexa pola Administración española ou pola galega, e convocando a praza para futuros cursos coa maior axilidade posíbel.

 

 [Foto: Jason Enright - fonte: www.nosdiario.gal ]

terça-feira, 8 de setembro de 2026

“Miroirs No. 3”: o gesto e o resto

Miroirs No. 3 (2025), de Christian Petzold

Escrito por Daniela Rôla 

“A simplicidade é a complexidade resolvida.”

Constantin Brâncusi

Era uma vez… uma jovem chamada Laura, que viajava de carro com o namorado por estradas tranquilas. No caminho, algo muito triste aconteceu, e Laura ficou sozinha e perdida, sem saber para onde ir.

Uma senhora chamada Betty encontrou Laura e levou-a para sua casa, que ficava num lugar calmo, com árvores, silêncio e rotinas simples. Betty cuidou dela com atenção, deu-lhe comida, descanso e um lugar seguro para ficar.

Laura conheceu também o marido e o filho de Betty. Aos poucos, todos aceitaram Laura, e ela passou a ajudá-los nas pequenas tarefas do dia a dia. Juntos, comiam, trabalhavam e partilhavam o tempo, quase como se fossem uma família.

Mas aquela casa escondia uma tristeza antiga, e Laura percebeu que, ao estar ali, fazia os outros lembrar alguém que já tinha partido. E compreendeu que não podia ocupar esse lugar.

Então, quando chegou a hora, Laura partiu também. Voltou à sua cidade, sentou-se ao piano e tocou. A música não apagou a tristeza, mas mostrou que ela podia continuar.

Miroirs No. 3 (2025) poderia ser um conto infantil, no tom leve que acima se sugere. Christian Petzold conta esta história sem ornamentos, sem excessos, quase em voz baixa. O que acontece é mínimo – alguém perde, alguém acolhe, alguém parte – mas é precisamente nessa simplicidade que o filme toca algo de essencial. Ao retirar o dramatismo, a necessidade de explicar tudo e a psicologia barata, Petzold deixa a descoberto gestos elementares: cuidar, permanecer, deixar ir. O filme parece pequeno, nos seus 86 minutos e na sua escala, quase frágil, mas é exactamente aí que reside a sua força: como os contos, fala de algo que todos conhecemos antes das palavras.

A história de Laura (Paula Beer) corre como um conto para crianças, despojado de pormenores supérfluos. Mas, como no tema de Ravel que lhe empresta o nome, Miroirs No. 3 não é simples por ser pobre, mas por ser rigoroso: cada gesto, cada silêncio e cada rotina quotidiana funcionam como ondas que vão e vêm, reflectindo perdas, ausências e pequenas presenças.

O filme integra o elemento do ar, sugerindo liberdade, respiração e espaço entre as personagens, como se cada gesto e cada olhar fossem movimentos atmosféricos que atravessam o cenário e ligam passado, presente e memória. Essa simplicidade é sofisticada: ela permite que a narrativa, aparentemente leve como o vento, toque algo universal sobre a experiência humana, funcionando como um espelho onde o espectador se reconhece.

A ideia de reflexo está ainda na forma como cada personagem funciona como espelho do outro: Laura vê em Betty (Barbara Auer) a dor da perda; Betty vê em Laura a presença da filha; o marido e o filho veem nelas uma forma de relacionarem-se com a perda. Mas também no seu interior o filme encerra outros espelhos, de situações, de figuras, de objectos, de gestos. Se Jacques Demy concebia a exuberância de cor e de música como enigma para encerrar o essencial não dito, Petzold consegue fazer algo de semelhante sob um manto de ascetismo bressoniano.

O espelho manifesta-se também em relação a outros filmes do realizador alemão, em particular aos que integram a parte inicial da sua sequência dos elementos:  Undine (2020), – água – e Roter Himmel (Céu em Chamas, 2023) – fogo. Neles é possível encontrar objectos que dialogam entre si (a máquina de lavar a roupa de Rotter Himmel e a máquina de lavar a louça de Miroirs No. 3), bem como sons mínimos, distintos, que assumem protagonismo (os mosquitos num filme, os pássaros no outro).

São gestos que se reiteram, tanto no interior de cada filme como de filme para filme – o andar de bicicleta, o olhar através da janela, o gesto de virar a cabeça para trás, o carro que acelera, as peças de roupa, ou ainda, no contexto de Miroirs No. 3, as frases recorrentes (“esqueci-me da carteira”; “eles devem querer estar sozinhos”) ou o olhar frontal dirigido à cortina da janela do apartamento.

A natureza toma forma no ar, que é, por definição, ausência de forma. Parece confuso? Na verdade, é de uma extrema simplicidade: um artifício que opera de modo singelo – mais uma vez, o contrário do artifício – para contar uma história.

São os pequenos ruídos do quotidiano que provocam ou traduzem uma hipersensibilidade: o tilintar dos pratos e talheres, os passos que fazem ranger o soalho, o som distante das obras no terreno da oficina. Em contraponto, surgem os grandes ruídos que se impõem e perturbam: o acidente de automóvel, a explosão da máquina de lavar a louça.  

A progressão narrativa opera, assim, com recurso a pequenos nadas, a sinais quase imperceptíveis. Assistimos à recomposição de um casal que se havia afastado e que agora caminha de mãos dadas, furtando-se a outros olhares; vemos Betty tornar-se mais bela, mais cuidada, mais sofisticada na sua forma de vestir.  

Acompanhamos Laura e Betty no processo de recuperação de um trauma, cada uma habitada pelos seus próprios fantasmas, ligadas por uma entreajuda inconsciente. O trauma de Laura não decorre apenas da perda do namorado; note-se que existe já nela uma perturbação anterior ao acidente. As duas mulheres relacionam-se sem saberem – e sem que saibamos nós, espectadores – de que matéria é feito o seu passado, quem são fora daquele encontro. Apresentam-se como uma “folha limpa”, sem qualquer carga prévia, uma perante a outra. São, simplesmente, duas mulheres que se relacionam. 

Estamos no território dos vivos, dos fantasmas, dos sonhos? Desde logo, o nome Laura evoca a personagem homónima de Gene Tierney, que regressava ao mundo dos vivos quando Dana Andrews despertava de um sonho. A Laura de Paula Beer sobrevive miraculosamente a um grave acidente de viação, com o automóvel abandonado na natureza como se fosse uma instalação artística, um corpo estranho que remete para o prodigioso Les choses de la vie (As Coisas da Vida, 1970), de Claude Sautet, com as longas divagações mentais do moribundo Michel Piccoli. Mas Miroirs No. 3 é também um parente próximo de Yella (2007), o que nos coloca, enquanto espectadores, num estado de desconfiança desde o momento do acidente, numa incerteza da realidade.

O encontro entre Laura e Betty (já depois daquele primeiro reconhecimento, uma fugaz troca de olhares quando Laura seguia no automóvel) ocorre num mundo estranho, despojado, num minimalismo quase opressivo, marcado pelas ausências de som, de objectos, de pessoas – de passado! – que exacerba tudo aquilo que está presente. A simples tarefa de pintar uma cerca adquire a dimensão de uma tarefa de uma vida.

Há algo que é difícil de agarrar, está lá e não está, sem que saibamos explicar o que torna este ambiente, desprovido de grandes ornamentos, tão irreal (e neste ponto se reforça o paralelismo com Yella). O ornamento é crime, diria Adolf Loos. Laura e Betty são duas mulheres suspensas entre a vida e a morte, num lugar da vida que roça a loucura. Esse isolamento em relação ao mundo (uma espécie de esclarecimento superior) torna possível a comunicação entre ambas, abrindo um espaço de compreensão e empatia.

Durante um longo período, o filme pertence quase integralmente a estas duas mulheres. Os homens (“os meus homens”, como afirma Betty) apenas entram em cena mais tarde, convocados pela iguaria preparada por Laura, as célebres Königsberger Klopse.

Em Petzold, o ofício de representar passa pelo corpo, por uma fisicalidade vincada que aqui se afirma de forma exemplar. A maneira como cada personagem caminha torna-se expressiva: Laura, titubeante no início, vai ganhando firmeza; Max (Enno Trebs) move-se como um adolescente em ponto grande; Betty, por vezes, parece pairar, deslocar-se como se fosse impelida apenas pelo sopro do vento.

Neste micromundo, perdido na vastidão da paisagem campestre, a câmara encontra espaço apenas para os quatro rostos que compõem esta família inquinada – Betty, Max, Richard (Matthias Brandt) e Laura, que vem ocupar o lugar da filha. Quando os quatro se encontram no alpendre da casa, os vizinhos espreitam; a sua arrogância é palpável, mas deles pouco mais vemos do que um pequeno rosto que se perde na tela. São rostos imaginados, ainda assim não menos agressivos, tanto no modo abusivo como observam uma casa que não lhes pertence, como na forma como julgam aquela família. 

A pergunta a que ambas as mulheres, Laura e Betty, procuram dar resposta é, afinal, a mesma: como recuperar de um trauma? Uma interrogação que tanto vale para um indivíduo como para uma nação – regressando, assim, aos múltiplos jogos de espelhos do filme. No final, a recuperação do trauma assume a forma de um gesto de extrema simplicidade: o olhar de Laura, que volta a deter-se na janela do seu apartamento, tal como no início do filme. A cortina de uma outra janela, a da casa que ela abandonou, conservava o grão próprio de uma cópia de película riscada após muitos visionamentos, carregada de passado. Mas é nesta casa que renasce uma vitalidade nova, uma confiança num futuro possível.

★★★★☆

 

 

[Fonte: www.apaladewalsh.com]

« Coopération complète » : comment l’Université de Tel Aviv sert l’État sécuritaire d’Israël

Du recrutement du Shin Bet aux programmes d’entraînement militaire, les services israéliens s’infiltrent de plus en plus dans la vie universitaire. 

Après que Hila Ben David eut cessé de chanter « Imagine », de John Lennon, le 16 juillet, lors de la cérémonie de remise des diplômes doctoraux de l’Université de Tel Aviv (TAU), la parole a été donnée au docteur Danny Gold, général de brigade (en réserve), chef de la direction Recherche et Développement du ministère de la Défense. Gold, ancien étudiant de TAU où il a obtenu tous ses diplômes, était revenu à son alma mater pour s’adresser aux nouveaux diplômés.

Au cours d’une conférence intitulée Transformer la vision en sécurité, Gold a présenté sous le meilleur jour des systèmes d’armement israéliens ainsi que des vidéos sur des lanceurs de missiles, des interceptions de défense aérienne, et des frappes israéliennes contre des camions au cœur de Téhéran. Des diapos mettant en valeur Ies entreprises israéliennes de défense Elbit Systems et Rafael, ainsi que des firmes privées de plus petite taille comme SMART (“Létalité et précision pour les combattants ») et UNIQAI (“L’IA pour l’organisation des missions”) apparaissaient sur l’écran.

Environ sept minutes après le début de la présentation, la cérémonie a été interrompue par des cris confus, des applaudissements épars et des huées. Plusieurs diplômés et leurs proches ont quitté la salle, dont le docteur Jad Ka’dan, qui venait de recevoir son doctorat en études culturelles et comptait parmi les 17 étudiants palestiniens auxquels l’université avait décerné des doctorats cette année-là.

“Quand [l’université] fait venir le docteur Gold et que, subitement, vous voyez des vidéos de lancements de missiles, des sirènes de raids aériens, et le bombardement de Téhéran, vous comprenez qu’ils vous traitent avec mépris — ils essaient de vous humilier », a-t-il dit à +972 Magazine et à Local Call.

Ka’dan, qui a obtenu une bourse d’études postdoctorales en Californie, a trouvé la célébration de l’industrie de défense israélienne particulièrement troublante. “[Dans le monde entier] les gens parlent de BDS, et vous nous montrez ce genre de vidéos ? J’ai honte de devoir dire que c’est ça qu’ils présentent ici”, a-t-il dit.

Les protestations ne sont pas venues uniquement d’étudiants palestiniens. Selon Ka’dan, quand la mère d’un de ses amis s’est approchée de la scène et s’est mise à crier “Quelle honte !”, environ un quart du public s’est joint à elle. “La moitié des personnes dans cette salle souffrent de troubles de stress post-traumatique à cause de la guerre [avec l’Iran]”, a lancé Ka’dan, “et vous leur montrez des vidéos d’explosions ?”

“Vraiment, ça colle”, a-t-il ajouté. “On commence par ‘Imagine’ —il n’y a aucun pays, aucune cause pour laquelle tuer ou mourir — et là-dessus, arrive un officier de l’armée.”

Quelques instants après que Gold a terminé son exposé, la professeure Noga Kronfeld-Schor, rectrice de l’université, visiblement mal à l’aise, est montée en scène et s’est excusée si la conférence “avait blessé certaines personnes [au sein du public].”

Des membres du corps enseignant affiliés à Academia For Equality ont fait rapidement circuler une lettre soulignant que le problème ne se réduisait pas à un discours de remise des diplômes manquant de sensibilité. L’allocution s’était adressée, écrivaient-ils, à des “étudiants juifs et palestiniens dont les corps et les esprits [portaient] les cicatrices de la guerre apparemment sans fin qui dure depuis trois ans” et qui étaient venus “pour célébrer leurs résultats académiques, pas pour assister à un spectacle de propagande”. Cet évènement, estimaient-ils, constituait “une nouvelle étape de la militarisation croissante de notre université au long de ces dernières années”.

Quelques jours plus tard, l’administration a transmis des excuses plus détaillées aux membres anciens du corps professoral, reconnaissant que l’invitation de Gold avait été “une erreur” car la présentation avait bouleversé des membres du public, notamment des enfants, des familles endeuillées et des soldats traumatisés par la guerre. Mais elle rejetait catégoriquement la conclusion plus vaste d’Academia For Equality, selon laquelle l’université connaîtrait un processus de militarisation.

Dans leur réponse, le président de l’université Ariel Porat et la rectrice Noga Kronfeld-Schor considéraient cette allégation comme “un mensonge et une falsification — une véritable campagne de calomnie” qui renforçait l’argumentaire de “ceux qui cherchent à boycotter le monde académique israélien [en] le présentant comme un agent de l’armée”.

Pourtant, une enquête menée par +972 et Local Call remet en question les dénégations de l’administration. Des interviews et des documents révèlent une université qui a, ces dernières années, accordé sur le campus une place de plus en plus grande à l’appareil militaire et sécuritaire d’Israël — des partenariats avec l’armée aux efforts pour recruter des étudiants au Shin Bet, le service de renseignement intérieur d’Israël.

Chasser des têtes sur le campus

Environ un mois avant l’apparition controversée de Gold à la cérémonie de remise de diplômes, le Centre de développement des carrières de TAU a invité des étudiants des départements d’Histoire du Moyen-Orient et d’Afrique et d’Études arabes et islamiques à une rencontre « axée sur les carrières » avec un représentant du Shin Bet.

L’e-mail de juin, envoyé par le conseiller en carrières des Humanités Sivan Tivoni et obtenu par +972 and Local Call, indiquait que le service de sécurité s’était adressé à l’université pour organiser un évènement destiné spécifiquement aux étudiants de ces deux départements.

“Dans le cadre de cet évènement”, indiquait l’invitation, “un ancien responsable du Shin Bet sera notre invité pour mener une séance inspirante et une discussion ouverte sur les opérations secrètes, les défis du renseignement et de la sécurité, et l’importance de la connaissance de la langue arabe et de la familiarité avec les mondes arabes et islamiques en vue d’une activité professionnelle pleine de sens.” Les étudiants entendraient aussi « des récits et des observations sur ces domaines (compte tenu des restrictions liées à la classification [de sécurité]), et ils participeraient à des discussions directes avec les invités.”

Selon Muhammad Masarwa, étudiant en master d’Études arabes et islamiques et militant politique, l’invitation reflétait une tendance à examiner l’étude de l’arabe essentiellement sous l’angle de la sécurité. “C’est très triste de donner comme perspective à l’étude de l’islam et à la familiarité avec le monde arabe la nécessité de ‘connaître l’ennemi’, a-t-il dit. L’invitation, a-t-il ajouté, contient un message : “Vous pouvez devenir un élément d’un système qui peut nuire à d’autres au moyen de votre connaissance de leur culture et de leur langue.”

Masarwa a dit n’avoir jamais reçu l’e-mail, pas plus qu’aucun des étudiants palestiniens qu’il connaissait dans les deux départements. Il n’a eu connaissance de l’évènement que lorsqu’un ami palestinien lui a fait suivre l’invitation, que des étudiants juifs avaient partagé avec cet ami. (TAU n’a pas répondu à la question de +972 et de Local Call demandant si l’invitation avait été envoyée exclusivement à des étudiants juifs.)

Au sein du département, a dit Masarwa, l’invitation n’a pas suscité beaucoup de discussions. Mais à son avis, la démarche n’était pas accidentelle. “Parmi les étudiants juifs — pas la totalité — il existe une aspiration indéniable à trouver du travail au Shin Bet, à rejoindre les services de sécurité », a-t-il dit. “[S’ils se lancent dans les études arabes], ce n’est pas par amour pour la langue et la culture.”

Les responsables du département qui se sont entretenus avec +972 and Local Call ont pris leurs distances avec cette initiative.

“Je dois admettre que je n’étais pas au courant”, a dit le docteur Avner Wishnitzer, président du département d’Histoire du Moyen-Orient et de l’Afrique. “Si je comprends bien, l’évènement a été organisé par le Centre de développement des carrières de l’université. Je ne savais pas que le secrétariat du département avait expédié l’invitation. Ce n’est pas passé par moi. Point essentiel : nous n’avons aucun lien avec le Shin Bet, et nous n’organisons pas ce genre d’évènement.”

L’université a fourni une explication similaire. Les évènements de développement des carrières ont pour but de faire découvrir aux étudiants des opportunités d’emploi dans les secteurs publics, privés et sociaux, a dit le porte-parole Tomer Walner.

Les employeurs “dont les activités sont conformes à la loi sont invités à présenter aux étudiants des domaines de travail et des postes correspondant à leur formation”, a-t-il ajouté, soulignant que de tels évènements sont organisés par le centre et “ne constituent en aucun cas un élément du cursus académique.”

En fin de compte, l’évènement, prévu pour le 15 juin, n’a pas eu lieu parce que le nombre d’étudiants inscrits était trop faible, selon une source universitaire. Cependant, ces techniques de “chasse de têtes” – recrutement proactif de personnes ayant des compétences spécialisées — par les agences de sécurité d’Israël sur les campus des universités n’ont rien de nouveau.

En 2025, un rapport de l’organisation antimilitariste New Profile a documenté des années d’évènements de recrutement impliquant le Shin Bet et le Mossad dans des universités Israéliennes, notamment, en 2017, une « session sur les carrières avec le Shin Bet » accueillie par la faculté de Sciences sociales de TAU ainsi qu’un évènement au Technion intitulé “La technologie au service du Service général de sécurité [Shin Bet]”.

Plus récemment, en mai, le Centre de développement des carrières de TAU a invité les étudiants en sciences sociales et humanités à un évènement intitulé “Les carrières dans les organismes de sécurité » incluant des représentants du Mossad, du Shin Bet, du ministère de la Défense et du service pénitentiaire israélien. “Saviez-vous”, demandait l’invitation, “que les connaissances et les compétences que vous avez acquises en sciences sociales et humanités peuvent vous donner un véritable avantage en vue d’une carrière au cœur de l’appareil de sécurité d’Israël ?”

Ce qui distinguait l’invitation de juin, selon la docteure Outi Bat-El, linguiste de TAU et membre d’Academia for Equality, n’était pas que le Shin Bet vienne recruter sur le campus, mais qu’il recherche des étudiants dans des domaines particuliers. “L’invitation est inhabituelle parce qu’elle vise spécifiquement ces deux départements”, a souligné Bat-El. “Ce n’est pas une foire aux emplois où tout le monde peut venir et repartir comme il ou elle le souhaite. C’est ciblé.”

La promesse faite aux étudiants d’entendre “des récits et des observations » au sujet des opérations du Shin Bet, a-t-elle souligné, “ressemble à Disneyland. Il s’agit de recruter pour quelque chose de terrible. C’est une coopération complète entre l’université et le Shin Bet.”

L’histoire d’une symbiose

La relation entre les études arabes et du Moyen-Orient dans le monde universitaire israélien et les services sécuritaires du pays existe depuis les premiers jours de l’État et peut-être même antérieurement. À TAU, elle est devenue organique au milieu des années 1960, lorsque l’université a accepté d’intégrer un organisme de recherche du ministère de la Défense, l’Institut Shiloah — devenu par la suite le Centre Moshé Dayan— à son département d’Histoire du Moyen-Orient et de l’Afrique.

Cette décision a soulevé quelques controverses. Dans un article récent de Haaretz, l’ancien président de TAU Itamar Rabinovich, qui dirigeait le Centre Dayan avant d’être à la tête du département d’Histoire du Moyen-Orient et de l’Afrique, se rappelait que l’Université hébraïque de Jérusalem avait rejeté une proposition du ministère de la Défense visant à ce qu’elle absorbe cet institut.

TAU a procédé différemment. À l’époque, l’institution encore au berceau essayait de recruter Shimon Shamir, un jeune universitaire qui serait plus tard à la tête du département et exercerait les fonctions d’ambassadeur d’Israël en Égypte et en Jordanie. Shamir a fixé comme condition à son entrée à l’université l’acceptation de l’Institut Shiloah.

La “symbiose” ainsi réalisée entre l’institut et le nouveau département, a écrit Rabinovich, “donnait à l’université de Tel Aviv un statut unique parmi les universités israéliennes."

Le docteur Yonatan Mendel, chef du département d’études du Moyen-Orient à l’université Ben-Gourion — dont les recherches concernent la sécuritisation* des études arabes depuis le Yishouv juif en Palestine, antérieur à l’État, et par la suite — estimait lui aussi que cette relation était inaccoutumée. “Une connexion aussi directe et ouverte, reliant l’étude de l’arabe dans la sphère universitaire avec le Shin Bet et la sécurité nationale, est vraiment rare”, a-t-il dit à +972 et à Local Call.

Pourtant, a-t-il ajouté, “l’entrée des agences de renseignement et des préoccupations sécuritaires dans la sphère universitaire n’est assurément pas un phénomène nouveau. Ce sont des processus antérieurs à la fondation d’Israël qui se sont intensifiés dans les années 1960 et 1970.”

Dans les décennies qui ont suivi, a ajouté Mendel, de telles relations se déroulaient essentiellement sous le voile du secret. Depuis le 7 octobre, cependant, elles ont repris de la vigueur et sont devenues de plus en plus voyantes. “C’est peut-être parce que le soutien aux besoins en matière de sécurité est subitement inscrit à l’ordre du jour”, a-t-il suggéré.

Selon Mendel, son propre département de l’université Ben-Gourion n’a jamais reçu une sollicitation directe comparable. La culture institutionnelle peut expliquer partiellement la différence. Dans son article de Haaretz, Rabinovich décrivait le département d’études du Moyen-Orient à l’université Ben-Gourion comme “rebelle, s’opposant à l’esprit de l’institution.”

Dans son livre de 2024 “Towers of Ivory and Steel: How Israeli Universities Deny Freedom to Palestinians” (Des tours d’ivoire et d’acier : comment les universités israéliennes refusent la liberté aux Palestiniens), la chercheuse israélienne Maya Wind soutient que les universités israéliennes ont contribué depuis longtemps à produire un savoir qui perpétue la domination d’Israël sur les Palestiniens tout en se présentant elles-mêmes comme des services libéraux et démocratiques.

Dans un contexte de croissance des partenariats entre universités états-uniennes et israéliennes, Wind a dit à +972 en août 2025 que ces dernières « sont en fait profondément impliquées dans le colonialisme de peuplement israélien, et maintenant dans le génocide” — en particulier parce que des disciplines académiques entières “subordonnent leur production de connaissances aux besoins de l’État israélien.”

Pour Mendel, cette proximité historique entre la discipline d’Études du Moyen-Orient et les services de sécurité permet d’expliquer pourquoi ce domaine “tombe parfois dans le piège de l’Orientalisme” et pourquoi de nombreux citoyens palestiniens d’Israël ont eu du mal à le considérer comme leur appartenant réellement.

Il a cependant signalé une tendance qui contrebalance celle-ci : ces dernières années, des enseignants et des chercheurs dans différents lieux du monde universitaire israélien ont fait évoluer leurs disciplines dans des directions plus civiles et plus critiques. “C’est cette tendance que nous devons renforcer — une recherche indépendante et critique, aussi éloignée que possible d’une démarche centrée sur la sécurité.”

La militarisation en évidence

Cependant, au moment même où certains universitaires examinaient d’un œil critique les relations entre l’université et les services de sécurité, les liens institutionnels de TAU avec l’armée se sont renforcés ces dernières années de façon importante.

Dès octobre 2023, avant l’attaque du 7 octobre, l’université a lancé le programme « Erez » qui consiste à ce qu’environ 200 candidats à des postes d’officiers de combat obtiennent des licences en humanités et sciences sociales avant d’entamer une formation d’officier. Selon certaines informations, TAU devrait recevoir environ 15 millions de shekels (presque 5 millions de dollars) pour ce programme.

Bien que l’université ait promis initialement que les participants à ce programme ne porteraient pas d’armes sur le campus, des soldats armés en uniforme ont commencé à assister régulièrement à des cours après le déclenchement de la guerre. Leurs effectifs ont diminué depuis, mais selon des membres du corps enseignant ils restent une présence familière.

“Vous êtes sur le campus, et 50 soldats en uniforme, portant des armes, se déplacent d’un bâtiment à l’autre”, a dit Bat-El. “Je ne me sens pas à l’aise. Imaginez ce que ressentent des étudiants palestiniens.”

Les liens de l’université avec les services de sécurité s’étendent également au secteur technologique. Depuis 2018, TAU Ventures — un fonds de capital-risque financé par l’université — a géré « The Xcelerator » en commun avec le Shin Bet. Ce programme accorde à des start-up sélectionnées une subvention de 50000 $ versée par l’agence de sécurité ainsi que des espaces de bureau et un soutien aux entreprises, et met en avant, selon ses propres termes, une “opportunité exclusive de validation et de démonstrations de faisabilité auprès du Shabak [le Shin Bet]."

 

Pour sa dernière promotion, le programme a indiqué qu’il recherchait des technologies dans des domaines tels que l’IA et les données, la cybersécurité, les menaces liées aux drones ou aux UAV, les plateformes sans pilote, les capteurs et le renseignement sur internet, qui pourraient “avoir un impact sur le champ de bataille” et renforcer les “capacités de sécurité à long terme” d’Israël.

Dès le début de la prochaine année universitaire, TAU accueillera le prestigieux programme “Havatzalot”, qui forme des recrues de haut niveau de l’Intelligence Corps pendant la dernière étape de leurs études universitaires. Le programme s’est déroulé à l’Université hébraïque depuis 2019 malgré l’opposition d’étudiants et d’enseignants, qui affirmaient qu’il  correspondait à “l’expropriation de la sphère académique et à son transfert sous contrôle militaire”. Après que TAU eut remporté l’appel d’offre en vue de l’accueil du programme, l’Université hébraïque a présenté une requête judiciaire pour contester cette décision.

Un incident récent pourrait indiquer que les liens de TAU avec le système de la défense vont plus loin que les campagnes de recrutement et les programmes de formation. En mai 2025, l’administration de l’université ayant soupçonné un étudiant palestinien d’avoir tagué des slogans dénonçant la guerre d’Israël contre Gaza sur les stands du Shin Bet et d’Elbit à une foire aux carrières sur le campus, elle a fourni au Shin Bet ses données personnelles. Peu après, l’étudiant a reçu un appel d’un homme qui s’est présenté comme un agent du Shin Bet et lui a ordonné de se rendre dans un poste de police en vue d’une “conversation”.

Certes, ce processus a été interrompu rapidement après une intervention du spécialiste de la déontologie de l’université, mais l’incident a montré avec quelle facilité la coopération de l’université avec les services de sécurité pouvait déboucher sur la surveillance et l’intimidation des étudiants.

C’est dans ce contexte que l’administration a qualifié de “pure invention” l’affirmation selon laquelle TAU devenait une extension des services de sécurité d’Israël.

“Pendant de nombreuses années, le monde universitaire israélien a affronté diverses forces qui cherchent à le détruire et menacent sa liberté, en Israël et à l’étranger”, écrivaient les représentants de l’administration dans l’e-mail envoyé au corps enseignant après le discours de Gold lors de la cérémonie de remise des diplômes. “Il est désolant de voir des détracteurs sortir de nos rangs et utiliser une simple erreur – aussi regrettable soit-elle – pour formuler des jugements sans aucun fondement.”

+972 et Local Call ont demandé à TAU s’il maintenait des liens étroits avec le Shin Bet, comme l’indique l’e-mail envoyé par son Centre de développement des carrières, et s’il était conscient des accusations internationales selon lesquelles le monde universitaire israélien ferait partie de l’appareil sécuritaire israélien. L’université n’a pas souhaité répondre.

* N.d.T. Le concept de sécuritisation décrit la façon dont certains phénomènes considérés comme des enjeux de sécurité sont assimilés à des menaces justifiant l’élaboration de politiques sécuritaire.


Publié par Aharon PorathMeron Rapoport | +972 Magazine | traduction : SM pour l'AURDIP

[Source : www.aurdip.org]

Día Nacional del Quetzal, Guatemala honrará a su ave símbolo

El Día Nacional del Quetzal favorecerá hoy en Guatemala las muestras de honor al ave que no solo deviene emblema, sino además representación de la libertad, belleza e identidad cultural.  


Distintas instituciones estatales desarrollarán actividades educativas, ceremonias cívicas, exposiciones y campañas de concienciación sobre la importancia de protegerla y preservarla, según mensajes en las redes sociales.

Desde tiempos prehispánicos, de acuerdo con reportes históricos, las civilizaciones mesoamericanas la consideraron sagrada, vincularon a la luz, la primavera y a la divinidad Kukulkán o Quetzalcóatl.

En la cosmovisión maya, sus plumas largas y verdes eran usadas en tocados y ornamentos ceremoniales por la nobleza (gobernantes y sacerdotes) como símbolo de estatus y espiritualidad.

La tradición oral trasmitió que el quetzal era el nahual (espíritu guardián o compañero) de Tecún Umán, destacado y príncipe k’iche’ que lideró la resistencia indígena contra la conquista española capitaneada por Pedro de Alvarado en 1524.

Mientras el príncipe combatía, el ave sobrevolaba la batalla apoyándolo. Al caer abatido el guerrero, descendió sobre el pecho ensangrentado, sus plumas del pecho se tiñeron de rojo brillante y emitió un último canto lúgubre.

La leyenda sostiene que, a partir de ese momento, el quetzal perdió la voz y juró no volver a emitir sus sonido alegre ni vivir sometido en jaulas hasta que los pueblos originarios recuperaran su libertad total.

El poeta cubano José Joaquín Palma, autor del himno de este país, la inmortalizó en estrofas que recuerdan que “antes muerto que esclavo vivirá”.

El presidente Miguel García Granados (1871-1873) declaró ave nacional al quetzal y con ese nombre el gobierno de José María Orellana (1921-1926) bautizó a la moneda local.

En 1979, el Organismo Ejecutivo, a través del Ministerio de Educación y del Consejo de Áreas Protegidas, estableció la conmemoración anual cada 5 de septiembre.

El hábitat natural del quetzal se encuentra principalmente en los bosques nubosos entre los 1.500 y 2.700 metros de altura, de los departamentos Alta y Baja Verapaz, Huehuetenango, Quiché y San Marcos.

Sin embargo, especialistas señalan que se encuentra incluido en la categoría 3 del Listado de Especies Amenazadas, por la pérdida y fragmentación de esa área, el avance de la frontera agrícola y los incendios forestales.

idm/znc

 

[Fuente: www.prensa-latina.cu]

Vanuatu reclama a l’estat francés la sobeiranetat de las illas Umaeneg e Leka

Revendica la sobeiranetat sus aquelas illas, que París considèra coma francesas e que balhan accès a una zòna economica exclusiva de 350 000 quilomètres cairats

Escrich per Jòrdi Ràfols 

Vanuatu a engatjat una procedura davant la Cort Internacionala de Justícia (CIJ) per la disputa amb l’estat francés sus la sobeiranetat de las illas pichonas Umaeneg e Leka (Matthew e Hunter, dins lors noms colonials), situadas dins lo Pacific Sud, çò rapòrta Vilaweb. Pasmens, l’afar poirà pas avançar se l’estat francés accèpta pas la competéncia de la Cort per resòlver aquel litigi.

La requista depausada per Vanuatu demanda tanben l’establiment d’una frontièra maritima unica entre las zònas economicas exclusivas e los planestèls continentals dels dos estats, pertocant sustot Canaquia. Umaeneg e Leka son doas illas inabitadas de mens d’un quilomètre cairat, situadas entre Vanuatu e Canaquia. Malgrat lor talha reducha, lor possession revestís una importància estrategica considerabla, puèi que permet a l’estat francés de dispausar d’una vasta zòna economica exclusiva de mai o mens 350 000 quilomètres cairats.

Vanuatu revendica sa sobeiranetat sus elas dempuèi son independéncia, obtenguda en 1980, mentre que París manten sas pretensions sus aquelas doas illas. Après la dobertura de negociacions en 2025, lo govèrn vanuatuenc acusa sos interlocutors de perpetuar de practicas colonialas.

Lo primièr ministre Jotham Napat aviá ja avertit qu’utilizariá totas las vias diplomaticas e juridicas internacionalas per defendre la sobeiranetat del país. D’ara enlà, la decision aperten a l’estat francés. Se París acceptèsse la competéncia de la CIJ, lo desacòrdi poiriá enfin èsser examinat per la mai nauta juridiccion de las Nacions Unidas.

 

 

[Sorsa: www.jornalet.com]

Artistas portugueses saem do festival acusado de “normalizar o genocídio”

Vários artistas anunciaram o cancelamento da sua presença no festival Commedia a La Carte, que tem como cabeça de cartaz Jerry Seinfeld, o humorista que apoia o genocídio em Gaza. 


Marcado para o final de outubro em Lisboa, o Festival MEO Commedia a La Carte viu nos últimos dias vários artistas cancelarem a sua presença. Os cancelamentos do concerto do Conjunto Cuca Monga e do espetáculo Tributo Pop, com Tatanka, Carolina Deslandes e Bárbara Tinoco, foram os primeiros a ser divulgados pela organização.

Mais tarde, a dupla de comediantes Cebola Mol, de Eduardo Madeira e Filipe Homem Fonseca também anunciou que não faria parte do cartaz do evento. "Celebraremos justiça, liberdade e alegria numa próxima oportunidade”, afirmaram os humoristas nas redes sociais, publicando uma foto sua ao lado da imagem de uma fatia de melancia, associada ao movimento de solidariedade com o povo palestiniano.

A atriz Inês Aires Pereira foi mais explícita ao justificar o cancelamento com a recusa de “normalizar um genocídio” e referindo que um dos nomes convidados "defende insistentemente ideias e atos" que considera "indefensáveis".

Outros nomes em cartaz que já anunciaram o cancelamento são o artista visual Vhils e o humorista Pedro Tochas.

A razão principal da debandada de artistas deste festival que pretendia reunir "o melhor da comédia, teatro, música, performance, 'storytelling' e cultura pop" é a presença como atração principal do humorista Jerry Seinfeld, que desde o início do genocídio em Gaza não tem poupado apoios à ação militar israelita e críticas ao movimento de solidariedade com a Palestina.

Seinfeld comparou mesmo o movimento pela Palestina Livre ao Ku Klux Klan, acusando os ativistas contra o genocídio em Gaza de partilharem o antissemitismo do KKK. “Digam só que não gostam de judeus. Ao dizer 'Libertem a Palestina', não estão a admitir o que realmente pensam. Por isso, na verdade — em comparação com o Ku Klux Klan, acho que o Klan é um pouco melhor, porque podem dizer logo à partida: 'Não gostamos de negros, não gostamos de judeus'. OK, isso é honesto”, afirmou o artista na Universidade de Duke. Noutra ocasião, desafiado a dizer “Free Palestine” num espetáculo, respondeu a dizer que a Palestina “não existe”.

[Fonte: www.esquerda.net]

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

La guerra de la ultraderecha contra la arquitectura moderna

Escrito por Jan-Werner Müller

Aunque el partido de ultraderecha Alternativa para Alemania (AfD) lleva dos años subiendo en las encuestas, la negativa de otras fuerzas a incluirlo en una coalición de gobierno le ha impedido llegar al poder. Pero este «cortafuegos» depende de que AfD nunca consiga mayoría absoluta, de modo que las elecciones que se celebran este fin de semana en el estado de Sajonia‑Anhalt pueden darle un golpe mortal. 

Es verdad que incluso si consigue formar gobierno en Sajonia‑Anhalt, AfD no podrá hacer mucho en relación con su tema favorito actual: la política de inmigración y la legislación sobre refugiados. Pero los dieciséis estados federados (Länder) de Alemania tienen amplias competencias en materia de política cultural y educativa, y es aquí donde el programa de AfD es más elocuente (y repulsivo). 

Los populistas de ultraderecha siempre libran guerras culturales. Aunque a veces intentan aprovechar las crisis de costo de vida y otros problemas económicos, su mayor compromiso lo tienen con promover la idea de que son los únicos representantes de aquello que denominan «pueblo real». Insisten en que esa categoría solo incluye a ciudadanos que reúnan ciertas características «adecuadas», y nunca pierden oportunidad de impulsar la «remigración», no solo de los refugiados, sino también de ciudadanos «irreales» o «falsos», es decir, los de origen étnico «incorrecto» (o incluso los partidarios de posiciones políticas «erradas»). 

La obsesión por las cuestiones identitarias permite a los partidos de ultraderecha modificar todo el tiempo su agenda económica (yendo del neoliberalismo a apoyar un sólido estado de bienestar) sin dejar de ser de ultraderecha. Lo único que los convertiría en una entidad política diferente sería cambiar la cantilena de los refugiados e inmigrantes. 

Lo que nos trae de nuevo al programa de AfD para Sajonia‑Anhalt. AfD acusa astutamente a lo que denomina «partidos del establishment» (Altparteien), no de corrupción o malicia, sino de tener una voluntad débil como resultado del «masoquismo nacional» y de la poca «autoconfianza». Estos defectos supuestamente tienen raíces «culturales», en concreto, una «tradición de destruir la tradición» que ha dejado al país indefenso frente a las «ideologías del arcoíris». 

Si se sale con la suya, AfD intentará convertir Sajonia‑Anhalt en un modelo de «políticas culturales patrióticas» para los otros estados federados. Promueve un «pensamiento alemán» (#deutschdenken), que implica oponerse a la campaña del actual gobierno regional en favor de la libertad artística y las ideas modernas, inspirada en la Bauhaus. 

La escuela de arte, diseño y arquitectura Bauhaus se fundó en Weimar, pero después se trasladó a Dessau en Sajonia‑Anhalt, donde dejó una agradable impronta en edificios notables como los que diseñó Walter Gropius a mediados de la década de 1920. Pero según AfD, la Bauhaus representa el «arte antialemán», es decir, «el arte alemán que no quiere ser alemán». Si AfD llega al poder, exigirá que todo edificio nuevo que se construya con apoyo financiero estatal refleje aquello que AfD considera una tradición reconociblemente alemana (categoría que, al parecer, no incluye a la escuela de arquitectura más influyente del estado). 

Pero los ataques contra la arquitectura moderna no son exclusividad de la ultraderecha alemana. Desde el ex primer ministro húngaro Viktor Orbán hasta el presidente estadounidense Donald Trump (que emitió varias órdenes ejecutivas para convertir el clasicismo en estilo preferido de los nuevos edificios federales), los líderes de ultraderecha llevan mucho tiempo tratando de transformar el entorno edilicio de modo tal que refleje lo que en su opinión es la tradición nacional correcta. 

Sus motivaciones son variadas. Para empezar, la arquitectura (desde las enormes mezquitas erigidas en Turquía durante la presidencia de Recep Tayyip Erdoğan hasta los prominentes templos hindúes encargados por el primer ministro indio Narendra Modi) ofrece pistas tangibles y muy visibles sobre quiénes se supone que son el «pueblo real». Cuando hablan de «belleza» (una de las consignas de Trump, pero que también promueven figuras más sofisticadas como el líder ultraderechista neerlandés Thierry Baudet, mezcla de intelectual y dandy), en realidad están hablando de defender las jerarquías tradicionales en todos los ámbitos, desde el hogar hasta la economía y la política. AfD pretende que todos los edificios públicos nuevos sean considerados «bellos» por la mayoría (de modo que, al parecer, cada diseño tendría que someterse a referéndum popular). 

Apoyan esta visión numerosas organizaciones y cuentas de redes sociales abiertamente tradicionalistas, que a diferencia de los políticos profesionales, son más propensas a delatarse. Muchas de estas figuras plantean una oposición explícita entre la arquitectura clásica y el «globalismo» (término que a menudo es el primer paso en una deriva al antisemitismo) o retoman las descripciones de tiempos de entreguerras (es decir, nazis) del modernismo como «arte degenerado». Por mucho que hable de particularidades, el antimodernismo es en sí mismo un fenómeno mundial tristemente homogéneo. 

La descripción que hace AfD de la Bauhaus como símbolo de «desarraigo» ya recibió respuesta mediante un nuevo «Manifiesto de la Bauhaus» impulsado por el ministerio federal de Cultura de Alemania. Pero por muy loable que sea este documento en cuanto declaración política, simplifica en exceso la historia de la arquitectura del siglo XX. Contra la afirmación central del manifiesto, dista de ser obvio que todos los protagonistas de la Bauhaus defendieran una «sociedad abierta». De hecho, algunos estuvieron más que dispuestos a colaborar con los nazis (que prohibieron oficialmente la escuela). En el diseño de Auschwitz participó un arquitecto formado en la Bauhaus. 

No estamos diciendo que si a uno le gusta la arquitectura tradicional, ha de ser necesariamente un ultraderechista encubierto, sino más bien que la agenda cultural de la ultraderecha está muy vinculada a su agenda política excluyente. Y como el entorno edilicio siempre es un modo de hacer visibles los valores (como señaló la filósofa Susan Neiman), sería un error pensar que la controversia sobre la arquitectura moderna es un asunto secundario.

 

Jan-Werner Mueller, Profesor de Ciencias Políticas en la Universidad de Princeton, es autor del próximo libro Street, Palace, Square: The Architecture of Democratic Spaces (Penguin Books, 2026). 

 

[Fuente: www.project-syndicate.org]