quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Outro cinema americano é possível. Arranca o 5.º Outsiders em Lisboa!

 

Christmas Eve in Miller’s Point (Tyler Taormina, 2024)

Escrito por Hugo Gomes

À quinta edição, o Outsiders confirma-se menos como questão e mais como afirmação: o de existir um cinema americano a persistir fora do centro, fazendo, ao contrário da percepção comum, Hollywood como periferia. Entre 27 de janeiro e 1 de fevereiro, o Festival de Cinema Independente Americano regressa a Lisboa (no Cinema São Jorge) para insistir naquilo que o define desde a origem: a descoberta em sala, a estreia nacional, o gesto quase resistente de ver primeiro, aqui, agora, em comunidade.

Num tempo de abundância digital e de visibilidade ilusória, estes filmes continuam a chegar-nos tarde ou nunca. O Outsiders existe para contrariar essa lógica, revelando obras que circularam internacionalmente, mas permaneceram invisíveis em Portugal e arredores. A programação desta 5.ª edição traça um retrato fragmentado da América contemporânea, onde território, identidade, violência simbólica e mediação tecnológica se cruzam com formas livres e modelos de produção alternativos.

Mais do que uma mostra, o Outsiders é um espaço de encontro entre filmes esquecidos e estreias recentes, entre autores e público, entre margens que, vistas de perto, dizem muito sobre o centro do mundo, e de como Hollywood não integra, de facto, esse núcleo. Mais um ano, e Cinematograficamente Falando … mantêm a tradição, desafiando o programador Carlos Nogueira a uma pequena apresentação deste festival que se quer, nada de marginalidades, mas ser banhado no holofote da cinefilia lisboeta.

Na 5.ª edição do Outsiders volta a insistir-se na estreia nacional como princípio estruturante da programação. Num momento em que o acesso digital parece tornar tudo “disponível”, que sentido continua a fazer, hoje, esta ideia de estreia e de descoberta em sala?

É um princípio estruturante da programação desde o início que gostaríamos de manter enquanto for possível, uma vez que, como refere, hoje, cada vez mais, tudo parece estar disponível. Mas a verdade é que não está ou, pelo menos, não está acessível ao espetador “médio”. Para já não falar da oportunidade, única provavelmente, de ver estes filmes em sala.

Os 12 filmes seleccionados passaram por festivais de grande visibilidade internacional e, ainda assim, chegam inéditos a Portugal. Este desfasamento entre circulação internacional e invisibilidade nacional diz mais sobre a fragilidade da distribuição portuguesa ou sobre o lugar que o cinema independente americano ocupa hoje no mercado global?

Diria que um pouco de ambas. A distribuição comercial portuguesa não se interessa por estes filmes. Muitas vezes adquire-os no fundo de um “pacote” de uma “major” e nem se dá conta, ou não sabe o que fazer deles. Os principais festivais nacionais, que são uma forma de distribuição mais activa, mas também mais fugaz, têm quotas limitadas e, por isso, deixam de fora algumas coisas muito interessantes. A exportação de filmes independentes que não pertencem ao catálogo das grandes distribuidores luta com imensas dificuldades. Um dos nossos objectivos é justamente repescar pérolas que ficaram inéditas: este ano temos um desses casos, o excelente “Love After Love” (Russell Harbaugh, 2017), tanto mais bizarro quanto conta no elenco com Andie MacDowell. 

 Rebuilding (Max Walker-Silverman, 2025)

O filme de abertura, “Peak Season” (Steven Kanter & Henry Loevner, 2023), ancora-se fortemente na paisagem de Jackson Hole, enquanto “Rebuilding” (Max Walker-Silverman, 2025) revisita os elementos do western e atribui-lhe uma sensibilidade contemporânea. Que papel desempenha o território, seja físico ou simbólico, nesta edição do Outsiders enquanto retrato da América actual?

São dois filmes que abordam, de formas distintas, uma das características de sempre do universo americano que se tem vindo a acentuar nos tempos que correm: a oposição entre o mundo urbano e o mundo rural. “Keep Quiet” (Vincent Grashaw, 2025) seria outro exemplo da presença desse território, físico ou simbólico como diz, fonte inesgotável de ficção.

“Our Hero, Balthazar” (Oscar Boyson, 2025) aborda frontalmente temas como redes sociais e armas de fogo. Diria que há, ao longo destas edições, uma preocupação não apenas no dispositivo independente desses filmes, mas como eles traduzem um país do outro lado do oceano Atlântico?

Esses temas não se circunscrevem aos EUA, mas a especificidade histórica desse país e a sua capacidade em usar com eficácia o megafone dos média, tanto tradicionais como os mais recentes, converte-o num terreno fértil para que a relação entre as redes sociais e o culto do uso de armas de fogo prolifere entre os jovens. O filme trata o tema com um bem equilibrado misto de seriedade e humor, ou não tivesse colaborado o seu realizador (Oscar Boyson) na produção de alguns filmes dos irmãos Safdie, entre eles “Good Time” e “Uncut Gems”.

Tyler Taormina surge como convidado desta edição, o que o distingue, para si, de outros autores da mesma geração e porque é que o seu cinema dialoga de forma tão orgânica com o espírito do Outsiders? E em comparação com os convidados passados da mostra?

A escolha do convidado depende sempre de imensos factores. Taormina é um dos jovens realizadores americanos mais interessantes surgidos nos últimos anos. Com três longas-metragens no activo, inéditas no nosso país, pareceu-nos chegado o momento de o apresentar ao público português, não apenas exibindo duas delas, mas também convidando-o para estar presente nas sessões e, como tem acontecido desde a primeira edição com os nossos convidados, dar uma masterclass

Sendo Taormina também produtor, compositor e fundador de um colectivo como a Omnes Films, até que ponto o Outsiders se interessa não apenas pelos filmes, mas também pelos modelos de produção alternativos que estes autores propõem?

Na sua qualidade de cofundador da Omnes e produtor de alguns dos filmes feitos por outros membros do grupo, a sua vinda abriu a possibilidade de fazer um pequeno foco sobre este colectivo de produção. Incluímos por isso o filme “Eephus”, de Carson Lund, um dos maiores sucessos críticos granjeado por uma produção independente nos últimos tempos, que será também apresentado por Tyler Taormina.

Ao fim de cinco edições, o Outsiders parece cada vez mais afirmar uma identidade própria, distante tanto dos grandes festivais como da lógica de “mostra de nicho”. Hoje, como define o lugar do Outsiders no ecossistema dos festivais portugueses, e que tipo de relação espera construir com o público a médio prazo?

Não somos nem ambicionamos ser um “grande festival” no referido ecossistema, mas quero crer que estamos no bom caminho para ser um festival essencial. Trazemos filmes que ficaram perdidos no complexo labirinto da rede de exibição e permitimos o seu diálogo com outros mais recentes, por vezes acabados de ter a sua estreia mundial, mostrando como os temas e as formas criativas mais improváveis se articulam. O público tem vindo a crescer de ano para ano, e noto que começa a haver uma fidelização (pessoas que participam de edição para edição, caras que se veem quase diariamente durante o festival), o que é muito reconfortante. Pouco a pouco vai-se sentindo a construção de um espaço de debate, vê-se cada vez mais a interacção do público entre si ou com o realizador convidado, no fundo a formação de um verdadeiro espírito de festival. 

Our Hero, Balthazar (Oscar Boyson, 2025) 

Por fim, tendo em conta a situação geopolítica actual e as mudanças radicais sociopolíticas que experienciamos nos EUA, como o Outsiders pretende persistir nesse ambiente, ou até mesmo renovar? Se é que existe alguma intenção de tal?

É difícil fazer conjecturas sobre o futuro. Contudo, lembremo-nos que o Outsiders teve um parto complicado (estava previsto ter início em maio de 2020, integrado nas comemorações dos 35 anos da FLAD … mal sabíamos que nos cairia em cima a pandemia … e a primeira edição teve lugar em dezembro de 2021, durante um recomeço parcial do confinamento) e sobreviveu. Essas dificuldades iniciais trouxeram ao festival uma grande capacidade de resistência. Para além disso, o projecto tem no seu ADN características que lhe permitem grande maleabilidade. E a FLAD tem, anualmente, reafirmado o seu interesse em continuar o Outsiders.

Toda a programação poderá ser consultada aqui



[Fonte: cinematograficamentefalando.blogs.sapo.pt]

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Espanha anuncia regularização de mais de meio milhão de imigrantes

Processo de regularização extraordinária foi negociado entre o Governo e o Podemos e é aplaudido pelo movimento que nos últimos anos recolheu 700 mil assinaturas a favor da medida que responde com direitos à ofensiva da extrema-direita no país e na Europa.

Manifestação em Barcelona em julho de 2022 contra o massacre de imigrantes em Melilha, quando tentavam entrar em território espanhol. 

O Podemos e o Governo espanhol anunciaram o acordo sobre o lançamento de um processo de regularização extraordinária de imigrantes, dirigido aos cidadãos que provem ter residência no Estado espanhol no último dia de 2025 há pelo menos cinco meses e não tenham antecedentes penais relevantes. Os meios de prova podem ser o registo municipal, contratos de água, luz, comunicações, relatórios médicos ou prova de transferências bancárias, entre outros documentos do quotidiano.

A partir do momento da candidatura, os requerentes obtêm uma autorização de residência válida por um ano e verão suspensos automaticamente os processos de retorno que estejam em curso, vendo garantidos direitos básicos essenciais como o acesso a cuidados de saúde. 

Em comunicado, o Podemos destaca o seu papel na negociação desta medida que vem desbloquear uma reivindicação antiga dos movimentos antirracistas e de imigrantes, apesar de contar com apenas quatro parlamentares e não pertencer ao executivo de Pedro Sánchez, que acusa de não ter tido vontade política para avançar antes com este processo.  

“Esta medida não só tem um enorme impacto material, como também é uma resposta clara à ofensiva racista da direita e da extrema-direita, em Espanha e em toda a Europa. Contra o ódio, a criminalização e a violência institucional, o Podemos responde com direitos. Contra o fascismo, mais direitos”, escreveram as eurodeputadas Irene Montero e Isa Serra em mensagem dirigida aos colegas de bancada da Esquerda. 

A medida foi aplaudida pela Plataforma Regularização Já, que recolheu mais de 700 mil assinaturas a exigir um processo de regularização dos imigrantes a viver e trabalhar no país. “Perante um panorama internacional de endurecimento das políticas migratórias, encerramento das fronteiras e criminalização dos migrantes em grande parte da Europa, a Espanha abre-se e dá um passo na direção contrária: reconhecer administrativamente aqueles que já fazem parte da nossa sociedade”, congratula-se o movimento em declarações ao Publico.es.  

Este será o primeiro processo de regularização extraordinária de imigrantes nos últimos vinte anos e pode beneficiar entre 500 mil e 800 mil imigrantes. “Hoje é um dia histórico. Estamos a reforçar um modelo migratório baseado nos direitos humanos, na integração e na coexistência, compatível com o crescimento económico”, afirmou a porta-voz do executivo, Elma Saiz, prevendo que os requerimentos possam ser apresentados entre abril e junho.  

À direita, o Partido Popular criticou a medida. Para a porta-voz parlamentar Ester Muñoz, o timing da apresentação da medida tem por objetivo desviar as atenções do acidente ferroviário de Adamuz, que fez mais de 40 mortos. O PP diz que “as regularizações massivas são ilegais”. Opinião diferente tem a Conferência Episcopal Espanhola, que há quase dois anos convenceu o PP a aceitar a tramitação legislativa da Iniciativa Legislativa Popular da Plataforma Regularização Já. Com o parlamento dividido e incapaz de aprovar a medida, o acordo do Governo com o Podemos para a fazer avançar por decreto é visto pelo arcebispo Luís Argüello como “uma boa notícia para facilitar a contribuição para o bem comum de muitos imigrantes que já estavam a trabalhar, a frequentar a escola, a usufruir dos serviços de saúde e sociais e, por vezes, a viver em condições precárias entre nós. Desta forma, reconhece-se a sua dignidade”.



[Fotos: Plataforma Regularização Já - fonte: www.esquerda.net]



Francesca Albanese, relatora especial de la ONU: «La impunidad de Israel no durará para siempre»

Francesca Albanese, relatora especial de la ONU para los Territorios Palestinos ocupados, en una imagen tomada en julio de 2024.

Escrito por Samah Salaime (+972 Magazine)

En mitad de la reciente conferencia de Francesca Albanese en la Escuela de Estudios Orientales y Africanos de Londres (SOAS), el joven sentado a mi lado en el público comenzó a llorar en silencio. La relatora especial de la ONU para los territorios palestinos ocupados estaba hablando sobre el papel del derecho internacional en tiempos de genocidio, pero el hombre ya no prestaba atención. 

Le pregunté si se encontraba bien y le ofrecí un pañuelo. Me comentó que era médico de Gaza y que había abandonado la Franja con su esposa (también médica) en los primeros meses de la guerra.

Entonces supe el motivo de sus lágrimas. En diciembre de 2023, cuando el ejército israelí ordenó la evacuación de su barrio en el norte de Gaza, su familia reunió sus pertenencias y subió a un camión para escapar. Pero mientras lo hacían, él corrió a la casa de sus suegros para recoger a su esposa, con quien se había casado recientemente. 

“Todos subieron al camión excepto yo: mi padre, mi madre, mis hermanos, mis hermanas, mis tíos, mis tías y sus hijos”, me contó. “Antes de que yo regresara, todos murieron en un único ataque aéreo. Yo sobreviví por casualidad. Todos murieron. No me queda nadie”. 

Dejé de escuchar al distinguido orador y las irritantes preguntas de los miembros descontentos del público y continué hablando con el médico, que me dijo que se llamaba Abdallah. “Mi madre tenía tu edad”, me dijo. “Te pareces a ella. Estaba muy orgullosa de que hubiera terminado la carrera de Medicina”. Volvió a llorar y yo lloré con él. 

Abdallah y su esposa salieron de Gaza a través de Egipto. Ella consiguió una beca de doctorado; él comenzará su residencia en el Reino Unido. Le llevó dos años obtener el permiso para trabajar aquí como médico. Espero que les espere una nueva vida. 

“Tienes que ir a hablar con ella”, le dije cuando Albanese terminó su conferencia. Él se negó. “Probablemente haya escuchado muchas historias como la mía. Hasta ha escrito un libro sobre el tema”. “Da igual”, insistí. “Tienes que contarle tu historia. Tú eres la persona de la que ella está hablando aquí en Londres”.  

A partir de ese momento, el joven perdió el control de su cuerpo. Lo arrastré por las escaleras, abriéndome paso entre la multitud que rodeaba a Albanese. “Tienes que conocer a Abdallah, este joven de Gaza”, le dije en voz alta, como si fuéramos amigos de la infancia. 

Abdallah le estrechó la mano, visiblemente conmocionado, y habló. Ella lo escuchó, lo abrazó y le dijo: “No te calles. Debes contar tu historia en todas partes. Esa es tu misión, porque nadie lo hará por los palestinos, ni siquiera yo. Hablar y compartir te ayuda a curar tus heridas y a sobrellevar el dolor, y ayuda al mundo a comprender y a no olvidar”.

Ahora, en su segundo mandato como relatora especial, Albanese ha sido una de las críticas más abiertas del genocidio de Israel en Gaza y de su largo régimen de ocupación y apartheid, por lo que se le ha prohibido entrar en Israel y ha sido sancionada por la administración Trump el pasado verano. Sin embargo, se niega a dejar de defender y luchar por la justicia. 


En una entrevista con la revista +972 Magazine tras su visita a Londres, habla de la crisis actual del derecho internacional, de por qué el 7 de octubre y el genocidio de Gaza deben ser un punto de no retorno, y de por qué la impunidad de Israel no durará para siempre. 


La entrevista ha sido editada por motivos de extensión y claridad.  


Después de dos años de genocidio retransmitido en directo y ahora de un supuesto “alto el fuego”, parece que el mundo ha dejado de hablar de Gaza. ¿Cómo ve la situación actual? 


Hemos entrado en una nueva fase del genocidio, lejos de los ojos y los oídos de la mayor parte de la comunidad internacional. Creo que esto no se debe solo a la ilusión de “paz”, sino también a que han matado a muchos periodistas allí. Con todas las dificultades que está atravesando la población de Gaza, es muy difícil cubrir todas las masacres que siguen ocurriendo.   


Por eso creo que es tan fácil continuar con el genocidio mientras el mundo sigue con su rutina habitual. Lo mismo ocurrió con los genocidios de Ruanda y Bosnia: sabíamos que estaba ocurriendo algo horrible. Y, francamente, como europeos, debemos recordar que lo mismo pasó con el genocidio del pueblo judío, los romaníes y los sinti, y lo que hoy llamaríamos el colectivo queer hace un siglo [en el Holocausto]. Esto ocurrió dentro de Europa: se sacó a la gente de sus casas y de las calles. La gente lo sabía.  


No es la primera atrocidad que ha ocurrido en la historia del mundo, pero sí es la primera que se ha televisado íntegramente. Me gustaría preguntar a la gente de Israel: ¿Veis lo que se está haciendo en vuestro nombre? Ha habido informes de B'Tselem y otros grupos de derechos humanos, hay soldados que han roto el silencio y algunos incluso se han suicidado. Los israelíes saben lo que le está pasando al pueblo palestino, pero parece que no les importa.   


Tras la masacre de Sabra y Shatila [en 1982], se produjo una revuelta, incluso en Israel. Cuando se conoció la brutalidad del ejército israelí [en la represión de las protestas palestinas] durante la Primera Intifada, hubo una reacción popular. Pero hoy en día, incluso celebran las violaciones [de prisioneros palestinos].   


Siento un enorme respeto por aquellos israelíes que han logrado abrir los ojos y darse cuenta de lo que están haciendo. Es importante que el mayor número posible de israelíes se sume a la lucha contra el apartheid, porque esto también es algo que los mantiene cautivos. No se pueden cometer crímenes y atrocidades y maltratar a otro pueblo sin perder la humanidad por el camino.  


Cuando era joven, me decía a mí misma: si hubiera vivido durante el Holocausto, habría hecho algo. Por eso sigo, a pesar de las dificultades, tan comprometida con documentar y denunciar con precisión lo que está sucediendo en los territorios palestinos ocupados, tal y como me ha encomendado el Consejo de Derechos Humanos de las Naciones Unidas. Porque “nunca más” es todos los días.  


Puedo identificarme con eso. A veces la gente me pregunta por qué escribo en hebreo, árabe e inglés. Es por la misma razón por la que visité Gaza pocas semanas antes de que comenzara la guerra. Si mis nietos me preguntan, quiero poder contarles lo que hice: informé, documenté, aporté pruebas y grabaciones, aunque no fuera suficiente para impedir el genocidio.  


Parece que el derecho internacional está sumido en una profunda crisis. Las violaciones de Israel han sido muy evidentes para la mayoría de la opinión pública mundial, pero no se aplica la ley ni se toman medidas sobre el terreno. ¿En qué situación nos deja eso?   


Como abogada internacional, la respuesta a esta pregunta es sencilla para mí, porque está muy claro lo que hay que hacer y la cuestión puede resolverse de acuerdo con el derecho internacional. La presencia de Israel en los territorios palestinos ocupados ha sido declarada ilegal por la Corte Internacional de Justicia, por lo que Israel debe retirar sus tropas de Cisjordania, Jerusalén Este y la Franja de Gaza. Sé que esto puede parecer una fantasía para muchos israelíes, pero es lo que hay que hacer, porque es inconcebible que a Israel [se le siga permitiendo] gobernar militarmente lo poco que queda de Palestina.   


Sé que esto no lo es todo para los palestinos, pero es un comienzo; podría ser un paso hacia algo más. Muchos piden un Estado democrático, otros piden dos Estados. De una forma u otra, lo que la CIJ declaró en julio de 2024 es que la ocupación es ilegal y debe ser desmantelada total e incondicionalmente, lo que significa retirar las tropas, desmantelar los asentamientos, indemnizar a los palestinos y permitir el regreso de los refugiados desplazados en 1967.  


¿Cree que eso es realista? ¿Puede la comunidad internacional realmente hacer que eso suceda?  


Sin duda, es lo que prescribe el derecho internacional, según la interpretación del máximo órgano judicial del mundo. Hay medios pacíficos y no violentos para hacerlo, y también se puede recurrir a medidas coercitivas cuando un país supone una amenaza para la paz y la seguridad como lo hace hoy Israel, y no solo para Palestina, sino para toda la región. Está bombardeando un país tras otro, respaldado por la impunidad de Estados cuyos líderes pertenecen al siglo pasado y siguen pensando con una mentalidad colonial.   


Pero la nueva generación no es así, y las encuestas lo demuestran. Por lo tanto, no se trata de si Israel se verá obligado a poner fin a sus prácticas de apartheid, sino de cuándo. Porque las cosas van a cambiar. Por eso hago un llamamiento a los israelíes para que se sumen a esta causa y ayuden a conseguirlo. Para ello, tendrán que renunciar no a sus derechos, sino a sus privilegios, privilegios que han tenido a costa de todo un pueblo.   


Entiendo que muchos israelíes puedan sentirse inseguros y desprotegidos. Pero es posible que no vuelvan a estar seguros y protegidos jamás si siguen sembrando resentimiento a su alrededor. Hay formas de garantizar la estabilidad y la seguridad de Israel sin oprimir a otros. Y todavía hay tiempo para probarlas.   


Sin embargo, lo que estamos viendo ahora mismo es cómo toma forma la “Junta de Paz” de Trump, que se creó aparentemente para supervisar el alto el fuego en Gaza, pero que parece tener planes que van mucho más allá de la Franja, incluso rivalizando con la ONU. 


El futuro de Gaza, al igual que el del resto de los territorios palestinos ocupados, debe estar en manos de los palestinos. Es su autodeterminación. Es desconcertante ver cómo un grupo que no emana de la voluntad del pueblo palestino se encarga de “reconstruir” Gaza. Y es preocupante ver cómo la ONU queda relegada a un segundo plano y cómo el proceso está liderado por un Estado –Estados Unidos– que no es una parte desinteresada y que ha apoyado en gran medida la destrucción de Gaza. 


La población de Gaza está extremadamente agotada y traumatizada. Es necesario garantizar su cuidado y bienestar, pero esto no se ve por ninguna parte [en los debates en torno a la Junta de Paz]. Más aún, se han cometido atrocidades en Gaza que deben investigarse. Hay pruebas que recopilar antes de que pueda llevarse a cabo la reconstrucción, por lo que se debe permitir la entrada de investigadores independientes.  


Cuando publiqué una foto en Facebook de nosotras dos después de tu conferencia en la SOAS, algunas de mis colegas feministas judías israelíes me eliminaron de su lista de amigos porque creen que has negado, aunque sea implícitamente, que Hamás cometió violaciones y otras formas de violencia sexual contra mujeres israelíes el 7 de octubre o después. ¿Puedes aclarar tu postura al respecto?  


Nunca he negado que se produjeran abusos sexuales. Esto ha quedado ampliamente documentado. Hay pruebas en vídeo de [rehenes] con sus partes íntimas expuestas o en estrecho contacto con sus secuestradores, por ejemplo. Reconocí y condené los abusos sexuales denunciados por la Comisión de Investigación de las Naciones Unidas y me solidarizo con esas mujeres.  


Lo que sí dije es que, personalmente, no vi ningún testimonio de personas que fueran violadas el 7 de octubre y que, del mismo modo, no había aparecido ninguna prueba de “violaciones masivas” ese día, a pesar de que esta sigue siendo una acusación recurrente.  


Soy consciente de que las víctimas de violencia sexual y violación tienen dificultades para hablar, y lo respeto enormemente. Pero lo que he dicho, y lo que he condenado, es el hecho de que hubo acusaciones generalizadas de violaciones masivas, y dije que no hay pruebas de ello, al igual que las [acusaciones de] bebés decapitados o bebés metidos en un horno. Estas son las tres cosas que se siguen repitiendo en varios países europeos, incluido el mío.   


Siempre he condenado los ataques contra civiles que se cometieron el 7 de octubre. He dicho que atacar, matar y secuestrar a civiles es un crimen de guerra. No importa si las víctimas son palestinas o israelíes. De hecho, en mi primera entrevista después del 7 de octubre, mi deseo era que la comunidad internacional, incluidos aquellos que suelen ponerse del lado de los palestinos, mostrara sabiduría y compasión, porque ese fue un momento de enorme sufrimiento para los israelíes, uno que podría haberlos acercado a los palestinos, cuyo trauma se ha convertido en intergeneracional.   


También fue un día muy duro para mí. Mientras veía las imágenes del 7 de octubre, y durante varios días después, me preguntaba cómo sería capaz de seguir haciendo este trabajo. 


Hoy me pregunto: ¿el hecho de que los niños palestinos sean secuestrados uno por uno en mitad de la noche, 700 de ellos cada año, los hace menos rehenes? ¿Es menos brutal que los palestinos sean asesinados por centenares cada dos años cuando Israel necesita descargar su armamento contra Gaza en otra guerra “preventiva” más?   


Por eso debemos asegurarnos de que esto sea el final. Porque los palestinos han sufrido demasiado, y los israelíes también. Este es el punto de no retorno, desde el que debemos avanzar hacia un lugar menos oscuro.   


Pero, en cambio, todo el mundo ha estado avivando las llamas, e Israel ha recibido el apoyo incondicional de gran parte de Occidente.  


Es cierto. ¿Por qué se apoyaría incondicionalmente a cualquier Estado? El respeto de los derechos humanos siempre debe ser una condición para el apoyo. El respeto del derecho internacional humanitario debe ser una condición para el apoyo.  


Según el derecho internacional, un Estado tiene derecho a protegerse, pero no a masacrar a otro pueblo. Incluso el ejército israelí [sabe] que alrededor del 85 % de las personas que mató en Gaza eran civiles. Por eso digo que tenemos que marcar un límite, que tenemos que ser racionales, que tenemos que reconocer la humanidad del otro y que tenemos que reconocer que Israel lleva oprimiendo a los palestinos con prácticas de apartheid desde hace más tiempo del que muchos palestinos pueden recordar. 


Cuando la gente me pregunta si Israel tiene derecho a existir, respondo simplemente: Israel existe y, como miembro de la comunidad internacional, tiene que cumplir el derecho internacional. Pero lo que muchas de las personas que hacen esa pregunta parecen estar planteando es el derecho de Israel a existir como Estado de apartheid, sin rendir cuentas. No. Israel no tiene derecho a comportarse por encima de la ley o en contra de la ley.  


Israel no es una excepción. Debe bajar de su pedestal y darse cuenta de que, aunque todavía pueda contar con el apoyo de líderes fuertes, esto no durará para siempre. La opinión pública en Europa está cambiando, y el hecho de que el movimiento de solidaridad esté siendo severamente reprimido no ayuda a presentar a Israel bajo una luz más favorable.  


En 2024, Alemania detuvo a más personas judías que en cualquier otro año desde el Holocausto. ¿Por qué? Porque se oponían a la violencia israelí en Gaza. El Reino Unido ha estado criminalizando a las organizaciones propalestinas y tratando a las ONGs y a los periodistas como terroristas. Francia ha estado prohibiendo las protestas. E Italia se está volviendo cada vez más estricta en la negación de la libertad de expresión y de asociación.  


El año pasado, usted escribió un informe que investigaba a las empresas privadas cómplices del genocidio y la ocupación de Israel, algo por lo que la ONU no suele ser conocida. ¿Por qué era importante para usted ir más allá del nivel de los gobiernos para denunciar a las empresas que se benefician de estas violaciones del derecho internacional?  


He pasado los últimos dos años investigando el genocidio. En cierto momento, me di cuenta de que, mientras mucha gente, incluidos los israelíes, perdía sus ingresos, la economía palestina se derrumbaba y moría tanta gente, la bolsa israelí seguía subiendo; creció más del 200 % de su valor. Y esto se debe a que existe una interconexión entre los actores privados: bancos, fondos de pensiones, empresas militares, empresas de vigilancia y muchos otros se estaban beneficiando de ello.  


Ya existía una economía de ocupación que había permitido el desplazamiento y la sustitución de los palestinos, por lo que podría haber escrito ese informe hace años. Pero estas empresas siguieron participando incluso cuando quedó claro que Israel posiblemente estaba cometiendo el delito de genocidio, como concluyó la Corte Internacional de Justicia en sus medidas preliminares en enero de 2024. Las normas empresariales y de derechos humanos deberían haber llevado a estas empresas a interrumpir sus actividades en los territorios palestinos ocupados, pero siguieron participando. Por eso era necesario sacarlo a la luz.  


Y no solo hablamos de empresas israelíes, sino también de empresas occidentales y otras. Aquí existía la posibilidad de exigir responsabilidades más allá de Israel.  


Como resultado de su trabajo, usted misma ha sido objeto de sanciones por parte del Gobierno de Estados Unidos. ¿Cómo ha afectado esto a su vida y a su capacidad para realizar su trabajo?  


La censura financiera tiene enormes implicaciones, que afectan tanto a mi trabajo como a mi vida privada. No puedo abrir una cuenta bancaria en ningún sitio, lo que significa que no puedo pedir un taxi, reservar una habitación de hotel ni comprar nada a menos que pueda hacerlo en efectivo. También se me ha impedido viajar a Estados Unidos, y muchos ciudadanos estadounidenses han dejado de relacionarse conmigo porque corren el riesgo de ser acusados de cometer un delito grave según la legislación estadounidense, que conlleva una pena de hasta 20 años de cárcel y una multa de un millón de dólares. Es absurdo.  


Se puede estar de acuerdo o en desacuerdo con lo que digo y hago. Pero me han castigado por mi trabajo, sin derecho a apelación, sin que se demostrara que estaba equivocada y violando mi estatus en la ONU, que me otorga privilegios e inmunidades por las acciones realizadas en el contexto de mi trabajo.  


Su nuevo libro, When the World Sleeps: Stories, Words, and Wounds of Palestine (Cuando el mundo duerme: historias, palabras y heridas de Palestina), se publicará en inglés en abril de este año. ¿Qué lecciones espera que los lectores extraigan de él?    


El libro es un viaje por Palestina que nace de mi experiencia de vivir allí, trabajar allí y ser relatora especial. Quería contar la historia de Palestina tal y como la he conocido a través de diversas personas –palestinos e israelíes– para poder presentar y desentrañar diversos temas.  


Ha sido un éxito de ventas en Italia y se ha traducido a más de 16 idiomas. Creo que a la gente le gusta porque provoca un despertar, y permite comprender los problemas del presente y del pasado de una manera holística. Todo se pone en contexto. Es muy humano, no es crítico. También puede ser difícil de leer, porque hay historias de niños y de personas que ya no están con nosotros. Pero la gente parece apreciarlo mucho.  


Y, por último, ¿cuál es su mensaje hoy para los palestinos y para los israelíes que se oponen al genocidio, el apartheid y la ocupación?   


Los vemos. No están solos. El movimiento de derechos humanos ha despertado gracias a Palestina y a lo que ha sucedido en los últimos dos años. La gente ahora reconoce la interconexión entre diversas formas de injusticia y diversas formas de resistencia pacífica a la injusticia. Quiero que esta resistencia pacífica se normalice en lugar de la violencia.

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Samah Salaime es una activista y escritora feminista palestina.

Esta entrevista se publicó en +972 Magazine, el pasado 21 de enero

[Foto: Rafael Medeiros - fuente: WWW.ctxt.es] 

Dois ex-advogados de Pinochet vão ser ministros no governo de Kast

Novo presidente chileno, que toma posse a 11 de março, escolheu Fernando Rabat para a Justiça e Direitos Humanos, para desagrado das famílias das vítimas da ditadura. Fernando Barros fica na Defesa. 

Muitos independentes no governo de Kast, que toma posse a 11 de março.

Escrito por Susana Salvador

 

Entre os muitos técnicos e independentes que o chileno José Antonio Kast nomeou para o seu governo, que toma posse a 11 de março, há dois nomes que chamaram a atenção: Fernando Rabat e Fernando Barros. Os dois foram advogados do ex-ditador Augusto Pinochet, sendo que o primeiro vai assumir a pasta da Justiça e Direitos Humanos, o que já gerou críticas da parte das associações de famílias de desaparecidos e vítimas. O segundo será ministro da Defesa. 

"Este gabinete não nasceu de quotas, cálculos ou pressões. Nasceu de uma profunda convicção e de uma vocação partilhada: colocar sempre o Chile em primeiro lugar", disse o ultraconservador de 59 anos, que derrotou a candidata de esquerda Jeanette Jara na segunda volta das presidenciais chilenas, a 14 de dezembro. 

"O Chile precisa de bom-senso, sentido de urgência e, acima de tudo, de união nacional. Todos somos chamados a algo que vai muito para além das disputas políticas", acrescentou, na apresentação do executivo. 

O seu governo terá ex-ministros da direita e da esquerda, mas a maioria dos escolhidos são técnicos e independentes. 

Entre os independentes houve contudo dois que geraram polémica: Fernando Rabat e Fernando Barros. Em comum têm não só o primeiro nome, mas o facto de terem sido advogados de Pinochet, que esteve à frente dos destinos do Chile após o golpe de 1973 e até 1990.  

Fernando Rabat - Justiça  

Fernando Rabat e Kast

Fernando Rabat, de 53 anos, estreia-se no governo depois de deixar o escritório privado onde trabalha há décadas -- e no qual foi sócio do falecido Pablo Rodríguez Grez, que fundou o Pátria e Liberdade (movimento de extrema-direita que cometeu atentados contra Salvador Allende).  

Formado na Faculdade de Direito da Universidade dos Andes e especialista em direito civil, sendo professor na Universidade do Desenvolvimento, Rabat integrou ainda jovem a equipa que defendeu Pinochet.  

Esteve envolvido no Caso Riggs (referente às contas bancárias secretas nos EUA, para onde terá desviado mais de 21 milhões de dólares em fundos públicos) e no caso da Operação Colombo (desenvolvida pela polícia secreta DINA para encobrir o desaparecimento de 119 opositores).  

Pinochet morreu em 2006, sem ter sido condenado.  

A nomeação de Rabat foi criticada pela Associação de Familiares de Detidos e Desaparecidos, que indicou que "constitui uma ofensa direta à memória das vítimas da ditadura e das suas famílias". Esta nomeação "reafirma um historial de apologia da ditadura e um compromisso com a impunidade", acrescentaram.  

Kast é o primeiro presidente da era democrática a ter apoiado o regime militar, embora tenha evitado abordar o assunto durante a sua terceira tentativa de chegar ao palácio La Moneda.  

A possibilidade de, durante o seu mandato, poder conceder indultos a quem violou os direitos humanos, cortar verbas para a manutenção de monumentos às vítimas e interromper a busca de desaparecidos está entre as preocupações da futura oposição.   

Fernando Barros - Defesa   

Fernando Barros

O presidente escolheu outro advogado, um dos maiores especialistas em direito tributário, para a pasta da Defesa. Fernando Barros, de 68 anos, é apelidado pelo jornal chileno La Tercera como "o escudeiro" de Pinochet, tendo defendido o antigo ditador no seu processo em Londres por crimes contra a humanidade, incluindo acusações de genocídio e tortura.   

Barros, que estudou Direito na Universidade do Chile e se especializou em direito tributário em Harvard e na London School of Economics, e a sua mulher estavam em 1998 num ano sabático na Europa, quando o advogado acabou por transformar-se no porta-voz de Pinochet, depois de este ser detido na capital britânica a pedido do juiz espanhol Baltasar Garzón. Como parte da operação de relações públicas, conseguiu que Margaret Thatcher fosse visitar o antigo ditador na casa onde cumpria prisão domiciliária.   

Após 17 meses de batalhas jurídicas, Pinochet seria libertado por razões de saúde em 2000, regressando ao Chile. A relação de Barros com Pinochet (e a sua amizade com o seu filho Marco António Pinochet) levaram-no também a participar na defesa do caso Briggs, em 2005.   

Apesar de ser independente, o católico conservador e pai de 13 filhos esteve sempre ligado à direita tradicional, tendo trabalhado durante mais de três décadas com o ex-presidente Sebastián Piñera, assumindo a parte jurídica dos seus vários negócios. Além de advogado, já se sentou nos conselhos de administração de várias empresas. Atualmente estava na sociedade de investimentos Odisea, que administra o património da família Piñera.   

Outros ministros 

A maioria dos escolhidos pode ser independente (16 em 24), o que causou críticas entre os diferentes partidos que o apoiaram, mas há também políticos experientes no executivo de Kast. E nem todos da direita. Entre os 24, há 13 homens e 11 mulheres.   

"Não lhes pedi lealdade pessoal ou com um partido político. Pedi-lhes lealdade com o Chile", afirmou o presidente eleito.   

novo ministro do Interior será Claudio Alvarado, militante da União Democrática Independente (direita tradicional), que já foi autarca, deputado e senador. Esteve nos dois mandatos de Piñera, e Kast tinha-o já escolhido para supervisionar a transição de poder do governo de Gabriel Boric.   

chefe da diplomacia será Francisco Pérez Mackema, que militou no Renovação Nacional (direita) e foi diretor-geral da Quiñenco, empresa associada à família mais rica do Chile. Neste cargo, estabeleceu ligações no setor do comércio internacional e junto com governos estrangeiros, segundo o El País.   

Ministério das Finanças ficará nas mãos do economista e consultor Jorge Quiroz, que vai ter supremacia dentro de toda a equipa económica. Foi o coordenador económico da campanha de Kast, tendo ganhado fama por criticar as medidas económicas do presidente Boric.    

Para a pasta da Segurança, Kast foi buscar outra advogada, atual procuradora regional de Taracapá, Trinidad Steinert. Ganhou destaque pelos processos contra os membros do Tren de Aragua, a organização criminosa transnacional de origem venezuelana, assim como pela investigação aos casos de narcotráfico entre as Forças Armadas.   

Uma das figuras da extinta Concertação, a coligação de centro-esquerda que governo o Chile depois da queda do regime de Pinochet e até 2010, será ministro da Agricultura. Jaime Campos era militante do Partido Radical (que foi dissolvida por não conseguir os mínimos nas legislativas de novembro). Já esteve à frente da pasta da Agricultura no governo de Ricardo Lagos (entre 2000 e 2006), tendo uma década depois sido ministro da Justiça e Direitos Humanos de Michelle Bachelet.  

Outra representante do centro-esquerda é a até agora senadora Ximena Rincón, que será ministra da Energia. Foi ministra do Trabalho de Bachelet, sendo ex-militante do Partido Democrata Cristão, do qual se afastou para fundar o Democratas (centro, opositor ao governo de Boric).

 

[Fotos: EPA/ADRIANA THOMASA - fonte: www.dn.pt]