quarta-feira, 4 de novembro de 2026

Biblioteca Nacional de Espanha celebra obra e influência de Camões com exposição inédita

A Biblioteca Nacional de Espanha, em Madrid, abre na terça-feira, 3 de novembro, as portas de uma exposição dedicada à vida, obra e influência na cultura hispânica de Luís de Camões, com base num "património importante" de obras, incluído algumas “joias”. 


A exposição "Camões. Vida, obra e permanência na cultura hispânica" será inaugurada pelos chefes de Estado de Portugal e de Espanha, o presidente António José Seguro e o rei Felipe VI, e ficará aberta ao público até 14 de fevereiro de 2027, com entrada gratuita.

Durante estes meses, será possível visitar uma exposição que tem como base obras e coleções que estão à guarda da Biblioteca Nacional de Espanha (BNE), numa "seleção fantástica e irrepetível, que procura honrar a memória de um dos maiores escritores da literatura universal", segundo uma informação divulgada pela instituição.

A exposição integra, por exemplo, algumas das primeiras edições e as primeiras traduções para castelhano de "Os Lusíadas", sendo maioritariamente formada por obras que pertencem à própria BNE.

Mas estarão também em Madrid obras que foram levadas desde várias instituições em Portugal propositadamente para esta exposição, como a única edição que se mantém completa hoje de "Saudades da Terra" (escrito entre 1586 e 1590), de Gaspar Frutoso.

"Uma joia", que viajou para Madrid desde a Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada, nos Açores, contou à Lusa Manuel de Morais Sarmento Pizarro, da comissão de acompanhamento da exposição, que funciona na Embaixada de Portugal em Madrid.

Estarão ainda em exibição na BNE, vindas de Portugal, obras cedidas pelo Museu Militar de Lisboa (de José Malhoa) e pelo Museu de Lisboa (o quadro "A Morte de Camões" de Francisco Augusto Metrass).

A Biblioteca Nacional de Espanha "conserva um importante património sobre Portugal e a sua história literária" e esta exposição convida também "a descobrir a cultura e riqueza do povo português", segundo a instituição.

Presença Ibérica

Através das peças e coleções que vão ser expostas, Luís Vaz de Camões "é apresentado como produto de um contexto histórico e cultural ibérico e simultaneamente como fonte de inspiração para autores dos dois lados do Atlântico", explicou a BNE.

A exposição está organizada em quatro grandes blocos e o comissário, professor e doutor em Filologia Românica Aurelio Vargas Díaz-Toledo, da Universidade Complutense de Madrid, escolheu as obras à guarda da BNE “de maior relevância para cada um dos núcleos", explicou Manuel de Morais Sarmento Pizarro.

O primeiro bloco está dedicado aos "antecedentes e contextualização histórico-literária de Portugal" e o segundo pretende "mostrar o ambiente cultural" de Camões, nomeadamente, "obras e autores clássicos, peninsulares e italianos que, de um amaneira ou outra influenciaram decisivamente” Camões.

O terceiro bloco é o dedicado ao "universo literário de Camões" e será possível neste núcleo ver uma seleção de obras do autor português conservadas na BNE, como primeiras edições ou as traduções para castelhano de "Os Lusíadas". Este bloco integra outras obras de Camões, assim como a edição comentada de "Os Lusíadas" de Manuel de Faria y Sousa, publicada em Madrid em 1639 e, realçou a BNE, "considerada um marco no processo de canonização de Camões dentro da literatura castelhana".

O quarto bloco da exposição centra-se na "projeção de Luís de Camões na cultura hispânica" e integra uma seleção de obras "do mundo literário hispânico" de autores como Rosalía de Castro, Francisco Villaespesa ou Jorge Luis Borges.

Segundo a BNE, a exposição termina com o escritor espanhol Antonio Muñoz Molina, autor do livro "Un andar solitario entre la gente", título que retirou do verso "É um andar solitário entre a gente", do soneto "Amor é fogo que arde sem se ver", de Camões.

A exposição "Camões. Vida, obra e permanência na cultura hispânica" resulta de uma colaboração do Governo de Portugal com a BNE (tutelada pelo Ministério da Cultura espanhol). Insere-se na programação desenvolvida dentro da Estrutura de Missão para as Comemorações do V Centenário do nascimento de Luís de Camões, prevista para o período 2024-2026.

As entidades envolvidas assumem que esta exposição é um "ponto alto" e pretende fechar "com chave de ouro" a programação internacional destas comemorações.

 

[Fonte: www.dn.pt]

La familha Le Pen vendèt de disques prònazis e antisemitas

Una societat familhala dirigida per Marie-Caroline Le Pen, amb Marine Le Pen coma accionària, reeditèt de discorses antisemitas e de cants nazis  


Escrich per Jòrdi Ràfols 

Dins los ans 1990, Marie-Caroline Le Pen dirigissiá la Sèrp —non pas lo reptil mas l’acronim de “Societat d’Estudis e de Relacions Publicas”—, un ostal d’edicion musicala que reeditava de discorses collaboracionistas e de cants nazis. Sa sòrre Marine figurava tanben demest los accionaris.

La Sèrp, fondada en 1963 per Jean-Marie Le Pen, comercializèt pendent mantun decenni d’enregistraments ligats a l’extrèma drecha radicala. Segon una enquista publicada dins Libération, sa filha màger, Marie-Caroline Le Pen, perseguiguèt aquela activitat après aver pres la direccion de l’entrepresa en 1992.

Lo catalòg èra long. Compreniá de discorses antisemitas de Philippe Henriot, ministre de l’informacion e de la propaganda del regim de Pétain, de cants de la Wehrmacht (las fòrças armadas de l’Alemanha nazi) e de la Waffen-SS (la branca militara de l’SS), aital coma d’entretens amb Léon Degrelle, ancian collaborador bèlga del regim nazi e amic personal de Jean-Marie Le Pen. Demest sas publicacions tanben figuravan de tèxtes del poèta antijosieu e collaboracionista Robert Brasillach, qu’escriguèt dins lo jornal d’extrèma drecha Je suis partout.

L’istorian Jonathan Thomas, dins son libre sus la Sèrp publicada en l’an 2000 (La propagande par le disque), disiá: «Es pas solament de nazisme, es tanben lo faissisme, lo reialisme o de tèxtes negacionistas». Las pochetas presentavan sovent aqueles documents coma de testimoniatges istorics, sens vertadièra mesa a distància de lor contengut ideologic.

Los documents consultats per Libération mòstran d’autre caire que Marie-Caroline Le Pen possedissiá gaireben un tèrç del cabal de la societat, mentre que los sòrres Marine e Yann Le Pen ne detenián caduna un 8%. La Sèrp assegurèt la comunicacion audiovisuala del Front Nacional, amb un contracte d’exclusivitat.

La societat cessèt sas activitats lo 30 de març de 2000, mentre que Marie-Caroline Le Pen n’èra encara la gerenta. La liquidacion judiciària foguèt prononciada en octòbre de 2008.

La remembrança d’aqueles faches es importanta del temps que Mediapart a revelat los devises antisemitas de Jordan Bardella, ça que la trionfalament reelegit a la presidéncia del Recampament Nacional. 

[Sorsa: www.jornalet.com]

Abdul El-Sayed: chi è il primo senatore musulmano eletto nella storia degli Stati Uniti

Medico di formazione, figlio di immigrati egiziani e di fede islamica, dopo aver perso nel 2018 la corsa a governatore del Michigan si è costruito un seguito tra podcast e tv, per poi battere il repubblicano Mike Rogers sotto il tiro incrociato di Trump, dell’AIPAC e di una deputata del suo stesso partito

Il senatore degli Stati Uniti eletto in Michigan, Abdul El-Sayed. 

di Andrea Lanzetta 

«Mi chiamo Abdul Rahman Mohamed El-Sayed». Nel discorso della vittoria, il neo-senatore degli Stati Uniti del Michigan, il primo di fede musulmana mai eletto a Washington, ha scandito il suo nome per intero, facendo il verso al presidente Donald Trump, che lo aveva deriso più volte, chiamandolo «Mohammed». Con il 52,3% e oltre 300mila voti in più, oggi ha battuto in Michigan l’ex deputato repubblicano Mike Rogers, appoggiato all’ultimo momento anche dalla sua sfidante sconfitta alle primarie democratiche Haley Stevens. Così il medico democratico di 42 anni, figlio di immigrati egiziani, nato e cresciuto nei dintorni di Detroit, è diventato il primo musulmano eletto al Senato degli Stati Uniti. Il seggio, finora occupato dell’ex senatore democratico Gary Peters, resta al suo partito, mentre ai repubblicani sfugge una delle migliori occasioni per frenare l’onda democratica di queste elezioni di midterm 2026. Ma il record dice poco del personaggio e per capire chi è e come sia arrivato a Washington bisogna fare un passo indietro.

Da Rochester Hills alla medicina, alla politica

Nato il giorno di Halloween del 1984 a Rochester Hills, a nord di Detroit, la sua prima lingua è stata l’arabo. Tanto che il suo nome completo, ha scherzato più volte El-Sayed, contiene «suoni che escono da parti della gola che la gente non sa di avere». Pur essendo nato in un sobborgo di Detroit, è cresciuto nel sud-est del Michigan insieme ai genitori immigrati egiziani, divorziati quando lui aveva soltanto tre anni. Il padre, Mohamed, originario di Alessandria d’Egitto, emigrò negli Usa per proseguire gli studi universitari in ingegneria meccanica alla Wayne State University. La madre Fatten El-Komy, invece, lavora come infermiera in Missouri. Il giovane Abdul però è stato cresciuto dal padre e dalla sua nuova moglie, anche lei ingegnere meccanico, Jacqueline Johnson, originaria della contea di Gratiot, in Michigan.

Diplomatosi nel 2003 alla Bloomfield Hills Andover High School, dove praticava wrestling, football e lacrosse, si è poi specializzato in biologia e scienze politiche all’Università del Michigan, dove divenne un pilastro della locale squadra di lucrose. Nel 2007, dopo aver parlato a nome dei laureati triennali dell’Università, si sentì suggerire dall’ex presidente Bill Clinton, intervenuto alla stessa cerimonia, di pensare un giorno a una candidatura. Allora lui, come raccontato dal TIME, si mise a ridere. «Non so se ha visto il mio nome», gli rispose. «Per me non funzionerà». Tre giorni dopo Clinton gli scrisse direttamente: «Caro Abdul, il tuo discorso di laurea è stato splendido: ti auguro ogni bene e cercherò di vivere abbastanza a lungo da avere bisogno di te come mio medico». Dottore lo è diventato davvero, con la laurea al Columbia University College of Physicians & Surgeons nel 2014, e un dottorato di ricerca all’Oriel College di Oxford, dove era arrivato con una borsa di studio Rhodes e da capitano di lacrosse aveva ottenuto il “full blue”, il massimo riconoscimento sportivo dell’ateneo britannico.

Nominato docente associato presso il Dipartimento di epidemiologia della Mailman School of Public Health dell’Università di Columbia, la professione vera, però, non l’ha mai davvero esercitata. Una decisione presa, ha raccontato più volte, dopo aver curato un paziente durante gli studi, quando capì di voler affrontare i problemi del sistema più che prendersi cura dei singoli malati. Nel 2015, a poco più di 30 anni, divenne responsabile della sanità di Detroit. «Abdul non era destinato a fare il politico», riassume il sito della sua campagna elettorale. «Ha studiato per diventare medico, ma ha capito che era la nostra politica disfunzionale a far ammalare le persone». Non a caso, tra i risultati rivendicati con orgoglio da direttore della sanità della contea di Wayne, un incarico ottenuto nel dicembre 2022 e ricoperto fino al dicembre scorso, c’è l’approvazione di un programma per cancellare fino a 700 milioni di dollari di debiti sanitari, anche se finora l’amministrazione è riuscita a estinguere di fatto soltanto poco più di 57 milioni per circa 83.200 persone.

Ma se per il suo esordio politico fu scelto direttamente dall’allora sindaco di Detroit, Mike Duggan, la sua prima vera candidatura fu quella a governatore. Nel 2017, infatti, lasciò il Comune, spinto, disse allora, dal lavoro sulla crisi idrica a Flint per ottenere la massima carica dello Stato. Alle primarie del 2018, però, nonostante avesse raccolto un gran seguito e ben 5 milioni di dollari di donazioni individuali e avesse incassato il sostegno del senatore statunitense Bernie Sanders, della candidata democratica al Congresso, Alexandria Ocasio-Cortez, la sua sfidante e presto ex governatrice Gretchen Whitmer lo sconfisse con oltre venti punti di margine. «Era come dire: “Tutto si muove velocissimo. Non so a cosa prestare attenzione”», ha ricordato di recente, paragonando quella corsa alla prima volta in cui, a lacrosse, si gioca in una categoria superiore. Seguirono un podcast, un libro, presenze fisse su YouTube e in tv, in attesa di un’occasione che non sapeva se sarebbe arrivata. Alla fine però giunse nell’aprile dell’anno scorso con la rinuncia a sorpresa di Peters al suo seggio al Senato federale. Così El-Sayed lanciò la propria campagna per le primarie democratiche con uno staff di una manciata di collaboratori. «Ad aprile ricordo di aver parlato a una stanza di cinque persone», ha detto subito dopo il voto, ricordando quei primi mesi.

Dopo il ritiro della senatrice dello Stato Mallory McMorrow a luglio, la narrativa mediatica della campagna si trasformò presto in una lotta tra il riformismo di El-Sayed e l’ala moderata del partito, sostenuta dall’establishment e rappresentata dalla deputata statunitense Haley Stevens. Ad agosto, però, vinse il neo-senatore, anche se per soli 14.893 voti, meno di un punto percentuale su oltre 1,5 milioni di preferenze, contro una rivale sostenuta dalla governatrice uscente Whitmer, dal senatore Peters, dal leader dell’opposizione alla Camera, Chuck Schumer, e da oltre 60 milioni di dollari di donazioni, di cui 33 milioni erogati dalla lobby filo-israeliana dell’American Israel Public Affairs Committee (AIPAC) e dalla sua affiliata United Democracy Project. «Con le parole di Muhammad Ali, abbiamo scosso il mondo», disse allora El-Sayed davanti alla statua dello Spirit of Detroit, preparandosi a sfidare il repubblicano Mike Rogers.

Il programma, il nome e la fede

La sua vittoria ha scatenato un’ondata di retorica anti-musulmana da parte dei suoi avversari, che lo hanno etichettato come un candidato «radicale», in particolare per le sue posizioni di denuncia del «genocidio» a Gaza, su cui si era già scagliato contro l’amministrazione Biden e Kamala Harris nel 2024. Rifiutando l’etichetta di «socialista», che invece molti suoi sostenitori rivendicano, ha definito le posizioni su Israele una specie di test di Rorschach morale per i politici americani. «Se non riesci a chiamarlo per quello che è, cioè un genocidio, come pensi di opporti a Donald Trump?», ha detto una volta alla rivista britannica TIME. Alla CNN, invece, ad aprile, ha detto: «Hamas: malvagio. Governo israeliano: malvagio. Possiamo dire entrambe le cose». Non a caso, gli attacchi peggiori sono arrivati da destra.

A un comizio in Michigan, nove giorni prima del voto, il presidente Donald Trump ha descritto El-Sayed, senza fondamento, come un membro della Fratellanza Musulmana e ha avvertito che, se avessero vinto lui e i democratici, avrebbero invitato «orde di jihadisti» sulle coste americane. Poi, in caso di elezione, il magnate ha chiesto di far passare il neo-senatore dal metal detector per entrare in Campidoglio e lo ha chiamato più volte con il suo secondo nome, Mohamed. Il vicepresidente JD Vance lo ha invece accusato di sostenere la «legge della sharia», mentre l senatore John Kennedy ha detto che El-Sayed «dorme con una maglia di bin Laden». Lo stesso sfidante repubblicano Mike Rogers ha rilanciato accuse infondate sui legami della famiglia con il movimento dei Fratelli Musulmani, da cui El-Sayed ha sempre preso le distanze. A un incontro con gli elettori, a chi gli chiedeva se condannasse il gruppo, fece notare che dietro la domanda si nascondeva il presupposto che un musulmano abbia una «doppia lealtà» e debba necessariamente scegliere tra religione e nazione. «Non mi candido per essere un senatore musulmano», disse allora. «Mi candido al Senato degli Stati Uniti e mi capita di essere musulmano».

Eppure il suo programma sta tutto in una riga: «Soldi fuori dalla politica, soldi nelle vostre tasche e assistenza sanitaria per tutti». Sull’ultimo punto vanta un’esperienza di prima mano: «Ho letteralmente scritto il libro sul “Medicare for All” perché l’assistenza sanitaria è un diritto umano, non un privilegio». Una posizione che non ha nulla a che fare con gli addebiti dei suoi avversari.

Il significato della sua vittoria

Non tutti i colpi, però, sono arrivati da destra. A marzo un uomo ha lanciato un camion contro la sinagoga Temple Israel di West Bloomfield, sfiorando le aule dei bambini, ed El-Sayed, che ha condannato l’attacco, ha scatenato l’indignazione dicendo in un video che «le persone ferite feriscono altre persone», con riferimento ai parenti che l’aggressore aveva perso in un raid israeliano in Libano. Si è scusato, ma molti elettori ebrei hanno letto in quelle parole una giustificazione, mentre lui respingeva l’accusa di antisemitismo. Criticare il governo israeliano, ha sempre detto, non significa essere antisemiti. Hanno fatto discutere anche le sue apparizioni con Hasan Piker, l’influencer radicale secondo cui «l’America meritava l’11 settembre». «Se essere perfettamente inoffensivi bastasse a vincere le elezioni», rispose El-Sayed ad aprile ai giornalisti, «Donald Trump non sarebbe mai diventato presidente». Il colpo più clamoroso, però, è arrivato la domenica prima del voto, quando Haley Stevens, che dopo le primarie aveva promesso di sostenerlo, si è presentata in una chiesa di Detroit al fianco dello sfidante repubblicano Mike Rogers: «Sono qui con la persona che voterò per il Senato degli Stati Uniti e questa persona è Mike Rogers». «Niente di tutto questo conta», ha minimizzato allora El-Sayed.

Eppure ha vinto, in uno Stato dove, secondo un sondaggio del New York Times condotto a settembre, solo il 34 per cento degli elettori probabili approvava l’operato di Trump. Ai democratici offre un controargomento a chi, tra i moderati, sostiene che i progressisti siano troppo vulnerabili negli Stati in bilico, e sarà una pietra di paragone nel dibattito su che partito vogliano essere. «Non mi importa come pronuncia il mio nome», disse El-Sayed rispondendo a Trump da un comizio di Grand Rapids. «Perché può benissimo continuare a chiamarmi “senatore”. Per te sarò il senatore Mohamed, bro». Una risposta che ha tutta l’aria di una promessa mantenuta. 

[Foto: ZUMAPRESS/AGF - fonte: www.tpi.it]

CD : intégrale de l’œuvre pour piano de Schoenberg

Pour son premier album sous label Alpha, Pierre-Laurent Aimard offre l'intégrale des œuvres pour piano solo de Schoenberg. Un projet qui lui tenait particulièrement à cœur et longuement maturé, s'agissant d'une première au disque pour lui. Le résultat est à la hauteur de l'attente.

Écrit par Jean-Pierre Robert 

La production laissée au piano seul par Arnold Schoenberg s'étend de 1909 à 1931. Constituée de quatre cycles et d'un diptyque, pour un total de moins d'une heure de musique, elle couvre son entière période créatrice et en illustre les diverses phases. De celle non tonale (opus 11 & 19), à la phase de la série dodécaphonique (opus 23 & 25), pour finalement, dans le vocabulaire qui lui est propre, un retour aux formes classiques héritées de Brahms. Le grand compositeur allemand aura été la boussole pour l'élaboration d'un langage entièrement nouveau qui marquera la littérature pianistique du début du XXème siècle, aux côtés des deux autres membres de la Nouvelle École de Vienne, Berg et Webern. Chez un musicien lui-même non-pianiste, on est en présence d'une forme d'écriture expérimentale marquée par une étonnante densité d'idées malgré la brièveté des pièces.   

Dans le sillage des derniers opus de Brahms, les Trois Pièces pour piano op.11 (1909) marquent l'abandon de la tonalité. Des deux premières, d'indication ''Modéré'', la seconde se signale par son ostinato de deux notes graves à la main gauche, tel un lancinant balancement, qui ouvre et conclut le morceau. Un développement plus énergique intervient au médian. Tout en contraste, la troisième pièce, ''Animé'', libère une sorte d’éclatement de vitalité. Et une variété d’idées. Les Six Petites pièces pour piano op.19 (1911), étonnante série de miniatures, de sortes d'esquisses, constituent un exemple presque parfait d'aphorismes musicaux. On est proche du radicalisme de Webern. Ainsi la quatrième, ''Vif, mais léger'', offre-t-elle en moins d'une minute une idée de presque violence. L'ultime ''Très lent'', voulue « comme un souffle », de son caractère funèbre, évoque la disparition de Gustav Mahler. 

Avec les Cinq Pièces pour piano op.23 (1920-1923) Schoenberg amorce le tournant vers la technique sérielle. Mais seule la dernière, Walser, recourt aux douze sons. Sa raideur rythmique et la volonté de déconstruction va bien au-delà de La Valse de Ravel, au demeurant tant appréciée par le musicien viennois. Ailleurs, notamment dans la troisième pièce, Schoenberg utilise la série de cinq sons. Selon Pierre Boulez, qui ne fut pas toujours complaisant envers Schoenberg, « cette série de cinq sons est même manipulée avec plus de raffinement que les séries de douze sons... peut-être à cause d'une simplicité plus pratique et d'une malléabilité plus grande ». La Suite pour piano op.25 est d'écriture entièrement dodécaphonique. Dans une sorte de veine pseudo néo-classique, Schoenberg conçoit une suite de danse baroque qui fait référence à JS Bach (I. Prélude) et à Brahms (III. Intermezzo). La Gavotte-Musette (II.) s'avère presque facétieuse avec ses répétitions cocasses. La Gigue finale, composée plus tardivement, est d'une énergie tumultueuse.

 

Le diptyque constitué de la Pièce pour piano op.33A (1929) et de la Pièce pour piano op.33B (1931), ultimes compositions pour l'instrument, voit l'aboutissement du langage dodécaphonique du musicien. Ce sont peut-être les plus fidèles à l'esprit de Brahms, dans la « nouvelle organisation du monde sonore » voulue par Schoenberg (ibid.). On y note même quelques allusions tonales, vite refrénées, tentatives de réconcilier des mondes antagoniques.

 

C'est peu dire que Pierre-Laurent Aimard est l’homme de la situation : pour appréhender cet univers austère de langage musical post-tonal. Sans doute fait-il sienne cette remarque du compositeur dans une lettre à son confrère Ferruccio Busoni « ma musique doit être courte. Maigre.... Et le résultat, je l'espère, sans sentimentalité stylisée et interminablement stérile ». Il faut se laisser porter, grâce à la grande lisibilité du jeu, à l'écoute de cet extrême condensé de technique pianistique et se confronter sans a priori aux continuelles variations de rythmes, au maelstrom des idées musicales inscrites dans des moments souvent d'une incroyable brièveté et confinant à l'abstraction. L'effort est largement récompensé. Cette intégrale prend place au sommet de la discographie, aux côtés de celle du jeune Maurizio Pollini (DG, 1975), avec peut-être un supplément de chaleur humaine. La captation du Steinway au Teldex Studio Berlin est d'une parfaite acuité.

 

Plus d'infos

  • Arnold Schoenberg : Drei Klavierstücke op.11. Sechs Kleine Klavierstücke op.19. Fünf Klavierstücke op.23. Suite für Klavier op.25. Klavierstück op.33A. Klavierstück op.33B
  • Pierre-Laurent Aimard, piano
  • 1 CD Alpha : Alpha 1281 (Distribution : Outhere Music France)
  • Durée du CD : 56 min 06 s
  • Note technique : etoile rougeetoile rougeetoile rougeetoile rougeetoile rouge (5/5)

 

 

 

[Source : www.on-mag.fr]

Gadi Eisenkot, el general que aspira a deixar Netanyahu fora de combat

Tot i ser el candidat amb més butlletes per a reemplaçar l'actual primer ministre, l'aritmètica parlamentària obligarà Eisenkot a fer veritables malabarismes per poder formar govern a Israel  

Tot i ser el candidat amb més butlletes per a reemplaçar l'actual primer ministre, l'aritmètica parlamentària obligarà Eisenkot a fer veritables malabarismes per poder formar govern a Israel.

Escrit per Lior Soroka i Steve Hendrix 

Quan era cap del Comandament Nord d’Israel, a darreries de la dècada del 2000, el general Gadi Eisenkot es va erigir en un dels grans artífexs de la doctrina Dahiya. La doctrina, que propugna l’ús d’una força aclaparadora i desproporcionada contra les àrees civils on tingui presència l’enemic, és una de les estratègies de combat més brutals de l’exèrcit israelià. 

“Exercirem una força desproporcionada contra cada poble des del qual es dispari contra Israel, i hi causarem danys i destrucció immensos”, va dir a un diari israelià el 2008, tot descrivint les operacions contra l’Hesbol·là als afores de Beirut i al sud del Líban. “A parer nostre, són bases militars.” 

Però anys més tard, com a cap de l’estat major, Eisenkot es va llaurar una certa reputació de defensor de la precisió i la moderació, i del respecte al codi ètic i al sistema judicial de l’exèrcit. 

Ara –com a cap del bloc opositor israelià i com a home més ben situat per a desbancar el primer ministre, Benjamin Netanyahu–, Eisenkot, de seixanta-sis anys, s’enfronta a un dilema tàctic completament diferent: accedirà a formar govern amb el conjunt dels partits àrabs, que en les eleccions de la setmana passada van obtenir més vots que mai, per molt que això sigui tabú per a bona part de l’electorat israelià, o bé pactarà amb un sol partit àrab, el Ra’am, cosa que segurament li valdrà per formar govern en minoria? 

Pactarà amb els partits religiosos ultraortodoxos, tot i oposar-se fermament a la seva exigència d’eximir els jueus ultraortodoxos del servei militar? O renunciarà a exigir a Netanyahu que plegui de la política i accedirà a formar un govern d’unitat amb el primer ministre que podria indignar-ne els votants? 

Dissabte al vespre, en un comunicat, Eisenkot va obrir la porta a pactar amb qualsevol diputat disposat a acceptar-ne les condicions per a entrar al govern, incloent-hi l’obligatorietat del servei militar o civil i el compromís de destruir Hamàs a Gaza. És una fórmula que el podria ajudar a atreure desertors de l’òrbita de Netanyahu, però que difícilment serà acceptada pels ultraortodoxos i alguns diputats àrabs. 

Més enllà de criticar les acusacions de frau electoral de Netanyahu, Eisenkot no ha fet gaires intervencions en públic d’ençà de les eleccions de dimarts passat, en què Netanyahu va perdre la seva majoria parlamentària però va retenir una majoria simple: 53 escons, contra els 48 de l’oposició i els 19 dels partits àrabs. 

En el comunicat de dissabte, Eisenkot va insistir que el resultat electoral demostrava que els israelians volien un canvi, i que havia arribat l’hora que Netanyahu deixés la política. 

“La ciutadania ha triat el canvi”, va declarar Eisenkot quan es van publicar els primers resultats. “Un dirigent digne del seu nom acceptaria el veredicte del poble i anunciaria avui mateix que plega de la política.” 

“Milions d’israelians estan farts de les mentides, del fracàs, de la divisió i de les provocacions”, va dir. També va advertir Netanyahu que no fes servir una nova acció militar com a excusa per a allargar el govern, ara en funcions. 

“Netanyahu, no gosis fer servir la seguretat d’Israel amb finalitats polítiques”, va dir. 

Segons els resultats oficials, el partit d’Eisenkot, Iaixar (‘recte’ o ‘honest’, en hebreu), va obtenir 21 escons, contra els 27 del Likud, el partit de Netanyahu. Les negociacions amb la constel·lació de partits que han obtingut representació al parlament podrien allargar-se setmanes. 

Una de les incògnites és si el president d’Israel, Isaac Herzog, encarregarà a Netanyahu o Eisenkot de formar una coalició majoritària. Després de consultar els dirigents dels diferents partits amb representació i escoltar-ne les recomanacions, Herzog pot triar qui cregui que té més possibilitats de formar una coalició parlamentària estable. 

Tant si rep l’encàrrec com si no, l’ascens polític d’aquest ex-comandant i militar de carrera, discret i directe, ha estat extraordinàriament ràpid. També ho ha estat el del partit que va fundar ara fa tot just tretze mesos. 

És tan sols la segona vegada que es presenta a unes eleccions, i la primera com a cap d’un partit propi. 

Els experts, en aquest sentit, expliquen que Eisenkot ha arribat a les portes del poder perquè ofereix als israelians quelcom que cap dels dos bàndols –ni la dreta ni el bloc liberal– pot menystenir fàcilment: l’experiència d’una carrera militar en matèria de seguretat, la fama de ser un home de paraula i la pèrdua d’un fill a Gaza, un dol que comparteix amb milers de famílies israelianes. 

Gayil Talshir, politòloga de la Universitat Hebrea de Jerusalem, explica que el suport a Eisenkot ha anat creixent de manera sostinguda durant aquests dos darrers anys. Aquests darrers mesos, explica, Eisenkot sabut eixamplar aquest suport “no tan sols dins el bloc liberal, sinó també al bloc de dreta”. 

En campanya, Eisenkot va prometre que posaria fi al govern d’Hamàs a Gaza en divuit mesos, però també s’ha oposat a l’annexió de Cisjordània i ha promès d’enderrocar els assentaments colons il·legals. Aquesta combinació li ha permès d’anar-se obrint camí entre els votants de centre sense perdre els votants conservadors. 

Sobretot, la seva campanya s’ha basat en la rendició de comptes. 

Netanyahu s’ha negat a crear una comissió d’investigació sobre els errors que van permetre el 7 d’octubre. Eisenkot n’ha promès de crear una el primer dia de mandat, i ha dit que també caldria examinar la gestió que va fer ell mateix, com a cap de l’exèrcit, de l’atac. 

Eisenkot va entrar al gabinet de guerra d’emergència de Netanyahu cinc dies després dels atacs. Va dimitir-ne vuit mesos més tard juntament amb Benny Gantz, aleshores aliat seu al parlament. Ambdós van acusar Netanyahu d’anteposar la política al retorn dels ostatges, i de negar-se a traçar un pla per a la Gaza de postguerra. 

La seva biografia també l’ha ajudat. És fill d’immigrants marroquins, nascut a Tiberíades i criat a Eilat. Seria el primer cap de govern d’Israel que és jueu mizrahim (és a dir, amb arrels al nord de l’Àfrica i al Llevant) i no pas asquenazita (és a dir, d’origen europeu). Ha fet molta campanya en comunitats obreres que, aquestes darreres dècades, havien esdevingut bastions del Likud. 

“Mentre Netanyahu presenta els jueus mizrahim com a desafavorits, Eisenkot els ven la promesa de l’ascensor social”, diu Talshir. 

A títol més personal, Eisenkot té un lligam tràgic amb els milers d’israelians a qui la guerra de Gaza ha capgirat la vida. 

Al gabinet de guerra, va ser un dels defensors més tenaços dels acords per a alliberar els ostatges. A final del 2023, durant la primera –i altament fràgil– treva, l’acord semblava que era a punt de trencar-se. Segons el diari israelià Ha’aretz, Eisenkot fou una de les veus que va pronunciar-se més clarament a favor de mantenir l’acord a “gairebé a qualsevol preu”. 

Tanmateix, la treva es va acabar trencant. Pocs dies després, el fill d’Eisenkot, Gal, va morir durant una operació de rescat d’ostatges a Gaza. 

Eisenkot ha promès de tancar els fronts que Netanyahu ha deixat oberts. “Les zones de seguretat creades al Líban, a Síria i a Gaza són una eina i una palanca per a fer avançar els interessos nacionals d’Israel, no pas per a quedar-s’hi durant generacions”, va dir a la Conferència d’Herzliya, una cimera de seguretat israeliana. 

El missatge ha ressonat entre milions d’israelians farts d’anys de guerra. És el cas d’Hila Asayag, de quaranta-nou anys, que té un fill que ha servit a Gaza i al Líban. “No pots dormir, sempre pateixes”, diu. “Algú ha de canviar-ho, això.” 

Segons xifres del Ministeri de Salut de Gaza, que no distingeix entre civils i combatents, el conflicte a l’enclavament ha matat més de 70.000 palestins. L’exèrcit israelià encara controla prop d’un 70% del territori de Gaza: Eisenkot, tal com Netanyahu, ha descartat de retirar-se’n abans de desmantellar del tot el govern d’Hamàs. 

“Passats divuit mesos del nostre govern, l’organització terrorista Hamàs ja no governarà Gaza”, va prometre fa poc durant un acte a Tel-Aviv. 

Quant a la qüestió de Cisjordània, Eisenkot s’ha diferenciat clarament de la posició del govern Netanyahu. Eisenkot s’ha oposat a l’annexió del territori, si bé ha insistit que l’exèrcit hi havia de mantenir la llibertat d’acció. “Tenir 2,8 milions de palestins sota responsabilitat israeliana és molt perjudicial per a nosaltres”, va dir fa poc. 

També s’ha negat a expandir els assentaments colons, i ha promès de desmantellar “tots els assentaments il·legals de les àrees A i B”, que són les parts de Cisjordània sota control civil palestí. Quant al futur del territori, Eisenkot ha exposat dues opcions: un règim d’autonomia o “un estat minvat”, sense exèrcit i sota control israelià en matèria de seguretat. 

Eisenkot també ha condemnat la violència colona contra la població palestina de Cisjordània, i ha dit que Israel havia de ser “molt dur amb aquells qui es prenen la justícia pel seu compte”. 

Si Herzog li acaba encarregant de formar govern, Eisenkot es veurà obligat a fer certs malabarismes polítics. El seu objectiu, segons que ha explicat ell mateix, és una coalició de partits sionistes, però tampoc no ha descartat de treballar amb partits ultraortodoxos o àrabs. “No dic ni que sí que ni no a un partit haredim o àrab”, va dir fa poc. 

En campanya, Eisenkot va deixar molt clares les condicions per a afegir-se a la seva coalició. 

“Seuré amb tot aquell que cregui que Israel és un estat jueu i democràtic, que accepti els valors de la Declaració d’Independència i que accepti l’obligació del servei militar i del servei civil nacional”, va dir. També es va comprometre a obligar els ultraortodoxos a allistar-se. Més endavant hi va afegir una quarta condició: reconèixer que Hamàs és una organització terrorista.

 

Gerry Shih i Heidi Levine han contribuït a aquest article. 

 

 

[Foto: Atef Safadi/Efe - font: The Washington Post - reproduït dins www.vilaweb.cat]

terça-feira, 3 de novembro de 2026

Tout est moche dans ce qui arrive à l’écrivain Thélyson Orélien

Lâché par sa maison d’édition au Canada, l’auteur canadien d’origine haïtienne reconnaît avoir eu recours à l’intelligence artificielle, mais seulement pour des “recherches historiques”. Bouc émissaire d’une situation qui lui échappe, le cas Orélien est devenu le symbole d’une rupture qui fera date dans l’histoire de l’écriture. 

Écrit par Jean-Marie Durand 

Tout est moche dans ce qui arrive à l’écrivain Thélyson Orélien dont la maison d’édition Boréal vient de confirmer, après des semaines de soupçons répétés, que l’auteur du roman C’était ça ou mourir avait bien eu recours à l’intelligence artificielle. Dans un entretien téléphonique accordé à Libération, il reconnaît lui-même avoir eu recours à l’IA pour des “recherches historiques”, tout en réfutant l’avoir utilisée pour rédiger son texte. En étant tout à fait prêt à le croire, et à considérer brutale son excommunication du paysage des lettres, sa mésaventure signe, de fait, une rupture qui fera date dans la longue histoire de l’écriture, pourtant riche en manipulations et falsifications.

Elle ouvre une nouvelle ère du soupçon, en élargissant ce que d’aucuns appellent aujourd’hui une nouvelle “blessure narcissique” pour les individus, qui après avoir dû comprendre que la Terre n’était pas au centre de l’univers (Copernic) que l’humain était un animal comme les autres (Darwin) et que le moi n’était pas maître de sa propre destinée (Freud), doivent se résigner au fait que les romancier·ières (et les artistes en général) peuvent les berner en utilisant en catimini des outils techniques au service de leur art. Un “pacte de confiance” implicite entre les auteur·rices et les lecteur·rices saute pour de bon. Le président de l’Académie Goncourt Philippe Claudel parle “d’un virage d’un point de vue ontologique, anthropologique”.

Penser “l’imagination artificielle”

La “mort de l’auteur”, dont l’expression remonte à un essai éponyme de Roland Barthes publié en 1967, serait-elle advenue avec la prise de conscience de cette extension du domaine de la littérature au-delà de ses propres ressources ? Qui peut sincèrement le savoir ? Comment imaginer le futur du livre autrement qu’en se livrant à un exercice de prophétie absurde ? Chacun·e semble avoir sa théorie sur la question, ce qui d’une certaine manière est plutôt rassurant sur le constat de l’importance symbolique encore réservée à la littérature. Mais ce que l’affaire Thélyson Orélien révèle en tout cas, c’est combien les appels à la pureté – littéraire, technique, politique, existentielle – pourrissent les débats, par ailleurs légitimes sur l’usage de l’IA. Ce qu’Orélien paye forcément, sans que cela ne soit avoué ouvertement, tient à la manière dont il met en scène la condition de l’exil. On ne peut pas exclure que les attaques dont il a été et reste l’objet soient, en grande partie, de nature racistes et conservatrices. 

Mais les attaques fielleuses procèdent aussi d’un certain rapport à la langue, à un certain rapport fétichisé à la créativité de l’auteur·rice vu comme un·e créateur·rice isolé·e du monde, en lévitation au-dessus de ce qui affecte les vies elles-mêmes. Or, l’IA, même si tout le monde la déteste (en l’utilisant), fait partie de ces vies dont les écrivain·es consignent les règles et les usages. Si nous sommes tous·tes plus ou moins attaché·es à l’idée d’une subjectivité et d’un imaginaire absolus de l’auteur, ne serait-il pas temps (parce qu’on n’a plus le choix) de penser “l’imagination artificielle”, comme le font les artistes visuels et chercheurs Grégory Chatonsky et Yves Citton dans un ouvrage paru aux Presses du réel ? Le prompt, l’itération, l’intentionnalité sont en train de devenir des outils au cœur de la responsabilité artistique. On ne peut plus feindre de l’ignorer, quand bien même on veut encore croire au génie unique de l’auteur·rice.

Alors, plutôt que de condamner l’outil en estimant que l’être humain et la technique peuvent se séparer, “comme le corps d’un vêtement” (selon l’expression de Chatonsky), il est temps de prendre la mesure de ce nouvel âge de la création. “Ni l’humain ni l’IA ne créent depuis un point zéro : toute création naît d’un réseau de contraintes, de techniques, de mémoires et de relations”, avance l’artiste-chercheur. “L’enjeu n’est donc pas de savoir qui crée seul, mais ce qui émerge entre l’humain et la machine”. À ses dépens, en traversant une épreuve douloureuse, Thélyson Orélien restera le nom de cette bascule culturelle.

 

[Photo : Joel Saget / AFP - source : www.lesinrocks.com]

Bartov, la sconfitta morale di Israele

 


di Mario Ricciardi

Ciò che accade a Gaza è un test morale in due sensi, diversi ma connessi. Sul piano personale è l’occasione di un esame di coscienza, perché ci costringe a fare i conti con un fatto storico che mette in discussione le nostre certezze e stana i nostri pregiudizi. Sappiamo bene che non è la prima volta che una violenza sistematica e brutale colpisce una popolazione al punto da metterne in pericolo l’integrità e persino la sopravvivenza. Tuttavia, questa è la prima volta che lo sterminio di un popolo avviene “sotto gli occhi” dell’intera comunità internazionale. Questa espressione non è più un modo dire, dobbiamo prenderla in senso letterale. Chiunque, più o meno ovunque, può connettersi ai network che diffondono immagini, voci, racconti. Pochi minuti dopo un bombardamento sappiamo già che quel bambino o quella bambina sono stati uccisi con la famiglia, o che quel ragazzo che era uscito per cercare da mangiare non è tornato a casa perché gli hanno sparato. In molti casi di queste vittime vediamo in tempo reale, o quasi, i corpi martoriati, o assistiamo alla straziante agonia che è l’ultima parte della loro breve vita. Guardiamo madri e padri che piangono figli e figlie, fratelli e sorelle che si dicono addio, bambini che porteranno per tutta la vita i segni di una violenza spietata.  

Tutto questo è terribile, e provoca in alcuni una comprensibile reazione di fuga. Sottrarsi, tuttavia, non pacifica la coscienza. Mancheremmo al rispetto che dobbiamo a noi stessi come persone dotate di ragione se scegliessimo di ignorare quei corpi, di distogliere lo sguardo dai volti, o di non ascoltare quelle voci. Una volta che abbiamo appreso non possiamo scegliere di non sapere. Anche se non siamo in condizione di salvare gli abitanti di Gaza, perché non ne abbiamo individualmente i mezzi, possiamo rendere testimonianza di ciò che accade alle vittime nella misura in cui ne siamo consapevoli, resistendo alla tentazione di soffocare lo sgomento e la rabbia cercando di pensare a altro. La testimonianza è essenziale – come lo è stata in passato per il genocidio degli armeni e per la Shoah – ma non basta. Bisogna anche rispondere alla domanda sul “perché” tutto questo sta accadendo. Comincia tutto il 7 ottobre 2023? Può un’atrocità giustificarne un’altra? Può il sangue di un innocente compensare la morte violenta di un altro innocente? Anche chi ammette che ci sono casi in cui l’uso della forza è giustificabile – per esempio per respingere un atto di aggressione potenzialmente letale – non potrebbe rispondere affermativamente a queste domande. Non può, perché uscirebbe dal perimetro segnato dal principio supremo della moralità: l’eguale rispetto che dobbiamo alle persone.   

Questo ci conduce al secondo senso per cui ciò che sta accadendo a Gaza è un test morale: quello pubblico, che ha a che fare con la sfera delle relazioni tra persone all’interno di una comunità politica, e tra le comunità politiche sul piano internazionale. In questa dimensione a essere messa alla prova non è la coscienza individuale, ma quella pubblica, che si esprime nella capacità di ragionare insieme su ciò che è giusto e sbagliato (per questo chi vuole che il massacro vada avanti fino alle estreme conseguenze è così determinato a impedire che ci sia una libera conversazione sulle atrocità che sono state commesse dall’esercito israeliano). Qui le domande riguardano in primo luogo le regole. L’idea stessa di diritto è incompatibile con quella di doppio standard. Se un atto è contrario al diritto penale internazionale, lo è sempre, chiunque ne sia responsabile.  

Omer Bartov è uno storico israeliano che insegna “Holocaust and Genocide Studies” alla Brown University, nel New England. Nato nel 1957 in un kibbutz, da genitori emigrati in Palestina ai tempi del “mandato” britannico, Bartov è cresciuto in un ambiente permeato dalla mentalità del sionismo laico di orientamento socialista. Dopo aver prestato servizio nelle forze armate israeliane nel corso della guerra dello Yom Kippur, si è trasferito negli Stati Uniti dove si è affermato per i suoi studi sull’esercito tedesco e sul ruolo che ha avuto nello sterminio degli ebrei.  

Nel novembre del 2023 Bartov ha scritto un saggio, pubblicato dal “New York Times”, in cui denunciava il pericolo che le operazioni militari in corso a Gaza in reazione al sanguinoso e brutale attacco perpetrato da Hamas il 7 ottobre (cui hanno preso parte anche formazioni minori, e forse gazawi non legati a alcuna organizzazione) corressero il rischio di assumere i caratteri di un genocidio, come questo crimine viene definito dal diritto penale internazionale. In seguito, per via del peggioramento della situazione a Gaza, e dell’inasprimento delle violenze da parte dei coloni israeliani ai danni dei Palestinesi nei territori occupati, Bartov ha sostenuto che la soglia che distingue il pericolo di un genocidio dall’attivo perseguimento di obiettivi genocidari è stata superata. Dall’inizio dell’operazione militare nella striscia di Gaza si stima che siano state uccise più di 75000 persone, tra le quali ci sono anche oltre 200 giornalisti locali, e diverse migliaia di bambini. A cui bisogna aggiungere un numero molto elevato di feriti, molti dei quali hanno subito danni permanenti alla propria integrità fisica, e decine di migliaia di persone che sono state private delle proprie abitazioni, hanno perso quasi tutto, e sono state trasferite con la forza in strutture in cui sono costrette a vivere in condizioni inumane.   

Questa tesi viene articolata in Israel. What Went Wrong? (Fern Press, Londra) un libro pubblicato nel 2026, e tempestivamente tradotto in italiano nel corso dello stesso anno (Nell’abisso. Dal sionismo al genocidio: la sconfitta morale di Israele, Laterza, Roma). Aver preso questa posizione ha esposto Bartov a numerose critiche, in patria e da parte dei tanti difensori di Israele in diversi paesi occidentali, che gli sono costate molto sul piano personale. A questi aspetti “privati” l’autore accenna appena nel corso del libro, ma si comprende che sono stati pesanti. Ciò nonostante, la scrittura mantiene un tono pacato, anche quando deve fare i conti con gli aspetti più dolorosi di ciò che sta accadendo a Gaza (come avviene nel capitolo quarto, sul “massacro dei bambini”).   

Negli ultimi mesi, Bartov ha continuato a difendere la propria tesi di fondo, articolandola e approfondendola ulteriormente in altri scritti e interventi. La sua autorevolezza di studioso e il suo profilo di intellettuale progressista, ma non settario, hanno fatto di lui uno dei critici più noti sul piano internazionale delle politiche dell’attuale governo israeliano. La sua attenzione, tuttavia, non si limita a ciò che è accaduto dopo il 7 ottobre. Nel libro lo sguardo si allarga assumendo una prospettiva sugli orientamenti politici e culturali di fondo prevalenti da tempo nel suo paese di origine. Sotto questo profilo, il suo ruolo si può paragonare a quello di altri intellettuali e studiosi, come Amos Elon (scomparso nel 2006), David Grossman, Göran Rosemberg e Avi Shlaim, che nel corso degli ultimi decenni hanno criticato e poi messo in discussione la versione edulcorata della storia di Israele riassunta nella formula “una terra senza un popolo per un popolo senza una terra”. Per Bartov è la congiunzione tra una concezione suprematista del sionismo e una visione messianica dell’ebraismo a creare le condizioni per legittimare un uso sproporzionato della forza nei confronti dei civili palestinesi, anche quando non hanno alcun coinvolgimento nelle ostilità.  

Questo aspetto della ricostruzione di Bartov è di particolare importanza. Dopo il 7 ottobre 2023, infatti, si è spesso evocato come “attenuante” per l’uso massiccio e indiscriminato dei bombardamenti a Gaza il “trauma collettivo” provocato dalla violenza dell’attacco guidato da Hamas e dalla crudeltà degli atti compiuti durante quella azione, nel corso della quale sono state uccise 1195 persone di varie nazionalità (13 delle quali probabilmente vittime di “fuoco amico” in applicazione della “Hannibal Directive”) e catturati 251 ostaggi (militari e civili israeliani, tra cui diversi bambini, e anche cittadini di altri paesi). Non si può negare l’orrore di ciò che è accaduto il 7 ottobre. Questa considerazione psicologica, tuttavia, non si può evocare come scusante o come giustificazione sul piano morale o giuridico. Sappiamo infatti che ci sono diversi precedenti di uso sproporzionato della forza da parte dell’esercito israeliano, con la conseguenza di elevate vittime civili, che risalgono almeno all’invasione del Libano nel 1982 e arrivano fino all’attacco a Gaza nel 2014. L’uso massiccio dei bombardamenti non è una semplice reazione emotiva alla brutalità dell’attacco subito, ma l’applicazione di una tattica (la “Dahiya Doctrine”) che è stata esplicitamente enunciata dalle autorità militari israeliane nel 2008 (fa riflettere che il generale che l’ha ideata, Gadi Eizenkot, sia considerato oggi come un plausibile successore moderato a Netanyahu se l’attuale primo ministro perdesse le elezioni).   

Come si è detto, Bartov non è il primo israeliano che critica il governo del proprio paese per il modo in cui vengono gestiti i rapporti con i palestinesi (sia entro i confini riconosciuti dall’ONU, sia nei territori occupati) e per l’uso sproporzionato della forza che in diverse occasioni è seguito a aggressioni da parte dei palestinesi. La letteratura è ampia, e un contributo significativo è stato dato anche da ricercatori e giornalisti che, sia pure con sempre maggiori di difficoltà, hanno documentato la traiettoria di una spirale per cui a ogni violenza segue una reazione ancora più letale fino a arrivare alla distruzione su vasta scala avvenuta a Gaza negli ultimi anni. Così come non mancano i contributi di storici che hanno gettato luce sul carattere brutale della originale espropriazione di una parte delle terre abitate o coltivate dai palestinesi avvenuta durante la Nakba nel 1948.  

A rendere particolarmente significativo il contributo di Omer Bartov sono alcuni aspetti che riguardano il suo profilo di storico e di intellettuale. Come studioso, infatti, Bartov è in condizione di discutere con autorevolezza un tema che è stato talvolta evocato nel dibattito sul conflitto tra Israele e i palestinesi, soprattutto dopo il 7 ottobre 2023, ma che è difficile da affrontare perché va a toccare convinzioni profondamente radicate non solo nel suo paese di origine, ma anche tra gli ebrei della diaspora e più in generale nell’opinione pubblica di diversi paesi occidentali. Si tratta della unicità della Shoah come “male assoluto” che non si dovrebbe dunque mai considerare in una prospettiva comparativa. Specie quando la comparazione riguarda Israele. Bartov ricostruisce con grande lucidità un dibattito che ha coinvolto anche diversi storici israeliani, i quali hanno sostenuto che questo modo di considerare la Shoah ha avuto a lungo l’effetto di inibire la collocazione di questo evento storico, che ha certamente tratti distintivi, nel contesto di altri genocidi che sono stati perpetrati sia prima sia dopo lo sterminio degli ebrei in Europa a opera dei nazisti. Questo ha finito per favorire una torsione del significato dell’espressione “mai più” che viene reinterpretata, anche contro le intenzioni di diversi intellettuali ebrei e israeliani che l’avevano evocata in passato, non nel senso di “mai più un altro genocidio” ma in quello di “mai più un altro genocidio degli ebrei”. Come risulta evidente, nella prima interpretazione la frase assume il valore di una prescrizione morale universale, mentre nella seconda il suo significato viene ristretto fino a escludere altri genocidi dalla sua area di applicazione.   

Passando dal piano morale a quello giuridico, questa interpretazione ristretta del “mai più” entra in contraddizione con quanto prescrive il diritto penale internazionale, che definisce il genocidio in termini universali e non in relazione a un popolo.  

Nella interpretazione di Bartov, questo è stato un fattore non secondario nell’influenzare un atteggiamento “eccezionalista” da parte di settori della politica e della cultura israeliana che ha alimentato un sentimento di impunità rispetto a quelle che, in modo sempre più chiaro, venivano denunciate come violazioni del diritto internazionale da parte delle forze armate e degli apparati di sicurezza di Israele. Richiamando i propri studi sull’esercito tedesco nel corso della seconda guerra mondiale, Bartov argomenta in modo convincente che l’accettazione tacita di questa premessa è il presupposto che consente di spiegare un atteggiamento di disumanizzazione dei palestinesi che ha facilitato alcuni dei crimini di guerra avvenuti negli ultimi anni nel corso delle operazioni militari nella striscia di Gaza. Una conferma della correttezza della interpretazione proposta da Bartov si trova in “Naza”, il reportage di due giornalisti israeliani, Yuval Abraham e Rachel Szor, che in questi giorni viene proiettato in diverse sale italiane e si può reperire anche on-line. La classificazione delle vittime civili come Naza, cioè come danni collaterali accettabili per colpire un bersaglio ritenuto essenziale dai militari, emerge nel corso delle interviste filmate da Abraham e Szor come un fattore essenziale di una sorta di immunizzazione morale cui gli ufficiali coinvolti nelle operazioni ricorrono, sia pure in alcuni casi con evidente disagio, per giustificare le proprie azioni.  

Vale la pena di sottolineare che le interviste che sono raccolte nel reportage di Abraham e Szor erano già note al pubblico, perché erano state riportate da organi di stampa sia israeliani sia internazionali. La somiglianza tra le giustificazioni fornite da alcuni dei militari tedeschi coinvolti nello sterminio degli ebrei e quelle richiamate dagli ufficiali israeliani coinvolti nelle operazioni a Gaza ha probabilmente avuto un’influenza sul libro di Bartov. Somiglianza, ovviamente, non vuol dire identità. Bartov non afferma che i militari israeliani siano identici ai nazisti, ma impiega il metodo comparativo tipico della storia per mostrare che c’è parziale sovrapposizione tra due fatti storici, ciascuno dei quali conserva caratteristiche distintive che lo identificano.   

La questione del confronto con la Shoah è sullo sfondo di uno dei capitoli più attuali del libro, dedicato alla discussione dell’antisemitismo, e in particolare delle diverse definizioni che ne sono state proposte negli ultimi anni. Bartov, come diversi studiosi, critica la definizione proposta dall’IHRA, che vede nella proposta di similitudini tra il nazismo e le azioni del governo israeliano uno degli esempi di antisemitismo che dovrebbero fare da guida a iniziative specifiche di contrasto che andrebbero adottate dai governi e dalle amministrazioni che vogliono combattere questo odioso pregiudizio. Ciò, come osserva Bartov, andrebbe a discapito della ricerca su questo tema, e costituisce quindi un pericolo per la libertà degli studiosi, e più in generale dell’opinione pubblica, di affrontare anche aspetti spiacevoli o controversi dell’operato del governo israeliano. Nel libro, Bartov propone di adottare invece la definizione inclusa nella “Jerusalem Declaration” di cui è stato tra gli estensori. La ragione principale di questo orientamento è che tale definizione non fa dipendere l’individuazione di cosa sia antisemitismo dagli atteggiamenti e dai giudizi espressi su Israele e sul suo governo. Chi fosse interessato a questo tema, che è al centro di polemiche vivaci per via di una proposta di legge attualmente in discussione nel parlamento italiano che adotta la definizione IHRA, può fare riferimento a un altro libro pubblicato negli ultimi mesi. Si tratta di On Antisemitism. A Word in History (Penguin, Londra 2026; già una tradotto in italiano Sull’antisemitismo, Einaudi, Torino 2026) di Mark Mazower, uno studioso autore di lavori importanti sulla Shoah. La ricostruzione proposta da Mazower è più ampia e approfondita rispetto a quella di Bartov, perché si tratta di una storia dell’antisemitismo, ma le conclusioni cui giungono i due storici convergono nel giudizio negativo sulla definizione IHRA e sugli effetti nefasti che la sua adozione può avere sulla libertà di ricerca e di discussione. Per Bartov e Mazower la definizione di antisemitismo proposta nella “Jerusalem Declaration” è preferibile a quella IHRA perché distingue le critiche di Israele, che vanno discusse nel merito, dal pregiudizio antisemita che esiste, e deve essere respinto con forza tutte le volte in cui riemerge e da chiunque venga riproposto.   

La parte finale del libro di Bartov è dedicata alla discussione dei profili istituzionali che potrebbero indicare una via di uscita dalla situazione attuale. Nel capitolo quinto, viene affrontata la questione costituzionale. Israele non ha attualmente una costituzione scritta (come il Regno Unito) e questo fatto viene visto da alcuni giuristi come una debolezza delle garanzie che sarebbero indispensabili per ostacolare l’attuale deriva verso un sistema politico autoritario nel quale viene messa in atto una forma sempre più brutale di apartheid. Bartov vede con favore questi argomenti, anche se l’esperienza recente degli Stati Uniti (per fare solo l’esempio più noto) dovrebbe raccomandare prudenza nell’affidare la sopravvivenza della democrazia soltanto a un documento, per quanto autorevole come una costituzione. Di particolare interesse, in questo capitolo, sono le critiche di Bartov alle ambiguità del sionismo liberale di giuristi come Ruth Gavison e Aharon Barak, che hanno proposto una caratterizzazione di Israele come una “democrazia giudaica” aprendo la strada a un trattamento differenziato dei palestinesi che appare difficilmente compatibile con i principi enunciati nella dichiarazione di indipendenza del 1948. La lezione dei pensatori repubblicani moderni che si sono collocati nella scia di Machiavelli suggerisce che senza un robusto sostegno popolare ai principi di eguaglianza anche le leggi migliori tendono a perdere la propria capacità di incutere rispetto.   

Nel capitolo sesto, infine, Bartov prova a ragionare sul futuro, discutendo le proposte di soluzione confederale al centennale conflitto innescato dalla colonizzazione di parte della Palestina da parte dei sionisti. Un tentativo nobile, e degno di attenzione, di esercitare una sorta di “ottimismo della ragione” quando tutto – dalla politica interna israeliana alla situazione internazionale – fa pensare al peggio. Le riflessioni di Bartov si concludono, quindi, con messaggio di speranza, che andrebbe raccolto da tutte le persone di buona volontà, ma che deve comunque fare i conti con una situazione interna in Israele che lascia poco spazio a soluzioni come quella auspicata nella parte conclusiva del libro. Questo ci riconduce alle osservazioni da cui siamo partiti, e al ruolo che l’opinione pubblica internazionale può avere per avvicinarsi a una soluzione del conflitto.

In questo momento l’ostacolo più significativo a una svolta è costituito dall’atteggiamento di buona parte dei governi occidentali, che rifiutano di fare fino in fondo i conti con ciò che accade sotto i nostri occhi in ossequio a considerazioni strategiche. L’affermazione del capo del governo tedesco Friedrich Merz, secondo il quale Netanyahu sta “facendo il lavoro sporco per noi” è l’espressione più spudorata di questo atteggiamento. Se la valutazione della situazione in Palestina rimane condizionata dalla miopia dello sguardo occidentale (che per molti versi richiama alla mente quello descritto da Joseph Conrad nel suo romanzo Under Western Eyes) è difficile immaginare che sia possibile trovare una soluzione equa a un conflitto che ha provocato una scia di sangue e lasciato spazio agli istinti peggiori coltivati da chi, da entrambe le parti, ritiene di trarne vantaggio.

 

[Fonte: www.doppiozero.com]