sexta-feira, 25 de setembro de 2026

«Neutralidade ativa»: pode um país tomar partido sem pegar em armas?

A 27 de setembro, um referendo sobre a neutralidade no país neutro por excelência — a Suíça — colocará esta questão. Entre o silêncio e as armas existe um vasto espaço de ação política. 

Instalação do artista espanhol Fernando Sánchez Castillo

Escrito por Marco Morosini 

Pode um Estado ser “parcialmente neutro”? Tanto quanto se pode estar “parcialmente grávida”, disse na rádio suíça o professor vienense Ralph Janik, referindo-se à quase-neutralidade da Áustria. Mas a questão vai muito além da Áustria e da Suíça. Entre o silêncio e as armas existe um arsenal sem armas: diplomacia, sanções, direito, comércio, finanças e mediação. Até que ponto pode um Estado opor-se a uma guerra sem tornar-se beligerante? 

A Suíça, o país neutro por excelência, oferece esta semana um caso revelador. Quatro dias depois de a Rússia ter invadido a Ucrânia, em 2022, a Suíça adotou também as sanções da União Europeia contra a Rússia. Pouco depois, Christoph Blocher, patriarca da direita suíça, lançou a “iniciativa da neutralidade”. Desde então, a sua SVP (Schweizerische Volkspartei) fez da luta por uma nova e absoluta neutralidade suíça uma causa urgente. 

A 27 de setembro, os eleitores suíços votarão uma alteração constitucional proposta pela iniciativa “Salvaguardar a Neutralidade Suíça”. A Constituição de 1848 exige que o Governo “salvaguarde a neutralidade”, mas não define o que é a neutralidade. A iniciativa pretende especificar o que a Suíça deve — e, sobretudo, o que já não poderá — fazer para ser neutra: manter uma “neutralidade permanente e armada”, limitar a cooperação militar e proibir sanções contra Estados beligerantes, exceto as impostas pelas Nações Unidas. Blocher, antigo ministro da Justiça afastado do Governo pelo Parlamento em 2007, afirma que, mesmo que perca a 27 de setembro, continuará a lutar pela “neutralidade absoluta”, inclusive através de um novo referendo. 

“Não à guerra”. E os negócios na Rússia? 

O multimilionário Blocher é também o maior financiador individual da campanha pelo Sim: mais de dois milhões de francos suíços, num total declarado de 3,84 milhões. A campanha pelo Não declara 1,67 milhões. Ao longo de décadas, Blocher transformou a SVP no maior partido da Suíça e construiu a fortuna familiar através do gigante químico Ems-Chemie, hoje controlado pelas suas filhas. Em 2025, a empresa faturou 1,95 mil milhões de francos suíços, 96% dos quais no estrangeiro. A sua filial Eftec possui duas fábricas na Rússia; no total, o grupo EMS tem 25 unidades de produção em 16 países. 

A 4 de setembro, a Republik publicou uma investigação que causou grande impacto, “Os negócios dos Blocher na Rússia”, documentando a presença industrial e comercial da Ems-Chemie na Rússia. A investigação levanta uma questão: poderia a proibição de sanções como as impostas à Rússia beneficiar também os interesses económicos de uma família que financia esta campanha com milhões de francos? 

“Não à guerra. Sim à neutralidade suíça”, proclamam os cartazes da campanha pelo Sim, acompanhados por uma pomba da paz. Um folheto com o rosto de John Lennon e as palavras “Give Peace a Chance!” teve de ser retirado depois da intervenção dos detentores dos direitos. Mas, afinal, quem votaria “a favor da guerra”? A escolha não é entre guerra e paz, mas entre duas definições de neutralidade: a flexível, testada pela prática, e uma nova, estritamente definida na Constituição. 

Neutralidade: um instrumento, não um valor 

A SVP argumenta que a Suíça deve manter uma neutralidade sem concessões perante todas as partes num conflito, para preservar a sua capacidade de mediação, como tantas vezes fez no passado. O argumento é sério. Mas a neutralidade militar não exige equidistância moral, política ou jurídica. Sancionar um Estado que viola o direito internacional não significa fazer-lhe guerra. A neutralidade exige que um país não pegue em armas; não exige cegueira nem silêncio. 

Para o Departamento Federal dos Negócios Estrangeiros suíço, a neutralidade é “um instrumento da política externa suíça”. A democracia, a paz, a dignidade humana e o Estado de direito são valores. A neutralidade é um meio, que deve ser avaliado pelo que permite a um país fazer. 

O artigo constitucional proposto permitiria apenas sanções decididas pelas Nações Unidas. Mas, no Conselho de Segurança, os membros permanentes — incluindo um eventual agressor — dispõem de direito de veto. A Suíça poderia, portanto, ter de esperar pelas grandes potências em vez de agir autonomamente. As grandes potências têm grandes exércitos; os pequenos Estados têm fronteiras cuja segurança depende de os outros as respeitarem. Para os pequenos Estados, o direito internacional não é um ornamento moral. É um seguro de vida. 

As sanções não são guerra, mas podem provocar retaliações: ciberataques, sabotagem, desinformação e outras formas de conflito híbrido. A fronteira entre a paz e a guerra é cada vez mais porosa. Uma definição constitucional detalhada da neutralidade imporia importantes limitações à política suíça e poderia congelar a sua capacidade de resposta perante formas de conflito em rápida transformação. 

Por uma “neutralidade ativa” 

Daí a ideia de uma “neutralidade ativa”, assente numa longa prática suíça: ficar fora da guerra, mas não ser indiferente perante o direito internacional; conservar a capacidade de condenar violações, impor sanções não militares, oferecer bons ofícios e falar com todos. 

Esta questão diz respeito a todos os Estados: como pode um Estado opor-se à força sem fazer da força o seu único instrumento? Uma violação do direito internacional deve ser condenada, venha ela, por exemplo, de Moscovo, Washington ou Pequim. A independência mede-se também pela capacidade de dizer não aos próprios amigos. 

É certo que um Estado sancionado pode recusar a mediação suíça. Mas deverá a credibilidade de um país medir-se pela sua capacidade de nunca desagradar a ninguém? O referendo suíço de 27 de setembro coloca frente a frente duas conceções de neutralidade: credibilidade através da distância ou através da independência de julgamento. 

No final de agosto, nas margens do lago de Zurique, uma enorme bandeira branca, de 22 por 14 metros, flutuava suspensa de uma alta grua: uma instalação do artista espanhol Fernando Sánchez Castillo. A imagem parecia feita para a Suíça. Uma bandeira branca pode pertencer a quem renuncia a tomar posição. Ou pode querer dizer: “Não dispararei contra ti. Vem, falemos.” 

Falar com todos. Não fazer guerra a ninguém. Mas não chamar neutralidade ao silêncio.


Marco Morosini é professor emérito da ETH Zurique, jornalista independente. 

 

[Foto do autor - fonte: www.esquerda.net]

L’Holocauste et le génocide de Gaza : une comparaison interdite ?

Les personnes qui établissent des comparaisons entre l’Holocauste et ce qu’Israël fait subir aux Palestiniens sont souvent rapidement accusées d’antisémitisme. Mais comparer n’est pas synonyme d’assimiler. Il existe certes des différences importantes, mais il y a aussi des similitudes. Dans cet article, j’examine les similitudes entre le traitement réservé aujourd’hui aux Palestiniens par Israël et celui infligé à l’époque aux Juifs par les nazis. 

Écrit par Anne-Ruth Wertheim 

Comment les peuples opprimés sont constamment contraints de choisir entre une nouvelle situation qui limite leurs options et une alternative qui leur est encore plus défavorable ? 

Et comment, de cette manière, on leur fait porter une part de responsabilité dans le sort inconnu qui les attend finalement ? 

Ce qu’Israël fait subir aux Palestiniens est-il comparable à ce que les nazis ont fait subir aux Juifs ? 

Cette question a fait l’objet d’un débat considérable, notamment récemment après que Frans Timmermans eut fait une remarque en ce sens. Il a immédiatement été accusé d’antisémitisme, tout comme l’ensemble du parti PRO (le parti social-démocrate/vert des Pays-Bas), dont il est un membre éminent. Mais je soutiens qu’il avait raison : ce qu’Israël fait subir aux Palestiniens peut en effet être comparé à ce que les nazis ont fait subir aux Juifs. 

Comparer n’est pas synonyme d’assimiler. Lorsque nous comparons des événements, ou des séquences d’événements – c’est-à-dire des processus historiques –, nous prenons en compte non seulement leurs similitudes, mais aussi leurs différences. Et il existe en effet des différences importantes entre ce que les nazis ont fait subir aux Juifs et ce qu’Israël fait subir aux Palestiniens. Il n’y a, par exemple, pas de chambres à gaz à Gaza ni en Cisjordanie. Mais les Juifs ne se sont pas simplement retrouvés du jour au lendemain dans les chambres à gaz d’Europe de l’Est. Ce dénouement a été précédé d’un processus long et laborieux, dont l’issue est restée longtemps entourée de mystère. 

Prenons l’exemple de ma grand-tante Phine Asbacher-van Gelder. Elle était l’une des sœurs de ma grand-mère, Heintje Wertheim-van Gelder. Phine et son mari vivaient dans une charmante petite maison avec jardin à Aerdenhout. En 1942, cependant, ils ont été contraints de déménager dans un appartement du quartier du Transvaal, à Amsterdam-Est, soi-disant pour leur propre sécurité. Les nazis ont concentré toute la population juive néerlandaise dans ce quartier, et au fil du temps, environ 80 % de ses habitants étaient juifs. Comme le quartier était géographiquement enclavé entre le canal Ringvaart et une ligne de chemin de fer surélevée, il pouvait facilement être complètement bouclé. Ma grand-tante et son mari furent ensuite transportés via la gare de Muiderpoort vers le camp de Westerbork, là encore soi-disant pour leur propre bien. Peu de temps après, ils furent déportés de là vers Sobibor, où son mari fut assassiné le 7 mai 1943. Phine elle-même fut assassinée quelques mois plus tard, le 23 juillet 1943. Ils avaient respectivement 61 et 59 ans. Ma grand-mère a échappé à ce sort en mettant fin à ses jours le 14 mai 1940, le jour où les Pays-Bas ont capitulé face à l’Allemagne nazie, en même temps que mon grand-père, Jonas Mozeszoon Wertheim. Ils avaient pressenti ce qui attendait les Juifs. 

Le processus progressif par lequel les Juifs ont été entraînés de plus en plus profondément dans un piège constitué de compartiments successifs a été décrit avec une grande clarté par le sociologue juif polonais Zygmunt Bauman. Dans son ouvrage influent publié en 1989, *Modernité et Holocauste*, Bauman montre comment ce mécanisme fonctionnait : à chaque étape successive, les Juifs étaient confrontés à un choix entre le mal et le pire. Ils étaient contraints de faire ce choix eux-mêmes, et c’est ainsi que ce système perfide les rendait complices du processus qui aboutit finalement à leur propre destruction. Pendant tout ce temps, l’issue finale de ce processus restait enveloppée de ténèbres. 

Ce même processus par étapes, dans lequel les gens sont contraints de choisir entre le mal et le pire à mesure qu’ils pénètrent dans chaque compartiment successif du piège, se retrouve également dans ce qui arrive aux Palestiniens à Gaza et, dans une certaine mesure, en Cisjordanie. Là encore, l’issue finale reste cachée à ceux qui sont pris dans ce processus. Tout a commencé lorsque les Palestiniens ont été chassés de force de leurs maisons et de leurs villages au moment de la création de l’État d’Israël. Les forces israéliennes leur ont tiré dessus depuis les collines, leurs villages ont été rasés, et il est progressivement apparu que leur seule chance de survie était de trouver refuge dans des camps de réfugiés. Là, ils ont été entassés, d’abord dans des tentes puis dans des bâtiments permanents, dans des conditions de plus en plus difficiles. Au début, ils pouvaient encore quitter les camps, par exemple pour aller travailler en Israël. Mais petit à petit, leur liberté de mouvement a été restreinte. 

À Gaza, cet enfermement a été renforcé par une clôture électrifiée entourant l’ensemble du territoire, avec des tours de guet disposées à intervalles réguliers d’où la population était placée sous surveillance armée jour et nuit. En Cisjordanie, le processus s’est déroulé quelque peu différemment. Des colons israéliens se sont installés dans un nombre toujours croissant de localités à travers le territoire, s’emparant de terres palestiniennes et construisant des colonies dont les Palestiniens étaient exclus. Ces colonies étaient reliées par un vaste réseau routier, tandis que les Palestiniens étaient confrontés à un système complexe de postes de contrôle qui restreignait de plus en plus leur liberté de circulation. 

Au fil des ans, diverses formes de résistance ont vu le jour à Gaza. Citons par exemple les manifestations largement non violentes de 2018-2019, au cours desquelles des groupes de Palestiniens non armés se sont approchés à plusieurs reprises de la barrière depuis l’intérieur de Gaza. Les Gazaouis ont pu constater de leurs propres yeux comment Israël réagissait à de telles actions : les manifestants étaient touchés aux genoux. Dès 2006, il y avait également eu des périodes récurrentes durant lesquelles des zones entières étaient bombardées, ce qui était invariablement présenté comme une punition pour des actes de résistance particuliers. À la suite de l’incursion du 7 octobre 2023 depuis Gaza vers le territoire israélien, ces bombardements sont devenus plus ou moins continus. Avant chaque bombardement, les habitants avaient le choix : ils pouvaient partir vers une autre partie de Gaza, où on leur disait qu’ils seraient en sécurité. C’était le moindre des deux maux, et la plupart s’y sont conformés et ont fui. Pourtant, une fois arrivés dans la zone désignée, ils découvraient souvent qu’ils y étaient également bombardés. Ils avaient en réalité été contraints de choisir entre le mal – abandonner leurs foyers – et le pire – être bombardés. Ces derniers mois, ce processus est allé encore plus loin. La zone totale dans laquelle les Gazaouis sont autorisés à se déplacer a été progressivement réduite par la mise en place de la « ligne jaune ». Là encore, le processus s’est déroulé de manière progressive, étape par étape. 

Les bombardements ont non seulement contraint la population à se déplacer sans cesse, mais l’ont également privée des rares moyens de subsistance qui lui restaient. Au départ, par exemple, les Gazaouis pouvaient encore cultiver une partie de leur nourriture. À présent, cependant, ils sont devenus presque entièrement dépendants de la nourriture et des médicaments qu’Israël autorise à entrer sur le territoire. De plus, depuis le 7 octobre 2023, les Gazaouis ne sont plus autorisés à travailler en Israël, au-delà de la barrière. Jusqu’alors, environ 20 000 personnes – soit environ 1 % de la population de Gaza – le faisaient. Ces travailleurs devaient subir chaque matin des procédures humiliantes avant d’être autorisés à franchir la barrière pour se rendre au travail, puis à nouveau le soir à leur retour. Depuis lors, cependant, pratiquement personne n’a été autorisé à entrer ou à sortir de la bande de Gaza. Une fois de plus, cette mesure a été justifiée au nom de leur propre protection : en dehors de Gaza, les Palestiniens seraient soi-disant en danger en raison de la colère des Israéliens suite aux événements du 7 octobre 2023. 

Enfant, j’ai moi-même vécu un processus similaire, étape par étape, où chaque étape successive vous confrontait à un choix entre le mal et le pire. Pendant la Seconde Guerre mondiale, ma famille croyait que, loin en Indonésie, alors encore une colonie néerlandaise, nous serions à l’abri des nazis. Mais nous allions bientôt découvrir que le bras long de l’Holocauste nous atteindrait là-bas aussi. En 1942, alors que j’avais sept ans, le Japon a envahi et occupé le vaste archipel indonésien. À l’époque, quelque soixante millions d’Indonésiens y vivaient, tandis que les Néerlandais, qui avaient jusqu’alors gouverné la colonie, n’étaient qu’environ 300 000. Pour les forces d’occupation japonaises, il fut relativement facile de dépouiller cette petite minorité néerlandaise de son pouvoir en l’enfermant dans des camps. Et c’est précisément ce qu’elles ont commencé à faire dès les premiers mois de l’occupation. Elles ont mis en place environ trois cents camps à travers l’archipel, chacun accueillant environ un millier de prisonniers, avec des camps séparés pour les hommes, les femmes et les enfants. Les conditions variaient d’un camp à l’autre, mais partout, les gens étaient entassés derrière des clôtures, recevaient bien trop peu de nourriture et pratiquement aucun médicament, et étaient soumis à des châtiments brutaux pour la moindre forme de résistance. Et ils étaient surveillés jour et nuit sous la menace des armes depuis de hautes tours de bambou. 

Mon père a été emprisonné le jour même où les autorités coloniales se sont rendues. Ma mère, en revanche, a pu rester quelque temps dans notre maison près de l’étang aux canards à Batavia – aujourd’hui Jakarta – avec ma sœur, mon petit frère et moi. Cela a été possible parce que, sur les conseils de mon père, elle avait retiré tout leur argent de la banque dès le premier jour de l’occupation. Après tout, les salaires n’étaient plus versés. De nombreux Néerlandais ont commis l’erreur de faire le contraire : ils ont déposé leur argent à la banque et se sont rapidement retrouvés sans moyens de subsistance, ce qui ne leur a laissé d’autre choix que d’entrer dans les camps d’internement. 

Mais un jour, on nous a dit, à nous aussi, qu’il valait mieux que nous soyons internés dans un camp pour femmes, appelé par euphémisme « quartier protégé ». Au début, les internés étaient encore autorisés à quitter ces locaux pendant la journée, mais très vite, ils ont été complètement bouclés. La perspective d’entrer dans le camp était profondément angoissante. Bien que très peu d’informations aient filtré depuis sa fermeture, nous avions compris que les conditions à l’intérieur ne cessaient de se détériorer. Pourtant, on nous disait qu’à l’extérieur du camp, nous risquions d’être attaquées par la population indonésienne, ce qui aurait été bien pire. Face à ce choix, nous avons décidé d’entrer dans le camp. Après y avoir passé un an, ma mère a de nouveau été confrontée à un choix qui allait avoir des conséquences considérables. 

Le 24 septembre 1944, nous avons reçu un ordre des autorités japonaises du camp stipulant que toute personne ayant ne serait-ce qu’une goutte de sang juif dans les veines serait transférée dans un camp séparé. Le Japon, bien sûr, était allié à l’Allemagne nazie, et après la guerre, il est apparu clairement comment, à ce stade de l’occupation, les nazis avaient réussi à persuader les Japonais de séparer les internés juifs des autres. 

Ma mère n’était pas juive elle-même, mais nous, en tant qu’enfants de notre père juif, étions à moitié juifs. Elle passait ses nuits à se demander si elle devait nous faire enregistrer comme tels, sachant que cela risquait de nous valoir d’être envoyés dans un camp pour Juifs tandis qu’elle devrait rester derrière. Elle se disait que les Japonais ne savaient probablement pas que « Wertheim » était reconnu comme un nom juif. Nos compagnons de captivité néerlandais, en revanche, le savaient parfaitement ; il aurait donc suffi qu’un seul d’entre eux nous trahisse. Et tout le monde savait ce qui pouvait arriver si l’on désobéissait à un ordre des Japonais. Ma mère ne pouvait pas consulter mon père. Il était loin, dans un camp pour hommes, et nous ne savions même pas s’il était encore en vie. Après la guerre, cependant, nous avons appris qu’il avait été confronté au même dilemme et qu’après mûre réflexion, il avait décidé de prendre le risque et de ne pas s’enregistrer comme juif. 

Finalement, ma mère a décidé d’éviter le pire scénario – la possibilité d’être séparée de nous – et a choisi ce qui semblait être le moindre mal. Elle s’est enregistrée comme juive, ce qui signifiait que nous n’étions plus classés comme demi-juifs, mais comme pleinement juifs. Nous l’avons donc accompagnée au camp de femmes juives de Tangerang. De là, avec les autres femmes et enfants juifs, nous avons été transférés au camp d’Adek, où nous sommes restés jusqu’à la fin de la guerre. 

Quelques jours avant notre transfert, j’ai été confrontée pour la première fois à l’antisémitisme. Je revois encore l’un des amis de mon petit frère, debout à quelques pas de nous, qui scandait : « Vous devez aller à Tangerang, parce que vous êtes des Klojoden ! » 

Pour nous, Tangerang – et plus tard Adek également – était bien pire que le camp d’où nous venions. C’était encore plus insalubre, les maladies étaient encore plus répandues, les médicaments quasi inexistants, encore plus de gens mouraient, y compris des enfants, et nous souffrions d’une faim encore plus grande.  Et là aussi, nous étions contraints d’assister à des scènes où des gardes indonésiens sous commandement japonais, qui avaient tenté de s’échapper, étaient battus jusqu’au sang – un avertissement brutal destiné à nous maintenir dans le rang. Pourtant, grâce à nos codétenues juives, qui avaient été transférées à Tangerang depuis d’autres camps de femmes à travers l’ouest de Java, nous avons appris que, pour certaines d’entre elles, les conditions dans notre camp constituaient en réalité une amélioration. 

Ainsi, en considérant la situation dans son ensemble et en comparant la ségrégation des Juifs par les Japonais à la persécution des Juifs par les nazis en Europe, on peut identifier un certain nombre de similitudes. Une différence fondamentale résidait toutefois dans le fait que les Japonais, d’après ce que j’ai pu établir depuis la guerre, n’avaient aucune intention de nous tuer. 

Revenons brièvement à ce qui se passe en Cisjordanie. Les Palestiniens n’y sont pas bombardés, mais eux aussi sont progressivement confinés dans des zones de plus en plus restreintes, tandis que leurs conditions de vie s’aggravent de jour en jour. Eux aussi sont sans cesse confrontés à des choix entre le mauvais et le pire et sont ainsi rendus personnellement complices de la détérioration de leur situation, sans savoir où ce processus les mènera finalement. Lorsqu’une nouvelle colonie israélienne est sur le point d’être établie – ce qui est souvent annoncé par l’apparition d’un mobil-home temporaire sur des terres palestiniennes –, les habitants savent ce qui risque de leur arriver s’ils résistent. Ils risquent d’être attaqués, souvent par des forces armées, et des personnes peuvent être tuées, avec l’aide de l’armée israélienne ou, à tout le moins, sous son œil vigilant. Alors, qu’est-ce qui est pire : risquer la mort ou abandonner ses terres ? 

Zygmunt Bauman a mis en évidence un autre aspect de l’Holocauste que l’on retrouve également dans la manière dont Israël traite les Palestiniens. Il s’agit des intervalles entre les ordres successifs par lesquels les nazis cherchaient à enfoncer les Juifs toujours plus profondément dans le piège. Ces intervalles ne devaient pas être trop courts, car les Juifs avaient souvent choisi le moindre de deux maux précisément dans l’espoir de gagner du temps. Si la mesure suivante intervenait trop rapidement, les nazis risquaient de perdre la coopération de leurs victimes potentielles. On observe un schéma similaire dans la manière dont Israël agit dans les territoires palestiniens, où un certain laps de temps s’écoule généralement entre une mesure et la suivante. 

Un dernier aspect de l’œuvre de Bauman que je tiens à souligner – et qui peut également s’appliquer à ce qui est infligé aux Palestiniens – est l’effort déployé par Israël pour dissimuler ses actions au monde extérieur. Les nazis ont déployé des efforts extraordinaires pour dissimuler leurs chambres à gaz au regard du public, et ils y sont remarquablement parvenus. On observe sans aucun doute un effort similaire visant à restreindre le regard extérieur à Gaza, où l’accès des journalistes a été sévèrement limité et où, comme chacun sait, de nombreux journalistes ont été tués.

En bref, comparer n’est pas synonyme d’assimiler. Il existe certes des différences entre la manière dont les nazis traitaient les Juifs à l’époque et celle dont Israël traite les Palestiniens aujourd’hui, mais il y a également des similitudes. Il doit être possible d’identifier et de discuter de ces similitudes sans que ceux qui le font soient vilipendés pour avoir établi cette comparaison.

 

Anne-Ruth Wertheim mène des recherches sur le racisme depuis des décennies. Ancienne professeure de biologie, elle est sculptrice et écrivaine et vit à Amsterdam.

Informed Comment

 

[Photo de Gaza par Hosny Salah : https://www.pexels.com/photo/child-in-gaza-camp-working-in-muddy-conditions-35934179/ - reproduit sur groupegaullistesceaux.fr]

Meta interdit en Espagne les publicités pour une pièce consacrée à Virginia Woolf au motif qu’elles font référence au féminisme

Le théâtre a appris que Facebook et Instagram filtraient les publicités évoquant des « thèmes de société » tels que les droits civiques ou le féminisme 

Clara Sanchis

Un théâtre de Barcelone s’est vu interdire de promouvoir sur Instagram et Facebook une adaptation théâtrale de l’ouvrage de Virginia Woolf *Une chambre à soi*, au motif que l’œuvre aborde des « thèmes sociaux ». 

Lorsque le Teatre Raval, qui vient de rouvrir ses portes et peut accueillir 193 spectateurs/spectatrices, a demandé à Meta, la société mère des deux réseaux sociaux, pourquoi sa publicité avait été bloquée, on lui a répondu que « toute mention des droits civiques, du féminisme ou de la réforme sociale [des thèmes centraux dans l’œuvre de Woolf] est généralement classée comme « sujet de société » par notre système automatique » et est donc filtrée. 

Pour remédier à cette situation, Meta a recommandé de supprimer certains « mots-clés » afin que le texte ne donne pas l’impression d’encourager l’activisme. 

Le théâtre a publié un communiqué dans lequel il déclare : « Nous nous sentons obligés de dénoncer l’injustice et la violation de nos droits que représente le fait de ne pas être autorisés à promouvoir une œuvre féministe, en l’occurrence une œuvre de Virginia Woolf, née en 1882. 

« Que pouvons-nous faire ? En tant que théâtre, nous devons faire connaître nos activités… et nous devons utiliser les réseaux sociaux pour que le public soit informé des activités culturelles. » 

La pièce, un spectacle solo interprété par Clara Sanchis, est une adaptation d’une série de conférences données par Woolf en 1928 à Newnham et Girton, qui étaient alors les deux seuls collèges de l’université de Cambridge à admettre des femmes. 

Ces conférences ont été publiées l’année suivante sous la forme d’un essai sur la situation des femmes dans la société et leur accès à l’éducation. Les femmes étaient admises à étudier à Cambridge depuis 1869, mais elles n’ont été autorisées à obtenir un diplôme qu’à partir de 1948. 

Woolf affirmait que pour produire une fiction de grande qualité, « une femme doit avoir de l’argent et une chambre à elle ». Elle écrivait dans son journal intime qu’elle s’attendait à être attaquée en tant que féministe pour ce qu’elle avait écrit. 

« Nous ne savons pas si cette publicité a été rejetée à cause du nom de Virginia Woolf, à cause du mot “féminisme”, ou pour les deux raisons », a déclaré Sanchis au journal La Vanguardia. 

«·Quoi qu’il en soit, c’est une manière d’effacer de la carte des avancées qui ont mis des siècles à se concrétiser. Nous avons donné aux réseaux sociaux un pouvoir illimité et nous constatons chaque jour à quel point cela est dangereux. C’est du parti pris et de la manipulation. »

 

Stephen Burgen, à Barcelone, 2& septembre 2026
Traduit par DE

 

[photo : Teatre Raval - reproduit sur entreleslignesentrelesmots.wordpress.com]

Israèl vòl retirar la nacionalitat als realizaires de Naza

Lo documentari premiat a Venècia denóncia lo sistèma mes en plaça per l’armada israeliana en Gaza, e avia una violenta ofensiva politica contra sos realizaires

Lo 12 de setembre passat, los cineastas israelians Yuval Abraham e Rachel Szor recebèron lo prèmi especial de la jurada de l’83a Mostra de Venècia.

Escrich per Jòrdi Ràfols

Lo 12 de setembre passat, los cineastas israelians Yuval Abraham e Rachel Szor recebèron lo prèmi especial de la jurada de l’83a Mostra de Venècia per Naza, un documentari d’80 minutas que critica los metòdes utilizats per l’armada e los servicis d’entresenhas israelians dins la guèrra en Gaza. «Aquela vertat es documentada e coneguda dempuèi lo primièr jorn gràcias als jornalistas palestinians. Mai de 200 d’eles son estats aucits per Israèl en Gaza», çò diguèt Abraham en recebent lo guierdon.

Mas las autoritats israelianas an pas gaire presat lo documentari premiat a Venècia, al ponch que lo ministre de la cultura, Miki Zohar, a anonciat que demandariá la revocacion del ciutadanatge israelian d’Abraham e de Szor, qu’acusa de «traïson envèrs l’Estat», çò rapòrta Libération. A exigitv tanben que foguèsson examinadas las condicions dins las qualas las informacions utilizadas dins lo filme foguèron obtengudas.

Rodat principalament de nuèch dempuèi los teulats de Tel Aviv, lo filme s’apièja sus de testimoniatges de membres e d’ancians membres de l’aparelh militar e las entresenhas israelianas, e enquista suls sistèmas utilizats per identificar las butas e avalorar a l’avança lo nombre de victimas civilas d’una tustada. Lo títol Naza correspond precisament a un acronim militar utilizat pels servicis israelians, sortit dels tèrmes ebrieus «nezekagavi» (damatge collateral), que designa lo marge de victimas civilas jutjat tolerable pendent una ataca.

 

[Imatge: LucaFazPhoto - sorsa: www.jornalet.com]


O momento no que a Asemblea da ONU se baleirou cando ía falar Netanyahu

Boa parte das delegacións abandonaron o salón da Asemblea Xeral das Nacións Unidas cando o primeiro ministro israelí, Benjamin Netanyahu, se dispuña a intervir. O mandatario respondeu cualificando de "covardes" os representantes que marcharon e dedicou o seu discurso a defender a actuación de Israel en Gaza, Cisxordania e fronte ao Irán.

O primeiro ministro israelí, Benjamin Netanyahu, este 24 de setembro na Asemblea Xeral da ONU en Nova York.

Puido verse este 24 de setembro na sede das Nacións Unidas en Nova York. Mentres a delegación israelí se erguía para aplaudir a Benjamin Netanyahu, representantes de numerosos Estados abandonaban o salón da Asemblea Xeral antes de que o primeiro ministro de Israel comezase a súa intervención. A Presidencia da Cámara tivo que chamar á orde en varias ocasións durante os primeiros momentos do discurso. 

Até 77 delegados de Estados de todo o globo erguéronse dos seus asentos e abandonaron a sala mentres o primeiro ministro israelí comezaba o seu discurso. Concretamente, foron os delegados de Siria, Palestina, Xordania, Líbano, Iraq, Arabia Saudita, Qatar, Kuwait, Omán, Iemen, Exipto, Sudán, Tunisia, Alxeria, Libia, Mauritania, Somalia, Comores, Turquía, Irán, Paquistán, Afganistán, Bangladesh, Indonesia, Malaisia, Brunei, Maldivas, Myanmar, Corea do Norte, Turkmenistán, Uzbekistán, Kirguizistán, Suráfrica, Senegal, Djibuti, Angola, República do Congo, República Democrática do Congo, Liberia, Eritrea, Chad, República Centroafricana, Madagascar, Níxer, Botswana, Uganda, Lesoto, Eswatini, Guinea Ecuatorial, Mozambique, Namibia, Kenya, Suriname, Panamá, Venezuela, Antigua e Barbuda, Belize, Barbados, Colombia, Dominica, Nicaragua, Perú, Santa Lucía, Bahamas, Bolivia, Cuba, Güiana, Brasil, Chile, Macedonia do Norte, San Marino, Eslovenia, Bosnia e Hercegovina, España, Irlanda, Tuvalu e Tonga.

 Netanyahu reaccionou ao abandono da sala desde o propio estrado. Dirixiuse aos diplomáticos que permanecían nela e convidou os "outros covardes morais" a marchar tamén. Posteriormente cualificou de "hipócritas" os representantes que protestaron contra a política israelí e acusou parte dos países europeos de "renderse ao antisemitismo" por adoptar sancións ou recoñecer o Estado palestino. 

O primeiro ministro israelí centrou parte da intervención en rexeitar as acusacións de xenocidio pola ofensiva sobre Gaza, que definiu como "a mentira máis grande do século". Netanyahu sostivo que Israel tomou medidas para evitar vítimas civís e agradeceu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o apoio de Washington a Israel. 

As declaracións prodúcense nunha Asemblea Xeral marcada novamente pola situación nos territorios palestinos ocupados. O secretario xeral da ONU, António Guterres, advertiu esta semana de que Gaza sufriu unha escala de mortes e destrución sen precedentes durante o seu mandato e lembrou que a Corte Internacional de Xustiza ditou medidas provisionais de obrigado cumprimento no procedemento aberto ao abeiro da Convención para a Prevención e a Sanción do Delito de Xenocidio. 

"Non temos elección" 

No seu discurso, Netanyahu reivindicou tamén a presenza israelí nos territorios palestinos ocupados e nos Altos do Golán sirios ocupados por Israel. Ao referirse a Cisxordania utilizou a denominación bíblica de "Xudea e Samaria" e rexeitou que a política do seu Goberno poida ser cualificada de colonialista. "Non temos elección", afirmou. 

O mandatario restou ademais importancia á violencia exercida por colonos israelís contra a poboación palestina en Cisxordania, aos que se referiu como "mozos delincuentes". Pola contra, Guterres advertira dous días antes de que a expansión dos asentamentos, a violencia dos colonos, as demolicións, os desaloxos e as confiscacións de terras están a crear un ambiente cada vez máis coercitivo e a aumentar o risco de limpeza étnica. A ONU lembra que os asentamentos israelís nos territorios palestinos ocupados vulneran o Dereito Internacional. 

Netanyahu dedicou outra parte destacada do discurso ao Irán. Defendeu os ataques contra instalacións nucleares iranianas e asegurou que a decisión de actuar contra elas fora unha das máis sinxelas que adoptara como primeiro ministro. Tamén prognosticou a caída do actual Goberno iraniano e asegurou que algúns dos dirixentes que abandonaran a sala lle agradeceran en privado a actuación de Israel contra Tehran. 

A intervención de Netanyahu chegou horas despois da do presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, que participou mediante unha mensaxe gravada. A Asemblea Xeral autorizara previamente esa fórmula por 152 votos a favor, tres en contra —Estados Unidos, Israel e Paraguai— e catro abstencións. Abbas reclamou á comunidade internacional protección para o pobo palestino e o fin da ocupación e asegurou que os palestinos non abandonarán a súa terra nin aceptarán que outros decidan o seu futuro. 

 

 

[Foto: Marek Ladzinski / ZUMA Press Wire / DPA - fonte: www.nosdiario.gal]

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Comissão eleitoral israelita quer afastar partidos árabes das legislativas

Comissão Eleitoral Central afastou a Lista Árabe Unida e a Lista Conjunta, bem como um atual e um ex-deputado. Defesa fala de um “processo racista e arbitrário” e vai recorrer para o Supremo. 

Sessão no parlamento israelita

O Adalah - Centro Legal para os Direitos da Minoria Árabe em Israel - denunciou o afastamento dos partidos árabes das próximas eleições legislativas israelitas marcadas para 27 de outubro, na sequência de queixas interpostas pela direita.   

Para este centro que assumiu a defesa dos visados, tanto as audiências como as próprias acusações “demonstraram mais uma vez que se trata de um processo arbitrário, incitador e racista, desprovido de qualquer base jurídica. A Comissão Eleitoral Central conduziu um processo político ilegítimo destinado a perseguir ideias que a maioria não aceita, o qual culminou na desqualificação de toda a representação palestiniana no Knesset israelita”, anunciou o Adalah. 

A Lista Árabe Unida (Ra’am), liderada pelo deputado Mansour Abbas, foi acusada de apoio à luta armada de uma organização terrorista ou Estado inimigo, com a defesa a alegar que as acusações se apoiaram em elementos antigos que foram já revistos pelo Procurador Geral e os serviços de segurança, tendo estes chegado a conclusões bem diferentes. 

Quanto à Lista Conjunta, liderada por Yousef Jabareen e reunindo os partidos Hadash/Jabha, Balad/Tajammu' e Ta'al, a acusação invocou propostas legislativas e posições também já examinadas no passado, algumas pelo Supremo Tribunal. Mas não apontou nenhuma ação concreta que justificasse o afastamento, ficando agora em causa “a possibilidade de centenas de milhares de cidadãos escolherem os seus representantes”, refere o Adalah. 

As mesmas acusações de apoio à luta armada serviram para impedir as candidaturas do antigo deputado e presidente do Balad, Sami Abu Shehadeh, com mais de três décadas de intervenção pública comprometida com os direitos humanos e a busca de uma solução diplomática. A sua defesa fez o contraste com os casos que envolveram figuras dos partidos sionistas radicais que incitaram à violência contra palestinianos e foram poupados à desqualificação das candidaturas, enquanto no caso de Shehadeh a acusação se baseia num único artigo em árabe para concluir que ele “supostamente” apoiou a luta armada contra Israel, quando a mensagem desse artigo é por uma solução política para israelitas e palestinianos.

Também o atual deputado Ofer Cassif, do Hadash/Jabha, viu a sua candidatura excluída devido a uma queixa do Likud. “É difícil acreditar que o Likud, ao apresentar esta moção, tenha realmente pensado que esta se baseava em provas, mesmo que remotamente relacionadas com os motivos de inelegibilidade previstos na Lei Fundamental. A legislação israelita não permite impedir um candidato de entrar no Knesset simplesmente por criticar o exército e o governo por cometerem crimes de guerra contra os palestinianos, e muito menos por apoiar a criação de um Estado palestiniano ao lado de Israel”, afirmou na audiência Ariel Remez, a advogada do Adalah. 

O Adalah anunciou que irá contestar estas decisões junto do Supremo Tribunal, tal como o fez em eleições passadas em que os juízes acabaram por revogar os afastamentos decididos pela Comissão Central Eleitoral

 

[ Foto: Knesset - fonte: www.esquerda.net]

Qui écrira et qui lira dans un monde où l’écriture n’est plus spécifiquement humaine ?

L’écrivain québécois d’origine haïtienne est accusé d’avoir utilisé l’intelligence artificielle pour son roman C’était ça ou mourir, lauréat du prix du roman Fnac. Une polémique qui interroge sur l’avenir de la littérature à l’heure des nouvelles technologies, analysent le haut fonctionnaire Raphaël Doan et l’économiste Antoine Levy. 

« Si le procès Orélien devrait donc être d’ores et déjà clos pour tout critique de bonne foi, celui de la littérature ne fait que s’ouvrir. »

Écrit par Antoine Levy, Raphaël Doan 

Il y a quelques semaines, les meilleurs modèles d’intelligence artificielle d’OpenAI trouvaient une solution à l’un des problèmes les plus difficiles de la recherche mathématique, celui de Navier-Stokes. Aujourd’hui, ces modèles ont franchi un pas sans aucun doute plus difficile : écrire un roman capable d’atteindre les plus prestigieux prix littéraires parisiens. 

L’affaire Thélyson Orélien elle-même, malgré les dénégations de l’auteur et de son éditeur français, est entendue. Son roman C’était ça ou mourir a déjà reçu plusieurs prix littéraires et été sélectionné pour le Renaudot et le Goncourt ; il fait l’objet d’éloges dithyrambiques de la part de la quasi-totalité de la critique française, qui y voit un style « poignant », une « langue poétique pour dire l’indicible », et même un texte « profondément humain ». Pourtant les textes d’Orélien sont de toute évidence, pour quiconque est familier de ces outils, le produit de l’IA générative. Ils ont été soumis à de nombreux détecteurs d’IA quasi unanimes sur la question (à l’exception un peu ridicule de l’outil « interne » développé par l’AFP, qui prétend y lire une plume 100 % humaine). Le plus convaincant est celui développé par Pangram, validé scientifiquement à de multiples reprises et dont le taux de « faux positifs » sur des textes francophones longs est inférieur à 1 sur 50 000. Plus accablant encore, seuls les textes d’Orélien datant d’après 2023 - et donc de l’accès généralisé aux LLM et aux robots conversationnels - sont identifiés par Pangram comme de l’IA. 

La totalité de ses textes récents le sont ; aucun de ceux parus de sa plume dans des journaux ou des revues québécoises et françaises avant 2022 ne porte en revanche la signature de l’IA (ils portent par contre souvent celle du plagiat, car plusieurs sont des traductions automatiques par Google Translate entièrement recopiées sur des articles philippins ou colombiens). En dépit des arguments avancés par certains, qui prétendent sans aucune preuve que les détecteurs seraient trompés par un style géographique particulier, les passages qui sonnent IA dans son livre n’ont pas d’inspiration haïtienne particulière, alors qu’aucun texte d’auteur classique afro-caribéen, comme Césaire ou Laferrière, n’est identifié par Pangram comme de l’IA ; pas plus que ne l’est aucun des chapitres pris au hasard dans les autres grands romans de la rentrée - ce qui est plus rassurant. 

Si le procès Orélien devrait donc être d’ores et déjà clos pour tout critique de bonne foi, celui de la littérature ne fait que s’ouvrir. Que faire des livres dans le monde d’après ? Celui dans lequel un roman entièrement généré par l’intelligence artificielle parvient non seulement à tromper éditeurs, pairs et critiques, à rafler des prix, mais aussi à trouver un lectorat large et venu de tous horizons, transformant ce qui aurait pu n’être qu’une mauvaise farce en phénomène littéraire vendu à plusieurs dizaines de milliers d’exemplaires - et en humiliation pour le landerneau culturel. Ce dernier a péché, par naïveté, sans doute, par conformisme, peut-être, mais aussi et surtout par ignorance choisie des progrès récents de l’IA. Alors même que les preuves s’accumulaient, nombreux sont ceux parmi les éditeurs, les journalistes ou les auteurs qui refusent encore d’accepter qu’une IA peut désormais produire un texte aux qualités littéraires certes discutables, mais suffisamment populaires pour en faire un succès d’audience comme d’estime et un candidat parmi les plus sérieux au Goncourt et au Renaudot. C’est précisément le manque de curiosité scientifique de ce monde littéraire qui le conduit à ignorer l’évolution fulgurante des capacités techniques de l’IA générative, passée en à peine deux ans de gadget amusant à une super-intelligence dominant largement les meilleurs humains dans la plupart des domaines cognitifs, écriture comprise. Pangram aura sauvé ces précieux ridicules de l’embarras, mais sans doute pour la dernière fois ; il semble de plus en plus probable que dès cette année, les modèles les plus récents soient à la fois capables de produire de grandes œuvres littéraires et de tromper les détecteurs les plus affûtés. 

Qui écrira, alors, et surtout qui lira, dans un monde dans lequel l’acte d’écrire n’a plus rien de spécifiquement humain ? Certains éléments de réponse transparaissent dans le sort d’autres artisanats traditionnels que la machine a déjà rendus matériellement obsolètes, mais qui persistent, à petite échelle, à destination d’une clientèle de niche. Ainsi du textile ou de la maroquinerie : si la masse de la demande s’est déplacée vers une production industrielle peu coûteuse, régulière et de bonne qualité, il demeure quelques consommateurs pour payer le prix fort pour du cousu main, par snobisme, goût de l’expérience, ou souci quasi philanthropique de subventionner le procédé de fabrication pour lui-même. Ainsi de la musique, où la disposition à payer des consommateurs s’est peu à peu déportée de l’objet matériel (le disque enregistré, désormais reproductible à l’infini et à coût nul) vers l’expérience sensorielle du concert en présence de l’artiste lui-même. Peut-être voudra-t-on alors, parmi certains esprits pointus et portefeuilles profonds, payer pour assister à l’expérience de création littéraire, ou entendre le romancier déclamer de vive voix sa prose fraîchement produite, plutôt que pour un objet livre dont rien ne saurait plus garantir l’origine authentiquement humaine. Dans un tel monde, la seule valeur (mais elle est grande) d’un auteur de chair et d’os est son existence intrinsèque et la foi que les lecteurs placent en lui. 

Ironiquement, le livre de Thélyson Orélien aurait tout à fait pu correspondre à cette nouvelle façon d’apprécier la littérature. À l’évidence, ce qui a plu à beaucoup de lecteurs et de critiques, c’est d’abord l’histoire que véhiculait l’existence même du livre, le lien charnel que pouvait avoir son auteur avec son sujet, la perspective d’accéder par la lecture à une expérience humaine singulière, celle d’un réfugié haïtien bravant plusieurs fois la mort et déterminé à l’écrire. Mais cet enchantement ne peut survivre à la conscience que le texte n’a pas été écrit par l’auteur. Le risque est désormais que ce soupçon plane sur tous. Ce sera aux auteurs de construire patiemment, auprès de leurs lecteurs, la confiance requise pour être lus.

 

Raphaël Doan, ancien élève de l’ENS et de l’ENA, agrégé de lettres classiques, est entrepreneur, essayiste et senior advisor pour la société Accuracy. Il a notamment publié Si Rome n’avait pas chuté (Passés composés, 2023). Antoine Levy est économiste. Il enseigne à Berkeley (Haas School of Business) en Californie.

 

[Photo : Sarah Meyssonnier / REUTERS - source : www.lefigaro.fr]

Neix un centre d’estudis catalans a la Universitat Montreal, el primer fora d’Europa

La Universitat de Montreal i l’Institut Ramon Llull impulsen un nou centre d’estudis catalans que reunirà sota un mateix paraigua l’ensenyament, la recerca, la innovació tecnopedagògica, la formació professionalitzadora, la programació cultural i la mediateca. 

Universitat de Montreal

El Pol d’Estudis Catalans de la Universitat de Montreal (PECUM) és el primer centre d’aquestes característiques que s’obre fora d’Europa. La seva inauguració oficial tindrà lloc aquest divendres 25 de setembre coincidint amb el Dia Europeu de les Llengües. 

La creació del PECUM culmina una trajectòria iniciada l’any 2007, quan la Universitat de Montreal va incorporar els estudis catalans a la seva oferta acadèmica gràcies a la col·laboració amb l’IRL. En aquests 19 anys, més de 1.000 estudiants han passat per les seves aules de català, convertint-lo en un dels centres de referència de l’ensenyament de la llengua i la cultura catalanes a l’Amèrica del Nord. 

Amb aquest pol, la Universitat de Montreal és la cinquena del món que disposa d’una estructura estable d’aquestes característiques sostinguda per l’IRL. Les altres són la Universitat de la Sorbona de París, la Queen Mary de Londres, l’Adam Mickiewicz de Poznan i l’Stranieri de Siena. 

Recerca, innovació i cultura 

El PECUM neix amb la voluntat d’anar més enllà de la docència i convertir-se en un espai de referència per a la promoció dels estudis catalans al Canadà. Entre els seus objectius hi ha impulsar projectes de recerca i innovació en didàctica de llengües; organitzar seminaris i jornades acadèmiques; desenvolupar experiències professionalitzadores en àmbits com la subtitulació i la mediació cultural; coordinar activitats culturals obertes a la comunitat, i acollir professorat i investigadors convidats. 

L’acord marc signat entre la Universitat de Montreal i l’Institut Ramon Llull tindrà vigència fins al 2030, amb possibilitat de pròrroga, i preveu el desenvolupament de programes presencials, híbrids i a distància per continuar ampliant l’abast dels estudis catalans. 

El projecte de la Universitat de Montreal 

L’oferta acadèmica de la Universitat de Montreal ha passat de les cinc assignatures inicials a onze cursos, els quals inclouen llengua, cultura, literatura, traducció, pràctiques professionals i viatges d’immersió lingüística.

El mínor en estudis catalans, creat el 2014, conté 30 crèdits acadèmics i va ser el primer de l’Amèrica del Nord, abans que els de les universitats de Massachusetts i Chicago. El curs 2025-2026 va comptar amb 79 estudiants i 103 matrícules distribuïdes en deu grups docents. 

Actualment, la Universitat de Montreal és l’única universitat del Quebec que ofereix una formació completa en llengua i cultura catalanes i una de les tres institucions canadenques amb estudis catalans, juntament amb la de Toronto i la British Columbia. 

 

[Font: www.cultura21.cat]