sábado, 22 de julho de 2017

11 coisas que irritam os brasileiros na Europa

"Você não parece brasileiro", "de país carioca" e outras frases e costumes dos quais não gostamos


Escrito por ISABELA FERREIRA SPERANDIO


Há controvérsias. Por mais detalhada que seja a lista de coisas que potencialmente irritam um brasileiro na Europa, muita gente diria que os personagens deveriam estar invertidos e que neste caso, o listado seria muito maior.

Pode ser. Mas quem passou bastante tempo no velho mundo sabe que depois alguns meses acabamos tendo as nossas próprias observações de alguns costumes meio irritantes e bem comuns pelo lado de lá.

1. Quando conhecemos alguém que nos diz "Você não parece brasileiro/a".
Normalmente você faz cara de alface e sorri, mas internamente fica com vontade de responder: "Deve ser porque minha bisavó era filha de índio com negra e se casou com um italiano. Meu pai é filho de um italiano loiro de olhos azuis. Por parte de mãe tenho sangue índio, português e alemão. A única cara de brasileiro que tem no meu país é a dos indígenas, que aliás, estão sendo dizimados por lá".

2. "Ah, Brasil! Você dança samba ou capoeira? Ama carnaval?"
Não. Você, dança flamenco / ländler da Baviera / toca gaita?

3. Ler e ouvir nos jornais que o Brasil é um "país carioca", algo que tão estranho quanto dizer que a França é um país parisiense ou que a Espanha é um país flamenco...
Para os brasileiros não precisamos explicar, mas se tiver algum gringo por aí, preste atenção: carioca é quem nasce na cidade do Rio de Janeiro, nem sequer quem nasce no estado do Rio, que é fluminense. O Brasil é um país enorme, com diferenças culturais tão grandes quanto o seu próprio território. Uma pessoa de Curitiba, por exemplo, vê o sol menos dias por ano do que um morador de Londres. Agora imagine chamar este cidadão, primo do conde Drácula, que não dança samba e que parece preferir vinho à caipirinha, de carioca!

4. "Você fala brasileiro?"
Perguntar se falamos brasileiro é como perguntar se uma pessoa nascida na Bolívia fala boliviano. Não. Na Bolívia eles falam espanhol. Da mesma forma que os brasileiros falam português, o idioma de outros nove países colonizados por Portugal.

5. O bullying do 7x1, que é especialmente irritante porque tirou de nós brasileiros uma das poucas coisas com a qual podíamos bullar todas as outras nações: a nossa (ex-)absoluta superioridade no futebol.

6. "A capital é Buenos Aires?"
Sem comentários, né?

7. Filmes dublados
Para quem não mora ou morou na Europa pode ser difícil acreditar, mas sim, em alguns países a (grande) maioria dos cinemas projeta seus filmes em versão dublada e eles ainda se orgulham disso, porque dizem que sua dublagem é excelente. Pra você conseguir vê-los em versão original, vai ter que ir às salas pequenas e enfrentar filas (de estrangeiros, em maioria).

11 coisas que irritam os brasileiros na Europa

8. Não existe um chuveiro fixo e grande; a maioria são duchas que você pode segurar com a mão, que se movem sozinhas enquanto você enxagua o cabelo e que acabam jogando a água para o lado que você não quer, podendo, na maioria das vezes, molhar grande parte do banheiro.
Isso porque a falta de boxes, que são substituídos por cortinas de plástico - e que têm que ser trocadas, devido ao mofo, a cada 12 meses - são a regra.

9. As mulheres brasileiras têm uma queixa específica: muitos europeus acham que passamos o dia de biquíni, sambando e fazendo sexo com desconhecidos. E que adoramos ser assediadas. Há também o preconceito puro e duro, e acabam achando que somos oportunistas. Ah, claro, e que de vez em quando queremos casar com eles.

10. "Higiene" é uma palavra polêmica, mas te entregar a barra de pão ao mesmo tempo e com a mesma mão que te devolvem o troco, para um brasileiro médio, realmente, é meio irritante.

11. Chá, café com leite e bolinho de creme na praia.
11 coisas que irritam os brasileiros na Europa

Pois é. E parece que "estranho" ainda é um adjetivo suave para isso, mas pensem no contexto: você está na praia, faz calor, a paisagem é meio desértica, você sente falta das palmeiras, das árvores e daquele clima tropical. Chega a metade da tarde e você pensa em tomar uma cervejinha com queijo coalho ou uma caipirinha com camarão. Nos dias mais animados, pensa que pediria um capeta para o moço e lembra como, nestes casos, acabava fazendo amigos.

Mas você abre os olhos e está em uma praia espanhola. Toca um sino e chega um carrinho vendendo a "merenda". Dá a impressão de que é só para crianças, mas de repente toda a população de biquíni gigante e bermuda à meia coxa se aglomera pra comprar café com leite e chá. Quente. Com bolinho de creme, para merendar na praia (!!!!).

É, amigos. Não é exatamente estranho. Talvez a palavra adequada seja.... triste.


[Foto: CAMILA SOUZA GOVBA - fontewww.elpais.com]

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