Foi
o autor de 'O Tango de Satanás', adaptação do livro do Nobel da Literatura,
László Krasznahorkai.
Escrito por Carla Alves Ribeiro
O cineasta húngaro Béla Tarr, figura de culto do cinema da Hungria, morreu esta terça-feira, 6 de janeiro, aos 70 anos, revelou a agência noticiosa húngara MTI.
A informação da morte do cineasta, vítima de doença prolongada,
foi divulgada pelo realizador Bence Fliegauf em nome da família de Tarr.
Béla
Tarr é autor, entre outros, de O Tango de Satanás (1994),
filme adaptado do romance com o mesmo nome do escritor László Krasznahorkai,
Nobel da Literatura de 2025, e que é um fresco de mais de
sete horas sobre o declínio do comunismo na Europa. Esta obra trouxe-lhe
reconhecimento internacional.
Também
as películas A harmonia Werckmeister (2000) e O cavalo
de Turim (2011), o último filme do realizador húngaro, são
considerados por muitos críticos como alguns dos melhores filmes de sempre.
Em 2013 Béla Tarr criou, em Sarajevo, um programa de formação em
cinema, o film.factory, e passou a dedicar-se à formação de jovens cineastas.
Desde a película Kárhozat (Damnation, em
inglês), de
1988, que
os filmes de Béla Tarr foram realizados em parceria com o conterrâneo László
Krasznahorkai.
A carreira de Béla Tarr começou no final dos anos 1970 com filmes
como Family
Nest (1979) e The Outsider (1981)
em que retrata a vida da classe trabalhadora húngara, num estilo
quase documental, de realismo social.
Nos anos 1980 a sua obra muda para um estilo austero, a preto a
branco, com longos planos, mostrando o lado mais negro da condição humana.
Numa masterclass que
Béla Tarr deu em Espinho, Portugal, em 2016, no âmbito do FEST- New
Directors/New Films Festival, moderada pela cineasta portuguesa Martha Appelt,
o realizador húngaro afirmou que começou a fazer filmes para mudar o
mundo, mas que percebeu que os filmes não mudam o mundo, mas alterando a
linguagem do cinema, estaria a mudar "uma pequena parte do mundo".
Para o cineasta, um filme "tem que estar próximo da
vida", e aquilo que via no cinema, as histórias, a dramaturgia, era tudo "fake".
Por isso, acrescentou Béla Tarr nessa masterclass partilhada
em parte pela cineasta portuguesa em forma de entrevista, não usava
nos seus filmes atores profissionais, mas "pessoas reais".
“Eu só via filmes falsos. Queria mostrar-vos a vida real, queria
abalar-vos, queria dar-vos um murro, queria dar-vos um pontapé. Queria
mostrar-vos como esta merda de realidade é de facto. E foi por isso que decidi:
sem argumento, sem atores profissionais, sem dramaturgia correta, 16 mm a preto
e branco com câmara à mão. Cortes feios, apenas para mostrar
que está cheio de energia, cheio de raiva, porque eu queria mostrar-vos como a
vida é.”
Com Lusa
[Foto: europeanfilmacademy.org - fonte: www.dn.pt]

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